quarta-feira, 18 de maio de 2022

Lixo Extraordinário – Meia-Noite no Switchgrass

 

Crítica – Meia-Noite no Switchgrass

Review – Meia-Noite no Switchgrass
Primeiro longa-metragem do diretor Randall Emmett, Meia-Noite no Switchgrass é provavelmente o pior cartão de apresentação possível para um realizador estreante. Dividido entre ser uma trama investigativa sombria e um drama sobre a condição da mulher em nossa sociedade, o filme não desenvolve nenhum desses elementos direito, exibe vários problemas técnicos e um elenco que parece completamente desinteressado.

A trama se passa no município de Pensacola no estado da Flórida e acompanha uma investigação que tenta encontrar um serial killer de mulheres. O policial Byron (Emile Hirsch) desconfia que os casos recentes de desaparecimentos e mortes de mulheres estão conectados em um único assassino, apesar de seus superiores não acreditarem. Ele acaba se articulando com o FBI, trabalhando com os agentes Karl (Bruce Willis) e Rebecca (Megan Fox).

Em tese a trama investigativa deveria ser para falar do modo como nossa sociedade trata as mulheres, subestimando-as e colocando-as como objetos descartáveis. O problema é que o filme é todo contado pela perspectiva dos homens, com as personagens femininas reduzidas a serem personagens submissas, como a esposa de Byron interpretada por Jackie Cruz (a Flaca de Orange is the New Black), ou como vítima. Mesmo a agente interpretada por Megan Fox é inevitavelmente presa pelo assassino Peter (Lukas Haas), sendo torturada por ele antes de se libertar.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Crítica – Spree

 

Análise Crítica – Spree

Review – Spree
De certa maneira, Spree não chega a falar nada sobre nossa relação pouco saudável com as redes sociais que já não tenha sido tido antes. Ainda assim, a produção dirigida por Eugene Kotlyarenko consegue envolver por sua mistura entre suspense e sátira social.

A trama segue Kurt (Joe Keery), um jovem que há uma década tenta emplacar como digital influencer, mas não consegue ter mais do que uma dúzia de seguidores. Desesperado por atenção, Kurt decide por um insano experimento social no qual ele resolve matar os passageiros do aplicativo para o qual dirige, transmitindo tudo ao vivo pelas redes sociais. Em um dado momento, Kurt pega uma comediante de sucesso, Jessie (Sasheer Zamata), e se torna obcecado em interagir com ela.

O filme é todo contado através dessas câmeras que Kurt instala em seu carro, além de outras câmeras de celulares e outros dispositivos. Eventualmente o filme acaba se tornando refém desse formato de found footage, com as pessoas continuando a filmar mesmo em situações que seria implausível que alguém continuasse a se preocupar em filmar com o celular ao invés da própria sobrevivência.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Crítica – Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

 

Análise Crítica – Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

Review Crítica – Doutor Estranho no Multiverso da Loucura
O primeiro Doutor Estranho (2016) apresentava ao lado mais bizarro da Marvel, ainda que preso a uma trama excessivamente convencional que era basicamente uma versão com magia do primeiro Homem de Ferro (2008). Este Doutor Estranho no Multiverso da Loucura prometia levar as coisas ainda mais para o lado sombrio e psicodélico e graças à direção de Sam Raimi o filme cumpre o que promete.

Na trama, a viajante interdimensional America Chavez (Xochitl Gomez) chega ao nosso universo, sendo encontrada pelo Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) que tenta protegê-la dos poderosos seres que a perseguem. Para entender o poder de viajar entre universos possuído por America, o Doutor Estranho recorre à ajuda de Wanda (Elizabeth Olsen), mas a Feiticeira Escarlate tem seus próprios planos para a garota.

Colocar Stephen Strange para viajar pelo multiverso é uma ótima desculpa para que Raimi exercite sua capacidade de introduzir criaturas bizarras, visuais psicodélicos e momentos de horror que só não são mais impactantes pela baixa classificação indicativa do filme. Ainda assim, encontrei sustos que não esperava em uma produção voltada para o publico mais novo. A condução de Raimi consegue criar cenas bem singulares, como o segmento em que um Estranho zumbi comanda um exército de espíritos sombrios e que não soaria deslocado em um filme da franquia Evil Dead. Do mesmo modo, a ação usa de maneira criativa as diversas habilidades de heróis e inimigos, seja na luta contra Gargantos em Nova Iorque, seja no modo como America usa seus portais para lutar ou na batalha que envolve os Illuminati, a ação sempre tem algo inesperado a nos oferecer.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Crítica – Bugsnax: The Isle of Bigsnax

 

Análise Crítica – Bugsnax: The Isle of Bigsnax

Review – Bugsnax: The Isle of Bigsnax
Um dos primeiros games lançados para PS5, ficando disponível gratuitamente na Playstation Plus, Bugsnax foi uma grata surpresa. O jogo me pegou por conta de seus quebra-cabeças criativos que envolviam capturar criaturas com aparência de comida e pelo modo como a trama dava guinadas sombrias perto do fim, contrastando com a aparência fofa e inocente. Agora que está também disponível para Xbox e Nintendo Switch, o jogo recebeu uma expansão gratuita em todas as plataformas chamada The Isle of Bigsnax.

A trama da expansão se passa antes da campanha principal. Nela, uma nova ilha emerge próxima à ilha dos Bugsnax e seu personagem, acompanhado de outros membros da vila que você construiu ao longo do jogo, vai investigar a nova localidade. Chegando lá, descobrimos que essa ilha guarda novos e maiores Bugsnax e seus próprios mistérios. A campanha dessa nova expansão é relativamente curta, levando umas três horas para terminar.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Crítica – O Homem do Norte

 

Análise Crítica – O Homem do Norte

Review – O Homem do Norte
Depois de explorar o folclore colonial dos Estados Unidos em A Bruxa (2015) e o folclore do mar em O Farol (2019), o diretor Robert Eggers mira seu interesse no folclore nórdico com este O Homem do Norte. É também o filme dele que mais se aproxima de uma sensibilidade mais comercial, embalando a narrativa como um grande épico hollywoodiano.

A trama é baseada no mito nórdico que inspirou William Shakespeare a escrever Hamlet. Se passa no século IX e acompanha o príncipe Amleth (Alexander Skarsgard), cujo pai, o rei Aurvandil (Ethan Hawke), é morto diante de seus olhos pelo tio Fjolnir (Claes Bang) quando o príncipe ainda era uma criança. Amleth foge, mas jura vingança e já adulto encontra o tio vivendo na Islândia e casado com sua mãe, a rainha Gudrun (Nicole Kidman). Se passando por escravo, ele passa a viver nas terras do tio enquanto espera o momento de atacar, mas aos poucos se aproxima da jovem Olga (Anya Taylor-Joy), que lhe dá outras razões para viver além da vingança.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Crítica – O Peso do Talento

 

Análise Crítica – O Peso do Talento

Review – O Peso do Talento
Apesar de ser fã de Nicolas Cage e achar curiosa a premissa deste O Peso do Talento, temi que acabasse sendo um filme de uma piada só que tenta se sustentar apenas com Cage devorando o cenário como foi o caso de Eu, Deus e Bin Laden (2017). Felizmente isso não acontece aqui e O Peso do Talento é simultaneamente uma paródia da trajetória artística, digamos, errática de Cage, que vai de filmes premiados a completas porcarias, ao mesmo tempo que celebra a singularidade de seu estilo de performance e o legado de seus trabalhos.

Na trama, Nicolas Cage (Nicolas Cage) está endividado e prestes a desistir da carreira de ator para se reaproximar da filha, Addy (Lilly Mo Sheen). É nesse momento em que seu agente lhe passa uma oferta de um trabalho fácil que irá lhe render alguns milhões, basta comparecer à festa de aniversário do magnata espanhol Javi (Pedro Pascal), que o ricaço pagaria um alto cachê pela breve companhia de Cage. As coisas se complicam quando Cage chega à Espanha e é abordado pela agente da CIA Vivian (Tiffany Haddish). Vivian quer recrutar Cage para espionar Javi, que supostamente seria o líder de uma quadrilha internacional de tráfico de armas e sequestrou a filha de uma autoridade local.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Crítica – Cavaleiro da Lua

 

Análise Crítica – Cavaleiro da Lua

Review – Cavaleiro da Lua
Tive minhas desconfianças quando os envolvidos com Cavaleiro da Lua, do diretor Mohamed Diab aos astros Oscar Isaac e Ethan Hawke, passaram a divulgação inteira se referindo à série como um estudo de personagem. Considerando o padrão das histórias dos filmes e séries da Marvel, no entanto, não imaginei que o produto final fosse levar isso a cabo, mas, de fato, os seis episódios colocam no centro o estudo da personalidade fraturada de seu protagonista. Isso, porém, não significa que a série seja livre de falhas.

Na trama, Steven (Oscar Isaac) é um pacato funcionário de museu que vê sua vida virar ao avesso quando começa a ser perseguido pelo misterioso líder de seita Arthur Harrow (Ethan Hawke). Aparentemente Harrow busca um artefato que lhe permitiria ressuscitar a cruel deusa egípcia Ammit e esse artefato estaria com Steven. A questão é que Steven tem uma personalidade alternativa, o aventureiro mercenário Marc Spector. Marc serve como avatar do deus Konshu (F. Murray Abraham) na Terra, se transformando no implacável Cavaleiro da Lua. Agora Marc/Steven precisa resolver sua personalidade fraturada ao mesmo tempo que impede Harrow de reviver Ammit.

O primeiro episódio já estabelece um claro tom anti-programático em relação ao que se espera de uma trama da Marvel. Todas as cenas de ação são abruptamente cortadas toda vez que Marc assume o lugar de Steven, com o personagem confuso em relação ao que aconteceu. Isso permite a trama focar nos dramas de seu protagonista, nas tensões entre ele e o deus Konshu e também no embate moral em relação a Harrow.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Drops – Silverton: Cerco Fechado

 

Análise Crítica – Silverton: Cerco Fechado

Review – Silverton: Cerco Fechado
Baseado em um caso real, Silverton: Cerco Fechado acompanha um grupo de guerrilheiros anti-apartheid na África do Sul que, depois de uma ação dar errado, invadem um banco e tomam todos no local como reféns. Acuados, decidem aproveitar a situação e exigir a libertação de Nelson Mandela em troca da rendição deles e soltura dos reféns.

Poderia ser uma trama para falar sobre a questão do apartheid, sobre a legitimidade de movimentos revolucionários diante de governos autoritários ou questões de negritude e identidade. O problema é que o filme passa ao largo da maioria dessas ideias e prefere focar nos lugares-comuns de filmes que tratam sobre negociação de reféns. Temos aqui todas as situações que já vimos repetidas a todo momento, como os reféns tentando dialogar com os sequestradores, os sequestradores eventualmente brigando entre si por prioridades da missão ou o negociador da polícia que tenta manter todos seguros apesar de ser sabotado pelos superiores.

Apesar das situações conhecidas, o diretor Mandla Dube consegue sustentar o clima de tensão ao longo da projeção e também criar momentos importantes de choque e surpresa conforme vemos que as autoridades estão mais interessadas em calar os pedidos pela liberdade de Mandela do que a segurança dos reféns. Os atores também mantem a tensão, especialmente  Thabo Rametsi como Calvin Khumalo, líder dos revolucionários, que traz com intensidade a urgência da demanda do grupo e a revolta por viver em um estado racista.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Better Call Saul é um prelúdio feito do jeito certo

 

Better Call Saul é um prelúdio feito do jeito certo

Não é segredo o quanto eu gosto de Better Call Saul. A cada nova temporada me surpreendo com a qualidade e a construção cuidadosa e sutil de seus personagens. Confesso que inicialmente não estava convencido de que poderia render algo tão bacana. Fazer um prelúdio de Breaking Bad parecia apenas um meio de capitalizar no sucesso da série protagonizada por Walter White (Bryan Cranston), mas o que Vince Gilligan vem entregando ao longo dessas seis temporadas (a sexta e última ainda está em curso) plenamente justifica a existência da série. Aviso que o texto a seguir pode conter SPOILERS da atual sexta temporada.

É compreensível ter inicialmente ficado arredio com a série. Narrativas prelúdio muitas vezes descambam para o puro fanservice apelando para nossa memória afetiva daquele universo ou personagens. Prelúdios como Han Solo: Uma História Star Wars (2018) ou Oz: Mágico e Poderoso (2013) nos mostram os fatos que levaram personagens conhecidos ao ponto em que os conhecemos em suas histórias originais, mas fazem muito pouco para nos ajudar a entendê-los melhor ou lançar nova luz sobre suas ações em suas tramas originais.

Saber, por exemplo, como Han Solo conseguiu seu blaster, sua nave ou como sua amizade com Lando se iniciou faz muito pouco para nos dar algum novo entendimento a respeito do personagem, apenas exibe eventos que, em alguns casos, já éramos capazes de inferir pelo conteúdo da trilogia original. Em Better Call Saul, por outro lado, os eventos que vemos servem para lançar novas leituras em relação a conduta desses personagens em Breaking Bad.

Um exemplo é Mike (Jonathan Banks). Quando escrevi sobre as duas primeiras temporadas da série mencionei como conhecer o passado de Mike e saber que ele se sente culpado pela morte do filho nos faz entender melhor o quanto ele protegia Jesse (Aaron Paul) em Breaking Bad.

Pois ao longo das temporadas, a jornada de Mike só torna ainda mais compreensível e dá mais peso as ações dele em Breaking Bad porque ao longo de Better Call Saul vemos o personagem continuadamente tentar se redimir pelo fracasso com o filho e falhar em proteger as pessoas sob sua tutela. Primeiro com o cientista alemão responsável por construir o laboratório subterrâneo de Gus (Giancarlo Esposito), que ele se vê obrigado a matar para proteger o segredo e por saber que Gus mataria o sujeito de uma maneira mais cruel que o rápido tiro na cabeça dado por Mike. Depois, já na atual sexta e última temporada, vemos Mike tentar e falhar tirar Nacho (Michael Mando) com vida depois dele ter ajudado na ação contra Lalo (Tony Dalton). É visível que Mike valoriza a lealdade de Nacho e tenta mantê-lo vivo mesmo contra o desejo de Gus.

Nesse sentido, é inevitável falar da composição sutil de Jonathan Banks, em especial na cena derradeira de Nacho diante de Gus e Hector Salamanca (Mark Margolis). Observando tudo pela mira de um fuzil de precisão, Mike levemente abaixa os olhos e respira por um segundo ao ver Nacho se suicidar. É um gesto rápido, mas que comunica o pesar de Mike pelo resultado, ao mesmo tempo que denota o respeito dele por Nacho ao ver o jovem tomar o controle do próprio destino ao invés de esperar que outro o elimine.

Gus é outro personagem que ganha novos contornos ao longo de Better Call Saul. Em Breaking Bad já sabíamos da rivalidade dele com Hector Salamanca e o cartel do qual os Salamancas fazem parte. Aqui, porém, vemos a medida do ódio de Gus e como ele conseguiu exercer sua vingança cuidadosamente ao longo dos anos sem ser notado. O fato dele ter sido responsável por deixar Hector no estado debilitado que o conhecemos em Breaking Bad recontextualiza a rivalidade entre os dois.

Saber que Gus poderia ter deixado Hector morrer já aqui em Better Call Saul, mas pagou o tratamento dele apenas para que se recuperasse o suficiente para viver como um inválido em uma cadeira de rodas, incapaz de se mexer ou falar, mostra o quanto Gus é cruel. Condenar o rival a uma vida de agonia é pior do que matá-lo. Ao mesmo tempo, essa é uma escolha que volta para assombrar Gus ao final, já que é o próprio Hector (com ajuda de Walt) que encerra a vida de Gus em Breaking Bad. Uma espécie de justiça poética que pune Gus pelo erro de ter deixado o rival vivo.

Além disso, a vingança final de Hector é mais um elemento que dá força ao discurso de não usar “meias medidas” que Mike faz para Walt. Observando Breaking Bad à luz do que sabemos desde Better Call Saul ajuda a dar mais peso à fala de Mike porque vimos como, inúmeras vezes, o próprio Mike ou pessoas ao redor dele sofreram duras (e fatais) consequências, porque resolveram usar “meias medidas” ao invés de soluções definitivas.

A série também levou a relação entre Jimmy/Saul (Bob Odenkirk) e Kim (Rhea Seehorn) por caminhos inesperados. Sabemos que os personagens irão se afastar, mas não sabemos como ou por que e a trama tem sido hábil em nos manter em suspense quanto a isso, algo raro em um prelúdio no qual já sabemos o resultado final. Nas primeiras temporadas fica a impressão de que seria o desgosto com a conduta criminosa de Jimmy que afastaria Kim, mas agora, conforme chegamos na temporada final e vemos Kim ser mais implacável que Saul em seus esquemas (como fica evidente no modo como Kim intimida os Kettleman) fica a impressão de talvez a advogada seja destruída por suas próprias ambições.

Claro, ainda assim seria resultado de seu contato com Saul, ressaltando, de certa forma, a natureza corruptora de sua conduta, mas ainda assim, o fim da relação com Kim, a única coisa boa que ele tem, certamente deve ser o empurrão final para o protagonista abraçar de vez sua conduta criminosa. Não sei como a série vai acabar ou se fará jus a tudo que foi construído até aqui. De todo modo, por tudo que foi feito até agora, Better Call Saul é um ótimo exemplo de como fazer um prelúdio relevante que nos faz reexaminar e reinterpretar muito do que vimos na trama original.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Crítica – Ozark: 4ª Temporada (Parte 2)

 

Análise Crítica – Ozark: 4ª Temporada (Parte 2)

Review – Ozark: 4ª Temporada (Parte 2)
A primeira parte da quarta e última temporada de Ozark acabou com um gancho que me deixou ansioso pelos derradeiros episódios da série. Felizmente a Netflix adiantou a estreia da segunda parte da temporada final, diminuindo o tempo de espera. Há sempre o temor que uma série não consiga fazer todas as peças se encaixarem ao final, mas felizmente Ozark entrega um desfecho coerente. Aviso que o texto a seguir contem SPOILERS da temporada final.

Essa segunda parte começa no ponto em que a primeira parou. Com Ruth (Julia Garner) em busca de vingança contra Javi (Alfonso Herrera) depois dele ter matado Wyatt (Charlie Tahan) e Darlene (Lisa Emery). Claro, tudo isso representa um risco para os planos de Marty (Jason Bateman) e Wendy (Laura Linney), que posicionaram Javi como o sucessor de Omar Navarro (Felix Solis) no cartel e precisam dele para fecharem a parceria com a indústria farmacêutica que irá abastecer a fundação dos Byrde e permitir que se afastem do cartel.

Assim como na primeira parte, a trama é eficiente em dar a impressão de que a todo momento as coisas estão desmoronando para os Byrde. A impressão é que uma crise se entremeando na outra, tanto no nível do trabalho deles com o cartel, tanto a nível pessoal. Um exemplo é a chegada do pai de Wendy que insiste em fazer perguntas sobre o sumiço de Ben (Tom Pelphrey).

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Crítica – Moonfall: Ameaça Lunar

 

Análise Crítica – Moonfall: Ameaça Lunar

Review – Moonfall: Ameaça Lunar
Os filmes de Roland Emmerich nunca foram exatamente inteligentes e sempre usavam de maneira bem solta os conceitos científicos que ele usava. Ao menos, porém, produções como Independence Day (1996) ou O Dia Depois de Amanhã (2004) tinham uma certa autoconsciência da própria estupidez e conseguiam criar um senso de diversão ao redor de seus conceitos absurdos. O mesmo não acontece com este Moonfall: Ameaça Lunar, que não apenas leva a imbecilidade típica das tramas de Emmerich a patamares ainda mais elevados como também o faz sem qualquer espírito de diversão ou galhofa, levando tudo a sério e sendo tão cinzento que mais parece uma tentativa de Zack Snyder imitar o estilo de Emmerich. E não, isso não é um elogio.

Depois dos fracassos que foram Independence Day: O Ressurgimento (2016) e Midway: Batalha em Alto Mar (2019), grandes estúdios sabiamente passaram a não querer investir em Emmerich e para fazer Moonfall o diretor precisou levantar os 140 milhões de seu orçamento de produção (ou seja, o valor não leva em conta os custos de marketing e distribuição) de diferentes parceiros comerciais, incluindo companhias chinesas. Isso faz de Moonfall o mais caro “filme independente” estadunidense, o que seria um grande feito se não fosse tão pavorosamente ruim.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Drops - As Agentes 355

 

Resenha Crítica - As Agentes 355

Review - As Agentes 355
Hollywood constantemente acha que reunir um grande elenco basta para atrair público, esquecendo que sem uma trama ou personagens interessantes, é difícil embarcar na história. Este As Agentes 355 é o mais novo exemplo desse equívoco, no qual é reunido um elenco de atrizes de grande renome apenas para desperdiçá-las em um texto genérico e direção pouco inspirada.

Na trama, as missões de agentes de inteligência de diferentes países se chocam quando elas percorrem o mundo para recuperar um drive que conteria um programa capaz de burlar qualquer segurança digital no mundo. Assim, Mace (Jessica Chastain), Marie (Diane Kruger), Khadijah (Lupita Nyongo) e Graciela (Penelope Cruz) se unem para combater a ameaça.

No papel parece uma ótima ideia, já que dificilmente um elenco desse renderia algo ruim. Na prática, no entanto, o resultado é genérico e sem personalidade. As agentes são uma coleção de clichês, como a espiã cínica e desencantada com o mundo ou aquela que ainda tem a esperança de ter uma vida normal. Não há nada digno de nota em nenhuma delas e nem mesmo os diálogos conseguem explorar de modo criativo ou espirituoso o choque entre as personalidades antagônicas da protagonista. Chastain e o resto do elenco principal até se esforçam para estabelecer alguma química entre elas, mas são limitadas pelo texto inane.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Crítica – Abercrombie & Fitch: Ascensão e Queda

 

Análise Crítica – Abercrombie & Fitch: Ascensão e Queda

Review – Abercrombie & Fitch: Ascensão e Queda
Nunca fui lá muito interessado em moda, mas até eu reconhecia a marca Abercrombie & Fitch que se tornou altamente procurada no final da década de 1990 e início dos anos 2000, se tornando símbolo de jovens sarados atendendo a exigentes (e irreais sob certos aspectos) padrões de beleza. Nos últimos anos a marca foi alvo de várias denúncias de práticas discriminatórias, além de declarações publicamente preconceituosas do presidente da companhia, tudo isso contribuiu para a derrocada da companhia. É sobre esse processo de auge e decadência que o documentário Abercrombie & Fitch: Ascensão e Queda vai se deter.

É um documentário todo apoiado em entrevistas com eventuais imagens de arquivo e algumas transições com animação e fotos para tentar dar algum movimento, mas não conseguem mascarar a falta de ritmo e estética demasiadamente convencional. Durante boa parte do tempo soa mais como uma grande reportagem mais interessada em apenas narrar fatos do que analisá-los criticamente. Seria menos um problema se o documentário realmente analisasse com consistência as questões que apresenta ao invés de passar superficialmente por elas.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Crítica – A Bolha

 

Análise Crítica – A Bolha

Review Crítica – A Bolha
Dois anos de pandemia de COVID-19 e a impressão é que foram dois séculos. A verdade é que ainda não estamos completamente fora dela, ainda que as coisas soem mais seguras, e ainda é cedo demais para entendermos plenamente suas consequências, seja em termos de saúde, seja em termos sociais e psicológicos. Por isso é estranho que Hollywood e o diretor Judd Apatow tenham já resolvido parodiar a situação neste A Bolha.

A trama se passa em 2020, ainda no auge da pandemia e sem vacina, acompanhando a produção de um grande filme hollywoodiano que tenta ser feito a despeito das limitações sanitárias. Para realizar o filme, todo o elenco e equipe é confinado em um hotel, criando uma “bolha sanitária” na qual ninguém pode sair para tentar manter a contaminação sob controle. No centro de tudo está a atriz Carol Cobb (Karen Gillan) que retorna para a franquia de filmes de monstro que a tornou famosa depois de se recusar a fazer o anterior.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Crítica – Nem Tudo é Beleza

 

Análise Crítica – Nem Tudo é Beleza

Review – Nem Tudo é Beleza
Que a indústria da beleza tem um lado cruel já é notório. De como passaram anos fazendo as pessoas se sentirem culpadas por não pertencerem a um certo padrão, passando pelos testes problemáticos em animais e humanos. Ainda assim a minissérie documental Nem Tudo é Beleza, produção da HBO Max, conseguiu me espantar com as práticas escusas dessa indústria.

Produzida por Kirby Dick e Amy Ziering, responsáveis por documentários como The Hunting Ground (2015) e Operação Enganosa (2018), a minissérie se divide em quatro episódios. Cada episódio foca em um tipo de produto específico, como maquiagem ou produtos para cabelo. Cada um deles nos mostra como produtos de beleza que pensamos ser inofensivos são carregados de riscos que não apenas a indústria sabe, como insiste em vender a populações mais vulneráveis.

Recorrendo a entrevistas, imagens de arquivo e pesquisas documentais, a série mostra como a falta de fiscalização do governo estadunidense facilita que as companhias de cosméticos façam o que bem entendem, denunciando a fraude que é a ideia de deixar mega corporações se autorregularem. Apesar de escolhas estilísticas bem tradicionais, a narração de que Keke Palmer ajuda a dar personalidade à narrativa, conferindo seriedade sem, no entanto, soar demasiadamente solene ou denuncista.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Crítica – Escolha ou Morra

 

Análise Crítica – Escolha ou Morra

Review – Escolha ou Morra
Produção original da Netflix, Escolha ou Morra é um terror que parte de uma premissa promissora apenas para se atropelar na execução e entregar um produto que mal consegue fazer sentido em muitos momentos. A trama se apoia no mesmo tipo de paranoia tecnológica explorada por filmes como O Chamado (2001), mas não tem praticamente nada a dizer sobre isso ou quaisquer outros temas que aborda.

Na história, Kayla (Iola Evans) é uma jovem lidando com muitos problemas simultâneos. Depois de abandonar a faculdade para cuidar da mãe que sofre com o vício em drogas, ela tem dificuldade de conseguir um emprego e manter as contas em dia. Uma chance de se recuperar surge quando seu melhor amigo, Isaac (Asa Butterfield), encontra um jogo retrô de terror que oferece um prêmio em dinheiro para quem conseguir completá-lo. Depois de descobrir que a oferta ainda é válida e ninguém conseguiu resgatar o prêmio, Kayla resolve jogar para conseguir o dinheiro de que precisa. O problema é que o game começa a afetar a realidade à sua volta, causando mortes reais.

terça-feira, 19 de abril de 2022

Drops – Um Jantar Entre Espiões

 

Análise Crítica – Um Jantar Entre Espiões

Review – Um Jantar Entre Espiões
Estrelado por Chris Pine e Thandiwe Newton, este Um Jantar Entre Espiões é uma inusitada mistura de suspense de espionagem e um “filme de DR” no qual os protagonistas passam a trama discutindo a relação. É uma costura atípica que acaba envolvendo justamente pelo trabalho da dupla principal.

Na trama, Henry (Chris Pine) é um agente da CIA incumbido de interrogar uma ex-agente e também sua antiga amante, Celia (Thandiwe Newton), a respeito de uma operação fracassada de anos atrás. Novas informações dão a entender que o terrorista responsável pelos atos que os personagens falharam em combater tinha um infiltrado na agência e Henry deve conversar com Celia para descobrir quem foi. Lógico que no curso da conversa sentimentos pessoais e profissionais se misturam ao ponto que fica difícil saber em quem confiar.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Crítica – O Conto da Aia: 4ª Temporada

 

Análise Crítica – O Conto da Aia: 4ª Temporada

Review - The Handmaid's Tale Season 4
Quando escrevi sobre a terceira temporada de O Conto da Aia (ou Handmaid’s Tale em inglês) mencionei como a série já estava dando sinais de desgaste criativo e era melhor pensar em encerrar. Essa quarta temporada transmite a mesma sensação, principalmente em sua primeira metade, ainda que ofereça momentos bem vindos de catarse em seu final.

O quarto ano continua de onde o anterior parou, com June (Elizabeth Moss) sendo baleada depois de ajudar na fuga de crianças, marthas e aias para o Canadá. Ainda em Gilead, June é socorrida por outras aias que estão em fuga com ela. O grupo consegue refúgio na fazenda da Sra. Keyes (McKenna Grace), a jovem esposa de um comandante idoso demais para se dar conta do que ocorre em sua propriedade. Neste refúgio, June tenta se recuperar enquanto traça planos para seus próximos passos.

A primeira metade da temporada segue o mesmo ciclo previsível das duas temporadas anteriores com June sendo recapturada, torturada, tendo seu ânimo devastado pela tortura, sendo abusada, apenas para recuperar sua força de vontade e fugir de novo. A essa altura já vimos isso acontecer inúmeras vezes ao ponto de nem nos chocar mais e tudo soar como uma mera espetacularização dessa violência. Já sabemos que Gilead é um lugar cruel e misógino, repetir esse ciclo de abusos e torturas não acrescenta muito ao que já sabemos.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Crítica – Os Olhos de Tammy Faye

 

Análise Crítica – Os Olhos de Tammy Faye

Review – Os Olhos de Tammy Faye
Dirigido por Michael Showalter, responsável pelo bacana e pouco visto Doentes de Amor (2017), este Os Olhos de Tammy Faye mistura comédia e drama para contar a história de uma figura real do televangelismo dos Estados Unidos. Aqui, no entanto, essa mescla não necessariamente ajuda a compreender a personagem.

A trama é baseada na história real de Tammy Faye Bakker, famosa televangelista que ganhou proeminência na década de 1970 e esposa do também televangelista Jim Bakker (Andrew Garfield). Juntos eles construíram um império televisivo, mas também foram alvo de várias polêmicas.

Baseado no documentário de mesmo nome, Os Olhos de Tammy Faye, como o título sugere, adere à perspectiva de Tammy. O problema é que há uma diferença entre assumir um ponto de vista específico de um personagem e aceitar acriticamente tudo que essa pessoa faz. O filme parece cair na segunda perspectiva. Tammy é certamente uma figura complexa. Ao mesmo tempo em que quebrou barreiras ao se tornar uma liderança feminina em um meio tomado por homens e se negou a recriminar a população LGBTQIA, Tammy também acreditava e ajudou a difundir a tacanha noção de teologia da prosperidade, não tendo nenhum problema em viver na opulência graças às doações de fieis mais pobres. Ela também parecia acreditar cegamente no marido apesar das constantes denúncias de que Jim se fraudava a igreja deles.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Drops – Metal Lords

 

Análise Crítica – Metal Lords

Review – Metal Lords
De certa forma, Metal Lords é uma comédia adolescente bem dentro dos padrões, tocando em temas de amadurecimento e formação de identidade, estruturada a partir de uma competição escolar (batalha de bandas nesse caso), similar a muitos outros filmes que já assistimos. Ainda assim, é uma produção que tem carisma e afeto o suficiente para nos fazer aderir à história.

Na trama, Kevin (Jaeden Martell) é um jovem tímido e retraído que é convidado pelo amigo Hunter (Adrian Greensmith) para criar uma banda de heavy metal e competir na batalha de bandas da escola para ganharem popularidade. A dupla tem dificuldade em trazer novos integrantes para a banda, mas Kevin resolve se aproximar da violoncelista Emily (Isis Hainsworth), acreditando que ela pode ser uma boa adição.

A condução da narrativa segue muitos dos clichês desse tipo de história, com Kevin se apaixonando por Emily e isso se colocando no caminho de sua amizade com Hunter, ou a presença de uma banda rival que eles precisam derrotar, tudo bem próximo aos lugares comuns. O texto toca em temas como saúde mental, mas passa um pouco rápido demais por eles. Ainda assim, o filme acerta em sua homenagem à cultura do metal, transmitindo o porque desse gênero musical despertar tantas paixões e atrair vários fãs.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Crítica – Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore

 

Análise Crítica – Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore

Review – Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore
Depois da recepção e bilheteria abaixo do esperado de Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (2018), a Warner decidiu adiar o terceiro filme da saga para reestruturar os planos. Outros atrasos aconteceram por conta da pandemia, mas a ideia do estúdio reconhecer o erro e repensar o caminho dava esperança de que este terceiro filme, Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore, poderia finalmente acertar.

Na trama, uma eleição está para decidir a nova liderança do mundo bruxo e Grindelwald (Mads Mikkelsen) planeja controlar o pleito a seu favor. Por sua vez Dumbledore (Jude Law) percebe que não pode mais acompanhar de longe a ascensão do rival e bola um plano que envolve Newt Scamander (Eddie Redmayne), Kowalski (Dan Fogler) e outros aliados.

A primeira coisa que chama atenção é o quão inconsequentes a maioria dos personagens são para a trama. Personagens são presos, resgatados, atentados são feitos e nada disso faz qualquer diferença. Se no anterior os personagens ao menos tinham algum arco dramático, como a jornada de Newt em compreender o imperativo moral de enfrentar o fascismo, aqui ninguém tem qualquer narrativa própria, passa por qualquer transformação ou aprendizado. Tirando Dumbledore e Grindelwald nenhum deles soa necessário para a trama. Alguns personagens, como o irmão de Newt (tão sem personalidade que nem me lembro o nome), poderiam ser limados completamente que não faria diferença.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Drops – As Faces da Beleza

 

Análise Crítica – As Faces da Beleza

Review Crítica – As Faces da Beleza
Durante muito tempo o padrão de beleza feminina promovido pelos veículos de comunicação de massa era um padrão que valorizava traços associados a pessoas brancas. Por mais que saibamos que beleza não é tudo, vivemos em uma estrutura social que valoriza a beleza e, por isso, tratar como abjeto, desagradável ou indigno de ser considerado belo um determinado grupo social implica em considerar esse grupo como inferioro. Essa é a discussão que As Faces da Beleza tenta fazer sobre a importância de valorizar e dar visibilidade à beleza negra.

Em termos de estrutura é um documentário bem padrão, com entrevistas e imagens de arquivo, fazendo muito pouco em termos estéticos para ajudar na nossa imersão ao tema, valorizando mais a exposição oral de seus argumentos e usando imagens para ilustrar ou demonstrar certos pontos de vista. É possível ver que há uma ampla pesquisa e presença de estudiosos da área para falar de como o discurso ao redor da aparência da mulher negra foi modulado durante séculos para tratar as feições dessa população como pouco atraentes, aberrantes ou hiperssexualizadas a ponto de reduzi-las a objetos.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Drops – Apollo 10 e Meio: Aventura na Era Espacial

 

Análise Crítica – Apollo 10 e Meio: Aventura na Era Espacial

Review – Apollo 10 e Meio: Aventura na Era Espacial
Dirigido por Richard Linklater, realizador que já fez outros trabalhos com animação em rotoscopia (quando se desenha por cima das performances de atores reais) e neste Apollo 10 e Meio: Aventura na Era Espacial busca recriar o clima dos anos de 1960. A trama segue Stan, um garoto chamado pela NASA para a missão de testar um módulo espacial que foi erroneamente construído muito pequeno. Assim, Stan seria a primeira pessoa na Lua, antes de Neil Armstrong e a missão da Apollo 11.

Toda a aventura tem um clima de nostalgia, que tenta nos deixar imersos na experiência de como seria viver na década de 60. De certa forma, Linklater parece mais interessado em reconstruir essa experiência sensível a partir do que filme, do que contar sobre a aventura de Stan no espaço. A trama se entrega a longas digressões que impedem a progressão da trama, mas que valem pelo amplo panorama que pintam sobre como era a vida neste período, tudo contado com muito humor e afeto pela maneira com a qual Linklater constrói suas imagens e pela narração de Jack Black, que faz a versão adulta de Stan. Em muitos momentos, a impressão é que a trama envolvendo Stan e a NASA nem precisaria existir para dar conta do que Linklater quer.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Crítica – Kirby and the Forgotten Land

 

Análise Crítica – Kirby and the Forgotten Land

Review – Kirby and the Forgotten Land
Depois de décadas em aventuras bidimensionais, a Nintendo dá ao Kirby uma aventura tridimensional neste Kirby and the Forgotten Land para Nintendo Switch. Os primeiros trailers surpreendiam ao mostrar a bolota rosa caminhando por espaços abertos do que pareciam ser ruínas de uma civilização humana, dando a impressão de um mundo aberto pós-apocalíptico. Embora esse tipo de ruína seja prevalente durante o game, o produto final, como já tinha ficado evidente nos demos lançados, não tem uma estrutura aberta e sim por fases tridimensionais com espaços a explorar e alguma linearidade. Algo similar a Super Mario 3D World.

Na trama, Kirby é inesperadamente tragado por um portal que o leva a um terra arruinada. Lá ele encontra uma criatura chamada Eiflin, que o auxilia a resgatar os Waddle Dees que também foram transportados para este mundo e sequestrados por um misterioso grupo de vilões chamado The Beast Pack. Apesar do mundo em ruínas, o game ainda apresenta um universo colorido e fofo como os outros games do personagem, conseguindo mesclar com habilidade essa estética apocalíptica com os visuais mais cartunescos.

terça-feira, 5 de abril de 2022

Crítica – Não Confie em Ninguém: A Caça ao Rei da Criptomoeda

 

Análise Crítica – Não Confie em Ninguém: A Caça ao Rei da Criptomoeda

De início esse Não Confie em Ninguém: A Caça ao Rei da Criptomoeda parece mais um desses documentários sobre crimes reais insólitos. O problema é que conforme a trama progride, o filme se rende a muita especulação e expedientes sensacionalistas ao ponto em que quando chegamos ao final fica a impressão de que haviam poucos fatos concretos para justificar seus noventa minutos.

A narrativa conta a história da QuadrigaCX uma empresa de corretagem de criptomoeda que ganhou proeminência no Canadá quando o Bitcoin começou a se tornar uma tendência na especulação financeira. O fundador da empresa, Gerry Cotten, se tornou uma figura proeminente no mercado financeiro e promotor da importância das criptomoedas. Anos depois, a empresa se viu enrolada em escândalos que culminaram com muitos clientes não sendo capazes de retirar seus investimentos, algo que piora quando Gerry inesperadamente morre em uma viagem à Índia, sendo que ele tinha todas as senhas para as carteiras virtuais de Bitcoin da empresa.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Crítica – Sonic 2: O Filme

 

Análise Crítica – Sonic 2: O Filme

Review – Sonic 2: O Filme
Considerando o baixo nível das adaptações de games, Sonic: O Filme foi uma relativa surpresa ao ser bem fiel ao espírito do ouriço azul. Tinha problemas de ritmo e os personagens humanos eram desinteressantes, mas conseguia ser moderadamente divertido. Esse Sonic 2: O Filme melhora em alguns aspectos, mas repete alguns erros do anterior.

Na trama, Robotinik (Jim Carrey) consegue voltar à Terra e busca vingança contra Sonic  (Ben Schwartz) e Tom (James Marsden). O cientista louco, no entanto, não chega sozinho e vem acompanhado de Knuckles (Idris Elba), que busca o poder da Esmeralda Mestra.

Assim como o primeiro filme, essa segunda aventura sofre com problemas de ritmo, ao se render a digressões que pouco acrescentam à trama e apenas quebram o ritmo de urgência e velocidade que a narrativa tenta construir. Alguns segmentos, como a cena de Sonic e Tails (Collen O'Shanussy) em uma taverna russa, poderiam ser cortados sem problemas. O mesmo pode ser dito de boa parte das subtramas envolvendo os personagens humanos, como o casamento da cunhada de Tom ou o momento em que Maddie (Tika Sumpter) vai resgatar Sonic dos militares. São segmentos que apenas protelam o desenvolvimento do conflito principal e oferecem muito pouco em troca.