terça-feira, 3 de setembro de 2019

Crítica – Amigos Para Sempre


Análise Crítica – Amigos Para Sempre

Review – Amigos Para SempreO filme francês Intocáveis fez muito sucesso ao redor do mundo quando foi lançado em 2011 ao contar a história de um imigrante que começava a trabalhar como cuidador de um homem rico e tetraplégico e acabava construindo uma grande amizade. O sucesso acabou rendendo também alguns remakes, como a péssima versão argentina, Inseparáveis (2017), e este Amigos Para Sempre, versão hollywoodiana que consegue não ser tão desastrosa quanto a argentina, ainda que também nunca consiga justificar a própria existência.

A trama é quase a mesma do original. Dell Scott (Kevin Hart) é um ex-presidiário com dificuldade de reconstruir a vida e vai a uma entrevista de emprego só para mostrar a sua agente de condicional que está procurando trabalho. Na entrevista ele conhece o tetraplégico Philip (Bryan Cranston) e acaba sendo contratado. Aos poucos Dell vai se aproximando de Philip, ensinando a ele que ainda é possível aproveitar a vida, enquanto seu chefe irá lhe ensinar a ser mais responsável.

Se o francês abordava a questão da imigração e as dificuldades enfrentadas por imigrantes de países africanos, este tenta falar sobre os problemas dos ex-presidiários e como o sistema impõe dificuldades a eles. Poderia até render uma discussão interessante, mas o tema é rapidamente deixado de lado pelo filme para focar na amizade entre Dell e Philip, que segue basicamente os mesmos pontos-chave do original.

Há uma tentativa de falar mais sobre o passado de Philip, o que ajuda a entender como ele se tornou tão amargo e como isso não está só conectado aos seus problemas físicos. Do mesmo modo, o filme evita boa parte das piadas machistas contidas no original (e ainda mais na versão argentina) envolvendo o cuidador (Dell, neste caso) flertando com as funcionárias do patrão.

Por outro lado, boa parte dos conflitos desses personagens também acabam sendo diluídos e os pontos de conflito entre Philip e Dell acabam não sendo devidamente construídos. Em especial quando Dell insiste que o patrão se encontre com Lily (Julianna Margulies), uma mulher com quem ele conversa através de cartas. A reação de Lily não soa particularmente cruel, ainda que o sentimento de rejeição por parte de Philip seja compreensível, mas soa desproporcional que ele culpe Dell por toda a situação.

Do mesmo modo, tudo acaba se resolvendo muito fácil no final, bastando Dell voltar para levar Philip em uma viagem para que tudo volte ao normal e o próprio Philip se reconcilie com Yvonne (Nicole Kidman). Kidman, aliás, acaba tendo muito o pouco o que fazer além de reclamar com o personagem de Kevin Hart e a atriz acaba desperdiçada. Em Olhos da Justiça (2015), remake hollywoodiano do argentino O Segredo de Seus Olhos (2009), Kidman ao menos tinha algumas cenas importantes, mas aqui ela é subaproveitada em um papel que poderia ser feito por qualquer outra atriz.

Amigos Para Sempre acaba sendo um remake descartável que não tem muito dizer por si só, não faz muito além de reproduzir os principais momentos do original e o que tenta fazer diferente se mostra superficial.

Nota: 5/10


Trailer

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