quinta-feira, 20 de abril de 2017

Crítica - Paixão Obsessiva

Análise Paixão Obsessiva


Review Paixão Obsessiva
O título original deste Paixão Obsessiva é Unforgettable, que em inglês significa inesquecível. A titulação original acaba soando como um grande paradoxo, já que é provavelmente um dos filmes mais esquecíveis que vi esse ano. Um suspense genérico que poderia tranquilamente ter sido dançado diretamente em vídeo ou no Supercine da Globo.
                  
A trama é centrada em Julia (Rosario Dawson), que se afastou do trabalho para casar com David (Geoff Stults). Tess (Katherine Heigl), ex-mulher de David e mãe de sua filha, não vê a união com bons olhos e tem dificuldade em aceitar o término do relacionamento. Aos poucos ela começa a impor sua presença e criar problemas para o casal.

É aquele suspense padrão de "mulher rejeitada que tenta tornar a vida do ex um inferno", mas contado sem qualquer sutileza e muitos furos na trama. Já em sua primeira cena, mostrada se maquiando em sua casa, o filme já deixa claro que Tess é uma psicótica obsessiva e assim não há tensão ou incerteza em relação ao que ela irá fazer porque seu desequilíbrio já fica escancarado para o público. O suspense também é prejudicado por começar com um flashfoward de Julia numa delegacia, acusada de um crime que não cometeu, o que já entrega o plano da vilã. Assim, quando o filme nos mostra, através do uso de câmera em primeira pessoa, Tess invadindo a casa de Julia sabemos não só o que ela vai fazer (roubar seus objetos pessoais), como também já sabemos que ela será bem sucedida e que nesse momento não fará nada com Julia. Deste modo, o que deveria ser uma cena de tensão, perigo e incerteza é reduzida a um mero exercício de paciência conforme esperamos que a narrativa alcance as informações que já tinha previamente nos dado sobre o andamento da trama.

A falta de tensão tenta ser suplantada com alguns sustos súbitos e gratuitos de Julia imaginando a presença de um ex-namorado abusivo, mas é tão forçado que se torna mais risível do que assustador. Esse excesso também é sentido na música, demasiadamente intrusiva e grave, usada até mesmo em cenas que nada realmente tenso acontece, como o momento em que nos mostra Tess andando a cavalo. Além disso, o filme apresenta uma série de soluções ou reviravoltas difíceis de aceitar, como o fato de alguém deixar uma BMW estacionada na rua com os vidros abertos (em especial o do carona, já que o sujeito dirigiu sozinho para o trabalho), ou o modo como a polícia parece tratar Julia de modo incompreensivelmente hostil quando o corpo de seu ex é encontrado em sua casa. Afinal, por mais que os detetives creiam piamente que ela o matou, tanto a cena do crime quanto a própria Júlia tem marcas suficientes de violência em seu corpo que são mais coerentes com uma atitude de autodefesa do que um assassinato frio e calculado.

A atriz Katherine Heigl confunde exagero com intensidade e pesa tanto a mão nos maneirismos obsessivos de Tess que ela se torna uma caricatura patética ao invés de alguém que evoque força ou ameaça. O filme tenta explicar o comportamento dela a mostrar sua relação com a mãe, mas é tão igualmente exacerbada que ao invés de dar profundidade a Tess, apenas a direciona ainda mais para o caricatural.  Como Heigl falha em convencer da periculosidade de sua personagem e o texto não consegue criar situações eficientes de tensão. Não resta muito o que aproveitar em um suspense que não evoca medo, tensão, incerteza e não nos deixa em suspense. Incomoda também que as três personagens femininas de destaque (Julia, Tess e a mãe de Tess) sejam todas retratadas como instáveis, problemáticas e marcadas por traumas ou excessos, reforçando o clichê machista de que toda mulher é uma doida em potencial.

Paixão Obsessiva acaba se revelando uma versão piorada e tola de Atração Fatal (1987), prejudicada por um texto previsível e problemático e uma vilã que não convence. É daqueles que começa a sumir da memória assim que saímos do cinema.


Nota: 3/10

Trailer


Um comentário:

Eleonora Gonçalves disse...

Sinto que história é boa, mas o que realmente faz a diferença é a participação de Katherine Heigl e Rosario Dwason filme, já que pela grande experiência que eles têm no meio da atuação fazem com que os seus trabalhos sejam impecáveis e sempre conseguem transmitir todas as suas emoções, inclusive aqui: Paixão Obsessiva vão passar na TV, por se acaso você não tenha visto, essa será uma excelente oportunidade e garanto que você não irá se arrepender.