sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Crítica – Palm Royale: 2ª Temporada

 

Análise Crítica – Palm Royale: 2ª Temporada

Review – Palm Royale: 2ª Temporada
Depois de uma divertida primeira temporada, Palm Royale entra em sua segunda temporada investindo ainda mais em seus excessos folhetinescos. Ainda que seja sustentado pelo ótimo elenco, esse segundo ano acaba sendo um pouco inferior que o primeiro.

Fundos de família

A narrativa se passa meses depois do fim da primeira temporada. Maxine (Kristen Wiig) foi colocada em um manicômio e Linda (Laura Dern) fugiu do país depois de ser considerada a responsável pelo tiroteio que aconteceu no Palm Royale. Já recuperada, Norma (Carol Burnett) incentiva Douglas (Josh Lucas) a casar com Mitzi (Kaia Garber) que está grávida dele para que finalmente possam desbloquear o fundo fiduciário para um herdeiro da família Dellacorte assim que o bebê nascer. Como os Dellacorte morreram cedo e sem filhos, nas últimas décadas, com Norma e Douglas sendo os últimos remanescentes, essa pode ser a única esperança de acessar o dinheiro. O problema é que no final da temporada descobrimos que Norma não é quem diz ser, tendo assumido o lugar da verdadeira Norma quando estudou com ela em um colégio interno na juventude e Maxine busca meios de revelar a fraude de Norma.

Como no primeiro ano, o elenco diverte ao devorar o cenário com suas alpinistas sociais histriônicas. Seja pela falta de noção de Maxine, a falta de escrúpulos de Evelyn (Allison Janney), a desfaçatez de Norma, que posa como uma idosa frágil, mas mexe os pauzinhos nos bastidores para conseguir o que deseja, a mafiosa obcecada por ovos Fabergé interpretada por Patti LuPone ou a imaturidade patética de Douglas. Por mais que as personagens sejam figuras pitorescas, o texto nunca perde de vista a humanidade delas, nos trazendo suas motivações e dando a elas momentos de vulnerabilidade em que expõem como, naquela época, o alpinismo social era a única maneira de mulheres garantirem algum patrimônio para si.

O senso de exagero e excentricidade também se encontra nas localidades e situações que a narrativa apresenta, em especial nos episódios em que a trupe liderada por Maxine vai à Suíça atrás do passado de Norma, onde elas lidam com um estranho feriado envolvendo a história de uma meretriz ou o segmento em que Perry (Jordan Bridges) se perde na neve e começa a delirar.

Universo em transformação

Há uma tentativa de comentar sobre o conservadorismo da época em relação a mulheres ou a pessoas LGBT, como evidenciado nas histórias de Robert (Ricky Martin) e Tom (Rick Cosnett), no entanto, a impressão é que as tentativas de comentário ou sátira social são menos presentes aqui no que no ano de estreia. A temporada parece mais focada em uma constante de reviravoltas bombásticas do que em expandir suas observações sobre a sociedade da época de maneira consistente.

São tantas reviravoltas, tantas guinadas que as vezes fica difícil se importar com o que acontece porque rapidamente qualquer transformação no estado das coisas logo será desfeito por uma nova reviravolta. Mal a narrativa uma irmã gêmea para Maxine (um expediente clássico do folhetim) ela já é morta. Nem bem Maxine usa a morte da irmã para forjar a própria morte, ela já se revela como viva antes do episódio acabar. São elementos que não conseguem ir além do choque momentâneo e acabam não sendo aproveitados.

Ao menos os dois episódios finais conseguem amarrar bem as tramas construídas ao longo da temporada, dando a elas soluções satisfatórias que se afastam das sugestões mais absurdas feitas ao longo desse segundo ano (como a hipótese de que a nonagenária Norma era a responsável pelos vários assassinatos, incluindo a irmã de Maxine). A resolução do conflito entre Norma e Maxine também é satisfatória por reconhecer o quanto as duas personagens são parecidas e que poderiam ter sido aliadas se percebessem que ambas são mulheres que vieram do nada e tentaram conquistar algo para si mesmas. Na verdade, a despeito de uma ou outra ponta solta que permitiria continuar a história, o desfecho resolve tão bem certas coisas que seria melhor a série parar por aqui.

 

Nota: 6/10


Trailer

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