quarta-feira, 29 de julho de 2020

Crítica – Cursed: A Lenda do Lago

Análise Crítica – Cursed: A Lenda do Lago

Review – Cursed: A Lenda do Lago
As histórias sobre o Rei Arthur, a espada Excalibur e outros elementos de sua mitologia já foram contadas e recontadas inúmeras vezes sob diferentes perspectivas. Este Cursed: A Lenda do Lago tenta olhar a lenda arturiana sob a perspectiva feminina, algo que não é exatamente novidade, já que As Brumas de Avalon (tanto o livro quanto a minissérie) fizeram isso décadas atrás. Baseado em um romance escrito por Tom Wheeler e Frank Miller, este Cursed: A Lenda do Lago tenta recontar as origens dos personagens arturianos centrando sua história em Nimue, que posteriormente se tornaria A Dama do Lago, figura que guardaria a Excalibur a espera do eterno e futuro rei bretão.

Na série, Nimue (Katherine Langford) é uma jovem ligada ao povo feérico (uma denominação geral para seres mágicos) que é treinada pela mãe para se tornar a próxima sacerdotisa de seu povo por conta de sua afinidade com o oculto. Nimue, no entanto, rejeita os desígnios da mãe e as habilidades que tem. Tudo muda quando paladinos vermelhos da igreja invadem sua vila e atacam os habitantes. Nimue recebe a mítica espada de seu povo das mãos de sua mãe, que a orienta a entregar o artefato para Merlin (Gustaf Skarsgard). Ao longo de sua jornada Nimue encontrará aliados como um jovem ladrão chamado Arthur (Devon Terrell).

terça-feira, 28 de julho de 2020

Crítica – A Barraca do Beijo 2

Análise Crítica - A Barraca do Beijo 2

Review – A Barraca do Beijo 2
O primeiro A Barraca do Beijo (2018) não era só um romance adolescente cheio de clichês, mas trazia também uma representação problemática de conflito amoroso e de relações entre homens e mulheres. Este Barraca do Beijo 2 faz exatamente a mesma coisa, piorado por suas inchadas duas horas e dez minutos, que torna toda a experiência ainda mais arrastada e entediante. 

Na trama, Elle (Joey King) está em seu último ano do ensino médio e tenta manter o relacionamento à distância com Noah (Jacob Elordi) que está na faculdade. Ao mesmo tempo em que navega pelas dificuldades de uma relação à distância, ela lida com o fato de Lee (Joel Courtney) estar namorando com Rachel (Meganne Young) e não tem mais tempo para ela. Ao mesmo tempo um novo bonitão, Marco (Taylor Zakhar Perez) chega na escola para balançar o coração de Elle.

Impressiona o quanto o filme é extenso, tem várias subtramas e ainda assim há a sensação de que muito pouco acontece. Talvez porque a maioria dessas subtramas tem pouco impacto na narrativa principal, como a do colega de Elle que está apaixonado por um outro rapaz da turma. É um arco que não se relaciona com nenhum dos outros do filme e poderia ser removido sem qualquer prejuízo para a trama. Toda a questão do concurso de dança, cujo objetivo era conseguir dinheiro para que Elle fosse para Harvard, também não tem muita relevância porque no final ela sequer decide a faculdade que vai e o concurso acaba sendo um dispositivo de roteiro para forçar uma aproximação entre ela e Marco.

Os personagens demonstram não ter aprendido nada desde o filme anterior. A amizade entre Lee e Elle continua tão tóxica, controladora e manipuladora quanto no primeiro filme. Lee continua a cobrar “lealdade” da amiga, dizendo se sentir traído quando ela pensa em ir para outra faculdade diferente da que escolheram para ir juntos e novamente coloca Elle para escolher entre Lee e Noah, o que continua a ser um conflito tão estúpido e forçado quanto no primeiro filme.

As cobranças de Lee para que Elle seja verdadeira e leal a ele são agravadas pela postura hipócrita do personagem, que ao invés de ser sincero com a amiga e com a namorada sobre a necessidade de ter espaço para ambas, prefere ficar calado e manipular as duas a se odiarem. Ao invés, por exemplo, de dizer para Elle que precisa de mais tempo sozinho com a namorada, ele finge um machucado na perna para desistir do concurso de dança e a empurra para os braços de Marco. O pior é que Elle nem fica incomodada ao saber da mentira de Lee, o que apenas reforça a natureza unilateral da relação, já que Lee sempre fica irritado e indignado toda vez que Elle faz algo que ele não quer.

O conflito na relação entre Elle e Noah soa como algo pequeno demais que poderia ser resolvido em cinco minutos de conversa, mas que dilatado em mais de duas horas fica entediante e sem sentido. O triângulo amoroso com Marco surge como mera necessidade de roteiro, cheio de conveniências de trama para aproximar os dois, com Marco nunca conseguindo ter uma personalidade própria, mais soando como um clone latino de Noah. Marco também não tem qualquer narrativa ou motivação pessoais, existindo apenas para gravitar em torno de Elle e motivar brigas entre as fãs a respeito de quem Elle deveria realmente escolher.

Assim como no primeiro filme, as tentativas de humor variam entre o constrangedor e o forçado. As interações de Elle com as meninas populares da escola, por exemplo, parecem saídas de uma cópia ruim de Meninas Malvadas (2004) e muitas situações cômicas sequer fazem sentido. Um exemplo é a cena em que Elle acidentalmente liga o sistema de som da escola enquanto começa a falar sobre como Marco é gostoso e Lee sai correndo pelo campus, se batendo e derrubando outros, para avisar a amiga. Porque Lee simplesmente não ligou para o celular de Elle? Teria sido muito mais rápido.

Para piorar, a trama sequer oferece muito senso de conclusão preferindo terminar em um gancho (ou ameaça) para um terceiro filme ao invés de simplesmente resolver o dilema apresentado para Elle nesse filme. O final também faz parecer muito fácil entrar em universidades de ponta, com a protagonista sendo aceita com uma redação cafona sobre não saber o que quer do futuro e querer aproveitar o tempo junto dos amigos. Porque alguém daria uma vaga tão disputada em Harvard ou Berkeley para alguém que não tem a menor ideia do que quer estudar ou de como deseja empregar o conhecimento obtido na universidade? Como tudo mais no resto da narrativa, é algo que acontece simplesmente porque o roteiro exige.

A Barraca do Beijo 2 continua a exibir uma visão problemática e equivocada sobre amizade e relacionamentos amorosos, piorado pela duração inchada, diálogos constrangedores e situações forçadas.

 

Nota: 2/10

Trailer

Conheçam os indicados ao Emmy 2020


Indicados ao Emmy 2020

Foram anunciados hoje, 28 de julho, os indicados à 72ª edição dos Emmy, premiação máxima da televisão dos Estados Unidos. Um dos grandes destaques foi a minissérie Watchmen, que recebeu 26 indicações. Além dela, The Marvelous Mrs. Maisel se destacou na categoria de comédia, com 30 indicações. Na categoria de série de drama houve um empate entre Succession e Ozark, ambas com 18 menções, enquanto que The Mandalorian, do streaming Disney+, levou 15 indicações.

A entrega dos prêmios deverá ser apresentada por Jimmy Kimmel e está marcada para 20 de setembro, mas por conta da pandemia do COVID-19 ainda não tem local nem formato definido, podendo inclusive acontecer de forma completamente virtual.

Confiram a lista completa de indicados abaixo:

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Crítica - Ghost of Tsushima

Crítica Ghost of Tsushima

Análise Crítica - Ghost of Tsushima
De início confesso que não me empolguei muito com Ghost of Tsushima. Parecia só mais um jogo de mundo aberto que combinava ação e furtividade. Não que esses elementos estejam ausentes, no entanto o que envolve neste exclusivo para Playstation 4 é a maneira como ele é apresentado.

A narrativa acompanha o samurai Jin Sakai. Durante a invasão dos mongóis à ilha de Tsushima no Japão praticamente todos os samurais são eliminados e Jin mal sobrevive. Como o último samurai em sua ilha, cabe a ele enfrentar a ocupação mongol, mas para derrotar um inimigo tão numeroso e tão cruel, ele precisa recorrer a táticas furtivas que vão de encontro ao código de honra dos samurais. Desta maneira, Jin precisa escolher entre seu lar e sua honra.

O jogo não perde tempo em te deixar livre para explorar a ilha e chama atenção como a interface tem pouquíssima informação. Não há minimapa (é preciso entrar no menu de personagem para ver o mapa completo), bússola ou outros ícones. A saúde do personagem só aparece durante combate. Tudo isso parece feito para que possamos absorver os ambientes ao nosso redor, as florestas de bambu, os campos de flores, as fontes termais, tudo repleto de efeitos de partículas com folhas e pétalas sempre flutuando no ar.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Crítica – Paper Mario: The Origami King


Análise Crítica – Paper Mario: The Origami King

Review – Paper Mario: The Origami KingDepois que Paper Mario: Sticker Star e Paper Mario: Color Splash entregaram resultados abaixo do que os fãs esperavam, havia a expectativa de que este Paper Mario: The Origami devolvesse a franquia ao auge de seus três primeiros jogos. Tudo parecia no caminho certo com a volta dos parceiros que acompanhavam Mario, acessórios equipáveis e outros elementos que tornaram essa série de jogos tão adoradas. Apesar de acertar em muitos elementos e ser superior aos dois jogos anteriores, o jogo tem algumas mecânicas que não são tão bem implementadas.

A trama e o universo 


Na trama, Mario é convidado ao castelo de Peach para participar do Festival do Origami, mas chegando lá descobre que a princesa e toda população foram transformados em Origamis pelo maligno rei Olly, que leva o castelo ao topo de uma montanha e o cerca com cinco fios longos de papelão. Cabe a Mario destruir os fios e resgatar a princesa. Para isso, ele terá a ajuda de Olivia, a irmã de Olly que não concorda com os planos de dominação do rei origami.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Crítica – Boca a Boca: 1ª Temporada


Análise Crítica – Boca a Boca: 1ª Temporada

Review – Boca a Boca: 1ª TemporadaAs melhores histórias de zumbis são as que exploram essa transformação e a disseminação da praga como metáfora para relações humanas e questões presentes na nossa estrutura social.  A primeira temporada de Boca a Boca, série brasileira produzida pela Netflix, faz exatamente isso, além de ganhar uma relevância maior para os seus temas por conta de ser lançada em meio à pandemia do coronavírus. O texto a seguir pode conter SPOILERS da temporada.

Criada por Esmir Filho, responsável por Os Famosos e os Duendes da Morte (2009), a trama se passa em uma pequena cidade rural que é atingida por uma espécie de vírus que só atinge jovens e é transmitido pelo beijo. Os infectados deixam de sentir qualquer coisa, física ou emocionalmente, virando praticamente zumbis (sem o componente do canibalismo). Os jovens Alex (Caio Horowicz), Chico (Michel Joelsas) e Fran (Iza Moreira) tentam descobrir o que está acontecendo e como o contágio talvez esteja relacionado com uma seita que vive nos arredores da cidade.

A crise expõe as rachaduras na sociedade aparentemente perfeita da cidade de Progresso, demonstrando o preconceito e a clara divisão de classes sociais que existe no local apesar de tentarem projetar a imagem de um local desenvolvido e inclusivo. Aos poucos vamos descobrindo como essas famílias aparentemente bondosas, tolerantes e progressistas escondem segredos por baixo dessa aparente correção moral e ninguém é tão certinho como aparenta.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Crítica – Encontro Fatal


Análise Crítica – Encontro Fatal

Review – Encontro FatalDesde o material de divulgação fica bem evidente que Encontro Fatal é um daqueles suspenses B feitos a toque de caixa. Um produto com todo o jeito de filme exaustivamente reprisado nas madrugadas de sábado no Supercine da Globo. Ainda assim você espera que ele ao menos seja um bom filme B e consiga oferecer boas cenas de suspense, mas nem isso ele consegue, como outros clones recentes de Atração Fatal (1987), a exemplo dos fracos Acrimônia (2018), Fica Comigo (2017) ou Paixão Obsessiva (2017).

Na trama, Ellie (Nia Long) é uma advogada que está deixando seu trabalho em uma poderosa firma para iniciar uma nova vida em uma cidade costeira e recomeçar a vida ao lado do marido, Marcus (Stephen Bishop). Em seu último trabalho na firma, entretanto, ela reencontra um antigo romance de faculdade em David (Omar Epps), eles se conectam rapidamente e David deixa claro que quer algo mais, mas Ellie decide não ir adiante. David não aceita e continua a encontrar maneiras de entrar na vida de Ellie.

O primeiro problema aparece já no início com a construção quase que ausente da crise do casamento de Ellie com Marcus. Se os personagens não falassem que há uma crise, não teríamos como saber, já que isso não é mostrado, não é sentido. Assim, o conflito inicial de Ellie ceder ou não às investidas de David não tem impacto, porque não temos a exata dimensão de que maneira o casamento dela está com problemas ao ponto de trair o marido parecer o único jeito dela sentir alguma coisa.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Drops – Greyhound: Na Mira do Inimigo

Análise Crítica – Greyhound: Na Mira do Inimigo

Review – Greyhound: Na Mira do InimigoDepois de comandar um navio durante um sequestro de piratas somalianos em Capitão Phillips (2013), Tom Hanks volta ao leme como capitão neste Greyhound: Na Mira do Inimigo. A trama, baseada em fatos reais, se passa durante a Segunda Guerra Mundial e foca no navio Greyhound, incumbido de proteger um comboio marítimo de suprimentos rumo à Inglaterra durante um longo trecho em que não possuem cobertura aérea. Hanks interpreta o capitão Krause. Inexperiente em combate, Krause se vê cercado por submarinos nazistas e agora precisa enfrentá-los sozinhos.

A trama é basicamente essa, sem muitos arcos de personagem nem ninguém passando por grandes transformações ou aprendizados. Tal como aconteceu com Dunkirk (2017) a narrativa confia que a tensão da situação vai ser suficiente para envolver o espectador, mas, diferente do filme de Christopher Nolan, não consegue criar situações de tensão ou batalha tão impactantes.

Nas entranhas do navio Tom Hanks consegue construir uma sensação crível da tensão e insegurança de Krause diante de uma situação de combate tão desfavorável. Ele e o resto do elenco conseguem minimamente nos envolver com a situação, embora o filme consista basicamente de pessoas gritando números de coordenadas por noventa minutos.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Lixo Extraordinário – Os Tubarões de Copacabana

Análise Crítica – Os Tubarões de Copacabana

Review – Os Tubarões de CopacabanaPelo trailer Os Tubarões de Copacabana parece ser um daqueles filmes sobre amigos que se reencontram depois de um tempo afastados e passam a refletir sobre a vida, sobre o passado e pensar nos rumos que tomaram. De certa forma ele é sobre isso, mas, ao mesmo tempo, trata de tantas outras coisas que mal consegue construir uma mensagem coesa.

Na trama, Nando (Raul Gazolla) recebe a notícia que Neto, um amigo de sua antiga turma de surfe, morreu em um acidente. Apesar de estarem afastados desde que Neto casou com uma ex-namorada de Nando, Zulma (Alcione Mazzeo), ele resolve ir ao velório acompanhado dos outros membros da turma. O evento serve de catalisador para o reencontro de Nando com Tiago (Ricardo Macchi), Ezequiel (Ricardo Herriot), Bruno (Alex Teix) e Marcelo (Andre Luiz Pereira). Ao mesmo tempo, Nando precisa lidar com o fato de seu pai estar com câncer terminal e com os avanços de Nicole (Rayane Morais), a filha de Zulma com neto.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Crítica – The Old Guard


Análise Crítica – The Old Guard

Review Crítica – The Old Guard
Baseada em um quadrinho escrito pro Greg Rucka (que não li), The Old Guard é uma produção da Netflix que acompanha um grupo de guerreiros imortais. Liderados por Andy (Charlize Theron), eles passam os séculos combatendo injustiças e recrutando os novos imortais que surgem ao longo do tempo.

A trama se passa nos dias atuais quando Andy e seus aliados começam ter sonhos envolvendo uma jovem militar, Nile (Kiki Layne), o que indica que ela pode ser uma nova imortal e eles devem encontrá-la. Ao mesmo tempo, eles têm seu segredo descoberto por Copley (Chiwetel Ejiofor), um ex-agente da CIA a serviço da companhia farmacêutica liderada por Merrick (Harry Melling). Merrick quer o grupo de Andy como objeto de pesquisa, esperando que a partir deles consiga reproduzir o que os torna imortais.

A ideia de um grupo operando nas margens da história interferindo em segredo na humanidade é bem interessante, mas nunca é plenamente explorada pelo filme, soando como potencial desperdiçado. Há uma breve explicação de Copley de como as ações deles beneficiaram a humanidade e algumas piadas que Andy ou Booker (Matthias Schoenarts) fazem com nomes conhecidos da história, no entanto fica a impressão de que o filme explora pouco aquilo que tem de mais singular, que seria esse “efeito borboleta” causado pelos personagens.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Rapsódias Revisitadas – Sonata de Outono


Análise Crítica – Sonata de Outono

Review – Sonata de OutonoO cineasta Ingmar Bergman costuma investigar os medos, anseios e neuroses presentes na mente e na existência humana, como o relação com a morte em O Sétimo Selo (1957) ou a recuperação de traumas e identidade em Persona (1966). Neste Sonata de Outono Bergman mira seu olhar para as relações entre pais e filhos, na maneira como isso nos define, nos marca e, de certa forma, nos traumatiza.

Na trama, a pacata Ava (Liv Ullman) recebe a mãe, Charlotte (Ingrid Bergman), uma reconhecida pianista internacional, em sua casa. Ava anseia pelo afeto e aprovação da mãe, mas Charlotte continua a tratá-la com frieza e distanciamento. Aos poucos as tensões entre as duas vão crescendo até inevitavelmente explodirem.

O confronto é construído de maneira bem cuidadosa e inicialmente sutil. Quando Charlotte chega à casa de Ava o diálogo entre as duas parece ameno e cordial, mas o texto e a interpretação de Ullman e Bergman deixa algumas pistas dos problemas na relação de ambas. Um exemplo é quando Ava menciona para a mãe que Helena (Lena Nyman), sua irmã caçula e com problemas de saúde, está morando com ela. A surpresa de Charlotte soa estranha, afinal que mãe ficaria anos sem saber do paradeiro da filha deficiente? Além disso, mais que surpresa, Charlotte demonstra incômodo com a presença de Helena.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Drops – Desperados

Análise Crítica – Desperados

Review – DesperadosA trama desse Desperados é praticamente uma cópia de Caindo na Estrada (2000). Aqui, Wes (Nasim Pedrad) manda uma correspondência comprometedora para o novo namorado, Jared (Robbie Amell), que está hospitalizado. Para evitar que ele a leia, Wes empreende uma viagem com as amigas Brooke (Anna Camp) e Kaylie (Sarah Burns) para o México para apagar o e-mail antes que Jared o leia.

O problema nem é repetir a trama de outro filme, mas conduzir tudo de uma maneira extremamente previsível e não muito engraçada. É óbvio que Wes irá descobrir que o pretendente que ela conhece no hotel, Sean (Lamorne Morris), é mais adequado para ela do que Jared. É óbvio que Jared iria se revelar um babaca machista (a frase dele sobre a antiga ex ser louca é um indicativo claro).

Do mesmo modo, é óbvio que a protagonista irá aprender que anular a própria personalidade e se comportar de modo submisso só para arranjar homem não é saudável. Devo dizer que em pleno 2020 um filme tratar essa descoberta da personagem como um grande revelação e momento de clareza mental, como se estivesse nos ensinando algo inédito, soa antiquado e fora do tempo em que vivemos. Parece mais algo pensado para o fim dos anos 90.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Crítica – Ligue Djá: O Lendário Walter Mercado

Análise Crítica – Ligue Djá: O Lendário Walter Mercado

Review – Ligue Djá: O Lendário Walter Mercado
Lembro do vidente Walter Mercado aparecendo na televisão brasileira no final da década de 90 fazendo previsões astrológicas e dos comerciais de seu “disque-vidente”, mas, apesar de sua aparência excêntrica, nunca dei muita atenção a ele. Também nunca me chamou atenção o seu desaparecimento súbito das telas, parecia só mais uma tendência de entretenimento que tinha se esgotado. Pois o documentário Ligue Djá: O Lendário Walter Mercado chega para dar um outro entendimento à trajetória do vidente e como ele foi de um ator de telenovelas em canais hispanohablantes nos Estados Unidos até a fama internacional.

O documentário narra a vida do vidente, sua infância em Porto Rico e sua ascensão à fama. Há uma defesa para a relevância da figura de Mercado na televisão por questões de representatividade. Numa época em que poucos latinos chegavam ao mainstream das grandes emissoras dos Estados Unidos, ter esse guru latino respeitado por todos serviria como valorização da comunidade.

O filme também chama atenção para a sexualidade do vidente, que era constantemente alvo de piadas e imitações em programas de humor (como o personagem Walter Merdado na Praça é Nossa) que em geral o ridicularizavam pelo seu jeito andrógino e afeminado. Walter é elusivo em tratar a questão da sexualidade, precisando ser pressionado pelos entrevistadores (um dos poucos momentos em que o filme nos deixa ouvir as perguntas) até admitir ser virgem e se assumir como assexuado.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Crítica – Warrior Nun: 1ª Temporada


Análise Crítica – Warrior Nun: 1ª Temporada

Review – Warrior Nun: 1ª TemporadaO título Warrior Nun faz uma promessa muito clara ao seu espectador: freiras guerreiras armadas até os dentes enfiando a porrada em demônios do inferno. É tudo que eu esperava da série, uma adaptação do quadrinho de mesmo nome de Bem Dunn (que não li), e em geral ela cumpre o que promete, ainda que tenha alguns problemas.

A narrativa é protagonizada por Ava (Alba Baptista), uma órfã tetraplégica recém-falecida que acidentalmente tem implantado no seu corpo o artefato místico conhecido como Halo. Uma aureola de anjo passada por gerações por uma ordem secreta da Igreja Católica que treina freiras para combaterem demônios que tentam invadir o nosso mundo. Ressuscitada pelo poder do Halo, Ava agora precisa se tornar a nova Irmã Guerreira.

O percurso de Ava é uma típica jornada de herói, mas o texto ao menos consegue dar a ela alguma personalidade e motivações compreensíveis. A atriz portuguesa Alba Baptista convence do deslumbramento inicial da personagem em conseguir voltar a se mover e seu desejo de ter uma vida normal, dando a Ava energia e senso de humor que nos faz conectar com a protagonista. A série abraça a natureza pulp de sua premissa e nunca cai na besteira de se levar mais a sério do que deveria.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Crítica – Sombras da Vida


Análise Crítica – Sombras da Vida

Review Crítica – Sombras da VidaEste Sombras da Vida é basicamente uma história de fantasma contada do ponto de vista do próprio fantasma ao invés daqueles assombrados por ele. É menos uma história de terror ou mistério e mais um drama existencial que tenta entender o que é ser um fantasma.

A trama segue o casal interpretado por C (Casey Affleck) e M (Rooney Mara). Quando C morre em um acidente de carro, ele volta para sua casa como um fantasma, daqueles com um lençol branco na cabeça, para observar o luto da esposa. A existência do fantasma se estende ao longo dos anos e ele continua a habitar a casa mesmo depois da esposa ter se mudado do imóvel.

É um filme com poucos diálogos, que se constrói muito a partir das imagens para nos dar a dimensão do isolamento e solidão de seus personagens, seja a esposa enlutada interpretada por Rooney Mara, seja no fantasma que vaga pelas eras. O som é um elemento que ajuda a destacar a solidão e o isolamento dos personagens, seja pelos ruídos ambientes com insetos ou vento que explicitam o vazio daquele lugar, seja pelo uso de efeitos sonoros em volume considerável para mostrar as quebras nesse silêncio.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Lixo Extraordinário – Reféns



Análise Crítica – Reféns

Review – Reféns
Lançado em 2011, este Reféns é mais um filme de suspense sobre invasão domiciliar na qual uma família de classe alta tem sua residência invadida por bandidos cruéis atrás de seus bens, sendo agredida e torturada pelos criminosos. Parecia ser um filme bem clichê e, na verdade, é bem clichê, mas o problema é que sequer consegue fazer isso direito.

A narrativa é centrada na família de Kyle (Nicolas Cage). Um dia a casa dele é invadida por um quarteto de ladrões que querem o dinheiro vivo e as joias que ele e a esposa, Sarah (Nicole Kidman), guardam na casa. Com medo que os ladrões os matem quando conseguirem o que querem, Kyle se recusa a abrir o cofre, ao mesmo tempo que teme que a filha, Avery (Liana Liberato), chegue em casa e seja também feita de refém.

A primeira coisa que salta aos olhos é como todos os personagens do filme, sem qualquer exceção, são incrivelmente burros. Os ladrões usam os nomes reais, mostram o rosto para as vítimas e só lembram de amarrar os reféns depois do filme já ter passado da metade. Já os reféns também são idiotas ao extremo. Quando Avery volta para casa e percebe os ladrões, ao invés de tentar sair pela janela do quarto por onde entrou ela desce e tenta sair pela frente, o que obviamente a faz ser pega.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Crítica – Feel the Beat

Análise Crítica – Feel the Beat

Review – Feel the Beat
Feel the Beat, produção original da Netflix, tem uma trama bem presa a lugares-comuns. Apresenta uma narrativa sobre uma jovem que perde sua grande chance na Broadway e acaba voltando para sua cidade natal no interior e precisa reconstruir a vida. Já vimos inúmeros filmes com premissas parecidas e Feel the Beat não sai muito do traçado desse tipo de filme.

Na trama, April (Sofia Carson) é uma jovem dançarina com aspirações de fazer sucesso na Broadway. Depois de um mal entendido com uma poderosa diretora, April vê sua carreira acabar praticamente antes de começar. Sem chances, ela retorna a sua cidade natal. Uma chance de retornar à dança aparece quando sua antiga professora de dança, Barb (Donna Lynn Champlin, a Paula de Crazy Ex-Girlfriend), que a chama para ajudar o estúdio de dança em uma competição nacional. Assim, April tentará usar a competição para ganhar notoriedade e retornar a Broadway, mas as desajustadas alunas de Barb podem dar mais trabalho do ela esperava.

É claro que ao longo da competição ela irá aprender com as alunas a ser mais humilde e as alunas aprenderam a importância da dança. É evidente que terão uma escola rival composta por esnobes com técnica impecável, mas sem o coração das alunas desajustadas de April. É lógico que no clímax April terá que escolher entre o sucesso na Broadway que tanto almeja e a lealdade a suas alunas. É tudo extremamente previsível, mas, ainda assim, o filme consegue envolver graças ao carisma do elenco.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Drops – 7500



Filmes que acontecem em um único espaço e com poucos personagens precisam encontrar meios de fazer a trama render com o número limitado de sets e personagens que tem em mãos. Esse 7500, produção da Amazon Prime estrelada por Joseph Gordon-Levitt quase consegue, mas tem dificuldades com o final.


Na trama, Levitt é Tobias, co-piloto de um voo saindo de Berlim com destino a Paris. Quando terroristas tentam invadir a cabine do avião e o piloto é gravemente ferido, cabe a Tobias fazer um pouso de emergência em segurança enquanto o resto dos terroristas tenta invadir sua cabine.

O filme trabalha a tensão aos poucos, começando com uma sensação de normalidade, passando por uma impressão de que algo está estranho até finalmente tudo explodir em uma situação de perigo constante. O som é um elemento fundamental para a construção da tensão aqui, já que o barulho das incessantes pancadas dos terroristas tentando invadir porta da cabine serve como um constante lembrete do perigo que todos correm ali.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Control e a construção de atmosfera em games



Desenvolvido pela Remedy, os mesmos criadores de Alan Wake e Quantum Break, Control foi lançado em agosto de 2019, mas só agora eu consegui jogá-lo e fiquei impressionado pelo como o game consegue criar uma atmosfera singular de estranheza e mistério. Na trama do jogo, a protagonista Jesse está em busca do irmão que foi levado por agentes do governo quando eram crianças. A busca leva Jesse ao prédio do misterioso Departamento Federal de Controle, uma espécie de departamento secreto voltado para pesquisar e defender a população de ameaças paranormais.

Ao chegar no prédio sede do departamento, Jesse descobre que o lugar foi invadido por uma força sobrenatural chamada de Ruído. O prédio é também uma locação mística, conhecido como A Casa Antiga, e por conta da invasão se fechou do mundo exterior. Agora Jesse precisa enfrentar a ameaça se quiser descobrir o que aconteceu com o irmão.

A narrativa trabalha para deixar o jogador imerso em um universo no qual o sobrenatural está sempre presente, mas nunca é plenamente compreendido e guarda em si todo tipo de ameaça inimaginável. Na mitologia do jogo objetos comuns como geladeiras e televisores podem ser imbuídos de força sobrenatural ou possuídos por entidades e causar enorme estrago ao mundo humano.

Control brutalist architecture
A arquitetura brutalista de Control
A sensação de estranheza vem muito do design dos espaços, já que tudo é feito seguindo uma arquitetura brutalista. É um movimento arquitetônico das décadas de 50 e 60 e privilegiava de maneira radical o que eles chamavam de “verdade estrutural” das edificações. Ou seja, era uma arquitetura que trabalhava para expor e nunca esconder seus elementos estruturais, deixando o concreto, a madeira ou o metal completamente expostos e com um mínimo de ornamentação.

No jogo, os corredores, paredes e espaços de concreto ou metal cru ajudam a construir a impressão de espaços estéreis, desolados, desprovidos de humanidade. A esterilidade também é fruto de escolhas na paleta de cores, que pende para tons frios, em baixa saturação. As superfícies angulosas, com poucas curvas e linhas retas dão a impressão de algo mecânico, não natural. Sem janelas ou qualquer meio de ver o mundo fora da Casa Antiga, os espaços são fechados, claustrofóbicos, opressivos. Parece um simulacro de nosso mundo, algo que remete a ele, mas, ao mesmo tempo é externo a ele. Essas escolhas de direção de arte operam justamente para transmitir esse desconforto e estranheza.

A maneira como a história é contada também contribui para esse universo enigmático, no qual nada é plenamente desvendado ou compreendido. Sabemos que o Ruído é uma entidade sobrenatural hostil e alguns documentos encontrados ao longo do jogo fornecem alguma explicação sobre o passado do departamento, o funcionamento de objetos de poder ou do plano astral, mas nada é plenamente explicado, o que ajuda a vermos essas entidades como forças de uma dimensão desconhecida e além de nossa compreensão. O fato do estranho zelador, Ahti, ser capaz de transitar por aparentemente qualquer lugar da Casa Antiga, por exemplo, nunca é explicado. A quantidade de informação que recebemos é suficiente para que os elementos do universo não soem vagos ou frouxos, mas não o bastante para acabar completamente com a aura de mistério que cerca tudo aquilo.
Contro the hiss
O líquido vermelho que simboliza a interferência do Ruído

Certas opções estéticas contribuem para denotar o quanto essas forças sobrenaturais afetam a mente de Jesse. É comum ao longo da história o uso de jump cuts (cortes abruptos na imagem) para a inserção de planos rápidos com os rostos de alguns personagens, imagens de um líquido vermelho inundando a tela, como que para denotar o Ruído corrompendo o pensamento de Jesse, ou imagens de uma pirâmide preta invertida que se comunica com Jesse.

Outra escolha importante é a de inserir cenas e vídeos com atores reais. Ao longo da trama, Jesse encontra vídeos do setor de pesquisa do departamento ou tem visões com o antigo diretor do DFC. Essas cenas são performadas por atores reais, de carne e osso, não por modelos digitais. A disjunção entre real e digital habitando o mesmo universo e o fato dos personagens não perceberem a diferença do regime de registro contribui para o sentimento de que estamos em um lugar em que realidades, dimensões e universos colidem. Isso fica evidente também em algumas cenas perto do final no qual Jesse varia brevemente entre seu modelo digital e a atriz real (Courtney Hope) na qual a aparência e voz da personagem se baseiam.

Control the board quotes
As falas do Conselho
A maneira como o jogo apresenta alguns diálogos é outro fator que contribui para o senso de estranhamento e incompreensão. Nas conversas com a entidade conhecida como “O Conselho” (a pirâmide invertida que aparece nas visões da personagem), as falas desse ser são transmitidas em ruídos ininteligíveis. Só é possível compreender o que está sendo dito por conta das legendas, mas essas legendas apresentam várias palavras entre barras, como se não houvesse uma tradução exata para a fala da entidade e as legendas estivessem tentando aproximar esse discurso da nossa linguagem a partir de múltiplos sinônimos, embora também os termos entre barras ocasionalmente apareçam como contraditórios entre si.

As falas do Conselho são tipo: “Você/Nós empunha a arma/você”. E essa imprecisão de termos ou do que exatamente ele está querendo dizer para Jesse ajuda a vermos esse “personagem” (por falta de uma designação melhor) como uma entidade localizada em um plano de existência tão distante do nosso que é impossível compreendê-la plenamente. As escolhas estéticas que estruturam a linguagem de sua fala são feitas justamente para exibir essa dificuldade de compreensão.

Com todos esses elementos, Control consegue deixar o espectador imerso em seu estranho e enigmático. De algum modo, o jogo e a maneira como a história é conduzida me lembraram bastante os trabalhos do diretor David Lynch, em especial Twin Peaks. Control é um ótimo exemplo de como estética e construção de atmosfera são capazes de criar uma experiência bem singular.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Rapsódias Revisitadas – Miss Tacuarembó


Resenha Crítica – Miss Tacuarembó

Review – Miss TacuarembóLançado em 2010, o filme uruguaio Miss Tacuarembó parece aquele musical bem tradicional sobre uma mocinha sonhadora em busca do sonho de ser cantora. De certa forma é isso, mas, ao mesmo tempo, o modo relativamente autoconsciente com o qual conta essa história acaba fazendo dele algo mais que isso.

Na trama, a jovem Natalia Cristal (Natalia Oreiro) sempre sonhou em ser uma cantora de sucesso, desde sua infância na pequena cidade de Tacuerembó até quando se mudou para a Argentina. Ela acredita ter conseguido sua chance quando é chamada para participar do reality show “Tudo por um Sonho”, mas na verdade isso é um pretexto da produção para promover um encontro entre ela e sua mãe adotiva, Haydeé (Mirela Pascual), a quem Natalia não vê há anos.

A história é contada sob o enquadramento do reality show, com Natalia e Haydeé contando a história delas para a excêntrica apresentadora do programa, Patricia (Rossy de Palma). As idas ao passado curiosamente tem a fotografia carregada em tons de sépia, conferindo as imagens um aspecto de foto antiga, desgastada, denotando que estamos diante de uma memória.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Crítica – Pequenos Incêndios Por Toda Parte


Análise Crítica – Pequenos Incêndios Por Toda Parte

Review – Pequenos Incêndios Por Toda Parte
Em seu primeiro episódio, a minissérie Pequenos Incêndios Por Toda Parte, adaptação do romance de mesmo nome de Celeste Ng, parece ser mais uma daquelas narrativas do “salvador branco”, aquela em que uma pessoa branca privilegiada ajuda uma pessoa negra que aparentemente é incapaz de ajudar a si mesma juntas as duas aprendem valiosas lições uma com a outra. A indústria hollywoodiana adora esse tipo de história, muitas vezes premiando esses filmes que colocam pessoas negras como figuras passivas que precisam de um branco para lutarem pelo que querem, já vimos isso em Um Sonho Possível (2009) ou em Green Book (2019) e essa minissérie parecia ser mais um exemplar desse clichê anacrônico. O texto a seguir contem SPOILERS para a série.

Digo “parecia” porque, na verdade, ela é qualquer coisa menos isso. A trama usa esse premissa batida para virá-la ao avesso, para mostrar que a “salvadora branca” não é a heroína da história, mas a vilã. Que esse tropos não é progressista, mas uma força de manutenção do status quo, feito para que tudo continue igual, expiando a culpa de uma elite branca pelas desigualdades, mas sem promover uma transformação real, mantendo as minorias no lugar que as elites reservaram a elas.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Drops - Sócias em Guerra


Análise Crítica - Sócias em Guerra

Review - Sócias em GuerraContando com nomes como Tiffany Haddish e Salma Hayek, esperava que esse Sócias em Guerra fosse ao menos divertido, mas o que encontrei foi um produto vazio, que raramente faz rir. Na trama, Mia (Tiffany Haddish) e Mel (Rose Byrne) são amigas de infância que juntas abriram uma empresa de cosméticos. Quando a empresa está com problemas financeiros, elas recebem uma oferta da megaempresária Claire Luna (Salma Hayek) para adquirir parte da empresa delas. No processo de aquisição Claire começa a jogar uma sócia contra a outra, colocando em risco a amizade das duas.

Haddish e Byrne conseguem convencer como duas pessoas que se conhecem a vida inteira, mas o roteiro muitas vezes pesa tanto a mão na imaturidade e estupidez das duas que é difícil se importar com elas. Isso fica evidente em situações cômicas sem sentido, como quando elas tentam roubar um drone no escritório de Claire. Elas estavam prestes a se encontrar com uma pessoa que poderia salvar o negócio delas e a primeira coisa que tentam fazer enquanto esperam para entrar na reunião é roubar algo que nem precisam? Qual o motivo disso?