segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Crítica – Parasita


Análise Crítica – Parasita


Review – Parasita
Dirigido pelo sul-coreano Bong Joon-ho, responsável por filmes com Expresso do Amanhã (2014) e Okja (2017), este Parasita é um daqueles filmes que consegue te pegar de surpresa toda vez que achamos que estamos compreendendo o que está acontecendo. Essas reviravoltas fazem o filme transitar entre diferentes gêneros e resulta em uma alegoria social que impacta pelo modo como nos guia a desdobramentos inesperados.

Na trama, a família do patriarca Ki-taek (Kang-ho Sung) se encontra toda desempregada. Para sobreviver eles recorrem a pequenos bicos como fazer caixas de pizza e outras atividades de baixa renda. A sorte deles muda quando Min (Seo-joon Park), colega de escola de Ki-woo (Woo-sik Choi), filho de Ki-taek, oferece seu emprego a Ki-woo. O trabalho em questão é dar aulas particulares de inglês para Da-hye Park (Ji-so Jung), a filha adolescente de um rico empresário do ramo de tecnologia. Chegando na casa da família, Ki-woo se torna fascinado com o estilo de vida abastado dos Park e começa a fazer planos de inserir os demais parentes em outros empregos para a família.

Dizer mais seria estragar a experiência de quem vai assistir, mas o que começa como um drama social logo dá lugar ao suspense e posteriormente a uma absurda farsa. Seriam gêneros difíceis de transitar de maneira orgânica, mas Bong Joon-ho consegue caminhar com segurança entre a seriedade e o farsesco. A história é, em essência, sobre relações de classe social e a maneira com a qual ricos e pobres enxergam um ao outro.

domingo, 10 de novembro de 2019

Crítica – Doutor Sono


Análise Crítica – Doutor Sono


Review – Doutor Sono
Eu não fiquei muito empolgado quando este Doutor Sono, adaptação do romance de Stephen King que continua a história de Danny Torrance de O Iluminado, foi anunciado. Os trailers focavam mais em fazer referência a adaptação para cinema de O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick, do que tentar delinear uma identidade própria e parecia mais um produto hollywoodiano planejado e formatado para explorar a nostalgia do espectador. O resultado final, porém, acaba sendo menos tributário ao filme de Kubrick do que eu esperava.

A trama se passa décadas depois dos eventos de O Iluminado. Danny Torrance (Ewan McGregor) agora é um alcoólatra em recuperação e trabalha como enfermeiro em uma clínica que atende pacientes terminais. Ele usa suas habilidades de “iluminado” para trazer conforto aos pacientes em seus últimos momentos e acaba sendo apelidado de “doutor sono”. Ao mesmo tempo, Danny começa a ter contato com outra garota iluminada, Abra Stone (Kyliegh Curran), e os poderes crescentes da garota chamam a atenção de um grupo de pessoas que vive de devorar as almas de iluminados. O grupo é liderado pela poderosa Rose (Rebecca Ferguson) e Danny precisa correr para manter Abra segura.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Crítica – Dora e a Cidade Perdida


Análise Crítica – Dora e a Cidade Perdida


Resenha – Dora e a Cidade Perdida
A animação Dora a Exploradora é famosa por seu caráter lúdico e educativo voltado a crianças pequenas. Por conta disso, foi recebida com estranhamento a notícia de que a animação seria adaptada para o cinema em live action, com uma versão mais velha da protagonista e uma trama mais aventuresca e próxima de algo como Indiana Jones. Afinal, uma personagem voltada para um público ainda na infância conseguiria atrair um público adolescente? Tendo assistido Dora e a Cidade Perdida, a impressão é que o filme não sabe o que quer ser nem com que público quer se comunicar.

A trama mostra Dora (Isabela Moner) já adolescente e tendo que finalmente ir para a escola enquanto seus pais embarcam numa expedição para encontrar uma antiga cidade inca que, segundo lendas, estaria repleta de ouro. Depois de algum tempo, Dora perde o contato com os pais e acaba sendo sequestrada da por um grupo de mercenários que estavam rastreando os pais de Dora e queriam roubar o tesouro da cidade. Agora na selva, Dora e seus amigos precisam encontrar os pais da protagonista e alcançar a cidade perdida antes dos vilões.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Rapsódias Revisitadas – Macunaíma


Crítica – Macunaíma


Review – Macunaíma
Lançado em 1969 e dirigido por Joaquim Pedro de Andrade a partir do romance homônimo de Mário de Andrade, Macunaíma foi o filme mais lucrativo do movimento do Cinema Novo brasileiro. Provavelmente o sucesso se deu pela estrutura cômica anárquica que remetia às chanchadas de décadas anteriores como Carnaval Atlântida (1952), o que provavelmente tornava mais acessível toda a trama carregada de simbolismos.

A narrativa acompanha as desventuras de Macunaíma (Grande Otelo), que nasce já adulto de uma mãe idosa. Macunaíma vive em um constante estado de preguiça e nunca faz nada por conta própria, sempre tirando vantagem dos outros. Um dia a floresta em que mora fica inundada e Macunaíma e seus irmãos vão morar na cidade. No trajeto o protagonista se banha em águas misteriosas e passa a ser branco (sendo interpretado por Paulo José) e continua a viver na cidade tentando levar vantagem em cima dos outros.

Chamado de “herói sem caráter” o arco dramático do protagonista é de fato estruturado como uma típica jornada de herói, com o chamado à aventura, um artefato de grande poder a ser coletado e o retorno ao lar. O que torna a trama tão singular e reflexiva dos processos de construção identitária brasileiras é sua abordagem satírica a todo esse percurso. Macunaíma é um “herói” brasileiro porque ele se dá bem sem precisar fazer nada e tirando vantagem em cima dos outros, demonstrando como o individualismo e esse senso de esperteza, de querer passar por cima das pessoas ao redor, é algo endêmico do brasileiro.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Crítica – Between Two Ferns: O Filme


Análise Crítica – Between Two Ferns: The Movie


Review – Between Two Ferns: The MovieA graça da websérie Between Two Ferns (algo como Entre Duas Samambaias em português, uma referência ao cenário do programa, gravado entre duas samambaias) é o modo como ela brinca com clichês de talk shows de celebridades. No programa, o ator Zach Galifianakis conduz entrevistas da pior maneira possível, sendo propositalmente rude e inconveniente com seus convidados, que estão cientes da brincadeira, diga-se passagem. Toda a bizarrice do programa é feita para mostrar a artificialidade dessas conversas aparentemente espontâneas de talk shows. Assim, ao transformar a série em um longa com Between Two Ferns: O Filme parecia lógica a opção por fazer tudo como se fosse um falso documentário de bastidores para mostrar também a artificialidade do cinema.

Na trama, depois que um vazamento destrói o estúdio no qual Zach (interpretando a si mesmo) gravava o programa, ele é obrigado a pegar a estrada para gravar seu programa diretamente na casa das celebridades para conseguir cumprir o número de programas estabelecido por contrato com o produtor Will Ferrell (também interpretando a si mesmo).

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Crítica – Link Perdido


Análise Crítica – Link Perdido


Review Crítica – Link Perdido
Feito pelo mesmo estúdio responsável por animações como Coraline e o Mundo Secreto (2009), este Link Perdido tem a mesma qualidade técnica do estúdio Laika, mas a trama em si carece um pouco de impacto para conseguir encantar como os outros trabalhos da produtora.

A trama se passa no século XIX e é centrada no explorador Sir Lionel Frost (voz de Hugh Jackman) um cavalheiro britânico que quer a qualquer custo obter reconhecimento de seus pares. Para isso, empreende expedições para descobrir locais e monstros míticos, mas nunca consegue provas que corroborem suas investigações. A sorte dele muda quando recebe uma carta contando a localização do mítico Pé Grande, fazendo Lionel partir para os Estados Unidos para encontrar a criatura, que acaba chamando de Sr. Link (voz de Zach Galifianakis).

A trama é carregada de um senso de humor irônico com um timing certeiro para cada piada. Um exemplo é quando um dos vilões, o Lorde Piggot-Dunceby (voz de Stephen Fry), diz que precisa deter Lionel para proteger a imagem do homem civilizado, mas que irá contratar um assassino profissional para detê-lo. Ou seja, para proteger a civilização, irá recorrer ao comportamento menos civilizado possível. A trama é cheia desses diálogos bem humorados que revelam as hipocrisias de uma elite que se acha superior, mas na verdade é estúpida e truculenta.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Crítica – O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio

Análise Crítica – O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio


Review – O Exterminador do Futuro: Destino SombrioO Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991) ainda é, para mim, um dos melhores filmes de ação já feitos, cuja história amarrava muito bem os arcos narrativos daquela trama e do anterior. Era um filme que não requisitava mais continuações, que dizia tudo que precisava ser dito sobre aqueles personagens e aquele universo, mas ainda assim Hollywood vem insistindo há quase vinte anos em fazer continuações, com o resultado sendo sempre abaixo dos dois primeiros filmes. Este O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio até consegue ser melhor que as últimas continuações (um patamar baixo a superar, é verdade), embora siga parecendo uma pálida reprodução dos dois primeiros.

Na trama, a guerreira Grace (Mackenzie Davis) vem do futuro para proteger a jovem mexicana Dani (Natalia Reyes) que está sendo perseguida pelo exterminador Rev-9 (Gabriel Luna). Durante a fuga do exterminador, as duas são salvas por Sarah Connor (Linda Hamilton), que passou os últimos anos caçando exterminadores enviados ao passado. Reunido, o trio precisa lidar com a nova ameaça.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Crítica – Meu Nome é Dolemite


Análise Crítica – Meu Nome é Dolemite


Review – Meu Nome é Dolemite
A realidade às vezes pode ser mais estranha que a ficção e as histórias sobre a produção de determinados filmes podem ser tão ou mais interessantes que os filmes em si. Tim Burton mostrou isso em Ed Wood ao biografar o “pior diretor do mundo”, James Franco reforçou isso ao contar a história da realização do infame The Room em O Artista do Desastre e este Meu Nome é Dolemite faz isso por Rudy Ray Moore e seus filmes de blaxploitation.

Rudy (Eddie Murphy) é um homem de meia idade que tentou vencer no ramo do entretenimento, mas não conseguiu encontrar sucesso nem como músico nem como comediante de stand-up. Sua sorte muda quando ele decide gravar as rimas que ouve nas ruas sobre um personagem chamado Dolemite e resolve se apresentar com essa persona cômica que fala através de rimas sobre proezas físicas e sexuais.

O percurso do protagonista toca em temas como o da representatividade, da importância das pessoas em se verem representadas nas telas e não se sentirem invisíveis. Trata também das disputas discursivas entre a cultura popular e a cultura hegemônica, com a cultura popular constantemente sendo rebaixada pela elite por ser considerada vulgar ou pobre por não se adequar a padrões pré-determinados de “bom gosto”.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Crítica – A Vida Invisível


Análise Crítica – A Vida Invisível


Review – A Vida Invisível
Em uma determinada cena de A Vida Invisível, alguém pergunta para uma das protagonistas, Guida (Julia Sotckler), qual o sexo de seu filho recém-nascido. Quando Guida responde que é homem a autora da pergunta prontamente diz “sorte dele”. Parece um instante menor dentro da trama, quase inconsequente, mas diz muito sobre o lugar da mulher na sociedade brasileira da década de cinquenta, época na qual o filme se passa.

A trama é baseada no romance A Vida Invisível de Eurídice Gusmão de Martha Batalha (que, confesso, não li) e segue duas irmãs vivendo no Rio de Janeiro da década de cinquenta. Guida está apaixonada por um marinheiro grego e foge de casa para ir com ele para a Grécia. A família fica sem notícias de Guida por quase um ano e, nesse tempo, Eurídice (Carol Duarte), a irmã de Guida, se casa com o funcionário público Antenor (Gregório Duvivier). Guida volta para o Brasil grávida depois de ter deixado o marido, mas os pais dela a expulsam de casa e dizem que Eurídice está morando fora do Brasil, estudando para ser pianista. Assim, acompanhamos as vidas dessas duas mulheres e suas respectivas famílias, sendo que nenhuma das duas está satisfeita com o rumo de suas trajetórias.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Crítica - Contato Visceral


Análise Crítica - Contato Visceral


Review - Contato Visceral
Começando com uma citação à obra literária No Coração das Trevas, este Contato Visceral já promete, antes que vejamos qualquer imagem do filme, uma jornada rumo à loucura e a degradação. Não é o primeiro nem será o último filme de terror a fazer isso, mas seus problemas não residem na reprodução de um arco dramático familiar e sim como esse arco é construído.

A trama é centrada em Will (Armie Hammer), um bartender que vive na cidade de Nova Orleans. Apesar de morar com a namorada, Carrie (Dakota Johnson), Will é apaixonado por Alicia (Zazie Beetz), uma amiga e cliente regular do seu bar. Os problemas de Will começam quando ele encontra um celular esquecido no bar e tenta entrar em contato com alguém que conheça o dono pelos contatos do próprio aparelho, mas começa a receber mensagens macabras.

A ideia é que as imagens e vídeos macabros enviados a ele vão aos poucos tirando sua sanidade, mas é difícil comprar a ideia de que ele fique tão fascinado ou impactado com aquilo tudo. Afinal, estamos em uma era de notícias falsas, com imagens e vídeos virais aterrorizantes claramente fabricados (como a história do Slender Man), então é difícil embarcar na noção que as imagens e mensagens seriam o suficiente para levar uma pessoa normal a sair do sério.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Crítica – Morto Não Fala


Análise Crítica – Morto Não Fala


Review – Morto Não Fala
A premissa deste Morto Não Fala é algo bem típico de narrativas de fantasia e horror. Um sujeito comum mexe com forças sobrenaturais que não compreende muito bem com o intuito de obter alguma vantagem, mas logicamente essas forças se voltam contra ele e tudo começa a desmoronar.

Stênio (Daniel de Oliveira) trabalha no necrotério de São Paulo no turno da noite e tem a habilidade de falar com os mortos. Um dia um dos cadáveres que chega em sua mesa conta a Stênio que a esposa dele, Odete (Fabiula Nascimento), o está traindo com o dono da padaria. Indignado com a traição, Stênio decide tomar uma atitude drástica, mas revelar os segredos dos mortos coloca uma maldição sobre ele.

O filme acerta em adaptar essa premissa comum do gênero ao contexto e cotidiano brasileiro, fazendo tudo soar crível como aconteceu com o drama médico em Sob Pressão (2016). Pode parecer algo pequeno, mas muitas tentativas de fazer horror no Brasil muitas vezes esbarram no problema de tentar meramente reproduzir fórmulas hollywoodianas sem trazer essas estruturas para o nosso contexto cultural, como fez O Caseiro (2016) ao tentar fazer algo similar aos filmes estadunidenses de “casa mal-assombrada” e resultou em algo sem personalidade.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Crítica – A Lavanderia


Análise Crítica – A Lavanderia


Review – A Lavanderia
Depois de dois filmes experimentando com a estética de filmar apenas com celulares (Distúrbio e High Flying Bird), o diretor Steven Soderbergh volta a fazer filmes de maneira mais "convencional". Baseado na história real dos chamados Panama Papers, um vazamento massivo de documentos que escancarou como grandes empresas lavavam dinheiro em paraísos fiscais através de negócios de fachada, A Lavanderia tenta explicar como esse esquema funcionava, ao mesmo tempo em que explora as histórias de pessoas afetadas por ele.

O ponto de partida é a história de Ellen Martin (Meryl Streep) uma mulher idosa que perde o marido durante um passeio de barco quando a embarcação naufraga. A seguradora responsável pela apólice da embarcação encontra uma brecha jurídica para não pagar o seguro e Ellen começa a investigar a questão até chegar em um escritório de advocacia no Panamá que esconde os ativos de muitas corporações ao criar diversas empresas de fachada. A partir da história de Ellen, a trama se divide em muitas outras histórias que envolvem pessoas afetadas ou que negociavam com este escritório de advocacia.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Crítica – Zumbilândia: Atire Duas Vezes


Análise Crítica – Zumbilândia: Atire Duas Vezes


Review – Zumbilândia: Atire Duas Vezes
O primeiro Zumbilândia (2009) foi uma grata surpresa graças ao seu elenco afiado e senso de humor com os clichês de filmes sobre zumbis. O sucesso do filme parecia tornar inevitável que houvesse uma continuação, mas ainda assim ela não veio. Ao invés disso, ganhamos uma série de televisão que matinha os personagens do filme, mas trazia um elenco diferente e o resultado foi algo sem a mesma graça do filme original, fazendo a série ser rapidamente cancelada. Com isso o retorno a este universo parecia fadado a não acontecer, até que agora, dez anos depois do lançamento do primeiro filme, chega aos cinemas este Zumbilândia: Atire Duas Vezes, continuação que mantem o elenco original.

Depois de anos viajando pelos Estados Unidos devastado pelo apocalipse zumbi, Columbus (Jesse Eisenberg), Tallahassee (Woody Harrelson), Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) decidem estabelecer residência na Casa Branca abandonada. Com o tempo, no entanto, a rotina começa a tomar conta. Wichita teme por sua relação com Columbus, enquanto que Little Rock deseja conhecer outros lugares e outras pessoas para além do trio com quem cresceu. Assim, as duas mulheres vão embora, mas Columbus e Tallahassee vão atrás delas ao descobrirem que as duas foram para uma região com zumbis mais letais.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Crítica – Mortal Kombat 11: Terminator Pack


Review – Mortal Kombat 11: Terminator Pack


Desde o reboot de Mortal Kombat em 2011 a desenvolvedora Netherrealm Studios começou a colocar “personagens convidados’ em seus jogos. Mortal Kombat contava com a presença de Freddy Kruger e Kratos de God of War, o primeiro Injustice colocava no ninja Scorpion para enfrentar os heróis e vilões da DC.

Logo depois Mortal Kombat X aumentou ainda mais a presença de convidados com Jason Vorhees, Leatherface, o Predador e o Xenomorfo de Alien. Por sua vez Injustice 2 introduziu, além de personagens do universo Mortal Kombat como Sub-Zero e Raiden, heróis de outras editoras com Hellboy e as Tartarugas Ninja. Pois a tendência continua em Mortal Kombat 11 com a chegada do Exterminador do Futuro, além dos já anunciados Coringa e Spawn.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Crítica – O Favorito


Análise Crítica – O Favorito


Review – O Favorito
É curioso como o tempo muda a percepção das coisas. Nos dias de hoje, um candidato a presidente sendo pego traindo a esposa seria um problema menor, que rapidamente seria esquecido no ciclo de notícias e provavelmente não encerraria a carreira de ninguém. Em 1987, por outro lado, algo assim era um grande escândalo com potencial para destruir as chances em uma eleição.

É exatamente sobre isso que trata este O Favorito, baseado na história real de Gary Hart (Hugh Jackman), favorito nas primárias do partido democrata em 1987 para ganhar a indicação de candidato a presidente pelo partido. Hart estava muito à frente dos demais concorrente nas pesquisas até que ele é fotografado com uma mulher que seria sua amante e sua campanha começa a desmoronar.

O filme não mira seu interesse no escândalo em si, mas na discussão que se criou em torno dele. Especialmente na conversa sobre cobertura jornalística da política e o que poderia ser considerado informação de interesse público ou não. Afinal saber da vida íntima de um político é necessário para saber se ele será um bom governante? Até que ponto isso impacta ou deveria impactar na decisão dos eleitores? Do mesmo modo, podemos questionar toda a conduta dos repórteres que descobriram o caso ao passar semanas vigiando Hart e seguindo ele por todos cantos. Seria essa ação uma invasão de privacidade ou justificável sob o argumento de que se trata de uma informação de interesse público?

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Crítica – El Camino: A Breaking Bad Film


Análise Crítica – El Camino: A Breaking Bad Film


Review – El Camino: A Breaking Bad Film
Apesar de adorar Breaking Bad confesso que tive receio quando ouvi que este longa-metragem El Camino serviria como um epílogo para a série focando no que aconteceu com Jesse Pinkman (Aaron Paul) depois de ter saído do cativeiro, afinal Felina, episódio final de Breaking Bad, é um desfecho excelente que praticamente não exige um complemento. Por outro lado, também tive o mesmo temor pela série Better Call Saul e o resultado final da série provou que eu não tinha razão para ficar desconfiado da capacidade do diretor e roteirista Vince Gilligan. El Camino, no entanto, acaba ficando em uma espécie de meio termo, mantendo a competência estética de Gilligan, mas falhando em trazer novos olhares a personagens conhecidos como fez Better Call Saul.

A trama começa imediatamente depois dos eventos do episódio final de Breaking Bad, com Jesse fugindo do cativeiro depois de Walt (Bryan Cranston) matar a gangue do Uncle Jack. Jesse vai para a casa de seus amigos Skinny Pete (Charles Baker) e Badger (Matt Jones) para se abrigar, descobrindo através dos noticiários que a polícia o considera o principal suspeito pelas mortes da gangue e de Walt. Assim, Jesse precisa arranjar um meio de sair da cidade de Albuquerque em meio ao cerco policial.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Lixo Extraordinário – Contato de Risco


Crítica – Contato de Risco


Review - Gigli
Vocês podem não lembrar, mas em dado momento no início dos anos 2000 o ator Ben Affleck e a cantora Jennifer Lopez formaram um casal. Para surfar na onda de popularidade do casal de celebridades foi feito este Contato de Risco, filme que colocava Affleck e Lopez como par romântico, esperando que os fãs que acompanhavam o casal nos tabloides fossem também pagar para assisti-los nos cinemas, o que acabou não acontecendo.

Contato de Risco foi um imenso fracasso de crítica e público, constantemente figurando entre os cem filmes mais mal avaliados do agregador IMDb e tendo sido indicado a nove Framboesas de Ouro na época de seu lançamento,  vencendo cinco, incluindo pior filme. As carreiras de Affleck e Lopez conseguiram se recuperar do retumbante fracasso, mas o diretor Martin Brest, responsável pelo primeiro Um Tira da Pesada (1984) e Perfume de Mulher (1992), nunca mais dirigiu um longa-metragem em Hollywood.

A trama acompanha Larry Gigli (Ben Affleck), um gangster de baixo escalão que recebe a missão de sequestrar Brian (Justin Bartha), o irmão deficiente mental de um poderoso promotor federal. A misteriosa Ricki (Jennifer Lopez) é contratada para ajudar Gigli a manter Brian sob controle, mas Ricki e Gigli não se entendem muito bem, embora seja óbvio que ambos vão acabar juntos.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Crítica – Carmen Sandiego: 2ª Temporada


Análise Crítica – Carmen Sandiego: 2ª Temporada


Review – Carmen Sandiego: 2ª Temporada
A primeira temporada de Carmen Sandiego dava indicativo que o segundo ano exploraria mais o passado misterioso da protagonista e aprofundaria alguns personagens ao seu redor, como Shadowsan. A promessa, no entanto, não foi exatamente cumprida, já que muito desse desenvolvimento acaba acontecendo apenas no último episódio.

Esse segundo ano começa com Carmen Sandiego continuando a tentar sabotar a organização criminosa conhecida como VILE, agora tendo seu antigo tutor da VILE, Shadowsan, como aliado. Ao mesmo tempo, precisa fugir da agência ACME, que continua a considerá-la uma aliada da VILE, embora a agente Argent esteja tentando convencer os demais de que Carmen é uma aliada em potencial.

A temporada segue uma estrutura de episódios focados em casos isolados, em cada um Carmen precisa parar um crime específico da VILE e algumas migalhas de um arco maior sendo salpicadas a cada capítulo. Como aconteceu no ano de estreia, o foco é mesmo na aventura e a série continua competente em criar cenas de ação e perigo que exploram o potencial das habilidades e gadgets de seus muitos heróis e vilões. Do mesmo modo, também continua exibindo um relativo talento em criar personagens insólitos que parecem saídos diretamente de algum filme de espionagem exagerado da década de 60. Como antes, cada episódio leva Carmen a um país diferente e a trama segue exibindo um viés pedagógico em suas histórias, usando as aventuras da ladra internacional para ensinar ao jovem espectador sobre a história e geografia dos países visitados.

domingo, 6 de outubro de 2019

Crítica - Coringa

Análise Crítica - Coringa


Review - Coringa
Coringa foi uma aposta arriscada. Em meio a uma tentativa trôpega de emplacar um universo cinematográfico compartilhado, a Warner decide fazer um filme de origem sobre seu principal vilão completamente divorciado de seu projeto de universo compartilhado e voltado para o público adulto. Parecia ser uma tentativa de chamar atenção ou tentar se manter relevante ao se diferenciar da principal concorrência, mas mostra que eles entenderam algo que a Fox já tinha demonstrado entender com Logan (2017) e que a Disney/Marvel parece ainda não ter entendido: filmes baseados em quadrinhos tem potencial de ser muito mais do que meramente passatempos ou aventuras adolescentes. Que há um potencial expressivo e artístico enorme nesse material e não é necessário se limitar a blockbusters de ação.

A trama de Coringa se passa no início da década de 80 e é centrada em Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um homem com problemas mentais que vive com a mãe em um pequeno apartamento e tenta se tornar comediante de stand-up. Para sobreviver Arthur faz bicos de palhaço, mas as ruas de Gotham são um lugar hostil e mesmo alguém pacato como Arthur é constantemente vítima de violência e maus tratos.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Crítica – Pose: 1ª Temporada


Análise Crítica – Pose: 1ª Temporada


Review – Pose: 1ª Temporada
Passada na década de oitenta, a primeira temporada de Pose mostra a cultura LGBTQI de Nova Iorque no período, os desafios encontrados pelos membros da comunidade, assim como a exuberância dos bailes, desfiles e competições que ocorriam. Para competir nos bailes era preciso fazer parte de uma “casa”, basicamente uma república, um apartamento que era dividido por várias pessoas da comunidade LGBTQI e que era liderado por uma “mãe”. É um retrato complexo, principalmente do ponto de vista de personagens transgênero, algo que a ficção explora pouco.

A trama é centrada em Blanca (MJ Rodriguez), uma mulher trans que descobre ser HIV positivo e decide mudar o rumo da vida e deixar um legado no mundo. Ela decide deixar a casa da qual fazia parte, a Casa da Abundância, para se tornar mãe de sua própria casa, a Casa de Evangelista (uma referência à modelo Linda Evangelista). Ao iniciar sua casa ela acaba recrutando Damon (Ryan Jamaal Swain), um jovem dançarino que estava morando na rua ao ser expulso de casa pelos pais que descobriram que ele era gay, e Angel (Indya Moore), uma jovem trans que se prostitui nas ruas. Blanca tentará fazer de sua casa não só uma casa campeã nos bailes organizados por Pray Tell (Billy Porter) como um espaço para ajudar seus filhos a melhorarem de vida, estimulando Damon, por exemplo, a estudar em uma escola de dança.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Crítica – Jedi Knight II: Jedi Outcast

Análise Crítica – Jedi Knight II: Jedi Outcast


Review – Jedi Knight II: Jedi Outcast
Nostalgia é algo perigoso. Lembro de adorar Jedi Knight II: Jedi Outcast na época que foi lançado para PC. Por muito tempo considerava ele e sua “continuação” Jedi Academy como os melhores games de Star Wars já lançados. Pois assim que soube que Jedi Outcast estava sendo relançado para os consoles da geração atual, corri para comprar e reviver o que eu lembrava ser um dos melhores games deste universo. Como falei no início, entretanto, nostalgia pode ser uma coisa perigosa.

A trama se passa depois dos eventos de O Retorno de Jedi e segue Kyle Katarn, um mercenário que se tornou jedi, mas que depois dos eventos do primeiro Jedi Knight decidiu se afastar da Força por quase ter sucumbido ao Lado Sombrio. Ele passa a realizar missões para a Nova República, eliminando o que restou do Império. Durante uma das missões, descobre experimentos com cristais Kyber, os cristais usados nos sabres de luz dos jedi, e quem está por trás desses experimentos é o sith Desann, que mata Jan, a companheira de Kyle. O protagonista decide voltar a treinar com Luke Skywalker, mas Luke alerta que lutar por vingança pode deixá-lo ainda mais perto do Lado Sombrio.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Crítica – Ad Astra: Rumo às Estrelas


Análise Crítica – Ad Astra: Rumo às Estrelas


Review – Ad Astra: Rumo às Estrelas
“Somos devoradores de mundos” diz o protagonista interpretado por Brad Pitt em dado momentos de Ad Astra: Rumo às Estrelas. Na cena em questão o vemos caminhar em um espaçoporto lunar em meio a quiosques de Subway e outras franquias de fast-food (inclusive, as empresas que cederam suas marcas nessa cena ou tem um grande senso de humor ou não entenderam o que o filme está dizendo sobre esses produtos). A cena funciona como uma síntese do discurso do filme.

Tramas sobre exploração espacial normalmente falam sobre como viajar pelo cosmos seria um percurso natural do ser humano. Algo que traria iluminação, transcendência, que faria a humanidade evoluir. Aqui, no entanto, o diretor James Gray trabalha na contramão dessas ideias (ele já tinha feito uma antítese de filmes de aventura em Z:A Cidade Perdida) ao propor que a expansão para o espaço seria uma desculpa para não evoluir, para que a humanidade continuasse a fazer as mesmas coisas, continuasse a consumir recursos e explorar tudo que há ao seu redor infestando o universo como um tumor.

A narrativa é protagonizada pelo astronauta Roy (Brad Pitt), um homem solitário e estoico que recebe uma missão secreta do comando espacial. Pulsos de antimatéria vindos do planeta Netuno ameaçam o sistema solar e o comando desconfia que essa energia vem de uma estação espacial enviada ao planeta décadas atrás e comandada por Clifford (Tommy Lee Jones), o pai de Roy. Supostamente Clifford teria enlouquecido e matado toda a tripulação. Seus motivos são desconhecidos, mas Roy precisará viajar aos confins do sistema solar para detê-lo. Conforme viaja, a distância e o isolamento começam afetar o protagonista.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Crítica – Encontros


Análise Crítica – Encontros


Review – Encontros
A produção francesa Encontros é daqueles filmes que não reinventam a roda, nem tem nada a dizer que já não tenhamos ouvido antes, mas ainda assim é carismático o bastante para render uma boa sessão. A trama acompanha paralelamente dois personagens: Remy (François Civil) e Mélanie (Ana Girardot). Remy está prestes a ser demitido porque o galpão em que trabalha irá se tornar completamente automatizado, seus colegas já estão ficando sem emprego, mas ele tem uma chance de manter empregado em outra função e sofre com a ansiedade da mudança e também com a solidão de sua vida. Mélanie trabalha com pesquisa biomédica e também passa por ansiedade no trabalho, além da solidão que experimenta em seu apartamento. Os dois não sabem, mas moram em prédios vizinhos e tem muito em comum um com o outro.

A narrativa trata da solidão experimentada por quem vive em grandes metrópoles como Paris, assim como o preconceito que muitas pessoas tem em procurar terapia e os benefícios para a saúde mental que se pode obter a partir desse tipo de tratamento. Na verdade, em muitos momentos, parece um grande vídeo educativo para instruir a audiência sobre os benefícios da terapia. Há também um comentário sobre redes sociais e o paradoxo no qual elas operam, facilitando nossa conexão com centenas de pessoas, mas ainda assim não conseguindo aplacar nossa solidão, muitas vezes nos fazendo sentir ainda mais sozinhos.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Crítica – Inacreditável


Análise Crítica – Inacreditável


Review – Inacreditável
Em uma determinada cena da minissérie Inacreditável um personagem fala que ninguém duvida de uma vítima de assalto quando ela denuncia o crime, mas que quase todo mundo põe em dúvida o testemunho de uma vítima de estupro. Essa inversão de valores nos casos de estupro, culpabilizando e questionando a vítima ao invés do criminoso, está no cerne da minissérie.

A trama é baseada em uma história real e segue Marie (Kaitlyn Dever, de Fora de Série), uma jovem que cresceu em lares adotivos e que finalmente está morando sozinha. Um dia ela tem o apartamento invadido, é amarrada e estuprada durante horas e, quando o estuprador finalmente vai embora, ela chama a polícia. Como o detetive Parker (Eric Lange) não encontra nenhuma evidência física da presença de alguém no apartamento de Marie e a garota apresenta algumas inconsistências em seu testemunho, provavelmente fruto de memórias embaralhadas pelo trauma, o policial decide que Marie está mentindo e pede que ela retire a queixa, ameaçando-a com um processo criminal de denunciação caluniosa. Ao mesmo tempo, em outro estado, as policiais Karen (Merritt Weaver) e Grace (Toni Colette) começam a perceber padrões similares em estupros na região, padrão que se encaixa no que aconteceu com Marie, e suspeitam de um estuprador em série agindo pelo país.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Crítica – Dragon Ball Super: Broly


Análise Crítica – Dragon Ball Super: Broly


Review – Dragon Ball Super: Broly
Além de centenas de episódios, o anime Dragon Ball Z recebeu também mais de uma dezena de filmes que contavam algumas histórias complementares que não necessariamente se encaixavam no cânone da série. Um dos personagens mais marcantes a aparecer nos filme foi Broly, um saiyajin extremamente poderoso, mas cuja motivação para odiar Goku era bastante estúpida. Pois este Dragon Ball Super: Broly varre as aparições anteriores do personagem do cânone e o reapresenta na cronologia da série Dragon Ball Super, situando sua história logo depois do arco do Torneio de Poder.

Na trama, Broly é um saiyajin de imenso poder, tanto que mesmo sendo um bebê despertou o temor do Rei Vegeta de que ele poderia vir a dominar o planeta. Para afastar a ameaça, o rei envia Broly a um planeta inóspito. Paragus, o pai de Broly, foge do planeta e vai ao auxílio do filho, decidido a treinar Broly para se vingar do Rei Vegeta e sua prole. Décadas se passam até que Paragus e Broly são encontrados pelo exército de Freeza (para quem não acompanha Dragon Ball, Freeza foi ressuscitado) e, apesar do planeta dos saiyajins e o Rei Vegeta terem sido destruídos anos atrás, Freeza leva Paragus e Broly para se vingarem dos últimos remanescentes da raça, o príncipe Vegeta e Goku, que vivem na Terra.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Rapsódias Revisitadas – Ensaio de Orquestra


Análise Crítica – Ensaio de Orquestra


Review – Ensaio de Orquestra
Filmado em poucos dias pelo diretor Federico Fellini, Ensaio de Orquestra parte de uma premissa relativamente simples, mas sob sua simplicidade traz em si uma riqueza enorme de leituras possíveis sobre como o diretor usa a Orquestra como uma metáfora para diferentes ideias sobre organização social e conflitos humanos.

O filme se estrutura como se fosse um documentário sobre o ensaio de uma orquestra em um porão de uma antiga igreja que teria uma excelente acústica. Ao longo das entrevistas com os músicos e o maestro, no entanto, conflitos começam a emergir e as coisas rapidamente começam a sair do controle.

É possível entender tudo que vemos aqui como uma metáfora para o comportamento social do ser humano. A orquestra é algo que precisa de algum nível de ordem para funcionar, cada membro precisa desempenhar uma função específica e saber o momento exato em que precisa executá-la. Tudo precisa ser perfeitamente organizado para que o som saia perfeito. Apesar disso, a orquestra também é um espaço de criação e de diálogo, no qual os músicos tem voz ativa e pontos de vista que querem validar. Assim, a orquestra é vista como esse espaço em constante tensionamento entre ordem e desordem, entre coletividade e individualidade. Entre o desejo de viver em sociedade, cooperando com um coletivo e um desejo por individualidade e capacidade de expressão própria.