terça-feira, 17 de outubro de 2017

Crítica - Além da Morte

Análise Além da Morte


Review Além da Morte
Linha Mortal (1990) não era lá grande coisa a despeito de sua premissa intrigante sobre o que acontece quando morremos e do carisma de seu elenco formado por (então) jovens astros como Julia Roberts, Kiefer Sutherland e Kevin Bacon. A ideia de um remake, este Além da Morte, só faria sentido se houvesse algum esforço para finalmente fazer jus ao potencial de sua premissa. Esta nova versão, no entanto, não demonstra qualquer disposição ou esforço de melhorar coisa alguma e ainda piora algumas coisas.

A trama é praticamente a mesma do filme original. Um grupo de estudantes de medicina decide pesquisar o há além da vida e que tipo de experiência uma pessoa tem depois da morte. A equipe é liderada por Courtney (Ellen Page) e a experiência consiste em zerar os batimentos cardíacos para depois ser revivido com o desfibrilador. Ao serem revividos, eles tem suas capacidades mentais ampliadas, mas também são atormentados por horrendas visões.

Assim como o original, a premissa sobrenatural/existencial acaba desperdiçada com explicações pouco convincentes que não dão conta do que exatamente está acontecendo. Se as visões são uma manifestação de seus traumas produzidos em sua mente em seus últimos momentos de vida, como essas visões, mesmo as que correspondem a pessoas que estão vivas, conseguem aparecer no mundo físico e ferir esses personagens? Suas mentes estão fazendo esses traumas se manifestar fisicamente no nosso mundo? Eles trouxeram para nosso mundo algum tipo de criatura que se alimenta do medo como o palhaço de It: A Coisa?

Essa indefinição é ainda piorada pela adição do conceito de que "retornar da morte" daria uma maior inteligência ou habilidades que eles não tinham antes. Mesmo considerando o componente sobrenatural, não há uma justificativa do porque eles ficam surperinteligentes, principalmente porque uma das primeiras cenas do filme mostra Courtney conversando com uma paciente cujo coração parou e precisou ser ressuscitada e a mulher não exibe nenhum traço desse desenvolvimento mental. A trama inclusive se "esquece" dessa superinteligência conforme a história progride como se isso nunca tivesse sido mencionado. Várias ações dos personagens também ficam sem qualquer repercussão, a exemplo da cena na qual os seguranças os encontram no porão do hospital e os perseguem até o estacionamento, quando os protagonistas fogem de carro. Por mais que os seguranças possam ter deixado de anotar a placa, é difícil crer que o estacionamento de um hospital não tem nenhuma câmera de segurança ou que ninguém investigasse o acontecido.

Os sustos são quase sempre previsíveis e na maioria das vezes consistem de algo saltando inesperadamente em cima dos personagens. Além de ser possível vê-los vindo, falta algo de impactante, grotesco e tenebroso na concepção visual dessas visões para realmente assustar. A mensagem sobre a importância de reparação de erros e injustiças do passado é tratada com pouca sutileza através de frases de feito que parecem saídas de um livro ruim de autoajuda. Desta maneira, nada de realmente interessante é feito com uma premissa que podia render algo interessante.

Ellen Page faz o que pode para dar alguma dignidade à sua Courtney, mas ela é sabotada por um roteiro que na maioria das vezes a coloca em situações ridículas, como a cena em que ela derruba a parede do apartamento e esfrega chantilly no corpo, que geram risos ao invés de empatia. O mesmo pode ser dito dos demais personagens e o romance entre Marlo (Nina Dobrev) e Ray (Diego Luna) é tão frígido e sem química que fica difícil se importar com eles. Os atores são prejudicados por diálogos sem sentido como "deveríamos colocar parada cardíaca em uma garrafa e vender como droga em boates". O que diabos isso quer dizer? Esses personagens não deveriam ser estudantes inteligentes de uma prestigiosa faculdade? Porque diriam algo tão imbecil e sem sentido?

O filme ainda coloca Kiefer Sutherland em um personagem que o texto nunca deixa claro se é o mesmo sujeito do filme original ou se ele está ali como um mero "fan service". De qualquer maneira o longa desperdiça a presença do ator, visto que ele não faz a menor diferença na narrativa.

Além da Morte marca a segunda vez que uma premissa boa é mal utilizada, resultando em um terror sem sustos e um drama existencial raso no qual não há razão para se importar com os dilemas dos personagens. Eu poderia ser esperançoso e dizer que talvez numa terceira tentativa Hollywood consiga acertar, mas talvez seja melhor não continuar revivendo essa história.

Nota: 2/10


Trailer

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