segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Crítica – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

 

Análise Crítica – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois

Review – Song Sung Blue: Um Sonho a Dois
Biografias de artistas da música normalmente se debruçam sobre figuras de grande sucesso, que marcaram época e tiveram canções que ficaram no imaginário da população. O que me chamou atenção neste Song Sung Blue: Um Sonho a Dois foi justamente o fato do filme ir na contramão disso ao acompanhar uma dupla de músicos de modesto sucesso local.

Música em família

A trama se baseia na história real do casal Mike (Hugh Jackman) e Claire (Kate Hudson) Sardina, duas pessoas de meia idade que se apaixonam pelo desejo de viver de música e juntos formam uma banda-tributo a Neil Diamond que faz muito sucesso na cidade de Milwaukee. A narrativa mostra as vidas difíceis dos dois e como eles se conectam pelo amor música, com a banda servindo para que eles superem os momentos mais difíceis de suas vidas.

Os dois não são megaestrelas, tampouco se tornam ricos fazendo música, com Mike ainda mantendo um emprego regular a despeito da banda chegar a abrir shows grandes como o do Pearl Jam em sua cidade. O ponto da história deles não é a jornada de sucesso ou o virtuosismo musical, mas lembrar da capacidade redentora da arte.

Hugh Jackman traz a Mike um olhar pesaroso, de quem passou por muitos problemas na vida, cuja dor é transformada quando ele sobe no palco e tem a oportunidade de se transformar em alguém diferente e nesse instante, através da música, consegue colocar para fora seus sentimentos. Jackman também dota Mike de uma sinceridade direta, alguém que já viveu tempo suficiente com os próprios demônios que é capaz de falar deles abertamente. Claire é alguém que foi reprimida e diminuída a vida inteira e que finalmente se sente vista e aceita ao ter seu talento reconhecido tanto por Mike quanto pelos fãs quando ela performa no palco.

Biografias comuns

Embora seja o tipo de história que biografias musicais não costumam contar, a estrutura é muito similar aos exemplares mais típicos do gênero, acompanhando a formação da banda, o sucesso inicial, as dificuldades que surgem, principalmente quando um acidente envolvendo Claire abala a vida do casal, e a eventual redenção dos personagens quando eles decidem retomar a carreira e encontram nisso um propósito.

É uma reflexão de como a arte não precisa estar a serviço da busca pelo estrelato ou medida pela riqueza que se extrai dela, que a vivência artística por si só pode ser significativa na vida de alguém e mudar a vida das pessoas ao redor. Mike e Claire se tornam pessoas melhores ao estarem juntos, não apenas como músicos, mas como pais, estando mais presentes para os seus filhos, ajudando na criação dos filhos do companheiro e criando uma unidade familiar que talvez não fosse possível se a paixão pela música não os tivesse unido em primeiro lugar.

O trabalho do elenco convence do clima de afeto e unidade familiar que os personagens experimentam. As performances musicais, por sua vez, revelam o carisma do casal nos palcos e como a energia deles conseguiu conquistar as pessoas, mesmo quando eles tocam em locais como restaurantes e parques de diversões.

Embora esquemático, Song Sung Blue: Um Sonho a Dois ao menos consegue trazer emoção genuína para a história de seus protagonistas ao ponderar sobre o papel da arte na vida das pessoas.

 

Nota: 6/10


Trailer

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