quinta-feira, 23 de maio de 2019

Crítica – Anos 90


Análise Crítica – Anos 90


Review – Anos 90
Anos 90 marca a estreia do comediante Jonah Hill como diretor e entrega um retrato sincero sobre juventude e o senso de deslocamento e alienação que acompanham a adolescência. A narrativa segue o jovem Stevie (Sunny Suljic), um garoto de treze anos que, em busca de um refúgio para sua tumultuada relação com o irmão mais velho, Ian (Lucas Hedges), e a mãe, Dabney (Katherine Waterston). Ele encontra esse refúgio ao se tornar amigo de um grupo de garotos mais velhos que trabalham em uma loja de skate e começa a se integrar a este grupo.

Hill constrói um olhar bem naturalista sobre a juventude, evitando julgar ou analisar demais o comportamento desses personagens, seguindo eles como se estivesse dirigindo um documentário observacional. Esse senso de naturalismo emerge também das performances dos atores que parecem nem estar sendo dirigidos e sim, jovens dos anos 90 que Hill pegou da rua graças ao uso de alguma máquina do tempo. Em especial Sunny Suljic, que evoca bem esse senso de solidão adolescente, da necessidade quase que desesperada de se encaixar em algum lugar, de encontrar a própria identidade e grupo para chamar de seu.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Rapsódias Revisitadas – Ao Abismo: Um Conto de Morte, Um Conto de Vida


Análise Crítica – Ao Abismo: Um Conto de Morte, Um Conto de Vida


Review – Ao Abismo: Um Conto de Morte, Um Conto de Vida
Tanto em sua produção documental quanto ficcional, o cineasta Werner Herzog se interessa por sujeitos em situações-limite. Em pessoas tendo que lidar com decisões ou consequências que a maioria de nós não precisa conviver e que por vezes julgamos com muita facilidade. Isso se aplica a este Ao Abismo: Um Conto de Morte, Um Conto de Vida, no qual ele analisa a questão da pena de morte nos Estados Unidos e como isso afeta todos os envolvidos, do condenado à morte, passando pelos familiares das vítimas e os agentes penitenciários que trabalham diretamente com as execuções.

A narrativa é focada em Michael Perry, condenado a morte por triplo homicídio. Quando o filme começa e Herzog entrevista Perry pela primeira vez, ele está a uma semana de sua execução. O diretor poderia tentar humanizar o personagem para tentar fazer o público se compadecer por ele, visto que Herzog é notoriamente contrário a pena de morte. Outra coisa pela qual Herzog é conhecido é por sua honestidade brutal e ele a exibe já em seu primeiro contato com Perry, dizendo que não gosta dele, que não o acha inocente, mas que ainda o respeita em um nível humano ao ponto de não achar que ele deveria ser executado.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Crítica – Brightburn: Filho das Trevas


Análise Crítica – Brightburn: Filho das Trevas

Review – Brightburn: Filho das Trevas
O que aconteceria se o Superman fosse maligno? Se Jor-El não o tivesse enviado ao nosso planeta para ser um símbolo de esperança e sim um conquistador? São essas as perguntas que este Brightburn: Filho das Trevas tenta responder, ainda que também convoque para si outras estruturas familiares do terror

Na trama, um casal de fazendeiros no interior do Kansas, Tori (Elizabeth Banks) e Kyle (David Denman), que encontram uma nave caída em suas terras e um bebê dentro da nave. Sem filhos, o casal decide adotar o bebê (eu disse que era basicamente o Superman). Anos mais tarde, com doze anos, o jovem Brendon (Jackson A. Dunn) começa a manifestar estranhas habilidades de força e velocidade, aos poucos se dando conta de que é diferente dos demais e percebendo que tem poder para fazer o que quiser.

É curioso que o filme não apenas pega a premissa básica do Superman, mas toma algumas decisões estéticas que remetem a filmes do personagem, em especial a leitura feita por Zack Snyder em O Homem de Aço (2013) e demais filmes do herói sob a batuta do diretor. Os minutos iniciais de Brightburn trazem o mesmo tipo de imagens bucólicas e planos na contraluz da pacata fazenda do Kansas que Snyder apresentava nos flashbacks de Clark em O Homemde Aço, até a paleta de cores é semelhante. A música remete bastante ao trabalho de Hans Zimmer no filme de Snyder em 2013.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Crítica – The Good Fight: 3ª Temporada


Análise Crítica – The Good Fight: 3ª Temporada


Review – The Good Fight: 3ª TemporadaQuando escrevi sobre as duas temporadas anteriores de The Good Fight, mencionei o aspecto combativo da série, de como ela não tinha papas na língua em falar de questões espinhosas de cunho social e político contemporâneos. A questão é que nessa terceira temporada toda essa combatividade acaba soando um pouco sensacionalista demais, principalmente quando mira diretamente na administração Trump, e muito cheio de si, como se a série tivesse certeza de que seu conteúdo será decisivo para derrubar o presidente ou garantir que ele não se reeleja.

Na trama, Kurt (Gary Cole), marido de Diane (Christine Baranski), acaba aceitando um cargo na atual administração, para a decepção de Diane, que teme que o marido esteja sendo usado como bobo da corte por Trump. Ao mesmo tempo a firma de Diane se envolve em um processo contra o inescrupuloso advogado Roland Blum (Michael Sheen), disposto a vencer mesmo tendo que mentir.

Como é de costume, a série trata de temas complexos como o racismo e a ascensão de grupos fascistoides. O episódio no qual Lucca (Cush Jumbo) é tratada primeiro como babá e depois como criminosa por estar andando na rua com o filho, que é branco, é um bom exemplo de como manifestações de racismo que podem parecer inicialmente inofensivas (confundi-la com uma babá) rapidamente escalam para algo perigoso.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Crítica – Entre Vinho e Vinagre


Análise Crítica – Entre Vinho e Vinagre


Review – Entre Vinho e VinagreEu já estou calejado quanto à decepcionante produção de longas metragens originais da Netflix. Sempre que algo parece minimamente promissor, o resultado final geralmente é algo morno. Ainda assim, fui esperançoso assistir Entre Vinho e Vinagre por ser a estreia da talentosa comediante e roteirista Amy Poehler como diretora. O produto final, porém, parece algo feito ao “estilo Adam Sandler de produção” no sentido de que todo filme parece ter sido feito para que Poehler saísse em uma viagem de férias com as amigas. Em si isso não teria problema se o filme rendesse algo bacana, mas do jeito que está parece que o elenco se divertiu bem mais que o espectador.

A trama segue um grupo de amigas que se reúne depois de anos para comemorar o aniversário de Rebecca (Rachel Dratch), que está fazendo cinquenta anos. Abby (Amy Poehler) alugou uma casa na região dos vinhedos da Califórnia para comemorar o aniversário da amiga e montou todo um itinerário da viagem, mas sua natureza controladora começa a incomodar as demais. Com o tempo, a alegria do reencontro vai dando vazão a ressentimentos antigos entre elas.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Crítica – Sai de Baixo: O Filme


Análise Crítica – Sai de Baixo: O Filme

Review – Sai de Baixo: O FilmeEu gostava de Sai de Baixo enquanto programa televisivo. Apesar da produção simples, a série tinha um grau de imprevisibilidade graças a sua natureza improvisacional, com os atores construindo muito de suas falas a partir das reações da plateia que assistia as gravações ou dos próprios colegas de elenco. Eu sabia que essa espontaneidade certamente se perderia em um filme, mas ainda esperava que os personagens fossem capazes de segurar a trama com seu carisma. Infelizmente isso não acontece.

Na trama, Caco Antibes (Miguel Falabella) sai da prisão depois de anos encarcerado, retornando ao apartamento da família no Largo do Arouche apenas para descobrir que ele está indo a leilão. Assim, ele tenta recuperar o apartamento ao se envolver no esquema de lavagem de dinheiro de um tio, precisando cruzar a fronteira do Brasil com o Paraguai com uma mala de pedras preciosas. Com isso, Caco reativa a Vavatur de Vavá (Luiz Gustavo), também preso por conta das falcatruas de Caco. O que Caco não imaginava é que Magda (Marisa Orth) e Ribamar (Tom Cavalcante) tinham seus próprios esquemas planejados para a viagem.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Crítica – Days Gone


Análise Crítica – Days Gone


Review – Days Gone
As primeiras imagens e vídeos de Days Gone mostravam o protagonista Deacon St. John vagando de moto por um mundo pós-apocalíptico desolado, sendo perseguido por gigantescas hordas de infectados (as criaturas do jogo não são exatamente zumbis) que se moviam como uma onda veloz (pensem no filme Guerra Mundial Z). Tudo parecia caminhar para algo similar a uma versão de mundo aberto de The Last of Us, outro exclusivo de PS4 sobre um tipo de “apocalipse zumbi”. O resultado, embora consiga envolver, fica aquém do esperado.

A trama segue Deacon St. John, um motoqueiro que tenta sobreviver nesse mundo destruído por um perigoso vírus que transforma os humanos em “frenéticos” (freakers, no original). Esses frenéticos se comportam basicamente como zumbis, mas estão vivos e são mais fortes e ágeis que desmortos comuns. Deacon e seu melhor amigo Boozer estão planejando deixar a região montanhosa do Oregon e ir rumo ao norte do país, mas Deacon perde a moto e agora precisa encontrar recursos para construir uma nova e poder empreender a viagem.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Rapsódias Revisitadas – A Tênue Linha da Morte


Análise Crítica – A Tênue Linha da Morte


Review – A Tênue Linha da MorteLançado em 1988, o documentário A Tênue Linha da Morte causou impacto ao usar estratégias típicas de ficção, em especial cenas encenadas, para contar a história de um homem injustamente condenado à morte por um crime que não cometeu. O modo de registro documental sempre esteve ligado à ideia de registro e captura do real, então o uso de reconstituições com atores chamou atenção na época do lançamento. Hoje é um recurso corriqueiro do documentário ou mesmo do jornalismo, mas em 88 o filme dirigido por Erroll Morris levantou discussões sobre o que significa representar o real.

A ideia inicial de Morris era fazer um documentário sobre o psiquiatra James Grigson, conhecido como Dr. Morte por conta de seus depoimentos terem sido decisivos para a obtenção de condenações à morte em mais de 100 casos julgados nos Estados Unidos. Em praticamente todas as vezes que era chamado para examinar um réu, Grigson o declarava como um psicopata irreparável, sendo a pena de morte a única maneira de evitar que o réu cometesse mais crimes. Durante a pesquisa para o documentário, Morris conheceu Randall Adams, condenado à morte em parte por conta do testemunho de Grigson, que o considerou uma extrema ameaça para a sociedade depois de examinar Adams por menos de uma hora apenas uma única vez.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Crítica – John Wick 3: Parabellum


Análise Crítica – John Wick 3: Parabellum


Review – John Wick 3: Parabellum
John Wick: Um Novo Dia Para Matar (2017) encerrou prometendo uma guerra aberta entre John (Keanu Reeves) e todo o submundo dos assassinos. Este John Wick 3: Parabellum entrega exatamente aquilo que o final do anterior prometia, entregando uma corrida desesperada por sobrevivência.

Caçado onde quer que vá, John precisa encontrar o misterioso Ancião, uma figura ainda mais poderosa que a Alta Cúpula das famílias criminosas que controlam todo o submundo do crime. Para isso, John precisará da ajuda de Sofia (Halle Berry), uma antiga conhecida que deve um favor a John.

Tal como os outros dois filmes é uma trama bem simples, mas o fato de ser simples não significa que o filme não tem nada a dizer. Há muito aqui sobre a questão de regras, responsabilidade e consequência, sobre como qualquer grupo social, mesmo uma sombria sociedade de criminosos, precisa de regras para resistir à completa barbárie.

Neste filme, mais do que nos anteriores, fica claro que há um desequilíbrio de poder nessas regras, que a Alta Cúpula, aqueles que ditam as regras, detém todo o poder e constroem as regras para manterem e consolidarem seu próprio poder. Não deixa de ser uma metáfora para a própria sociedade, sua necessidade de regras e como as elites financeiras e políticas costumeiramente legislam em causa própria. O discurso sobre ação e consequência também pode ser associado às indeléveis marcas deixadas pela violência, tanto que comete quanto quem sofre, e como essas marcas inevitavelmente transformam e guiam o destino dos indivíduos.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Lixo Extraordinário – Eu Sei Quem Me Matou

Análise Crítica - Eu Sei Quem Me Matou


Review - Eu Sei Quem Me Matou
Estrelado por Lindsay Lohan, Eu Sei Quem Me Matou (2007) é um dos maiores vencedores do Framboesa de Ouro, premiação que celebra os piores filmes, ao lado de porcarias como A Reconquista (2000) e Cada Um Tem a Gêmea Que Merece (2011). Na verdade, Eu Sei Quem Me Matou superou o recorde de sete "prêmios" de A Reconquista, vencendo oito Framboesas.

A trama acompanha Audrey (Lindsay Lohan), uma jovem pianista e escritora com uma carreira promissora pela frente. Tudo muda quando Audrey é misteriosamente sequestrada por um serial killer que está mutilando mulheres na cidade. Audrey é aparentemente encontrada dias depois, caída no meio da estrada sem um braço e uma perna. Acordando no hospital, no entanto, a garota diz não ser Audrey, mas uma stripper chamada Dakota. Como os exames de DNA são iguais aos de Audrey e a polícia encontra contos no computador de Audrey com uma personagem com esse nome, a polícia simplesmente supõe que Dakota é uma personalidade alternativa criada por Audrey para lidar com o trauma, mas Dakota vai demonstrando ser muito mais que isso.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Crítica – Mortal Kombat 11


Análise Crítica – Mortal Kombat 11


Review – Mortal Kombat 11
Eu joguei pouco os dois últimos jogos da franquia Mortal Kombat, mas me mantive interessado na produção da desenvolvedora Netherrealm por conta do primeiro e segundo Injustice, game de luta com os personagens da universo DC, aos quais devo ter dedicado centenas de horas (jogo Injustice 2 ainda hoje). A Netherrealm tem caprichado em seus games, entregando bastante conteúdo em uma época que games de luta lançam com poucos modos e poucos personagens, além de exibir um evidente cuidado e capricho na construção de suas narrativas. Mortal Kombat 11 não é exceção a essa regra e é um ótimo jogo de luta.

A trama começa pouco tempo depois dos eventos de Mortal Kombat X. Raiden foi corrompido pelo amuleto de Shinnok e deixou a cabeça do deus ancião exposta no Submundo como um aviso a qualquer um que tente atacar o Reino da Terra. As ações de Raiden desagradam Kronika, a deusa do tempo, que considera que a decapitação de Shinnok quebrou o equilíbrio entre luz e sombras no mundo. Assim, ela decide reiniciar o tempo apagando Raiden da linha temporal, mas no processo acaba embaralhando as linhas temporais, fazendo versões passadas e presentes de mesmos personagens se encontrarem no presente.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Crítica – Pokémon: Detetive Pikachu


Análise Crítica – Pokémon: Detetive Pikachu


Review – Pokémon: Detetive Pikachu
Filmes de games levam má fama e com certa razão. A maioria dos esforços de adaptar jogos eletrônicos ao cinema normalmente rendem obras que variam entre o morno, como Tomb Raider: A Origem (2018), e o péssimo, a exemplo de Hitman: Agente 47 (2015). Pokémon: Detetive Pikachu se sai melhor que os demais, sendo minimamente envolvente para valer a experiência (principalmente para quem é fã dos monstrinhos) ainda que não seja nada extraordinário.

A narrativa é centrada em Tim (Justice Smith), um jovem que cresceu sem se interessar em ter pokémons depois de se afastar do pai, que trabalhava como detetive tendo um monstrinho como parceiro. Quando o pai de Tim desaparece misteriosamente, ele vai até Ryme City, uma cidade na qual humanos e pokémons vivem em harmonia, ao invés de usar os monstrinhos para batalhar, para desvendar o sumiço do pai. No apartamento do pai ele encontra Pikachu (voz de Ryan Reynolds) capaz de falar, mas que só Tim consegue entender. O monstrinho diz ser um detetive, mas está sofrendo de amnésia e a única pista do seu passado é o endereço do pai de Tim. Assim, Tim e o detetive Pikachu se unem para resolver o mistério.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Crítica – The Act: 1ª Temporada




A primeira vez que assisti ao documentário Mamãe Morta e Querida (2017) que contava a história do chocante assassinato de Dee Dee Blanchard pela filha Gypsy Rose, que todos achavam ser uma deficiente física e mental, tive certeza que eventualmente seria adaptada para a ficção, seja como filme ou série. Assim, foi com pouca surpresa que descobri que The Act, série de antologia baseada em histórias de crimes reais produzida pelo serviço de streaming Hulu, tinha eleito a história de Gypsy para sua primeira temporada.

A trama conta a complicada relação de Dee Dee Blanchard (Patricia Arquette) e da filha Gypsy Rose (Joey King, de Barraca do Beijo). Aparentemente com muitos problemas de saúde desde o nascimento, Gypsy vive em uma cadeira de rodas, é alimentada via sonda e toma uma quantidade enorme de medicamentos por dia. Aos poucos, no entanto, a garota vai descobrindo que a mãe inventou praticamente todos esses problemas de saúde para mantê-la sob controle e ganhar atenção e caridade de estranhos. A temporada vai acompanhando as tensões entre mãe e filha até o assassinato de Dee Dee.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Crítica – Cemitério Maldito


Análise Crítica – Cemitério Maldito


Review – Cemitério Maldito
Confesso que nunca vi o primeiro Cemitério Maldito (1989). Lembro do SBT passar direto em suas sessões noturnas quando eu era criança, mas o comercial me deixava com medo de assistir. O tempo passou e eu me acostumei a filmes de terror, mas nunca lembrei de retornar a Cemitério Maldito. Assim, assisti a essa nova adaptação da história escrita por Stephen King sem ter visto a primeira versão.

A trama acompanha a família do médico Louis (Jason Clarke), que se muda para o interior do Maine para recomeçar a vida. Um dia, o gato de sua filha Ellie (Jeté Laurence) é atropelado e ele leva o animal a um cemitério de animais. Jud (John Lithgow), o vizinho da família, direciona Louis a uma parte isolada do cemitério, direcionando o médico a enterrar o gato ali. Dias depois, o gato reaparece na residência da família, mas aos poucos vai se tornando evidente que o animal está muito diferente.

É, em essência, um filme sobre a dificuldade em lidar com o luto e as maneiras com as quais o excesso de apego aos que partiram acaba destruindo as vidas de quem ficou. A ideia é vista tanto nos flashbacks da esposa de Louis, Rachel (Amy Seimetz), que tem dificuldade em desapegar da brutal morte da irmã doente anos atrás, como na própria jornada de Louis.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Rapsódias Revisitadas – Carnaval Atlântida


Crítica - Carnaval Atlântida


Review Carnaval AtlântidaAs chamadas “chanchadas” eram filmes de comédia de cunho popular feitas no Brasil dos anos 30 aos anos 50 aproximadamente. Durante um bom tempo foram consideradas um gênero “maldito” ou “inferior”, parte disso vinha do discurso de cineastas do movimento do Cinema Novo que viam as chanchadas como algo raso, alienante e vazio. Eles não estavam completamente errados, já que muita coisa, principalmente no final dos anos 50, de fato não tinha muito a oferecer ao espectador além de fórmulas manjadas.

Essas críticas, no entanto, impediram por muito tempo que se percebesse o potencial expressivo de muitas das primeiras chanchadas e de filmes comandados por realizadores como Watson Macedo, Carlos Manga ou José Carlos Burle. Um dos filmes que melhor resume as qualidades dessas chanchadas talvez seja Carnaval Atlântida, lançado em 1952 e dirigido por Burle. Na época, a Atlântida, junto com a Cinédia, era uma das maiores produtoras de cinema no Brasil daquele período. A trajetória da produtora chegou a ser retratada no documentário Assim Era a Atlântida (1974), que ajuda a entender esse período importante e pouco pesquisado do cinema brasileiro.

A trama de Carnaval Atlântida é centrada na produtora comandada por Cecílio B. DeMilho (Renato Restier), uma nome feito claramente para parodiar o produtor e diretor hollywoodiano Cecil B. DeMille. DeMilho quer que seu próximo filme seja uma superprodução baseada na história de Helena de Tróia e contrata um especialista em história grega, o professor Xenofontes (Oscarito) para ajudar na tarefa. Ao mesmo tempo, os atores do estúdio, como Augusto (Cyll Farney), Regina (Eliana Macedo) e os dois assistentes Piro (Colé Santana) e Miro (Grande Otelo) tentam convencer Cecílio a fazer uma comédia carnavalesca.