terça-feira, 13 de outubro de 2026

Crítica – Tubarão de Guerra

 

Análise Crítica – Tubarão de Guerra

Review – Tubarão de Guerra
Fui assistir Tubarão de Guerra esperando uma podreira ao estilo “tão ruim que é bom”. Ultimamente produções desse tipo tem me decepcionado, entregando porcarias entediantes ao invés de algo trash divertido, mas felizmente esse aqui conseguiu encontrar o ponto de equilíbrio em ser ruim o bastante para ser engraçado.

Águas sangrentas

A narrativa se passa durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de soldados australianos no Oceano Pacífico ficam à deriva no mar depois que seu navio é destruído em um ataque aéreo japonês. Eles conseguem improvisar uma balsa com os escombros, mas sem comida, água e cercados por neblina as chances de sobreviverem são poucas. As coisas pioram quando eles percebem que um tubarão branco está cercando os destroços.

A produção apresenta uma cartela de que é baseada em uma história real, mas a única coisa que realmente aconteceu foi o navio de guerra AMS Armidale ser naufragado por um ataque dos japoneses, todo o restante, incluindo o tubarão, foi inventado. É visível que se trata de uma produção de baixo orçamento, filmando os personagens em planos próximos e mantendo uma neblina constante para disfarçar que tudo foi filmado em um pequeno tanque de água. O tubarão é mostrado o mínimo possível, aparecendo em cortes rápidos para não percebermos a precariedade da computação gráfica e dos efeitos práticos.

O protagonista Leo (Mark Coles Smith) é o clichê do sujeito com um trauma do passado e que luta para ser aceito, já que é alvo de preconceito por ser de origem aborígene. É bem genérico, assim como o restante dos personagens, mas todo o elenco é tão histriônico e o filme conduz os embates entre os personagens com relativa seriedade, tornando tudo engraçado. Isso é sentido desde o início, que mostra o treinamento dos personagens, a figura do sargento durão que os treina é tão caricata que a despeito do filme tentar construir o sujeito como alguém sério, ele soa quase como uma paródia desse arquétipo.

Os excessos seguem durante o resto do filme, com ações e mortes bem idiotas divertindo pelo senso de absurdo. Um exemplo é o momento em que um dos soldados dorme segurando uma granada e com um dedo no pino. Leo acorda para perceber que o sujeito se moveu enquanto dormia e removeu o pino da granada, a granada rola das mãos do sujeito até encostar em um companheiro próximo, que urra em pânico e rola por cima da granada para evitar que os companheiros também se machuquem, sendo explodido em mil pedaços. É tudo muito estupido (é óbvio que dormir segurando o pino de uma granada ia dar errado) e muito exagerado (deitar em cima da granada não deixaria apenas alguns pedaços de uma pessoa) que se torna engraçado.

A trama toma muitas liberdades com o comportamento dos tubarões, que aqui opera quase como algo sobrenatural, sobrevivendo a tiros e explosões como se nada lhe causasse dano, e também com condutas em guerra. Não faz sentido, por exemplo, o avião japonês gastar preciosa munição para matar meia dúzia se soldados flutuando em entulho no meio do nada quando eles provavelmente morreriam de qualquer jeito e não configuram ameaça para ele, sem falar que isso seria crime de guerra. Eu poderia me estender mais sobre furos históricos ou narrativos, mas, bem, ninguém entra para assistir um filme como esse esperando precisão histórica ou uma trama que faça sentido.

Tubarão de Guerra é uma produção bem precária, com atuações exageradas e um roteiro que não faz sentido em muitos momentos, mas todas essas falhas ao menos conseguem tornar o filme divertido.

 

Nota: 2/10


Trailer

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