sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Crítica – Predador: Terras Selvagens

 

Análise Crítica – Predador: Terras Selvagens

Review – Predador: Terras Selvagens
Em Predador: A Caçada (2022) e Predador: Assassino de Assassinos (2025) o diretor Dan Trachtenberg parece ter encontrado a fórmula para fazer os filmes do Predador funcionarem: situar a trama em um período histórico específico e colocar os yautja para enfrentar guerreiros de diferentes épocas. Agora com Predador: Terras Selvagens o diretor tenta sacudir essa fórmula.

Caçada selvagem

A narrativa é protagonizada por Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi), um jovem yautja que é considerado fraco pelo seu clã por ser menor que o padrão da raça. Seu irmão, Kwei (Mike Homik) tenta treiná-lo para que prove seu valor, mas o pai deles vê o esforço de Kwei em proteger o irmão como fraqueza e tenta matar os dois. Dek sobrevive e para provar a força ao pai e conquistar seu dispositivo de camuflagem viaja até um remoto e perigoso planeta para caçar uma criatura que dezenas de outros predadores tentaram e falharam. Chegando lá ele encontra a sintética Thia (Elle Fanning), uma androide a serviço a corporação Weyland-Yutani (sim, a mesma de Alien) que está ali em uma missão para capturar a mesma criatura. Dek decide ajudar Thia a consertar suas pernas em troca do conhecimento dela a respeito da fauna e flora hostis do lugar. Agora os dois precisam enfrentar tanto as criaturas do planeta, quanto as tropas da Weyland, que veem o yautja como uma ameaça aos planos e Thia como um fracasso a ser descartado.

De certa forma o arco de Dek é semelhante ao de Naru (Amber Midthunder) em Predador: A Caçada, alguém a margem de seu povo e querendo provar seu valor. Em todos os filmes da franquia os yautja sempre foram os inimigos a serem derrotados, o antagonista, então é interessante essa tentativa de mexer na fórmula. Tenho minhas reservas quanto a explicar demais o funcionamento da sociedade dos yautja ou humanizar demais esses caçadores, já que um monstro é mais assustador quando você conhece pouco a seu respeito. Aqui, no entanto, há mitologia suficiente para entendermos o ethos ao qual Dek quer se encaixar e como isso guiou a vida dele até o ponto em que o encontramos, sem estragar a mística dessas criaturas.

Thia é o completo oposto de estoico e sisudo Dek, sempre falante e otimista, querendo conhecê-lo melhor. Assim como Dek, Thia é alguém vista como fraca e descartável por seus iguais porque não é tão implacável e está disposta a sacrificar a missão para proteger os outros. É por essa similaridade que eles acabam se conectando. As tentativas de humor, por outro lado, não funcionam como deveriam. A verborragia constante de Thia muitas vezes rende piadinhas óbvias sobre o ambiente ao redor deles que soam mais aborrecidas do que efetivamente engraçadas. Do mesmo modo, as tentativas de humor que vem da oposição entre as personalidades deles e o fato de Dek não entender muito bem nossa linguagem também não funcionam. Imagino que elas são uma tentativa de fazer algo similar às interações entre John Connor e o T-800 em Exterminador do Futuro 2 (1991), mas sem o mesmo sucesso.

Planeta feroz

Ainda que seja alguém excluído pelos seus pares, Dek é tão brutal, implacável e disposto a matar quanto qualquer um de raça. Não fosse o fato de que ele mata criaturas alienígenas e robôs, a classificação indicativa seria mais alta, já que o vemos dilacerar seus inimigos, esmagar cabeças, explodir criaturas e todo o tipo de morte criativa que já vimos predadores cometerem. Ele, no entanto, é diferente dos demais membros de sua raça, já que ao longo do filme ele e Thia chegam ao entendimento de que força não é apenas ser capaz de matar tudo em seu caminho, mas ser capaz de proteger aquilo que lhes é importante, inclusive a fauna local da cobiça da Weyland.

É algo que difere da conduta típica dos yautja, que se veem como caçadores e o universo como terreno de caça. Faz sentido para a narrativa de Dek e por ele ser excluído de seu povo, mas espero que isso não se torne algo comum em outras histórias com essas criaturas. Não quero que os predadores se transformem em anti-heróis defensores da natureza e espero que esse filme não marque uma guinada no modo de representar esses seres.

O filme cria um senso de ecossistema coeso para o planeta hostil, em que cada criatura ou elemento de vegetação tem uma razão para funcionar do jeito que é em relação ao restante daquele ambiente. Da grama afiada, passando pelo pequeno “macaco-tatu” que se enrola numa bola para não se cortar na vegetação, cada espaço ou ser exótico existe não apenas para ser um visual criativo, mas para interagir com aquele ambiente.

Embora seja em Dek que a ação seja concentrada, Thia acaba protagonizando uma das cenas de ação mais criativas do filme quando controla remotamente suas pernas para lutar contra outros sintéticos da Weyland-Yutani, com seu tronco e pernas separados, mas lutando em conjunto, explorando de maneira curiosa como seria alguém usar partes do corpo separadas de si para lutar. Confesso que ri um pouco ao me lembrar da cena da “perna cabeluda” de O Agente Secreto (2025).

Inventivo e brutal, Predador: Terras Selvagens entrega uma aventura envolvente ao mexer na fórmula dos filmes do predador, embora eu torça para que certos elementos apresentados aqui não virem norma.

 

Nota: 7/10


Trailer

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