sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Crítica – Brinquedo Assassino


Análise Crítica – Brinquedo Assassino


Review – Brinquedo Assassino
Não sabia muito o que esperar do novo Brinquedo Assassino. Não morro de amores pelo filme original, ainda que aprecie seu charme em abraçar sem medo o próprio absurdo de sua premissa. Esta nova versão, no entanto, acabou se mostrando desprovida de muita personalidade, falhando em construir um carisma próprio a despeito de seu esforço de atualizar a premissa principal.

Se antes o boneco Chucky era possuído pelo espírito de um serial killer depois de um ritual que dá errado, agora Chucky (voz de Mark Hamill) é um boneco ultra tecnológico dotado de uma inteligência artificial que o faz interagir com diferentes aparelhos. Chucky, no entanto, tem sua IA sabotada na fábrica e programada para ser agressiva, o que obviamente gera problemas que ele chega na casa do garoto Andy (Gabriel Bateman) e sua mãe Karen (Aubrey Plaza).

Tudo bem que a premissa do original era razoavelmente ridícula, mas ele tinha consciência disso e conseguia construir algo bastante singular. Aqui, no entanto, Chucky é só mais uma IA defeituosa igual a tantos outros filmes que apresentavam um antagonista similar. Mark Hamill, que foi a voz do Coringa nas animações e games do Batman durante anos, é perfeitamente capaz de fazer o Chucky soar sinistro, mas sem a ironia e sarcasmo sádico que o personagem tinha antes, o boneco nada mais é que um robô frio cujas frases de efeito são apenas repetições de falas de outros personagens que até podem soar engraçadas quando Chucky diz, mas que não constroem, em si, uma personalidade própria ao boneco.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Crítica – Os Mortos Não Morrem


Análise Crítica – Os Mortos Não Morrem


Review – Os Mortos Não Morrem
Fiquei bem curioso para assistir este Os Mortos Não Morrem. Sou fã do diretor Jim Jarmusch e gosto do modo como ele cria narrativas repletas de personagens pitorescos e com um senso de humor bem singular. Pois o filme acabou sendo mais fraco do que eu esperava e, apesar de ter gostado, imagino que quem não estiver habituado ao cinema do diretor talvez não encontre muito o que apreciar.

A trama se passa em uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos e o filme faz um claro paralelo com a cidade na qual A Noite dos Mortos Vivos (1968) de George Romero. Uma dupla de policiais, Cliff (Bill Murray) e Ronnie (Adam Driver) começam a investigar eventos estranhos ocorrendo na cidade após uma catástrofe ambiental causar uma mudança no eixo de rotação da Terra.

O filme não tem exatamente um único protagonista e transita, ao longo da narrativa, por várias figuras insólitas que habitam ou estão de passagem pela cidade. Do hermitão vivido por Tom Waits, que serve como narrador, passando pelo vendedor obcecado com filmes de terror e zumbis interpretado por Caleb Landry Jones, a esquisita agente funerária escocesa de Tilda Swinton ou a hipster vivida por Selena Gomez. Todos esses personagens ajudam a injetar humor e estranheza na trama, mesmo quando a narrativa não tem um direcionamento muito claro.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Crítica – O Bar da Luva Dourada

Análise Crítica – O Bar da Luva Dourada


Review – O Bar da Luva Dourada
Assistir O Bar da Luva Dourada, filme mais recente do diretor Fatih Akin (de Em Pedaços), me fez ser grato pelo cinema não conseguir transmitir cheiros. O filme transita por espaços tão decadentes, dilapidados e degradados, apresentando situações tão asquerosas que se pudéssemos sentir o odor de tudo que assistimos certamente teríamos que deixar o cinema no meio da projeção por conta das náuseas que o filme causaria. Não que as imagens em si não sejam incômodas, pelo contrário, se estou aqui ponderando sobre o possível odor é justamente pelo talento de Akin em transmitir todo esse asco através das imagens.

A narrativa, baseada em fatos reais, conta a história de Fritz Honka (Jonas Dassler), assassino em série que aterrorizou a parte pobre da cidade de Hamburgo na Alemanha dos anos 70. Fatih Akin acompanha a trajetória de Honka de maneira bastante crua, algo evidente já na longa sequência de abertura que mostra o protagonista matando, despindo e então serrando a cabeça de uma de suas vítimas.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Crítica – How To Get Away With Murder: 5ª Temporada


Análise Crítica – How To Get Away With Murder: 5ª Temporada


Review – How To Get Away With Murder: 5ª Temporada
Quando escrevi sobre a quarta temporada de How To Get Away With Murder, mencionei como o quarto ano conseguia recolocar a série nos trilhos ao apontar novos rumos e novos conflitos para os personagens. Pois este quinto ano não aprendeu nada com o ano anterior e volta a repetir os padrões desonestos da fraca terceira temporada, além de se limitar a reciclar conflitos de anos anteriores ao invés de mover esses personagens para frente, resultando no pior ano da série até agora. O texto a seguir contem SPOILERS da temporada.

A narrativa continua no ponto em que a temporada anterior parou, com Annalise (Viola Davis) entrando para uma firma de advocacia para empreender seu processo contra o governo estadual por maus tratos contra detentos. Ao mesmo tempo, novos problemas parecem surgir no horizonte com a chegada de Gabriel Maddox (Rome Flynn), que Frank (Charlie Weber) acredita ser o filho de Annalise que todos acreditavam estar morto. Como de costume há também flashfowards no fim e no início do episódio que dão a entender que Bonnie (Liza Weil) matará um personagem importante.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Crítica – Amor em Obras




Produção original da Netflix, Amor em Obras é daqueles filmes que funcionam como um passatempo ainda que não tenha nada de memorável ou particularmente singular ao ponto de se tornar uma experiência recomendável. É para ser visto em um dia chuvoso, quando não há nada para fazer e você já assistiu alternativas melhores.

A narrativa é protagonizada por Gabriela (Christina Milian) uma ambiciosa garota nova-iorquina que, depois de uma decepção amorosa, acaba entrando em um concurso para ganhar uma pousada no interior da Nova Zelândia. Ela vence o concurso, mas ao chegar no local, descobre que a propriedade está em péssimo estado. Com recursos financeiros limitados, ela acaba aceitando uma sociedade com o construtor Jake (Adam Demos) e, logicamente, os dois vão se apaixonando conforme a reforma se desenvolve.

É um enredo que lembra bastante Um Dia a Casa Cai (1986), também sobre um casal que tenta reformar uma casa dilapidada, e outros filmes sobre personagens que se afastam da cidade para buscar uma vida simples no interior ao reformar uma velha propriedade, como em Sob o Sol da Toscana (2003) ou Um Bom Ano (2005). Em resumo, não há nada aqui que já não tenhamos visto antes.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Crítica – O Mal Não Espera a Noite: Midsommar


Análise Crítica – O Mal Não Espera a Noite: Midsommar


Review – O Mal Não Espera a Noite: Midsommar
Filmes de terror se passam majoritariamente à noite e com pouca iluminação. Provavelmente porque as sombras geram espaços cujo conteúdo é desconhecido e o desconhecido, o não compreendido, o “outro”, é sempre algo assustador. No entanto, sempre me perguntei se alguém faria um filme de terror que se passasse integralmente em dias claros e ensolarados. Pois o diretor Ari Aster, responsável pelo tenebroso Hereditário (2018), resolveu atender minha curiosidade com este O Mal Não Espera a Noite: Midsommar, que nos confronta com um horror essencial da existência humana: a constatação da futilidade da existência e da inevitabilidade da dor.

A trama é centrada em Dani (Florence Pugh), que está passando por um momento difícil depois da morte da irmã e dos pais. O luto da personagem é agravado pelo fato do namorado de Dani, Cristian (Jack Reynor), se recusa a dar qualquer suporte emocional, ao invés disso planeja uma viagem à Suécia com amigos. A viagem é para a pequena vila na qual Pelle (Vilhelm Blomgrem), amigo de Cristian, nasceu e que é toda baseada em um culto à natureza que todo ano faz um festival para comemorar o solstício de verão. Dani, Cristian, Pelle e mais alguns amigos chegam à vila e começam a tomar parte nas celebrações, mas aos poucos vão descobrir as práticas brutais daquela pequena comunidade.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Crítica – Indústria Americana


Análise Crítica – Indústria Americana


Review – Indústria Americana
Produzido pela Netflix, o documentário Indústria Americana tenta retratar os conflitos causados pela chegada de uma fábrica chinesa aos Estados Unidos. Poderia render uma boa discussão sobre capitalismo, globalização, imperialismo e globalização, mas o filme acaba ficando à margem de tudo isso e o resultado é um produto superficial que parece não entender que a história que está contando é apenas uma parte de uma questão muito maior.

No filme, uma cidade no interior dos Estados Unidos teve sua economia dilapidada quando a General Motors fechou uma fábrica no local. A cidade volta a ter esperança no próprio crescimento quando um bilionário chinês compra o espaço da antiga fábrica e a reabre como uma fábrica de vidros para automóveis. A esperança, no entanto, vai se esvaindo conforme os trabalhadores vão se confrontando com o “estilo gerencial” dos chineses.

Aí começam os problemas do filme. Ele retrata toda a situação com um foco míope que faz as disputas entre patrões e empregados parecer algo particular dos chineses, cuja disciplina e foco em produtividade os faz explorar os trabalhadores ao máximo. Na verdade, essa é uma estratégia típica do capitalismo globalizado constantemente adotada por países imperialistas.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Crítica – Abigail e a Cidade Proibida


Resenha Crítica – Abigail e a Cidade Proibida


Review – Abigail e a Cidade Proibida
Quando escrevi sobre o pavoroso Mentes Sombrias (2018) e o recente Máquinas Mortais (2019) mencionei como esses filmes demonstravam o esgotamento da fórmula de universos distópicos autoritários com tramas infanto-juvenis sobre resistência e independência. Pois a mensagem aparentemente não chegou na Rússia, já que este Abigail e a Cidade Perdida, co-produção entre Rússia e Estados Unidos, repete preguiçosamente todos os elementos típicos deste tipo de história salpicando algumas pitadas de Harry Potter.

A trama gira em torno da jovem Abigail Foster (Tinatin Dalakishvili), ela cresceu em uma cidade cercada por uma grande muralha e governada por um Estado autoritário que justifica seu controle excessivo como a única maneira de manter uma perigosa doença sob controle e seu pai foi capturado ainda quando a protagonista era criança sob a acusação de estar infectado. Logicamente o governo está mentindo e os infectados são, na verdade, pessoas com poderes especiais. No esforço para descobrir o que aconteceu com o pai, Abigail se junta à Resistência (porque claro que há uma resistência) liderada por Bale (Gleb Bochkov) e Stella (Ravshana Kurkova)

domingo, 8 de setembro de 2019

Crítica – It: Capítulo 2


Análise Crítica – It: Capítulo 2


Review – It: Capítulo 2
Apesar de ter adorado It: A Coisa (2017), confesso que estava apreensivo com essa segunda parte, já que, no livro de Stephen King, o segmento com os personagens com os personagens adultos é bem inferior ao início com os personagens crianças. Este It: Capítulo 2 é, de fato, inferior à primeira parte, mas ao menos consegue funcionar como um desfecho digno e é bem melhor que a péssima segunda parte da versão televisiva da década de noventa.

A trama se passa 27 anos depois do original. Mike (Isaiah Mustafa), o único do Clube dos Otários a permanecer em Derry, se dá conta de que a onda de mortes de Pennywise (Bill Skarsgard) recomeçou. Assim, ele chama os demais amigos para voltarem à cidade e cumprirem o juramento que fizeram de eliminar a criatura de uma vez por todas caso ela voltasse.

O elenco adulto é competente, mas não encanta o mesmo tanto que o elenco jovem do primeiro filme. Parte do problema é inerente à própria situação, afinal ver crianças sendo confrontadas com seus medos é uma situação mais tensa do que acompanhar adultos dotados de certa maturidade e ciência de suas vulnerabilidades emocionais passarem pela mesma situação. Outra razão é que a trama em si não dá muito espaço para desenvolver esses personagens em suas novas situações e vermos o tanto que eles se transformaram. Temos um pequeno vislumbre disso na cena do restaurante chinês, mas depois o filme se reduz a uma corrida contra o tempo para derrotar Pennywise.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Crítica – Ys VIII: Lacrimosa of Dana


Análise Crítica – Ys VIII: Lacrimosa of Dana


Review – Ys VIII: Lacrimosa of Dana
Eu confesso que apesar de ser fã de RPGs japoneses nunca tive muito contato com a franquia Ys. Eu sabia da existência dela já na época do Super Nintendo, mas só fui jogar algum jogo da série anos atrás com Ys Seven para PSP e passei a apreciar a jogabilidade de RPG de ação da franquia. Isso inevitavelmente me levou a este Ys VIII: Lacrimosa of Dana, que não joguei logo que foi lançado, mas inevitavelmente chegou às minhas mãos.

Como os outros jogos da série, a trama é centrada em um guerreiro de cabelos vermelhos chamado Adol Cristin. O protagonista está em uma viagem de navio quando a embarcação é atacada por uma poderosa criatura marinha que destrói todo o barco. Adol e outros membros da tripulação acordam em uma ilha deserta e aos poucos descobrem que a ilha guarda muitos mistérios, como a presença de criaturas que muitos acreditavam estarem extintas, os Primordials (basicamente dinossauros), e as ruínas de uma antiga civilização. Adol começa a sonhar com essa civilização e com uma sacerdotisa chamada Dana e, assim, Adol precisa desvendar os mistérios da ilha ao mesmo tempo em que precisa encontrar o resto dos sobreviventes e arranjar um meio para sair da ilha.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Jogamos o modo história de Power Rangers Battle For The Grid


Review Power Rangers Battle For The Grid Story Mode

Em nossa crítica sobre Power Rangers Battle For The Grid mencionamos como o jogo tinha potencial, mas faltava polimento e modos de jogo. Pois desde seu lançamento saíram uma série de conteúdos adicionais, a maioria gratuitos, que ajudam o jogo a chegar mais próximo de sue potencial.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Crítica – Amigos Para Sempre


Análise Crítica – Amigos Para Sempre

Review – Amigos Para SempreO filme francês Intocáveis fez muito sucesso ao redor do mundo quando foi lançado em 2011 ao contar a história de um imigrante que começava a trabalhar como cuidador de um homem rico e tetraplégico e acabava construindo uma grande amizade. O sucesso acabou rendendo também alguns remakes, como a péssima versão argentina, Inseparáveis (2017), e este Amigos Para Sempre, versão hollywoodiana que consegue não ser tão desastrosa quanto a argentina, ainda que também nunca consiga justificar a própria existência.

A trama é quase a mesma do original. Dell Scott (Kevin Hart) é um ex-presidiário com dificuldade de reconstruir a vida e vai a uma entrevista de emprego só para mostrar a sua agente de condicional que está procurando trabalho. Na entrevista ele conhece o tetraplégico Philip (Bryan Cranston) e acaba sendo contratado. Aos poucos Dell vai se aproximando de Philip, ensinando a ele que ainda é possível aproveitar a vida, enquanto seu chefe irá lhe ensinar a ser mais responsável.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Lixo Extraordinário – Palhaços Assassinos do Espaço Sideral


Crítica – Palhaços Assassinos do Espaço Sideral


Review – Palhaços Assassinos do Espaço Sideral
Lançado em 1988, Palhaços Assassinos do Espaço Sideral parece, no papel, uma mistura ideal entre terror e humor. Na prática, no entanto, o resultado final carece tanto de criatividade no humor quanto de violência e gore para funcionar como deveria em qualquer uma dessas duas frentes.

Na trama, o casal Mike (Grant Cramer) e Debbie (Suzanne Snyder) está trocando beijos na floresta quando veem um cometa passar no céu. Eles tentam seguir o cometa até o lugar onde ele caiu, mas quando chegam no que deveria ser o ponto de impacto, encontram apenas uma estranha tenda circense. O casal decide entrar na tenda e descobrem se tratar de uma nave espacial habitada por criaturas que se parecem com palhaços. Os palhaços tentam matá-los e eles fogem para a cidade, mas os alienígenas seguem o casal e começam a aterrorizar os habitantes do local.

Como em muitos filmes de terror, os protagonistas se comportam como completos idiotas na maior parte do tempo. Mike e Debbie, por exemplo, entram sem qualquer cerimônia no estranho circo abandonado no meio do mato. Em outro momento dois personagens se recusam a deixar o furgão em que estão mesmo quando um palhaço assassino gigante está correndo na direção deles só pelo motivo do automóvel ser alugado. Porque, claro, pagar o prejuízo seria muito pior que morrer.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Crítica – Turma da Mônica: Laços


Análise Crítica – Turma da Mônica: Laços


Review – Turma da Mônica: Laços
Escrita por Lu e Victor Cafaggi, a graphic novel Turma da Mônica: Laços era uma afetuosa celebração do universo criado por Maurício de Souza e funcionava por aprofundar o que sabíamos sobre esses personagens sem esquecer a essência deles. Esta adaptação para os cinemas se manteve relativamente fiel ao material original, mas isso não significa que não tem sua parcela de problemas.

A trama começa quando Floquinho, o cachorro do Cebolinha (Kevin Vechiatto), desaparece e as crianças da Rua do Limoeiro se unem para ajudar Cebolinha a procurar Floquinho. Assim, Mônica (Giulia Benitte), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) partem em uma aventura por uma floresta próxima, mas acabam se perdendo, precisando também encontrar o rumo de casa.

A narrativa acerta não só na recriação com atores e cenários do universo concebido por Maurício de Souza e na graphic novel na qual o filme é mais diretamente inspirado como também no olhar mais simples e ingênuo sobre infância que essas histórias sempre tiveram. As crianças da narrativa brincam na rua sem precisar de muita coisa para se divertirem, muitas vezes usando a própria imaginação para conceber suas brincadeiras, sem depender diretamente de tecnologia ou brinquedos caros, valorizando o lúdico e a imaginação.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Crítica – Verão de 84


Análise Crítica – Verão de 84


Review – Verão de 84
Aplicando a conhecida premissa de “eu acho que meu vizinho é um assassino” a uma ambientação oitentista protagonizada por crianças, Verão de 84 funciona como uma mistura de Janela Indiscreta (1954) com Os Goonies (1985) e a nostalgia de Stranger Things. O resultado, no entanto, acaba sendo menor que a soma de suas partes e o que poderia ser uma aventura/suspense jovem se torna algo morno.

A trama acompanha Davey (Graham Verchere), um garoto de férias da escola que começa a suspeitar que o vizinho deles, o solitário policial Mackey (Rich Sommer) possa ser o serial killer que a polícia vem caçando a algum tempo. Ele conta suas suspeitas aos amigos Tommy (Judah Lewis), Woody (Caleb Emery) e Farraday (Cory Gruter-Andrew), unindo todos na investigação ao senhor Mackey. Além do quarteto, há também Nikki (Tiera Skovbyie) a bela garota da casa da frente que costumava ser babá de Davey e por quem o protagonista nutre uma certa paixão.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Rapsódias Revisitadas – Cantando na Chuva


Crítica – Cantando na Chuva


Review – Cantando na Chuva
Não é à toa que Cantando na Chuva seja um dos musicais mais celebrados de todos os tempos. Lançado em 1952, o filme é uma divertida e espetacular celebração de amor, música e do próprio ofício de fazer cinema. Com um elenco no auge de sua forma, é difícil não se deixar encantar por ele.

A trama se passa no final da década de 1920, no período de transição entre o cinema mudo e o cinema falado. O Cantor de Jazz (1927) acabava de ser lançado com um imenso sucesso financeiro ao finalmente apresentar uma projeção de vozes e canto sincrônica com a imagem. Diante do fascínio de público por filmes falados, a produtora de cinema na qual Don (Gene Kelly) e Cosmo (Donald O’Connor) trabalham resolve transformar sua mais recente produção em um filme falado. A companhia enfrenta problemas na transição, em especial pelo fato do par romântico de Don no filme, a atriz Lina Lamont (Jean Hagen), tem uma voz desagradável. A solução é chamar a aspirante a atriz Kathy (Debbie Reynolds) para dublar Lina, mas aos poucos Don vai se apaixonando por Kathy.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Crítica – Bacurau


Análise Crítica – Bacurau


Review – Bacurau
Fiquei um tempo em silêncio sentado na poltrona do cinema enquanto os créditos subiam ao fim de Bacurau, novo filme de Kleber Mendonça Filho, que aqui dirige ao lado de Juliano Dornelles. Os dois longas anteriores de Kleber, O Som ao Redor (2012) e Aquarius (2016) tinham me causado impacto semelhante e, em igual medida, fui deixado sem saber como organizar meu raciocínio para falar do filme ou o que dizer exatamente sobre ele, já que parecia ter coisa demais para eu dar conta em um texto. Ainda assim, tentarei.

A narrativa se passa em um futuro não especificado no qual as coisas pioraram bastante no Brasil. O ponto central da trama é a pequena cidade de Bacurau, que sofre com falta de água depois que o governo represou um rio próximo. Teresa (Barbara Colen) retorna à cidade para o funeral da mãe, dona Carmelita, mas em seu tempo lá coisas estranhas começam a acontecer: drones passeiam pelos céus, carros são baleados e pessoas são mortas sem explicação. Assim, Teresa e outras figuras proeminentes na cidade como Acácio (Thomas Aquino) e a médica Domingas (Sônia Braga) tentam entender o que está acontecendo.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Crítica – Anna: O Perigo Tem Nome


Análise Crítica – Anna: O Perigo Tem Nome


Eu queria muito ter gostado deste Anna: O Perigo Tem Nome. Muita coisa do que o diretor Luc Besson fez durante os anos noventa tem lugar cativo na minha memória cinéfila como Nikita: Criada Para Matar (1990), O Profissional (1994) e O Quinto Elemento (1997), então sempre desejo por vê-lo à frente de bons projetos, mas seus últimos filmes, apesar de carregarem promessa, acabaram sendo bem abaixo dos melhores momentos do realizador. Lucy (2014), apesar do carisma de Scarlett Johansson e da boa direção de Besson foi soterrado pelo peso da própria megalomania e Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017) era prejudicado por um roteiro problemático e um casting equivocado de seus protagonistas. Este Anna poderia ter sido um retorno à forma ao trazer em si ecos de Nikita, mas o resultado é algo desconjuntado e anacrônico.

A trama começa na década de oitenta quando a jovem russa Anna (Sasha Luss) é recrutada como assassina pela KGB. Ela vai para Paris disfarçada como modelo e vive uma vida dupla como top model e matadora, eliminando os inimigos da Rússia. As atividades de Anna chamam a atenção do agente da CIA Lenny (Cillian Murphy), que força Anna a colaborar com os EUA. Assim, a espiã fica presa em um perigoso jogo duplo no qual tem que lutar pela própria sobrevivência e liberdade.

Chama a atenção uma certa inconsistência tonal no longa, em especial quando o filme contrapõe o cotidiano de assassina da protagonista com seu trabalho como modelo. Quando Anna está a serviço da KGB, o filme é sério, sisudo e sombrio, com a protagonista sendo mentalmente afetada por toda a violência ao seu redor, mas em seus momentos de modelo é tudo tão histriônico e caricato que parece algo saído da franquia Zoolander. Sim, Besson claramente parece querer parodiar o universo fashion, a questão é que as transições entre a seriedade psicológica e o pastiche são muito abruptas, dando a impressão de dois filmes diferentes e essas duas abordagens mais brigam entre si do que dialogam.

É curioso, no entanto, que ele tente criticar a objetificação promovida pelo mundo da moda ao mesmo tempo em que insista a todo momento em mostrar a nudez de sua protagonista e colocá-la em cenas de sexo (além de um eventual estupro). Soa contraditório reclamar da objetificação de um determinado ramo do entretenimento ao mesmo tempo em que ele próprio a expõe mais do que necessário, já que mesmo quando ficou claro que ela usa o sexo para manipular os homens ao seu redor, Besson continua insistindo em cenas e mais cenas dela tirando a roupa.

Algumas cenas de sexo até descambam para o humor involuntário, como o sexo violento entre Anna e o russo Alex (Luke Evans), que provavelmente foi pensado como algo de uma sensualidade feroz, mas termina como se estivéssemos assistindo ao coito de dois búfalos no cio. Atômica (2017), um filme que claramente remetia aos produtos noventistas de Besson, conseguiu equilibrar melhor sua combinação entre ação e sensualidade.

Outro problema é a insistência do filme em ficar indo e voltando no tempo para tentar criar surpresas e reviravoltas na esperança de convencer o público que esta é uma trama extremamente inteligente quando na verdade repete todos os clichês típicos de tramas de “espião versus espião”. O expediente de ficar “rebobinando” eventos quebra o ritmo da trama, interrompendo constantemente o fluxo e muitas vezes repetindo algumas cenas que já vimos, como se fossemos incapazes de lembrar algo de dez minutos atrás, para tentar mostrar a ação de uma perspectiva diferente e que as coisas não era como pensamos.

Como o filme abusa do recurso, ele se torna previsível e lá pela terceira vez que uma ação é cortada sem se resolver, sabemos que o filme irá eventualmente rebobinar até aquele momento para revelar uma surpresa que acaba sendo facilmente antevista (eu previ a maioria). Desta maneira, a trama não só fica bastante previsível, como também dá a impressão de um ritmo truncado, que resiste em progredir. Se tudo tivesse sido contado em ordem cronológica seria perfeitamente possível manter o suspense sem sacrificar a progressão da trama. Nesse ímpeto de encadear reviravoltas, os personagens acabam reduzidos a meros dispositivos de roteiro e mesmo a protagonista não consegue ir além do lugar comum da assassina que quer se libertar de sua vida de violência.

As cenas de ação exibem bastante violência e são muito bem conduzidas, com Bresson apresentando planos longos e com poucos cortes que conferem fluidez aos combates e as coreografias de luta exploram de maneira criativa as habilidades letais da protagonista, em especial uma luta dentro de um restaurante. Ainda assim, as cenas de ação são poucas e relativamente espaçadas os longo do filme, não sendo o bastante para fazer a experiência ser positiva.

Anna: O Perigo Tem Nome soa como um filme parado no tempo, algo que ficou perdido dentro de uma gaveta de estúdio e só agora foi encontrado e jogado nos cinemas. Apesar de algumas boas cenas de ação, o filme se perde em uma inconsistência tonal, personagens desinteressantes e uma trama que se julga mais esperta do que realmente é.

Nota: 4/10


Trailer

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Rapsódias Revisitadas – O Último Concerto


Crítica – O Último Concerto


Rapsódias Revisitadas – O Último Concerto
Juntos há cerca de vinte anos, os membros de um quarteto de cordas precisam confrontar a possibilidade do grupo acabar quando um deles descobre ter Parkinson. O quarteto, formado por Daniel (Mark Ivanir), Robert (Phillip Seymour Hoffman), Juliette (Catherine Keener) e Peter (Christopher Walken) passam a reexaminar as principais decisões tomadas nas últimas décadas quando Peter anuncia que em breve precisará deixar o grupo por conta de sua saúde.

A trama aborda o quão complexa é a dinâmica de um grupo musical deste tipo, já que não basta saber tocar, cada um precisa estar em sintonia com o outro, ter estilos e abordagens compatíveis e ser capaz de colocar o grupo em primeiro lugar. É um sistema social bastante delicado e um desarranjo em qualquer elemento põe os demais em desarmonia. É exatamente isso que acontece quando Peter anuncia sua doença, ao confrontar a mortalidade do amigo e o fim do grupo como conhecem, os outros três membros acabam entrando em conflito.

A possibilidade do fim do grupo levanta neles a ideia de que as escolhas que fizeram até então para manter o quarteto funcionando foram em vão e velhos ressentimentos começam a emergir, como o fato de que Robert nunca pode ser o primeiro violinista do grupo ou que Juliette deixou de lado sua paixão por Daniel para ficar com Robert apenas porque ele era mais conveniente. O elenco contribui para que sintamos o peso dos anos sobre o grupo, convencendo que são pessoas que convivem a muito tempo e compreendem muito bem os vícios e virtudes de cada um dos companheiros.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Crítica – Seis Vezes Confusão


Análise Crítica – Seis Vezes Confusão


Review – Seis Vezes Confusão
Eddie Murphy se tornou famoso ao estrelar comédias nas quais ele interpretava múltiplos personagens. Ele já fazia isso em Um Príncipe em Nova York (1988), no qual além de interpretar o protagonista, também interpretava alguns personagens secundários que frequentavam a barbearia em que o protagonista trabalhava. Murphy atingiu o auge desse recurso em O Professor Aloprado (1996) e a partir daí o dispositivo começou a se desgastar, com a continuação O Professor Aloprado 2 (2000) sendo bem inferior ao primeiro e depois o horrendo Norbit (2007) mostrou que não havia mais nada o que fazer no formato. Só esqueceram de avisar isso para Marlon Wayans que neste Seis Vezes Confusão tenta emular Eddie Murphy quando nem o próprio Murphy consegue fazer um filme desse tipo dar certo.

Na trama, Alan (Marlon Wayans) está prestes a se tornar pai, mas o fato de não ter família o deixa em dúvidas sobre construir a sua própria. Ele decide então procurar a mãe biológica e nesse processo descobre que possui outros cinco irmãos gêmeos (todos interpretados por Marlon Wayans). Bem, é isso, não há exatamente uma trama ou conflito central, com a narrativa usando a estrutura de road movie mostrando a viagem de Alan em busca dos irmãos como uma maneira de disfarçar o vazio narrativo.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Crítica – Mindhunter: 2ª Temporada


Análise Crítica – Mindhunter: 2ª Temporada


Review – Mindhunter: 2ª Temporada
A primeira temporada de Mindhunter envolvia tanto pela sua construção do suspense das investigações quanto pelo modo como capturava o clima de incerteza da época com o crescimento de ataques de serial killers. Ao mostrar as dificuldades que os protagonistas tinham em ter seu trabalho sobre assassinos em série levado à sério, a trama também revelava certos preconceitos sociais quanto à natureza do crime. A segunda temporada continua a desenvolver muitos desses mesmos temas, expandindo-os assim como expande o desenvolvimento do personagem.

A trama continua do ponto em que a primeira encerrou, com o agente Ford (Jonathan Groff) tendo um ataque de pânico depois de entrevistar um serial killer. O agente Tench (Holt McCallany) recebe notícia de uma mudança de comando em Quantico e o novo encarregado é mais aberto aos novos métodos pesquisados pela unidade dos protagonistas, o que é lhes dá novas oportunidades, mas também novos desafios, já que o olhar do público está mais sobre eles. Ford, Tench e os demais tem uma nova oportunidade de testar seus métodos quando uma onda de assassinatos de crianças aterroriza a cidade de Atlanta. Além das dificuldades em encontrar o culpado, os protagonistas ainda precisam lidar com toda a politicagem envolvendo a investigação, já que as autoridades estão menos interessadas na busca pela verdade e mais nas aparências.

domingo, 18 de agosto de 2019

Crítica – Era Uma Vez em...Hollywood


Análise Crítica – Era Uma Vez em Hollywood

Review – Era Uma Vez em Hollywood
Desde Bastardos Inglórios (2009) que o diretor Quentin Tarantino se dedica a olhar a história através da arte. Ele já foi desde a Segunda Guerra Mundial, passando pelo período da escravidão em Django Livre (2012) e pela Guerra Civil dos EUA em Os Oito Odiados (2015) e agora, neste Era Uma Vez em...Hollywood, se volta aos Estados Unidos da década de 60, a ascensão dos serial killers e o fim do “sonho americano” consolidado no pós-guerra. Ao final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos foram a única grande potência razoavelmente intacta enquanto que boa parte dos países europeus estava em ruína. Isso permitiu que o país crescesse e expandisse sua influência mundial ainda mais, tanto termos econômicos quanto políticos, sociais e culturais.

Foi um período de bonança e prosperidade para o país, que parecia inatingível e projetava um ideal idílico de perfeição. Movimentos de contracultura apontavam para possíveis avanços sociais e uma melhora de vida em geral. Ao final dos anos 60, no entanto, as rachaduras nessa fachada perfeita começaram a aparecer e os assassinatos cometidos pelo “culto” liderado por Charles Manson quebraram a impressão de invulnerabilidade que o país construíra para si nas últimas décadas. Serial killers começavam a pipocar em diferentes cidades e a sensação era que os EUA não só deixara de ser seguro, como era tomado por uma violência que as pessoas não conseguiam compreender muito bem, algo mostrado na série Mindhunter.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Crítica – The Handmaid’s Tale: 3ª Temporada


Análise Crítica – The Handmaid’s Tale: 3ª Temporada


Review – The Handmaid’s Tale: 3ª TemporadaDepois de uma excelente primeira temporada e uma segunda um pouco inferior, mas que ainda conseguia manter o interesse, The Handmaid’s Tale chega a sua terceira temporada dando sinais de cansaço, com uma trama que parece andar em círculos e decisões questionáveis quanto ao desenvolvimento de suas personagens. O texto a seguir contem SPOILERS da temporada.

A trama começa no mesmo ponto em que o segundo ano parou, com June (Elizabeth Moss) decidindo ficar em Gilead depois de dar sua filha, Nichole, para Emily (Alexis Bledel) levar através da fronteira do Canadá. A ação não passa incólume pelo governo de Gilead, mas o comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes) e sua esposa Serena (Yvonne Strahovski) conseguem convencer as autoridades da inocência de June na questão, colocando Emily como a única culpada.

O “sequestro” de Nichole gera um incidente internacional entre Gilead e o Canadá que permite compreender melhor como Gilead interage com o resto do mundo e o funcionamento da política internacional deste universo. Aliás, a temporada também cria imagens poderosas mostrando o que aconteceu em Gilead com antigos símbolos nacionais dos Estados Unidos, com o obelisco do monumento a Washington sendo substituído por uma cruz e a estátua do memorial a Lincoln sendo largada em ruínas, simbolizando como o sonho de igualdade naquele país foi destruído. O problema é que todo esse conflito é construído à revelia do desenvolvimento que foi feito dos personagens até então, especialmente Serena.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Crítica – A Vida Moderna de Rocko: Volta ao Lar


Análise Crítica – A Vida Moderna de Rocko: Volta ao Lar


Review – A Vida Moderna de Rocko: Volta ao LarFeita na década de noventa, animação A Vida Moderna de Rocko produzia um comentário bastante ácido sobre a sociedade de sua época e apesar de passar em um canal voltado para o público infantil, o Nickelodeon, tratava sobre questões bastante adultas. Inclusive, eu só cheguei a entender certas piadas ou situações muitos anos depois de ter originalmente assistido a série. Pois a atual onda de reboots e remakes não deixou essa série incólume, trazendo-a de volta como um telefilme da Netflix neste A Vida Moderna de Rocko: Volta ao Lar.

Na trama, depois de passar vinte anos perdido no espaço sideral, Rocko, Vacão e Felizberto retornam à cidade de O-Town e descobrem que seu desenho animado favorito foi cancelado. Desesperados em lidar com um mundo que não reconhecem mais, resolvem encontrar o criador do desenho para que ele traga a animação de volta.

Fica claro por esta breve sinopse que o longa tenta satirizar toda essa onda de produções tomadas por nostalgia que tem tomado a indústria hollywoodiana. De maneira bastante metalinguística o roteiro critica essa necessidade de ficarmos consumindo as mesmas coisas de nossa juventude como uma maneira de nos mantermos em uma eterna infância.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Crítica – Casal Improvável


Análise Crítica – Casal Improvável


Review  – Casal Improvável
Confesso que não esperava muita coisa deste Casal Improvável. Pelos trailers parecia mais uma daquelas comédias imaturas do Seth Rogen cheias de piadas sobre ânus e pênis sem nada a dizer. O filme não deixa de recorrer a um humor escatológico em alguns momentos, mas em seu cerne há uma competente comédia romântica como há muito não se via.

A trama gira em torno da política Charlotte Fields (Charlize Theron), ela é a Secretária de Estado dos Estados Unidos e está prestes a se lançar em uma campanha presidencial. Para impulsionar sua campanha, ela contrata o jornalista Fred Flarsky (Seth Rogen), um antigo conhecido de infância, para escrever seus discursos. Aos poucos Charlotte e Fred vão se aproximando, mas o envolvimento dela com o atrapalhado jornalista pode por em risco sua candidatura.

Chama a atenção que o filme não trata como uma questão o fato de um homem não deter o protagonismo de um relacionamento. Apesar de não ser o primeiro a colocar uma mulher em alta posição de poder e prestígio em um relacionamento amoroso com um homem mais modesto, outros filmes tratavam isso como um problema a ser superado pelo personagem masculino. O recente Meu Eterno Talvez, por exemplo, fez disso um dos principais conflitos, colocando o personagem para aprender que não há nada errado em não ser o ponto focal da relação.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Crítica – GLOW: 3ª Temporada


Análise Crítica – GLOW: 3ª Temporada


Review – GLOW: 3ª Temporada
O final da segunda temporada de GLOW prometia uma mudança de ambiente para as personagens, transformando o programa de luta-livre que se passa dentro da série em um show ao vivo em um cassino ao invés de um programa televisivo. Chegando nesta terceira temporada, é bacana constatar que a mudança de fato serviu para fazer as personagens e não uma mera troca de cenário.

Debbie (Betty Gilpin), Bash (Chris Lowell) e Sam (Marc Maron) agora precisam adaptar o formato de GLOW para uma atração em Las Vegas, no cassino chefiado por Sandy (Geena Davis), com a mudança afetando cada um deles e também o elenco de lutadoras. Ruth (Alison Brie) tem que lidar com a distância do namorado, Debbie sente saudades do filho pequeno, Arthie (Sunita Mani) e Yolanda (Shakira Barrera) começam a enfrentar problemas no relacionamento, enquanto que Cherry (Sydelle Noel) começa a tentar engravidar.

Se em temporadas anteriores as tramas se concentravam nos desafios e problemas de manter o show funcionando, agora que a atração está relativamente consolidada as tramas focam mais nos dilemas individuais das personagens ao invés das questões de bastidores. A mudança soa natural considerando que a essa altura já compreendemos como o show funciona e o status estável que a atração alcançou na vida das personagens.