sábado, 31 de março de 2018

Crítica - Desventuras em Série: 2ª Temporada


Análise Desventuras em Série: 2ª Temporada


Review Desventuras em Série: 2ª TemporadaEssa segunda temporada de Desventuras em Série demora um pouco a engrenar. Depois dos oito episódios da primeira temporada, era de esperar que a série levasse seus personagens a novas direções, mas boa parte desse segundo ano repete os mesmos padrões da temporada de estreia.

Esse novo conjunto de episódios começa no ponto em que o ano anterior terminou, com Klaus (Louis Hynes), Violet (Malina Weissman) e Sunny (Presley Smith) deixados em um colégio interno. Logicamente, a chegada ao colégio não significa o fim dos infortúnios dos Baudelaire e o Conde Olaf (Neil Patrick Harris) logo os encontra para tentar mais uma vez tomar conta de sua fortuna.

A questão é que os seis primeiros episódios seguem à risca a fórmula estabelecida na primeira temporada. Os Baudelaire chegam a um novo local, o Conde Olaf aparece sob algum disfarce, os adultos se recusam a perceber que é o vilão, os irmãos são enredados em alguma armadilha até que removem o disfarce de Olaf e convencem a todos da identidade do vilão. Assim, é difícil afastar a sensação de estar comendo uma janta requentada e que tudo é uma repetição das mesmas coisas que já vimos.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Drops - Assassin's Creed Origins: Os Ocultos e A Maldição dos Faraós


Review Drops - Assassin's Creed Origins: Os Ocultos e A Maldição dos Faraós


Nossa seção de análises curtas irá hoje se deter sobre Os Ocultos e A Maldição dos Faraós, duas expansões para o jogo Assassin's Creed Origins, ambas já disponíveis.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Drops - O Homem Das Cavernas e Perda Total


Crítica O Homem Das Cavernas e Perda Total


Nossa seção de análises curtas fala hoje sobre uma comédia produzida pela Netflix, Perda Total, e a animação O Homem das Cavernas, que recentemente chegou aos cinemas brasileiros.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Crítica - Covil de Ladrões


Análise Crítica - Covil de Ladrões


Review - Covil de LadrõesCovil de Ladrões pretende ser um suspense nos moldes de Fogo Contra Fogo (1995), de Michael Mann, com pitadas de Os Suspeitos (1995), do Bryan Singer, mas parece não entender o que tornou esses filmes marcantes e as razões pelas quais eles permanecem em nossa memória mesmo mais de 20 anos depois de seu lançamento.

A narrativa é centrada no policial Nick (Gerard Butler), incumbido de localizar uma perigosa gangue de ladrões de banco liderada por Merriman (Pablo Schreiber). O que Nick não sabe é que Merriman planeja o maior assalto de sua carreira: roubar 30 milhões do prédio do Banco Central em Los Angeles. Enquanto caça o ladrão, Nick captura um de seus comparsas, o motorista Donnie (O'Shea Jackson Jr), e o força a cooperar com a investigação.

O filme tenta seguir a estrutura de Fogo Contra Fogo, apresentando a vida profissional desses ladrões e criminosos e como ela impacta na dimensão pessoal da vida deles. Diferente do filme de Michael Mann, no entanto, ele não consegue criar personagens suficientemente interessantes ou ambíguos, nem explora direito a dinâmica entre eles. A sensação é o diretor e roteirista Christian Gudegast (responsável pelo texto do péssimo Invasão a Londres) está simplesmente copiando a estrutura de um filme conhecido sem se dar o trabalho de entender como ou porque ela funciona.

terça-feira, 27 de março de 2018

Crítica - Jogador Nº1


Análise Crítica - Jogador Nº1


Review - Jogador Nº1
O diretor Steven Spielberg se tornou famoso na década de 80 ao pegar tudo que ele gostava nos antigos filmes de aventura e ficção-científica dos anos 30, 40 e 50 para criar obras cheias de reverência a esses produtos, mas dotadas de personalidade própria, que se sustentavam independente do público possuir ou não a mesma memória afetiva que Spielberg tinha sobre os filmes de outrora. As aventuras do Indiana Jones ou ET: O Extra-Terrestre (1982) tinham estofo o suficiente para se erguerem com suas próprias pernas, mas não sei se sou capaz de dizer o mesmo deste Jogador Nº1, cujo engajamento do público depende demais de nossa memória afetiva com a cultura pop dos últimos 30 anos para poder funcionar.

Há alguns anos a animação South Park usava as frutas fictícias Memberberries para criticar a tendência atual de Hollywood em se apoiar em uma nostalgia inane para atrair seu público e nenhum filme recente me parece mais exemplar deste problema do que Jogador Nº1. Tal qual as frutas falantes de South Park, o filme te pergunta o tempo todo: "Você lembra de De Volta Para o Futuro? Você lembra de Alien: O Oitavo Passageiro? Você lembra de Star Wars?" e empolgado eu respondia "Sim, me lembro de tudo isso, porquê?". Como resposta o filme apenas me dizia "Nada não, só queria ter certeza que você conhecia essas coisas". Claro, há um prazer inegável em ver um Gundam saindo no braço com o Mechagodzilla ou personagens de Street Fighter ou Overwatch andando lado a lado, mas chega a um ponto em que parece que o filme não tem muito mais a me oferecer além dessas piscadelas e informações triviais sobre coisas que gosto. 

domingo, 25 de março de 2018

Crítica - A Melhor Escolha


Análise A Melhor Escolha


Review A Melhor Escolha
Na superfície, A Melhor Escolha parece ser mais uma daquelas comédias dramáticas sobre superação de dificuldades e mensagens edificantes não muito diferente de outras tramas similares. Ele é exatamente isso, mas também constrói uma reflexão sobre o militarismo dos Estados Unidos e o tratamento dado aos soldados que retornam, estejam eles vivos ou mortos.

A narrativa se passa em 2003 e começa quando Larry "Doc" Shepperd (Steve Carell) resolve se conectar com seus antigos companheiros de farda da época da guerra do Vietnã. Ele busca Sal (Bryan Cranston), que agora é um dono de bar, e Richard (Lawrence Fishbourne), que se tornou pastor de igreja, para pedir ajuda deles para enterrar o filho, que morreu durante a Guerra do Iraque.

Desde o início fica evidente que o reencontro reabrirá antigas feridas do trio, os fará enfrentar traumas do passado e se reconectarem uns com os outros. É bem formulaico, mas a delicadeza e sinceridade com a qual o diretor Richard Linklater conduz tudo, bem como a química entre os três protagonistas, faz tanto o drama quanto o humor funcionar mesmo quando percebemos a natureza previsível do filme. Quem se destaca é Steve Carell com uma performance discreta ao viver um pai em luto. Falando pouco e evitando grandes arroubos de emoção exagerada, Carell consegue, apenas com seu olhar, nos fazer sentir a dor enorme experimentada por seu personagem e o quanto ele está devastado por aquela perda.

2ª Mostra Lugar de Mulher é No Cinema começa amanhã em Salvador


2ª Mostra Lugar de Mulher é No Cinema de 26 de março a 01 de abril


Entre os dias 26 de março e 01 de abril acontece em Salvador a 2ª Mostra Lugar De Mulher é No Cinema. Com o objetivo de fomentar a visibilidade feminina e discutir temas relevantes como a violência de gênero, a misoginia, a sexualidade e o racismo, o evento exibe gratuitamente 77 curtas nacionais dirigidos, roteirizados e/ou protagonizados por mulheres. A mostra exibe também, na noite do dia 27 de março, o longa "A Moça do Calendário", de Helena Ignez, cineasta baiana homenageada nesta edição. O evento é idealizado, dirigido e produzido pelas cineastas Hilda Lopes Pontes, Lilih Curi e Moara Rocha e acontece no Goethe-Institut Salvador, no Corredor da Vitória, e na Sala Walter da Silveira, nos Barris.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Crítica - American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace


Análise American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace


Review American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace
A primeira temporada de American Crime Story me pegou de surpresa ao usar a história real do julgamento do ex-jogador de futebol americano O.J Simpson para fazer uma análise das obsessões e conflitos subjacentes da sociedade estadunidense. Imaginei que esta segunda temporada, baseada no assassinato do estilista Gianni Versace, também fosse usar o crime como um ponto de entrada para o exame dos problemas sociais dos Estados Unidos e de certa forma é o que acontece, ainda que a temporada não tenha a mesma força e contundência do seu ano de estreia.

A narrativa começa quando Gianni Versace (Edgar Ramirez) é assassinado na porta de sua casa pelo jovem Andrew Cunanan (Darren Criss), um rapaz uma admiração pouco saudável pelo estilista. A partir de então a trama passa a acompanhar a caçada por Cunanan ao mesmo tempo em vai voltando no tempo para tentar entender as ações e motivações do assassino. Apesar do nome Versace no título, o estilista e sua família são meros coadjuvantes, aparecendo muito pouco ao longo da temporada. A história que a temporada conta pertence mais a Andrew do que a sua célebre vítima e embora eu entenda que o uso do nome Versace é uma decisão de cunho comercial, afinal ninguém nem sabe ou lembra do nome de Cunanan e colocá-lo no título provavelmente não chamaria tanta atenção. Ainda assim não consigo deixar de sentir que o título é relativamente desonesto com sua audiência e cria uma expectativa equivocada na audiência.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Crítica - Círculo de Fogo: A Revolta


Análise Círculo de Fogo: A Revolta


Review Círculo de Fogo: A Revolta
O primeiro Círculo de Fogo (2013) era uma aventura divertida prejudicada por sua insistência em tentar criar arcos dramáticos sérios para seus protagonistas, sem perceber que tudo aquilo era uma coleção de clichês rasos e que o mais interessante daquele universo era justamente o lado lúdico, ingênuo, exagerado e cafona de vermos jovens pilotando robôs gigantes para lutar contra monstros. Os trailers para este Círculo de Fogo: A Revolta davam a entender que esse novo filme focaria mais na natureza aloprada e colorida desse universo de robôs e monstros gigantes, mas o resultado é mais uma vez inconsistente, ainda que divertido, pela exata maneira com a qual o filme parece ter vergonha em abraçar plenamente a natureza aloprada e sua premissa.

A trama se passa dez anos depois do filme original. O mundo tenta se reconstruir depois do fim da guerra contra os kaijus e Jake Pentecost (John Boyega), filho do general Stacker (Idris Elba) do filme anterior, vive de recuperar sucata dos antigos jaegers para revender aos compradores mais interessados. Ele acaba preso durante uma dessas operações de recuperação e, para livrá-lo da cadeia, sua irmã Mako (Rinko Kikuchi) o coloca para trabalhar como instrutor de um grupo de jovens cadetes que almejam se tornar pilotos de jaeger. Entre os recrutas está a garota Amara (Cailee Spaeny), que foi capaz de construir seu próprio robô a partir de sucata. Ao mesmo tempo, uma nova ameaça surge no horizonte quando misteriosos jaegers de origem desconhecida começam a atacar cidades.

terça-feira, 20 de março de 2018

Crítica - Blindspot: 2ª Temporada

Análise Crítica - Blindspot: 2ª Temporada


Review - Blindspot: 2ª Temporada
Um bom final muitas vezes consegue salvar uma narrativa problemática ou nos faz relevar os problemas do percurso. É mais ou menos isso que acontece nessa segunda temporada de Blindspot, que repete muitos dos acertos e erros da temporada anterior, mas se eleva ao entregar um clímax que verdadeiramente soa como a culminância de uma trama desenvolvida ao longo de dois anos. Aviso de antemão que esse texto contem SPOILERS.

A narrativa começa alguns meses depois do ponto em que a primeira encerrou. Jane (Jamie Alexander) está detida em uma prisão secreta da CIA, mas está planejando escapar. Enquanto isso, a equipe do FBI liderada pelo agente Kurt Weller (Sullivan Stapleton) tem que lidar com o fato de que Jane talvez os tenha traído. Quando Jane finalmente escapa, Kurt e sua equipe decidem capturá-la. O time de Kurt é também abordado por Nas Kamal (Archie Panjabi), uma agente da NSA que há anos monitora o grupo terrorista intitulado Sandstorm, do que Jane fazia parte antes de ter sua memória apagada. Nas propõe a Kurt que o FBI deixe Jane se infiltrar na Sandstorm para descobrir os planos da organização e a identidade de Shepherd, sua liderança misteriosa. Como era de se esperar, a missão de Jane fornece também novas informações sobre o seu passado.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Crítica - Por Trás dos Seus Olhos


Análise Por Trás dos Seus Olhos


Review Por Trás dos Seus Olhos
Gina (Blake Lively) é uma mulher parcialmente cega que finalmente tem uma chance de voltar a enxergar quando se submete a uma cirurgia em seu olho direito. A restauração de sua visão, no entanto, começa a criar problemas em seu casamento conforme ela fica menos dependente de seu marido, James (Jason Clarke). Poderia ser um estudo interessante sobre a dissolução de um casamento ou sobre como depender de alguém é diferente de amar alguém, mas o diretor Marc Forster resolve transformar sua premissa interessante em um suspense psicológico raso, genérico e com reviravoltas cada vez piores.

Se tem algo que o filme acerta, é na construção visual que tenta nos fazer enxergar o mundo sob os sentidos limitados de Gina. O filme usa diferentes lentes, filtros e efeitos digitais para criar imagens surreais e ocasionalmente oníricas para nos transmitir a experiência de Gina com o mundo. É tudo bem estilizado e criativo, mas é lamentável que todo esse estilo esteja a serviço de um produto com tão pouca substância.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Crítica - Tomb Raider: A Origem


Análise Tomb Raider: A Origem


Review Tomb Raider: A Origem
Toda vez que um filme baseado em um game é anunciado, fica a dúvida se finalmente teremos uma adaptação de videogame para o cinema que irá render algo realmente bom. Este Tomb Raider: A Origem carregava essa expectativa de que poderia "quebrar a maldição" desse tipo de filme, afinal os dois últimos jogos, que reinventaram a franquia, foram muito bons e Alicia Vikander era uma atriz talentosa o suficiente para ser Lara Croft. O resultado, porém, é um filme de ação genérico que, embora não seja exatamente ruim, também não te faz sair do cinema muito satisfeito.

A trama acompanha os primeiros passos de Lara Croft (Alicia Vikander) como aventureira. Sete anos depois que seu pai, o Lorde Croft (Dominic West), desapareceu em uma ilha na costa da Ásia à procura da tumba da imperatriz Himiko, Lara organiza uma expedição para a ilha com o intento de descobrir o que aconteceu com o pai e desvendar os mistérios sobre o poder mágico da imperatriz. Chegando na ilha, ela encontra o grupo de mercenários liderados por Mathias Vogel (Walton Goggins) que também está em busca dos restos mortais de Himiko. Assim, Lara precisa enfrentar os mercenários e descobrir como acessar a mítica tumba.

terça-feira, 13 de março de 2018

Crítica - Maria Madalena


Análise Maria Madalena


Review Maria Madalena
A história de Cristo já foi contada várias vezes e sob diferentes enfoques. Este Maria Madalena parecia só mais uma tentativa de contar a mesma história usando um outro ponto de vista, mas se eleva do resto dos "filmes bíblicos" ao usar sua protagonista para dizer algo mais além de requentar uma narrativa que todo mundo já cansou de conhecer.

Centrado na figura de Maria Madalena (Rooney Mara), o filme tem a intenção de passar a limpo algumas concepções ligadas à personagem, em especial a ideia de que ela era uma prostituta que seguia Jesus (Joaquin Phoenix) por algum tipo de penitência. Aqui ela é uma mulher que não se encaixava nos padrões da época por não se ver como esposa e mãe, decidindo seguir Jesus por crer em sua mensagem de tolerância, amor, perdão e igualdade.

O melhor do filme é justamente usar o ponto de vista de Maria Madalena para falar da estrutura patriarcal de sua época (e que reverbera até hoje), que colocava os homens em funções de poder e relegava as mulheres a papéis subalternos. Aqui, Madalena é uma igual aos demais apóstolos, inclusive realizando batismos tal como os outros fazem. Ela é menos uma observadora passiva e mais uma força actante na disseminação da mensagem de Jesus, denotando uma busca por igualdade entre homens e mulheres que o catolicismo institucional nunca abraçou.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Crítica - Aniquilação


Análise Crítica - Aniquilação


Review - Aniquilação
Depois do excelente Ex Machina: Instinto Artificial eu estava curioso para conferir qualquer que fosse o projeto seguinte do diretor Alex Garland. Este Aniquilação traz a mesma ambição e até alguns temas de seu filme anterior, mas o resultado final, embora satisfatório, não chega a causar o mesmo impacto que a estreia de Garland na direção.

A trama é centrada em Lena (Natalie Portman), uma cientista e ex-militar que é levada a uma base secreta do governo depois que seu marido, o soldado Kane (Oscar Isaac), reaparece na casa dela depois de passar um ano desaparecido em uma missão confidencial para o governo. Na base, Lena conhece Ventress (Jennifer Jason Leigh), a responsável pelo local. Ventress informa que Kane está em estado grave e os médicos não sabem como tratá-lo. A missão de Kane tinha sido investigar um fenômeno chamado de "O Brilho", que engolfou a área de uma reserva ambiental em um brilho estranho do qual nada sai e Kane foi o único sobrevivente de sua expedição. Como a área do Brilho está se expandindo, Ventress considera o fenômeno como uma ameaça e monta uma segunda expedição. Lena se voluntaria para ir junto, na esperança de encontrar lá dentro uma solução para o problema do marido.

Crítica - Em Pedaços


Análise Em Pedaços


Review Em Pedaços
Assistir a este Em Pedaços não é uma experiência fácil. O diretor alemão de origem turca Fatih Akin tece uma trama permeada por dor, solidão, desamparo e injustiça na qual não há nenhuma medida de conforto a ser encontrada. A trama acompanha Katja (Diane Kruger), uma mulher alemã casada com um homem turco que perde o marido e o filho em um atentado terrorista.

O filme tenta construir um discurso sobre a ascensão de forças ultraconservadoras e fascistas na Europa, analisando como as estruturas de poder da Alemanha tratam imigrantes como criminosos mesmo quando eles são as vítimas do crime. A narrativa, porém, não avança muito nesse tema, preferindo meramente apontar a existência dessas estruturas opressivas que dão margem à ampliação do discurso de ódio. Deixando de lado o exame sobre o racismo no país, o diretor prefere focar no luto e sofrimento da protagonista diante de sua perda súbita.

Diane Kruger é mais que hábil em nos convencer do desamparo de Katja, uma dor tão intensa e tão profunda que ela parece simplesmente anestesiada, como se todo aquele sentimento fosse demais para que ela conseguisse processar. A câmera de Akin raramente desvia seu olhar de Kruger e não poupa seu espectador de presenciar o sofrimento insuportável da protagonista. Por mais que seja eficiente, em especial pela verdade da atuação de Kruger, por vezes me peguei pensando se o filme não estava passando dos limites de uma estética realista crua e entrando no domínio do puro exploitation. Digo isso porque mesmo quando já ficou evidente a dimensão do sofrimento da personagem, o filme insiste em colocar o dedo na ferida de tal forma e com tanto detalhamento gráfico que não tenho certeza se elas estão ali para reforçar algum argumento ou apenas para chocar.

domingo, 11 de março de 2018

Crítica - Dívida Perigosa


Análise Crítica - Dívida Perigosa


Review - Dívida Perigosa
Apesar de produzir séries de alta qualidade e se sair relativamente na produção de documentários, a Netflix continua a tropeçar na produção de filmes de ficção. A sensação é que esses filmes são pensados e escritos por algum algoritmo que agrupa as preferências de usuários a partir de palavras-chave tipo "dramas de época", "filmes de gângster", "filmes com Jared Leto" e "cinema japonês" e então produz um roteiro que repete de maneira automática e sem muita imaginação os principais elementos de filmes que contenham essas palavras-chave. Assistir este sonolento Dívida Perigosa produz essa exata sensação de algo feito de maneira robótica e sem labor criativo.

A trama se passa no Japão da década de 50. Nick (Jared Leto) é um soldado dos Estados Unidos em uma prisão japonesa. Quando ele ajuda um colega de cela, um alto membro da família criminosa Shiromatsu, em uma fuga da prisão, Nick recebe um convite para se juntar à yakuza. A partir daí, o público acompanha a subida de Nick pelas fileiras da organização seguindo todos os clichês desse tipo de história, incluindo famílias rivais, um romance proibido com a filha do chefe, um traidor na família e mais alguns outros elementos já vimos sendo melhor construídos em vários outros filmes.

sábado, 10 de março de 2018

Crítica - Jessica Jones: 2ª Temporada


Análise Crítica - Jessica Jones: 2ª Temporada


Review Jessica Jones: 2ª Temporada
A primeira temporada de Jessica Jones acertava na exploração dos traumas de sua protagonista e na criação de um vilão fascinante e ameaçador. Essa segunda temporada aprofunda seu mergulho na mente traumatizada de Jessica (Krysten Ritter) e, embora tenha bons momentos, não se sai tão bem quanto a anterior. Antes de prosseguirem na leitura, aviso que o texto a seguir contem SPOILERS.

A trama começa repercutindo os eventos da temporada anterior, com Jessica precisando lidar com sua consciência após ter matado Kilgrave (David Tennant). Ela também precisa lidar com os traumas do seu passado, em especial com o acidente que matou sua família e a fez ser usada como cobaia pela sombria organização IGH. Ao lado de Trish (Rachael Taylor), Jessica investiga o seu passado para tentar finalmente cicatrizar velhas feridas.

Assim como na temporada anterior, Jessica continua sendo uma personagem fascinante. É possível ver nela um grande potencial para fazer coisas boas, mas personagem já perdeu tanto, já passou por tantos abusos e já ultrapassou tantos limites éticos que não consegue acreditar em si mesma e em sua capacidade de se relacionar com outras pessoas. Nesse sentido, Krysten Ritter é ótima em nos fazer perceber, mesmo em pequenos gestos, a carência, solidão e problemas de abandono da personagem. Um exemplo é na leve expressão de tristeza que precede o sorriso dado por ela ao ouvir a notícia do noivado de Trish, como se antes de ficar feliz pela irmã Jessica primeiro pensasse que seria mais uma pessoa a abandoná-la e se ausentar de sua vida.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Crítica - 12 Heróis


Análise 12 Heróis


Review 12 Strong
Já foram feitos inúmeros filmes sobre as histórias reais dos soldados dos Estados Unidos que combateram o terrorismo em países do Oriente Médio. Alguns adotam uma perspectiva crítica, mas a maioria tende a um ufanismo grandiloquente que pinta seus soldados como heróis. Como o título nacional já indica, esse 12 Heróis se enquadra na segunda categoria e daí emerge a pergunta: em que medida ele tenta se diferenciar dos demais filmes sobre o tema? Com cavalos. Sim, o fato de que o grupo de doze soldados avançou para além das linhas inimigas sozinhos e à cavalo é o principal diferencial do filme. Poderia render uma narrativa interessante, mas ele se apoia demais nos clichês desse tipo de história para conseguir ser envolvente.

A trama começa com o atentando ao World Trade Center em 2001. O capitão Mitch Nelson (Chris Hemsworth) está prestes a assumir um cargo burocrático dentro do exército, mas convence seu superior, o coronel Bowers (Rob Riggle, que serviu sob o comando do Bowers real quando atuou como fuzileiro naval), a lhe colocar novamente à frente de sua antiga unidade de combate. Auxiliado pelo soldado Spencer (Michael Shannon), Mitch é incumbido de derrubar a principal fortaleza talibã no Afeganistão. Sua unidade será a primeira a penetrar nas linhas inimigas e, exceto pelo apoio aéreo de bombardeiros, ele e seus onze homens não terão qualquer auxílio. Para cumprir seu objetivo, Mitch precisa colaborar com o general Dostum (Navid Negahban), líder de uma milícia local que se opõe aos talibãs. Como o terreno montanhoso é de difícil locomoção, a unidade de Mitch e a milícia de Dostum avançam à cavalo contra as fortalezas talibãs.

terça-feira, 6 de março de 2018

Crítica - Medo Profundo


Análise Crítica - Medo Profundo


Review 47 Meters Down
Duas jovens, Lisa (Mandy Moore) e Kate (Claire Holt), decidem fazer um daqueles mergulhos dentro de uma gaiola de metal para poder ver tubarões. Para muitos isso por si só já seria assustador, mas quando o guincho do barco quebra e a gaiola afunda no oceano, Lisa e Kate ficam em uma situação ainda mais tensa.

O filme acerta em construir uma atmosfera de desespero, usando vários planos amplos para mostrar ao público a imensidão vazia e sombria do fundo do oceano. Há um senso de perigo não só pelos tubarões, mas também pela urgência do estoque limitado de oxigênio que elas dispõem. O filme cria alguns momentos eficientes de tensão, como o ataque do tubarão à gaiola logo quando elas caem ou o segmento em que Lisa se afasta da gaiola e acaba se perdendo na escuridão do mar.

O problema é que o filme não mantém um ritmo consistente desses momentos de tensão (com fez Águas Rasas, por exemplo) e não tem nada com o que preencher a duração entre um instante de perigo e outro. As atrizes Mandy Moore e Claire Holt não têm muito com o que trabalhar e exceto pelos momentos em que suas personagens estão sob alguma ameaça mais direta, não há muitas razões para se importar com elas.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Crítica - O Passageiro


Resenha O Passageiro


Análise O Passageiro
Em Sem Escalas (2014) o diretor Jaume Collet-Serra colocava Liam Neeson para enfrentar bandidos em um avião. Agora, neste O Passageiro, Collet-Serra dirige Neeson em uma aventura na qual ele precisa enfrentar bandidos à bordo de um trem. Se parece uma reciclagem preguiçosa da mesma trama em uma ambientação diferente, é porque esse filme é exatamente isso.

Michael MacMacauley (Liam Neeson) é um ex-policial que trabalha vendendo seguros. Todo dia ele pega o trem de onde mora até Manhattan para chegar ao trabalho. Ele já se habituou à rota e já conhece os passageiros usuais. Quando subitamente ele perde o emprego, uma misteriosa mulher (Vera Farmiga) o aborda no trem de volta para casa. Ela lhe promete um pagamento de 100 mil dólares se ele puder identificar uma determinada pessoa no trem e plantar um rastreador em seu alvo. Logicamente, as coisas não são tão simples quanto parecem ser e Michael se vê em uma corrida contra o tempo para desbaratar uma perigosa conspiração.

Vencedores do Oscar 2018



A cerimônia de entrega do Oscar aconteceu ontem, 04 de março, e teve como grande vencedor o filme A Forma da Água, que recebeu quatro prêmios. Apresentada por Jimmy Kimmel, a premiação tentou evitar a confusão na entrega do prêmio de melhor filme no ano passado ao colocar o nome de cada categoria com letras bem grandes em cada envelope. Além de A Forma da Águao filme Dunkirk recebeu três prêmios. O veterano ator Gary Oldman recebeu seu primeiro Oscar por seu trabalho como Winston Churchill em O Destino de Uma Nação, primeiro também foi o Oscar recebido pelo diretor de fotografia Roger Deakins, finalmente vencendo na categoria (por Blade Runner 2049) depois de outras 13 indicações sem vencer. Outro feito inédito acontecido ontem foi a vitória de Jordan Peele na categoria de roteiro original na qual ele venceu por Corra!, sendo o primeiro negro a ganhar na categoria. Confiram abaixo a lista completa de indicados, com os vencedores em cada categoria destacados em negrito.

sábado, 3 de março de 2018

Vencedores do Framboesa de Ouro 2018



O Framboesa de Ouro, premiação que "celebra" os piores filmes do ano, divulgou hoje seus vencedores. Quem levou mais prêmios foi a animação Emoji: O Filme, enquanto que Transformers: O Último Cavaleiro, apesar do grande número de indicações, não venceu em nenhuma. Cinquenta Tons Mais Escuros, outro campeão de indicações, ganhou em duas categorias: pior continuação e pior atriz coadjuvante para Kim Basinger. Confiram abaixo a lista completa, com os vencedores destacados em negrito.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Crítica - Projeto Flórida




Filmes que contam histórias sobre crianças vivendo da pobreza muitas vezes pendem para o excesso, ou romantizam demais as condições sob as quais seus personagens vivem ou pesam demais a mão no sofrimento deles diante da situação adversa. Em Projeto Flórida, no entanto, o diretor Sean Baker (do excelente Tangerine) alcança um raro equilíbrio entre a ingenuidade da infância e a dureza do mundo adulto.

A trama é centrada na pequena Moonee (Brooklynn Prince), uma menina de seis anos que passa seus dias de férias brincando com seus amigos nas ruas ao redor do hotel barato no qual vive com a mãe, Halley (Bria Vinaite). Sem emprego, Halley encontra cada vez mais dificuldade para pagar as contas e sustentar a filha, mas Moonee, em sua ingenuidade infantil, está alheia a tudo isso.
                              
A câmera de Sean Baker muitas vezes registra seus personagens com um certo distanciamento, como se o cineasta não as conhecesse e as estivesse analisando, estudando, seguindo aquelas pessoas para tentar compreendê-las. Há um claro contraste entre as cenas envolvendo Moonee e as que envolvem Halley. Moonee vê o mundo como um espaço cheio de oportunidade, um lugar grandioso para aventuras e descobertas, estabelecendo um senso constante de encantamento conforme a menina explora os arredores com seus amigos. Halley, por outro lado, experimenta uma vida no qual nada dá certo e sua existência é tomada por desencanto e melancolia conforme ela vai se dando conta da piora de sua situação. Que Moonee não se dê conta da sua própria situação de miséria só torna tudo mais desolador.