Magia enganosa
Depois dos eventos da primeira parte, Elphaba decide enfrentar o Mágico e denunciar suas mentiras para o povo de Oz. O regime do mágico, no entanto, usa toda sua capacidade de comunicação para convencer as pessoas que Elphaba quer destruir Oz e é uma inimiga do povo. Glinda (Ariana Grande) se alia ao Mágico e a Madame Morrible (Michelle Yeoh) já que eles dão tudo que ela sempre quis. Ainda assim Glinda teme por Elphaba e deseja resolver o conflito entre ela e o mágico.
Como na primeira parte, é uma história sobre como ouvir uma narrativa sob um único ponto de vista pode te dar uma visão distorcida dos fatos. Um tema ainda mais relevante na realidade política contemporânea onde ferramentas digitais tornam ainda mais fácil falsear a realidade e convencer pessoas de uma narrativa fabricada. Isso fica evidente na cena em que a Madame Morrible usa magia para mudar a mensagem que Elphaba deixa no céu, transformando um alerta sobre as mentiras do mago em uma ameaça de morte contra o povo de Oz.
Por outro lado, a narrativa apresenta muitos personagens e ideias sem dar o devido tempo de desenvolvê-los. Chega a ser paradoxal, mas embora seja um filme relativamente longo, com quase duas horas e vinte, tudo soa apressado. Vemos alguém chamar Nessa (Marissa Bode), a irmã de Elphaba, de “bruxa má do leste” por sua suposta maldade, mas tirando o modo como ela trata Boq (Ethan Slater), nunca vemos essa crueldade. Inclusive é justamente por conta da conduta de Nessa não ser bem construída que o momento em que ela toma o grimório de Elphaba para punir Boq não tem a força que deveria.
Muitos elementos também ficam mal explicados, como o papel que o Mágico espera que Dorothy desempenhe ou como os companheiros da garota, que tem suas próprias agendas em relação a Elphaba, a influenciam. Sim, eu sei que essa é a história de Elphaba e Glinda, que Dorothy é menos importante, no entanto, a trama deixa muitas lacunas que fazem alguns desenvolvimentos soarem sem sentido. Como, por exemplo, Fiyero (Jonathan Bailey) sabia qual era o plano de Elphaba se eles nunca interagem depois de sua transformação? Ele resolveu acompanhar Dorothy como uma espécie de agente duplo?
As canções continuam sendo ótimas, um mérito já presente no musical de teatro. Aqui, no entanto, não há nenhum número que tenha a mesma força que Defying Gravity teve na primeira parte. Cynthia Erivo e Ariana Grande seguem sendo o coração do filme na dinâmica complicada entre Elphaba e Glinda, além de entregarem performances musicais muito boas. Algumas canções, porém, são prejudicadas pelas performances dos seus intérpretes. Nas poucas vezes em que precisa cantar, Michelle Yeoh faz Morrible soar robótica demais. Jeff Goldblum também não dá conta do número musical do Mágico, falhando em trazer o charme cínico do ilusionista.
Considerando o quanto eu gostei
da primeira parte, fui para essa segunda metade com altas expectativas e
infelizmente elas não foram correspondidas. Não que Wicked: Parte 2 seja um filme ruim. Ele é fiel aos seus temas e
desenvolve bem a relação das duas protagonistas principalmente através das
performances das duas atrizes principais, só que nunca parece fazer plenamente
jus ao seu potencial como a primeira parte fez.
Nota: 6/10
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