terça-feira, 31 de maio de 2022

Drops – Mulher-Gato: A Caçada

 

Análise Crítica – Mulher-Gato: A Caçada

Review – Mulher-Gato: A Caçada
Queria muito ter gostado deste Mulher-Gato: A Caçada. A estilosa cena do roubo inicial combinada com a trilha musical de jazz pareciam introduzir uma aventura cheia de carisma. O problema é que tudo que acontece depois carece de urgência ou de envolvimento com as personagens.

Na trama, Selina Kyle viaja para a Espanha para roubar uma valiosa esmeralda. O problema é que a joia pertencia ao grupo criminoso Leviatã, o que torna a Mulher-Gato um alvo. Agora ela precisa colaborar com a Interpol e a Batwoman para sair viva da situação.

É curioso como apesar da premissa ou da curta duração a trama, que deveria ser uma incessante caçada, soa arrastada. Depois do roubo inicial o filme fica preso em uma série de cenas expositivas que visam explicar a situação, mas fazem muito pouco para criar um senso de movimento ou envolvimento com as personagens. Como todo mundo é bem unidimensional e há muito pouco em jogo para a maioria deles, fica difícil se importar com o que acontece.

segunda-feira, 30 de maio de 2022

Crítica – Stranger Things: 4ª Temporada (Volume 1)

 

Análise Crítica – Stranger Things: 4ª Temporada (Volume 1)

Review – Stranger Things: 4ª Temporada (Volume 1)
Quando escrevi sobre a terceira temporada de Stranger Things mencionei como ela transmitia uma sensação agridoce de “fim de infância”. Essa quarta temporada, que estreia longos três anos depois do lançamento do terceiro ano, tenta levar os personagens adiante, colocando-os para enfrentar os problemas da maturidade ao mesmo tempo em que são confrontados por questões do passado.

Na trama, a cidade de Hawkins é mais uma vez o ponto focal de ocorrências estranhas quando adolescentes começam a morrer de maneiras violentas e sobrenaturais. Inicialmente todos suspeitam do líder do clube de RPG da escola. Dustin (Gaten Matarazzo) e os demais, no entanto, suspeitam que seja algo fruto de alguma entidade do Mundo Invertido e decidem investigar. Ao mesmo tempo, Mike (Finn Wolfhard) viaja para a Califórnia para encontrar Onze (Millie Bobby Brown) e Will (Noah Schnapp) que agora moram lá. A mãe de Will, Joyce (Winona Ryder), tem sua própria missão ao descobrir que Hopper (David Harbour) pode estar vivo e parte para tentar libertá-lo de uma prisão soviética.

sexta-feira, 27 de maio de 2022

Drops – De Volta ao Baile

 

Análise Crítica – De Volta ao Baile

Review – De Volta ao Baile
Depois de surpreendente transformação física, era de se imaginar que a atriz Rebel Wilson deixaria de lado seu tipo de comédia em que ela se limitava a fazer piadas batidas sobre gordos. Esse De Volta ao Baile é um de seus primeiros filmes depois do emagrecimento, mas lamentavelmente ela continua com o mesmo tipo de humor depreciativo sobre corpo, apenas mudando a questão do peso para a questão da idade.

Na trama, Stephanie (Rebel Wilson) acorda depois de um coma de vinte anos, descobrindo que não é mais adolescente e que perdeu a formatura do ensino médio. Disposta a recuperar o tempo perdido, ela decide voltar para a escola para tentar alcançar seu sonho de ser rainha do baile de formatura.

Todas as piadas derivam do fato dela ser uma mulher de quase quarenta anos tentando se comportar como adolescente criando situações vexatórias sobre como Stephanie se veste ou como age. É o mesmo tipo de “humor de constrangimento” que Wilson sempre fez e que continua não funcionando porque ela quer que nosso riso se as custas de sua personagem e não com sua personagem.

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Crítica – Better Call Saul: 6ª Temporada (Parte 1)

 

Análise Crítica – Better Call Saul: 6ª Temporada (Parte 1)

Review – Better Call Saul: 6ª Temporada (Parte 1)
No começo dessa sexta e última temporada de Better Call Saul, que será dividida em duas partes, comentei o que fazia dela um prelúdio tão eficiente. Ao fim dos sete episódios que compõem essa primeira metade, percebi que meu texto deixou de fora um elemento importante: o senso de imprevisibilidade que a série cria mesmo quando achamos que conseguimos deduzir o que está por vir. Aviso que todo o texto a seguir contem SPOILERS da primeira parte da sexta temporada.

Sim, pois por conta de nosso conhecimento de Breaking Bad sabemos que figuras como Kim (Rhea Seehorn), Howard (Patrick Fabian) ou Lalo (Tony Dalton) já não fazem mais parte da vida de Saul/Jimmy (Bob Odenkirk). Desde a temporada passada teorizamos como o envolvimento com Lalo ou o plano para derrubar Howard seria provavelmente o fim de Kim. Por mais que soubéssemos que essas figuras sairiam de cena de um modo ou de outro, a temporada é extremamente eficiente em nos pegar desprevenidos em relação a como isso acontece.

Aí é que entra o outro atributo importante da série: o timing. Sempre falei que a série, assim como Breaking Bad, tinha uma temporalidade de western. Tudo é dilatado em eventos que parecem banais, mas cujo somatório vai produzindo tensões que dão a impressão de que vão estourar a qualquer momento e tudo vai se modificar quando isso acontecer.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Crítica – Tico e Teco: Defensores da Lei

 

Análise Crítica – Tico e Teco: Defensores da Lei

Review – Tico e Teco: Defensores da Lei
Eu adorava a série animada Tico e Teco: Defensores da Lei, chegava a ter vários episódios gravados em VHS que assistia repetidamente quando era criança. A ideia de um reboot através de um longa-metragem para o Disney+ me deixava curioso, mas também preocupado. Afinal, podia ser só mais um na tendência de nostalgia rasteira e caça-níqueis que Hollywood vem explorando. Felizmente o resultado é inesperadamente autoconsciente do estado da própria indústria e seu lugar nela, bem como é a continuação de Uma Cilada Para Roger Rabbit (1988) que provavelmente nunca teremos.

A trama se passa em um universo no qual desenhos vivem entre humanos (daí minha referência a Roger Rabbit), com Tico (voz de John Mulaney) e Teco (voz de Andy Samberg) sendo amigos de infância que juntos fizeram a série de tv Tico e Teco: Defensores da Lei na década de 1990. Nos dias atuais Tico trabalha como vendedor de seguros, enquanto Teco tenta desesperadamente relançar sua carreira, tendo inclusive mudado seu visual para o de uma animação computadorizada. Quando amigos em comum da dupla começam a desaparecer, Tico e Teco se reúnem para investigar o mistério.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Crítica – Top Gun: Maverick

 

Análise Crítica – Top Gun: Maverick

Review – Top Gun: Maverick
O sucesso do primeiro Top Gun (1986) se devia não apenas às cenas de ação, mas o modo como o diretor Tony Scott se apropriava da masculinidade hiperbólica que dava o tom do cinema de ação hollywoodiano daquela época, levando esses elementos ao extremo revelando uma certa breguice e homoerotismo por trás desses ambientes de testosterona elevada. Pois agora este Top Gun: Maverick volta a explorar todos os elementos que deram certo no original, produzindo um filme pipoca que vai direto ao ponto e não tem receio de cafona.

Na trama, Maverick (Tom Cruise) é chamado de volta à academia Top Gun para treinar uma nova geração de pilotos e prepará-los para uma difícil missão. Lógico que esses ases indomáveis tem seus egos e Maverick precisa ensiná-los tanto a manejarem suas aeronaves quanto a saberem trabalhar em equipe. O protagonista tem seu próprio foco de tensão na equipe com a presença de Rooster (Miles Teller), filho de seu falecido parceiro Goose (Anthony Edwards).

Sim, a trama segue muito das mesmas batidas do filme original, inclusive com segmentos bem parecidos, como a sessão de piano no bar, os esportes sem camisa na praia ou as tomadas de Maverick acelerando de moto ao lado de pistas de pouso. Ainda assim, há um inegável senso de diversão conforme o filme explora o senso de hipermasculinidade de seus personagens, sempre tentando mostrar uns aos outros quem é o maioral através de frases de efeito desavergonhadamente cafonas e justamente por isso funcionam.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Crítica – Pai Nosso?

 

Análise Crítica – Pai Nosso?

Review – Pai Nosso?
Uma mulher resolve fazer um daqueles testes de DNA oferecidos na internet para descobrir mais sobre si. Como resultado, a empresa indica que ela tem compatibilidade relativa ao que seria de um dos genitores com outra meia dúzia de pessoas. Essas pessoas então se dão conta de que suas mães se consultaram com o mesmo especialista em fertilidade e que este médico usou seu próprio sêmen para engravidar as pacientes. A história contada pelo documentário Pai Nosso? é uma trama que parece saída da ficção, mas é chocantemente real.

A narrativa acompanha principalmente Jacoba Ballard, a primeira das “filhas” do médico Don Cline a se dar conta do que ele fazia. Ela é a responsável por juntar os meio-irmãos e por tentar cobrar das autoridades algum tipo de justiça pelas ações antiéticas do médico. O documentário é eficiente em expor como as pacientes inseminadas pelo DNA do médico se sentiram violadas tanto em termos físicos quanto na confiança que tinham com o médico, já que algumas delas inclusive tinham pedido para ser inseminadas com a amostra fornecida por seus respectivos maridos.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Crítica – Deedlit in Wonder Labyrinth

 

Análise Crítica – Deedlit in Wonder Labyrinth

Review – Deedlit in Wonder Labyrinth
Não conheço muita coisa do anime (ou do mangá) Record of Lodoss War, mas o que me atraiu a este Deedlit in Wonder Labyrinth foi a jogabilidade que remetia bastante a Castlevania Symphony of the Night. Como gosto bastante de “metroidvanias”, resolvi experimentar e o resultado é bem bacana.

Na trama, a elfa Deedlit acorda em um misterioso labirinto sem memória de como chegou lá e precisa desvendar o mistério do local. Ao longo da jornada ela encontra aliados e inimigos da sua jornada durante a trama de Record of Lodoss War, como o cavaleiro Parn e a elfa-negra Pirotess.

A jogabilidade segue a estrutura típica do que se espera de um metroidvania em 2D, com um grandes corredores a explorar enquanto novas habilidades são adquiridas, permitindo acessar novas áreas. Como em alguns games do gênero, também estão presentes mecânicas de RPG. Ao vencer inimigos Deedlit ganha experiência, sobe de nível e melhora os atributos, podendo também encontrar novas armas para melhorar seu poder de ataque e também encontrar novas magias explorando o mapa.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Lixo Extraordinário – Meia-Noite no Switchgrass

 

Crítica – Meia-Noite no Switchgrass

Review – Meia-Noite no Switchgrass
Primeiro longa-metragem do diretor Randall Emmett, Meia-Noite no Switchgrass é provavelmente o pior cartão de apresentação possível para um realizador estreante. Dividido entre ser uma trama investigativa sombria e um drama sobre a condição da mulher em nossa sociedade, o filme não desenvolve nenhum desses elementos direito, exibe vários problemas técnicos e um elenco que parece completamente desinteressado.

A trama se passa no município de Pensacola no estado da Flórida e acompanha uma investigação que tenta encontrar um serial killer de mulheres. O policial Byron (Emile Hirsch) desconfia que os casos recentes de desaparecimentos e mortes de mulheres estão conectados em um único assassino, apesar de seus superiores não acreditarem. Ele acaba se articulando com o FBI, trabalhando com os agentes Karl (Bruce Willis) e Rebecca (Megan Fox).

Em tese a trama investigativa deveria ser para falar do modo como nossa sociedade trata as mulheres, subestimando-as e colocando-as como objetos descartáveis. O problema é que o filme é todo contado pela perspectiva dos homens, com as personagens femininas reduzidas a serem personagens submissas, como a esposa de Byron interpretada por Jackie Cruz (a Flaca de Orange is the New Black), ou como vítima. Mesmo a agente interpretada por Megan Fox é inevitavelmente presa pelo assassino Peter (Lukas Haas), sendo torturada por ele antes de se libertar.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Crítica – Spree

 

Análise Crítica – Spree

Review – Spree
De certa maneira, Spree não chega a falar nada sobre nossa relação pouco saudável com as redes sociais que já não tenha sido tido antes. Ainda assim, a produção dirigida por Eugene Kotlyarenko consegue envolver por sua mistura entre suspense e sátira social.

A trama segue Kurt (Joe Keery), um jovem que há uma década tenta emplacar como digital influencer, mas não consegue ter mais do que uma dúzia de seguidores. Desesperado por atenção, Kurt decide por um insano experimento social no qual ele resolve matar os passageiros do aplicativo para o qual dirige, transmitindo tudo ao vivo pelas redes sociais. Em um dado momento, Kurt pega uma comediante de sucesso, Jessie (Sasheer Zamata), e se torna obcecado em interagir com ela.

O filme é todo contado através dessas câmeras que Kurt instala em seu carro, além de outras câmeras de celulares e outros dispositivos. Eventualmente o filme acaba se tornando refém desse formato de found footage, com as pessoas continuando a filmar mesmo em situações que seria implausível que alguém continuasse a se preocupar em filmar com o celular ao invés da própria sobrevivência.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Crítica – Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

 

Análise Crítica – Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

Review Crítica – Doutor Estranho no Multiverso da Loucura
O primeiro Doutor Estranho (2016) apresentava ao lado mais bizarro da Marvel, ainda que preso a uma trama excessivamente convencional que era basicamente uma versão com magia do primeiro Homem de Ferro (2008). Este Doutor Estranho no Multiverso da Loucura prometia levar as coisas ainda mais para o lado sombrio e psicodélico e graças à direção de Sam Raimi o filme cumpre o que promete.

Na trama, a viajante interdimensional America Chavez (Xochitl Gomez) chega ao nosso universo, sendo encontrada pelo Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) que tenta protegê-la dos poderosos seres que a perseguem. Para entender o poder de viajar entre universos possuído por America, o Doutor Estranho recorre à ajuda de Wanda (Elizabeth Olsen), mas a Feiticeira Escarlate tem seus próprios planos para a garota.

Colocar Stephen Strange para viajar pelo multiverso é uma ótima desculpa para que Raimi exercite sua capacidade de introduzir criaturas bizarras, visuais psicodélicos e momentos de horror que só não são mais impactantes pela baixa classificação indicativa do filme. Ainda assim, encontrei sustos que não esperava em uma produção voltada para o publico mais novo. A condução de Raimi consegue criar cenas bem singulares, como o segmento em que um Estranho zumbi comanda um exército de espíritos sombrios e que não soaria deslocado em um filme da franquia Evil Dead. Do mesmo modo, a ação usa de maneira criativa as diversas habilidades de heróis e inimigos, seja na luta contra Gargantos em Nova Iorque, seja no modo como America usa seus portais para lutar ou na batalha que envolve os Illuminati, a ação sempre tem algo inesperado a nos oferecer.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Crítica – Bugsnax: The Isle of Bigsnax

 

Análise Crítica – Bugsnax: The Isle of Bigsnax

Review – Bugsnax: The Isle of Bigsnax
Um dos primeiros games lançados para PS5, ficando disponível gratuitamente na Playstation Plus, Bugsnax foi uma grata surpresa. O jogo me pegou por conta de seus quebra-cabeças criativos que envolviam capturar criaturas com aparência de comida e pelo modo como a trama dava guinadas sombrias perto do fim, contrastando com a aparência fofa e inocente. Agora que está também disponível para Xbox e Nintendo Switch, o jogo recebeu uma expansão gratuita em todas as plataformas chamada The Isle of Bigsnax.

A trama da expansão se passa antes da campanha principal. Nela, uma nova ilha emerge próxima à ilha dos Bugsnax e seu personagem, acompanhado de outros membros da vila que você construiu ao longo do jogo, vai investigar a nova localidade. Chegando lá, descobrimos que essa ilha guarda novos e maiores Bugsnax e seus próprios mistérios. A campanha dessa nova expansão é relativamente curta, levando umas três horas para terminar.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Crítica – O Homem do Norte

 

Análise Crítica – O Homem do Norte

Review – O Homem do Norte
Depois de explorar o folclore colonial dos Estados Unidos em A Bruxa (2015) e o folclore do mar em O Farol (2019), o diretor Robert Eggers mira seu interesse no folclore nórdico com este O Homem do Norte. É também o filme dele que mais se aproxima de uma sensibilidade mais comercial, embalando a narrativa como um grande épico hollywoodiano.

A trama é baseada no mito nórdico que inspirou William Shakespeare a escrever Hamlet. Se passa no século IX e acompanha o príncipe Amleth (Alexander Skarsgard), cujo pai, o rei Aurvandil (Ethan Hawke), é morto diante de seus olhos pelo tio Fjolnir (Claes Bang) quando o príncipe ainda era uma criança. Amleth foge, mas jura vingança e já adulto encontra o tio vivendo na Islândia e casado com sua mãe, a rainha Gudrun (Nicole Kidman). Se passando por escravo, ele passa a viver nas terras do tio enquanto espera o momento de atacar, mas aos poucos se aproxima da jovem Olga (Anya Taylor-Joy), que lhe dá outras razões para viver além da vingança.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Crítica – O Peso do Talento

 

Análise Crítica – O Peso do Talento

Review – O Peso do Talento
Apesar de ser fã de Nicolas Cage e achar curiosa a premissa deste O Peso do Talento, temi que acabasse sendo um filme de uma piada só que tenta se sustentar apenas com Cage devorando o cenário como foi o caso de Eu, Deus e Bin Laden (2017). Felizmente isso não acontece aqui e O Peso do Talento é simultaneamente uma paródia da trajetória artística, digamos, errática de Cage, que vai de filmes premiados a completas porcarias, ao mesmo tempo que celebra a singularidade de seu estilo de performance e o legado de seus trabalhos.

Na trama, Nicolas Cage (Nicolas Cage) está endividado e prestes a desistir da carreira de ator para se reaproximar da filha, Addy (Lilly Mo Sheen). É nesse momento em que seu agente lhe passa uma oferta de um trabalho fácil que irá lhe render alguns milhões, basta comparecer à festa de aniversário do magnata espanhol Javi (Pedro Pascal), que o ricaço pagaria um alto cachê pela breve companhia de Cage. As coisas se complicam quando Cage chega à Espanha e é abordado pela agente da CIA Vivian (Tiffany Haddish). Vivian quer recrutar Cage para espionar Javi, que supostamente seria o líder de uma quadrilha internacional de tráfico de armas e sequestrou a filha de uma autoridade local.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Crítica – Cavaleiro da Lua

 

Análise Crítica – Cavaleiro da Lua

Review – Cavaleiro da Lua
Tive minhas desconfianças quando os envolvidos com Cavaleiro da Lua, do diretor Mohamed Diab aos astros Oscar Isaac e Ethan Hawke, passaram a divulgação inteira se referindo à série como um estudo de personagem. Considerando o padrão das histórias dos filmes e séries da Marvel, no entanto, não imaginei que o produto final fosse levar isso a cabo, mas, de fato, os seis episódios colocam no centro o estudo da personalidade fraturada de seu protagonista. Isso, porém, não significa que a série seja livre de falhas.

Na trama, Steven (Oscar Isaac) é um pacato funcionário de museu que vê sua vida virar ao avesso quando começa a ser perseguido pelo misterioso líder de seita Arthur Harrow (Ethan Hawke). Aparentemente Harrow busca um artefato que lhe permitiria ressuscitar a cruel deusa egípcia Ammit e esse artefato estaria com Steven. A questão é que Steven tem uma personalidade alternativa, o aventureiro mercenário Marc Spector. Marc serve como avatar do deus Konshu (F. Murray Abraham) na Terra, se transformando no implacável Cavaleiro da Lua. Agora Marc/Steven precisa resolver sua personalidade fraturada ao mesmo tempo que impede Harrow de reviver Ammit.

O primeiro episódio já estabelece um claro tom anti-programático em relação ao que se espera de uma trama da Marvel. Todas as cenas de ação são abruptamente cortadas toda vez que Marc assume o lugar de Steven, com o personagem confuso em relação ao que aconteceu. Isso permite a trama focar nos dramas de seu protagonista, nas tensões entre ele e o deus Konshu e também no embate moral em relação a Harrow.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Drops – Silverton: Cerco Fechado

 

Análise Crítica – Silverton: Cerco Fechado

Review – Silverton: Cerco Fechado
Baseado em um caso real, Silverton: Cerco Fechado acompanha um grupo de guerrilheiros anti-apartheid na África do Sul que, depois de uma ação dar errado, invadem um banco e tomam todos no local como reféns. Acuados, decidem aproveitar a situação e exigir a libertação de Nelson Mandela em troca da rendição deles e soltura dos reféns.

Poderia ser uma trama para falar sobre a questão do apartheid, sobre a legitimidade de movimentos revolucionários diante de governos autoritários ou questões de negritude e identidade. O problema é que o filme passa ao largo da maioria dessas ideias e prefere focar nos lugares-comuns de filmes que tratam sobre negociação de reféns. Temos aqui todas as situações que já vimos repetidas a todo momento, como os reféns tentando dialogar com os sequestradores, os sequestradores eventualmente brigando entre si por prioridades da missão ou o negociador da polícia que tenta manter todos seguros apesar de ser sabotado pelos superiores.

Apesar das situações conhecidas, o diretor Mandla Dube consegue sustentar o clima de tensão ao longo da projeção e também criar momentos importantes de choque e surpresa conforme vemos que as autoridades estão mais interessadas em calar os pedidos pela liberdade de Mandela do que a segurança dos reféns. Os atores também mantem a tensão, especialmente  Thabo Rametsi como Calvin Khumalo, líder dos revolucionários, que traz com intensidade a urgência da demanda do grupo e a revolta por viver em um estado racista.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Better Call Saul é um prelúdio feito do jeito certo

 

Better Call Saul é um prelúdio feito do jeito certo

Não é segredo o quanto eu gosto de Better Call Saul. A cada nova temporada me surpreendo com a qualidade e a construção cuidadosa e sutil de seus personagens. Confesso que inicialmente não estava convencido de que poderia render algo tão bacana. Fazer um prelúdio de Breaking Bad parecia apenas um meio de capitalizar no sucesso da série protagonizada por Walter White (Bryan Cranston), mas o que Vince Gilligan vem entregando ao longo dessas seis temporadas (a sexta e última ainda está em curso) plenamente justifica a existência da série. Aviso que o texto a seguir pode conter SPOILERS da atual sexta temporada.

É compreensível ter inicialmente ficado arredio com a série. Narrativas prelúdio muitas vezes descambam para o puro fanservice apelando para nossa memória afetiva daquele universo ou personagens. Prelúdios como Han Solo: Uma História Star Wars (2018) ou Oz: Mágico e Poderoso (2013) nos mostram os fatos que levaram personagens conhecidos ao ponto em que os conhecemos em suas histórias originais, mas fazem muito pouco para nos ajudar a entendê-los melhor ou lançar nova luz sobre suas ações em suas tramas originais.

Saber, por exemplo, como Han Solo conseguiu seu blaster, sua nave ou como sua amizade com Lando se iniciou faz muito pouco para nos dar algum novo entendimento a respeito do personagem, apenas exibe eventos que, em alguns casos, já éramos capazes de inferir pelo conteúdo da trilogia original. Em Better Call Saul, por outro lado, os eventos que vemos servem para lançar novas leituras em relação a conduta desses personagens em Breaking Bad.

Um exemplo é Mike (Jonathan Banks). Quando escrevi sobre as duas primeiras temporadas da série mencionei como conhecer o passado de Mike e saber que ele se sente culpado pela morte do filho nos faz entender melhor o quanto ele protegia Jesse (Aaron Paul) em Breaking Bad.

Pois ao longo das temporadas, a jornada de Mike só torna ainda mais compreensível e dá mais peso as ações dele em Breaking Bad porque ao longo de Better Call Saul vemos o personagem continuadamente tentar se redimir pelo fracasso com o filho e falhar em proteger as pessoas sob sua tutela. Primeiro com o cientista alemão responsável por construir o laboratório subterrâneo de Gus (Giancarlo Esposito), que ele se vê obrigado a matar para proteger o segredo e por saber que Gus mataria o sujeito de uma maneira mais cruel que o rápido tiro na cabeça dado por Mike. Depois, já na atual sexta e última temporada, vemos Mike tentar e falhar tirar Nacho (Michael Mando) com vida depois dele ter ajudado na ação contra Lalo (Tony Dalton). É visível que Mike valoriza a lealdade de Nacho e tenta mantê-lo vivo mesmo contra o desejo de Gus.

Nesse sentido, é inevitável falar da composição sutil de Jonathan Banks, em especial na cena derradeira de Nacho diante de Gus e Hector Salamanca (Mark Margolis). Observando tudo pela mira de um fuzil de precisão, Mike levemente abaixa os olhos e respira por um segundo ao ver Nacho se suicidar. É um gesto rápido, mas que comunica o pesar de Mike pelo resultado, ao mesmo tempo que denota o respeito dele por Nacho ao ver o jovem tomar o controle do próprio destino ao invés de esperar que outro o elimine.

Gus é outro personagem que ganha novos contornos ao longo de Better Call Saul. Em Breaking Bad já sabíamos da rivalidade dele com Hector Salamanca e o cartel do qual os Salamancas fazem parte. Aqui, porém, vemos a medida do ódio de Gus e como ele conseguiu exercer sua vingança cuidadosamente ao longo dos anos sem ser notado. O fato dele ter sido responsável por deixar Hector no estado debilitado que o conhecemos em Breaking Bad recontextualiza a rivalidade entre os dois.

Saber que Gus poderia ter deixado Hector morrer já aqui em Better Call Saul, mas pagou o tratamento dele apenas para que se recuperasse o suficiente para viver como um inválido em uma cadeira de rodas, incapaz de se mexer ou falar, mostra o quanto Gus é cruel. Condenar o rival a uma vida de agonia é pior do que matá-lo. Ao mesmo tempo, essa é uma escolha que volta para assombrar Gus ao final, já que é o próprio Hector (com ajuda de Walt) que encerra a vida de Gus em Breaking Bad. Uma espécie de justiça poética que pune Gus pelo erro de ter deixado o rival vivo.

Além disso, a vingança final de Hector é mais um elemento que dá força ao discurso de não usar “meias medidas” que Mike faz para Walt. Observando Breaking Bad à luz do que sabemos desde Better Call Saul ajuda a dar mais peso à fala de Mike porque vimos como, inúmeras vezes, o próprio Mike ou pessoas ao redor dele sofreram duras (e fatais) consequências, porque resolveram usar “meias medidas” ao invés de soluções definitivas.

A série também levou a relação entre Jimmy/Saul (Bob Odenkirk) e Kim (Rhea Seehorn) por caminhos inesperados. Sabemos que os personagens irão se afastar, mas não sabemos como ou por que e a trama tem sido hábil em nos manter em suspense quanto a isso, algo raro em um prelúdio no qual já sabemos o resultado final. Nas primeiras temporadas fica a impressão de que seria o desgosto com a conduta criminosa de Jimmy que afastaria Kim, mas agora, conforme chegamos na temporada final e vemos Kim ser mais implacável que Saul em seus esquemas (como fica evidente no modo como Kim intimida os Kettleman) fica a impressão de talvez a advogada seja destruída por suas próprias ambições.

Claro, ainda assim seria resultado de seu contato com Saul, ressaltando, de certa forma, a natureza corruptora de sua conduta, mas ainda assim, o fim da relação com Kim, a única coisa boa que ele tem, certamente deve ser o empurrão final para o protagonista abraçar de vez sua conduta criminosa. Não sei como a série vai acabar ou se fará jus a tudo que foi construído até aqui. De todo modo, por tudo que foi feito até agora, Better Call Saul é um ótimo exemplo de como fazer um prelúdio relevante que nos faz reexaminar e reinterpretar muito do que vimos na trama original.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Crítica – Ozark: 4ª Temporada (Parte 2)

 

Análise Crítica – Ozark: 4ª Temporada (Parte 2)

Review – Ozark: 4ª Temporada (Parte 2)
A primeira parte da quarta e última temporada de Ozark acabou com um gancho que me deixou ansioso pelos derradeiros episódios da série. Felizmente a Netflix adiantou a estreia da segunda parte da temporada final, diminuindo o tempo de espera. Há sempre o temor que uma série não consiga fazer todas as peças se encaixarem ao final, mas felizmente Ozark entrega um desfecho coerente. Aviso que o texto a seguir contem SPOILERS da temporada final.

Essa segunda parte começa no ponto em que a primeira parou. Com Ruth (Julia Garner) em busca de vingança contra Javi (Alfonso Herrera) depois dele ter matado Wyatt (Charlie Tahan) e Darlene (Lisa Emery). Claro, tudo isso representa um risco para os planos de Marty (Jason Bateman) e Wendy (Laura Linney), que posicionaram Javi como o sucessor de Omar Navarro (Felix Solis) no cartel e precisam dele para fecharem a parceria com a indústria farmacêutica que irá abastecer a fundação dos Byrde e permitir que se afastem do cartel.

Assim como na primeira parte, a trama é eficiente em dar a impressão de que a todo momento as coisas estão desmoronando para os Byrde. A impressão é que uma crise se entremeando na outra, tanto no nível do trabalho deles com o cartel, tanto a nível pessoal. Um exemplo é a chegada do pai de Wendy que insiste em fazer perguntas sobre o sumiço de Ben (Tom Pelphrey).