Caçada humana
Ainda que a narrativa seja bem básica e todo o arco do trauma pessoal de Sasha seja previsível, com a situação toda servindo para que ela mais uma vez valorize a própria vida e reencontre a vontade de viver depois da perda que sofreu, o que envolve é o trabalho da dupla principal e as cenas de ação.
Taron Egerton entrega uma performance insana como um sujeito sádico que encara suas ações como um ritual primitivo. Ele consegue ser igualmente ameaçador, esquisito e em alguns momentos, como quando dança pelado no mato ao som de música pop, até meio ridículo. Egerton conduz tudo com uma energia intensa e consegue fazer o vilão soar crível a despeito dos excessos ao ponto que fiquei curioso para saber mais sobre ele e como ele se tornou assim, algo que o texto nunca se interessa muito em construir, se limitando a fornecer o necessário para ancorar o jogo de gato e rato com Sasha.
Já Theron faz de Sasha uma mulher cujo estoicismo esconde a dor da perda do marido e de parte de si mesma. Se antes ela agia pela busca da adrenalina ou da aventura, agora ela parece agir como se buscasse um desafio que não pudesse superar, como se não se importasse se vai viver ou morrer. Conforme a disputa com Ben se desenvolve, no entanto, ela reencontra seu impulso de sobrevivência e sua ferocidade.
A dupla consegue elevar um
material bem raso e banal, tornando os personagens interessantes mesmo quando
há pouquíssima substância por trás deles. O modo como o diretor Baltasar
Kormákur, que dirigiu Evereste
(2015), filma a ação é outra qualidade. Ele capta bem a dualidade das
paisagens, carregadas de beleza e perigo. A câmera acompanha os personagens com
bastante proximidade nos colocando junto a eles conforme eles descem
corredeiras ou escalam montanhas, construindo um senso de imersão que só é
prejudicado pelo uso de uma computação gráfica pouco convincente.
Nota: 6/10
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