terça-feira, 7 de agosto de 2018

Crítica - Acrimônia


Análise Crítica - Acrimônia


Review - Acrimony
Acrimônia parecia mais um daqueles clones sem imaginação de Atração Fatal (1987), tal como o recente Paixão Obsessiva (2017), que serão reprisados exaustivamente pelo Super Cine da Globo e, bem, é exatamente isso. O problema nem é a natureza derivativa, mas o fato dele se arrastar por quase noventa minutos até que a trama finalmente comece a avançar em alguma direção.

A narrativa é centrada em Melinda (Taraji P. Henson) que na juventude se apaixona por Robert (Lyriq Bent) e se casa com ele à despeito das irmãs dela avisarem que Robert é um aproveitador mulherengo que só quer o dinheiro que Melinda herdou da mãe. Durante anos Melinda tem que trabalhar sozinha para sustentar a casa enquanto o marido apenas torra dinheiro tentando criar um novo tipo de bateria eólica. Quando Melinda perde a casa por conta dos investimentos ruins do marido, ela finalmente resolve pedir o divórcio, mas coincidentemente Robert finalmente consegue vender sua invenção para uma grande empresa, despertando uma fúria vingativa em Melinda, que o processa pela fortuna que obteve às custas dela.

Essa breve sinopse parece relativamente funcional e sem grandes problemas, delineando a premissa e o conflito principal que se apresenta no que deveria ser o começo da trama. O problema é que essa sinopse não diz respeito aos primeiros minutos ou ao terço inicial, mas há quase 80% da duração do filme, já que é que somente nos últimos vinte e poucos minutos que o conflito principal é estabelecido.

Até chegarmos nesses últimos vinte minutos o filme se arrasta no romance e na rotina inane de Melinda e Robert, com todas as cenas consistindo de Robert pedindo dinheiro para Melinda e posteriormente estragando tudo. Lá pela terceira vez que isso se repete já estamos de saco cheio de ambos. Imagino que a ideia era transmitir a rotina frustrante da protagonista para justificar o comportamento dela ao final, mas há um problema nisso: desde o início Melinda é estabelecida como uma mulher descontrolada e homicida, quase matando Robert (e se matando) ao tentar virar o trailer em que ele morava ao descobrir uma traição.

Assim, o filme já em seus primeiros minutos nos faz questionar: para quem exatamente deveríamos torcer nessa história? Em tese deveria ser Melinda, mas como de cara ela já é construída como uma sociopata, fica difícil aderir a ela e sendo Robert um escroque aproveitador e mentiroso, também não é possível ter qualquer simpatia por ele. Com um dois protagonistas desprovidos de alguma virtude, o filme não nos dá muitas razões para que nos importemos com qualquer coisa que acontece na tela.

Outro problema são as constantes narrações em off de Melinda que na maioria das vezes parecem mais um trabalho de audiodescrição, meramente explicando de maneira redundante aquilo que as imagens já nos mostra. As narrações ainda são pioradas pela entonação exagerada da atriz Taraji P. Henson que mais soa como uma daquelas pessoas que berra versículos da bíblia em pontos de ônibus.

Henson, aliás, atua de acordo com o que eu chamaria de “método Nicolas Cage”, indo do sussurro à histeria em questão dos segundos e se o filme tem algo minimamente divertido à oferecer são justamente os últimos vinte minutos com uma Henson barraqueira e surtada devorando o cenário como se a vida dela dependesse disso. É difícil não rir da montagem de Melinda transtornada “stalkeando” a noiva de Robert nas redes sociais e deixando comentários maldosos, da mesma forma como o vídeo que Melinda grava na saída do tribunal é algo digno de programas estilo “Casos de Família”.

Todo esse exagero culmina em um dos mais absurdos clímax da minha memória recente. O segmento no iate de Robert é tão exagerado, sem sentido e tosco que mais parece algo saído da mente Tommy Wiseau (responsável pelo infame The Room), mas ao mesmo tempo sua ruindade é o que acaba tornando o desfecho minimamente apreciável ao inseri-lo no domínio do humor involuntário.

Arrastado, com personagens desinteressantes e desprovido de tensão, Acrimônia só funciona quando investe no exagero e se torna engraçado por sua tosqueira. Poderia até ser um guilty pleasure bacana se abraçasse sua histeria desde o início, mas do jeito que está é só entediante.


Nota: 3/10

Trailer


Um comentário:

Karla Ramirez disse...

Adorei a história desse filme, Taraji P. Henson, é um homem muito carismático e profissional, se entrega a cada um dos seus projetos. Em Proud Mary filme fez uma atuação maravilhosa, se vocês ainda não viram, perssonalmente considero um dos melhores filmes suspense 2018. O filme tem uma grande historia e acho que o papel que ele interpreta caiu como uma luva, sem dúvida vou ver este filme novamente.