Torneio sangrento
Na trama, Raiden (Tadanobu Asano) precisa reunir os campeões da Terra para lutar no Mortal Kombat. O último dos escolhidos é Johnny Cage (Karl Urban), um astro de ação que já passou do auge e agora vive das glórias do passado. Cage reluta, mas acompanha Raiden e os demais no combate contra os guerreiros liderados por Shao Khan (Martyn Ford). O que eles não sabem, é que Khan planeja usar o Amuleto de Shinnok para se tornar imortal e garantir a vitória no torneio.
O filme rapidamente descarta o protagonista insosso do filme anterior para manter seu foco em Cage, que funciona muito melhor como esse sujeito comum jogado no meio de uma guerra entre deuses e monstros. É o tipo de canalha que Urban sabe interpretar muito bem (vide Billy Bruto em The Boys) e que aqui é acompanhado por certa amargura por ter desperdiçado o próprio potencial e um senso de humor conforme seu ego colide com os demais personagens.
A história é tanto de Cage quanto de Kitana (Adeline Rudolph), que colabora secretamente com Raiden para tentar derrubar Kahn, embora seja constantemente vigiada por Jade (Tati Gabrielle, de Uncharted), sua guarda-costas. Adeline Rudolph é competente em evocar o estoicismo resoluto de princesa, bem como sua ferocidade em combate, nos deixando perceber a dor que move Kitana.
Por outro lado, personagens como Liu Kang (Ludi Lin) continuam relegados ao segundo plano. Lin ao menos protagoniza uma das melhores cenas de luta no confronto entre Liu Kang e Kung Lao (Max Huang), que vale tanto pela intensa coreografia de luta, que usa bem os poderes dos dois lutadores, como pela tensão que cria ao explorar o drama desses dois amigos forçados a lutar um contra o outro.
Guerra sem regras
Como acontecia no primeiro filme, os personagens constantemente quebram ou ignoram as regras do torneio e não há muita consequência para isso, como se o filme se esquecesse das regras que ele mesmo estabeleceu para si. Muitos elementos passam tão rapidamente ou não são explicados como deveriam, como o retorno de Bi-Han (Joe Taslim), o que provavelmente vai deixar boiando quem não é muito familiar com os games ou com a mitologia desse universo. Por outro lado, a produção acerta ao não se levar muito a sério, diferente do sisudo primeiro filme, abraçando as facetas mais humoradas e cafonas dos games.
As cenas de ação são melhores do que o primeiro filme, usando com criatividade os poderes dos personagens e também os cenários do jogo, como a piscina de ácido ou a masmorra de espinhos. As lutas que se situam dentro do torneio propriamente dito, porém, sofrem pela sua natureza previsível. É fácil antever quem vai ganhar ou perder, o que tira um pouco da tensão delas.
O desfecho incomoda pela promessa de trazer de volta personagens mortos. Sim, é algo comum nos games e faz sentido lá, já que é um meio de manter os lutadores favoritos dos jogadores para que eles continuem comprando o jogo, mas aqui essa escolha só tira o peso das mortes. É uma pena também que o filme faça tão pouco uso do marcante tema musical, relegado aos créditos.
Com um protagonista mais
interessante e melhores cenas de luta Mortal
Kombat II entrega um resultado melhor que seu antecessor, ainda que repita
alguns de seus problemas.
Nota: 6/10
Trailer


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