sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Rapsódias Revisitadas – No Vale das Sombras

 

Análise Crítica – No Vale das Sombras

Review – No Vale das Sombras
Lançado em 2007, No Vale das Sombras é, em geral, uma narrativa investigativa bem típica, chamando atenção principalmente pela interpretação melancólica de Tommy Lee Jones e por suas ponderações a respeito da guerra e do ideal militarista americano. Claro, não é o primeiro e nem será o último a falar sobre o que acontece com os soldados que voltam da guerra ou mesmo se o país deveria se engajar em tantas guerras assim, mas a maneira como esses temas são construídos aqui é consistente o bastante para causar o devido impacto. Aviso que o texto contêm SPOILERS do filme.

Hank (Tommy Lee Jones) é um investigador aposentado da polícia do exército. Um dia ele recebe uma ligação da base militar em que o filho está lotado de que ele não se reportou de volta no período devido e a ação vai ser considerada como abandono de serviço. Hank decide então viajar até a base para entender o que está acontecendo e não demora para que encontrem o cadáver esquartejado de seu filho à beira de uma estrada. Agora Hank vai acompanhar a policial Emily (Charlize Theron) para tentar entender o que aconteceu.

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Crítica – Sob Pressão: 4ª Temporada

Análise Crítica – Sob Pressão: 4ª Temporada

 

Review – Sob Pressão: 4ª Temporada
Depois de um hiato no ano passado por conta da pandemia que rendeu o especial de dois episódios Sob Pressão: Plantão Covid, a série Sob Pressão retorna para uma quarta temporada propriamente dita. Apesar de reconhecer a pandemia ainda em curso, essa quarta temporada foca em um hospital que atende casos diversos, evitando focar apenas na pandemia e falando de outras questões que envolvem a saúde pública e a sociedade brasileira.

Depois da experiência em um hospital de campanha, Evandro (Júlio Andrade) e Carolina (Marjorie Estiano) retornam aos plantões tradicionais no Hospital Edith de Magalhães. Além da rotina corrida do hospital, o casal precisa lidar com o retorno de Diana (Ana Flávia Cavalcanti), que revela que teve um filho com Evandro. Diana acaba desaparecendo e deixando o bebê com Evandro e Carolina, que precisam readaptar a rotina.

Como de costume ao longo da série, os casos abordados a cada episódio retratam problemas de saúde recorrentes na população, tentando mostrar os problemas sociais que muitas vezes causam tudo isso. Como a violência urbana que faz inocentes serem vítimas de bala perdida, a rotina de trabalho precarizada de entregadores de aplicativo que não lhes dá tempo para cuidados de saúde ou qualquer coisa além de trabalho ou o racismo que causa um trote violento na universidade contra um jovem negro.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Crítica – As Passageiras

 

Análise Crítica – As Passageiras

Review – As Passageiras
Pela sinopse e pelos trailers, As Passageiras prometia ser uma divertida mistura entre horror, ação e comédia. Com isso em mente fui assistir esperando algo que ao menos funcionasse como entretenimento bacana, mas o produto final, embora tenha alguns bons elementos, não diverte como deveria.

Na trama, Benny (Jorge Lendeborg Jr) substitui o irmão por uma noite em seu trabalho como motorista. Nesta noite específica ele precisa levar duas mulheres, Blaire (Debby Ryan) e Zoe (Lucy Fry), para uma série de festas. Rapidamente Benny descobre que as duas são vampiras e estão em uma missão de eliminar os chefes de todos os territórios de Los Angeles para que o vampiro Victor (Alfie Allen) domine a cidade sozinho. A ação viola uma antiga trégua entre vampiros e humanos, fazendo de Benny e suas duas passageiras alvos de vampiros rivais e também humanos caçadores de monstros.

Apesar da trama se estruturar com uma intensa corrida contra o tempo, o filme nunca consegue transmitir essa sensação de movimento. Toda vez que a trama parece se acelerar e engatar na urgência que o texto sugere, tudo cessa subitamente com os personagens parando para se esconder, dando início a longos diálogos expositivos que tentam explicar a complicada política que rege a conduta de vampiros e humanos naquele universo.

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Crítica – Duna

Análise Crítica – Duna


Review – Duna
Eu lembro quando li Duna ainda no início do ensino médio em 2003. Fiquei impressionado como uma narrativa escrita em 1965 podia dizer tanto sobre o mundo em que eu vivia naquele momento. Guerras travadas em países desérticos em prol de uma substância essencial para o transporte. Grupos de fanáticos religiosos emergindo desses locais declarando guerra santa aos invasores. A trama de ambientalismo, messianismo, intriga política e dominação religiosa criada por Frank Herbert parecia ter feito exatamente o que se espera de uma boa ficção-científica: ter vislumbrado o futuro.

Só depois de já ter lido o livro que conheci a adaptação para o cinema de 1984 dirigida por David Lynch e fiquei extremamente decepcionado (houve também uma série de televisão que é muito ruim), Então quando foi anunciada uma nova adaptação feita por Denis Villeneuve, que já tinha trazido um novo vigor a Blade Runner em Blade Runner 2049 (2017), fiquei animado por um filme que finalmente fizesse justiça à obra de Frank Herbert e o diretor entrega exatamente isso. Sim, muitos elementos da narrativa soam batidos para um olhar contemporâneo, mas isso acontece mais porque Duna foi uma obra extremamente influente e consumimos várias narrativas influenciadas por ele do que por um trabalho sem personalidade ou derivativo.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Crítica – Na Mente do Demônio

 

Análise Crítica – Na Mente do Demônio

Review – Na Mente do Demônio
Durante todo o tempo em que assistia Na Mente do Demônio uma pergunta pairava sem parar na minha mente: “O que diabos aconteceu com Neill Blomkamp?”. Sim, eu sei que este filme foi realizado no auge da pandemia, com várias limitações de pessoal e orçamento, mas o resultado final não parece fruto do trabalho de alguém com três longas debaixo do braço e sim algo quase que amador. É impressionante que um realizador que tenha começado tão promissor com o excelente Distrito 9 (2009) nunca tenha conseguido entregar algo no mesmo nível, seguido com o passável Elysium (2013) e o péssimo e bagunçado Chappie (2015). Na Mente do Demônio, no entanto, é o ponto mais baixo dele até aqui.

A trama é centrada em Carly (Carly Pope) uma mulher que cortou relações com a mãe depois de décadas de trauma. Um dia é avisada por um amigo, Martin (Chris William Martin), que a mãe está há mais de uma década em coma depois de ser presa por múltiplos crimes e que os médicos do hospital precisam falar com Carly. Chegando na instalação médica, Carly descobre que os médicos querem que ela use um dispositivo experimental de realidade virtual para entrar na mente da mãe, Angela (Nathalie Boltt), para conseguir conversar com ela. O que Carly descobre, no entanto, é que existe outra entidade no corpo da mãe.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Drops - Gotham City 1889: Um Conto de Batman

 Análise Crítica - Gotham City 1889: Um Conto de Batman


Review - Gotham City 1889: Um Conto de Batman
Eu sempre sou atraído pelas histórias em que a DC tenta situar a mitologia dos seus heróis em outros contextos, como colocar o Superman na União Soviética durante a Guerra Fria em Superman: Entre a Foice e o Martelo ou inserir o Batman na época vitoriana como este Gotham City 1889: Um Conto de Batman. Não li o quadrinho homônimo criado por Brian Augustyn e Mike Mignola (criador de Hellboy) que inspira este longa animado, então não sei até que ponto ele é fiel ao texto original.

Na trama, Bruce Wayne retorna à Gotham vitoriana atuando a noite como Batman para combater a criminalidade e corrupção que tomaram conta da cidade. As coisas se tornam ainda piores quando o misterioso Estripador começa a matar mulheres nas regiões mais pobres da cidade, instaurando o pânico. Cabe ao Batman desvendar o mistério.

Apesar de uma estrutura típica de “quem matou?” o filme foca mais na ação, com longas cenas de luta, do que na investigação, deixando um pouco de lado o aspecto detetivesco do Batman. As cenas de ação são bem construídas, em especial a luta entre Batman e o Estripador no topo de uma aeronave, mostrando como herói e o vilão são combatentes formidáveis.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Crítica – Por Que as Mulheres Matam: Segunda Temporada

 

Análise Crítica – Por Que as Mulheres Matam: Segunda Temporada

Review – Por Que as Mulheres Matam: Segunda Temporada
A primeira temporada de Por Que as Mulheres Matam foi uma grata surpresa. Com uma comédia ácida, a série de antologia contava três histórias de mulheres em três períodos de tempo distintos para mostrar como o ideal de vida feminino estava longe de ser tão maravilhoso quanto dizem. Essa segunda temporada se afasta um pouco das críticas sobre como a sociedade trata as mulheres, para ir ainda mais adiante no humor sombrio. Claro, a ideia de que a sociedade prende as mulheres em determinadas funções ainda está presente aqui, mas não é tão preponderante quanto na primeira temporada.

A trama se passa em 1949. Alma (Allison Tolman) é uma desengonçada dona de casa de meia idade que sonha em ser notada pela sociedade e, principalmente, entrar para o prestigiado clube de jardinagem de sua cidade, do qual apenas mulheres ricas fazem parte. Para entrar, ela precisaria convencer a presidente do clube, Rita (Lana Parrilla), que não está disposta a permitir que alguém mais humilde e menos glamourosa entre em seu clube. Rita também tem problemas com o marido, Carlo (Daniel Zacapa), um homem riquíssimo e idoso que está prestes a provar que Rita tem um amante, podendo tirá-la do testamento. A rivalidade de Alma e Rita vai eventualmente criar uma espiral de crimes e mortes que coloca a cidade em polvorosa.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Crítica – Abe

 

Análise Crítica – Abe

Review – Abe

Estrelado pelo Noah Schnapp de Stranger Things e dirigido pelo brasileiro Fernando Grostein, Abe é uma típica história de amadurecimento e um jovem tentando encontrar seu lugar no mundo. É também um filme que almeja tratar de conflitos entre povos e resolução de diferenças, mas não se sai muito bem nisso.

Filho de um pai palestino e uma mãe judia, Abe (Noah Schnapp) parece desagradar os vários lados de sua família a cada decisão que toma. Se ele se aproxima de algum dos avós, os outros acham que está errado. Se ele pensa em ser muçulmano ou judeu, o pai de Abe, que é ateu, acha que ele está errado. Solitário, sem amigos e sob constante pressão da família que briga o tempo todo, Abe se refugia na culinária e na ideia de fusão gastronômica como um meio de harmonizar diferentes identidades. Para aprender sobre isso, Abe se aproxima de Chico (Seu Jorge), um chef brasileiro que se especializa nesse tipo de gastronomia.

O longa acerta ao falar do valor cultural e social da gastronomia. Comer não é apenas uma necessidade física, é um meio de expressão, onde exibimos nossa cultura, onde nos integramos a nossas comunidades. É também uma maneira de reunir pessoas, de mostrar nosso afeto e cuidado com aqueles que nos cercam. Como todo filme sobre comida, temos imagens suntuosas de pratos criativos que nos deixam com água na boca (menos o acarajé gourmetizado que Chico dá a Abe no início do filme, como baiano me senti ofendido por aquilo sequer ter sido chamado de acarajé).

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Crítica – O Peso do Ouro

 

Análise Crítica – O Peso do Ouro

Review – O Peso do Ouro
Originalmente programada para 2020, as Olimpíadas de Tóquio aconteceram em 2021 por conta da pandemia do COVID-19 e o tema da saúde mental dos atletas acabou sendo um tema evidenciado na competição por conta de posicionamentos de atletas como Simone Biles e Naomi Osaka. O documentário O Peso do Ouro, produzido pela HBO no final de 2020, parecia já antecipar essas discussões.

Com uma narração do multi-medalhista Michael Phelps, a produção entrevista diferentes atletas olímpicos que falam sobre os problemas de saúde mental que tiveram ao longo da carreira ou que observaram em seus colegas, incluindo o suicídio de vários atletas olímpicos. É um documentário bem típico em termos de formato, com entrevistas e imagens de arquivo, mas consegue ter impacto por causa do teor dos relatos dos atletas que retratam momentos de depressão pelas constantes cobranças e pressão, seja de si mesmos, da família, dos treinadores ou da mídia. São testemunhos fortes, que não recomendo serem ouvidos por pessoas que estejam passando por situações parecidas.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Crítica – Maligno

 

Análise Crítica – Maligno

Review – Maligno
Fui assistir a este Maligno, novo filme de terror dirigido por James Wan, sem saber o que esperar e confesso que me surpreendi positivamente com o que eu encontrei. Wan parece aqui disposto a celebrar o terror B das décadas de 70 e 80, abraçando sem medo o exagero desse tipo de produção, não deixando de abrir mão do apuro estético que é típico de seus trabalhos.

A trama acompanha Madison (Annabelle Wallis), uma mulher presa a um relacionamento abusivo e que não consegue engravidar, tendo sofrido dois abortos espontâneos seguidos. Um dia sua casa é atacada por uma misteriosa entidade que mata o marido de Madison, deixando-a como única sobrevivente. Como não havia marcas de invasão na casa e Madison tinha sinais de que sofria violência física do marido, ela é considerada suspeita pelo detetive Kekoa Shaw (George Young). Aos poucos, Madison começa a ter visões da mesma criatura atacando outras pessoas e resolve desvendar o mistério do porque está conectada a esta entidade.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Crítica – Metroid Dread

 

Análise Crítica – Metroid Dread

Review – Metroid Dread
A Nintendo é um pouco inconsistente no tratamento de suas franquias. Enquanto Mario ou Pokémon recebem lançamentos constantes, séries como Metroid tem longos hiatos sem nenhum novo jogo, apenas remakes ou relançamentos. O último jogo original protagonizado por Samus Aran foi Metroid: Other M (2010) para Nintendo Wii e a última aventura original em 2D foi Metroid Fusion (2002) para Game Boy Advance. Ou seja, mais dez anos sem um novo Metroid e quase vinte desde uma aventura 2D que continuasse a cronologia principal. Pois Metroid Dread chega justamente para suprir essa ausência, trazendo Samus em uma aventura 2D que segue os eventos de Metroid Fusion.

Na trama, Samus está se recuperando da batalha com os parasitas X quando uma misteriosa transmissão vinda do planeta ZDR mostra o X vivendo no planeta, contrariando a ideia de que eles estariam extintos. A Federação despacha os EMMI robôs de reconhecimento com armadura reforçada para mapearem o planeta, mas perdem a conexão com eles. Sem saber o que está havendo, Samus, a única resistente ao X, é despachada para ZDR. Lá ela é confrontada por um misterioso membro dos Chozo, uma raça que se acreditava estar extinta, que a ataca e a deixa nas profundezas do planeta com seu traje danificado. Agora Samus precisa recuperar as melhorias do traje, retornar à superfície do planeta e descobrir o mistério envolvendo os Chozo e os parasitas X.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Crítica – Colônia Dignidade: Uma Seita Nazista no Chile

 

Análise Crítica – Colônia Dignidade: Uma Seita Nazista no Chile

Review – Colônia Dignidade: Uma Seita Nazista no Chile
O título nacional deste Colônia Dignidade: Uma Seita Nazista no Chile não reflete completamente a natureza da seita que retrata. A seita de fato tem práticas de extrema direita e até apoiou o regime de Pinochet, mas eles não eram efetivamente nazistas. O título original inclusive não contém a palavra “nazista” e sim “uma seita alemã no Chile”. Talvez os responsáveis pelo título nacional acharam que nazista chamava mais atenção ou talvez eles tenham achado que nazista e alemão é a mesma coisa (o que seria altamente preconceituoso). De todo modo, não espere encontrar nazistas aqui, embora seja uma história cheia de coisas horríveis.

Dividida em seis episódios a série conta a história da Colônia Dignidade, uma colônia de alemães no interior do Chile que abrigava uma comunidade de cristãos ultraconservadores liderados por Paul Schafer. O líder resolveu vir com sua seita para o Chile depois de se tornar procurado pelas autoridades alemãs por pedofilia. Chegando em seu novo lar, Paul resolveu construir boas relações com a comunidade local construindo um hospital para atender a população carente da região. Isso também facilitava o recrutamento e muitas vezes crianças que chegavam ao hospital não eram devolvidas às famílias, ficando ilegalmente sob a tutela da seita de Paul.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Crítica – Ascensão do Cisne Negro

 

Análise Crítica – Ascensão do Cisne Negro

Review – Ascensão do Cisne Negro
Um agente da lei se vê confinado em um ambiente fechado cercado de criminosos armados e em maior número que tomaram todas as pessoas do lugar de reféns, incluindo a esposa do protagonista. Essa é a trama de Duro de Matar (1988) e este Ascensão do Cisne Negro segue à risca o molde deixado por John McClane. Não é o primeiro e certamente não será o último filme a fazer isso, a questão é que faz sem um pingo de personalidade própria e com uma trama desnecessariamente longa.

Na trama, Tom (Sam Heughan, da série Outlander) é um agente das forças especiais britânicas que está em uma viagem de trem com a namorada, Sophie (Hannah John-Kamen) rumo a Paris quando o trem é tomado pelo grupo paramilitar liderado por Grace (Ruby Rose). A vilã ameaça explodir o Eurotúnel (que liga a Inglaterra à França) em troca de um resgate e um meio de fuga, já que está sendo acusada de crimes de guerra. Cabe a Tom enfrentar a ameaça de dentro do túnel.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Crítica – Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

 

Análise Crítica – Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Review – Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis
Confesso que não sabia muito o que esperar deste Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, não conhecia muito do personagem nos quadrinhos e temia que essa fosse ser mais uma história de origem “padrão Marvel” no estilo do primeiro Homem-Formiga (2015) ou Capitã Marvel (2019). O resultado final da aventura introdutória de Shang-Chi, no entanto, é bem divertida e constrói uma identidade própria para si ao mesmo tempo que a situa em meio aos eventos do universo Marvel.

Na trama, Shang-Chi (Simu Liu) vive há dez anos nos Estados Unidos depois de ter fugido do pai, Wenwu (Tony Leung), que controla o sindicato criminoso conhecido como Os Dez Anéis (que vinham aparecendo desde o primeiro Homem de Ferro) com seus anéis de poder que fornecem vida eterna e incríveis poderes. Shang vive uma vida descompromissada ao lado da amiga Katy (Awkwafina), até que são atacados pelos capangas de Wenwu que buscam o pingente do herói que pode conter a localização para a mágica vila de Ta Lo. Assim, Shang-Chi e Katy tem que correr contra o tempo para encontrar Ta Lo antes de Wenwu.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Crítica – What If...?

 

Análise Crítica – What If...?

Review – What If...?
Primeira série animada dentro do universo cinematográfico da Marvel, What If...? brinca com a cronologia ao mesmo tempo que sedimenta a noção de multiverso que deve ser importante nas próximas produções. Narrada pelo Vigia (voz de Jeffrey Wright), cada episódio conta a história de um universo paralelo diferente em que uma pequena mudança nos eventos promoveu alterações radicais.

Essa estrutura de antologia e de histórias fora do universo principal permite explorar diferentes gêneros que os filmes da Marvel muitas vezes não se aproximam, como o terceiro episódio focado em uma trama investigativa, o quinto episódio que traz uma trama de zumbis ou o oitavo episódio que é praticamente uma comédia adolescente. Isso contribui para dar certo frescor a elementos já conhecidos desse universo, agregando outros olhares.

As tramas são hábeis em remeter ao que foi estabelecido desses personagens na cronologia principal e como esses elementos se comportariam nas alterações propostas por cada história. Assim, a natureza conciliadora de T’Challa (Chadwick Boseman) faria dele um Senhor das Estrelas menos anárquico e um líder mais inspirador do que Peter Quill. Do mesmo modo, um Hank Pym que perdeu tudo para a SHIELD transferiria sua raiva e rancor de maneira violenta e precisa contra organização (lembrem da fala de Howard Stark sobre o perigo que seria torná-lo um inimigo na cena inicial de Homem-Formiga), um Thor que não cresceu com as disputas e manipulações de Loki seria um festeiro irresponsável e daí em diante.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Smash Ultimate está morto! Longa vida a Smash Ultimate! - Reflexões Boêmias

Smash Ultimate está morto! Longa vida a Smash Ultimate! - Reflexões Boêmias 

Na última terça, 05 de outubro, Masashiro Sakurai anunciou Sora, de Kingdom Hearts, o último personagem de DLC do segundo passe de temporada de Super Smash Bros Ultimate. O diretor já tinha revelado que não haveria uma terceira temporada de personagens adicionais e que uma vez encerrada a segunda temporada, todo o desenvolvimento do jogo seria encerrado. Pode parecer melancólico estarmos diante do fim do desenvolvimento de um jogo tão querido, mas isso não significa um desfecho amargo. Pelo contrário, eu diria que a franquia Smash Bros está hoje em sua era de ouro.

Meses atrás me lembro de ouvir o youtuber especializado em jogos de luta Maximilian Dood falar algo similar e aquilo ficou na minha cabeça. Dificilmente teremos outro Smash como foi Ultimate. Foi uma expansão nunca vista na franquia, que começou como uma celebração dos personagens da Nintendo, mas em seu terceiro jogo, Super Smash Bros Brawl para Wii, começou a adicionar personagens de outras desenvolvedoras como Sonic e Solid Snake. Isso se ampliou um pouco na versão para WiiU anos depois que surpreendeu ao trazer personagens como Pac-Man e DLCs como Ryu de Street Fighter e Cloud de Final Fantasy VII, mas não tinha mais outros como Solid Snake.

A impressão é que cada jogo rodaria entre novos personagens de outras desenvolvedoras, já que problemas de licenciamento desses personagens que não fossem da Nintendo impediria que eles fossem usados perenemente. Por isso foi tão surpreendente quando a Nintendo anunciou que Super Smash Bros Ultimate traria todos os personagens que apareceram nas versões anteriores, mesmo os de outras desenvolvedoras isso parecia por si só um grande feito. Somando os personagens originais da nova versão, que também trazia adições como Ken de Street Fighter ou Simon Belmont de Castlevania, o jogo já nasceu como uma edição histórica. Não era apenas mais um game de luta com ícones da Nintendo, era uma celebração dos grandes ícones da cultura gamer.

Esse sentimento foi amplificado ainda no início da primeira onda de DLCs, começando por Joker de Persona 5, um jogo que sequer estava em um console da Nintendo na época (isso só mudaria com o lançamento de Persona 5 Strikers). A introdução de um personagem que não estava conectado a nenhum lançamento para a gigante japonesa dava a impressão de que tudo valia em Smash Ultimate, que qualquer personagem, de qualquer jogo, de qualquer desenvolvedora poderia aparecer se fosse popular o bastante. Isso foi sedimentado com a chegada de Banjo, um personagem cujas primeiras aparições foram em aparelhos da Nintendo, mas que hoje pertence à Microsoft. Que Sakurai e sua equipe tenham conseguido negociar com um competidor direto e trazer um personagem para seu jogo já era um feito incrível.

Mais uma vez tínhamos a impressão de que qualquer coisa era possível. Cada novo anúncio era cercado de um hype enorme, conforme as pessoas começavam a imaginar quem viria a seguir. Dante de Devil May Cry? Crash Bandicoot? O Doom Slayer? Bubsy? Goku de Dragon Ball Z? Com o histórico que Ultimate construiu em torno de si nenhuma dessas apostas parecia absurda, qualquer uma delas era possível. Ao longo de seus três anos de suporte da Nintendo, Super Smash Bros Ultimate permitiu que os jogadores vivessem fantasias e fanfics de ver Ryu, Terry (de Fatal Fury e The King of Fighters) e Kazuya (de Tekken) trocando sopapos. Cloud e Sephiroth duelando em meio a Hyrule ou Simon Belmont usando suas armas de caçar demônios contra pokémons.

Cada um desses personagens era adaptado às mecânicas do jogo com muita reverência e afeto por Sakurai e sua equipe, mantendo as identidades e as mecânicas de seus jogos originais, como o fato do Steve de Minecraft ser capaz de escavar materiais ao longo da partida ou Terry usar os famosos Desperation Moves quando sua energia fica muito baixa. Se você jogou com um desses personagens em seus games originais, você vai intuitivamente ter uma mínima noção do que fazer com eles em Smash. A inserção deles não era meramente para arrancar dinheiro dos fãs, mas uma maneira de celebrar o que torna cada um desses personagens especial.

Por isso a introdução de Sora soa como um desfecho apropriado, literalmente usando sua Keyblade para fechar o portal de uma era de Smash. Ele próprio fruto de um crossover improvável entre Final Fantasy e Disney, certamente deve ter sido um dos personagens mais difíceis de conseguir, já que era necessário aprovação da Disney e da Square-Enix. Poucas pessoas conseguiriam navegar por tanta burocracia corporativa como Sakurai conseguiu ao longo desses quase seis anos de Super Smash Bros Ultimate (o desenvolvimento do jogo teria começado em 2015), mas a equipe se superava a cada novo anúncio. Claro, nem todos os personagens me atraiam (não tenho interesse nenhum em Minecraft, por exemplo), mas para cada um que não me despertava reação vinha outro que jogava minha empolgação às alturas, como Terry ou Sephiroth.

É justamente por conta dessas complicadas negociações que não creio que um outro Smash possa ter um plantel de personagens tão amplo ou que a muitos desses personagens retornarão em próximos games na franquia. Com absurdos 89 lutadores e mais 100 estágios (fora os Spirits, Assist Trophies e outros elementos) Super Smash Bros Ultimate é um marco que dificilmente será repetido. Claro, certamente a Nintendo fará outros jogos dessa franquia e que próximas versões podem ter gameplay ou netcode melhor, mas em termos de quantidade e variedade é pouco provável que consigam repetir o feito.

Super Smash Bros Ultimate é daqueles jogos que será lembrado mesmo décadas depois do lançamento como um dos pontos altos (e talvez O ponto alto) da franquia. Imagino que irá acontecer com ele algo parecido ao que acontece com títulos como Marvel vs Capcom 2 ou Dragon Ball Z Budokai Tenkaichi 3, jogos tão massivos que suas respectivas desenvolvedoras nunca conseguiram entregar algo parecido e até hoje os fãs pedem remakes, remasters ou relançamentos.

É justamente por ter alcançado esse patamar de que tudo é possível e ter criado um espaço que congrega tantos elementos da cultura gamer que o fim de Super Smash Bros Ultimate representa uma espécie de ponto culminante ou uma era de ouro para a franquia e tão cedo não será esquecido.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Drops – O Culpado

 


Confesso que não assisti Culpa (2018), produção dinamarquesa que serve de base para este O Culpado, produzido pela Netflix, então não tenho como oferecer uma comparação entre o original e o remake. A trama acompanha Joe (Jake Gyllenhaal) um policial que foi rebaixado de seu posto e agora atende as chamadas de emergência. Durante um plantão Joe recebe a ligação de uma mulher que foi sequestrada e começa a tentar ajudar.

Toda a história é contada do ponto de vista de Joe, sentado em sua mesa tentando resolver a situação por telefone para informar corretamente as autoridades. O filme consegue criar um clima de urgência e claustrofobia, nos colocando sob o olhar de alguém que quer ajudar, mas está limitado pela distância física. O trabalho de Jake Gyllenhaal, em cena praticamente durante todo o filme, consegue dar a medida do desespero e da urgência do personagem, bem como nos deixa perceber que há algo de pessoal na natureza como ele se entrega a esse caso e até viola protocolos.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Crítica – Kevin Can F**k Himself: Primeira Temporada

 

Análise Crítica – Kevin Can F**k Himself: Primeira Temporada

Review – Kevin Can F**k Himself: Primeira Temporada
Existem inúmeras sitcoms e filmes centrados em um homem imaturo, levemente fora de forma, que está sempre envolvido em esquemas para conseguir dinheiro fácil ou aprontando alguma confusão com as pessoas ao redor por conta de sua conduta imatura. Normalmente esse personagem, além de uma turma de amigos aloprados, tem uma namorada ou esposa muito bonita que sofre com as maluquices dele, mas nunca tem espaço na narrativa além de expressões exasperadas e um olhar de desaprovação. Adam Sandler faz bastante esse tipo de personagem, assim como Kevin James em séries tipo The King of Queens ou Kevin Can Wait. É provavelmente desta última que Kevin Can F**k Himself tira o seu título ao tentar mostrar esse tipo de história da perspectiva da esposa e como viver com uma pessoa assim seria realisticamente um pesadelo e um tormento.

A trama acompanha Allison (Annie Murphy), a esposa do aparvalhado Kevin (Eric Petersen), que sempre arranja confusão e cria esquemas ridículos que obrigam Allison a lidar com as constantes idiotices do marido. A gota d’água chega quando Allison vê a chance de finalmente comprar sua casa dos sonhos, mas descobre que Kevin torrou todas as economias do casal. Sabendo não seria possível simplesmente se divorciar de Kevin por causa da imaturidade possessiva dele, Allison decide tomar o controle de sua vida de alguma maneira.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Crítica – G.I Joe Origens: Snake Eyes

 

Análise Crítica – G.I Joe Origens: Snake Eyes

Review – G.I Joe Origens: Snake Eyes
Em um dado momento deste G.I Joe Origens: Snake Eyes a personagem Baronesa (Ursula Corberó, a Tokio de La Casa de Papel) diz “foda-se isso” e vai embora para nunca mais voltar. É uma reação apropriada para qualquer um que pense em assistir uma produção tão sem graça que falha nos elementos mais básicos de um filme de ação mesmo quando tem um elenco com talentosos artistas marciais.

A narrativa conta o passado de Snake Eyes (Henry Golding), que viu o pai ser assassinado quando era criança e passou a vida em busca de vingança. Ele recebe uma oportunidade de descobrir o passado quando o misterioso Kenta (Takehiro Hira) promete revelar a identidade do assassino se Snake conseguir se infiltrar no misterioso clã ninja Arashikage e roubar uma valiosa joia deles. Para tal, Snake deve se aproximar e obter a lealdade de Tommy (Andrew Yang), o atual herdeiro do clã.

Enquanto personagem, o principal atrativo de Snake Eyes sempre foi a aura de mistério ao redor dele, já que nunca víamos seu rosto nem ouvíamos sua voz por conta do voto de silêncio que ele tinha feito. Assim, contar a origem do personagem não é necessariamente uma boa ideia por desfazer aquilo que o tornava interessante. Claro, uma história bem contada poderia dar ainda mais impacto ao porquê de tanto mistério, mas não é o caso aqui.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Crítica – Intrusion

 Análise Crítica – Intrusion


Review – Intrusion
Na prática, Intrusion é mais um daqueles suspenses de invasão domiciliar que a Netflix lança a cada dois ou três meses como Mentiras Perigosas (2020) ou Vende-se Esta Casa (2018) e que em geral são muito ruins e eu inexplicavelmente continuo a assistir (provavelmente por puro masoquismo). Na prática Intrusion até poderia render algo bacana, mas o resultado é completamente esquecível.

A trama é protagonizada pelo casal Meera (Freida Pinto) e Henry (Logan Marshall-Green) que se muda para uma pequena cidade do interior em busca de uma vida mais tranquila depois que os problemas de saúde de Meera quase devastaram o casal. Um dia a casa deles é invadida por criminosos e Henry acaba matando os invasores com uma arma que tinha escondida. O evento deixa Meera fragilizada e ela busca entender o que os invasores queriam, já que eles estavam levando pouca coisa da casa. Aos poucos ela descobre ligações inesperadas com esses criminosos.

Os primeiros minutos conseguem criar um clima de tensão e insegurança conforme Meera se entrega à paranoia de temer novas ameaças e se sente fragilizada depois de ter a casa invadida. Quando a protagonista encontra a correspondência do marido na casa de um dos suspeitos, no entanto, as coisas começam a dar uma guinada para pior.