segunda-feira, 15 de julho de 2019

Crítica – London Fields




Em produção desde 2013, este London Fields teve uma produção conturbada passando por diretores como David Cronenberg e Michael Winterbottom até chegar a Matthew Cullen, responsável pelo videoclipe California Gurls de Katy Perry. Filmado em 2015, o filme ficou um tempo na gaveta até ser exibido em alguns festivais de cinema em 2018 com uma recepção majoritariamente negativa (merecidamente, por sinal).

A trama, baseada em um romance escrito por Martin Amis na década de 80 (que não li), se passa em Londres em 1999. A cidade está em um momento de convulsão social por motivos que o roteiro não se dá ao trabalho de explicar e nunca tem muito impacto na trama. Um escritor com bloqueio criativo, Samson (Billy Bob Thornton), chega a Londres em busca de uma nova fonte de inspiração e os desejos dele são atendidos quando conhece a misteriosa Nicola (Amber Heard), uma mulher fatal que diz ter tido uma visão da própria morte. Crendo na veracidade da clarividência de Nicola, Samson decide acompanhá-la para escrever sobre ela.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Crítica – Blazing Chrome


Análise Crítica – Blazing Chrome


Review – Blazing Chrome
O primeiro trailer de Blazing Chrome, criado pela desenvolvedora JoyMasher, chamou a atenção pelo quanto parecia com os games das franquias Contra, em especial Contra III, e Metal Slug, tanto no visual quanto no gameplay acelerado. Pois o resultado final é uma competente recriação da experiência desses games, ainda que não traga nenhuma significativa transformação ao gênero.

A trama se passa em um futuro no qual as máquinas dominaram tudo, algo similar a O Exterminador do Futuro. De início existem dois personagens disponíveis, mas outros dois podem ser desbloqueados posteriormente. O jogo apresenta quatro fases que podem ser completadas em qualquer ordem, com um indicador de dificuldade mostrando qual seria a ordem ideal, abrindo mais depois que as quatro primeiras são completadas.

A jogabilidade, que permite um multiplayer local cooperativo para dois jogadores, é exatamente aquilo que se esperava de algo baseado nos antigos jogos de tiro da época 16 bit. Inimigos aparecem por todos os lados, tiros e explosões abundam pela tela e ao final de cada fase há um chefe gigantesco a ser eliminado. Os controles são precisos e o jogo ainda dá a opção de mirar parado segurando um dos botões laterais (R1 no PS4) que ajuda bastante contra os chefes. Além da arma básica, também é possível encontrar outras quatro armas que podem ser trocadas depois que adquiridas, embora esses upgrades sejam perdidos quando o jogador morre.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Crítica – Atentado ao Hotel Taj Mahal


Análise Crítica – Atentado ao Hotel Taj Mahal


Review – Atentado ao Hotel Taj Mahal
Contando uma história real de um violento atentado terrorista, Atentado ao Hotel Taj Mahal tenta se aproximar da intensidade e complexidade de filmes como Voo United 93 (2006) ou Capitão Phillips (2013), mas o resultado acaba sendo superficial e problemático.

A narrativa é centrada nos funcionários do hotel e seus esforços para manter os hóspedes em segurança. A trama se divide entre vários personagens, mas o problema é que não há tempo para que a maioria deles seja satisfatoriamente desenvolvida, fazendo-os soar como sujeitos unidimensionais. Apesar da atitude dos funcionários de fato ser louvável e altruísta, nela também estão imbricadas questões de classe social e colonialismo que o filme não parece se dar conta ou que constrói de maneira pouco satisfatória.

Um exemplo é a cena em que uma das hóspedes acusa o garçom interpretado por Dev Patel de ser terrorista só pelo fato do rapaz ter barba e usar turbante. O chefe da equipe do hotel, ao invés de recriminar a mulher pela atitude racista contra alguém que literalmente está arriscando a vida para salvá-la, simplesmente pede para que o garçom retire o turbante. A postura denota a submissão dos funcionários do hotel, como se a dignidade dos funcionários valesse menos que o conforto de uma dondoca rica e racista. Claro, o garçom conversa com a mulher, mas a situação é resolvida da pior maneira possível, com o medo e a tensão da situação sendo usados como desculpa para o racismo.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Crítica – Não Vai Dar


Análise Crítica – Não Vai Dar

Review – Não Vai DarHollywood já fez inúmeras comédias sobre adolescentes tentando perder a virgindade a todo custo. Quase sempre essas histórias são sob o ponto de vista masculino, a exemplo de American Pie (1999), então é sempre curioso para ver como um filme tenta olhar essa questão a partir de um grupo de personagens femininas como acontece neste Não Vai Dar.

A trama é centrada em três amigas, Julie (Kathryn Newton), Kayla (Geraldine Viswanathan) e Sam (Gideon Adlon). No dia da formatura do colegial as três fazem um pacto para perderem a virgindade com seus respectivos pares para o baile de formatura. A troca de mensagens entre as três, no entanto, acaba sendo acidentalmente vista por Lisa (Leslie Mann), a mãe de Julie, que alerta os pais de Kayla e Sam, Mitchell (John Cena) e Hunter (Ike Barinholtz) e os três decidem impedir as filhas.

Pela premissa parece que o filme vai adotar uma postura machista, assumindo a sexualidade feminina como algo que precisa ser controlado e indigno de uma “mulher de respeito”, mas felizmente não é o caso. O humor do filme reside justamente em ridicularizar a atitude dos três pais, mostrando como a conduta deles é anacrônica, estúpida e estão projetando nas filhas seus próprios temores e inseguranças quanto à saída delas de casa.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Crítica – Good Girls: 2ª Temporada


Análise Crítica – Good Girls: 2ª Temporada


Review – Good Girls: 2ª TemporadaQuando escrevi sobre a primeira temporada de Good Girls, mencionei que apesar de boas ideias e do carisma do trio principal, a série tinha inúmeros problemas de roteiro que prejudicavam a experiência. Eu esperava que essa segunda temporada melhorasse esses problemas, mas ao invés disso continua a apresentar a mesma quantidade de furos e incongruências de antes. Aviso que texto contem SPOILERS da temporada.

A trama continua no exato momento em que a anterior, com Rio (Manny Montana) tendo invadido a casa de Beth (Christina Hendricks) e tomando o marido dela, Dean (Matthew Lillard, o eterno Salsicha dos filmes do Scooby Doo) de refém. Dean é baleado, mas sobrevive. Enquanto isso, Beth, Annie (Mae Whitman) e Ruby (Retta) precisam sumir com as evidências que existem contra elas, já que o agente Turner (James Lesure) está próximo de localizá-las.

Tal como na primeira temporada, o texto é cheio de inconsistências. Beth é extremamente inteligente e ardilosa, capaz de criar esquemas de falsificação e até estar a um passo adiante de Rio, exceto quando o roteiro decide que ela é uma completa idiota. Um exemplo é já no início da temporada quando ela hesita em matar Boomer (David Hornsby). A hesitação em si já não faz muito sentido, já que Boomer não só está prestes a delatar Beth e as amigas para o FBI, como também tinha tentado estuprar Annie na temporada anterior e tentado passar a perna nelas antes. Ou seja, Boomer é claramente uma ameaça e um sujeito desprezível e ainda assim ela o trata como um sujeito completamente inocente.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Crítica – Stranger Things: 3ª Temporada


Análise Crítica – Stranger Things: 3ª Temporada

Review – Stranger Things: 3ª TemporadaDepois de uma competente segunda temporada, Stranger Things retorna para a sua terceira depois de um hiato de um ano e esse intervalo parece ter feito muito bem à série, entregando uma temporada concisa, sem problemas de ritmo, que talvez seja a melhor até aqui.

A narrativa começa cerca de um ano depois da temporada anterior. Os garotos estão de férias, Mike (Finn Wolfhard) e Onze (Millie Bobby Brown) estão namorando e não desgrudam um do outro. Lucas (Caleb McLaughlin) e Max (Sadie Sink) também estão namorando, o que deixa Will (Noah Schnapp) frustrado por não ter mais seus amigos por perto. Dustin (Gaten Matarazzo) retorna a Hawkins depois de uma viagem dizendo que também arrumou uma namorada, mas ninguém acredita nele. Ao mesmo tempo, russos constroem uma base subterrânea no local em que Onze fechou o portal para o Mundo Invertido na temporada anterior e tentam reabri-lo, liberando o Devorador de Mentes no nosso mundo. Depois de se ferir em um acidente de carro, Billy (Dacre Montgomery) acaba sendo dominado pelo Devorador e é usado como peão nos planos da criatura para destruir Onze e abrir definitivamente o portal para o nosso mundo.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Crítica – Shaft

Análise Crítica – Shaft


Review – Shaft
Este novo Shaft é simultaneamente um reboot e uma continuação. Continuação porque reconhece os eventos desde o primeiro filme de 1971, que trazia Richard Roundtree como o personagem título, passando pela versão dos anos 2000 protagonizada por Samuel L. Jackson até chegar na trama atual. É um reboot, no entanto, porque ter visto qualquer filme anterior não é necessário para assistir esse, que tenta ser um novo começo para a franquia.

A trama acompanha John Shaft Jr (Jessie T, Usher), ou JJ, filho do Shaft interpretado por Samuel L. Jackson no filme de 2000. JJ é um analista de dados do FBI que decide investigar a morte de um amigo e acaba precisando pedir ajuda ao pai e ao avô, o Shaft original, interpretado por Richard Roundtree, para resolver o caso.

Jessie T. Usher, que viveu o filho do personagem de Will Smith no péssimo Independence Day: O Ressurgimento (2016), continua a exibir aqui o mesmo tipo de interpretação apática e desprovida de carisma que demonstrou no filme de 2016. Não que o material ajude o ator, já que o roteiro JJ é reduz a uma caricatura aborrecida de millenial hipster que reclama e gagueja boa parte do tempo e que muitas vezes assume uma conduta incoerente.

Ouvimos mais de uma vez o personagem dizer que não gosta de armas e quando ele recebe uma arma do pai logo no início do filme, JJ a atira pela janela. A cena é feita para ser engraçada, mas lembremos que o personagem é um agente do FBI que, imaginamos, deveria se preocupar com a segurança da população e jogar uma arma de fogo no meio da rua é no mínimo um ato de irresponsabilidade dele. Claro, o Shaft pai aponta a estupidez da ação do filho, mas nem isso serve para diminuir o senso de incoerência das ações do protagonista.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Lixo Extraordinário – A Noite dos Coelhos

Crítica – A Noite dos Coelhos


Resenha – A Noite dos Coelhos
Lançado em 1972, A Noite dos Coelhos é um daqueles filmes que tem uma premissa tão absurda, com coelhos gigantes atacando uma pequena cidade, que imediatamente imaginamos que não irá se levar a sério. É o tipo de coisa que poderia render uma podreira bem divertida se abraçasse a natureza absurda de sua trama, mas cai no erro de tentar ser um terror “sério” e como resultado acaba sendo aborrecido.

Na trama, a uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos está sofrendo com uma infestação de coelhos. Depois que todos os coiotes da região foram eliminados, os coelhos se reproduziram descontroladamente e se tornaram uma praga, devorando as plantações locais. O fazendeiro Cole (Rory Calhoun) pede ajuda ao reitor da universidade local, Elgin (DeForest Kelley, o Dr. McCoy da série clássica de Star Trek).

O reitor designa o casal Roy (Stuart Whitman) e Gerry Bennet (Janet Leigh, que protagonizou Psicose) para desenvolver uma meio de eliminar os coelhos sem usar venenos. Eles tentam uma terapia hormonal para deixar os coelhos inférteis, injetando neles um coquetel de hormônios e drogas, mas a filha deles acaba pegando o coelho usado como cobaia e o leva consigo, acidentalmente deixando o animal escapar logo depois. Poucos meses depois, moradores da cidade começam a ser mortos em uma antiga mina de ouro e os personagens descobrem que o coelho que escapou não só se tornou imenso, como se multiplicou, criando uma horda de coelhos gigantes prestes a atacar a cidade.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Crítica – Homem-Aranha: Longe de Casa


Análise Crítica – Homem-Aranha: Longe de Casa


Review – Homem-Aranha: Longe de Casa
Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017) era um competente recomeço para o herói aracnídeo nos cinemas. O filme deixava uma clara possibilidade de continuação em sua cena pós-créditos, com Mac Gargan (Michael Mando), que os fãs de quadrinhos conhecem como o Escorpião, jurando vingança contra o herói. A Marvel, no entanto, não usou esse gancho em Homem-Aranha: Longe de Casa, preferindo repercutir o impacto dos eventos vistos em Vingadores: Ultimato.

A trama começa situando o que aconteceu após a derrota de Thanos (Josh Brolin) e o retorno daqueles que sumiram por conta do estalo. O mundo está de luto por conta dos heróis que pereceram na última grande batalha e Peter Parker (Tom Holland) questiona seu lugar no vácuo de poder deixado pela ausência de figuras como Tony Stark (Robert Downey Jr) e Steve Rogers (Chris Evans). De férias, Peter viaja com sua turma de escola para a Europa e lá ele planeja contar a MJ (Zendaya) que gosta dela. Os planos de Peter são frustrados quando Nick Fury (Samuel L. Jackson) aparece em seu hotel pedindo ajuda para enfrentar criaturas de outra dimensão com a ajuda de Quentin Beck (Jake Gyllenhaal), também de outra dimensão.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Crítica – Divino Amor


Análise Crítica – Divino Amor


Review – Divino Amor
Brasil, 2027, apesar de ainda se declarar um estado laico, o país se tornou um lugar teocrático, no qual todos precisam frequentar igrejas, casar e ter filhos. Scanners na entrada de qualquer revelam o estado civil de cada um que entra, bem como se uma mulher está grávida e quem é o pai. Drive thrus de oração garantem que as pessoas ainda possam ouvir a palavra divina mesmo no caminho para casa ou para o trabalho. Esse é o prognóstico de futuro feito pelo diretor Gabriel Mascaro em Divino Amor, filme feito lá em 2017, antes do último período eleitoral e do que está acontecendo hoje no país, mas que não soa muito distante da realidade frente a tudo que está acontecendo.

A trama é centrada em Joana (Dira Paes), uma funcionária de cartório que lavra divórcios. Crente verdadeira em todo o discurso religioso que varre o país, Joana tenta convencer todos que chegam a não se divorciarem, levando-os a participar da igreja da qual faz parte: a Divino Amor. Lá, há uma espécie de terapia religiosa de casais que inclui até a prática de swing, com os casais trocando de parceiro durante a transa, embora não seja permitido que nenhum homem ejacule em uma mulher que não seja a sua esposa. Joana e o marido, Danilo (Júlio Machado, do ótimo A Sombra do Pai) estão desesperadamente tentando ter um filho, mas não conseguem. Quando Joana milagrosamente fica grávida e descobre que o bebê não carrega consigo o DNA de nenhum homem registrado, ela começa a enfrentar a desconfiança da sociedade.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Crítica – Crazy Ex-Girlfriend: 4ª Temporada


Análise Crítica – Crazy Ex-Girlfriend: 4ª Temporada


Review – Crazy Ex-Girlfriend: 4ª Temporada
Quando escrevi sobre a terceira temporada de Crazy Ex-Girlfriend, elogiei o fato da série finalmente colocar a protagonista (e outros personagens importantes) para confrontarem seus próprios problemas e se esforçarem para tentar melhorarem. Pois esta quarta e última temporada de Crazy Ex-Girlfriend amarra com competência a jornada de amadurecimento de seus personagens.

A trama começa mais ou menos no ponto em que a temporada anterior terminou. Com Rebecca (Rachel Bloom) indo para a prisão depois de arremessar Trent (Paul Welsh) de um telhado para salvar Nathaniel (Scott Michael Foster). A experiência na prisão leva Rebecca a entender o peso de suas ações e a faz repensar seu trabalho como advogada. Ao mesmo tempo, sua vida amorosa fica balançada quando Greg (Skylar Astin, substituindo Santino Fontana) retorna a West Covina.

Já ciente de seus problemas, a narrativa acompanha o percurso de Rebecca em lidar com eles e tentar ser uma pessoa melhor. Poderia ser uma jornada linear, com a protagonista melhorando a cada episódio, mas o texto reconhece que não é um processo fácil, que eventualmente ela regride, que não é possível fazer tudo sozinho, que é necessário apoio de amigos, de terapia e eventualmente de medicação.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Crítica – Annabelle 3: De Volta Para Casa


Análise Crítica – Annabelle 3: De Volta Para Casa


Review – Annabelle 3: De Volta Para Casa
Depois de chamar atenção no primeiro Invocação do Mal (2013), a boneca Annabelle acabou ganhando sua própria série de filmes derivados. O primeiro foi bem fraquinho, o segundo melhorava ao contar a origem da boneca e ao trazer um estilo de direção semelhante ao que James Wan fez nos dois Invocação do Mal. Já este Annabelle 3: De Volta Para Casa fica em um morno meio termo, sendo levemente melhor que o primeiro, mas mais fraco que o segundo.

A trama começa justamente quando o casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) entram em contato com a boneca maldita. Eles a levam para casa, guardando-a no cofre de objetos sobrenaturais. Anos se passam e, durante uma viagem do casal, a filha deles, Judy (Mckenna Grace), fica em casa com uma babá, Mary Ellen (Madison Iseman). Mary Ellen acaba levando uma amiga para a casa dos Warren, Daniela (Katie Sarife) que tem curiosidade em relação aos artefatos sobrenaturais guardados ali. Ela acaba entrando no cofre dos Warren e acidentalmente liberta a boneca Annabelle, colocando todos na casa em risco.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Crítica – Olhos que Condenam


Análise Crítica – Olhos que Condenam


Review – Olhos que Condenam
A história do grupo de jovens que ficaram conhecidos como “Os cinco do Central Park” ficou em bastante evidência na época da prisão e julgamento dos cinco, condenados pelo estupro de uma mulher que corria no Central Park à noite apesar da pouca quantidade de provas materiais e das suspeitas que as confissões dos cinco rapazes negros foram obtidas à força pela polícia. A minissérie Olhos que Condenam, dirigida por Ava DuVernay, responsável por Selma: Uma Luta Pela Igualdade (2015), tenta contar a história desses jovens do momento em que são presos à eventual absolvição deles quase duas décadas depois.

Apesar de obviamente mostrar o sofrimento dos personagens diante da injustiça que sofreram e dos desafios do encarceiramento, o interesse de DuVernay parece ser nos sistemas de apoio desses personagens, em como suas famílias, amigos iu comunidade tentaram ajudar os cinco a resistirem. É algo similar ao que Barry Jenkins fez no recente Se a Rua Beale Falasse, no qual ele também focava no modo como o afeto é o que faz as pessoas perseverarem e sobreviverem diante de estruturas de poder opressivas.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Crítica – Bloodstained: Ritual of the Night

Análise Crítica – Bloodstained: Ritual of the Night


Review – Bloodstained: Ritual of the Night
O termo “sucessor espiritual” tem sido usado bastante pela indústria de games nos últimos anos, principalmente no reino dos jogos independentes. Criadores que deixaram suas desenvolvedoras, mas que querem fazer o mesmo estilo de jogo que faziam e tentam criar algo similar aos seus maiores sucessos. Keiji Inafune, criador de Mega Man, tentou fazer isso com Mighty Nº9, parte da equipe responsável por Banjo-Kazooie tentou fazer isso com Yooka-Laylee. Os esforços de ambos resultaram em grandes decepções que falhavam tanto em capturar o espírito do que tornou as propriedades originais tão memoráveis ou que falhou em atualizar os elementos desses jogos para os dias atuais, fazendo tudo parecer datado.

Eu falo tudo isso para dizer que este Bloodstained: Ritual of the Night é a mais nova tentativa de um “sucessor espiritual”. Desenvolvido por Koji Igarashi, responsável pelo excelente Castlevania: Symphony of the Night, Bloodstained tenta resgatar a excelência do estilo “Metroidvania” (uma junção de Metroid e Castlevania) que Igarashi construiu em jogos como Symphony of the Night ou Aria of Sorrow. Me aproximei de Bloodstained temendo uma decepção similar a Mighty Nº9 ou Yooka-Laylee, mas o que encontrei foi algo que conseguia soar simultaneamente contemporâneo e nostálgico.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Crítica – Upgrade


Análise Crítica – Upgrade


Review – Upgrade
A trama de Upgrade se passa em um futuro próximo no qual a tecnologia e inteligências artificiais são parte do cotidiano, desde de dirigir nossos carros a checar o que temos na geladeira para fazer compras online quando algo acaba. O protagonista Grey (Logan Marshall Green) é um sujeito avesso a tecnologia, embora sua esposa trabalhe em uma grande empresa de informática. Um dia o casal é assaltado, a esposa de Grey é morta durante o assalto e Grey fica tetraplégico.

Após o assalto ele é abordado por um magnata da tecnologia que lhe oferece um chip experimental que pode retornar os movimentos aos seu corpo. Grey aceita, mas ao voltar a se movimentar, ele começa a ouvir a voz da inteligência artificial, Stem (Simon Maiden), falando com ele. Stem se prontifica a ajudar Grey a desvendar o crime levou à morte de sua esposa, mas também começa a controlar cada vez mais o corpo do protagonista, o que coloca os dois em conflito.

Inicialmente o filme parece disposto a falar sobre tecnologia e os impactos dela em nossa vida, mas a partir do momento em que Grey e Stem começam a entrar em conflito pelo controle do corpo, a trama fica mais focada nessa disputa dos dois. Nesse sentido, a trama lembra um pouco o recente filme do Venom (2018), que também tratava de uma entidade violenta tentando controlar o corpo de um sujeito passando por maus bocados, sem falar que Logan Marshall Green é muito parecido com Tom Hardy.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Crítica – Mistério no Mediterrâneo


Análise Crítica – Mistério no Mediterrâneo


Review – Mistério no Mediterrâneo
Não sei explicar o motivo que me levou a assistir este Mistério no Mediterrâneo. Apesar de ter apreciado o trabalho de Adam Sandler em Os Meyerowitz: Família não Se Escolhe (2017), dirigido por Noah Baumbach, sei que Sandler nunca rende nos filmes que ele próprio produz o mesmo que rende quando trabalha com outros cineastas. Além disso, os últimos filmes que Sandler produziu em sua parceria com a Netflix, como Lá Vem os Pais (2018) ou Sandy Wexler (2017) foram porcarias atrozes que me fizeram questionar minha própria sanidade. Como se isso já não desse um prospecto suficientemente ruim, ainda havia o fato de que Mistério no Mediterrânio foi dirigido por Kyle Newacheck, que cometeu a hecatombe que foi Perda Total (2018), filme que coloquei entre os piores daquele ano.

Mas então, porque fui assistir Mistério no Mediterrâneo? Bem, não tenho uma resposta específica e direta para isso, talvez tenha sido tédio, talvez eu possua um lado masoquista que me impele a assistir filmes cujo prognóstico parece ruim, talvez eu tenha problemas de autoestima e me sujeitar a ver esse tipo de coisa seja uma forma de autopunição, não sei. De todo modo, o resultado de Mistério no Mediterrâneo é bem melhor do que as produções anteriores de Sandler para a Netflix, o que é um patamar baixo a superar, admito, mas já é alguma coisa.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Crítica – Jessica Jones: 3ª Temporada


Análise Crítica – Jessica Jones: 3ª Temporada


Review – Jessica Jones: 3ª Temporada
Depois da fraca segunda temporada, não estava esperando muita coisa desta terceira e última temporada de Jessica Jones. O que encontrei, no entanto, foi um competente estudo sobre trauma e moralidade que aprofunda o que conhecíamos sobre os personagens.

A trama começa quando Jessica (Krysten Ritter) conhece o chantagista Erik (Benjamin Walker), um sujeito com a estranha capacidade de sentir a maldade das pessoas e que usa seus dons para chantagear criminosos. Quando uma das vítimas de Erik fere Jessica enquanto tenta matá-lo, a detetive decide ajudar Erik a descobrir quem é a ameaça. Na busca, Jessica se depara com o perigoso serial killer Gregory Sallinger (Jeremy Bobb), um sujeito astuto e engenhoso que mesmo sem poderes representa uma grande ameaça para a detetive. Ao mesmo tempo, Trish (Rachael Taylor) começa a por em uso seus novos poderes, tentando iniciar uma jornada como vigilante.

Se na temporada anterior a trama demorava a delinear seu conflito principal, aqui as coisas engrenam muito mais rápido. Ainda sofre do típico “inchaço da Netflix”, perdendo um pouco de fôlego quando passa da metade e parecendo que seria melhor com uns dois episódios a menos, mas ainda assim é um ritmo melhor do que o segundo ano da série. Outro problema é a conveniência dos poderes de Erik, que na maior parte do tempo funciona mais como um dispositivo de roteiro do que como um personagem plenamente realizado.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Crítica – Blindspot: 3ª Temporada


Análise Crítica – Blindspot: 3ª Temporada


Review – Blindspot: 3ª Temporada
Quando escrevi sobre a segunda temporada de Blindspot, falei que o encerramento do arco envolvendo a organização Sandstorm era uma oportunidade para a série se reinventar, encontrar novos rumos. Lamentavelmente não foi isso que aconteceu e a série se prende a uma repetição dos mesmos formatos, sendo que estes já não se justificam mais.

A trama se passa um ano e meio depois dos eventos da temporada anterior. O grupo se debandou e Jane (Jamie Alexander) está vivendo no exterior quando é procurada por Weller (Sullivan Stapleton) que tem uma mensagem de Roman (Luke Mitchell) que só poderia ser aberta por Jane e Weller juntos. A mensagem revela novas tatuagens no corpo de Jane que dão pistas para um novo plano de Roman.

Ou seja, o primeiro episódio praticamente reseta tudo, restaurando o status quo e joga no lixo qualquer oportunidade de deixar a série crescer ou se transformar, prendendo-a aos mesmos padrões narrativos dos anos anteriores. O salto temporal também significa que temos que retornar a nos familiarizar novamente com os personagens visto que eles agora estão em situações diferentes.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Crítica – Fora de Série

Análise Crítica – Fora de Série

Review – Fora de Série
A primeira impressão que este Fora de Série me passou era de que seria basicamente uma versão feminina de Superbad: É Hoje (2007), já que a estrutura era basicamente a mesma: duas amigas nerds que sempre foram párias em sua escola decidem ter uma última noite de festa para quebrar as regras e, quem sabe ficarem com seus respectivos crushes, tudo embalado por uma mistura entre drama e comédia. A diferença aqui é a personalidade e senso de extravagância que Olivia Wilde, em seu primeiro filme como diretora, consegue imprimir aqui.

A trama acompanha as amigas Molly (Beanie Feldstein, irmã de Jonah Hill que, curiosamente, estrelou Superbad) e Amy (Kaitlyn Dever). Elas passaram toda a vida escolar preocupadas em entrar em boas universidades, sem participar de festas ou quaisquer atividades sociais. Nas vésperas da formatura do colégio elas descobrem que muitos colegas também passaram em boas universidade e fizeram isso sem abrir mão da vida social. Assim, a dupla resolve se envolver em uma noite de festas para compensar tudo que não aproveitaram.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Crítica – MIB Homens de Preto: Internacional

Análise Crítica – MIB Homens de Preto: Internacional


Review – MIB Homens de Preto: Internacional
Esse MIB Homens de Preto: Internacional desde o início me parecia um daqueles filmes feito dentro de sala de reunião por executivos de estúdio. Aquele tipo de produto sem alma feito para seguir filões comerciais e surfar na atual onda de “universos cinematográficos” consolidada pela Marvel. Fui assistir, portanto, sem esperar nada e ainda assim foi decepcionante. É, de fato, exatamente o que imaginei que seria, um caça-níqueis cínico, mas este sequer consegue oferecer um módico de diversão.

A narrativa acompanha a agente M (Tessa Thompson), novata na MIB depois de uma vida inteira crendo na existência da agência. Ela é mandada pela agente O (Emma Thompson) para a filial de Londres, na qual deve trabalhar com o experiente agente H (Chris Hemsworth) para resolver uma crise intergaláctica.

De cara já dá para perceber como a trama recicla a trama do primeiro filme, que, por sua vez, já era reciclada no segundo e terceiro filme da franquia. É a mesma história do veterano que precisa ensinar o novato, enquanto precisam proteger um objeto que é poderoso e pequeno cujo valor eles inicialmente não sabem. Não bastasse a falta de imaginação, falta também ritmo, desenvolvimento e personagens interessantes.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Crítica – Obsessão


Análise Crítica – Obsessão


Review – Obsessão
Obsessão (não confundir com o filme homônimo de 2013 estrelado por Nicole Kidman) parecia ser mais um daqueles filmes de stalker, mas por conta da presença da atriz francesa Isabelle Huppert e da direção de Neil Jordan, imaginei que a fita poderia ser capaz de se elevar acima da banalidade de sua premissa. Infelizmente isso não acontece e o resultado é algo mais próximo de um daqueles suspenses B que passam nas madrugadas da TV aberta.

A trama é protagonizada por Frances (Chloe Moretz), uma garota que mora em Nova Iorque e recentemente perdeu a mãe. Um dia, ela encontra uma bolsa deixada no metrô e resolve devolver à dona, cujos documentos se encontram dentro. Assim, ela conhece Greta (Isabelle Huppert), uma viúva solitária. Frances se solidariza com a mulher e aos poucos começam a se aproximar, mas conforme passa tempo com Greta, Frances descobre que o encontro entre as duas não foi tão fortuito quanto pensara e que a senhora guarda segredos sombrios.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Crítica – Dor e Glória


Análise Crítica – Dor e Glória


Review – Dor e Glória
Dor e Glória é provavelmente o melhor trabalho do diretor espanhol Pedro Almodóvar desde A Pele que Habito (2011). O filme é uma espécie de autoficção na qual Almodóvar reflete sobre suas paixões, frustrações e o move sua arte. É, talvez, o mais perto que o diretor chegou de uma autobiografia.

A narrativa é centrada no diretor de cinema Salvador Mallo (Antonio Banderas) que começa a enfrentar sérios problemas de saúde e, em decorrência disso, começa a refletir sobre sua trajetória de vida e a arte que produziu.

Desde o início fica evidente que o personagem vivido por Banderas foi concebido como um simulacro do próprio Almodóvar, dos figurinos e maneirismos, passando pelo penteado, tudo remete ao célebre diretor espanhol. Não temos como saber o que Almodóvar tirou diretamente da própria biografia ou do que é ficção, mas não importa. O que importa é como o filme, possivelmente mais que qualquer outro filme do diretor, nos proporciona esse mergulho pelo fluxo de consciência do realizador.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Crítica – Black Mirror: 5ª Temporada


Análise Crítica – Black Mirror: 5ª Temporada


Review – Black Mirror: 5ª Temporada
De volta ao seu formato de apenas três episódios por temporada (as duas anteriores, produzidas pela Netflix, tinham seis), este quinto ano de Black Mirror é uma espécie de “volta às origens” em mais de um sentido. Muita gente considera que Black Mirror é uma série sobre os males da tecnologia e sobre o futuro, mas eu considero equivocadas as duas asserções. Se olharmos as duas primeiras temporadas e episódios como Toda a sua História, Hino Nacional ou Volto Já, eram menos sobre o poder destrutivo da tecnologia e mais como esses recursos são mais um veículo para neuroses e inquietações humanas que provavelmente existem desde a origem da nossa espécie. Esses episódios também falam sobre coisas que já vivemos hoje e não do que viveremos, da sociedade em panóptico graças a meios digitais, da espetacularização da polícia ou como a internet não permite que nada morra de verdade.

Essa quinta temporada de Black Mirror volta ao espírito dos primeiros episódios ao focar mais nas questões humanas do que em distopias ou em gadgets estranhas. O primeiro episódio, Striking Vipers, trata de dois amigos de faculdade (interpretados por Anthony Mackie e Yahya Abdul-Mateen) que se reaproximam anos depois através de um jogo de realidade virtual. A questão de avatares no mundo virtual serve menos para falar de tecnologia e mais sobre os tabus de sexualidade impostos pela sociedade.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Crítica – Killing Eve: 2ª Temporada


Análise Crítica – Killing Eve: 2ª Temporada


Review – Killing Eve: 2ª Temporada
A primeira temporada de Killing Eve foi uma grata surpresa, construindo uma das melhores séries de espionagem da televisão graças ao roteiro afiado e excelente trabalho das atrizes Sandra Oh e Jodie Comer. Essa segunda temporada mantem o alto nível da primeira, focando mais na relação das duas protagonistas do que na intriga da espionagem propriamente dita.

A trama começa bem no ponto em que o ano de estreia encerrou, com Villanelle (Jodie Comer) em fuga depois de ter sido esfaqueada por Eve (Sandra Oh). Além de procurar por Villanelle, Eve se envolve na investigação de misteriosos assassinatos envolvendo uma empresa do ramo digital que pode ter ligação com a agência russa para a qual Villanelle trabalhava.

Jodie Comer continua excelente em retratar a psicopatia excêntrica de Villanelle, alguém que claramente vê as pessoas ao seu redor como meros objetos, não tem qualquer reserva em ser extremamente cruel ou violenta, nem usar as pessoas apenas para descartá-las logo depois.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Crítica – X-Men: Fênix Negra

Análise Crítica – X-Men: Fênix Negra


Review – X-Men: Fênix Negra
Não estava lá muito empolgado para X-Men: Fênix Negra. As muitas refilmagens não transmitiam confiança para o resultado final e o fato da compra da Fox pela Disney, já tornava o filme datado antes mesmo de estrear, afinal todos sabiam de antemão que esse universo e personagens serão inescapavelmente reiniciados pela Marvel e integrados ao seu universo cinematográfico. Ainda assim, me surpreendi com o resultado, sendo melhor que X-Men:Apocalipse (2016) e X-Men: O Confronto Final (2006).

Na trama, depois que um resgate espacial dá errado, Jean Grey (Sophie Turner) acaba escapando da morte depois que uma onda de energia cósmica envolve seu corpo. O poder é muito grande para que ela controle, fragilizando sua mente e a fazendo lembrar de traumas do passado. Com isso, o poder de Jean se torna grande demais para que Charles Xavier (James McAvoy) a ajude a controlar e ela se torna uma perigosa ameaça. Ao mesmo tempo, a misteriosa alienígena Vuk (Jessica Chastain) chega à terra disposta ao obter o poder cósmico absorvido por Jean.

A narrativa é bem eficiente em construir o arco de perdição e redenção de Jean, machucando as pessoas próximas por acidente, sendo temida pelos aliados e se sentindo enganada e abandonada por pessoas que admirava. Assim, torna-se compreensível que ela cedesse aos impulsos raivosos da força cósmica que a domina, bem como se deixar influenciar por Vuk.