quarta-feira, 25 de março de 2020

Rapsódias Revisitadas – Mega Man X7


Crítica – Mega Man X7


Review – Mega Man X7
Eu sinto que estou traindo o propósito dessa coluna. Não estou aqui falando de algo que estou retornando, mas que experimentei pela primeira vez. Não joguei Mega Man X7 quando ele foi originalmente lançado para Playstation 2 e só agora com Mega Man X LegacyCollection 2 eu pus as mãos nele. Então estou retomando uma discussão sobre um produto que foi lançado anos atrás, o que, de certa forma, significa que eu o estou revisitando, de certa forma. Na minha crítica de Mega Man X Legacy Collection 2 me referi a este Mega Man X7 como o pior da franquia e aqui vou tentar ampliar minha explanação do porque penso isso.

Em um game de aventura e plataforma duas coisas que precisam funcionar muito bem são os controles e a câmera e nenhum desses elementos funciona direito aqui. Outros Mega Man X antes e depois tinham controles muito precisos, mas X7 soa desajeitado e escorregadio. O movimento é muito mais lento que outros exemplares da franquia e andar, dar dash ou pular nunca parecem ter uma física precisa de como funcionam, seja nos segmentos 2D ou nos segmentos 3D. A situação, no entanto, é muito pior nos segmentos 3D por conta da câmera.

terça-feira, 24 de março de 2020

Conheçam os vencedores do Framboesa de Ouro 2020



O Framboesa de Ouro, premiação que celebra os piores filmes do ano, tinha planejado fazer sua primeira cerimônia ao vivo em 2020, mas a pandemia do coronavírus levou ao cancelamento desses planos e os vencedores foram anunciados via internet. Como era de se imaginar, o musical Cats foi o grande vencedor levando seis Framboesas, incluindo o de pior filme e pior diretor, colocando Tom Hooper no seleto grupo de pessoas que ganharam um Oscar e um Framboesa, como Halle Berry e Sandra Bullock. Além de Cats, há de se destacar a vitória de John Travolta como pior ator e Eddie Murphy vencendo o prêmio de redenção por Meu Nome é Dolemite. Confiram abaixo a lista completa de indicados com os vencedores destacados em negrito.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Crítica – O Preço do Talento


Análise Crítica – O Preço do Talento


Review – O Preço do Talento
Escrito pelo ator Shia Labeouf a partir de suas próprias experiências com o pai, este O Preço do Talento é uma história quase que autobiográfica sobre um astro mirim preso em uma complicada (e por vezes abusiva) relação com o pai. Dirigido pela israelense Alma Har’el, em seu primeiro longa de ficção, o filme surpreende pelo cuidado e complexidade com o qual trata esse relacionamento entre pai e filho.

Na trama, Otis (Lucas Hedges) é um ator problemático, com vícios em drogas e bebidas, que é levado para reabilitação depois de um acidente de carro. Como parte de sua terapia, Otis começa a escrever sobre os motivos que levaram a seus vícios e então fala de sua juventude ao lado do pai, James (Shia Labeouf). O arco imita, de certa forma, a própria vida de Labeouf, que escreveu O Preço do Talento quando estava na reabilitação.

Como um astro-mirim, Otis (Noah Jupe) conta com a constante presença do pai nos sets de filmagem e passa a maior parte do tempo com ele. Jupe é ótimo em construir a vulnerabilidade de Otis, que percebe que as ações de James não são compatíveis com o que se espera de um bom pai, mas ainda assim não é capaz de dizer como se sente ou mesmo de confrontar os erros e irresponsabilidades do pai.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Rapsódias Revisitadas – O Sétimo Selo


Crítica – O Sétimo Selo


Review – O Sétimo Selo
Famoso pela imagem do cavaleiro que joga xadrez com a Morte, O Sétimo Selo, do sueco Ingmar Bergman, é uma ponderação sobre a existência humana, nossos medos, anseios, nossa relação com o divino e nossa busca por um propósito no mundo. É uma trama que consegue ser densa, mas, ao mesmo tempo, oferece momentos de leveza suficientes para que tudo não se torne insuportável.

A trama se passa durante o período em que a Peste Negra se espalhava pela Europa medieval e a Igreja controlava as populações pelo medo de ir para o inferno. O cavaleiro Antonius Block (Max Von Sydow) está retornando para casa depois das cruzadas e durante a viagem recebe a visita da Morte (Bengt Ekerot). Block propõe um desafio à Morte, eles irão disputar uma partida de xadrez e, caso vença, a morte o deixará em paz. Assim, Block segue em sua viagem para casa, sendo recorrentemente visitado pela Morte para que continuem sua partida.

terça-feira, 17 de março de 2020

Crítica - Mega Man X Legacy Collection 2


Análise Crítica - Mega Man X Legacy Collection 2


Review - Mega Man X Legacy Collection 2Eu cresci sendo fã dos games do Mega Man desde seus primeiros jogos em 8 bits, conhecendo o personagem pela primeira vez em Mega Man 3. A geração seguinte de consoles apresentou uma nova versão do personagem em Mega Man X, que se passava em um futuro ainda mais distante e trazia novos elementos de jogabilidade. Passei a gostar mais da série X do que a principal e joguei tudo que saiu do personagem no Super Nintendo e Playstation, pulei Mega Man X7 e só retornei ao robô em Mega Man X8. Com tanto passado com esses jogos, fiquem bem empolgado com a possibilidade de ter novamente todos os jogos nas duas coletâneas formadas por Mega Man X Legacy Collection e Mega Man X Legacy Collection 2, então irei analisar agora a segunda.

A segunda coleção nos leva de Mega Man X5 ao Mega Man X8. Os elementos adicionais são os mesmos da primeira coleção, como filtros, tamanho de tela e galerias. Os X Challenges também estão presentes aqui, mas lamentavelmente são praticamente os mesmos da primeira coleção com apenas algumas variações, então se você jogou todos na primeira, não há muito motivo para fazê-los aqui. Essa segunda leva de jogos já não tem a mesma consistência dos anteriores e demonstram como a franquia estava começando a se desgastar.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Crítica - Mega Man X Legacy Collection


Análise Crítica - Mega Man X Legacy Collection


Review - Mega Man X Legacy Collection
Eu cresci sendo fã dos games do Mega Man desde seus primeiros jogos em 8 bits, conhecendo o personagem pela primeira vez em Mega Man 3. A geração seguinte de consoles apresentou uma nova versão do personagem em Mega Man X, que se passava em um futuro ainda mais distante e trazia novos elementos de jogabilidade. Passei a gostar mais da série X do que a principal e joguei tudo que saiu do personagem no Super Nintendo e Playstation, pulei Mega Man X7 e só retornei ao robô em Mega Man X8. Com tanto passado com esses jogos, fiquem bem empolgado com a possibilidade de ter novamente todos os jogos nas duas coletâneas formadas por Mega Man X Legacy Collection e Mega Man X Legacy Collection 2, então irei analisar as duas a começar pela primeira coleção.

A primeira coletânea vai do Mega Man X ao Mega Man X4. Como muitas coleções recentes, ela permite escolher entre formatos de tela e também alguns filtros, como o que reproduz os efeitos de uma televisão de tubo ou o que suaviza os pixels. Devo dizer que a suavização de pixels funciona bem para os jogos de Playstation da coleção (aqui apenas o X4), mas não muito bem para os de Super Nintendo, com os pixels constantemente “tremendo” na tela. Como em muitas coletâneas recentes, o jogo oferece uma ampla galeria de artes e imagens dos games, uma playlist com as músicas de todos os jogos disponíveis na coleção, além do curta animado Day of Sigma.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Reflexões Boêmias – Better Call Saul e a noção de "menos é mais"


Better Call Saul mostra como menos pode ser mais


Sempre que escrevo sobre alguma temporada de Better Call Saul menciono o quanto a série (assim como Breaking Bad antes dela) é cuidadosa na construção de seus planos e na condução de seus atores de modo a usá-los para comunicar muita coisa sobre seus personagens, seus estados de ânimo e seus arcos dramáticos, sem que efetivamente precise dizer muita coisa. Isso me veio muito à mente quando assisti o quarto episódio da atual quinta-temporada da série, intitulado Namastê. Como vou analisar muitas cenas de um episódio que foi ao ar recentemente, aviso que o texto pode conter SPOILERS da atual temporada.

O episódio começa no exato ponto em que o anterior terminou, na imagem em close do sorve de que Jimmy (Bob Odenkirk) jogou no chão antes de entrar no carro com Nacho (Michael Mando). No final do terceiro episódio achei curioso a escolha de encerrar com a imagem do sorvete, mas essa decisão se justifica ao longo do quarto episódio. A câmera se aproxima ainda mais do sorvete no chão, dando um zoom microscópico para mostrar as formigas que se aproximam do doce caído, começam com algumas poucas, mas vão ficando cada vez mais numerosas.

A imagem parece dotada de um valor simbólico que fala diretamente sobre o que está acontecendo com Jimmy naquele momento da trama. Cada vez mais imerso no alter ego de Saul Goodman, ele definitivamente mergulha em uma atividade criminosa ao entrar no carro com Nacho. O abandono do sorvete e subsequente infestação de formigas parece estar ali para denotar o processo de corrupção moral de Jimmy conforme ele se coloca em um caminho sem volta para a criminalidade. Afinal de contas Better Call Saul, da mesma forma que Breaking Bad, é um conto sobre a falência moral de um indivíduo que começou com boas intenções e se tornou um criminoso sem escrúpulos.

Mas Lucas, você me pergunta, será que você não está viajando na interpretação? Bem, é sempre possível, mas nesse caso específico a narrativa reforça essa possibilidade de leitura ao fim da reunião de Jimmy com Lalo Salamanca (Tony Dalton). Nacho deixa Jimmy no mesmo ponto em que o pegou e Jimmy olha para o chão e vê o sorvete tomado por formigas. Ou seja, Jimmy voltou ao mesmo ponto onde estava e encontra o sorvete que largou no chão sendo deteriorado por insetos, um reflexo da deterioração moral do personagem.

Não é só através das imagens que o episódio consegue nos dizer muito sobre os personagens usando poucos elementos, a conduta dos atores também nos comunica muita coisa sem que seja necessário um diálogo explícito. A postura defensiva e a fala hesitante de Jimmy na conversa com Lalo deixam claro para o espectador que Jimmy está desconfortável em efetivamente trabalhar para o tráfico. Mais que isso, a maneira como ele alonga a fala na qual tenta dar um valor de seus serviços a Lalo evidencia que o personagem não tem a menor noção do que está fazendo e apenas tenta enrolar o traficante na esperança de sair nessa situação. Afinal, nesse ponto da trama Jimmy ainda não é plenamente o Saul Goodman desprovido de escrúpulos que conhecemos em Breaking Bad. Não há qualquer diálogo explícito que nos diz que Jimmy está desconfortável ou não quer fazer o serviço, mas a conduta do personagem nos diz tudo que precisamos saber.

Do mesmo modo, a maneira com a qual Kim (Rhea Seehorn) perde a paciência com um idoso cuja propriedade um cliente dela quer adquirir diz muito sobre a relação entre a advogada e Jimmy. Conforme ela grita com o idoso sobre a necessidade de seguir regras e honrar a própria palavra, fica claro que ela não está se referindo apenas à teimosia do idoso, mas está descontando nele a frustração que sente com Jimmy e o fato de Jimmy estar cada vez mais afrouxando seus limites morais.

O incômodo de Kim com a conduta de Jimmy era visível no rosto dela desde a cena final da quarta temporada, no entanto a personagem nunca transmitiu seus pensamentos ao namorado. A explosão dela diante do homem idoso explicita ao público o quanto as ações de Jimmy a estão tirando do sério e o quanto ela vinha contendo seu incômodo durante todo esse tempo.

Voltando à construção das imagens e situações, a cena final é outro exemplo de como um evento aparentemente banal pode dizer muito sobre os personagens. Kim chega em casa e encontra Jimmy bebendo na varanda. Jimmy se sente, de alguma maneira, incomodado por ter se tornado um empregado dos Salamanca, enquanto que Kim está frustrada por ter tido que acabar com a vida de alguém por causa de um cliente. Ambos ultrapassaram seus limites morais naquele dia e ambos estão mal por isso, mas eles não se falam.

Jimmy dá uma cerveja para Kim e ela arremessa a garrafa na rua. Jimmy então arremessa sua própria garrafa e os dois pegam o restante das cervejas e começam a jogá-las da varanda. É perceptível que a ação é uma maneira de ambos extravasarem suas respectivas frustrações sem, no entanto, falar sobre elas com o outro e isso diz muito sobre a relação de Kim e Jimmy naquele momento.

Por pior que estejam se sentindo, eles não querem dizer um para o outro como se sentem ou o que os incomoda, preferindo encontrar uma maneira alternativa de botarem os sentimentos para fora enquanto adiam uma inevitável conversa sobre o que realmente se passa na cabeça de cada um deles. É evidente, a esse ponto, que eles não têm uma relação no qual sentem abertura um com o outro, buscando maneiras de prolongar o silêncio que há entre eles. Um silêncio que provavelmente irá se tornar insuportável em algum momento. É por elementos como esses, nos quais a série nos comunica muito sobre os personagens e seus sentimentos sem precisar de diálogos que fiquem explicando o que está se passando com eles.



quinta-feira, 12 de março de 2020

Crítica – Troco em Dobro


Análise Crítica – Troco em Dobro

Review – Troco em Dobro
Quando vi os primeiros trailers para este Troco em Dobro, tive uma impressão familiar com os nomes dos personagens. Minha memória logo me levou à série dos anos oitenta Spenser For Hire e então me dei conta de que tanto a série quanto Troco em Dobro eram adaptações dos romances criados por Robert Parker e estrelados pelo durão investigador Spenser.

Aqui, Spenser (Mark Wahlberg) é um ex-policial que sai da cadeia cinco anos depois de agredir um oficial superior ao vê-lo bater na esposa. No dia em que sai da prisão, o capitão Boylan (Michael Gaston), o superior que Spenser agrediu, é morto em circunstâncias misteriosas. Spenser é considerado o principal suspeito, mas ao lado do colega Falcão (Winston Duke, o M’Baku de Pantera Negra), irá tentar desvendar o crime.

Chama a atenção a inconsistência tonal do filme. Por um lado ele parece querer se levar a sério como uma narrativa hard boiled de um sujeito desencantado com o sistema e resolve agir por conta própria para fazer justiça. Por outro há uma clara intenção de tentar fazer graça com todas essas convenções, funcionando mais como uma comédia de ação. Essas duas abordagens mais brigam entre si do que se mesclam em um todo coeso e em muitos momentos temos a impressão de que o filme não sabe exatamente o que quer ser.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Crítica – Bloodshot


Análise Crítica – Bloodshot


Review – Bloodshot
Um soldado é usado como cobaia em um experimento que injetará algo em seu corpo que o tornará indestrutível e depois tem as memórias manipuladas para ser usado como uma arma viva pelas pessoas que o criaram. Essa é a origem do herói Wolveri...hã? Esse não é um filme do Wolverine? Tem certeza? A premissa é a mesma. Então tá, é um filme sobre um sujeito desmemoriado que reganha sua consciência e se recusa a ser usado, se voltando contra aqueles que o usaram. Essa é a jornada de Jason Bour...hein? Também não é um filme do Bourne? Bem, não, isso é a trama básica de Bloodshot, baseado no quadrinho de mesmo nome, que nunca consegue ir além de ser uma colcha de retalhos de histórias que já vimos antes.

Ray (Vin Diesel) é um soldado aparentemente morto em ação. Ele acorda em um laboratório e descobre que foi usado como cobaia em um experimento que implantou nanomáquinas em seu corpo que praticamente o tornam imortal. Ele não se lembra do passado, mas começa a ter flashbacks do assassinato da esposa e parte em uma jornada de vingança. No percurso, começa a suspeitar que o Dr. Harting (Guy Pearce), o cientista responsável por seus aprimoramentos, talvez o esteja manipulando.

terça-feira, 10 de março de 2020

Crítica – A Maldição do Espelho


Análise Crítica – A Maldição do Espelho


Review – A Maldição do Espelho
Eu realmente não entendo o que acontece com alguns filmes russos que chegam ao Brasil, como A Sereia (2019) ou Os Guardiões (2017). Este A Maldição do Espelho é mais um que tem um lançamento bizarro, chegando aqui dublado em inglês e com legendas em português. Aqui, mais que qualquer outro caso desses, a dublagem é um problema por conta da péssima qualidade, já que os dubladores parecem apenas estar lendo as falas de seus personagens sem muita expressividade. Não que uma boa dublagem ou o acesso ao áudio original pudessem salvar o desastre que é o filme.

A trama é focada nos irmãos Olya (Angelina Strechina) e Artyom (Daniil Izotov). Depois que a mãe deles morre em um acidente de carro, os dois são mandados para um colégio interno sediado em uma antiga mansão. Bisbilhotando pelos cantos antigos da propriedade, Olya, Artyom e outros estudantes encontram um antigo espelho com marcas satânicas que serviria para invocar a lendária Rainha de Espadas, que concederia desejos a quem invocasse em troca da vida das pessoas que a invocaram. O que os adolescentes fazem? Invocam a criatura, claro, e obviamente começam a morrer.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Crítica – Castlevania: 3ª Temporada


Trailer Crítica – Castlevania: 3ª Temporada


Review – Castlevania: 3ª Temporada
Depois do final da segundatemporada, imaginei que Castlevania pudesse não retornar para um terceiro ano. Afinal, Drácula foi eliminado e a história desses personagens, em tese, tinha chegado ao fim. Fiquei temeroso que essa terceira não tivesse muito a dizer, mas felizmente ela mantem o padrão de qualidade das outras duas.

Depois da morte de Drácula, Trevor (Richard Armitage) e Sypha (Alejandra Reynoso) vivem juntos caçando os monstros que sobreviveram à batalha contra Drácula. Alucard (James Callis) vive sozinho no castelo de seu pai, guardando o local para que ninguém possa usá-lo. Alucard é eventualmente encontrado por uma dupla de jovens caçadores de vampiros e os toma como aprendizes. A vampira Carmilla (Jaime Murray), que escapou do castelo de Drácula, consegue retornar ao seu reino e junto com suas principais tenentes vampiras trama uma maneira de dominar a região antes controlada por Drácula.

A temporada segue o mesmo ritmo deliberado das outras e se você não se agrada com a natureza slow burn da trama, esse terceiro ano não irá te converter em um amante da série. Ainda assim, esse ritmo se justifica pelo cuidado que o texto tem em desenvolver seus personagens, inclusive os antagonistas, e nos faz entender a maneira como eles veem o mundo e porque se tornaram desse jeito. Assim, mesmo personagens que poderiam soar unidimensionais, como o implacável mestre da forja Isaac (Adetokumboh M'Cormack), nos fazem perceber a humanidade e vulnerabilidade que existe para além de sua crueldade.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Crítica – Altered Carbon: 2ª Temporada

Análise Crítica – Altered Carbon: 2ª Temporada


Review – Altered Carbon: 2ª Temporada
A primeira temporada de Altered Carbon conseguia nos apresentar a um universo cyberpunk bem singular e junto com esse universo construía um mistério envolvente centrado no passado do protagonista e em sua complicada relação com a irmã. Essa segunda temporada expande ainda mais nosso entendimento sobre o universo da trama. Com oito episódios ao invés dos dez da primeira temporada, a trama é mais concisa e sem a sensação de filler de antes, mas não consegue apresentar um conflito que seja tão interessante ou complexo quanto o de seu ano de estreia.

A trama se passa trinta anos depois da temporada anterior. Takeshi Kovacs (Anthony Mackie) é procurado por um rico matusa do Mundo de Harlan, planeta natal do personagem, pedindo que Kovacs o proteja de uma ameaça iminente, oferecendo a ele uma nova capa com aprimoramentos de combate. Enquanto Kovacs é colocado em sua nova capa, seu contratante é morto e a culpada é aparentemente Quellcrist Falconer (Renée Elise Goldsberry), antiga amante de Takeshi, líder da resistência que pregava o fim dos cartuchos e que supostamente estava morta há séculos.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Crítica – Uma Vida Oculta


Análise Crítica – Uma Vida Oculta


Review – Uma Vida Oculta
Confesso que não estava lá muito empolgado para assistir este Uma Vida Oculta, trabalho mais recente do diretor Terrence Malick. Apesar de filmes dele como Além da Linha Vermelha (1999) e Árvore da Vida (2011) serem alguns dos meus favoritos de todos os tempos, a impressão é que os trabalhos de Malick na última década vinham sendo uma repetição apática e vaga de coisas que ele já tinha feito melhor antes, como o fraco De Canção em Canção (2017). Aqui Malick tem um tema mais claramente definido e assim suas elucubrações filosóficas parecem mais focadas e consistentes.

A narrativa é baseada na história real de Franz Jagerstatter (August Diehl), um fazendeiro austríaco que se recusou a servir no exército nazista durante a Segunda Guerra Mundial por não acreditar nos motivos nazistas para estarem no conflito. A decisão de Franz logicamente não foi bem recebida por sua vila e também pelas autoridades, trazendo pesadas consequências para Franz e sua família.

terça-feira, 3 de março de 2020

Jogamos a demo de Final Fantasy VII Remake


Jogamos a demo de Final Fantasy VII Remake

Lançado em 1997 para o primeiro Playstation, Final Fantasy VII foi a razão que eu tive para trocar meu Nintendo 64 pelo console da Sony. É um dos meus jogos favoritos de todos os tempos e foi extremamente importante da formação da minha identidade gamer e para sedimentar minha preferência por RPGs. Então obviamente fiquei muito empolgado quando foi anunciado um remake do jogo para a atual geração de consoles, algo que não apenas melhoraria os gráficos, mas atualizasse a jogabilidade e outros elementos.

A notícia de que o jogo seria dividido em episódios me decepcionou um pouco pelo temor de que cada episódio fosse mais curto que um jogo “completo” ainda que vá custar o mesmo valor, embora entendo que a escala épica da narrativa seja grande demais para caber em um game só (o original vinha em três discos, afinal). Assim, parti para jogar o recente demo de Final Fantasy VII Remake esperando me encantar novamente por um jogo que foi extremamente importante para mim.

A demo se passa no primeiro capítulo do jogo, cobrindo o ataque ao reator Mako 1 e é bem fiel ao original em termos de trama e de fidelidade visual. Ver o reator, Cloud e os demais membros da Avalanche recriados com todo poderio dos consoles atuais é altamente prazeroso para qualquer fã do original e o mesmo pode ser dito sobre música, que usa versões plenamente orquestradas dos temas já conhecidos.

A jogabilidade é a principal diferença, sendo mais um RPG de ação do que por batalha por turnos. O jogador controla um personagem do grupo, mas é livre para trocar qual dos membros do grupo está em suas mãos durante os combates. Na verdade, em alguns combates alternar o personagem controlado é essencial para vencer rapidamente, explorando como as habilidades de cada um são mais específicas para cada tipo de inimigo. Barret, por exemplo, pode atacar à distância com a arma acoplada em seu braço, o que o torna essencial para destruir as torres de defesa que encontramos pelas paredes do reator.

O combate é veloz e grandiloquente, lembrando um pouco Kingdom Hearts ou Final Fantasy XV, mas oferece mecânicas que lhe dão personalidade própria. A principal é a barra de ação, que remete às barras de ação do jogo original, que precisávamos esperar encher antes que cada personagem pudesse agir. Aqui, com os combates sendo em tempo real, a barra de ação é preenchida com o tempo e conforme o jogador toma ou recebe dano. A barra serve para usar magias, golpes especiais ou itens, sendo necessário esperar a barra encher novamente depois da ação ser feita. Cada personagem também possui uma habilidade de combate única, com Cloud podendo alternar entre dois modos de combate (um mais tradicional e outro que o deixa mais lento, mais forte e com contra-ataques poderosos), enquanto que Barret pode fazer um disparo contínuo de sua arma para encher rapidamente sua barra de tempo.

Outra mecânica é a barra de atordoamento que acompanha cada inimigo e que vai sendo preenchida a medida que os adversários tomam dando ou são atingidos por suas vulnerabilidades. Quando a barra enche, o inimigo fica atordoado e recebe mais dano. Saber manejar todas essas mecânicas de combate é essencial para derrotar o chefe da demo, o Guard Scorpion. Se no jogo original ele era facilmente derrotado com meia dúzia de usos da magia Thunder, aqui ele é um oponente bem mais perigoso e que muda de padrões conforme a batalha se desenvolve. É realmente necessário transitar entre Cloud e Barret, saber quando atacar, quando esquivar ou quando defender, já que os ataques do chefe, mesmo os normais, podem causar muito dano e derrubar a vida dos personagens rapidamente.

Tudo que vi em termos de combate, fidelidade e apresentação audiovisual me deixaram bastante empolgado para o jogo completo, mas ainda assim alguns elementos me preocupam. O primeiro é ainda a falta de clareza quanto a natureza episódica do jogo. A Square-Enix deixou claro que cada episódio terá uma duração compatível com um jogo inteiro, no entanto também já avisou que esse primeiro episódio só irá até o fim do arco de Midgar (presumivelmente até o ataque à torre da Shinra), algo que compreende cerca de vinte por cento do jogo original. Assim, me pergunto como eles irão conseguir preencher trinta ou quarenta horas de conteúdo a partir de algo que originalmente tinha uma fração disso.

Sim, a desenvolvedora já falou que irá adicionar outras histórias e personagens, porém como não sabemos exatamente como tudo será organizado, temo por uma estrutura repetitiva, cheia de backtracking pelos mesmos espaços e mesmos objetivos, principalmente nas já anunciadas missões secundárias. Outro elemento que me preocupa são as intervenções na narrativa, já que a demo me deu motivos para ficar esperançoso e alguns para me preocupar.

Positivamente a narrativa da mais espaço para desenvolver as personalidades de Jesse, Biggs e Wedge, ajudando que nos conectemos com eles e, provavelmente dando mais impacto ao eventual destino do trio. Personagens do núcleo da Shinra como Heidegger e o presidente também tem um pouco mais de espaço e podemos ver o que eles estavam fazendo enquanto os protagonistas arquitetavam seus atentados.

Por outro lado, uma mudança em relação à destruição do primeiro reator me desagradou por tentar consertar algo que não era um problema. SPOILERS a seguir. No game original, Cloud e a Avalanche de fato conseguiam destruir o reator com a bomba que plantavam, mas aqui a bomba plantada por Barret não é suficiente para detonar o reator, que é destruído pela própria Shinra. Da maneira como é mostrada na demo, a ação não faz sentido. Se o presidente tinha dezenas de robôs e torretas dentro do núcleo do reator, porque não matar os membros da Avalanche de uma vez? Talvez quando jogar o game completo a decisão do presidente faça sentido, mas, apenas pelo contexto da demo, o jogo cria um furo de roteiro onde antes não havia nenhum.

Outro problema é que a escolha em fazer a destruição do reator não ser fruto das ações dos protagonistas tira um pouco da complexidade moral da situação. Se antes eles eram de fato eco-terroristas usando meio questionáveis em uma causa indubitavelmente justa do ponto de vista moral, com a mudança eles se tornam mais claramente bonzinhos e a Shinra mais claramente maligna. É uma saída fácil e relativamente covarde para reduzir tudo a um maniqueísmo raso ao invés de lidar com a complexidade das escolhas morais dos protagonistas. De novo, espero que essas mudanças sejam melhor justificadas e amarradas no contexto geral do produto final, mas aqui elas me deixam um pouco preocupado não só com alterações na história original ou em adições que sejam apenas filler sem muita repercussão.

Ainda assim, a demo me deu motivos suficientes para me deixar empolgado e ansioso para quando Final Fantasy VII Remake for lançado em abril e torço para que o produto final consiga mostrar que minhas preocupações estão equivocadas.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Crítica – O Homem Invisível

Análise Crítica – O Homem Invisível



Review Crítica – O Homem Invisível
Depois da tentativa fracassada em transformar seus monstros clássicos em protagonistas de filmes de aventura estilo Marvel para criar um universo compartilhado no inepto A Múmia (2017), a Universal recuou e decidiu mudar a abordagem. Com uma parceria com a produtora Blumhouse, especialista em filmes de terror, o estúdio decidiu por fazer filmes de menor orçamento, sem a obrigação de serem blockbusters gigantescos, e devolvendo-os ao reino do terror. O primeiro filme dessa leva, O Homem Invisível, mostra que foi uma escolha acertada.

A narrativa foca em Cecilia (Elizabeth Moss), uma mulher que foge do relacionamento abusivo que tinha com Adrian (Oliver Jackson-Cohen, do péssimo O Que De Verdade Importa), um magnata da tecnologia óptica. Duas semanas depois de deixar Adrian, Cecilia recebe a notícia de que ele cometeu suicídio e que ela herdaria parte da fortuna de Adrian. A partir desse ponto, Cecilia começa a perceber coisas estranhas acontecendo em sua casa e desconfia que Adrian esteja vivo e encontrou um jeito de continuar a atormentá-la.

Como o filme se chama O Homem Invisível fica evidente desde o início que Cecilia está certa e, assim, não há muita incerteza ou suspense em relação ao que de fato está acontecendo com a protagonista. Ainda assim a trama consegue extrair tensão da situação ao explorar o modo como a sociedade trata mulheres que relatam algum tipo de violência e perseguição, considerando-as como loucas e exageradas. Assim, tememos por Cecilia justamente por sabermos que ela está certa enquanto todos os outros ao redor duvidam dela. Tememos também por reconhecermos a fragilidade mental dela, ainda sofrendo com estresse pós-traumático e como isso pode tornar mais difícil que ela confronte seu agressor.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Rapsódias Revisitadas – O Diabo a Quatro


Crítica - O Diabo a Quatro


Review Crítica - O Diabo a Quatro
Os irmãos Marx (e não, eles não eram parentes do Karl) eram uma das mais famosas trupes de comédia do cinema hollywoodiano nas décadas de 30 e 40, conhecidos pelo humor anárquico e diálogos afiados. Este O Diabo a Quatro, lançado em 1933 é um dos meus preferidos do grupo.

Na trama, a fictícia nação da Freedonia está passando por uma grave crise financeira e o político Rufus T. Firefly (Groucho Marx) é apontado para liderar o país e tirá-la da crise. Para recuperar os cofres, o principal plano de Rufus é casar com a rica viúva Gloria Teasdale (Margaret Dumont). Os planos de Rufus, no entanto, encontram resistência em Trentino (Louis Calhern), embaixador do país vizinho, Sylvania, que quer arruinar a Freedonia para anexar ao seu país. De modo a frustrar os planos de Rufus, Trentino contrata dois atrapalhados espiões, Chicolini (Chico Marx) e Pinky (Harpo Marx), mas os dois podem criar mais problemas para o embaixador do que resolvê-los.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Crítica – Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar


Análise Crítica – Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar


Review – Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar
Em Tempos Modernos (1936) Charlie Chaplin refletia como o processo de industrialização reduzia o ser humano a uma mera engrenagem do grande complexo industrial capitalista. É difícil não pensar no filme de Chaplin e na imagem do seu personagem carregado em meio às engrenagens de uma fábrica ao assistir este Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar.

Dirigido por Marcelo Gomes, o documentário acompanha o cotidiano de Toritama, um município no agreste pernambucano que se tornou o maior polo de produção de jeans no Brasil. Além de fábricas, boa parte da população também trabalha de maneira autônoma em suas próprias oficinas, sendo a maioria da cidade envolvida nas atividades. Para dar conta do volume de pedidos, a população trabalha de domingo a domingo no ano todo, só parando na semana de carnaval, quando a cidade fica deserta.

As imagens dos trabalhadores em seus movimentos repetitivos trabalhando com o tecido remetem à robotização do trabalhador pelo sistema industrial. Homem e máquina funcionam em simbiose, como se fossem uma coisa só. A narração chega a apontar a agonia que é filmar aquelas ações, como se observar aquilo seria endossar essa desumanização do trabalhador.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Rapsódias Revisitadas - A Viagem de Chihiro


Crítica - A Viagem de Chihiro


Review - A Viagem de Chihiro
Dirigido por Hayao Miyazaki, A Viagem de Chihiro é daqueles filmes que nos conquista principalmente por causa de seu visual. Em termos de trama a animação é uma história de amadurecimento envolvendo uma garota que subitamente vai parar em um mundo habitado por criaturas bizarras, não muito diferente do tipo de história que já vimos em algo como Alice no País das Maravilhas. No entanto, é a maneira como Miyazaki conta a sua história que faz toda a diferença.

Chihiro é uma menina de dez anos que está se mudando para uma cidade nova. Durante o trajeto, seus pais se perdem na estrada e a família vai parar no que parece ser um parque de diversões abandonado. Os pais de Chihiro encontram uma mesa posta com um enorme banquete e começam a comer sem ponderar a razão de tudo aquilo estar ali e logo são transformados em porcos. Chihiro então descobre que estão num lugar habitado por espíritos, que funciona como um resort para os seres do mundo espiritual. Para evitar o mesmo destino dos pais e tentar achar um jeito de voltar para casa, Chihiro é aconselhada pelo jovem Haku a trabalhar para a bruxa Yubaba em sua casa de banhos.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Crítica – Jay & Silent Bob: Reboot


Análise Crítica – O Império Contra-Ataca: Reboot


Review – O Império Contra-Ataca: Reboot
Apesar de terem aparecido em todos os filmes de Kevin Smith desde sua estreia em O Balconista (1994), a dupla Jay e Silent Bob só foi ter um filme como protagonistas em O Império (do Besteirol) Contra-Ataca (2001). Agora, a dupla volta a protagonizar uma nova comédia neste Jay & Silent Bob: Reboot e fui assistir me ainda havia algo de interessante a ser dito sobre esses personagens ou todo o “humor nerd” do diretor Kevin Smith.

Sim, pois quando Smith surgiu na década de noventa, suas narrativas sobre amigos que vagam em lojas de conveniência e shoppings falando de quadrinhos e ficção-científica eram novidade. Ele falava com sinceridade e afeto sobre um tipo de pessoa que o cinema hollywoodiano sempre tratava numa chave de ridículo e havia um frescor nisso. Hoje, com a cultura nerd tomando o mainstream do pop, não há mais como dizer que Smith tem uma perspectiva única sobre este universo. Ao trazer a palavra “reboot” no título, imaginei que Smith poderia ter algo a dizer sobre a maneira como a cultura nerd foi apropriada pela indústria e é mais ou menos o que ele tenta fazer, embora não seja exatamente bem sucedido.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Crítica – A Última Coisa Que Ele Queria

Análise Crítica – A Última Coisa Que Ele Queria


Review – A Última Coisa Que Ele Queria
Eu não estava preparado para a bagunça que é este A Última Coisa Que Ele Queria e isso não é um elogio. Considerando que a diretora Dee Rees vinha do bacana Mudbound (2017), que também era uma adaptação de um livro com múltiplas tramas e um pano de fundo histórico, esperava algo com a consistência do trabalho anterior da diretora. Infelizmente, o resultado mais parece algo que deveria ser uma minissérie com meia dúzia de episódios que foi de última hora transformado em um longa de duas horas e precisou ser editado ao ponto de praticamente não conseguir fazer sentido.

A trama, que adapta um romance (que não li) de Joan Didion, se passa na década de oitenta e segue a repórter Elena McMahon, que está investigando o envolvimento do governo dos Estados Unidos com o financiamento dos Contras na Nicarágua, mas é retirada da tarefa por seu editor, que a coloca para cobrir a campanha eleitoral. Ao mesmo tempo, Elena descobre que seu pai biológico, Dick (Willem Dafoe), está perto de morrer e ele lhe pede que complete seu último serviço. Dick era um contrabandista internacional e seu trabalho final era justamente levar uma carga para a Nicarágua e assim Elena vai cumprir o último desejo de seu pai e terminar sua investigação.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Crítica – A Arte da Autodefesa


Análise Crítica – A Arte da Autodefesa


Review – A Arte da Autodefesa
Eu não estava preparado para a sucessão de absurdos que a trama deste A Arte da Autodefesa colocou diante de mim. Falo absurdos no bom sentido, já que todos os eventos inesperados e condutas sem noção parecem claramente pensados para agregar à mensagem do filme e suas ponderações sobre masculinidade.

A trama é protagonizada por Casey (Jesse Eisenberg), um contador pacato e tímido que um dia é assaltado e espancado por uma gangue de motoqueiros. Traumatizado pelo ocorrido, Casey decide começar a fazer aulas de karatê para ser capaz de se defender. Aí ele conhece Sensei (Alessandro Nivola), um instrutor artes marciais que promete fazer o protagonista superar todos os medos.

Dizer mais seria estragar a experiência de quem ainda não assistiu, já que a trama nos leva a muitos desdobramentos inesperados. O que parecia uma história de um sujeito lidando com os traumas da violência urbana se transforma em uma versão idiota de Clube da Luta (1999). Por outro lado, a reviravolta envolvendo a gangue de motoqueiros seja relativamente previsível. Sim, o plano da gangue não faz muito sentido, mas me parece ser uma decisão proposital de mostrar como toda a situação e o esforço precisar rearfirmar a masculinidade o tempo todo é, em si, absurdo e potencialmente perigoso.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Crítica – A Hora da Sua Morte


Análise Crítica – A Hora da Sua Morte


Review – A Hora da Sua Morte
Na superfície este A Hora da Sua Morte parece ser uma cópia genérica de Premonição (2000) e O Chamado (2002). Depois de ver o filme preciso admitir que estava completamente errado. A Hora da Sua Morte é uma colcha de retalhos quase incoerente de todos os clichês do terror hollywoodiano nas últimas décadas. É tão preso aos lugares-comuns do gênero que beira o autoparódico, mas que nunca chega a ser engraçado ao ponto de funcionar como comédia.

A trama acompanha a estudante de enfermagem Quinn (Elizabeth Lail), que ouve falar sobre um aplicativo que diz quanto tempo falta para o usuário morrer. De início Quinn acha que é brincadeira, mas descobre que todos que baixaram o aplicativo de fato morreram na hora avisada, a despeito de seus esforços de evitar sua morte. Assim, desde a premissa, se desenha um conflito no qual uma personagem recebe uma contagem regressiva de um dispositivo eletrônico, tal qual O Chamado (2002) e cujos esforços de fugir do destino são inúteis como os dos personagens de Premonição (2000).

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

5 Contra 1 – Jogos do Sonic


Piores jogos do Sonic


Aproveitando que Sonic: O Filme recentemente chegou aos cinemas, resolvi rememorar os jogos do ouriço azul fazendo um balando de seus melhores e piores momentos. Sonic apareceu pela primeira vez em 1991 e apesar de ter feito muito sucesso na época do Mega Drive, o personagem teve dificuldade de fazer a transição para os games tridimensionais e muitos de seus jogos nas últimas décadas deixaram bastante a desejar. Com isso em mente, vamos lembrar cinco bons jogos e um muito ruim estrelados pelo mascote da Sega.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Crítica – Luta Por Justiça


Análise Crítica – Luta Por Justiça


Review – Luta Por Justiça
Baseado em uma história real, este Luta Por Justiça é daqueles filmes que vale principalmente pela mensagem, já que sua estrutura narrativa e dramatúrgica não tem nada de muito diferente que outros dramas de tribunal já tenham apresentado antes. Assim como o recente O Preço da Verdade é um filme fundamentado na tradição do pensamento liberal dos Estados Unidos que uma pessoa pode enfrentar o sistema judicial e político, sendo capaz de mudar as coisas por conta de sua ação individual. Não deixa de ser curioso, inclusive, que o caso se passe na mesma cidade em que Harper Lee escreveu O Sol é Para Todos, talvez a primeira grande narrativa do século XX a adotar esses temas e estruturas.

A trama começa no final da década de oitenta quando Walter McMillan (Jamie Foxx) é preso e condenado a morte por assassinato apesar de se declarar inocente. O advogado Bryan Stevenson (Michael B. Jordan) é um jovem recém formado em Harvard que decide ir para o sul dos Estados Unidos ajudar detentos no corredor da morte que foram injustiçados pelo sistema. Assim, Bryan acaba pegando o caso de Walter e luta para provar que ele é inocente.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Crítica – Entre Realidades


Análise Crítica – Entre Realidades


Review – Entre Realidades
Uma história pode ter falhas, mas se entregar um bom desfecho somos capazes de relevar todos os problemas da trama. Do mesmo modo, se um produto que começa promissor, entrega um desfecho que não consegue dar conta de suas próprias ambições, é difícil espantar o sentimento de insatisfação. Esse Entre Realidades acaba lamentavelmente se encaixando na segunda categoria.

A narrativa é centrada na solitária Sarah (Alison Brie). Ela passa os dias indo do trabalho para casa assistir seriados e não tem muita vida social. Um dia ela começa a ter sonhos estranhos e passa a questionar a própria realidade.

A jornada da personagem e o uso do realismo fantástico pode ser entendida como uma grande metáfora para o processo de alguém profundamente sozinha se perdendo na própria instabilidade mental. Nesse sentido o trabalho de Alison Brie é fundamental para nos vender o senso de confusão mental da protagonista. Brie consegue fazer de Sarah alguém vulnerável emocionalmente, carente, solitária e que, talvez por tudo isso, esteja se desconectando do mundo real e se entregando a uma série de delírios e paranoias. Do mesmo modo, Brie também consegue inserir em sua personagem uma energia insana em seus momentos de maior instabilidade, mostrando o quanto ela pode ser perigosa a si mesma ou a outros.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Crítica – O Limite da Traição


Análise Crítica – O Limite da Traição


Review – O Limite da Traição
Ano passado Tyler Perry lançou Acrimônia, um pretenso suspense sobre uma mulher que buscava vingança contra o marido que a traía. Era um produto inconsistente, que não parecia saber se queria ser um drama sério ou um novelão caricato e descambava para algo completamente absurdo em seus últimos minutos. Pois O Limite da Traição, novo filme de Perry produzido pela Netflix, funciona basicamente da mesma forma que Acrimônia, contando uma história de traição que começa minimamente calcada na realidade e depois se torna algo tão surtado que acaba ficando engraçado.

Na trama, a defensora pública Jasmine (Bresha Webb) é incumbida de defender Grace (Crystal Fox), uma mulher acusada de violentamente matar o marido. O caso toma a mídia e o chefe de Jasmine a pressiona para fazer Grace aceitar um acordo com a promotoria e se declarar culpada, mas Jasmine aos poucos percebe que há algo errado na história de Grace.

Assim como Acrimônia é a história de uma mulher traída e usada por um cônjuge abusivo e reage a esses abusos de maneira violenta. Com essa premissa, a narrativa poderia ser usada para falar sobre machismo e os problemas que decorrem de uma estrutura patriarcal que trata as mulheres como objetos descartáveis. A “moral” dos filmes de Perry, no entanto, não tenta defender o fim das práticas machistas por uma questão ética ou humana, suas narrativas basicamente argumentam que não se deve tratar mulheres de maneiras desumanas porque elas são loucas desequilibradas e você vai acabar morto. É como alguns argumentos abolicionistas do século XIX que defendiam o fim da escravidão para que os senhores afastassem suas famílias dos convívios dos negros que seriam naturalmente vis, malignos e violentos.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Crítica – Sonic: O Filme


Análise Crítica – Sonic: O Filme


Review – Sonic: O Filme
O primeiro trailer para esse Sonic: O Filme surpreendeu a todos com o visual bizarro do ouriço azul, tentando mesclar suas formas cartunescas com proporções mais humanoides e criando um híbrido sinistro entre as duas coisas. Felizmente a equipe responsável pelo filme teve o bom senso adiar o filme para rever o visual do personagem, entregando algo que não só era mais próximo dos games, como também mais carismático e menos assustador.

Na trama, Sonic (voz de Ben Schwartz) vive na Terra há uma década depois de ser obrigado a fugir de seu planeta natal. Aqui, ele leva uma existência solitária e escondida. Um dia, durante uma de suas corridas, seus poderes causam um enorme pico de energia que deixam uma cidade inteira sem eletricidade, chamando a atenção dos militares. O instável Dr. Robotnik (Jim Carrey) é despachado para investigar a ameaça, enquanto Sonic tenta fugir com a ajuda do policial Tom (James Marsden).

A dublagem do Ben Schwartz dá ao Sonic uma personalidade inquieta, agitada e cheia de senso de humor. Como boa parte dos personagens reagem ao ouriço como uma criatura fofa, o personagem é beneficiado pelo redesign que recebeu em relação à primeira versão, já que nada disso funcionaria com o visual bizarro que inicialmente foi pensado para ele.