segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Crítica - Águas Rasas



Tenho que admitir que não esperava muito deste Águas Rasas, terror/suspense envolvendo tubarões dirigido por Jaume Collet-Serra, responsável pelos recentes filmes de ação do Liam Neeson como Noite Sem Fim (2015) e Sem Escalas (2014). Filmes sobre tubarões devorando pessoas em praias já tinham atingido o máximo do que essa premissa poderia render com o seminal Tubarão (1975) de Steven Spielberg e Mar Aberto (2003) já tinha trabalhado com uma premissa similar à deste filme, então havia a sensação de que este não tinha muito a acrescentar a esse tipo de história. Águas Rasas não traz nada de novo, é verdade, mas pelo menos consegue produzir bons momentos de tensão.

A trama começa com a estudante de medicina Nancy (Blake Lively) viaja a uma isolada praia na costa mexicana numa jornada de autodescoberta e reavaliação de suas prioridades depois da morte de sua mãe. O ambiente paradisíaco e as ondas propícias para o surfe, no entanto, transformam-se em um local de terror quando ela é mordida por um tubarão e se vê acuada pelo predador em cima de uma pedra a centenas de metros da praia.

A trama é focada inteiramente em Nancy e em seus esforços para sobreviver ao implacável predador que ronda constantemente seu diminuto refúgio. Ferida e com recursos mínimos, a jovem precisa usar sua inteligência para se manter viva. Lively convoca de maneira convincente o desespero e desamparo inicial de Nancy que vai aos poucos se tornando mais resoluta conforme se dá conta de que ninguém virá ajudá-la. Em uma situação limite e completamente vulnerável, é difícil não aderir e torcer pela personagem.

O filme constrói ótimos momentos de medo e tensão nos quais Nancy tenta se manter longe do tubarão enquanto coleta os mínimos de recursos para sobreviver. Da cena em que ela usa seu cronômetro para ir em uma pedra próxima e voltar antes que o tubarão chegue ao momento em que tenta nadar até uma boia náutica, há muitos momentos de tirar o fôlego conforme tememos pela vista da protagonista. As cenas de medo e tensão, juntamente com as belas tomadas iniciais da praia e as cenas de surfe por si só já fazem a fita valer a pena.

Apesar disso, há uma certa dose de exagero, como o momento que ela usa gordura de baleia para incendiar o tubarão, e elementos mal resolvidos da trama, a amiga de Nancy, que sabe para onde ela foi (apesar de não saber a localização exata) parece não procurá-la apesar de seu sumiço de dias. Os demais personagens são completamente idiotas, como o bêbado que surge aleatoriamente na praia ou os surfistas que estupidamente ignoram os avisos da protagonista quanto a presença de um tubarão, e servem apenas para serem brutalmente dilacerados pelo predador marinho.

Ainda assim, Águas Rasas oferece uma tensa jornada de sobrevivência, cuja condução competente do suspense e do medo compensa as deficiências de roteiro.


Nota: 7/10

Trailer:

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