terça-feira, 31 de março de 2020

Rapsódias Revisitadas – Memórias do Subdesenvolvimento




Crítica – Memórias do Subdesenvolvimento

Review – Memórias do SubdesenvolvimentoMisturando ficção e relato documental, Memórias do Subdesenvolvimento propõe uma reflexão sobre o estado de subdesenvolvimento da América Latina e também sobre a Cuba pós-revolução castrista. Lançado em 1968 e dirigido por Tomáz Gutiérrez Alea a partir de um romance escrito por Edmundo Desnoes, é também um experimento de linguagem audiovisual, tentando encontrar maneiras de transmitir sua mensagem ser recorrer a uma estrutura narrativa cinematográfica clássica. Na verdade, o texto parece menos interessado em contar uma história com início, meio e fim e mais em nos fazer seguir o fluxo de consciência de seu protagonista.

A película é centrada em Sérgio (Sérgio Corrieri), um intelectual da classe alta cubana que assiste a vitória de Fidel Castro e da Revolução Cubana em 1959. De maneira não linear, o filme mostra a vida de Sérgio desde a revolução até a crise dos mísseis em 1962. Enquanto a esposa do protagonista e outros de seus parentes optam por deixar a Cuba pós-revolução para ir para os Miami, Sérgio opta por ficar na ilha, já que nutre certa identificação com as plataformas da revolução.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Crítica – Ozark: 3ª Temporada


Análise Crítica – Ozark: 3ª Temporada

Review – Ozark: 3ª TemporadaQuando escrevi sobre a segunda temporada de Ozark mencionei como a trama era eficiente em impor dilemas morais aos personagens principais e colocá-los em rumos sombrios. Pois este terceiro padece justamente por não conseguir criar conflitos convincentes graças aos coadjuvantes ruins que insere na narrativa, ainda que o elenco principal seja bom o suficiente para manter o nosso interesse. O texto a seguir pode conter SPOILERS da temporada.

A trama continua no ponto onde o ano anterior parou. Os Byrde consolidam a posição deles no lago Ozark inaugurando um cassino que serve de fachada para lavar dinheiro de carteis mexicanos. Marty (Jason Bateman) começa a pensar em estratégias para fugir de tudo isso, enquanto Wendy (Laura Linney) pensa em aproveitar para se consolidarem em uma posição de poder na comunidade local e expandir a presença deles em negócios lícitos. O casal está em desacordo quanto à melhor estratégia e isso começa a causar conflitos ao mesmo tempo em que outras ameaças surgem ao redor deles.

A série sempre teve sua parcela de personagens mal construídos que serviam apenas para ser um obstáculo, a exemplo do agente Petty (Jason Butler Harner), que ficava tão dentro do clichê do policial obsessivo que virava uma caricatura. No entanto essa terceira temporada abusa desse recurso, com a maioria dos novos personagens se comportando de maneira estúpida e caricata ou produzindo reações estúpidas nos personagens. Um exemplo é Erin (Madison Thompson), filha de Helen (Janet McTeer), a advogada do cartel. Erin é uma jovem que quer perder a virgindade a qualquer custo e se envolve com pequenos criminosos de Ozark. A personagem parece saída de uma daquelas comédias adolescentes e destoa do resto da trama.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Rapsódias Revisitadas – Mega Man X7


Crítica – Mega Man X7


Review – Mega Man X7
Eu sinto que estou traindo o propósito dessa coluna. Não estou aqui falando de algo que estou retornando, mas que experimentei pela primeira vez. Não joguei Mega Man X7 quando ele foi originalmente lançado para Playstation 2 e só agora com Mega Man X LegacyCollection 2 eu pus as mãos nele. Então estou retomando uma discussão sobre um produto que foi lançado anos atrás, o que, de certa forma, significa que eu o estou revisitando, de certa forma. Na minha crítica de Mega Man X Legacy Collection 2 me referi a este Mega Man X7 como o pior da franquia e aqui vou tentar ampliar minha explanação do porque penso isso.

Em um game de aventura e plataforma duas coisas que precisam funcionar muito bem são os controles e a câmera e nenhum desses elementos funciona direito aqui. Outros Mega Man X antes e depois tinham controles muito precisos, mas X7 soa desajeitado e escorregadio. O movimento é muito mais lento que outros exemplares da franquia e andar, dar dash ou pular nunca parecem ter uma física precisa de como funcionam, seja nos segmentos 2D ou nos segmentos 3D. A situação, no entanto, é muito pior nos segmentos 3D por conta da câmera.

terça-feira, 24 de março de 2020

Conheçam os vencedores do Framboesa de Ouro 2020



O Framboesa de Ouro, premiação que celebra os piores filmes do ano, tinha planejado fazer sua primeira cerimônia ao vivo em 2020, mas a pandemia do coronavírus levou ao cancelamento desses planos e os vencedores foram anunciados via internet. Como era de se imaginar, o musical Cats foi o grande vencedor levando seis Framboesas, incluindo o de pior filme e pior diretor, colocando Tom Hooper no seleto grupo de pessoas que ganharam um Oscar e um Framboesa, como Halle Berry e Sandra Bullock. Além de Cats, há de se destacar a vitória de John Travolta como pior ator e Eddie Murphy vencendo o prêmio de redenção por Meu Nome é Dolemite. Confiram abaixo a lista completa de indicados com os vencedores destacados em negrito.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Crítica – O Preço do Talento


Análise Crítica – O Preço do Talento


Review – O Preço do Talento
Escrito pelo ator Shia Labeouf a partir de suas próprias experiências com o pai, este O Preço do Talento é uma história quase que autobiográfica sobre um astro mirim preso em uma complicada (e por vezes abusiva) relação com o pai. Dirigido pela israelense Alma Har’el, em seu primeiro longa de ficção, o filme surpreende pelo cuidado e complexidade com o qual trata esse relacionamento entre pai e filho.

Na trama, Otis (Lucas Hedges) é um ator problemático, com vícios em drogas e bebidas, que é levado para reabilitação depois de um acidente de carro. Como parte de sua terapia, Otis começa a escrever sobre os motivos que levaram a seus vícios e então fala de sua juventude ao lado do pai, James (Shia Labeouf). O arco imita, de certa forma, a própria vida de Labeouf, que escreveu O Preço do Talento quando estava na reabilitação.

Como um astro-mirim, Otis (Noah Jupe) conta com a constante presença do pai nos sets de filmagem e passa a maior parte do tempo com ele. Jupe é ótimo em construir a vulnerabilidade de Otis, que percebe que as ações de James não são compatíveis com o que se espera de um bom pai, mas ainda assim não é capaz de dizer como se sente ou mesmo de confrontar os erros e irresponsabilidades do pai.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Rapsódias Revisitadas – O Sétimo Selo


Crítica – O Sétimo Selo


Review – O Sétimo Selo
Famoso pela imagem do cavaleiro que joga xadrez com a Morte, O Sétimo Selo, do sueco Ingmar Bergman, é uma ponderação sobre a existência humana, nossos medos, anseios, nossa relação com o divino e nossa busca por um propósito no mundo. É uma trama que consegue ser densa, mas, ao mesmo tempo, oferece momentos de leveza suficientes para que tudo não se torne insuportável.

A trama se passa durante o período em que a Peste Negra se espalhava pela Europa medieval e a Igreja controlava as populações pelo medo de ir para o inferno. O cavaleiro Antonius Block (Max Von Sydow) está retornando para casa depois das cruzadas e durante a viagem recebe a visita da Morte (Bengt Ekerot). Block propõe um desafio à Morte, eles irão disputar uma partida de xadrez e, caso vença, a morte o deixará em paz. Assim, Block segue em sua viagem para casa, sendo recorrentemente visitado pela Morte para que continuem sua partida.

terça-feira, 17 de março de 2020

Crítica - Mega Man X Legacy Collection 2


Análise Crítica - Mega Man X Legacy Collection 2


Review - Mega Man X Legacy Collection 2Eu cresci sendo fã dos games do Mega Man desde seus primeiros jogos em 8 bits, conhecendo o personagem pela primeira vez em Mega Man 3. A geração seguinte de consoles apresentou uma nova versão do personagem em Mega Man X, que se passava em um futuro ainda mais distante e trazia novos elementos de jogabilidade. Passei a gostar mais da série X do que a principal e joguei tudo que saiu do personagem no Super Nintendo e Playstation, pulei Mega Man X7 e só retornei ao robô em Mega Man X8. Com tanto passado com esses jogos, fiquem bem empolgado com a possibilidade de ter novamente todos os jogos nas duas coletâneas formadas por Mega Man X Legacy Collection e Mega Man X Legacy Collection 2, então irei analisar agora a segunda.

A segunda coleção nos leva de Mega Man X5 ao Mega Man X8. Os elementos adicionais são os mesmos da primeira coleção, como filtros, tamanho de tela e galerias. Os X Challenges também estão presentes aqui, mas lamentavelmente são praticamente os mesmos da primeira coleção com apenas algumas variações, então se você jogou todos na primeira, não há muito motivo para fazê-los aqui. Essa segunda leva de jogos já não tem a mesma consistência dos anteriores e demonstram como a franquia estava começando a se desgastar.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Crítica - Mega Man X Legacy Collection


Análise Crítica - Mega Man X Legacy Collection


Review - Mega Man X Legacy Collection
Eu cresci sendo fã dos games do Mega Man desde seus primeiros jogos em 8 bits, conhecendo o personagem pela primeira vez em Mega Man 3. A geração seguinte de consoles apresentou uma nova versão do personagem em Mega Man X, que se passava em um futuro ainda mais distante e trazia novos elementos de jogabilidade. Passei a gostar mais da série X do que a principal e joguei tudo que saiu do personagem no Super Nintendo e Playstation, pulei Mega Man X7 e só retornei ao robô em Mega Man X8. Com tanto passado com esses jogos, fiquem bem empolgado com a possibilidade de ter novamente todos os jogos nas duas coletâneas formadas por Mega Man X Legacy Collection e Mega Man X Legacy Collection 2, então irei analisar as duas a começar pela primeira coleção.

A primeira coletânea vai do Mega Man X ao Mega Man X4. Como muitas coleções recentes, ela permite escolher entre formatos de tela e também alguns filtros, como o que reproduz os efeitos de uma televisão de tubo ou o que suaviza os pixels. Devo dizer que a suavização de pixels funciona bem para os jogos de Playstation da coleção (aqui apenas o X4), mas não muito bem para os de Super Nintendo, com os pixels constantemente “tremendo” na tela. Como em muitas coletâneas recentes, o jogo oferece uma ampla galeria de artes e imagens dos games, uma playlist com as músicas de todos os jogos disponíveis na coleção, além do curta animado Day of Sigma.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Reflexões Boêmias – Better Call Saul e a noção de "menos é mais"


Better Call Saul mostra como menos pode ser mais


Sempre que escrevo sobre alguma temporada de Better Call Saul menciono o quanto a série (assim como Breaking Bad antes dela) é cuidadosa na construção de seus planos e na condução de seus atores de modo a usá-los para comunicar muita coisa sobre seus personagens, seus estados de ânimo e seus arcos dramáticos, sem que efetivamente precise dizer muita coisa. Isso me veio muito à mente quando assisti o quarto episódio da atual quinta-temporada da série, intitulado Namastê. Como vou analisar muitas cenas de um episódio que foi ao ar recentemente, aviso que o texto pode conter SPOILERS da atual temporada.

O episódio começa no exato ponto em que o anterior terminou, na imagem em close do sorve de que Jimmy (Bob Odenkirk) jogou no chão antes de entrar no carro com Nacho (Michael Mando). No final do terceiro episódio achei curioso a escolha de encerrar com a imagem do sorvete, mas essa decisão se justifica ao longo do quarto episódio. A câmera se aproxima ainda mais do sorvete no chão, dando um zoom microscópico para mostrar as formigas que se aproximam do doce caído, começam com algumas poucas, mas vão ficando cada vez mais numerosas.

A imagem parece dotada de um valor simbólico que fala diretamente sobre o que está acontecendo com Jimmy naquele momento da trama. Cada vez mais imerso no alter ego de Saul Goodman, ele definitivamente mergulha em uma atividade criminosa ao entrar no carro com Nacho. O abandono do sorvete e subsequente infestação de formigas parece estar ali para denotar o processo de corrupção moral de Jimmy conforme ele se coloca em um caminho sem volta para a criminalidade. Afinal de contas Better Call Saul, da mesma forma que Breaking Bad, é um conto sobre a falência moral de um indivíduo que começou com boas intenções e se tornou um criminoso sem escrúpulos.

Mas Lucas, você me pergunta, será que você não está viajando na interpretação? Bem, é sempre possível, mas nesse caso específico a narrativa reforça essa possibilidade de leitura ao fim da reunião de Jimmy com Lalo Salamanca (Tony Dalton). Nacho deixa Jimmy no mesmo ponto em que o pegou e Jimmy olha para o chão e vê o sorvete tomado por formigas. Ou seja, Jimmy voltou ao mesmo ponto onde estava e encontra o sorvete que largou no chão sendo deteriorado por insetos, um reflexo da deterioração moral do personagem.

Não é só através das imagens que o episódio consegue nos dizer muito sobre os personagens usando poucos elementos, a conduta dos atores também nos comunica muita coisa sem que seja necessário um diálogo explícito. A postura defensiva e a fala hesitante de Jimmy na conversa com Lalo deixam claro para o espectador que Jimmy está desconfortável em efetivamente trabalhar para o tráfico. Mais que isso, a maneira como ele alonga a fala na qual tenta dar um valor de seus serviços a Lalo evidencia que o personagem não tem a menor noção do que está fazendo e apenas tenta enrolar o traficante na esperança de sair nessa situação. Afinal, nesse ponto da trama Jimmy ainda não é plenamente o Saul Goodman desprovido de escrúpulos que conhecemos em Breaking Bad. Não há qualquer diálogo explícito que nos diz que Jimmy está desconfortável ou não quer fazer o serviço, mas a conduta do personagem nos diz tudo que precisamos saber.

Do mesmo modo, a maneira com a qual Kim (Rhea Seehorn) perde a paciência com um idoso cuja propriedade um cliente dela quer adquirir diz muito sobre a relação entre a advogada e Jimmy. Conforme ela grita com o idoso sobre a necessidade de seguir regras e honrar a própria palavra, fica claro que ela não está se referindo apenas à teimosia do idoso, mas está descontando nele a frustração que sente com Jimmy e o fato de Jimmy estar cada vez mais afrouxando seus limites morais.

O incômodo de Kim com a conduta de Jimmy era visível no rosto dela desde a cena final da quarta temporada, no entanto a personagem nunca transmitiu seus pensamentos ao namorado. A explosão dela diante do homem idoso explicita ao público o quanto as ações de Jimmy a estão tirando do sério e o quanto ela vinha contendo seu incômodo durante todo esse tempo.

Voltando à construção das imagens e situações, a cena final é outro exemplo de como um evento aparentemente banal pode dizer muito sobre os personagens. Kim chega em casa e encontra Jimmy bebendo na varanda. Jimmy se sente, de alguma maneira, incomodado por ter se tornado um empregado dos Salamanca, enquanto que Kim está frustrada por ter tido que acabar com a vida de alguém por causa de um cliente. Ambos ultrapassaram seus limites morais naquele dia e ambos estão mal por isso, mas eles não se falam.

Jimmy dá uma cerveja para Kim e ela arremessa a garrafa na rua. Jimmy então arremessa sua própria garrafa e os dois pegam o restante das cervejas e começam a jogá-las da varanda. É perceptível que a ação é uma maneira de ambos extravasarem suas respectivas frustrações sem, no entanto, falar sobre elas com o outro e isso diz muito sobre a relação de Kim e Jimmy naquele momento.

Por pior que estejam se sentindo, eles não querem dizer um para o outro como se sentem ou o que os incomoda, preferindo encontrar uma maneira alternativa de botarem os sentimentos para fora enquanto adiam uma inevitável conversa sobre o que realmente se passa na cabeça de cada um deles. É evidente, a esse ponto, que eles não têm uma relação no qual sentem abertura um com o outro, buscando maneiras de prolongar o silêncio que há entre eles. Um silêncio que provavelmente irá se tornar insuportável em algum momento. É por elementos como esses, nos quais a série nos comunica muito sobre os personagens e seus sentimentos sem precisar de diálogos que fiquem explicando o que está se passando com eles.



quinta-feira, 12 de março de 2020

Crítica – Troco em Dobro


Análise Crítica – Troco em Dobro

Review – Troco em Dobro
Quando vi os primeiros trailers para este Troco em Dobro, tive uma impressão familiar com os nomes dos personagens. Minha memória logo me levou à série dos anos oitenta Spenser For Hire e então me dei conta de que tanto a série quanto Troco em Dobro eram adaptações dos romances criados por Robert Parker e estrelados pelo durão investigador Spenser.

Aqui, Spenser (Mark Wahlberg) é um ex-policial que sai da cadeia cinco anos depois de agredir um oficial superior ao vê-lo bater na esposa. No dia em que sai da prisão, o capitão Boylan (Michael Gaston), o superior que Spenser agrediu, é morto em circunstâncias misteriosas. Spenser é considerado o principal suspeito, mas ao lado do colega Falcão (Winston Duke, o M’Baku de Pantera Negra), irá tentar desvendar o crime.

Chama a atenção a inconsistência tonal do filme. Por um lado ele parece querer se levar a sério como uma narrativa hard boiled de um sujeito desencantado com o sistema e resolve agir por conta própria para fazer justiça. Por outro há uma clara intenção de tentar fazer graça com todas essas convenções, funcionando mais como uma comédia de ação. Essas duas abordagens mais brigam entre si do que se mesclam em um todo coeso e em muitos momentos temos a impressão de que o filme não sabe exatamente o que quer ser.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Crítica – Bloodshot


Análise Crítica – Bloodshot


Review – Bloodshot
Um soldado é usado como cobaia em um experimento que injetará algo em seu corpo que o tornará indestrutível e depois tem as memórias manipuladas para ser usado como uma arma viva pelas pessoas que o criaram. Essa é a origem do herói Wolveri...hã? Esse não é um filme do Wolverine? Tem certeza? A premissa é a mesma. Então tá, é um filme sobre um sujeito desmemoriado que reganha sua consciência e se recusa a ser usado, se voltando contra aqueles que o usaram. Essa é a jornada de Jason Bour...hein? Também não é um filme do Bourne? Bem, não, isso é a trama básica de Bloodshot, baseado no quadrinho de mesmo nome, que nunca consegue ir além de ser uma colcha de retalhos de histórias que já vimos antes.

Ray (Vin Diesel) é um soldado aparentemente morto em ação. Ele acorda em um laboratório e descobre que foi usado como cobaia em um experimento que implantou nanomáquinas em seu corpo que praticamente o tornam imortal. Ele não se lembra do passado, mas começa a ter flashbacks do assassinato da esposa e parte em uma jornada de vingança. No percurso, começa a suspeitar que o Dr. Harting (Guy Pearce), o cientista responsável por seus aprimoramentos, talvez o esteja manipulando.

terça-feira, 10 de março de 2020

Crítica – A Maldição do Espelho


Análise Crítica – A Maldição do Espelho


Review – A Maldição do Espelho
Eu realmente não entendo o que acontece com alguns filmes russos que chegam ao Brasil, como A Sereia (2019) ou Os Guardiões (2017). Este A Maldição do Espelho é mais um que tem um lançamento bizarro, chegando aqui dublado em inglês e com legendas em português. Aqui, mais que qualquer outro caso desses, a dublagem é um problema por conta da péssima qualidade, já que os dubladores parecem apenas estar lendo as falas de seus personagens sem muita expressividade. Não que uma boa dublagem ou o acesso ao áudio original pudessem salvar o desastre que é o filme.

A trama é focada nos irmãos Olya (Angelina Strechina) e Artyom (Daniil Izotov). Depois que a mãe deles morre em um acidente de carro, os dois são mandados para um colégio interno sediado em uma antiga mansão. Bisbilhotando pelos cantos antigos da propriedade, Olya, Artyom e outros estudantes encontram um antigo espelho com marcas satânicas que serviria para invocar a lendária Rainha de Espadas, que concederia desejos a quem invocasse em troca da vida das pessoas que a invocaram. O que os adolescentes fazem? Invocam a criatura, claro, e obviamente começam a morrer.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Crítica – Castlevania: 3ª Temporada


Trailer Crítica – Castlevania: 3ª Temporada


Review – Castlevania: 3ª Temporada
Depois do final da segundatemporada, imaginei que Castlevania pudesse não retornar para um terceiro ano. Afinal, Drácula foi eliminado e a história desses personagens, em tese, tinha chegado ao fim. Fiquei temeroso que essa terceira não tivesse muito a dizer, mas felizmente ela mantem o padrão de qualidade das outras duas.

Depois da morte de Drácula, Trevor (Richard Armitage) e Sypha (Alejandra Reynoso) vivem juntos caçando os monstros que sobreviveram à batalha contra Drácula. Alucard (James Callis) vive sozinho no castelo de seu pai, guardando o local para que ninguém possa usá-lo. Alucard é eventualmente encontrado por uma dupla de jovens caçadores de vampiros e os toma como aprendizes. A vampira Carmilla (Jaime Murray), que escapou do castelo de Drácula, consegue retornar ao seu reino e junto com suas principais tenentes vampiras trama uma maneira de dominar a região antes controlada por Drácula.

A temporada segue o mesmo ritmo deliberado das outras e se você não se agrada com a natureza slow burn da trama, esse terceiro ano não irá te converter em um amante da série. Ainda assim, esse ritmo se justifica pelo cuidado que o texto tem em desenvolver seus personagens, inclusive os antagonistas, e nos faz entender a maneira como eles veem o mundo e porque se tornaram desse jeito. Assim, mesmo personagens que poderiam soar unidimensionais, como o implacável mestre da forja Isaac (Adetokumboh M'Cormack), nos fazem perceber a humanidade e vulnerabilidade que existe para além de sua crueldade.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Crítica – Altered Carbon: 2ª Temporada

Análise Crítica – Altered Carbon: 2ª Temporada


Review – Altered Carbon: 2ª Temporada
A primeira temporada de Altered Carbon conseguia nos apresentar a um universo cyberpunk bem singular e junto com esse universo construía um mistério envolvente centrado no passado do protagonista e em sua complicada relação com a irmã. Essa segunda temporada expande ainda mais nosso entendimento sobre o universo da trama. Com oito episódios ao invés dos dez da primeira temporada, a trama é mais concisa e sem a sensação de filler de antes, mas não consegue apresentar um conflito que seja tão interessante ou complexo quanto o de seu ano de estreia.

A trama se passa trinta anos depois da temporada anterior. Takeshi Kovacs (Anthony Mackie) é procurado por um rico matusa do Mundo de Harlan, planeta natal do personagem, pedindo que Kovacs o proteja de uma ameaça iminente, oferecendo a ele uma nova capa com aprimoramentos de combate. Enquanto Kovacs é colocado em sua nova capa, seu contratante é morto e a culpada é aparentemente Quellcrist Falconer (Renée Elise Goldsberry), antiga amante de Takeshi, líder da resistência que pregava o fim dos cartuchos e que supostamente estava morta há séculos.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Crítica – Uma Vida Oculta


Análise Crítica – Uma Vida Oculta


Review – Uma Vida Oculta
Confesso que não estava lá muito empolgado para assistir este Uma Vida Oculta, trabalho mais recente do diretor Terrence Malick. Apesar de filmes dele como Além da Linha Vermelha (1999) e Árvore da Vida (2011) serem alguns dos meus favoritos de todos os tempos, a impressão é que os trabalhos de Malick na última década vinham sendo uma repetição apática e vaga de coisas que ele já tinha feito melhor antes, como o fraco De Canção em Canção (2017). Aqui Malick tem um tema mais claramente definido e assim suas elucubrações filosóficas parecem mais focadas e consistentes.

A narrativa é baseada na história real de Franz Jagerstatter (August Diehl), um fazendeiro austríaco que se recusou a servir no exército nazista durante a Segunda Guerra Mundial por não acreditar nos motivos nazistas para estarem no conflito. A decisão de Franz logicamente não foi bem recebida por sua vila e também pelas autoridades, trazendo pesadas consequências para Franz e sua família.

terça-feira, 3 de março de 2020

Jogamos a demo de Final Fantasy VII Remake


Jogamos a demo de Final Fantasy VII Remake

Lançado em 1997 para o primeiro Playstation, Final Fantasy VII foi a razão que eu tive para trocar meu Nintendo 64 pelo console da Sony. É um dos meus jogos favoritos de todos os tempos e foi extremamente importante da formação da minha identidade gamer e para sedimentar minha preferência por RPGs. Então obviamente fiquei muito empolgado quando foi anunciado um remake do jogo para a atual geração de consoles, algo que não apenas melhoraria os gráficos, mas atualizasse a jogabilidade e outros elementos.

A notícia de que o jogo seria dividido em episódios me decepcionou um pouco pelo temor de que cada episódio fosse mais curto que um jogo “completo” ainda que vá custar o mesmo valor, embora entendo que a escala épica da narrativa seja grande demais para caber em um game só (o original vinha em três discos, afinal). Assim, parti para jogar o recente demo de Final Fantasy VII Remake esperando me encantar novamente por um jogo que foi extremamente importante para mim.

A demo se passa no primeiro capítulo do jogo, cobrindo o ataque ao reator Mako 1 e é bem fiel ao original em termos de trama e de fidelidade visual. Ver o reator, Cloud e os demais membros da Avalanche recriados com todo poderio dos consoles atuais é altamente prazeroso para qualquer fã do original e o mesmo pode ser dito sobre música, que usa versões plenamente orquestradas dos temas já conhecidos.

A jogabilidade é a principal diferença, sendo mais um RPG de ação do que por batalha por turnos. O jogador controla um personagem do grupo, mas é livre para trocar qual dos membros do grupo está em suas mãos durante os combates. Na verdade, em alguns combates alternar o personagem controlado é essencial para vencer rapidamente, explorando como as habilidades de cada um são mais específicas para cada tipo de inimigo. Barret, por exemplo, pode atacar à distância com a arma acoplada em seu braço, o que o torna essencial para destruir as torres de defesa que encontramos pelas paredes do reator.

O combate é veloz e grandiloquente, lembrando um pouco Kingdom Hearts ou Final Fantasy XV, mas oferece mecânicas que lhe dão personalidade própria. A principal é a barra de ação, que remete às barras de ação do jogo original, que precisávamos esperar encher antes que cada personagem pudesse agir. Aqui, com os combates sendo em tempo real, a barra de ação é preenchida com o tempo e conforme o jogador toma ou recebe dano. A barra serve para usar magias, golpes especiais ou itens, sendo necessário esperar a barra encher novamente depois da ação ser feita. Cada personagem também possui uma habilidade de combate única, com Cloud podendo alternar entre dois modos de combate (um mais tradicional e outro que o deixa mais lento, mais forte e com contra-ataques poderosos), enquanto que Barret pode fazer um disparo contínuo de sua arma para encher rapidamente sua barra de tempo.

Outra mecânica é a barra de atordoamento que acompanha cada inimigo e que vai sendo preenchida a medida que os adversários tomam dando ou são atingidos por suas vulnerabilidades. Quando a barra enche, o inimigo fica atordoado e recebe mais dano. Saber manejar todas essas mecânicas de combate é essencial para derrotar o chefe da demo, o Guard Scorpion. Se no jogo original ele era facilmente derrotado com meia dúzia de usos da magia Thunder, aqui ele é um oponente bem mais perigoso e que muda de padrões conforme a batalha se desenvolve. É realmente necessário transitar entre Cloud e Barret, saber quando atacar, quando esquivar ou quando defender, já que os ataques do chefe, mesmo os normais, podem causar muito dano e derrubar a vida dos personagens rapidamente.

Tudo que vi em termos de combate, fidelidade e apresentação audiovisual me deixaram bastante empolgado para o jogo completo, mas ainda assim alguns elementos me preocupam. O primeiro é ainda a falta de clareza quanto a natureza episódica do jogo. A Square-Enix deixou claro que cada episódio terá uma duração compatível com um jogo inteiro, no entanto também já avisou que esse primeiro episódio só irá até o fim do arco de Midgar (presumivelmente até o ataque à torre da Shinra), algo que compreende cerca de vinte por cento do jogo original. Assim, me pergunto como eles irão conseguir preencher trinta ou quarenta horas de conteúdo a partir de algo que originalmente tinha uma fração disso.

Sim, a desenvolvedora já falou que irá adicionar outras histórias e personagens, porém como não sabemos exatamente como tudo será organizado, temo por uma estrutura repetitiva, cheia de backtracking pelos mesmos espaços e mesmos objetivos, principalmente nas já anunciadas missões secundárias. Outro elemento que me preocupa são as intervenções na narrativa, já que a demo me deu motivos para ficar esperançoso e alguns para me preocupar.

Positivamente a narrativa da mais espaço para desenvolver as personalidades de Jesse, Biggs e Wedge, ajudando que nos conectemos com eles e, provavelmente dando mais impacto ao eventual destino do trio. Personagens do núcleo da Shinra como Heidegger e o presidente também tem um pouco mais de espaço e podemos ver o que eles estavam fazendo enquanto os protagonistas arquitetavam seus atentados.

Por outro lado, uma mudança em relação à destruição do primeiro reator me desagradou por tentar consertar algo que não era um problema. SPOILERS a seguir. No game original, Cloud e a Avalanche de fato conseguiam destruir o reator com a bomba que plantavam, mas aqui a bomba plantada por Barret não é suficiente para detonar o reator, que é destruído pela própria Shinra. Da maneira como é mostrada na demo, a ação não faz sentido. Se o presidente tinha dezenas de robôs e torretas dentro do núcleo do reator, porque não matar os membros da Avalanche de uma vez? Talvez quando jogar o game completo a decisão do presidente faça sentido, mas, apenas pelo contexto da demo, o jogo cria um furo de roteiro onde antes não havia nenhum.

Outro problema é que a escolha em fazer a destruição do reator não ser fruto das ações dos protagonistas tira um pouco da complexidade moral da situação. Se antes eles eram de fato eco-terroristas usando meio questionáveis em uma causa indubitavelmente justa do ponto de vista moral, com a mudança eles se tornam mais claramente bonzinhos e a Shinra mais claramente maligna. É uma saída fácil e relativamente covarde para reduzir tudo a um maniqueísmo raso ao invés de lidar com a complexidade das escolhas morais dos protagonistas. De novo, espero que essas mudanças sejam melhor justificadas e amarradas no contexto geral do produto final, mas aqui elas me deixam um pouco preocupado não só com alterações na história original ou em adições que sejam apenas filler sem muita repercussão.

Ainda assim, a demo me deu motivos suficientes para me deixar empolgado e ansioso para quando Final Fantasy VII Remake for lançado em abril e torço para que o produto final consiga mostrar que minhas preocupações estão equivocadas.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Crítica – O Homem Invisível

Análise Crítica – O Homem Invisível



Review Crítica – O Homem Invisível
Depois da tentativa fracassada em transformar seus monstros clássicos em protagonistas de filmes de aventura estilo Marvel para criar um universo compartilhado no inepto A Múmia (2017), a Universal recuou e decidiu mudar a abordagem. Com uma parceria com a produtora Blumhouse, especialista em filmes de terror, o estúdio decidiu por fazer filmes de menor orçamento, sem a obrigação de serem blockbusters gigantescos, e devolvendo-os ao reino do terror. O primeiro filme dessa leva, O Homem Invisível, mostra que foi uma escolha acertada.

A narrativa foca em Cecilia (Elizabeth Moss), uma mulher que foge do relacionamento abusivo que tinha com Adrian (Oliver Jackson-Cohen, do péssimo O Que De Verdade Importa), um magnata da tecnologia óptica. Duas semanas depois de deixar Adrian, Cecilia recebe a notícia de que ele cometeu suicídio e que ela herdaria parte da fortuna de Adrian. A partir desse ponto, Cecilia começa a perceber coisas estranhas acontecendo em sua casa e desconfia que Adrian esteja vivo e encontrou um jeito de continuar a atormentá-la.

Como o filme se chama O Homem Invisível fica evidente desde o início que Cecilia está certa e, assim, não há muita incerteza ou suspense em relação ao que de fato está acontecendo com a protagonista. Ainda assim a trama consegue extrair tensão da situação ao explorar o modo como a sociedade trata mulheres que relatam algum tipo de violência e perseguição, considerando-as como loucas e exageradas. Assim, tememos por Cecilia justamente por sabermos que ela está certa enquanto todos os outros ao redor duvidam dela. Tememos também por reconhecermos a fragilidade mental dela, ainda sofrendo com estresse pós-traumático e como isso pode tornar mais difícil que ela confronte seu agressor.