terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Crítica – Socorro!

 

Análise Crítica – Socorro!

Review – Socorro!
Dirigido por Sam Raimi, Socorro! é um filme cuja existência não sabia até cerca de uma semana antes da sessão para imprensa. Não sabia nada a respeito dele além de que era estrelado por Rachel McAdams e fui assistir sem sequer ter assistido trailer. O que encontrei foi uma grata surpresa misturando terror, comédia e a esquisitice que sempre está presente nos filmes de Raimi.

Sobrevivência corporativa

Na trama, Rachel McAdams interpreta Linda Liddle (um nome que facilmente poderia ter sido criado pelo Stan Lee), responsável pelo planejamento estratégico da empresa onde trabalha. Quando Bradley (Dylan O’Brien), filho do dono da empresa, assume a presidência do negócio e dá a promoção que seu pai prometera a Linda para um amigo pessoal, a protagonista se sente frustrada. Para compensar, Bradley promete levá-la a uma viagem de negócios para a Tailândia, onde ela poderia provar seu valor. No caminho o avião cai e Linda e Bradley são os únicos sobreviventes. Bradley não tem qualquer habilidade para sobreviver na ilha deserta em que caem, mas Linda é uma experiente amante da natureza e engenhosa no modo como lida com os elementos, o que muda a dinâmica entre ela e seu chefe.

O primeiro ato estabelece bem como Linda é menosprezada no trabalho, tanto por chefes quanto por colegas. Ela é uma figura solitária, vivendo apenas com seu pássaro de estimação e sem muito traquejo social. Suas roupas amarrotadas, largas e compostas por suéteres e saias longas que parecem bem velhos são um meio de mostrar como ela é deslocada naquele ambiente corporativo. Dar o devido tempo para que vejamos o quanto ela é maltratada pelos colegas e chefes é importante para o sentimento de catarse que virá depois quando ela vira o jogo e Bradley passa a depender dela para sobreviver. Sim, ela por vezes é cruel com o chefe, mas ele é tão babaca com ela que é difícil não tomar partido de Linda.

Aos poucos a protagonista demonstra tomar gosto por essa inversão da dinâmica e pelo modo que usar seus conhecimentos de sobrevivência de fato a fazem se sentir mais confiante e no controle. Sam Raimi acompanha o crescimento de sua protagonista com o típico gore presente em seus filmes. Quando Linda caça e mata um javali pela primeira vez, ela não apenas espeta o animal com uma lança improvisada, mas fica cara a cara com o bicho enquanto ele jorra sangue e baba em cima dela. O mesmo pode ser dito da cena em que Linda tenta salvar Bradley de um afogamento, mas fica vomitando sem parar em cima dele por ter comido algo tóxico.

Relações de poder

Muito da tensão do filme vem da troca constante na dinâmica entre Linda e Bradley. Num momento ele parece aceitar que precisa obedecê-la, logo depois ele tenta passar a perna nela para, em seguida, Linda demonstrar para ele porque ela está no controle. Eles não exatamente confiam um no outro, mas são obrigados a trabalhar juntos. Assim, mesmo quando parece que Linda está sendo cruel demais com Bradley, o que afastaria nossa simpatia por ela, o filme logo nos dá novas razões para detestá-lo.

Seria fácil, inclusive, fazer de Bradley um babaca unidimensional. Sim, ele é um mauricinho mimado e machista, que acha que todo mundo tem obrigação de servi-lo, mas também há nele algo de patético e solitário que ajuda a explicar como ele se tornou assim sem, no entanto, redimi-lo. Em dado momento do filme parece que a história vai na direção de construir algum tipo de envolvimento amoroso entre eles e da motivação de Linda em querer continuar na ilha e adiar o resgate deixa de ser a vingança contra o chefe e sim uma espécie de paixonite ingênua por ele.

Felizmente o filme não passa muito tempo nisso, embora eu temi por um instante que o sangrento clímax fosse tornar Linda a vilã da história. Ainda bem que o filme mantem a protagonista em sua jornada meio torta, hilária e sangrenta de empoderamento, com o raccord final de seu movimento com o taco de golfe na ilha, cortando para tempos depois dela ter saído, mostrando o domínio que ela tem do instrumento e do esporte que fora citado pelo chefe como o motivo dela não ter recebido uma promoção.

 

Nota: 7/10


Trailer

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