sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Crítica – Cyberpunk: Mercenários

 

Análise Crítica – Cyberpunk: Mercenários

Review – Cyberpunk: Mercenários
Apesar do bom histórico da Netflix com animações baseadas em games, não me interessei de imediato por este Cyberpunk: Mercenários, animação que se passa no mesmo universo do game Cyberpunk 2077 (e consequentemente do RPG de mesa em que se baseia). Ainda assim, decidi conferir sem muita expectativa e o resultado é uma das melhores séries baseadas em games desde Castlevania.

A trama se passa um ano antes dos eventos do game e é protagonizada por David, um garoto de origem humilde que tenta sobreviver a Night City ao lado da mãe. Quando a mãe de David morre em um acidente, o jovem descobre que ela tinha implantes de combate altamente avançados no corpo. David instala os implantes em si mesmo e logo é encontrado pelo grupo de mercenários com os quais sua mãe trabalhava, inevitavelmente aceitando prestar serviços para eles já que não tem mais nada a perder.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Drops – Já Fui Famoso

 

Análise Crítica – Já Fui Famoso

Review – Já Fui Famoso
Algumas vezes um filme nos envolve não pela inventividade da narrativa, não pelo apuro estético, mas pela emoção genuína que consegue apresentar. É isso que acontece neste Já Fui Famoso, produção original da Netflix. A trama é protagonizada por Vince (Ed Skrein), um músico que foi famoso há vinte anos atrás e agora tenta reconstruir a carreira. Um dia, tocando na rua, ele improvisa uma jam session com Stevie (Leo Long), um garoto autista, e o vídeo dos dois tocando viraliza na internet, apresentando o caminho de uma segunda chance para Vince.

É a típica história do artista decadente, marcado por um trauma, tirado de sua reclusão por um jovem ingênuo. Logicamente um tem muito a ensinar ao outro e desafios envolvendo liberdade artística ou fazer o que o mercado deseja. É relativamente previsível, conduzido sem grandes surpresas, no entanto, o que nos envolve é a dinâmica entre Vince e Stevie.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Drops – O Escândalo da Wirecard

 

Análise Crítica – O Escândalo da Wirecard

Review – O Escândalo da Wirecard
Produzido pela Netflix, O Escândalo da Wirecard é mais um daqueles documentários de crimes que trata de um grande esquema de fraude dentro do ramo da tecnologia e dos pagamentos digitais. Dessa vez é sobre a empresa alemã Wirecard, que criou um sistema de pagamentos virtuais e cartões pré-pagos que garantiria o sigilo dos usuários, mas logo se tornou um instrumento de lavagem de dinheiro e isso passou a ser seu negócio principal.

A trama é contada a partir da investigação feita por repórteres do Financial Times sobre os negócios escusos da empresa e como as contas declaradas aos acionistas não batiam com a realidade. Nesse sentido, o documentário é consistente em mostrar o processo de apuração jornalística e a quantidade de evidências colhidas para provar a fraude. Pode parecer besteira ter que comentar isso, mas considerando a enxurrada de documentários sobre crimes que se entregam a um sensacionalismo especulativo com pouca base factual (como JohnMcAfee e Não Confie em Ninguém) é importante ver produções que sustentem sua narrativa em fatos e não apenas em especulações feitas para chocar o espectador.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Crítica – A Queda

 

Análise Crítica – A Queda

Review – A Queda
Filmes de suspense confinados a um único espaço vão envolver ou não pela sua capacidade de criar situações de tensão dentro desse espaço para manter o interesse. Em geral A Queda consegue envolver em sua condução da tensão mesmo quando as personagens deixam a desejar.

A narrativa é protagonizada por Becky (Grace Caroline Currey, a Mary do filme Shazam), uma montanhista que fica traumatizada depois da morte do noivo, Dan (Mason Gooding), em um acidente de escalada. Tentando tirar Becky da depressão sua melhor amiga, Hunter (Virginia Gardner), propõe uma viagem para elas espalharem as cinzas de Dan. Não seria, no entanto, uma viagem qualquer, elas subiriam em uma antiga torre de transmissão, a maior do país, e espalhariam as cinzas do alto. O problema é que a torre é muito antiga e durante a subida as escadas enferrujadas colapsam, deixando a dupla presa no topo. Agora elas precisam encontrar um jeito de sobreviverem e saírem da situação.

Claro, num primeiro momento é meio estúpido que elas tenham partido para uma empreitada super perigosa sem avisar ninguém do que fariam, mas não é implausível considerando que isso de fato acontece no mundo real, vide o filme 127 Horas. A partir do momento em que a dupla fica presa, o filme é eficiente em encadear situações de tensão envolvendo a tentativa de recuperar uma mochila de mantimentos, usar um drone para mandar uma mensagem de socorro ou tentar rechaçar ataques de urubus. A narrativa ainda consegue entregar alguns momentos de surpresa que nos fazem reinterpretar alguns momentos aparentemente implausíveis.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Rapsódias Revisitadas – Medo e Delírio em Las Vegas

 

Análise Crítica – Medo e Delírio em Las Vegas

Review – Medo e Delírio em Las Vegas
Em 1971 o jornalista Hunter S. Thompson iniciou o movimento chamado “jornalismo gonzo” ao transformar o que deveria ser uma simples reportagem esportiva sobre uma corrida no meio do deserto de Nevada em um livro que misturava fato e ficção, ponderando sobre o declínio do “sonho americano” e sobre o quanto ele viajou em drogas durante a viagem. O livro de Thompson foi adaptado para os cinemas em 1998 por Terry Gilliam em Medo e Delírio em Las Vegas. O filme não teve uma boa recepção crítica na época do lançamento e foi um fracasso comercial, mas com o tempo ganhou um status cult com audiências celebrando o passeio lisérgico que a obra faz pelo coração dos Estados Unidos e o clima político-social da década de 70.

A trama é protagonizada por Raoul Duke (Johnny Depp), um repórter que viaja para o deserto de Nevada para cobrir uma corrida. Ele está na companhia do advogado, Dr. Gonzo (Benicio del Toro), e uma mala cheia de drogas. No percurso de cobrir a corrida eles se perdem no efeito das drogas e o caos se instaura conforme eles embarcam em bad trips que os fazem pensar no ideal de “sonho americano”.

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Crítica – Era Uma Vez um Gênio

 

Análise Crítica – Era Uma Vez um Gênio

Review – Era Uma Vez um Gênio
Depois do apocalipse de Mad Max: Estrada da Fúria (2015), o diretor George Miller resolve explorar o poder da fábula em Era Uma Vez um Gênio, adaptando um romance escrito por A.S Byatt. É uma trama que explora o quanto a fabulação e arte são importantes em nossa vida, ainda que muitas vezes subestimemos esses elementos.

A trama é protagonizada por Alithea (Tilda Swinton) que em uma viagem para a Turquia liberta um Djinn (Idris Elba) preso na garrafa. Agora a criatura se oferece para conceder três desejos a Alithea em troca da liberdade dele, mas Alithea não sabe o que pedir. O Djinn então começa a narrar suas desventuras ao longo dos últimos três mil anos.

O filme chama atenção pela construção visual das fábulas contadas pelo Djinn, cheias de elementos singulares e que nos conquistam pela capacidade de imaginação dos realizadores em conceber tudo aquilo. A tramas em si envolvem pelo modo como elas se costuram uma na outra, como pequenas ações causam repercussões que serão sentidas séculos depois e irremediavelmente mudam a trajetória do Djinn e das pessoas com as quais ele se envolve. O próprio visual do Djinn, com extremidades douradas, palmas vermelhas e uma constante fumaça ao seu redor convencem de que estamos diante de uma criatura que, como ele mesmo diz, é feita de fogo e poeira.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Crítica – Fim da Estrada

 

Análise Crítica – Fim da Estrada

Review – Fim da Estrada
Alguns filmes conseguem transitar bem entre vários gêneros, caminhando com fluidez por diferentes tons e temas. Fim da Estrada, porém, não é um desses filmes. Existem muitas ideias em jogo que poderiam render algo interessante, mas o resultado final não coloca esses elementos em um conjunto coeso.

Na trama, Brenda (Queen Latifah) está se mudando com a família de Los Angeles para o Texas depois da morte do marido tornar impossível custear a vida na cidade. Ela viaja acompanhada do irmão, Reggie (Chris “Ludacris” Bridges), e dos filhos Kelly (Mychala Faith Lee) e Cam (Shaun Dixon). No caminho eles passam pelo interior do Arizona, lidando com o racismo dos locais, mas as coisas se complicam quando testemunham um crime e acabam pegando uma mala de dinheiro que não lhes pertence.

O início, com Brenda repreendendo Reggie por fumar muita maconha e ele pensando em como vai ficar a viagem inteira sem erva parecem dar um tom de comédia a todo o processo. Assim que eles pegam a estrada, no entanto, a seriedade aparece mais forte conforme eles são alvo de condutas racistas. Mais adiante, conversas entre Brenda e Reggie falam sobre o trauma do falecimento do marido de Brenda, das dívidas que a família assumiu durante a doença do falecido e dos conflitos entre Brenda e Reggie, construindo um drama familiar. Posteriormente, a família toma posse da mala de dinheiro e tudo vira um thriller de ação.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Crítica – Boa Noite, Mamãe!

 

Análise Crítica – Boa Noite, Mamãe!

Review – Boa Noite, Mamãe!
Lançado em 2014, o terror austríaco Boa Noite, Mamãe era um eficiente terror que envolvia pela construção de uma atmosfera de tensão e ambiguidade ao redor de seus personagens. Seis anos depois recebemos esse remake hollywoodiano que, como muitos remakes de filmes relativamente recentes, soa meramente como um meio de atingir o público estadunidense que não gosta de assistir filme com legenda.

A trama é protagonizada pelos gêmeos Elias e Lukas (Cameron e Nicholas Crovetti) que são deixados na casa da mãe (Naomi Watts) para passar um tempo com ela. Chegando lá os garotos encontram a mãe com o rosto coberto por uma máscara cirúrgica, pois ela supostamente teria feito uma plástica no rosto. Os problemas começam quando os garotos estranham o comportamento da mãe e começam a achar que aquela mulher pode não ser a mãe deles.

Se o original conseguia desenvolver muito bem uma atmosfera de tensão e estranhamento por conta das ações erráticas da mãe e o fato de não vermos seu rosto, aqui essa tensão está praticamente ausente. Falta ambiguidade e bizarrice nas ações da personagem de Naomi Watts, que demonstra mais uma insegurança e fragilidade que torna mais fácil antever a revelação final. A máscara cirúrgica usada pela personagem revela demais o rosto da atriz e soa normal demais para parecer assustadora como no original, em que parecia menos um instrumento hospitalar e mais algo feito de maneira amadora, com bandagens soltas unidas por presilhas e o pouco que víamos do rosto da mãe estava cheio de hematomas e marcas de cicatriz.

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Crítica – Justiceiras

 

Análise Crítica – Justiceiras

Review – Justiceiras
Misturando Meninas Malvadas (2004) com Pacto Sinistro (1951), Justiceira é uma comédia adolescente que comenta sobre vingança e objetivos de vida. A trama é focada em Drea (Camila Mendes). Depois que um vídeo íntimo dela é vazado na internet aparentemente pelo namorado, Max (Austin Abrams, o Ethan de Euphoria), Drea perde todo seu status de garota mais popular e também vê suas notas caírem, prejudicando as chances de ir para a universidade dos sonhos. É aí que ela conhece Eleanor (Maya Hawke), que também tem um desejo de vingança por outra garota da escola. Assim, elas fazem um pacto de se vingarem, mas para não serem pegas decidem que uma fará a vingança da outra.

Há um componente de previsibilidade no meio da história, com as duas ficando amigas, mas colocando a amizade a perder por estarem tão focadas em suas vinganças ou por perderem a perspectiva ao se conectarem com as pessoas das quais deveriam estar se vingando. Esse vai e vem na amizade das duas funcionam pela química sincera que Hawke e Mendes estabelecem uma com a outra, que passam de aliadas pragmáticas para amigas genuínas, com Drea se abrindo a Eleanor de maneiras que nunca fez com ninguém. Por outro lado, a narrativa guarda surpresas inesperadas e algumas reviravoltas me pegaram desprevenido, então mesmo dentro de estruturas narrativas familiares, o filme encontra algum espaço para surpreender.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Crítica – Emergência

 

Análise Crítica – Emergência

Review – Emergência
Fui assistir Emergência imaginando que seria só mais uma comédia universitária sobre festas, bebedeiras e coisas dando errado, então foi uma grata surpresa ver que ele tinha mais a dizer do que isso. Na trama, os universitários Sean (R.J Cyler) e Kunle (Donald Elise Watkins) planejam uma noite lendária participando das festas de todas as fraternidades do campus se tornando os primeiros alunos negros a fazerem isso. Os planos são frustrados quando eles encontram uma garota branca bêbada, Emma (Maddie Nichols), caída na casa deles. Kunle quer chamar os serviços de emergência, já que a garota parece estar muito mal, mas Sean imagina que dois caras negros chamando a polícia por conta de uma mulher branca na casa deles cuja presença não podem explicar pode dar problemas aos dois. Assim, a dupla junto com o colega de quarto Carlos (Sebastian Chacon) decidem levar Emma a um hospital, mas chegar lá não deve ser tão simples.

O filme demora um pouco a chegar no seu ponto principal, mas uma vez que chega é bem eficiente em ilustrar as experiências de uma juventude em um mundo cujas desigualdades são bem conhecidas. Da mesma forma que Sean e seus amigos são movidos pelo temor do racismo, a irmã de Emma, Maddy (Sabrina Carpenter), se mostra bastante preocupada com seu sumiço justamente por saber o que pode acontecer com uma mulher bêbada em uma festa universitária.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Drops – Amor em Verona

 

Análise Crítica – Amor em Verona

Review – Amor em Verona
Algumas vezes me pergunto porque me sujeito a certas coisas. Amor em Verona, nova produção da Netflix, está longe de ser algo revoltante de ruim, mas é aquele tipo de produção tão desprovida de personalidade que parece ter sido toda feita por um algoritmo. Na trama, Julie (Kat Graham) é largada pelo namorado às vésperas de uma viagem romântica para Verona na Itália. Sozinha, ela descobre que o sobrado que alugou pela internet também fora locado ao britânico Charlie (Tom Hopper). Como nenhum dos dois quer deixar a casa, decidem dividir.

É óbvio desde o início o que vai acontecer, eles vão se desentender, fazer birra um com o outro e eventualmente irão deixar as diferenças de lado e se apaixonar. É o clichê dos inimigos que viram amantes e do casal com personalidades opostas que tem algo a ensinar um com o outro. Ele é muito sério e fechado, precisando aprender a se abrir, ela precisa aprender a ser mais prática.

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Crítica – Cobra Kai: 5ª Temporada

 

Análise Crítica – Cobra Kai: 5ª Temporada

Review – Cobra Kai: 5ª Temporada
Quando escrevi sobre o quarto ano de Cobra Kai mencionei como a série ainda contava com o bom desenvolvimento de personagens apesar de reciclar algumas tramas e tipos de conflitos. Esse sentimento segue nesta quinta temporada em que as relações entre os personagens continuam sendo o ponto forte, mas a necessidade de aumentar o riscos muitas vezes rende em tramas que soam repetitivas ou forçadas.

Depois de serem derrotados pelo Cobra Kai de Terry Silver (Thomas Ian Griffith), Daniel (Ralph Macchio) e Johnny (William Zabka) lidam com as consequências. Johnny vê isso como uma chance de recomeço, de deixar para trás suas rivalidades de caratê e focar em sua relação com Carmen (Vanessa Rubio) e em tratar da animosidade entre Miguel (Xolo Maridueña) e Robby (Tanner Buchanan). Daniel, por sua vez, se vê obcecado em derrubar Silver, inclusive recorrendo ao apoio de Chozen (Yuji Okumoto) em sua empreitada.

A temporada começa lidando com essas consequências e isso dá uma chance para vermos o quanto a relação entre Daniel e Johnny evoluiu, ao ponto em que eles praticamente invertem os papéis, com Daniel botando tudo a perder em sua busca por Silver, enquanto que Johnny se torna um homem de família focando em sua vida com Carmen. Chozen é um dos destaques da temporada, entregando tanto humor quanto seriedade como parceiro de Daniel, levando a missão até as últimas consequências.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Crítica – Órfã 2: A Origem

 

Análise Crítica – Órfã 2: A Origem

Review – Órfã 2: A Origem
Não tinha lá grandes expectativas para este Orfã 2: A Origem. Não apenas não havia nada de muito promissor em revisitar a origem da personagem, como também o crescimento da atriz Isabelle Fuhrman (que tinha 12 anos no primeiro filme em 2009) já tornava difícil que ela continuasse a convencer como uma criança. Pois confesso que o resultado é até melhor do que eu esperava considerando o quão ruim poderia ter sido.

A trama se passa em 2007 e conta como Esther (Isabelle Furhmann) chegou aos Estados Unidos e matou a primeira família por lá. Como qualquer um que viu o primeiro filme sabe, ela não é uma criança, mas uma mulher adulta com mais de 30 anos com um tipo raro de nanismo que prendeu o desenvolvimento do seu corpo ainda na infância. Originalmente chamada Leena, ela foge de uma instituição psiquiátrica na Estônia e acaba assumindo a identidade de uma garota estadunidense desaparecida chamada Esther por conta da semelhança com a menina. Ela então é levada aos EUA para a família da Esther original, sendo aceita por Tricia (Julia Stiles), mãe da garota, e os demais membros da família como a Esther real.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Crítica – Cuphead A Série: Segunda Temporada

 

Análise Crítica – Cuphead A Série: Segunda Temporada

Review – Cuphead A Série: Segunda Temporada
Quando escrevi sobre a primeira temporada de Cuphead: A Série, mencionei como ela reproduzia o humor anárquico dos desenhos da década de 1930 ou 40, embora estrutura de tramas isoladas dentro de cada episódio resultava em variações na qualidade, com alguns episódios sendo bem descartáveis. Pois essa segunda temporada segue nos mesmos méritos, mas ainda traz inconsistências na qualidade dos episódios.

A temporada começa no ponto em que a anterior parou, com Xicrinho e Caneco sendo presos depois de suas travessuras com a Cálice. No presídio, a dupla de irmãos apronta altas confusões tentando escapar. A partir deste ponto a série segue na sua estrutura com episódios isolados, ainda que algumas tramas sejam retomadas em alguns momentos, como a da Cálice ou as tentativas do Diabo em conseguir a alma de Xicrinho.

Como na primeira temporada, a série continua acertando no senso de humor caótico que era típico dos desenhos de outrora, com personagens travessos que raramente se preocupavam em evocar qualquer tipo de bom-mocismo, algo evidenciado no episódio em que os irmãos se valem da Cálice para ganhar dinheiro sendo “caça fantasmas”. Do mesmo modo, os elementos mais sombrios e sinistros desses desenhos de antigamente também se fazem presentes em criaturas bizarras e situações por vezes assustadoras nas quais os personagens se envolvem.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Drops – Dupla Jornada

 

Análise Crítica – Dupla Jornada

Review – Day Shift
Estrelada por Jamie Foxx e produzida pela Netflix, Dupla Jornada é uma comédia de ação bem típica, mas tem carisma e criatividade o bastante para entreter. A trama é basicamente um Máquina Mortífera com vampiros. Bud (Jamie Foxx) é um instável  caçador de vampiros sem grana que aceita voltar a trabalhar para o Sindicato, guilda de caçadores da qual se afastou anos atrás. Suspeito que a conduta errática de Bud cause problemas, o líder da organização o coloca para trabalhar com o burocrata Seth (Dave Franco), para que Seth fique de olho na conduta de Bud. Ao mesmo tempo, Bud é caçado pela poderosa vampira Audrey (Karla Souza), que busca vingança contra ele.

É óbvio desde o início que ao longo do filme Bud vai aprender a ser mais responsável enquanto que Seth vai se tornar menos retraído. Ainda assim, Foxx e Franco tem uma boa dinâmica juntos e conseguem divertir com a constante troca de farpas entre os dois. O filme também acerta na criação do universo da trama, criando toda uma sociedade oculta de vampiros e caçadores, com diferentes subespécies de vampiros e um plantel pitoresco de caçadores, como o caubói interpretado por Snoop Dogg ou o matador do leste europeu vivido pelo ator e dublê Scott Adkins.

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Crítica – Samaritano

 

Análise Crítica – Samaritano

Review – Samaritano
Estrelado por Sylvester Stallone, Samaritano é um filme de super-heróis que parece ter sido feito na década de 80 e 90, quando Hollywood ainda via esse tipo de produção com certo estigma e não entendia exatamente como essas tramas e universos funcionavam. Hoje filmes de super-heróis são hegemonia entre os blockbusters e ainda assim essa produção da Prime Video consegue soar bastante datada.

Na trama, Sam (Javon Walton, o Ashtray de Euphoria) é um garoto obcecado pela figura do Samaritano, um super-herói que teria se sacrificado anos atrás para derrotar Nemesis, seu irmão gêmeo e super-vilão. O Samaritano é dado como morto, mas Sam acredita que ele esteja vivo. Um dia, Sam está sendo espancado pelos garotos de sua rua envolvidos na gangue do criminoso Cyrus (Pilou Asbaek) quando é salvo por Joe (Sylvester Stallone), um homem idoso e extremamente forte. Sam suspeita que Joe seja, na verdade, o Samaritano e tenta convencê-lo a voltar a ser herói, principalmente para deter Cyrus, que tenta levar a cabo os planos de Nemesis para criar anarquia na cidade.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Crítica – Men: Faces do Medo

 

Análise Crítica – Men: Faces do Medo

Review – Men: Faces do Medo
Desde que estreou como diretor no excelente Ex Machina (2014), os filmes de Alex Garland de algum modo tocam em questões de identidade. Na sua estreia na direção era sob uma forma de vida artificial construindo sua própria personalidade, em Aniquilação (2018) era sobre como seria possível manifestar individualidade quando nossas existências são uma soma de experiências e interações que se mesclam de maneira indissolúvel. Em Men: Faces do Medo ele explora não apenas a ideia de masculino no coletivo, mas como esse contato com a coletividade masculina impacta em sua protagonista.

Na trama, Harper (Jesse Buckley) aluga uma enorme casa no interior da Inglaterra para espairecer a mente depois da morte do marido. Após ser recebida pelo excêntrico proprietário, Geoffrey (Rory Kennear), Harper começa a ficar a vontade na propriedade, mas logo um homem estranho tenta invadir o local e isso mexe no modo em como ela lida com o restante dos homens da pequena vila (todos com o mesmo rosto) e com as memórias do marido.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Crítica – Tekken: Bloodline

 

Análise Crítica – Tekken: Bloodline

Eu tenho algum conhecimento dos games da franquia Tekken, embora não seja próximo a eles como sou de outros grandes nomes dos jogos de luta. Ainda assim fui atraído para este Tekken: Bloodline pelo trabalho competente que a Netflix vem fazendo em adaptar games em séries animadas, a exemplo de Castlevania ou Cuphead.

A trama se baseia na narrativa Tekken 3, sendo protagonizada por Jin Kazama, que vê a mãe ser morta pelo perigoso ser conhecido como Ogre. O jovem parte então para encontrar seu único familiar remanescente, o poderoso e cruel Heihachi Mishima, dono da corporação Tekken e organizador do torneio Rei do Punho de Ferro. Heihachi treina o neto em seu estilo de luta, visando prepará-lo para enfrentar Ogre eventualmente, mas o patriarca Mishima também esconde seus segredos.

A narrativa acerta no modo como capta as personalidades de seus personagens, em especial a crueldade ardilosa de Heihachi. O conflito interno de Jin, pego entre a compassividade da mãe e a dureza do avô, lutando para encontrar seu próprio caminho em meio a tudo isso, também é bem construído. Paul Phoenix e Xiaoyu, por sua vez, participam como coadjuvantes divertidos e também protagonizando boas cenas de luta. Não é lá uma trama ou conflitos muito inovadores, mas os personagens e as lutas ao menos conseguem nos manter envolvidos e a narrativa consegue equilibrar bem os elementos sombrios com os aspectos mais sem noção dos jogos. Afinal, não podemos esquecer que em meio a todo o drama familiar, Tekken é também uma franquia em que um urso pardo é admitido em um torneio de lutadores humanos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Crítica – Iluminadas

 

Análise Crítica – Iluminadas

Review – Iluminadas
A mistura entre trama investigativa e elementos sobrenaturais foi o que me atraiu a este Iluminadas, série da AppleTV+ baseada no livro homônimo escrito por Lauren Beukes. A trama se passa na Chicago de 1992, sendo protagonizada por Kirby (Elizabeth Moss), uma mulher tentando reconstruir a vida depois de um ataque que quase a matou. Ela trabalha como arquivista em um jornal e descobre um assassinato em que vítima foi cortada de maneira semelhante ao que o assassino tentou fazer com ela.

Assim, Kirby se aproxima de Dan (Wagner Moura) o repórter responsável pelo caso, para ajudá-lo na investigação. O trauma não é o único fardo que Kirby carrega após o ataque. Há também o problema de que ela constantemente experimenta mudanças bruscas em sua realidade, como descobrir que mora em um apartamento diferente do que estava quando saiu pela manhã para trabalhar. Aviso que o texto a seguir pode conter SPOILERS da série.

A noção de uma realidade mudando ao redor da personagem cria um componente inesperado no que seria só mais uma trama típica de serial killer. De início já somos colocados na posição de indagar o que está acontecendo com Kirby. É tudo real ou fruto de alguma instabilidade mental? Ela está se deslocando no tempo? Entre dimensões? Universos? São elementos que contribuem para uma atmosfera de incerteza que perturba a acomodação de elementos típicos de tramas policiais/investigativas em que a série se apoia na maior parte do tempo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Crítica – John McAfee: Gênio, Polêmico e Fugitivo

 

Análise Crítica – John McAfee: Gênio, Polêmico e Fugitivo

Review – John McAfee: Gênio, Polêmico e Fugitivo
A produção John McAfee: Gênio, Polêmico e Fugitivo é mais um daqueles documentários sobre crimes que está mais interessado em especulação sensacionalista do que uma apuração consistente dos fatos ou mesmo ter algo a dizer sobre as mensagens que produz. O documentário acompanha uma dupla de jornalistas que acompanhou o programador John McAfee, que criou o programa antivírus que leva seu nome, em sua fuga depois de ser acusado de matar um vizinho em Belize.

O filme se concentra nas imagens que os dois jornalistas captaram durante o tempo em fuga de McAfee, que o mostram como um sujeito instável, mas que parece também performar muito dessa instabilidade, como se fosse um esforço consciente da parte dele em querer parecer louco, tanto que ele se compara ao Coringa em dado momento. Isso poderia ser usado para pensar sobre egocentrismo, culto à personalidade ou como uma pessoa consegue criar um mito em torno de si mesmo, no entanto, o documentário nunca tem nada a dizer sobre essas imagens além de expor a bizarrice do comportamento de McAfee, sendo de um sensacionalismo rasteiro.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Drops – Influencer de Mentira

 

Análise Crítica – Influencer de Mentira

Review – Influencer de Mentira
Estrelado por Zoey Deutch, Influencer de Mentira é mais um filme a falar sobre os problemas de nossa obsessão com redes sociais, likes e engajamento. Não tem nada de novo exatamente, mas é bem conduzido o suficiente para funcionar. Danni (Zoey Deutch) é uma aspirante a escritora sem muitos prospectos de futuro. Um dia ela finge uma viagem a Paris para chamar a atenção de um influencer de que gosta, Colin (Dylan O’Brien). O problema é que no momento em que ela posta fotos dizendo que está um ponto turístico de Paris o local é alvo de um ataque terrorista. Assim, Danni continua a mentira, se posicionando como sobrevivente e emplacando uma hashtag sobre saúde mental.

É uma trama de certa forma similar a Querido Evan Hansen (2021), com a diferença que Evan era um garoto inseguro diante de pais enlutados e Zoey é, desde o início, uma mentirosa fútil. Nesse sentido a trama acerta em não tentar relativizar as ações da protagonista, deixando evidente desde a cartela inicial que ela não é uma boa pessoa. A trama aponta não apenas para a futilidade do universo dos influencers como também para a virulência dos linchamentos virtuais uma vez que alguém se torna infame e o modo como portais de notícia, para não ficarem de fora do que é tendência, replicam conteúdo sem devida apuração.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Drops – De Férias da Família

 

Crítica - De Férias da Família

Review - De Férias da Família
Não esperava muita coisa de De Férias da Família, imaginei que seria uma comédia lotada de lugares comuns, mas que fosse ao menos capaz de me divertir ao longo de seus 100 minutos dados os nomes envolvidos. Infelizmente nem essas baixas expectativas foram atendidas.

A trama é protagonizada por Sonny (Kevin Hart) um dedicado pai de família que vive para cuidar dos filhos. Um dia, a esposa dele, Maya (Regina Hall), uma ocupada arquiteta, propõe que ela fique uma semana sozinha com os filhos enquanto Sonny aproveita um tempo livre. Sonny aproveita para encontrar Huck (Mark Wahlberg) um antigo colega dos tempos de farra. Em tese confusões deveriam acontecer a partir daí, no entanto, o roteiro é tão pouco criativo que não consegue criar sequer uma situação engraçada, preferindo apelar para escatologia rasteira, com menções gratuitas a fezes e vômitos, ao invés de criar situações interessantes para inserir esses elementos.

É uma colagem aleatória de situações que mesmo num regime absurdista não conseguem se conectar e nem provocar riso. Não ajuda que o roteiro não saiba exatamente quem é Sonny, que varia entre um marido dedicado, um tirano com os filhos e crianças da escola, um idiota manso e um babaca rancoroso. Como o personagem muda de personalidade a cada cena fica difícil criar qualquer expectativa a seu respeito, tornando quase impossível subvertê-las para fins dramatúrgicos.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Crítica – Cuphead: The Delicious Last Course

Análise Crítica – Cuphead: The Delicious Last Course


Review Crítica – Cuphead: The Delicious Last Course
Lançado em 2017 Cuphead chamou atenção pelos seus visuais que remetiam a animações da década de 1930 e também por sua dificuldade extrema. Esses dois atributos seguem presentes na expansão The Delicious Last Course, que introduz novos chefes, armas e uma personagem jogável.

Em uma trama paralela à campanha principal, Cuphead e Mugman recebem uma mensagem da Ms. Chalice pedindo ajuda. Assim, os irmãos navegam para a Ilha Tinteiro IV para ajudar Ms. Chalice a sair do mundo espiritual. Logicamente, isso envolve derrotar mais um monte de chefões difíceis.

O primeiro grande novo elemento é a possibilidade de jogar com Ms. Chalice. Ela, no entanto, não é uma personagem selecionável direto do menu. Para jogar com ela, é preciso equipar um acessório chamado Biscoito Astral, efetivamente fazendo Ms. Chalice substituir o personagem com o qual se está jogando. A troca tem suas vantagens considerando que a garota tem acesso a uma série de habilidades que os outros dois não tem. Ela tem um ponto de vida a mais, pode dar pulos duplos, seu dash automaticamente apara projéteis e ela pode realizar um rolamento no chão que a deixa invulnerável enquanto rola (similar ao que acontece com o acessório Bomba de Fumaça). Assim, trocar uma nova personagem por um espaço de acessório não soa como injusto.

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Crítica – Bom Dia, Verônica: 2ª Temporada

 

Análise Crítica – Bom Dia, Verônica: 2ª Temporada

Review – Bom Dia, Verônica: 2ª Temporada
Quando escrevi sobre a primeira temporada de Bom Dia, Verônica mencionei a qualidade do elenco principal, as tensões do mistério que servia de fio condutor para a narrativa. Apontei também como a trama da grande conspiração com figuras sombrias manipulando tudo os bastidores era mirabolante demais para o realismo do resto da série e fragilizava o universo ficcional. Pois nessa segunda temporada Bom Dia, Verônica retorna com os méritos da primeira temporada, mas também reproduz os mesmos problemas.

Depois dos eventos do ano de estreia, Verônica (Tainá Muller) forjou a própria morte e vive sob uma identidade falsa investigando o grupo criminoso por trás do orfanato Cosme e Damião. Ela chega ao provável líder do grupo no pastor Matias (Reynaldo Gianecchini), que usa sua igreja pra prospectar mulheres vulneráveis e abusar delas. Em meio a isso está Angela (Klara Castanho), filha do pastor que aos poucos começa a desconfiar que há algo errado acontecendo em sua casa e com as mulheres que o pai traz para fazer rituais de “cura”.

Como no ano de estreia o caso principal, aqui a investigação em Matias, é permeado por personagens envolventes e boas interpretações. Gianecchini está sinistro como Matias, um sujeito de fala suave que consegue convencer as pessoas de qualquer coisa e usa da fé para manipular seus fieis. Mesmo nos momentos em que ele abusa de outras mulheres ou da filha é desconcertante como ele mantem a serenidade, como se tudo fosse incrivelmente normal para ele.

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Crítica – Marte Um

 Análise Crítica – Marte Um


Review – Marte Um
Com toda a instabilidade política e social que vem se instaurando no Brasil nos últimos anos é natural que a nossa produção audiovisual tente abordar esses temas e vivências. Muitas produções são feitas na urgência de denunciar os problemas do país e acabam descambando em produções excessivamente expositivas em que os personagens conversam como se estivessem dando uma aula ao espectador. Esse não é um problema de Marte Um, dirigido por Gabriel Martins. Como é recorrente nas produções da Filmes de Plástico, o olhar afetuoso e naturalista para a realidade brasileira se mostra muito mais eficiente em transmitir a experiência sensível das alegrias e dificuldades do cidadão do que discursos empostados.

A trama segue uma família humilde na região de Contagem, em Minas Gerais. O patriarca Wellington (Carlos Francisco, de Bacurau) trabalha como porteiro em um prédio de luxo em Belo Horizonte. Tércia (Rejane Faria) trabalha como diarista. Eunice (Camilla Damião) é a filha mais velha e pensa em sair de casa para morar com a namorada. Devinho (Cícero Lucas) é um pré-adolescente que sonha em integrar uma missão tripulada à Marte, contrariando o desejo do pai de que ele se torne um jogador de futebol. Depois das eleições de 2018, o cotidiano da família começa a mudar.