sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Crítica – Mulher Maravilha 1984

 

Análise Crítica – Mulher Maravilha 1984

Review – Mulher Maravilha 1984
O primeiro Mulher Maravilha (2017) foi uma grata surpresa, então logicamente fiquei mais do que empolgado com a possibilidade de uma continuação. Quando saíram as primeiras informações temi que Mulher Maravilha 1984 fosse usar a ambientação oitentista como mera muleta afetiva para um nostalgismo rasteiro como muitos blockbusters recentes. Felizmente isso não aconteceu, ainda que tenha alguns problemas na construção das regras que regem alguns elementos de seu universo.

Como o título diz, a trama se passa em 1984 e Diana (Gal Gadot) trabalha em segredo como Mulher Maravilha ao mesmo tempo que mantem uma fachada de normalidade com um emprego em um museu. Depois de recuperar artefatos raros roubados, Diana encontra uma estranha pedra que concede desejos a quem a segura. A gema é usada pela colega de Diana, Barbara Minerva (Kristen Wiig), que acaba ganhando estranhos poderes. Em busca da joia também está o empresário Maxwell Lord (Pedro Pascal), que deseja o artefato para obter ainda mais poder e dinheiro.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Crítica – Uma Noite em Miami

 

Análise Crítica – Uma Noite em Miami

Review – Uma Noite em Miami
Assistindo Uma Noite em Miami me lembrei bastante de A Voz Suprema do Blues (2020) por conta das similaridades entre os dois. São dramas históricos, levemente baseados em eventos reais e que adaptam uma peça de teatro. Ambos são focados em um grupo de personagens em um pequeno espaço falando sobre suas experiências com o racismo, mas há diferenças grandes de escolhas estilísticas entre os dois que tornam Uma Noite em Miami mais fluido de assistir.

A trama é baseada no encontro real do ativista Malcolm X (Kingsley Ben-Adir), o lutador Cassius Clay (Eli Goree), o músico Sam Cooke (Leslie Odom Jr) e o jogador de futebol americano Jim Brown (Aldis Hodge) em um quarto de hotel em Miami. Ao longo da noite eles conversam sobre suas trajetórias, sobre o papel do movimento negro e a luta por direitos civis que aconteciam na década de 60.

A ideia aqui parece ser confrontar os diferentes olhares e perspectivas da experiência das pessoas negras da época, compreendendo que o movimento negro é heterogêneo e interseccional, mas, ao mesmo tempo, reconhecendo que a luta que os une é muito maior que as diferenças que os distanciam. Por mais que o texto inteligentemente reconheça que não há um caminho único para combater o racismo, também pondera sobre a possibilidade de que essas diferentes abordagens podem encontrar um terreno comum e da força que há em trabalhar em conjunto.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Crítica – O Tigre Branco

 Análise Crítica – O Tigre Branco


Review – O Tigre Branco
Com uma trama passada na Índia e contando uma história sobre superação da pobreza, O Tigre Branco não é um conto de otimismo e esperança como Quem Quer Ser um Milionário (2008). Na verdade, em uma cena o protagonista até faz piada com o fato de na vida dele as coisas não se resolverem rapidamente com o prêmio de um programa de perguntas e respostas. Aqui, a Índia é mostrada como um espaço tão desigual que não permite qualquer mobilidade social que não seja pelo crime.

A narrativa é centrada em Balram (Adarsh Gourav), um jovem pobre de uma pequena aldeia no interior da Índia. Sua vila é constantemente oprimida por um senhorio que cobra um terço do que todos ganham, chamado por Balram de “O Cegonha” (Mahesh Manjrekar), não dando muita oportunidade das pessoas mudarem de vida ou saírem daquele local. Balram vislumbra uma chance quando surge a possibilidade de trabalhar como motorista de Ashok (Rajkummar Rao), filho do Cegonha que volta à Índia depois de anos vivendo nos Estados Unidos. Balram consegue o emprego e a partir disso passa a fazer qualquer coisa para ser bem visto por Ashok e sua família desejando subir na hierarquia de funcionários.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Crítica – Por Que as Mulheres Matam

 Análise Crítica – Por Que as Mulheres Matam


Review – Por Que as Mulheres Matam
Fui assistir a série Por Que as Mulheres Matam sem saber muito o que esperar, mas o que encontrei foi uma deliciosa comédia sombria que subverte diversas romantizações sobre a vida familiar e o papel da mulher na sociedade. Na verdade, um dos principais méritos da série é o modo como constantemente consegue surpreender e nos levar a caminhos inesperados.

A série se pretende como uma antologia e a primeira temporada conta três histórias que acontecem em uma mesma mansão em épocas diferentes. A primeira história se passa na década de 60, com Beth Ann (Ginnifer Goodwin) sendo uma esposa dedicada que descobre uma traição do marido, Rob (Sam Jaeger). A segunda história se passa nos anos 80 e acompanha Simone (Lucy Liu), que descobre que o marido, Karl (Jack Davenport), é gay. Frustrada, Simone começa a ter um caso com um jovem da vizinhança, Tommy (Leo Howard). Já a terceira história se passa nos dias atuais sendo centrada no casal Taylor (Kirby Howell-Baptiste) e Eli (Reid Scott), que vivem um casamento aberto. A dinâmica deles muda depois que Taylor leva para casa uma de suas amantes, Jade (Alexandra Daddario), depois de Jade ser ameaçada por um ex-namorado violento.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Rapsódias Revisitadas – Batman: A Máscara do Fantasma

Análise Crítica – Batman: A Máscara do Fantasma

Review – Batman: A Máscara do Fantasma
Lançado em 1993 e dirigido por Bruce Timm, a mesma mente criativa responsável por Batman: A Série Animada (1992-1995), o longa animado Batman: A Máscara do Fantasma é um dos filmes que melhor entende e sintetiza quem é o personagem, sendo uma das melhores representações do homem-morcego nas telas e talvez não seja reconhecida como tal por se tratar de uma animação.

Na trama, uma misteriosa figura chamada de Fantasma está matando os líderes da máfia de Gotham City. Muitos acham que o Batman é o responsável pelas mortes, mas o homem-morcego começa a investigar os crimes para deter o culpado e provar a própria inocência. Ao mesmo tempo, Andrea Beaumont, uma antiga namorada de Bruce Wayne, retorna a Gotham City, despertando em Bruce sentimentos que ele nem lembrava que tinha.

Impressiona como a narrativa consegue condensar em pouco mais de oitenta minutos os elementos principais do Batman e suas múltiplas facetas de maneira bastante consistente. Vemos o aspecto detetivesco do herói, suas habilidades de combate, o modo como ele instila medo nos criminosos, a fachada de playboy irresponsável para que ninguém desconfie dele, tudo está presente.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Lixo Extraordinário – Killer Workout

 Resenha Crítica - Killer Workout


Review - Killer Workout
Lançado em 1987, Killer Workout é um filme de terror sobre um serial killer que mata pessoas dentro de uma academia. É o tipo de premissa que já informa ao espectador que se trata de um filme B bem tosco que provavelmente não tem qualquer preocupação em fazer sentido e é exatamente isso que você vai encontrar aqui.

A trama começa com uma mulher entrando em uma câmera de bronzeamento artificial até que algo dá errado e ela é queimada viva. Imaginamos que essa é a primeira vítima do assassino, mas a cena será importante para uma reviravolta futura. Corta para a academia pertencente a Rhonda (Marcia Karr), um negócio em crescimento graças às aulas de aeróbica, cujos membros começam a ser mortos por um assassino misterioso.

Considerando a curta duração da fita, com cerca de oitenta minutos, chama a atenção da quantidade de imagens de mulheres praticando aeróbica e poses sugestivas, com pernas abertas ou bunda para cima, ou closes de traseiros e seios balançando que o filme insere e que provavelmente compõem um pouco mais de dez por cento de sua minutagem. São imagens que não tem qualquer propósito além de expor os corpos das figurantes ou apenas encher a duração do filme para que ele conseguisse chegar ao tamanho de um longa metragem. Na verdade, fica a impressão de que esse deveria ser um pornô, mas tiraram toda nudez explícita e deixaram só as cenas da “história”.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Crítica – O Mundo Sombrio de Sabrina: 4ª Temporada

 Análise Crítica – O Mundo Sombrio de Sabrina: 4ª Temporada


Review – O Mundo Sombrio de Sabrina: 4ª Temporada
Depois de uma ótima primeira temporada, O Mundo Sombrio de Sabrina experimentou duas temporadas irregulares até chegar neste quarto que foi anunciado como o último. Na época não sabia se era um final devidamente planejado como tal ou a Netflix simplesmente decidiu não continuar da série, mas depois de ver todo o quarto ano a impressão é de que foi a segunda opção, já que não parece a culminação de tudo que foi construído até aqui.

A trama começa no ponto em que a terceira parou, com Sabrina (Kiernan Shipka) se dividindo em duas para aproveitar o melhor dos dois mundos, com a Sabrina Spellman ficando em Greendale e indo para o colégio enquanto Sabrina Morningstar fica no inferno governando ao lado do pai, Lúcifer (Luke Cook). Enquanto isso, o Padre Blackwood (Richard Coyle) libera os Horrores Sobrenaturais, criaturas ancestrais de grande poder, trazendo uma nova ameaça a Greendale.

A ideia de duas Sabrinas poderia render um bom estudo de personagem para entender como ela precisa existir nesses dois mundo para ser quem é e se restringir a um deles a faria sentir incompleta. O início da temporada até toca nesses temas, com ela inventando uma assombração na escola só para que tenha uma ameaça para combater ao lado dos amigos. Conforme a temporada progride, no entanto, essas questões são deixadas de lado e a própria versão infernal de Sabrina acaba aparecendo muito pouco.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Crítica – Amor em Little Italy

 

Análise Crítica – Amor em Little Italy

Review – Amor em Little Italy
Fui assistir Amor em Little Italy esperando algo como uma versão ítalo americana de Casamento Grego (2002), uma comédia romântica sobre um grupo específico de imigrantes que usa o humor para celebrar e homenagear essa herança cultural. O que encontrei, porém, é um filme cheio de clichês e estereótipos, seja em relação à trama de romance, seja em relação à representação da população ítalo-americana.

A trama acompanha o casal Leo (Hayden Christensen) e Nikki (Emma Roberts). Os dois se conhecem desde a infância quando os pais de ambos tinham uma pizzaria juntos. Décadas depois, Nikki retorna ao antigo bairro para passar alguns dias com os pais antes de partir para um emprego na Inglaterra e reencontra Leo, trazendo de volta sentimentos que ela pensava ter superado.

Christensen e Roberts se esforçam para tentar trazer alguma química ao casal, mas não conseguem superar o fato de que não há qualquer drama, tensão ou conflito entre eles. Já nas primeiras cenas o filme nos informa que eles tinham algo um pelo outro desde a infância e a rivalidade entre as famílias, que seria o principal elemento de conflito, não repercute em quase nada na trama do casal, fazendo pouca diferença. Só no final que a questão da disputa familiar se torna um fator, mas é resolvido tão rápido que não tem muito impacto.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Crítica – Zona de Combate

 

Análise Crítica – Zona de Combate

Review – Zona de Combate
Apesar de se passar em um futuro no qual a guerra é travada por robôs, Zona de Combate, produção original da Netflix, nunca aproveita ou justifica plenamente a ambientação que cria. Há uma tentativa de construir uma mensagem sobre a guerra, no entanto, durante boa parte da projeção também não parece haver um direcionamento claro da construção desse discurso.

Na trama, depois que o piloto de drones Harp (Damson Idris) contraria ordens e realiza ações que causam a morte de dois soldados aliados, ele é enviado diretamente para a zona de guerra para entender o que as tropas em solo passam e aprender que as consequências da guerra são mais severas do que aparecem nos monitores. Chegando lá ele é colocado para trabalhar com o androide Leo (Anthony Mackie) que está na caça por um perigoso traficante de armas Koval (Pilou Asbaek).

A ambientação no futuro nunca se justifica plenamente, já que a mensagem principal da trama, de que a guerra é ruim e desumanizante, poderia ser transmitida tranquilamente sem esse artíficio. Leo poderia simplesmente ser um soldado que se rebela contra as ordens de seus superiores por achá-las imorais que não faria diferença alguma. A impressão é que a questão do futuro só foi inserida para permitir algumas cenas de ação mais grandiloquentes com Leo enfrentando vários inimigos sozinhos.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Crítica – Duas Por Uma

Resenha Crítica – Duas Por Uma

Review – Duas Por Uma
Duas Por Uma é daqueles filmes que não sabe que caminho seguir com sua premissa, tenta ir a várias direções diferentes e acaba não funcionando em nenhuma. Uma pena, pois a atriz Drew Barrymore consegue fazer as duas protagonistas soarem como pessoas completamente diferentes, mas o texto não dá a ela estofo suficiente para que nenhuma delas funcione.

A trama gira em torno de Candy (Drew Barrymore), uma atriz de comédia cuja carreira está afundando graças ao seu vício em drogas e seu péssimo temperamento. Paula (também Barrymore) é a substituta de Candy, ficando no set para que a equipe de filmagem ajuste luz, enquadramento ou façam as tomadas em que Candy não precisa falar ou mostrar o rosto. Com a decadência de Candy, Paula teme ficar sem trabalho e resolve ajudar Candy a reerguer a carreira se passando por ela.

Auxiliada por uma maquiagem que torna Paula levemente diferente da aparência normal de Barrymore, ainda que próxima o bastante para parecer com ela (cheguei a ficar em dúvida se ela era interpretada pela própria Drew), a atriz em ótima em fazer Candy e Paula soarem como pessoas completamente diferentes. Não só a voz é um pouco distinta, mas os maneirismos, linguagem corporal e outros elementos convencem de que estamos diante de pessoas diferentes.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Crítica – Pose: 2ª Temporada

 

Análise Crítica – Pose: 2ª Temporada

Review – Pose: 2ª Temporada
A primeira temporada de Pose construía um retrato complexo sobre a comunidade LGBTQI em Nova Iorque e essa segunda temporada continua a aprofundar as nuances desse universo e as vivências de seus personagens. Avançando no tempo e chegando na década de noventa, a série continua a mostrar os obstáculos que os membros dessa comunidade enfrentam e como o contexto da época interferia em suas vidas.

Na trama desse segundo ano, Blanca (MJ Rodriguez), tenta seguir seu sonho de abrir seu próprio salão como manicure. A protagonista também estimula Damon (Ryan Jamaal Swain) a investir em sua carreira de dançarino, bem como Angel (Indya Moore) a perseguir seu sonho de ser modelo. Blanca também lida com o agravamento de sua saúde por conta do HIV, algo que também acontece com Pray Tell (Billy Porter).

Ao falar sobre o fenômeno pop que foi a canção Vogue de Madonna e como ela levou ao mainstream elementos da cultura LGBTQI que eram relegados ao underground, a série fala também sobre como a indústria cultural muitas vezes se apropriam de determinadas práticas, mas promovem um relativo apagamento daqueles que originam essa cultura. Por mais que os personagens comemorem a visibilidade que a canção trouxe para eles, o cotidiano de preconceito e exclusão permanece. Isso fica evidente no arco de Angel, no qual apesar do talento e beleza, ela acaba sendo excluída do meio da moda quando descobrem o fato dela ser trans.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Crítica – A Assistente

 

Análise Crítica – A Assistente

Review – A Assistente
A Assistente é um daqueles filmes em que o material de divulgação dá uma percepção muito errada do que a obra final é, o que pode deixar muitos espectadores frustrados. Os trailers dão a impressão que se trata de um thriller, cheio de suspense e tensão, mas o filme em si é um olhar bem naturalista, quase como um documentário observativo, de uma jovem que trabalha como assistente de um poderoso produtor claramente inspirado na figura de Harvey Weinstein.

Na trama, Jane (Julia Garner), trabalha como assistente pessoal de um produtor de cinema. Ela tem poucos meses nesse emprego, mas vê nele uma oportunidade de crescer na carreira profissional. Aos poucos, no entanto, ela começa a perceber condutas suspeitas de seu chefe, principalmente no modo como ele trata algumas das atrizes, modelos e funcionárias que passam por lá. Toda vez que pensa em falar alguma coisa sobre o que presencia, é imediatamente hostilizada pelos colegas ou superiores, que a lembram de como o chefe pode abrir portas para ela e ir contra ele é jogar a carreira fora.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Crítica – Bill e Ted: Encare a Música

 

Resenha Crítica – Bill e Ted: Encare a Música

Review – Bill e Ted: Encare a Música
Feita quase trinta anos depois de Bill e Ted: Dois Loucos no Tempo (1991) esta continuação, Bill e Ted: Encare a Música parecia só mais uma na onda de remakes e continuações tardias de filmes das décadas de 80 e 90. Na verdade, os protagonistas Keanu Reeves e Alex Winter estavam há anos tentando fazer um novo Bill e Ted e só agora conseguiram. É possível ver aqui o cuidado e o afeto por esses personagens, embora o filme tenha sua parcela de problemas.

Na trama, contrariando o fim do segundo filme, Bill (Alex Winter) e Ted (Keanu Reeves), não conseguiram criar a música que iria unir o mundo. Mais de vinte anos depois, a dupla continua tentando compor a fatídica música, mas a fama deles já praticamente se esvaiu. Tudo muda com a chegada de Kelly (Kristen Schaal), vinda do futuro. Filha de Rufus (o finado George Carlin), Kelly avisa que se eles não conseguirem fazer a música nas próximas horas, todo o tempo, espaço e realidade irá entrar em colapso. Assim, Bill e Ted viajam pelo multiverso para conseguir a tão esperada música.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Crítica – Star Trek Discovery: 3ª Temporada

 

Análise Crítica – Star Trek Discovery: 3ª Temporada

Review – Star Trek Discovery: 3ª Temporada
A segunda temporada de Star Trek Discovery terminava com a tripulação da Discovery viajando mil anos no futuro para proteger os dados da Esfera. Era uma resolução ousada, que prometia um novo status quo para a série e dava mais possibilidades criativas, já que tirava os personagens da cronologia canônica pré série clássica e os levava a um período de tempo no qual teriam mais liberdade em relação ao que poderiam fazer.

Mil anos no futuro, Michael (Sonequa Martin-Green) descobre que um evento cataclísmico conhecido como “a combustão” destruiu todas as nave movidas a dilítio cerca de um século antes da chegada da Discovery naquele futuro. Sem dilítio e sem poder viajar em dobra, os planetas estão muito mais isolados do que antes e a Federação praticamente se extinguiu sem a possibilidade de viajar longas distâncias. Como a Discovery usa um motor de esporos, ela não é impactada por essas limitações do dilítio e, assim, a tripulação parte para tentar entender o que causou a combustão e reconstruir a Federação.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Crítica – Pieces of a Woman

 Análise Crítica – Pieces of a Woman


Review – Pieces of a Woman
Perder um filho provavelmente deve ser uma das maiores dores que uma pessoa pode sentir. Perder um filho segundos depois do parto, sem sequer ter tempo para entender o que aconteceu, deve ser uma dor ainda pior. É sobre essa dor que Pieces of a Woman, produção original da Netflix, constrói sua narrativa.

Na trama, depois de um parto em casa que sai terrivelmente errado, Martha (Vanessa Kirby) perde a filha recém-nascida e fica sem saber como seguir adiante. O companheiro de Martha, Sean (Shia LaBeouf), e a mãe dela, Elizabeth (Ellen Burstyn), insistem que a culpa é da parteira e iniciam uma processo criminal contra ela a revelia da decisão de Martha. Enquanto isso, a protagonista tenta lidar com a perda ao seu modo.

O roteiro é hábil em evitar armadilhas e lugares comuns que uma trama dessas poderia cair. Poderia ser um dramalhão choroso e manipulativo cheio de platitudes e epifanias forçadas, poderia se reduzir a um drama de tribunal discutindo os méritos e problemas de partos em casa, corria o risco de cair em maniqueísmos simplórios e reduzir a mãe ou o marido de Martha em vilões manipuladores, mas o texto de Kata Weber evita tudo isso.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Crítica – O Céu da Meia-Noite

 

Análise Crítica – O Céu da Meia-Noite


Review – O Céu da Meia-Noite
Um homem em estado terminal é deixado sozinho em um observatório na Antártica com o objetivo de avisar uma missão espacial retornando de uma das luas de Júpiter para não retornar ao planeta, que enfrenta uma catástrofe irreversível, esse é o início de O Céu da Meia-Noite. Enquanto Augustine (George Clooney) tenta contatar a estação espacial tripulada por Sully (Felicity Jones), ele encontra uma menina deixada no observatório. Sem escolha, ele decide cuidar da menina enquanto tenta avisar Sully e os demais para retornarem para a lua de Júpiter que descobriram ser habitável.

É um filme que tem muitas pretensões sobre temas como preservação ambiental, importância da família, o futuro da humanidade e outros temas complexos. A questão é essas ideias são todas tratadas sem qualquer complexidade ou nuance, recorrendo a clichês e discursos pré-prontos que não trazem nada de muito novo à discussão dessas ideias, mas que são tratadas por Clooney (que também dirige o filme) como se ele estivesse descobrindo a roda. A mesma empáfia messiânica que ele já tinha exibido no péssimo Suburbicon: Bem-Vindos ao Paraíso (2017).

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Crítica – Cobra Kai: 3ª Temporada

Análise Crítica – Cobra Kai: 3ª Temporada


Review – Cobra Kai: 3ª Temporada
As duas primeiras temporadas de Cobra Kai surpreendiam por pegar um material que poderia ser reduzido a um puro memorialismo vazio e o usou justamente para falar dos problemas de se viver apegado ao passado e a nostalgia. Johnny Lawrence (William Zabka) não consegue superar a derrota do passado e sua vida é pior por isso. Do mesmo modo Daniel Larusso (Ralph Macchio) se apega aos dias de glória de outrora e não aprecia plenamente a carreira e a família que construiu para si. Reviver a antiga rivalidade é, para os dois, uma maneira de tentar retornar a essa “era de ouro” da vida deles, no entanto isso só traz problemas a ambos. Aviso que o texto a seguir tem SPOILERS da temporada.

A terceira temporada continua onde o segundo ano parou, com Miguel (Xolo Maridueña) em coma depois da briga generalizada na escola, Kreese (Martin Kove) forçando a saída de Johnny do Cobra Kai e Daniel decidindo fechar o Miyagi-Do pela segurança dos alunos. Era de se esperar que as coisas esfriassem depois do conflito, mas Kreese parece disposto a insuflar ainda mais a rivalidade entre os seus alunos para provar que é superior a Daniel e Johnny.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Reflexões Boêmias - Melhores Filmes de 2020

 

Crítica Melhores Filmes

Com todo final de ano e início de ano novo chega a hora de fazer um balanço do que passou. Já apresentamos nossa lista de piores filmes, então é chegada a hora de falarmos dos melhores. Por conta da pandemia do COVID-19 esse foi um ano atípico, ficamos de quarentena em casa, cinemas foram fechados, mas mais do que nunca, nesse período de confinamento, ficou evidente a importância da cultura e das artes. Sem filmes, séries, música, games e outras peças expressivas o confinamento da quarentena seria provavelmente muito pior. A arte nos ajudou a lidar com o isolamento, ofereceu alento, conexão, leveza, reflexão e tantas outras coisas que a arte pode trazer. Diante disso, vou listar os dez melhores filmes que assisti ao longo de 2020 levando em consideração o lançamento oficial no Brasil, nos cinemas ou plataformas digitais.

 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Crítica – Soul

 

Análise Crítica – Soul


Review – Soul

A Pixar criou o costume de trabalhar temas complexos com uma linguagem acessível a todas as idades. Fez isso em filmes como Divertida Mente (2015) e tantos outros. Este Soul segue essa tendência ao trazer questionamentos existenciais e também ponderações metafísicas.

Na trama, Joe é um pianista de jazz que sofre um acidente e tem a alma separada de seu corpo horas antes de um grande show que ele acredita que mudaria sua carreira. No mundo das almas ele se recusa a ir ao pós-vida e aceita ser mentor de uma alma ainda para nascer, chamada de 22, para poder ter uma chance de voltar ao mundo dos vivos.

Como em outros filmes da produtora, a direção de arte é bastante criativa em ilustrar concretamente ideias abstratas, como o espaço do sublime no qual as pessoas, através da arte ou outros meios, entram em contato com o universo espiritual ou o modo como almas que se perdem em obsessões se tornam monstros presos em um invólucro de suas próprias ansiedades.

domingo, 3 de janeiro de 2021

Crítica – Nunca, Raramente, As Vezes, Sempre

Crítica – Nunca, Raramente, As Vezes, Sempre


Review – Nunca, Raramente, As Vezes, Sempre
Falar sobre aborto e questões relacionadas ao acesso ao aborto não são temas fáceis. Filmes que tratam do tema muitas vezes adotam um tom excessivamente panfletário e didático com diálogos pouco orgânicos que funcionam como palestras ao espectador sobre a necessidade de descriminalizar o aborto e deixá-lo acessível por questões de saúde pública. Esse erro nunca é cometido por este Nunca, Raramente, As Vezes, Sempre, da diretora Eliza Hittman,

A trama é centrada em Autumn (Sidney Flanigan), uma garota do interior dos Estados Unidos que descobre estar grávida. Quando ela vai a uma clínica em sua cidade se informar sobre a questão, é atendida por pessoas que a estimulam a continuar com a gravidez, mesmo que seja para posteriormente dar o bebê para adoção. Querendo encerrar a gravidez, Autumn pesquisa sobre as leis de aborto em diferentes estados e resolve ir até Nova Iorque. Acompanhada pela amiga Skylar (Talia Ryder), a única pessoa com quem confidencia a situação, Autumn reúne um pouco de dinheiro e parte em sua viagem até Nova Iorque.

sábado, 2 de janeiro de 2021

Reflexões Boêmias: Piores Filmes de 2020

 

Piores Filmes de 2020

Final de ano é sempre o momento de fazer um balanço de tudo que passou e com 2020 é diferente. Não foi um ano fácil graças à pandemia do COVID-19 e foi particularmente difícil para os filmes com o fechamento de cinemas, grandes lançamentos indefinidamente adiados ou lançados direto em streaming. Sim, alguns lugares até reabriram cinemas, mas o medo do contágio fez muitos se manterem afastados (eu incluso). Deixar de ir aos cinemas, no entanto, não significa que eu não tenha assistido vários filmes ao longo de 2020, bons e ruins. Como eu prefiro dar as notícias ruins primeiro, começo meu balanço do ano com os piores, então vamos a eles. Como em outros anos, a lista leva em consideração filmes que tiveram seu lançamento oficial no Brasil em 2020, seja nos cinemas ou direto em plataformas digitais.

 

 

10 – A Hora da Sua Morte

 

Piores filmes A Hora da Sua Morte

A ideia de um aplicativo que diz quando a pessoa vai morrer poderia render algo ao menos no mesmo nível da tecnofobia do primeiro O Chamado ou as mortes criativas da franquia Premonição. O resultado de A Hora de Sua Morte, no entanto, carece de tensão, criatividade ou mesmo um gore divertido, sendo um terror sonolento que ainda tem a cara de pau de sugerir uma continuação.

 

9 – Fanático

 

Piores filmes Fanático

Dirigido por Fred Durst, ex-vocalista do Limp Bizkit, esse filme é mais uma tentativa de John Travolta de voltar a ser levado a sério como ator dramático. Aqui ele interpreta Moose, um sujeito com problemas mentais que desenvolve uma obsessão por um astro do cinema. A narrativa, no entanto, não parece ter certeza de que tipo de mensagem quer construir ou para quem o espectador deve torcer, sendo prejudicada por vários furos de roteiro e uma composição exagerada de Travolta que descamba para a caricatura.

 

8 – A Barraca do Beijo 2

 

Piores filmes A Barraca do Beijo 2

Nada é tão ruim que não possa ser piorado. Depois de confundir possessividade, machismo e amizades tóxicas com comédia e romantismo, essa continuação não só repete todos os erros do primeiro como ainda se arrasta por inchadas e desnecessárias duas horas e dez minutos de conflitos dramáticos que acontecem por pura conveniência de roteiro e diálogos constrangedores de tão ruins.

 

7 – A Missy Errada

 

Piores filmes A Missy Errada

Mais uma produção da produtora Happy Madison do Adam Sandler que existe como mera desculpa para pagar as férias do comediante e seus amigos. Estrelado por um David Spade que parece ter sido forçado a ir ao set tamanha sua falta de energia ou empenho, o filme é a mesma coleção de escatologia barata e piadas de gosto duvidoso baseadas em preconceitos arcaicos que são comuns nas produções da Happy Madison.

 

6 – A Ilha da Fantasia

 

Piores filmes A Ilha da Fantasia

Remake da famosa série de mesmo nome estrelada por Ricardo Montalban, A Ilha da Fantasia é um raro fracasso da produtora Blumhouse, especializada em filmes de terror. Apesar da premissa de “imaginação sem limites”, o que a fita entrega é algo desprovido de imaginação, encantamento ou mistério. Ao tentar explicar demais o funcionamento da ilha e criar uma mitologia a ser explorada, o filme acaba se enrolando demais e diluem a natureza enigmática da ilha e do Sr. Roarke. Além disso, a trupe de protagonistas é um bando de clichês desinteressantes.

 

5 – O Assassinato de Nicole Simpson

 

Piores filmes O Assassinato de Nicole Simpson

O caso do assassinato de Nicole Simpson, esposa do ex-jogador de futebol americano O.J Simpson já foi muito bem retratado na minissérie O Povo Contra O.J Simpson e o documentário O.J: Made in America. As duas obras davam a impressão de que não havia muito mais a ser contado sobre o caso, mas este O Assassinato de Nicole Simpson prometia inovar ao colocar a história sob o olhar de Nicole para que ela não seja vista apenas como uma vítima. É uma promissa que nunca se cumpre já que Nicole é reduzida apenas a uma vítima. Sem qualquer complexidade ou qualquer outro arco além de ser violentada pelos homens ao seu redor, o filme é uma exploração sensacionalista de uma tragédia real que desrespeita a memória da vítima e ainda tem o agravante de tentar explicar o crime a partir de teorias conspiratórias que já foram refutadas há muito tempo.

 

4 - A Maldição do Espelho

 

Piores filme A Maldição do Espelho

Terror russo incapaz de qualquer medida de coesão narrativa, temporal ou especial. Boa parte dos eventos sequer consegue realizar um encadeamento causal, os personagens são uma coleção de lugares comuns sem imaginação e o monstro principal é vagamente definido. Além de tudo há o problema do filme ter sido lançado aqui dublado em inglês (e a dublagem anglófona é péssima) com legendas em português, o que não faz o menor sentido. Se era para assistir legendado, porque não manter o áudio original em russo?

 

3 – Acordar Negro

 

Piores filmes Acordar Negro

Produção estadunidense estrelada pela modelo brasileira Nana Gouvea, o trailer dele circula há alguns anos via internet, mas só em 2020 chegou oficialmente ao Brasil via Prime Video. O filme usa a estrutura de um terror found-footage não apenas para disfarçar o baixíssimo orçamento, mas a quase total falta de construção narrativa, de personagem ou mesmo de tensão torna tudo um absoluto tédio. São basicamente noventa minutos de Gouvea falando diretamente com a câmera sem que nada aconteça.

 

2 - The Last Days of American Crime

 

Piores filmes The Last Days of American Crime

Em um futuro distópico no qual o crime está prestes a ser erradicado graças a uma tecnologia que paralisa qualquer um que tente cometer uma ilegalidade. Apesar das longas três horas de duração, o filme não tem nada a dizer sobre os temas de vigilância, punição ou autoritarismo. Ao invés disso se perde em um monte de reviravoltas que vão do nada ao lugar nenhum, personagens vazios e cenas de ação com tantos cortes por segundo que parecem pensadas para provocar epilepsia no espectador.

 

1 - A Última Coisa Que Ele Queria

 

Piores filmes  A Última Coisa Que Ele Queria

Uma adaptação de um premiado romance comandada por uma diretora competente e um elenco de peso formado por nomes como Anne Hathaway, Willem Dafoe e tantos outros. No papel não tinha como sair nada dar errado, mas na prática o filme erra feio, erra rude. Tentando falar sobre jornalismo, intervencionismo estadunidense e relações familiares, a narrativa mal consegue contextualizar seus temas principais de maneira minimamente compreensível, se desenvolvendo como um amontoado de cenas coladas a esmo sem qualquer senso de intencionalidade, ritmo, progressão ou arcos de personagem. Em muitos momentos a impressão é de que estamos vendo algo incompleto, como se faltassem cenas ou diálogos para que houvesse um mínimo de coesão. É impressionante como a reunião de tanta gente talentosa conseguiu gerar um resultado tão ruim. Ao menos faz jus ao título e é a última coisa que você vai querer ver em 2020. Ou em qualquer outro ano diga-se de passagem.