terça-feira, 31 de agosto de 2021

Crítica – Monster Hunter

 

Análise Crítica – Monster Hunter

Review - Monster Hunter
É impressionante como Monster Hunter pega um jogo de videogame sobre caçar monstros gigantes com armas absurdas e consegue tornar isso tão entediante. Muito vem das escolhas de tornar esse universo e personagens coadjuvantes em seu próprio filme, mas no cerne está um problema que tem sido comum em Hollywood nos últimos anos: o de que tudo precisa virar uma franquia com múltiplas continuações.

Por conta disso produzem algo cuja história não se desenvolve, o universo é frouxamente construído e há pouca ou nenhuma conclusão para trama, tudo pela promessa de que vão haver mais filmes. Isso deu problemas para Animais Fantásticos (a despeito da bilheteria razoável) e afundou Warcraft (2016) ou recente Mortal Kombat (2021) em um produtos que parecias um trailers estendidos sem unidade narrativa. O mesmo sentimento está presente aqui em Monster Hunter.

Na trama, a comandante Artemis (Milla Jovovich) e sua tropa são pegos em uma estranha tempestade durante uma missão e são transportados para um mundo repleto de monstros gigantes. Lá eles são auxiliados pelo Caçador (Tony Jaa) e precisam descobrir como voltar para o mundo deles.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Crítica – Val

 

Análise Crítica – Val

Review – Val
O ator Val Kilmer teve um grande momento de estrelato nos anos 80 e 90 protagonizando filmes como Top Gun (1986), Tombstone (1993) ou Batman Eternamente (1995), mas com o tempo ele começou a se afastar de grandes produções. Uma série de fracassos combinados com a fama de que ele era difícil de trabalhar foram colocando o ator longe de Hollywood. Quando ele parecia ensaiar um grande retorno descobriu um câncer de garganta que o deixou sem voz e limitou suas possibilidades de atuar. É uma trajetória complexa e que o próprio ator analisa com um corajoso desprendimento neste Val, documentário de cunho autobiográfico do ator.

A narrativa é relativamente linear acompanhando a história de Kilmer desde a infância em uma narração que é feita por um dos filhos do ator a partir de um texto escrito pelo próprio Val Kilmer. Em paralelo com essas rememorações, acompanhamos o cotidiano presente do ator, conforme ele faz turnês por eventos e convenções como sua principal fonte de renda.

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Rapsódias Revisitadas – Juízo

 

Análise Crítica – Juízo

Review – Juízo
A cineasta Maria Augusta Ramos já tinha retratado o funcionamento do sistema de justiça criminal brasileiro quando fez Justiça (2004). Três anos depois, em 2007, ela retornou ao judiciário brasileiro em Juízo, desta vez explorando como o sistema lida com os menores infratores. Assim como em seu trabalho anterior, e também em produtos posteriores como Morro dos Prazeres (2013), a diretora segue com uma abordagem de documentário observacional, acompanhando os eventos com o mínimo de intervenção possível enquanto registra o cotidiano das audiências desses menores no fórum e nas fundações de acolhimento.

Filmar eventos com menores infratores traz algumas limitações que a diretora precisa contornar. A maior delas é não poder mostrar os rostos nem qualquer elemento que revele as identidades desses jovens. Por conta disso, quando mostra as audiências, sempre que precisa cortar para a fala dos jovens, ela recorre a reconstituições. Todo o resto da audiência como as juízas, pais, defensores e advogados são os sujeitos reais filmados no momento em que esses procedimentos aconteciam, mas os jovens que vemos nas cenas são atores que pertencem as comunidades nas quais os infratores reais viviam e encenam as falas dadas pelos sujeitos reais.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Crítica – Marvel’s Avengers: War For Wakanda

 

Análise Crítica – Marvel’s Avengers: War For Wakanda

Review – Marvel’s Avengers: War For Wakanda
Não dá para dizer que Marvel’s Avengers teve um lançamento suave. Embora apresentasse uma ótima campanha single player, o jogo se perdia em um componente online com pouco conteúdo, missões repetitivas e um sistema de progressão de equipamentos entediante. As primeiras expansões envolvendo Kate Bishop e o Gavião Arqueiro davam mais personagens e boas histórias, mas traziam pouca variedade em termos de novos inimigos e mecânicas. Nesse sentido, War For Wakanda, a maior das três expansões até aqui, representa um passo na direção certa, oferecendo novos inimigos, mecânicas e ambientes.

A trama começa quando T’Challa detecta a invasão de Ulysses Klaue e seu grupo de mercenários a Wakanda. Klaue quer roubar o vibranium do país, mas os equipamentos dele causam instabilidade no minério o que cria vários problemas. O Pantera Negra parte para conter a invasão e logo recebe os demais Vingadores a Wakanda, que vieram pedir ajuda ao rei para lidar com os problemas de instabilidade do vibranium que afetam o mundo inteiro. Assim, os Vingadores auxiliam o Pantera a lidar com Klaue para recrutar a ajuda dele. O T’Challa encontrado aqui é diferente do jovem monarca dos filmes da Marvel, sendo um rei mais experiente e confiante que já ganhou o respeito de seu povo e se beneficiando da dublagem poderosa de Christopher Judge (que fez o Kratos no último God of War) que confere autoridade e imponência ao Pantera.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Crítica – Velozes & Furiosos 9

 

Análise Crítica – Velozes & Furiosos 9

Review – Velozes & Furiosos 9
A franquia Velozes & Furiosos já abraçou o absurdo faz tempo, mas mesmo numa série de filmes cujo maior compromisso é a ação exagerada é preciso estabelecer algum limite, caso contrário, mesmo no regime de absurdo, fica difícil embarcar no universo proposto pela narrativa. Velozes & Furiosos 9 sofre exatamente desse problema e nem me refiro à tão comentada cena em que eles usam um carro para ir para o espaço e sim algumas escolhas da narrativa e soam forçadas ao ponto em que deixamos de nos importar.

Na trama, Dom (Vin Diesel) e seus aliados recebem um chamado de socorro do Sr. Ninguém (Kurt Russell). De início Dom não quer se envolver, já que prefere viver em paz com Letty (Michelle Rodriguez) e o filho, mas tudo muda quando ele descobre que Jakob (John Cena), seu irmão mais novo de quem se afastou há anos, estava envolvido no ataque, Dom resolve sair da aposentadoria. A busca os leva a uma corrida para encontrar um dispositivo que poderia literalmente hackear qualquer aparelho do planeta e evitar que isso caia em mãos erradas.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Crítica – Space Jam: Um Novo Legado

 

Análise Crítica – Space Jam: Um Novo Legado

Review – Space Jam: Um Novo Legado
Vamos ser sinceros, Space Jam: O Jogo do Século (1996) não era exatamente nenhum primor. Era um produto feito para capitalizar em cima da popularidade do astro do basquete Michael Jordan e a ideia inicial vinha de um comercial que o atleta tinha feito com o Pernalonga. Ainda assim, o filme sabia utilizar o carisma e popularidade do astro, bem como o humor anárquico dos Looney Tunes, para criar uma aventura divertida. O mesmo não pode ser dito deste Space Jam: Um Novo Legado, que parece não ter entendido o que fez o original funcionar tão bem e se perde em uma publicidade corporativa cínica.

A trama é protagonizada pelo jogador de basquete LeBron James (interpretando a si mesmo). Quando LeBron e o filho Dom (Cedric Joe) são sugados para dentro do servidor da Warner Bros, LeBron é desafiado para um jogo de basquete pelo maligno Al G. Ritmo (Don Cheadle), o algoritmo que gerencia todo o universo Warner. Se LeBron perder, ele viverá para sempre nos servidores e Al poderá usá-lo como bem entender. Para ganhar, LeBron precisará da ajuda de Pernalonga para formar um time, mas Al consegue colocar o filho de LeBron contra ele, complicando as coisas.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Crítica – Homem Onça

 

Análise Crítica – Homem Onça

Review – Homem Onça
É curioso como as privatizações de empresas estatais são um assunto circular no Brasil. Sempre que chegamos a um momento econômico de estagnação ou não muito favorável que sempre voltamos à conversa de que é preciso enxugar o Estado para sermos mais competitivos, mas, na prática, vemos poucos benefícios. Basta ver todas as medidas de austeridade e venda desde o governo Temer e como nenhuma delas sequer chegou perto de cumprir o prometido de ampliar empregos ou a renda do trabalhador.

Nesse sentido, Homem Onça olha para o passado para falar do presente, mas faz isso sem precisar a recorrer a metáforas óbvias uma exposição artificial de como as coisas estão iguais. Ele faz isso simplesmente pela nossa capacidade de reconhecermos as similaridades entre os eventos que o filme retrata e aquilo que vemos nos dias atuais.

A narrativa se passa em 1997 e o diretor Vinícius Reis se baseou na experiência que viu o pai passar durante a privatização da Vale. O protagonista é Pedro (Chico Diaz) que trabalha na estatal fictícia Gasbras com projetos ligados a sustentabilidade. Como a empresa está passando por um processo de privatização, Pedro é cada vez mais pressionado a reduzir sua equipe e lida com ameaças constantes de demissão apesar de seus projetos serem reconhecidos e premiados internacionalmente. Para lidar com a pressão, ele resolve voltar a sua cidade natal para espairecer e lá descobre que uma onça da região, que Pedro acreditava ter sido morta quando ele era criança, pode estar muito bem viva.

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Rapsódias Revisitadas – Hedwig: Rock, Amor e Traição

 

Análise Crítica – Hedwig: Rock, Amor e Traição

Review Crítica – Hedwig: Rock, Amor e Traição
Quando foi lançado em 2001 Hedwig: Rock, Amor e Traição não foi exatamente um sucesso de público, mas com o passar do tempo foi ganhando seguidores e foi alçado ao status de cult, com fãs lotando sessões a meia-noite vestidos como os personagens. A popularidade da produção escrita, dirigida e estrelada por John Cameron Mitchell aumentou ainda mais graças à série Sex Education que tem um episódio da primeira temporada com os personagens indo para uma sessão do filme fantasiados como os personagens. A adoração ao filme não é sem motivos, já que ele conta com ótimas canções, personagens insólitos, senso de humor e um verdadeiro espírito punk.

A trama acompanha Hedwig (John Cameron Mitchell), cantora transgênero nascida na Alemanha Oriental e vocalista de uma banda de punk rock que está em turnê nos Estados Unidos. Em seus shows ela fala sobre sua trajetória e sobre o antigo amante que roubou suas músicas e agora faz sucesso como Tommy Gnosis (Michael Pitt).

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Crítica – Pray Away

 

Análise Crítica – Pray Away

Review – Pray Away
Já faz um tempo que se fala sobre o problema das chamadas “terapias de conversão” tratamentos fundamentados em um misto de religião e pseudociência que prometem mudar a sexualidade de uma pessoa para fazê-la se adequar a padrões heteronormativos. Em termos mais simples, é a chamada “cura gay”, sendo que ser gay sequer é considerado doença por entidades internacionais da área de saúde mental, então são métodos baseados em puro preconceito.

O documentário é centrado nos testemunhos de ex-lideranças da Exodus, uma das principais entidades que promoviam a terapia de conversão. Esses antigos líderes eram supostos “curados” que se tornaram porta-vozes da entidade, mas com o tempo viram que apenas estavam se submetendo (e submetendo outros) a tortura psicológica.

A narrativa faz um panorama histórico desses tipos de tratamento, mostrando como esses métodos iniciaram no final da década de 1970, surfando na onda de pânico que havia no período por conta do alastramento da AIDS. Aproveitando o medo de membros da comunidade LGBTQIA+ em se contaminarem com a doença, alguns grupos religiosos começaram a “vender” tratamentos baseados em oração e estudos da bíblia que prometiam fazer as pessoas mudarem e muita gente, com medo da AIDS, embarcou. Com o tempo essas entidades ganharam força e poder político, inclusive junto a legisladores e passaram a fazer lobby para bloquear leis de direitos civis para a população LGBTQIA+.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Crítica – The White Lotus

 

Análise Crítica – The White Lotus

Parte história criminal, parte sátira social, o que mais atrai na série The White Lotus é o senso de humor ácido com o qual o roteirista e diretor Mike White observa as tensões de classe social que emergem em um resort de luxo no Havaí. Filmado em 2020 durante a pandemia, o elenco e equipe ficaram isolados no hotel que serviu de locação para a trama (que estava fechado e sem hóspedes por conta da pandemia) e assim foi possível fazer tudo com alguma segurança.

A trama segue um grupo de hóspedes de classe alta em um resort luxuoso no Havaí e as tensões que emergem entre eles e principalmente das interações entre hóspedes e funcionários do local. O casal em lua de mel Shane (Jake Lacy) e Rachel (Alexandra Daddario) não recebe a suíte que reservaram e Shane começa a atormentar o gerente do hotel, Armond (Murray Bartlett). A ricaça Tanya (Jennifer Coolidge) chega à ilha marcada pelo luto e disposta a despejar as cinzas da mãe no oceano, mas se apega aos conselhos e tratamentos de Belinda (Natasha Rothwell), dedicada massoterapeuta do hotel. Ao mesmo tempo, Armand tem que lidar com os caprichos de outros hóspedes ricos, o que coloca a estabilidade emocional e mental do gerente em xeque.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Crítica – Aqueles Que Me Desejam a Morte

 Análise Crítica – Aqueles Que Me Desejam a Morte


Review – Aqueles Que Me Desejam a Morte
O diretor Taylor Sheridan tem uma propensão para falar sobre personagens em situações limite em ambientes ermos. Em seu trabalho anterior como diretor, Terra Selvagem (2017), mostrava os ambientes gélidos do norte dos EUA em uma trama de investigação. Em A Qualquer Custo (2016), roteirizado por ele, acompanhávamos uma história nos desertos do oeste contemporâneo enquanto dois irmãos corriam para salvar uma propriedade da família. Neste Aqueles Que Me Desejam a Morte Sheridan olha para as florestas coníferas durante a temporada de incêndios florestais, mas, tal como acontecia nos dois filmes anteriormente citados, os seres humanos representam um perigo maior do que aqueles impostos pela natureza.

A trama acompanha o garoto Connor (Finn Little), que se embrenha em uma floresta depois que assassinos mataram seu pai. De posse das provas que o pai colheu contra uma organização criminosa, Connor encontra Hannah (Angelina Jolie), uma bombeira que está em uma torre de vigilância de plantão para o caso de incêndios florestais. Agora, Hannah vai ajudar o garoto a atravessar a floresta e entregar as provas à imprensa antes que os assassinos os alcancem.

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Crítica – A Barraca do Beijo 3

 

Análise Crítica – A Barraca do Beijo 3

Review – A Barraca do Beijo 3
Há uma cena em Billy Madison: O Herdeiro Bobalhão (1995) em que o diretor da escola, farto das baboseiras proferidas pelo protagonista, diz algo como: "Essa é uma das coisas mais insanamente idiotas que já ouvi. Em nenhum momento da sua fala incoerente e desconexa você esteve nem perto de algo que pudesse ser considerado um pensamento racional. Todos nesta sala agora estão mais burros por terem ouvido isso”. A frase pode servir como síntese para o horror que é a trilogia que se encerra neste A Barraca do Beijo 3, um produto tão atroz que considero ser uma punição divina para os males que a humanidade cometeu contra o planeta Terra.

A trama é mais uma vez centrada em Elle (Joey King) que (de novo) se vê no centro de uma disputa entre seu namorado Noah (Jacob Elordi) e Lee (Joel Courtney), irmão de Noah e melhor amigo de Elle. Acontece que Elle prometeu ir para a mesma faculdade que Lee, mas ela também foi aprovada pela mesma faculdade que Noah irá fazer, que é do outro lado do país. Agora ela precisa decidir para onde irá.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Crítica – Jogo do Poder

 

Análise Crítica – Jogo do Poder

Review – Jogo do Poder
Com um conjunto de filmes voltado para questões políticas e sociais, o diretor Costa-Gavras mira agora na crise financeira da Grécia no início da década de 2010 e como, em 2015, o governo de esquerda liderado por Yanis Varoufakis conseguiu resistir às duras imposições de medidas de austeridade impostas pela União Europeia. A narrativa é baseada em um livro escrito pelo próprio Varoufakis e acompanha Yanis (Christos Loulis) do momento em que ele é eleito até o fim das duras negociações com o grupo europeu.

Gavras mostra como as lideranças europeias, principalmente a Alemanha pressionava a Grécia em aceitar duras medidas de austeridade fiscal com plena ciência de isso prejudicaria a economia do país no longo prazo. Medidas que diminuiriam o PIB da Grécia e ampliariam o abismo entre a produção e a dívida, deixando o país na mão dos credores internacionais.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Crítica – Palavras que Borbulham Como Refrigerante

 

Análise Crítica – Palavras que Borbulham Como Refrigerante

Review – Palavras que Borbulham Como Refrigerante

Com uma excêntrica, ainda que formulaica trama de romance, este Palavras que Borbulham Como Refrigerante conquista por sua estética, especialmente o modo como usa cor, e a doçura com a qual conduz o relacionamento dos personagens. A trama é protagonizada por dois jovens introvertidos, Cerejinha é um garoto que constantemente usa fones de ouvido para se fechar do mundo e passa boa parte do tempo escrevendo haikus, já Sorrisinho é uma garota tímida que usa máscara para esconder o sorriso dentuço que tenta corrigir usando aparelho. Eles se encontram em um shopping e acidentalmente trocam o celular um do outro e acabam conversando para recuperar seus respectivos aparelhos, o que dá início a uma amizade que pode se tornar algo mais.

Narrativas românticas muitas vezes recorrem a uma estrutura de construção de oposições entre o casal protagonista, criando neles personalidades ou interesses opostos que servem para complementar os problemas ou falhas uns dos outros. Normalmente o enlace acontece justamente porque um tem o que o outro precisa para crescer enquanto pessoa, então é bem curioso que aqui a trama opte por dois personagens que sejam relativamente similares em seus problemas de introspecção.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Crítica – O Esquadrão Suicida

 

Análise Crítica – O Esquadrão Suicida

Review – O Esquadrão Suicida
Depois da decepção que foi Esquadrão Suicida (2016), a Warner tenta retornar ao grupo de supervilões da DC com o diretor James Gunn (de Guardiões da Galáxia) à frente da equipe neste O Esquadrão Suicida e o resultado é anos luz melhor. Gunn traz sua hábil mistura entre senso de humor absurdo e desenvolvimento de personagem que tinha funcionado tão bem para os heróis galácticos da Marvel.

Na trama, Amanda Waller (Viola Davis) coloca mais uma vez o major Rick Flag (Joel Kinnaman) para liderar um grupo de supervilões em uma missão secreta e arriscada. Dessa vez a equipe composta por Arlequina (Margot Robbie), Sanguinário (Idris Elba) e tantos outros é enviada à ilha nação de Corto Maltese para derrubar o novo regime ditatorial do país e destruir a misteriosa arma biológica desenvolvida por eles.

Os membros da equipe foram tirados do fundo do baú da DC, sendo compostos por personagens do quinto escalão com habilidades bizarras, ridículas e nem sempre úteis como a do TDK (Nathan Fillion). Seria fácil reduzir tudo a comédia dada a natureza intrinsecamente patética desses sujeitos, mas Gunn consegue injetar humanidade neles, transformando-os em figuras trágicas, devastadas por trauma, perda e solidão.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Crítica – Jungle Cruise

 Análise Crítica – Jungle Cruise


Review – Jungle Cruise
Mesmo depois do fracasso de Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível (2015), a Disney continua a tentar reproduzir o sucesso da franquia Piratas do Caribe fazendo outros filmes baseados nas atrações de seus parques, desta vez se baseando em Jungle Cruise. Aqui eles seguem mais próximos o modelo dos piratas, com uma aventura com cara de matinê de antigamente, ameaças sobrenaturais e artefatos místicos.

A trama se passa durante a Primeira Guerra Mundial, com a britânica Lily (Emily Blunt) decidindo partir em uma expedição para a Amazônia na esperança de encontrar uma lendária árvore cujas pétalas curam qualquer coisa. Chegando na cidade de Porto Velho ela contrata o barqueiro Frank (Dwayne “The Rock” Johnson) para levá-la através do rio. Ela, no entanto, não está sozinha na busca, já que o príncipe alemão Joachim (Jesse Plemons) também está atrás da árvore para usar seu poder como vantagem na guerra e também o espírito do colonizador Aguirre (Edgar Ramirez) busca os segredos da floresta.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Drops – A Última Carta de Amor

 

Análise Crítica – A Última Carta de Amor

Baseado em um livro de Jojo Moyes, autora de Como Eu Era Antes de Você, este A Última Carta de Amor tem uma premissa bem similar ao de Cartas Para Julieta (2010), com uma protagonista que encontra uma antiga carta de amor, tenta descobrir o que aconteceu e reúne os antigos amantes. O problema é que não faz muito além de reproduzir o que já é familiar.

A trama é focada na jornalista Ellie (Felicity Jones) que descobre uma carta de amor perdida nos arquivos da publicação na qual trabalha. A carta detalha um romance extraconjugal entre Jennifer (Shailene Woodley) e Anthony (Callum Turner). Envolvida pela história, Ellie decide descobrir o que aconteceu com os dois, contando com a ajuda do arquivista Rory (Nabhaan Rizwan).

Tudo segue os elementos esperados desse tipo de história, com múltiplos desencontros e eventos fortuitos impedindo que Jennifer vá ao encontro de Anthony. Do mesmo modo, é evidente desde o início que Ellie e Rory irão se apaixonar e que a busca pelas cartas irá servir de aprendizado para que a jornalista se abra ao amor e não seja tão resguardada.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Crítica – Loucos Por Justiça

 

Análise Crítica – Loucos Por Justiça

Review – Loucos Por Justiça
Inicialmente a produção dinamarquesa Loucos Por Justiça parece um daqueles típicos filmes de vingança em que um militar linha dura sai em uma onda homicida violenta para punir os responsáveis pela morte de um ente querido. Aos poucos, no entanto, ele revela outras camadas que o tornam mais interessante do que a premissa inicial sugere e isso faz valer a experiência.

A trama é protagonizada por Markus (Mads Mikkelsen) um militar que volta para casa depois que a esposa morre no que parece ter sido um acidente de trem. Ele tenta lidar com a perda e consolar a filha até que é visitado por Otto (Nikolaj Lie Kaas) um cientista que estava no mesmo vagão de trem e cedeu o assento para a esposa de Markus, sendo essa a razão de Otto ter sobrevivido e Markus ter enviuvado. Criador de uma IA preditiva, Otto analisa os dados do ocorrido e diz que é praticamente impossível que tenha sido um acidente e que tudo foi causado para matar um ex-membro de gangue que estava prestes a testemunhar contra os comparsas e líderes da organização. Assim, Markus usa os dados de Otto para caçar um por um os membros da gangue de motoqueiros Riders for Justice.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Crítica – Blindspot (Ponto Cego): 5ª Temporada

 

Análise Crítica – Blindspot (Ponto Cego): 5ª Temporada

Review – Blindspot: 5ª Temporada
Quando escrevi sobre a quarta temporada de Blindspot (Ponto Cego na tradução brasileira) mencionei como ela conseguia reinventar a série depois da péssima terceira temporada. O final do ano anterior deixava um grande gancho e este quinto e último ano da série consegue dar um final digno ainda que tenha sua parcela de problemas. Aviso que o texto pode conter SPOILERS da temporada.

A narrativa continua no ponto em que a anterior. Depois de serem considerados fugitivos e terem o esconderijo atacado por drone, o time de Jane (Jaimie Alexander) se separa e se espalha pelo mundo. Meses depois, um atendado em Times Square queima nos prédios uma imagem semelhante a uma das tatuagens de Jane. Imaginando que isso é, de alguma forma, um recado para eles, Jane e os demais se reúnem em um bunker subterrâneo na cidade de Praga para decifrar a pista e entender como isso pode ajudá-los a derrubar a poderosa Madeline (Mary Elizabeth Mastrantonio).

O número menor de episódios (apenas 11) beneficia a série eliminando a necessidade de filler e permitindo que foque na construção da trama principal. Mais do que em qualquer outro ano, isso ajuda na construção do suspense e no senso de perigo que circula os protagonistas. Afinal, se eles ficassem o tempo todo desviando da missão principal para fazer outras coisas, isso diluiria a sensação de que eles são fugitivos internacionais constantemente caçados pelas autoridades.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Drops – Jolt: Fúria Fatal

Análise Critica – Jolt: Fúria Fatal


Review – Jolt: Fúria Fatal
Com uma trama de vingança bem básica, esse Jolt: Fúria Fatal tenta se diferenciar um pouco dessa premissa típica de ação em sua protagonista. Lindy (Kate Beckinsale) tem um distúrbio que a faz ter acessos agressivos de raiva e para manter o problema sob controle ela usa um colete que lhe dá choques elétricos para impedi-la de surtar. Os problemas de raiva parecem estar chegando ao fim quando ela conhece o pacato contador Justin (Jai Courtney) e se apaixona por ele. Quando Justin é subitamente morto, Lindy decide se vingar.

Isso deveria dar início a uma louca onda homicida que deveria, ao menos, ser divertida, mas falta ritmo à progressão da trama e criatividade nas cenas de ação. A narrativa parece andar em círculos, com ela indo e voltando aos mesmos lugares, fluindo mais lentamente do que se esperaria de uma vingança furiosa. Já a ação nunca consegue convocar toda a brutalidade que os diálogos dizem que a personagem ou mesmo o exagero de suas supostas habilidades. Aqui e ali ela espanca alguns grupos de bandidos, mas nada que chegue remotamente perto de filmes de ação recentes como Atômica (2017) ou a franquia John Wick.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Crítica – The Flight Attendant

 

Análise Crítica – The Flight Attendant

Review – The Flight Attendant
Baseada em um romance escrito por Christopher Bohjalian, a minissérie The Flight Attendant flerta a todo tempo com um clima de filme B, de romance barato de banca de revista. Aquele tipo de livro cheio de reviravoltas mirabolantes, que te prende para saber o que acontece depois, mas assim que terminamos de ler esquecemos completamente porque é um produto feito apenas para ser um passatempo, sem muita substância em seus personagens ou algo a dizer sobre qualquer temática. A minissérie tenta brincar com as convenções desse tipo de história e funciona justamente pela autoconsciência sobre os formatos que reproduz.

A trama é protagonizada por Cassie (Kaley Cuoco, a Penny de The Big Bang Theory), uma comissária de bordo com problemas de alcoolismo. Em um voo para a Tailândia, Cassie começa a flertar com um passageiro da primeira classe, o bonitão Alex (Michiel Huisman), e acaba passando a noite com ele depois que o avião chega ao seu destino. Quando Cassie acorda, no entanto, descobre Alex morto ao lado dela na cama e agora é a principal suspeita do crime. Agora ela precisa desvendar o mistério da morte de Alex para não ser presa por um crime que não cometeu.