quinta-feira, 30 de abril de 2020

Drops – DBZ Kakarot: Um Novo Poder Desperta Parte 1

Review Drops – DBZ Kakarot: Um Novo Poder Desperta Parte 1


Quando escrevi sobre o game Dragon Ball Z Kakarot mencionei como ele conseguia recriar a trama do anime em toda sua grandiosidade e emoção. Ao saber que haveriam expansões fiquei empolgado de ver outros momentos trazidos para o jogo, fossem ele dos filmes ou de Dragon Ball Super. Pois eis que chega o primeiro DLC, Um Novo Poder Desperta Parte 1 e o resultado é decepcionante.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Crítica – Blindspot: 4ª Temporada

Resenha Crítica – Blindspot: 4ª Temporada

Análise Crítica – Blindspot: 4ª TemporadaDepois da fraca terceira temporada, pensei seriamente em não retornar a Blindspot. Na verdade, só retornei por estava procurando algo para assistir durante a quarentena e fui sem esperar muito. Felizmente esse quarto ano apresenta uma melhora em relação ao anterior, ainda que exiba também alguma parcela de problemas. Aviso que o texto a seguir pode conter SPOILERS.

A temporada começa meses depois do final da anterior. Jane (Jamie Alexander) e Kurt (Sullivan Stapleton) se recuperaram e estão de volta à ação em busca dos discos rígidos escondidos por Roman (Luke Mitchell) sobre Sandstorm. Ao mesmo tempo, Zapata (Audrey Esparza) se infiltra na HCI Global, a empresa de Hank Crawford, vilão da terceira temporada. Zapata espera que a filha de Hank tome o controle da empresa, mas é surpreendida quando a misteriosa Madeline Burke (Mary Elizabeth Mastrantonio) mata todos os membros do conselho da empresa e toma o controle para si.

Eu critiquei a temporada anterior por falhar em conseguir reinventar a dinâmica da série e reciclar os mesmos conflitos e o início desse quarto ano pareceu que iria pelo mesmo caminho. Ao descobrir que está morrendo por conta do Zip, a droga que tirou sua memória na primeira temporada, Jane não só retorna a sua personalidade da época da Sandstorm, como passa a delirar com Roman a instigando a derrubar o FBI e cumprir o plano de Sandstorm. Ou seja, mais uma vez a série recomeça do zero a relação de Jane com os demais membros do FBI, principalmente com Kurt, já que ela mais uma vez vai se apaixonar novamente por ele, repetindo os mesmos conflitos de relacionamento das temporadas anteriores.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Crítica – Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion


Análise Crítica – Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion


Review – Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion
Produzido pela WB Animation, fui assistir este Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion esperando algo com a mesma qualidade dos longas animados que a Warner faz para o universo DC. O filme de fato entrega a brutalidade das lutas que se espera de um Mortal Kombat, mas deixa a desejar no desenvolvimento dos personagens.

A trama reconta a história do primeiro Mortal Kombat sob a perspectiva do ninja Scorpion. Antes Hanzo Hasashi, o ninja vivia com sua família até que todos foram mortos pelos membros do clã Lin Kuei e seu líder, Sub-Zero. No submundo, Hasashi jurou lealdade ao feiticeiro Quan Chi, sendo transformado em um poderoso espectro infernal para se infiltrar na ilha de Shang Tsung, onde o torneio Mortal Kombat estaria acontecendo, para roubar o amuleto que permitiria libertar o deus Shinnok e para ter sua vingança contra Sub-Zero.

O início é competente em mostrar a vida pregressa de Hanzo e o impacto que a morte de sua família causa nele. O problema é que tudo começa a se mover muito rápido após a aliança dele com Quan Chi e sua transformação em Scorpion. A partir desse ponto, no entanto, o personagem não é nada mais que uma eficiente máquina de matar. Não há muito esforço em tentar entender o que significa para o personagem essa existência como uma cria infernal ou como ele aprendeu a usar suas novas habilidades. O foco em Scorpion também acaba fazendo os demais combatentes (ou seriam kombatentes?) parecer menos hábeis, já que Liu Kang, Sonya e Johnny Cage precisam ser constantemente salvos pelo ninja infernal.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Crítica – Resgate


Resenha Crítica – Resgate


Review – Resgate
Considerando que as produções originais da Netflix constantemente entregam produtos meia-boca, não esperava muita coisa quando fui assistir este Resgate. No entanto, encontrei um filme que consegue entregar competentes cenas de ação, ainda que a trama em si seja uma coleção de lugares-comuns.

A trama é centrada em Tyler (Chris Hemsworth), um ex-militar que se tornou mercenário. Tyler é contratado para resgatar Ovi (Rudhraksh Jaiswal), filho de um poderoso criminoso indiano que foi sequestrado por um rival. Inicialmente parece uma missão simples, mas logo ele encontra complicações que irão testar seu senso de honra e dever.

O protagonista é o típico herói de ação durão em busca de redenção por um trauma do passado. É bem óbvio desde o início que Tyler e Ovi irão forjar um laço de amizade que aproximará os dois personagens e fará Tyler correr riscos que vão para além de seus deveres como mercenário. É bem clichê, mas funciona porque Hemsworth e Jaiswal tem uma boa química e constroem um sentimento genuíno e crível entre os dois. Toda a trama que serve de pano de fundo, por outro, lado, envolvendo as diferentes forças que estão atrás do garoto, são desnecessariamente confusas e se complicam mais do que deveriam com o intento de inserir constantes reviravoltas.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

O divisivo final de Final Fantasy VII Remake



Quando escrevi a crítica de Final Fantasy VII Remake, elogiei o fato de ser uma reimaginação excelente tanto em termos visuais quanto em termos de jogabilidade e trama. Apontei, porém, a bagunça que eram os últimos momentos da trama e como essas escolhas criavam vários problemas ao tentar explicar coisas que não precisavam de explicação. Eu vou tentar analisar os desdobramentos desse final, então o texto a seguir contem SPOILERS do final do jogo.

Durante toda a narrativa de Final Fantasy VII Remake Cloud e seus aliados encontram estranhos espectros encapuzados semelhantes aos Dementadores do universo Harry Potter. Nos últimos capítulos Red XIII revela que eles são os Murmúrios, guardiões do destino que garantem que a preservação da linha do tempo. Sim, o jogo revela que essa é uma espécie de linha temporal paralela ao game original de 1997.

A explicação faz certo sentido, já que toda ver que os Murmúrios aparecem é em momentos que as coisas parecem se desdobrar diferente do original. Na primeira conversa entre Cloud e Aerith as criaturas aparecem para afastar a florista porque ela deveria ter ido embora antes de Cloud ser cercado pelos soldados. Quando Hojo está prestes a falar a verdade sobre o passado de Cloud, algo que no game original só era revelado ao protagonista bem mais a frente.

A questão é: tudo isso era realmente necessário? Sabemos que esse um remake, que a história seria reinterpretada, então precisava mesmo gastar tanto tempo e diálogos expositivos com essa explanação macarrônica sobre multiverso e temporalidades alternativas? Não sei até que ponto seria necessário justificar dentro da trama que esses novos jogos não seguirão tão à risca a trama do original. A batalha final torna tudo ainda mais rocambolesco. Durante a fuga de Midgar, o vilão Sephiroth ataca os heróis na autoestrada, mas é logicamente interrompido pelos Murmúrios já que esse não era o momento em que eles se enfrentavam.

Aerith, aparentemente capaz de conversar com os espectros e com o próprio planeta, afirma que Sephiroth precisa ser detido, mesmo que eles precisem alterar o destino. Então, antes de enfrentarem Sephiroth, Cloud e os demais destroem o líder dos Murmúrios, eliminando assim as forças que garantiriam que tudo seguisse a linha temporal original e esse parece ser o plano de Sephiroth. Consciente da linha temporal original, ele manipula os heróis a destruírem os murmúrios, assim, as forças que garantiriam que ele sempre perdesse não mais existem. No entanto, a decisão de Aerith em dizer que ela e os companheiros precisavam lutar com Sephiroth naquele momento não faz sentido.

Se ela sabia das intenções dos Murmúrios e sabia que o destino garantiria a vitória deles, então qual o motivo de arriscar tudo? Bastaria dizer para darem meia-volta que os Murmúrios se encarregariam de por Sephiroth em seu devido lugar. Ao longo da trama, desde que Cloud a conhece, Aerith demonstra ter ciência dos eventos vindouros e da sua eventual morte nas mãos de Sephiroth para que o planeta seja salvo. Então qual a razão de jogar fora uma vitória aparentemente garantida?

Toda essa ideia de temporalidades alternativas só cria mais complicações e possíveis furos do que ajuda a trama em qualquer nível. Eu já imaginava de qualquer jeito que fatos do original poderiam acontecer de maneira diferente aqui, então a trama não precisava explicar isso dentro do universo narrativo. A natureza de um remake é exatamente essa, reimaginar uma história já conhecida.

Essa escolha também me deixa um pouco preocupado se considerarmos algumas das últimas cenas que mostram personagens que deveriam estar mortos, como Zack e Biggs, aparentemente sobrevivendo. O problema não é, em si, a alteração do original, temo porque isso pode abrir espaço para uma espécie de “super final feliz” onde ninguém morre e isso tiraria o peso da luta contra Sephiroth. O vilão é uma força capaz de destruir um planeta inteiro, o mal supremo. A vitória contra uma força tão poderosa deveria ser sofrida, deveria ter um custo e se todos saem ilesos desse confronto então esse “mal supremo” talvez não seja tão supremo assim.

Lembro, inclusive, que ao falar sobre o original, os criadores disseram que chegaram a considerar uma forma de que o jogador pudesse ressuscitar Aerith, mas desistiram porque isso tirava o peso dramático da morte dela. Isso fazia sentido antes e continua a fazer sentido agora, então se ela não morrer, se os membros da Avalanche não morreram, se Zack não morreu, a vitória contra Sephiroth não tem um “custo”. Claro, é possível contornar isso matando personagens diferentes, o que é uma possibilidade. Só espero que ao final da jornada não saiam todos ilesos.

Outra possibilidade é que tudo aconteça exatamente igual, ainda que os personagens morram em ocasiões diferentes, para sinalizar que foi justamente a tentativa de Sephiroth em alterar o destino que colocou em movimento as circunstâncias necessárias para sua derrota. Nesse caso, no entanto, toda a questão de destino e temporalidade soaria inútil, já que, afinal, pra quê inserir novos elementos que não vão repercutir em nada? De novo, isso só mostra como essa escolha cria mais problemas do que resolve.

Outra questão que ficamos ponderando é quanto falta para a história toda ser contada. Sabemos que este será o primeiro episódio, mas a Square nunca deixou claro quantos estão planejados. A seção de Midgar coberta em FinalFantasy VII Remake era uns 25 a 30% do game original, mas isso significa que teremos mais três ou quatro episódios? Talvez. Ou talvez menos. Considerando que a estrutura de Midgar era mais linear e que depois o jogo se transforma em um mundo mais aberto, é possível pensar que recortar esse primeiro episódio em Midgar garantiria uma estrutura mais coesa.

Consigo imaginar os próximos adotando uma estrutura mais parecida com FinalFantasy XV, com um mundo aberto a explorar. Nesse sentido, talvez seja possível dar conta do restante do jogo em mais dois episódios. Um que fosse da saída de Midgar até a morte de Aerith e outro que continuasse desse ponto até o final. Se isso é uma previsão correta, só o tempo vai dizer. A Square já avisou que os próximos episódios talvez não demorem tanto quanto este primeiro levou em desenvolvimento, então talvez tenhamos notícias de um segundo episódio em breve.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Crítica – Better Call Saul: 5ª Temporada

Análise Crítica – Better Call Saul: 5ª Temporada



Review – Better Call Saul: 5ª Temporada
O final da quarta temporada de Better Call Saul mostrava Jimmy (Bob Odenkirk) assumindo o nome de Saul Goodman e uma reação perplexa de Kim (Rhea Seehorn) indicava que a relação dos dois seria testada nesta temporada. É exatamente isso que acontece ao longo do quinto e penúltimo ano de Better Call Saul conforme Jimmy se sedimenta como um advogado de criminosos passando a trabalhar para os cartéis de drogas, a começar por Lalo Salamanca (Tony Dalton).

Se na temporada anterior haviam alguns problemas de ritmo pelo fato das tramas de Jimmy não terem nenhuma relação com as tramas de Mike (Jonathan Banks), aqui as coisas fluem muito melhor já que o fato de Saul estar trabalhando para Lalo acaba por envolvê-lo nos planos de Gus (Giancarlo Esposito) para derrubar os Salamanca. Ao mesmo tempo, o trabalho de Kim para um grande banco a coloca diante de alguns dilemas morais que a fazem reavaliar suas prioridades como advogada.

Como eu já falei em um texto sobre o quarto episódio desta temporada, um dos melhores atributos da série é como ela consegue dizer muito sobre seus personagens sem precisar falar explicitamente. Através da composição de planos, de simbologias ou do trabalho sutil de expressão facial dos atores podemos perceber muito sobre o que está acontecendo ou o que aquelas situações significam para aqueles personagens.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Crítica – Sergio


Análise Crítica – Sergio


Review – Sergio
Na primeira cena deste Sergio, vemos o protagonista gravando um vídeo institucional da ONU explicando o valor e a importância da diplomacia e da organização. Essa imagem é retomada na cena final junto com uma cartela de texto que explica que a morte do diplomata no Iraque acabou com as negociações de paz e afundou a região no caos, dando origem ao Estado Islâmico. Com esses elementos era de se imaginar que o filme se concentraria na vida profissional do brasileiro Sergio Vieira de Mello e sua importância no campo diplomático, no entanto, essa acaba sendo uma parcela muito pequena da trama, a despeito de suas intenções em falar da ONU e da importância do diálogo.

A narrativa começa com a chegada de Sergio (Wagner Moura) ao Iraque para intermediar a saída das forças militares da coalizão liderada pelos Estados Unidos na invasão ao país e o governo temporário do Iraque. A intenção de Sergio é devolver a soberania nacional aos iraquianos, mas os estadunidenses tem outros planos. Apesar desse ser o ponto de partida, o que poderia funcionar como um tenso drama político, a trama salta entre vários tempos e lugares para mostrar o trabalho diplomático dele em lugares como Camboja e Timor Leste, sua relação amorosa com a argentina Carolina (Ana de Armas) e seu sofrimento sob os escombros do prédio da ONU no Iraque após o atentado a bomba que eventualmente o mataria.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Crítica – Freud


Resenha Crítica – Freud


Review – Freud
Narrativas policiais são calcadas no uso da razão e raciocínio lógico para desvendar crimes. Esse gênero narrativo já recorreu a personagens com metodologias baseadas em diferentes campos do conhecimento, inclusive aqueles que tentam compreender o funcionamento da mente humana. Nesse sentido, o gênero já recorreu mais de uma vez à figura de Sigmund Fred, o pai da psicanálise, como esse investigador arguto capaz de resolver crimes tão complicados que parecem até sobrenaturais. No cinema ele já chegou a se aliar a Sherlock Holmes em Visões de Sherlock Holmes (1976) e agora é levado para a televisão na minissérie alemã Freud.

A trama se baseia em um período da vida do médico sobre o qual há pouco registro, então a narrativa tenta imaginar o que teria acontecido com Freud (Robert Finster) nessa lacuna. Nesse sentido, acompanhamos Freud enquanto ele tenta defender suas ideias sobre o inconsciente enquanto se envolve com um mistério envolvendo a misteriosa Fleur Salomé (Ella Rumpf), que sob o transe hipnótico aparentemente consegue prever crimes. Onde muitos pensam existir uma conexão sobrenatural, Freud suspeita de haver um problema relacionado ao inconsciente da jovem mulher.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Crítica – Final Fantasy VII Remake



Análise Crítica – Final Fantasy VII Remake

Resenha Crítica – Final Fantasy VII Remake
Faz mais de uma década que espero por este Final Fantasy VII Remake. A expectativa por uma reimaginação do jogo com toda a força dos consoles atuais começou no lançamento do Playstation 3, em 2005, quando a Sony recriou a abertura de Final Fantasy VII usando motores gráficos do console para mostrar todo o poder do aparelho. O público tomou aquele tech demo como um indicativo de que o remake estava a caminho, mas nunca veio. Só dez anos depois, em 2015, o jogo foi finalmente anunciado.

Após cinco anos de espera finalmente temos ele em mãos. Em geral um jogo com tanto hype, tanta espera, pode não ser capaz de dar conta das altas expectativas ou de estar à altura de um game que de tornou praticamente sagrado na memória afetiva dos jogadores. Final Fantasy VII Remake, no entanto, entrega tudo aquilo que esperamos por 15 anos. Quando escrevi sobre a demo do jogo, mencionei que carregava uma grande promessa e o produto final entrega isso. Uma reimaginação grandiosa, com música e visuais impressionantes, personagens carismáticos e um sistema de combate veloz, que reproduz nas batalhas o senso de poder e grande escala da trama.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Drops – O Rei Tigre e Eu


Resenha Crítica – O Rei Tigre e Eu

A série documental A Máfia dos Tigres virou febre nas últimas semanas graças à insana história real que conta. Quando escrevi sobre ela, mencionei que o último episódio andava rápido demais, que muitas tramas ficavam relegadas a serem explicadas via cartelas de texto e que talvez fosse melhor ter um episódio adicional. Pois a Netflix de fato fez um episódio adicional para a série neste O Rei Tigre e Eu, mas é menos uma extensão da série e mais um complemento com entrevistas em que alguns dos participantes falam de suas vidas pós-série.

Apresentado por Joel McHale (de Community) funciona como uma espécie de talk-show remoto, já que, por conta da pandemia, cada participante fala de sua respectiva casa. Os participantes são, na maioria, coadjuvantes da série, ex-funcionários de Joe Exotic. Considerando que muitos dos protagonistas tem seus crimes, suspeitas de crimes e contradições reveladas, era de se imaginar que figuras como Carole Baskin ou “Doc” Antle não participariam, sendo Jeff Lowe o único dos personagens principais presentes.

O problema, no entanto, é que o episódio falha em nos dar um entendimento maior sobre aquelas pessoas ou os eventos mostrados na série. A fala dos ex-funcionários só diz coisas que o documentário já mostrou sobre Exotic, que ele é um ególatra instável que trata mal todos a sua volta. A única revelação significativa vem da entrevista com o gestor de campanha de Joe, que conta que o suicídio de Travis, um dos maridos de Joe, teria sido acidental, com Travis aparentemente sem saber que a arma estava carregada.

O episódio tem alguns momentos de humor graças as reações e perguntas inesperadas de McHale a esse elenco de figuras pitorescas. Em programas como The Soup e The Joel McHale, o ator fez uma carreira em cima de comentar as cenas mais insólitas de programas de televisão e reality shows, então ele tem bastante jogo de cintura para lidar e extrair humor das interações com esses sujeitos insólitos.

Ainda assim, esse o Rei Tigre e Eu não consegue afastar a sensação de um produto apressado, feito a toque de caixa para capitalizar em cima da febre que a série virou, mas sem efetivamente oferecer muito conteúdo ao espectador.

Nota: 5/10

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Drops – Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica


Crítica Drops – Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica


Review – Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica
Situado em um mundo de fantasia no qual a magia foi substituída por tecnologia, a produção da Pixar Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica conta a história de dois irmãos elfos que, no aniversário de 16 anos do caçula, Ian, recebem um presente deixado anos atrás pelo falecido pai. Um cetro mágico com uma joia capaz de trazer de volta, durante um dia, uma pessoa morta. Ao tentarem realizar o feitiço algo dá errado e apenas a parte inferior do corpo do pai (as pernas) são trazidas de volta. Agora os dois precisam correr contra o tempo para completarem o feitiço e poderem passar algum tempo com o pai.

É uma trama sobre luto e seguir em frente depois de uma grande perda, sobre amor fraterno e também sobre como a tecnologia muitas vezes nos aliena do mundo a nossa volta e nos faz perder o encantamento pelas maravilhas ao nosso redor. A estrutura de road movie nem sempre dá tempo para que as ideias sejam plenamente desenvolvidas, já que obriga os personagens a estarem sempre em movimento, mas ainda assim consegue encontrar momentos significativos de conexão emocional entre seus protagonistas.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Crítica – Bad Boys Para Sempre




Análise Crítica – Bad Boys Para Sempre

Review – Bad Boys Para SempreDepois do péssimo Os Bad Boys II (2003) eu não tinha interesse em ver mais nenhum filme com esses personagens. O fato de ser uma continuação feita quase vinte anos depois também não inspirava confiança, já que não parecia ainda haver demanda por essa franquia. O que me fez ter um mínimo de curiosidade em relação a este Bad Boy Para Sempre foi saber que o diretor Michael Bay não voltaria para esse terceiro. A ausência de Bay fez maravilhas pelos Transformers no bacana Bumblebee (2017), então imaginei que esse daqui também pudesse se beneficiar da troca de diretores. Isso, no entanto, não acontece, já que a dupla de diretores Adil e Bilall parece bem preocupada em emular o estilo de Bay, ainda que o resultado não seja o desastre que é o segundo filme, um patamar baixo a superar, convenhamos.

Na trama, a poderosa traficante Isabel Aretas (Kate del Castillo) foge da prisão determinada a se vingar de todos que a colocaram na cadeia e destruíram sua família. Uma dessas pessoas é Mike (Will Smith) e quando ele é baleado, Marcus (Martin Lawrence) sai da aposentadoria para ajudar o amigo. Não há muito mais em termos de trama e isso, em si, não seria um problema, o que incomoda é a quantidade de furos, coisas mal explicadas e reviravoltas que se pretendem a serem algo bombástico, mas resultam em cenas risíveis.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Crítica – Um Amor, Mil Casamentos




Análise Crítica – Um Amor, Mil Casamentos

Review – Um Amor, Mil CasamentosAo propor tentar entender os múltiplos desdobramentos possíveis de um mesmo evento, imaginei que este Um Amor, Mil Casamentos teria algo similar a filmes como Corra Lola, Corra (1998) ou De Caso Com o Caso (1998), que também mostram como um evento pode ter resultados muito diferentes se mudarmos um pequeno elemento neles. De certa forma, Um Amor, Mil Casamentos faz isso, mas aproveita tão pouco o potencial criativo de sua premissa que o uso dessas “realidades alternativas” soa despropositado.

Na trama, Jack (Sam Claflin) precisa lidar com vários problemas ao mesmo tempo durante o casamento da irmã, Hayley (Eleanor Tomlinson). Ele precisa ser manter longe da sua ex-namorada megera, Amanda (Freida Pinto), ao mesmo tempo em que precisa impedir que Marc (Jack Farthing), um ex-namorado de Hayley que entrou de penetra, estrague a festa. Durante o casamento Jack também vai buscar se reaproximar de Dina (Olivia Munn), uma amiga de Hayley por quem se apaixonou anos atrás, mas que por conta de várias circunstâncias nunca pode efetivamente se relacionar com ela.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Lixo Extraordinário – Tubarão 4: A Vingança


Crítica - Tubarão 4: A Vingança


Review Crítica - Tubarão 4: A VingançaApesar de ter visto Tubarão (1975) inúmeras vezes, nunca tive interesse em ver nenhuma das muitas continuações que o filme recebeu, nenhuma delas contando com a direção de Steven Spielberg, que comandou o original. Nos últimos anos, no entanto, comecei a ver Tubarão 4: A Vingança aparecendo em muitas listas de piores filmes de todos os tempos, inclusive no infame ranking dos 100 filmes com notas mais baixas no IMDb, então isso ativou minha curiosidade mórbida e achei que poderia ser uma boa pauta para essa coluna. Fui assistir sem ver qualquer outra das continuações, então se há algum detalhe ou referência ao segundo ou terceiro filme, não sei dizer.

Na trama, Ellen Brody (Lorraine Gary), a viúva do xerife Brody (Roy Scheider), protagonista do primeiro filme, começa a ter sonhos envolvendo um tubarão e teoriza que um tubarão está vindo para atacar ela e os filhos como vingança por Brody ter matado o tubarão do primeiro filme. O sentimento dela ganha força quando o filho mais novo é morto por um tubarão ao realizar reparos marítimos na costa de sua cidade. Ellen então avisa o filho mais velho, que trabalha nas Bahamas como biólogo marinho, para ter cuidado e viaja até a morada do filho para ficar de olho nele. Logicamente, um tubarão, o mesmo que teria matado o filho mais novo, aparece nas Bahamas.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Crítica – Você Não Estava Aqui


Resenha Crítica – Você Não Estava Aqui


Review – Você Não Estava Aqui
Quem conhece a obra do diretor britânico Ken Loach sabe que ele costuma mostrar as agruras da classe média trabalhadora, os problemas sociais de seu país e as consequências da falta de um Estado voltado para o bem-estar social. Neste Você Não Estava Aqui, Loach trata da precarização do trabalho e como a ideia de trabalhar como “empreendedor individual” para uma empresa ao invés de como funcionário vende uma ideia de liberdade e empreendedorismo que não se verifica na prática, resultando em ainda mais exploração do trabalhador.

A trama acompanha Ricky (Kris Hitchen), que começa a trabalhar em uma empresa de entregas que presta serviço para corporações de comércio eletrônico como Amazon e outras. Ricky, no entanto, não é funcionário, é um empreendedor contratado que recebe por entrega feita e precisa arcar sozinhos com todos os custos de sua função. O carro que faz entregas não é da empresa, mas dele, a manutenção do veículo e todo resto é de responsabilidade dele. De início tudo isso é apresentado ao protagonista como algo libertador, que vai dar a ele a possibilidade de ter um negócio próprio, trabalhar o número de horas que quiser. Aos poucos, no entanto, a realidade desse trabalho vai se mostrando cada vez mais cruel.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

5 Contra 1: Filmes sobre Jornalismo


Melhores filmes sobre jornalismo

Aproveitando que ontem, 7 de abril, foi o dia do jornalismo, aproveitei para listar cinco bons filmes sobre o tema e um muito ruim. Foi uma lista difícil porque tem muitos bons exemplares e escolher apenas cinco significou abrir mão de alguns que eu gosto muito, mas, bem, parte da diversão de fazer listas também reside em experimentar o desapego. Vejam a lista completa e contem quais são os seus filmes favoritos sobre o tema.


terça-feira, 7 de abril de 2020

Crítica – Coffee & Kareem


Análise Crítica – Coffee & Kareem


Review – Coffee & Kareem
Fui assistir a este Coffee & Kareem, produção original da Netflix, sem esperar muita coisa, já que parecia mais uma comédia de ação sobre uma dupla de personalidades opostas e, bem, é isso mesmo, embora consiga apresentar alguns momentos de diversão.

Na trama, o policial Coffee (Ed Helms) tenta se aproximar de Kareem (Terrence Little Gardenhigh), filho de sua nova namorada Vanessa (Taraji P. Henson). Kareem logicamente não gosta do novo padrasto, mas quando o garoto testemunha uma execução do tráfico, terá que recorrer a Coffee para sobreviver e proteger a mãe.

É a típica dupla de personalidades antagônicas, com Coffee sendo um policial manso que deixa qualquer um pisar nele e Kareem sendo um adolescente desbocado que não leva desaforo. Ao longo do filme eles aprenderão um com o outro e resolverão as diferenças entre eles. Tudo bem previsível, assim como a revelação de quem estava por trás de tudo também é muito previsível.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Crítica – A Máfia dos Tigres


Análise Crítica – A Máfia dos Tigres


Review – A Máfia dos TigresA realidade muitas vezes pode ser mais bizarra e absurda do que qualquer roteiro de ficção. A minissérie documental A Máfia dos Tigres é um claro exemplo disso. O documentário acompanha um grupo de donos de “zoológicos” que exibem primordialmente grandes felinos como tigres, leões e leopardos. Coloco o termo entre aspas porque apesar dos personagens chamarem seus negócios de zoológicos, eles são mais circos, nos quais os animais são explorados (e maltratados em muitos casos) para o entretenimento alheio e não para serem preservados ou estudados.

Entre os personagens principais está Joe Exotic, um sujeito, como o próprio nome diz, exótico. Um caipira que ostenta um mullet descolorido é amante de tigres e de armas de fogo, assumidamente gay e polígamo, Joe já tentou ser candidato a presidente dos EUA e também governador do estado de Oklahoma. Joe tem uma violenta rixa com Carole Baskin, uma hippie velha que também é dona de um viveiro de grandes felinos, diz ser defensora dos direitos desses animais, inclusive propondo leis que deem ao governo mais supervisão e controle sobre quem pode lidar com esses animais, mas, paradoxalmente, seu viveiro também é aberto a visitação e ela também permite que o público interaja com os animais, não sendo muito diferente de outros circos do gênero, exceto, talvez, por seu tratamento dos animais não ser tão negligente.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Drops – O Rei Leão (2019)


Análise Drops – O Rei Leão (2019)

Review Drops – O Rei Leão (2019)
Nossa seção de textos curtos falará brevemente hoje sobre a nova versão de O Rei Leão. De todos os remakes dessa onda recente da Disney, era o que menos despertou meu interesse. Se outros remakes tinham a justificativa de revisar certas ideias do original que não se sustentam tão bem hoje ou a da mudança de animação para live-action, O Rei Leão não possui nenhuma dessas justificativas. A narrativa se sustenta tranquilamente bem ainda hoje e o filme segue sendo uma animação, ainda que com um visual fotorrealista.

Esse realismo, aliás, é um dos problemas do filme. Preso a uma representação realista dos corpos dos animais, as expressões físicas dos personagens ficam extremamente limitadas e em muitos momentos soam deslocadas do trabalho de dublagem, já que a emoção das vozes não é percebida nos rostos e corpos deles. Isso fica ainda mais evidente nos números musicais, que perdem suas cores, sua energia e sua dimensão lúdica em prol de...bem, de nada, já que a estética ultrarrealista em nada agrega às canções e não compensa os elementos que são perdidos. O resultado mostra como o realismo é muitas vezes superestimado no audiovisual.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Crítica – Notas de Rebeldia


Análise Crítica – Notas de Rebeldia

Review – Notas de RebeldiaNotas de Rebeldia, produção original da Netflix, é um daqueles filmes feitos sob medida para fazer seu espectador se sentir bem. Um feel good movie como dizem os críticos gringos. Não faz nada muito fora do traçado que estamos acostumados a encontrar nesse tipo de filme, mas o elenco consegue nos conectar com os personagens.

Na trama, Elijah (Mamoudou Athie) é um jovem que trabalha no restaurante popular do pai, Louis (Courtney B. Vance), mas que sonha em se tornar um mestre sommelier, um especialista em vinhos. Seu sonho o coloca em rota de colisão com o pai, que imaginava que Elijah herdaria seus negócios, que estão na família há gerações. Os custos do curso também deixam Elijah em dúvida se conseguirá ou não alcançar seu sonho.

É um conflito bem típico de legado familiar versus traçar seu próprio caminho, assim como também traz o elemento do popular versus erudito, ambas premissas bastante comuns dentro da lógica do drama familiar hollywoodiano. Tudo é relativamente previsível, dos encaminhamentos da jornada do protagonista, passando pelos conflitos e soluções destes, é bem similar a produtos com as mesmas características. Tematicamente também se encaixa em elementos que já vimos inúmeras vezes, falando sobre a necessidade de acreditar em si mesmo ou seguir seus próprios sonhos, sem nada muito diferente.