sexta-feira, 29 de julho de 2022

Drops – Nancy Drew e a Escada Secreta

 

Análise Crítica – Nancy Drew e a Escada Secreta

Review – Nancy Drew e a Escada Secreta
Estrelado por Sophia Lillis, Nancy Drew e a Escada Secreta marca mais uma tentativa recente de trazer de volta a jovem detetive juvenil Nancy Drew para os cinemas. Assim como aconteceu com Nancy Drew e o Mistério de Hollywood (2007), no entanto, o resultado morno impediu outras continuações da jovem detetive. Curiosamente a personagem encontrou recentemente sucesso na televisão com a série Nancy Drew que apresenta uma versão um pouco mais velha da personagem e uma abordagem mais sombria.

Nancy (Sophia Lillis) é uma jovem que não se adapta à vida pacata da pequena cidade para a qual se mudou junto com o pai. Com uma mente arguta e um afiado senso de justiça, ela constantemente se mete em problemas conforme tenta ajudar as pessoas da cidade. Uma dessas pessoas é Flora (Linda Lavin) uma idosa que crê que sua casa é assombrada por fantasmas.

É óbvio desde o início que não existem realmente fantasmas. Como o número de possíveis suspeitos é bem reduzido fica muito evidente que todo o mistério passa pela disputa por terras para a construção de uma ferrovia. Com isso o mistério nunca envolve ou intriga como deveria, já que tudo é muito simples e fácil de deduzir. Exceto pelos minutos finais a trama também não consegue imprimir um senso de urgência ou de que há algo sério em jogo durante a investigação de Nancy.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Drops – Contrato Perigoso

 

Análise Crítica – Contrato Perigoso

Review – Contrato Perigoso
Apesar de ser vendido como um thriller de ação, Contrato Perigoso é mais um drama sobre como os EUA tratam seus soldados como mercadoria descartável do que uma produção focada em ação explosiva. Depois de dar baixa no exército o soldado James (Chris Pine) tem dificuldade em arranjar emprego e pagar as contas da família. Um antigo colega de farda, Mike (Ben Foster), consegue para ele um emprego em uma companhia militar privada.

A dupla é mandada para Alemanha, sob pretexto de uma missão secreta para eliminar um virologista que estaria desenvolvendo uma arma biológica mortal. Eles executam a missão, mas são emboscados logo depois e James começa a desconfiar que o patrão, Rusty (Kiefer Sutherland), está tentando apagar os rastros da missão.

Mesmo nas cenas de ação, é uma produção que busca mais o realismo do combate armado, com os personagens buscando cobertura e se movendo de maneira mais lenta e deliberada, do que uma ação explosiva e grandiloquente. São, porém, os momentos de silêncio em que o filme impacta mais. Chris Pine traz no semblante a dor e o cansaço de alguém que acreditou estar cumprindo um importante dever e foi consistentemente abandonado, seja pelas forças armadas, seja pelo setor privado.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Crítica – Não Me Diga Adeus

 

Análise Crítica – Não Me Diga Adeus

Review – Não Me Diga Adeus
De relance Não Me Diga Adeus é um típico road movie sobre pessoas se reconectando ao longo da viagem. Não faz muito mais do que seguir o que já está estabelecido nesse tipo de história, mas conseguiria envolver por conta dos personagens. Digo conseguiria porque algumas decisões perto do final prejudicam bastante o resultado.

Max (John Cho) é um pai solteiro que descobre um tumor no cérebro cuja chance de sobrevivência é muito baixa. Com cerca de um ano de vida e sem ninguém com quem deixar a filha adolescente, Wally (Mia Isaac), ele decide cruzar o país de carro em busca da mãe de Wally que os abandonou anos atrás. Ele também usará essa viagem para se reconectar com a filha, tentando ensinar a ela tudo que crê ser necessário para a vida adulta.

A narrativa explora o tropo comum de personagens com personalidades opostas que tem algo a aprender um com o outro. Max precisa aprender a correr mais riscos e aproveitar mais vida depois de ter sacrificado tanto para criar a filha sozinho. Já Wally vai aprender a ser mais responsável e conhecer um lado do pai que até então lhe era desconhecido.

terça-feira, 26 de julho de 2022

Crítica – Boa Sorte, Leo Grande

 

Análise Crítica – Boa Sorte, Leo Grande

Apesar do título, Boa Sorte, Leo Grande é mais sobre a viúva interpretada por Emma Thompson do que o personagem. Não chega a ser um problema grande, que o torne um produto ruim, mas deixa a impressão de que o personagem não tem todo o seu potencial aproveitado. O que fica é uma exploração cheia de sensibilidade dos tabus sexuais sob os quais boa parte da população vive.

A trama é focada em Nancy (Emma Thompson) uma viúva de 55 anos que resolve contratar um garoto de programa, Leo Grande (Daryl McCormack), para experimentar com a própria sexualidade, já que nunca teve outro parceiro além do finado marido e nunca teve um orgasmo. De início ela se mostra arredia em se entregar completamente, mas ao longo dos encontros com Leo vai se conectando a ele e ambos vão se abrindo para o outro.

Nancy é tão tomada por culpa ou pelo sentimento de que está fazendo algo errado que enche Leo de perguntas sobre seu passado ou suas motivações na esperança de encontrar algo repreensível naquele jovem que está ali para servi-la ou na situação em si. Ela está tão convencida da natureza abjeta de suas ações que busca algo de vulgar, sujo ou imoral nas ações de Leo por ter sido convencida a vida toda de que sexo e prazer eram coisas das quais deveria ter vergonha.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Crítica – Agente Oculto

 

Análise Crítica – Agente Oculto

Review – Agente Oculto
Depois de sua primeira incursão em blockbusters de ação de alto orçamento com Alerta Vermelho (2021), a Netflix volta a esse filão em Agente Oculto e a impressão é de o serviço de streaming não aprendeu nada com os problemas da incursão anterior. É certamente uma produção que investe nas cenas de ação e em seus astros, mas não dá nada para sustentar nosso interesse elementos.

A trama é centrada em Seis (Ryan Gosling) um agente oculto da CIA treinado para missões secretas de assassinato. Quando ele topa com um segredo que pode incriminar um de seus superiores, Carmichael (Regé-Jean Page), ele se torna alvo da própria agência. Em seu encalço está o sádico Lloyd (Chris Evans).

É uma trama bem típica do espião com consciência contra o espião sem escrúpulos e se desenvolve sem nenhuma grande surpresa ou qualquer elemento que tente fazer algo diferente dos lugares comuns. Até mesmo as eventuais reviravoltas e mudanças de lado soam protocolares, acontecendo porque precisam acontecer e não por ser uma decorrência orgânica do desenvolvimento daqueles personagens.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Better Call Saul e as simetrias entre seus personagens

 

Better Call Saul Temporada 6 Episódio 9

Eu prometi a mim mesmo que só escreveria sobre a segunda metade da temporada de Better Call Saul quando acabasse, mas o nono episódio desse sexto ano foi tão bom que não tenho como não falar nada. De certa forma o tema central da série era o mesmo de Breaking Bad: o de como o crime corrompe e destrói mesmo alguém que não era maligno. Walt começa com boas intenções e se dedica tanto ao seu império de metanfetamina que relega a família, o exato motivo para ter feito tudo aquilo, a algo menos importante e põe tudo a perder.

Algo similar acontece aqui em Better Call Saul. Jimmy/Saul (Bob Odenkirk) já apreciava pequenos golpes, é verdade, mas no início da série ele está tentando agir corretamente para recuperar o respeito do irmão mais velho. Kim (Rhea Seehorn) era uma advogada correta, tentando transformar o mundo positivamente com seu trabalho, embora claramente apreciava os pequenos esquemas de Jimmy, como o de conseguir comer de graça em um hotel. Ambos, no entanto, tem sua relação destruída por cruzarem certos limites na tentativa de desmoralizarem Howard (Patrick Fabian), cujas consequências são muito piores do que poderiam imaginar.

Mike (Jonathan Banks) também não é um sujeito maligno em essência. Vemos como ele começou a fazer pequenos bicos de segurança para criminosos para fazer um dinheiro extra e ajudar a nora (além de expiar a culpa pela morte do filho), porém como resultado disso ele acaba trabalhando para um implacável chefe do tráfico e se torna plenamente um criminoso, ainda que tente manter um senso de honra. Cito esses três personagens porque o nono episódio, de certa forma é a culminância das consequências das ações desses três e quando deixados com essas consequências, eles não gostam do que veem.

Vamos falar de Kim e Jimmy. Primeiramente não deixo de me impressionar como a série transforma algo que seria uma fragilidade (o fato de conhecermos os destinos dessas pessoas) em sua principal força dramática e de construção de tensão. Sabemos que Kim não faz parte da vida de Saul porque ela nunca é citada em Breaking Bad então supomos que é inevitável que eles se distanciem. Ainda assim, o como isso acontece é deixado em suspense e quando isso acontece não deixa de ser impactante.

O “começo do fim” é a cena entre os dois depois do funeral de Howard. No funeral eles percebem que as consequências das ações deles são ainda piores. Eles não apenas levaram à morte do advogado e destruíram sua reputação, eles apagaram todo o legado de Howard. Com a morte dele, o prédio da firma de Howard seria vendido e a firma mudaria de nome, tirando o de Howard. Jimmy e Kim desfizeram o trabalho de uma vida inteira de uma pessoa apenas para pregar uma elaborada peça. Tanto Odenkirk quanto Seehorn são eficientes em mostrar o sutil incômodo que ambos demonstram ao serem confrontados com essas consequências.

Kim fica visivelmente consternada ao inventar uma mentira sobre o vício de Howard para a viúva dele. Ao usar contra a viúva o casamento fracassado dela e Howard ao dizer “você deveria saber” Kim claramente se sente mal consigo mesma por ser tão cruel com uma mulher num momento tão vulnerável. Na saída do funeral vemos Kim e Jimmy em um estacionamento, eles são enquadrados em um plano aberto, distantes um do outro. Os rostos de ambos estão parcialmente iluminados nos planos mais em close. Kim o beija e entra no carro, quando se vai deixa Jimmy sozinho no escuro, como se tivesse levado embora a luz dele, aquilo que o estimulava a tentar ser bom.


Jimmy é deixado na escuridão

Isso serve como uma metáfora visual para o que acontecerá posteriormente entre os dois, quando Jimmy chega em casa depois de descobrir que Kim deixou o Direito. Ele tenta argumentar com ela, mas logo vê as caixas no quarto e percebe que a decisão de Kim já foi tomada. Sabíamos que haveria uma ruptura entre os dois, ainda assim é impactante ouvir Kim responder “eu também, mas e daí?” quando Jimmy diz que a ama. A resposta dela não é um menosprezo pelos sentimentos do marido ou de si mesma, mas um reconhecimento de que existem coisas maiores na relação deles do que isso, principalmente no modo como eles estimulam o pior do outro. Depois dos eventos com Howard, Kim não consegue viver com as consequências e resolve abandonar tudo. Quando voltamos a ver Jimmy, ele se tornou completamente Saul Goodman.

Outro personagem que é visto sozinho no escuro é Mike. Depois de eliminar Lalo e dissipar as suspeitas dos líderes do cartel, ele e toda a operação de Gus (Giancarlo Esposito) estão seguros novamente. Quando Gus conta a Mike que tudo vai voltar ao normal esperamos que Gus vá expressar algo pelo trabalho diligente e cuidadoso de Mike com a situação, entretanto, Gus apenas ordena que Mike tome medidas para terminar a construção do laboratório subterrâneo. A câmera fixa no rosto de Mike e em meio à expressão impassível de Jonathan Banks há um breve vislumbre de desconforto com tudo aquilo. É como se naquele momento Mike se desse conta da real extensão da frieza de Gus.

Talvez seja por isso, por perceber o quanto se afundou e o quão terrível é a pessoa para a qual trabalha, que Mike resolva procurar o pai de Nacho. Naquele momento Mike desesperadamente precisa ser lembrado de que é um bom sujeito, de que apesar de estar cercado de criminosos implacáveis não é igual a eles. Nesse sentido não é a toa que a conversa com o pai de Nacho ocorra diante de uma cerca, uma barreira física que representa a barreira simbólica que existe entre os dois.

Mike esperava algum alento do pai de Nacho, mas apenas ouve que é só mais um gângster como qualquer outro. Mike solta um suspiro de pesar ao ser deixado sozinho na escuridão. Ele foi em busca de uma confirmação de que tinha uma moral elevada em relação às pessoas que o cercam e foi lembrado de que é igual a elas. Tendemos a achar Mike ou Jimmy melhores do que Gus ou Lalo (Tony Dalton) porque eles são os protagonistas e porque, em comparação, os dois ao menos tem alguma virtude. O pai de Nacho, porém, nos lembra do que é realmente retidão moral.


Mike não encontra o perdão desejado

Quem também é deixado sozinho na escuridão é Gus. Na reunião com Don Eladio, Gus põe um fim nos boatos de que Lalo sobrevivera ao atentado e de que estaria tramando contra o cartel. Depois de garantir que Gus poderia continuar trabalhando normalmente, Eladio vai embora e Gus fica sozinho à beira da piscina, sendo iluminado apenas pelo reflexo da água. Se antes Don Eladio estava cercado por tenentes dos Salamanca, agora apenas Gus restou e Eladio está mais vulnerável. Ali ele contempla o quão mais perto está de sua vingança. Uma vingança que executará anos mais tarde à beira da mesma piscina. Se para Mike e Jimmy as cenas em que são deixados sós na escuridão representam pontos baixos para eles, aqui representa Gus abraçando seu propósito. Ele está exatamente onde deseja.


Gus observa o reflexo da piscina


Não é à toa, portanto, que o momento seguinte em que encontramos Gus em um inesperado momento de comemoração. Depois de conseguir exatamente o que ele queria, Gus vai ao seu restaurante favorito e começa uma conversa animada com um maître sobre vinhos exóticos. Aqui vemos quem Gus poderia ser sido, espirituoso, articulado, um bon vivant apreciador da cultura e da gastronomia. A conversa segue em tom de flerte e Gus está preparado para chamar o maître para sair quando ele se afasta para ir pegar mais um vinho caro para Gus. Nesse momento a expressão de Gus muda repentinamente. Toda a leveza em seu rosto vai embora e dá lugar à expressão taciturna típica do personagem.

O olhar de Giancarlo Esposito nos faz entender a mudança e o que se passa no universo interno do personagem. É como se naquele momento Gus se desse conta de que chamar o rapaz para sair seria uma distração desnecessária, como se Gus realizasse que um relacionamento o colocaria numa posição de fraqueza e de vulnerabilidade frente aos inimigos. Que alguém poderia usar essa pessoa da mesma forma que Lalo tentou usar Kim contra ele. Seria um risco, um risco que ele não poderia correr. Assim, ele opta por cerrar a expressão, deixar a gorjeta no balcão e ir embora. Gus prioriza se manter focado em seus planos e não dar espaço para mais nada em sua vida.

Ao longo do episódio vemos como esses três personagens (Jimmy, Gus e Mike) são mergulhados literal e metaforicamente na escuridão. Essas cenas ressaltam as transformações dos personagens até aqui. A culminância de seus arcos em relação a onde eles estavam no início da série e como eles eram quando os conhecemos em Breaking Bad. O fato da série ter completado as jornadas desses personagens em relação ao que sabíamos dele quando ainda tem quatro episódios restando só me deixa mais curioso pelo que virá a seguir.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Crítica - Killing Eve: 4ª Temporada

 

Análise Crítica - Killing Eve: 4ª Temporada

Review - Killing Eve: 4ª Temporada
Depois de uma terceira temporada que era um pouco inferior às duas primeiras, mas ainda mantinha o que tornava a série interessante, Killing Eve entrega sua pior temporada neste último ano. Quando eu digo que é ruim, não quero dizer que é ruim se comparado ao alto nível do resto da série, quero dizer que é ruim em termos gerais mesmo, se igualando a desastres como as temporadas finais de Dexter ou Glee como um dos piores finais de série. Aviso que o texto inevitavelmente apresentará SPOILERS da temporada.

Nessa última temporada Eve (Sandra Oh) está obcecada em encontrar e destruir os Doze, uma cabala sombria de operativos que manipulam nas sombras eventos globais. Ao mesmo tempo, Villanelle (Jodie Comer) tenta se tornar uma pessoa melhor, se juntando a uma comunidade religiosa. Konstantin (Kim Bodnia), por sua vez, treina uma nova assassina para substituir Villanelle no trabalho para os Doze em Pam (Anjana Vassan).

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Crítica – Medida Provisória

 

Análise Crítica – Medida Provisória

Review – Medida Provisória
É muito significativo dos tempos em que estamos vivendo que o texto da peça Namíbia, Não!, escrita por Aldri Anunciação seja hoje talvez mais atual do que na época em que foi escrito. A peça é adaptada neste Medida Provisória por Lázaro Ramos, em sua estreia como diretor, sendo que Lázaro também atuou na peça de teatro.

A trama se passa em um futuro próximo no qual o governo decide deportar de volta para a África todos os cidadãos afrodescendentes. A medida é tratada como uma espécie de reparação histórica para a diáspora da escravidão, mas na verdade é uma ação higienista que visa se livrar de toda a população negra do Brasil. Em meio a isso, o advogado Antônio (Alfred Enoch) e o primo André (Seu Jorge) se refugiam no apartamento de Antônio já que as autoridades não podem invadir um domicílio em mandado. Capitu (Taís Araújo), esposa de Antônio, foge do hospital no qual trabalha depois de ser quase capturada e se refugia em um esconderijo com outras pessoas negras que tentam evitar captura.

terça-feira, 19 de julho de 2022

Crítica – Persuasão

 

Análise Crítica – Persuasão

Review – Persuasão
Mais de uma vez eu já falei aqui que não me importo que uma adaptação mude elementos do texto original. Isso faz parte do esforço necessário para transpor um material de uma mídia para outra. Algumas adaptações inclusive conseguem se tornar melhores que o original por conta dessas mudanças como é o caso de The Boys, Tubarão (1975) ou E.T: O Extraterrestre (1982). A questão não é mudar elementos ou seguir à risca a obra, mas se manter fiel ao espírito e as ideias do material fonte. É nesse aspecto que Persuasão, mais nova adaptação do romance homônimo de Jane Austen, falha retumbantemente. É algo tão divorciado de sua fonte, tão incapaz de compreender suas ideias básicas e executá-las com alguma competência que sequer faz sentido querer ser uma adaptação da obra de Austen.

A premissa básica é a mesma do livro. Na Inglaterra do século XIX Anne Elliot (Dakota Johnson) se apaixona por Wentworth (Cosmo Jarvis), mas é persuadida pela mentora e figura materna Lady Russell (Nikki Amuka-Bird) a se afastar dele por ser um homem sem posses ou prospectos. Oito anos depois Anne continua solteira e sua família a vê como um fracasso. O vaidoso pai de Anne, Sir Walter (Richard E. Grant), está atolado em dívidas e família precisa se mudar. Na cidade de Bath, Anne reencontra Wentworth, agora um condecorado oficial da marinha.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Crítica – O Telefone Preto

 

Análise Crítica – O Telefone Preto

Review – O Telefone Preto
Dirigido por Scott Derrickson (responsável pelo primeiro Doutor Estranho) e produzido pela Blumhouse, O Telefone Preto é um competente conto de terror sobre sobrevivência e alcançar o próprio potencial. Em geral não costumo ficar atraído por essas histórias de pessoas em cativeiro, já que costumam ser tramas que se baseiam meramente na espetacularização do sofrimento de seus protagonistas. Aqui, no entanto, o texto consegue usar a situação para dizer algo sobre seus personagens.

Na trama, Finney (Mason Thames) é um garoto tímido, mas inseguro e pouco afeito a conflitos. Ele mora com a irmã mais nova Gwen (Madeleine McGraw) e ambos tem uma relação complicada com o violento pai, Terrence (Jeremy Davies). O fato de Finney sofrer bullying na escola e também ser agredido pelo pai só colabora para que ele seja ainda mais retraído.

O garoto acaba sendo levado por um misterioso sequestrador (Ethan Hawke), que vem abduzindo e matando crianças da cidade. No cativeiro Finney encontra um misterioso telefone preto na parede. O aparelho não funciona, mas Finney começa a receber ligações de outras crianças mortas pelo sequestrador e a partir das informações que obtém começa a tentar encontrar um meio de fugir.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

Crítica – Sob Pressão: 5ª Temporada

 

Análise Crítica – Sob Pressão: 5ª Temporada

Review – Sob Pressão: 5ª Temporada
Confesso que não esperava que Sob Pressão fosse ter mais uma temporada. O quarto ano da série acabou tão bem que podia tranquilamente ser o fim da série. Ainda assim, estou feliz por Sob Pressão ter chegado à sua quinta temporada (que provavelmente será a última), já que ela continua a ser uma das melhores séries brasileiras dos últimos anos. Aviso que o texto contem SPOILERS da temporada.

Nesta temporada Evandro (Júlio Andrade) reencontra o pai, Heleno (Marco Nanini), de quem estava afastado há anos. Heleno está com Alzheimer e precisa de cuidados constantes, então Evandro, mesmo não querendo se reaproximar do pai, o leva para casa, já que é o único parente que ele tem. Enquanto isso, Carolina (Marjorie Estiano) descobre um nódulo no seio e procura o mastologista Daniel (Emilio Dantas), com quem ela teve um caso no passado. As duas crises colocam bastante tensão no relacionamento entre Evandro e Carolina.

Além das tramas contínuas dos protagonistas, a série também tem seus típicos “casos da semana” com os pacientes que chegam diariamente ao hospital. Como em outras temporadas, esses casos servem para pensar questões da realidade brasileira. Um deles, por exemplo traz uma mulher com problemas de saúde depois de anos vivendo sob condições de trabalho análogo à escravidão. Em outro um jovem negro é brutalmente agredido na rua ao ser confundindo com um ladrão por uma mulher branca. Uma da influenciadora digital que sofre complicações de uma plástica mal feita por um médico picareta, algo que lamentavelmente tem ocorrido com certa frequência. Além de doenças físicas, são tramas que revelam as doenças sociais de um país marcado por desigualdades e outros problemas.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Crítica – Ms. Marvel

 

Análise Crítica – Ms. Marvel

Review – Ms. Marvel
Depois que Cavaleiro da Lua prometeu algo mais ao estilo de um estudo de personagem e acabou entregando um clímax que se entregava a todos os lugares-comuns de histórias de super-heróis, Ms. Marvel chega para entregar uma trama focada em sua protagonista de maneira mais coesa. Apesar de ter seus momentos de ação, o interesse principal é o amadurecimento de sua protagonista e como ela lida com questões de identidade e pertencimento. Aviso que o texto contem SPOILERS da série.

Na trama, Kamala (Iman Vellani) é uma adolescente de origem paquistanesa que é fã de super-heróis, principalmente da Capitã Marvel (Brie Larson). A vida de Kamala muda quando ela usa um antigo bracelete que pertenceu a sua bisavó e ganha estranhos poderes de manipular energia. Essas habilidades colocam ela na mira do Controle de Danos, agência governamental que monitora indivíduos com potencial destrutivo, e também de um grupo de seres poderosos interessados no bracelete.

A trama é menos sobre combater uma ameaça específica e mais sobre Kamala compreender seu lugar no mundo como uma filha de imigrantes que vive em um constante entrelugar entre o país no qual nasceu, com tudo que ela se identifica nele, e a cultura de sua família cuja comunidade é parte integral da vida dela. É uma questão que impacta boa parte das segundas gerações de imigrantes, principalmente dos imigrantes que são tratados como cidadãos de segunda classe ou como ameaça pelos EUA, a exemplo dos muçulmanos.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Crítica - Resident Evil: Bem-Vindo à Raccoon City

 

Análise Crítica - Resident Evil: Bem-Vindo à Raccoon City

Review - Resident Evil: Bem-Vindo à Raccoon City
A franquia Resident Evil não dá sorte no audiovisual. Seja em live action, seja em animação, as adaptações dos games de horror para cinema e televisão sempre deixam a desejar. O mais novo exemplar disso é este Resident Evil: Bem-Vindo à Raccoon City que tenta ser mais próximo dos games do que os filmes dirigidos por Paul W.S Anderson e protagonizados por Milla Jovovich.

A narrativa se passa no final da década de 90 na fictícia Raccoon City, cidade cuja economia depende quase que exclusivamente da gigante farmacêutica Umbrella. Quando a empresa deixa o local, a cidade colapsa, com poucos habitantes restando. É nesse momento que Claire (Kaya Scodelario) retorna à cidade, visando alertar o irmão Chris (Robbie Amell) dos experimentos escusos que a empresa vem fazendo. Antes que consiga, no entanto, um alerta é emitido e a divisão de elite da polícia local, da qual Chris faz parte, é despachado para investigar uma ocorrência em uma instalação remota da Umbrella. Claire acaba presa na delegacia da cidade com o novato Leon (Avan Jogia) quando criaturas começam a atacar.

terça-feira, 12 de julho de 2022

Drops – A Garota da Foto

 

Análise Crítica – A Garota da Foto

Review – A Garota da Foto
Documentários sobre crimes reais viraram um filão comercial de serviços de streaming pelo modo como essas histórias insólitas mobilizam o interesse público. Esse A Garota da Foto, produzido pela Netflix, é a mais nova produção a explorar isso. A trama começa com um corpo sendo encontrado à beira da estrada. Ela é identificada como uma dançarina de uma boate local de strip e as colegas de trabalho tentam entrar em contato com a mãe dela.

Aí vem a primeira de muitas surpresas, Sharon, a mulher encontrada morta, usava um nome falso, pertencente a alguém que já morrera. Além da necessidade de determinar sua identidade real, havia também a necessidade de encontrar o marido dela, um homem mais velho, para resolver a questão da guarda do filho. A partir daí nos deparamos com uma sucessão de eventos inesperados e chocantes que se estendem ao longo de 30 anos e mostram o quão baixo a humanidade pode ir. Por outro lado, depoimentos dos amigos de Sharon revelam como ela conseguiu ser uma influência positiva para aqueles à sua volta a despeito da vida de abusos que levava.

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Crítica – Elvis

 

Análise Crítica – Elvis

Review – Elvis
O coronel Parker, empresário de Elvis, era lendário no mundo da música por ter conseguido transformar o roqueiro em um fenômeno mundial. Depois da morte de Elvis, no entanto, foi se descobrindo como Parker não apenas dilapidou a fortuna que o cantor recebeu ao longo da carreira, mas também barrou o progresso do artista. Este Elvis, dirigido por Baz Luhrmann, mostra como o personagem-título fez sucesso a despeito de seu empresário e não por causa dele.

A trama acompanha a carreira de Elvis (Austin Butler) a partir do momento em que ele conhece o coronel Parker (Tom Hanks) e começa a deslanchar profissionalmente. A partir daí vemos como Parker trata seu astro como um animal de circo, não vendo nele nada mais do que um bilhete de loteria. Apesar de ser narrado do ponto de vista de Parker, o filme nunca esconde a natureza tóxica da relação dos dois e como Parker conseguia manipular Elvis para fazer o que quisesse.

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Crítica – The Boys: 3ª Temporada

 

Análise Crítica – The Boys: 3ª Temporada

Review – The Boys: 3ª Temporada
Depois de um ótimo segundo ano, The Boys entrega o que pode ser sua melhor temporada até aqui. Não imaginei que esta terceira temporada pudesse ser tão boa, mas fico feliz de ter sido surpreendido. A série consegue trazer desenvolvimentos significativos para seus principais personagens e continua a ser um espelho sombrio dos problemas do mundo real.

Depois dos eventos do segundo ano, Billy (Karl Urban) tenta manter em segurança o filho do Capitão Pátria (Antony Starr) ao mesmo tempo em que busca uma arma que possa derrotar o super. Ao mesmo tempo, Hughie (Jack Quaid) descobre que Victoria (Claudia Doumit) foi a responsável por explodir as cabeças no Capitólio e se questiona se os métodos implacáveis de Billy não seriam os melhores. Cada vez mais perturbado, o Capitão Pátria decide tomar o controle da Vought, ignorando as chantagens de Annie (Erin Moriarty) e as intimidações de Stan Edgar (Giancarlo Esposito).

Não tem como falar dessa temporada sem mencionar o trabalho de Anthony Starr em construir toda a instabilidade do Capitão Pátria. O ator consegue demonstrar como a fachada agressiva, irascível e violenta do personagem esconde um sujeito profundamente inseguro e carente, desesperado por qualquer módico de conexão humana. O Capitão é simultaneamente um sujeito assustador e patético. Uma combinação perigosa considerando o imenso poder dele e algo que o torna um vilão bastante imprevisível.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Crítica – The Umbrella Academy: 3ª Temporada

 

Análise Crítica – The Umbrella Academy: 3ª Temporada

Review – The Umbrella Academy: 3ª Temporada
Depois de duas temporadas bacanas, a impressão é que The Umbrella Academy está começando a se repetir demais e esta terceira temporada tem muito pouco de novidade a oferecer. A narrativa retoma do ponto em que o segundo ano parou, com os protagonistas retornando ao presente depois de ficarem presos da década de 1960. O problema é que as ações deles alteraram a linha do tempo, então estão em uma linha alternativa, na qual Sir Reginald (Colm Feore) adotou crianças diferentes e formou a Sparrow Academy ao invés da Umbrella Academy. A presença deles também criou um paradoxo temporal que ameaça toda a existência e pode destruir o universo.

Ou seja, assim como nas duas primeiras temporadas há um apocalipse iminente e os irmãos precisam resolver as diferenças para lidarem com a ameaça. É o mesmo formato das temporadas anteriores e agora já começa a ficar cansativo, principalmente porque os personagens continuam a ter os mesmos problemas uns com os outros e fica a impressão de que tudo está andando em círculos.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Rapsódias Revisitadas – Os Imperdoáveis

 

Crítica – Os Imperdoáveis

Review Crítica – Os Imperdoáveis
Enquanto gênero cinematográfico o western era comprometido em construir uma visão mítica da expansão para o oeste dos Estados Unidos. Eram filmes que transmitiam como o país foi construído pela coragem e engenhosidade de homens dispostos a domarem esse espaço ermo e selvagem para construir riquezas. Com o tempo, o cinema começou a rever esses mitos. Dança Com Lobos (1990), por exemplo, ponderava que era o homem branco, não a população indígena, os selvagens que destruíam aquela terra. No mesmo clima revisionista, este Os Imperdoáveis, lançado em 1992, dirigido e estrelado por Clint Eastwood, repensa a figura do pistoleiro errante que vaga o oeste caçando malfeitores em busca de justiça e recompensas.

A narrativa é protagonizada por Will Munnny (Clint Eastwood) pistoleiro que abandonou uma vida de violência e morte depois de se casar, mas que aceita um último trabalho para pagar as dívidas de sua fazenda. Abordado por Schofield Kid (Jaimz Woolvet), Munny aceita viajar até uma pequena cidade no Wyoming para matar dois fazendeiros que retalharam uma prostituta. Com a ajuda do antigo companheiro, Ned (Morgan Freeman), Munny parte para o Wyoming ao lado de Kid em busca da recompensa. A pequena cidade, no entanto, é policiada com mão de ferro pelo xerife Little Bill (Gene Hackman).

terça-feira, 5 de julho de 2022

Crítica – Thor: Amor e Trovão

 

Análise Crítica – Thor: Amor e Trovão

Review – Thor: Amor e Trovão
Devo confessar que apesar de gostar de muita coisa que o Taika Waititi fez por trás das câmeras, não me agradei muito com Thor: Ragnarok. A impressão é que o filme não conseguia equilibrar seu humor com as necessidades da trama e que Waititi estava mais interessado na maluquice espacial do que nos problemas de Asgard ou em introduzir a chegada de Thanos. Pois neste Thor: Amor e Trovão o diretor se sai bem melhor.

A trama é praticamente a mesma de Ragnarok, depois de perder tudo que valorizava, Thor (Chris Hemsworth) precisa se redescobrir e encontrar um novo propósito. Aqui as coisas se complicam quando o vilão Gorr (Christian Bale) sequestra crianças asgardianas e também pela descoberta de que sua antiga amada, Jane (Natalie Portman), agora empunha o Mjolnir.

Ao contrário do que acontecia no filme anterior do Thor, a condução de Waititi sabe dosar a comédia com os momentos de desenvolvimento de personagem, evitando sabotar a construção das tramas com piadas inoportunas. Isso permite um desenvolvimento mais consistente da relação entre Thor e Jane conforme eles navegam pelo reencontro que abre velhas feridas e tentam encontrar uma maneira de reconstruir a relação.

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Crítica – Stranger Things: 4ª Temporada (Volume 2)

 

Análise Crítica – Stranger Things: 4ª Temporada (Parte 2)

Review – Stranger Things: 4ª Temporada (Parte 2)
Considerando que esta segunda parte da quarta temporada de Stranger Things consiste de apenas dois episódios, mesmo que relativamente longos, não entendo muito bem porque dividir a temporada. A impressão é que a Netflix tentou um meio termo estranho entre sua política de lançar temporadas inteiras de vez e o lançamento semanal de séries, como vem fazendo outros streamings (tipo HBO Max ou Disney+), para tentar manter a série sendo discutida na internet por mais tempo.

Entendo a necessidade da Netflix pensar novas estratégias, já que a concorrência de streamings está cada vez maior e séries semanais tipo The Boys, as séries da Marvel ou Star Wars tem dominado a conversa online enquanto  séries da Netflix com temporadas inteiras lançadas por vez somem da conversa depois de alguns dias. Ainda assim, talvez fosse melhor que Stranger Things recebesse episódios semana a semana do que essa divisão estranha.

Essa segunda parte começa no ponto em que a anterior parou, com Onze (Millie Bobby Brown) recuperando os poderes e as memórias, revelando que o vilão Vecna era na verdade Um (Jamie Campbell Bower). Mike (Finn Wolfhard) e Will (Noah Schnapp) tentam encontrar Onze. Hopper (David Harbour) e Joyce (Winona Ryder) se reencontraram na União Soviética e precisam sair de lá. Ao mesmo tempo os personagens que ficaram em Hawkins tentam encontrar um meio de deter Vecna depois que Nancy (Natalia Dyer) vislumbrou um plano do vilão.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Crítica – Árvores da Paz

 

Análise Crítica – Árvores da Paz

Review – Árvores da Paz
O massacre da população tutsi pela etnia hutu em Ruanda em 1994 é um dos maiores genocídios das últimas décadas, tendo deixado mais de um milhão de mortos. O evento já foi explorado antes pelo cinema em produções como Hotel Ruanda (2004) e é também o objeto deste Árvores da Paz, longa de estreia de Alanna Brown produzido pela Netflix.

A trama se baseia na história real de quatro mulheres que ficaram presas em um esconderijo subterrâneo durante meses, escondidas enquanto o genocídio acontecia em Ruanda. Essas mulheres tinham origens e pontos de vista diferentes, mas precisaram dialogar para sobreviverem juntas. Annick (Eliane Umihire) é uma mulher hutu em gestação avançada, ela e o marido moram na casa acima do esconderijo subterrâneo em que estão. Mutesi (Bola Koleosho) é uma mulher tutsi que passou a vida sendo considerada uma cidadã de segunda classe. Jeanette (Charmaine Bingwa) é uma freira e Peyton (Ella Cannon) é uma ativista estadunidense que estava em Ruanda como parte de um projeto social. 

Uma cartela inicial já deixa claro como esse conflito étnico é uma consequência da colonização de Ruanda, quando os Belgas colocaram os hutus e tutsis em diferentes funções dentro do país. Isso criou uma espécie de sistema de castas que acirrava as tensões entre os dois grupos, mantendo-os ocupados enfrentando uns aos outros ao invés dos colonizadores.