sexta-feira, 30 de julho de 2021

Crítica – Três Estranhos Idênticos

 

Análise Crítica – Três Estranhos Idênticos

Review – Três Estranhos Idênticos
A história contada no documentário Três Estranhos Idênticos é daquelas tramas que mostra como o mundo real pode ser mais surpreendente e maluco do que qualquer ficção. A premissa em si já seria insólita o suficiente para sustentar um filme envolvente, mas as reviravoltas ainda mais inesperadas que acontecem quando achamos que tudo de mais surpreendente já tinha acontecido apresenta uma série de discussões sobre método científico e saúde mental.

A narrativa conta a história dos trigêmeos Bobby, Eddie e David, trigêmeos que foram separados no nascimento com cada um sendo adotado por uma família diferente. Eles se reencontram por puro acaso quando Bobby vai estudar na mesma faculdade de Eddie e depois David vê a reportagem sobre os dois e vai de encontro a eles. Logicamente esse encontro levanta a questão do porquê a agência de adoção separou o trio e a resposta é surpreendente, já que a motivação foi para usá-los em um experimento científico.

Recorrendo a entrevistas, imagens de arquivo e cenas encenadas, o filme recorre a uma montagem ágil que dá fluidez a trama. O material não perde tempo em encadear as múltiplas reviravoltas ou em criar um senso palpável de causa e consequência sobre as decisões que causaram a separação dos três irmãos. Não usa nenhum recurso que não seja bastante comum em documentários contemporâneos, mas os utiliza bem o bastante para tecer uma trama que nos mantem presos a ela do começo ao fim.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Drops – Streets of Rage 4: Mr.X Nightmare

 

Crítica – Streets of Rage 4: Mr.X Nightmare

Resenha – Streets of Rage 4: Mr.X Nightmare
Quando escrevi sobre Streets of Rage 4, comentei como ele trazia de volta com competência o clássico beat’em up da Sega (Streets of Rage 2 segue sendo o melhor exemplar do gênero para mim) ainda que fizesse pouco para levar o gênero adiante ou agregar novos elementos. Isso muda com a nova expansão Mr. X Nightmare que traz novos modos e mecânicas que transformam nossa maneira de jogar, além de alguns novos personagens.

Para muitos, o principal atrativo são os novos personagens. Estel, Max e Shiva tinham sido chefes na campanha principal e aqui se tornam personagens jogáveis. Cada um tem um estilo próprio que os diferencia dos demais personagens e, no caso de Max e Shiva, de suas versões de jogos anteriores, dando aos jogadores mais maneiras de bater em bandidos. Max é mais lento, mas muito forte e com arremessos poderosos, Shiva se desloca com velocidade e tem combos rápidos, mas não usa armas, enquanto Estel é a mais equilibrada entre os três. Há um quarto personagem oculto, mas não quero estragar a experiência de ninguém dizendo qual é.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Crítica – Mestres do Universo: Salvando Etérnia

 

Análise Crítica – Mestres do Universo: Salvando Etérnia

Review – Mestres do Universo: Salvando Etérnia
É surpreendente o quanto esta primeira temporada de Mestres do Universo: Salvando Etérnia funciona bem. Considerando que a animação original do He-Man foi criada apenas para divulgar e dar visibilidade a uma linha de bonecos, ver que isso chegou até aqui capaz de gerar uma narrativa com personagens tão bem construídos e um universo tão coeso é um feito admirável. Aqui o mérito provavelmente cai sobre os ombros do produtor e roteirista Kevin Smith, que sempre demonstrou afeto por esse universo e aqui constrói uma trama que nunca se resume a mero fanservice ou um apelo raso à nostalgia, preferindo ir além do que produções anteriores estabeleceram sobre este mundo.

Na trama o Esqueleto lança um ataque derradeiro ao Castelo de Grayskull para obter o poder mágico em seu núcleo. Durante a batalha o núcleo é destruído, junto com a Espada do Poder que permitia o príncipe Adam se transformar em He-Man, praticamente acabando com a magia de Etérnia. Agora os heróis e vilões que sobreviveram precisam se unir para restaurar a Espada do Poder e trazer a magia de volta antes que o planeta definhe por completo.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Crítica – O Homem Água

Análise Crítica – O Homem Água

Review – O Homem Água
Estreia do ator David Oyelowo como diretor, este O Homem Água remete a aventuras juvenis oitentistas como Conta Comigo (1986) ou Os Goonies (1985) acompanhando jovens protagonistas em uma jornada em que aprenderão sobre as agruras da vida e sairão amadurecidos. Não reinventa a roda, mas é sincero o bastante para funcionar.

A trama é protagonizada pelo jovem Gunner (Lonnie Chavis), um garoto criativo e cheio de imaginação, mas que tem uma relação difícil com o pai, Amos (David Oyelowo). Quando a mãe de Gunner, Mary (Rosario Dawson), descobre que tem câncer e começa a piorar por conta da doença, o garoto se recusa a aceitar que pode perder a mãe. Gunner então lembra da lenda local do Homem Água, um espírito que mora na floresta e seria capaz de trazer os mortos de volta. Assim, acompanhado de Jo (Amiah Miller), uma garota que supostamente viu a criatura, Gunner vai tentar achar um meio de impedir a morte da mãe.

É relativamente previsível, com as principais reviravoltas sendo facílimas de antecipar (é óbvio que Jo estava mentindo sobre a origem de sua cicatriz no pescoço, é evidente que o elemento sobrenatural não é exatamente real, etc) para qualquer um familiar com esse tipo de filme. Apesar disso, há sentimento e personalidade para conseguir nos manter interessados na jornada de Gunner.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Crítica – Os Pequenos Vestígios

 

Análise Crítica – Os Pequenos Vestígios

Review – Os Pequenos Vestígios
É curioso que o título e a fala do protagonista deste Os Pequenos Vestígios falem sobre a importância de prestar atenção nos pequenos detalhes já que a trama e o desenvolvimento dos personagens é apoiada nos maiores lugares comuns de narrativas policiais com pouco detalhamento ou nuance para as situações ou indivíduos. Mesmo quando tenta virar do avesso alguns elementos típicos do gênero próximo ao final, nada funciona como deveria.

A trama se passa em 1990, Deacon (Denzel Washington) é um policial que foi transferido para o interior da Califórnia depois que uma investigação deu errado. Ele volta a Los Angeles para realizar uma burocrática coleta de provas, mas acaba conhecendo o jovem e obstinado detetive Jimmy (Rami Malek) que está caçando um serial killer e se envolve na investigação dele. A busca leva a dupla ao estranho Albert Sparma (Jared Leto), que pode ser o culpado.

É a clássica estrutura de um veterano cínico e calejado com um parceiro mais jovem e idealista que já foi tão explorado nesse tipo de narrativa e o diretor e roteirista John Lee Hancock não consegue fazer nada de interessante com esses dois personagens além de seguir os clichês dos arquétipos aos quais eles estão conectados. Há uma tentativa de fazer uma releitura do movimento noir da década de 1940, com um universo de violência e desencanto, no entanto, durante boa parte do filme Hancock faz pouco além de reproduzir elementos de outrora ao mesmo tempo que conduz tudo como se reinventasse a roda, ignorando que produtos como Los Angeles: Cidade Proibida (1997) ou Cidade dos Sonhos (2001) já tinham feito releituras do noir bem mais interessantes décadas atrás.

sábado, 24 de julho de 2021

Rapsódias Revisitadas – Castlevania: Symphony of the Night

 

Análise – Castlevania: Symphony of the Night

Review – Castlevania: Symphony of the Night
Quando eu joguei Castlevania: Symphony of the Night pela primeira vez no Playstation original eu não tinha muito vínculo com a franquia de vampiros da Konami. Eu tinha jogado brevemente Castlevania: Dracula X para Super Nintendo e Castlevania 64 para Nintendo 64 e isso era todo contato que eu tinha até então. Fui atraído por SotN por conta da estrutura mais aberta e pelas mecânicas de RPG que permitiam subir de nível, adquirir equipamentos, magias e adicionavam um componente estratégico à ação. O resultado é uma excelente aventura 2D que me fez ser fã de Castlevania. Desde então já perdi as contas de quantas vezes joguei ele do início ao fim e já o comprei de novo em pelo menos outros dois consoles, a versão emulada disponível no Playstation 3 pela linha PSClassics e a recente coleção Castlevania Requiem que saiu para Playstation 4 contendo Castlevania Rondo of Blood e Symphony of the Night.

A trama funciona como uma continuação de Rondo of Blood. O caçador de vampiros Richter Belmont desaparece depois de derrotar Drácula, mas algum tempo depois o castelo do vampiro reaparece e Alucard, filho de Drácula, vai ao local para investigar e deter as criaturas da noite que emanam no local. Lá ele encontra outras criaturas que trabalham com o pai, bem como uma inesperada aliada em Maria Renard, que tinha cruzado o caminho de Richter durante os eventos de Rondo of Blood.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Crítica – Resident Evil: No Escuro Absoluto

 

Análise Crítica – Resident Evil: No Escuro Absoluto

Review – Resident Evil: No Escuro Absoluto
Apesar de longeva no universo dos games, a franquia Resident Evil não teve lá muita sorte em termos de adaptações audiovisuais. Sejam nos malfadados filmes dirigidos pelo Paul W.S Anderson, sejam nos longas animados que não conseguiam equilibrar o misto de seriedade e galhofa que os melhores jogos fazem tão bem. Esta série animada Resident Evil: No Escuro Absoluto se sai melhor nesses aspectos.

Na trama, Leon Kennedy é um agente federal que tenta desvendar um surto de zumbis na Casa Branca e como isso pode estar conectado nas operações militares do pequeno pais Panamistão anos atrás. Ao mesmo tempo, Claire Redfield está trabalhando em uma ONG que tenta reconstruir o Panamistão depois da guerra e esbarra com a possível ocultação do uso de armas biológicas durante o conflito armado na região.

A trama acerta no clima de conspiração constante, como se os personagens fossem enredados num esquema tão grande que talvez não consigam fazer sentido de tudo que está havendo ao redor deles. Eventualmente toda a trama conspiratória acaba soando mais rocambolesca que necessário, mas isso faz parte da natureza de filme B da franquia Resident Evil, na qual tudo precisa ser grandiloquente e exagerado. Aqui, no entanto, essa estrutura de uma conspiração mega mirabolante nunca se coloca no caminho da construção da tensão ou do suspense.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Crítica – Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio

 

Análise Crítica – Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio

Review – Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio
Os dois primeiros Invocação do Mal acertavam na construção de uma atmosfera de tensão e no senso de coesão espacial das casas em que ocorriam os fenômenos sobrenaturais investigados pelos protagonistas. Este Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio tenta levar a franquia adiante sem o diretor James Wan, mas o resultado é algo que sequer consegue criar qualquer clima de temor.

Na trama, o casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) está prestes a realizar um exorcismo em uma criança. O ritual é bem sucedido, mas ninguém percebe que a entidade deixou o corpo do garoto para possuir o jovem Arne (Ruari O’Connor), namorado da irmã do menino. Ed é o único a notar esse acontecimento, mas é acometido por um infarto e não consegue avisar ninguém até acordar dias depois num hospital, até aí é tarde demais, já que um Arne possuído começou a matar pessoas e agora os Warren precisam provar a possessão para evitar que Arne seja condenado à morte.

terça-feira, 20 de julho de 2021

Crítica – Let Them All Talk

 

Análise Crítica – Let Them All Talk

Review – Let Them All Talk
Desde que retornou da autoimposta “aposentadoria” o diretor Steven Soderbergh tem se interessado em projetos que de algum modo apresentem algum tipo de desafio logístico ele. Seja em tentar distribuir por conta própria como em Logan Lucky (2017), seja o esforço de uma série interativa não linear em Mosaic (2018), o desafio de filmar com celulares em Distúrbio (2018) ou em High Flying Bird (2019) ou de realizar toda a filmagem de um longa-metragem no tempo de uma viagem de navio entre Estados Unidos e Inglaterra como acontece neste Let Them All Talk, produção original da HBO Max.

A trama é protagonizada pela escritora Alice (Meryl Streep). Obsessiva e perfeccionista com o seu trabalho, ela está enfrentando problemas na escrita de seu livro mais recente. Com uma nova editora, Karen (Gemma Chan), que insiste em checar o progresso dela, Alice aceita a sugestão de viajar de navio para receber um prêmio na Inglaterra. Na viagem ela é acompanhada pelo sobrinho Tyler (Lucas Hedges) e pelas amigas Susan (Dianne Wiest) e Roberta (Candice Bergen), com quem Alice parece ter uma relação conflituosa por conta de problemas no passado.

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Crítica – Eu Nunca..: 2ª Temporada

 

Análise Crítica – Eu Nunca..: 2ª Temporada

Review – Eu Nunca..: 2ª Temporada
A primeira temporada de Eu Nunca... foi uma grata surpresa. Apesar de não sair do tipo de histórias que normalmente encontramos em comédias adolescentes, a trama envolvia pela complexidade de suas personagens, que evitavam os clichês do gênero, e o modo como conseguia observar a conduta de sua protagonista sem romantizá-la ou reduzi-la a uma mocinha sofrida.

Esse segundo ano começa no ponto em que o anterior acabou, com Devi (Maitreyi Ramakrishnan) beijando Ben (Jaren Lewison) depois de jogar as cinzas do pai no mar. Agora, tendo conquistado tanto Ben quanto o garoto popular Paxton (Darren Barnet), Devi precisa tomar uma decisão quanto a quem quer ficar, mas a personalidade impetuosa da garota a faz tentar ficar com os dois ao mesmo tempo, o que, obviamente, tem tudo para dar errado.

Mais uma vez é o tipo de trama que é extremamente comum em histórias sobre adolescentes colegiais nos Estados Unidos, mas tudo é conduzido com uma personalidade tão singular e com uma riqueza no desenvolvimento dessas personagens que é difícil resistir a eles. Há um senso palpável de consequência para as ações de Devi, que causam problemas para ela mesma e as pessoas ao seu redor.

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Crítica – CrossCode

 Análise Crítica – CrossCode


Review – CrossCode
O que primeiro chamou minha atenção para este CrossCode foi o visual, com uma bela pixel art que remetia a RPGs de 16 bits como Phantasy Star, além de uma jogabilidade que misturava exploração, resolução de quebra-cabeças e combate em tempo real, algo mais próximo dos antigos exemplares da franquia Zelda. Tendo jogado ele, devo dizer que o visual realmente encanta, mas muitas ideias de gameplay não se desenvolvem tão bem quanto deveriam.

A trama se passa em um MMO futurístico e o jogador controla Lea, uma jogadora que perdeu a memória e ficou com a mente presa em seu avatar do jogo depois que algo misterioso aconteceu com ela. Lea agora precisa completar a campanha do jogo para tentar recuperar as memórias. De início parece o clichê do protagonista desmemoriado, mas me surpreendi com a construção eficiente do drama e do mistério. A protagonista realmente sofre com a perda de sua identidade e o temor de que talvez esteja presa dentro desse universo.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Crítica – Loki

 Análise Crítica – Loki


Resenha Crítica – Loki
Se WandaVision serviu para abrir mais as portas para as possíveis loucuras do lado mágico da Marvel e o multiverso que vinha com ele, a série Loki escancara ainda mais o interesse da Marvel em explorar a ideia de multiverso e ter sido como o arco compartilhado para os próximos filmes e série.

A trama começa referenciando alguns eventos de Vingadores: Ultimato (2018) quando Loki (Tom Hiddleston) escapa dos Vingadores usando o Cubo Cósmico. Isso representa um desvio da linha do tempo principal, que previa Loki sendo preso em Asgard, então a Agência de Variância Temporal, ou AVT, vai atrás de Loki para “podá-lo” da linha temporal e a ramificação que sua fuga representa. Ao invés disso, Loki acaba sendo recrutado pelo agente Mobius (Owen Wilson) para ajudar na caçada de outra variante que está causando caos na linha do tempo.

Chama atenção o design dos escritórios da AVT que parece uma espécie de escritório burocrático dos anos 50 com tons futuristas, dando a impressão de algo familiar, mas com uma camada de estranhamento. A ideia da AVT encarar toda a bizarrice de seu trabalho cotidiano como um mera função burocrática, a exemplo das gavetas cheias de joias do infinito, é também reforçado nas condutas daqueles que trabalham ali como Mobius. O agente temporal e Loki formam uma sincera dinâmica cômica com os modos secos do fleuma burocrático de Mobius contrastando com a personalidade ególatra e grandiloquente de Loki.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Drops – An American Pickle

 Análise Crítica – An American Pickle


Review – An American Pickle
Partindo de uma premissa bem abestalhada, este An American Pickle tenta misturar drama e comédia para produzir uma reflexão sobre a vida nos Estados Unidos ao longo do último século. A trama é centrada em Herschel (Seth Rogen) um imigrante judeu da Europa Oriental que vai para os EUA no início do século XX para tentar uma vida melhor. Trabalhando em uma fábrica de picles, Herschel cai em um tonel de conserva e acaba esquecido lá quando a fábrica vai à falência no dia seguinte. Ele só é encontrado 100 anos depois, conservado pela salmoura do picles e conhece o bisneto Ben (também Seth Rogen). A partir daí Herschel tenta a se adaptar ao novo século.

O que mais me chama a atenção é como a narrativa constantemente desafia nossa expectativa e leva a trama por caminhos inesperados, raramente recorrendo aos lugares comuns dessas histórias sobre um sujeito deslocado no tempo. Essa disposição em assumir riscos é muito interessante, mesmo que nem todos esses riscos e caminhos que a trama deseja percorrer são bem desenvolvidos.

terça-feira, 13 de julho de 2021

Lixo Extraordinário – Street Fighter: A Última Batalha

 Crítica – Street Fighter: A Última Batalha


Review – Street Fighter: A Última Batalha
Filmes baseados em games raramente rendem algo que preste, inclusive já falei sobre alguns desses nesta coluna a exemplo da pavorosa adaptação de The King of Fighters, e este Street Fighter: A Última Batalha é mais um exemplo disso. Logicamente meu eu infantil em 1994 não tinha essa noção e eu quis assistir o filme assim que saiu em VHS, afinal tinha passado incontáveis horas em fliperamas jogando as múltiplas iterações de Street Fighter II. Ainda por cima era estrelado por Jean-Claude Van Damme, que estava no auge da carreira como astro de ação. Na minha infante mente não havia como dar errado. Só que eu estava enganado, eu estava horrível e rudemente enganado.

Na trama, o coronel Guile (Jean-Claude Van Damme) lidera as Nações Aliadas (provavelmente as Nações Unidas não liberaram usar a marca deles nesse fiasco) em uma investida conjunta contra o ditador M.Bison (Raul Julia) e seus planos de dominação mundial. É um fiapo de trama e não haveria qualquer problema nisso já que o jogo não é exatamente um primor narrativo, mas se espera que ao menos isso resulte em algo divertido, mas não é o caso.

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Crítica – Viúva Negra

 Análise Crítica – Viúva Negra


Review – Viúva Negra
Apesar de ter sido apresentada no início do universo Marvel nos cinemas em Homem de Ferro 2 (2010), a Viúva Negra nunca estrelou em um filme próprio, o que parecia um desperdício, já que a personagem tinha potencial para explorar outras facetas desse universo em tramas mais voltadas para a espionagem e suspense. Pois a vez da espiã sob os holofotes chegou, ainda que tardiamente, neste Viúva Negra e o resultado, ainda que positivo, não aproveita todo o potencial da personagem.

A trama se passa imediatamente depois dos eventos de Capitão América: Guerra Civil (2016). Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) está foragida das autoridades depois de ter ido contra os acordos de Sokovia. A espiã tenta se manter escondida, mas é colocada na mira do perigoso Treinador quando recebe um pacote misterioso de Yelena Belova (Florence Pugh), que Natasha considera uma irmã de criação e que também foi treinada na Sala Vermelha para se tornar uma Viúva Negra. Assim, Natasha precisa reencontrar Yelena e acertar as contas com o seu passado.

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Rapsódias Revisitadas – O Castelo de Cagliostro

 

Análise Crítica – O Castelo de Cagliostro

Review – O Castelo de Cagliostro
Hayao Miyazaki é reconhecido como um dos principais (e talvez “O” principal) diretores de animação do Japão. Ele produziu obras memoráveis como Meu Amigo Totoro (1988), Princesa Mononoke (1997) ou A Viagem de Chihiro (2001). A estreia de Miyazaki na direção de um longa animado aconteceu em 1979 neste O Castelo de Cagliostro.

O filme levou aos cinemas o protagonista do mangá Lupin III. Um descendente do ladrão homônimo criado da literatura por Maurice Leblanc, Arsene Lupin III é um charmoso criminoso capaz de audaciosos roubos, embora dotado de um certo senso de moral e justiça. Na trama, depois de roubar um cassino com seu aliado Jigen, Lupin descobre que o dinheiro era falso. Lupin e Jigen vão ao pequeno país de Cagliostro desvendar o mistério das notas falsificadas e lá se defrontam com a jovem Clarisse, que foi capturada pelo Conde Cagliostro e está sendo forçada a casar com ele para que ele tome os tesouros do país.

É uma narrativa repleta de humor e aventura, que já mostra a capacidade Miyazaki para nos encantar com seus personagens e também evidencia a inventividade visual do realizador. O castelo do título é repleto de passagens secretas, armadilhas e dispositivos de segurança e sempre surpreende tanto pela criatividade desses espaços como a inventividade do protagonista em sempre levar a melhor sobre seus adversários.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Crítica –Age of Calamity: Pulse of The Ancients

 

Análise Crítica –Age of Calamity: Pulse of The Ancients

Resenha Crítica –Age of Calamity: Pulse of The Ancients
Eu me surpreendi com Hyrule Warriors: Age of Calamity e a maneira como ele incorporava as mecânicas de gameplay de Zelda: Breath of the Wild de maneira a ir além de ser um mero Dynasty Warriors com skins da franquia Zelda. Dessa forma fiquei curioso para ver em que direção os DLCs levariam o jogo, mas Pulse of the Ancients, a primeira expansão, acaba deixando a desejar.

A primeira coisa a se notar quando se abre o jogo depois de instalar a nova expansão é que uma nova “loja” aparece no mapa na forma do laboratório de Purah e Robbie, mas ao invés de vender itens, os dois dão alguns objetivos de pesquisa. São similares aos objetivos secundários encontrados no mapa, que envolvem coletar certas quantidades de determinados itens ou matar uma determinada quantia de um tipo de inimigo.

Existem algumas novos tipos de missão como as caçadas a monstros poderosos, mas são apenas os mesmos mapas do jogo principal com alguma versão mais poderosa de inimigos já conhecidos como Moblins ou Guardiões. Sim, existem alguns novos tipos de inimigos, como o Moblin que arremessa explosivos, Chuchus gigantes ou alguns novos tipos de Wizzrobes, mas eles fazem pouco para mudar a dinâmica dos combates. Mesmo as novas missões específicas da expansão trazem pouca novidade, repetindo os mesmos objetivos das missões do jogo base e sem nenhuma narrativa ou desenvolvimento de personagem para nos manter investidos.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Drops – America: The Motion Picture

 

Análise Crítica – America: The Motion Picture

Review – America: The Motion Picture
Já imaginaram se a história da guerra de independência dos Estados Unidos fosse contada como um filme de ação explosivo ao estilo das produções dirigidas por Michael Bay ou da franquia Velozes e Furiosos? É exatamente isso que faz este America: The Motion Picture uma sátira histórica que lembra um pouco a série Drunk History.

A trama acompanha George Washington (voz de Channing Tatum) em sua cruzada para libertar os EUA da tirania do Rei Jaime (Simon Pegg) da Inglaterra. Ele é acompanhado por um Samuel Adams (Jason Mantzoukas) amante de cerveja e pela inventora Thomas Edison (Olivia Munn), além de outros companheiros ao longo da viagem.

O design da animação é bem criativo ao tentar mesclar elementos históricos da guerra revolucionária estadunidense com outros mais contemporâneos, como o fato de Washington portar motosserras ou que as corridas de cavalos aconteçam a noite com animais pintados de neon e mulheres de biquíni ao estilo dos rachas de Velozes e Furiosos. O traidor Benedict Arnold (Andy Samberg) usa uma roupa que é metade azul (cor dos revolucionários) e metade vermelha (cor dos britânicos) para representar a duplicidade de seu comportamento.

terça-feira, 6 de julho de 2021

Crítica – A Guerra do Amanhã

 Análise Crítica – A Guerra do Amanhã


Review – A Guerra do Amanhã
Este A Guerra do Amanhã é um daqueles filmes que até poderia render um blockbuster de ação divertido se não levasse tão a sério sua premissa aloprada e trama recheada de clichês. Do jeito que está, no entanto, é uma bagunça quase incoerente que nunca consegue ir além dos vários lugares-comuns que reúne em suas desnecessárias duas horas e vinte de duração.

A trama se passa no final do ano de 2022 quando uma tropa de soldados do futuro avisa a humanidade que em 30 anos uma invasão alienígena praticamente dizimará a nossa espécie e eles voltaram ao passado para recrutar pessoas do nosso tempo para lutarem na guerra. Quase um ano depois, o número de mortos do presente é enorme e ainda não há sinal de que a guerra do futuro seja vencida. Sem mais militares para enviarem, os governos começam a convocar civis e Dan (Chris Pratt), um ex-militar e professor de biologia, é um dos selecionados para irem para o futuro lutar contra a espécie invasora chamada de “garras brancas”.

Já de início a trama não parece fazer muito sentido. Se eles podem voltar ao passado, porque não tentar dar informações para evitar a guerra? Aproveitar a quantidade maior de recursos do passado para pesquisar mais sobre as criaturas invasoras, desenvolver melhores armas ou outras coisas parece uma estratégia mais eficiente do que chamar pessoas para morrerem no futuro. Tudo bem que a comandante (Yvonne Strahovski) eventualmente revela querer ajudar o passado ao invés de salvar o futuro, mas porque não revelar isso para as pessoas do passado logo de início? Talvez a solução viesse mais cedo para o futuro, inclusive.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Crítica – Meu Amigo Bussunda

 Análise Crítica – Meu Amigo Bussunda

Eu lembro bem do impacto que foi saber do falecimento do humorista Bussunda em 2006. Ele estava na Alemanha com outros membros da trupe do Casseta & Planeta cobrindo a Copa do Mundo e morreu por conta de um infarto. Foi um choque, o grupo estava no auge e Bussunda era o principal rosto da equipe de comediantes. A impressão é que depois da morte do humorista o grupo e a comédia que eles produziam nunca mais foi o mesmo. Dirigida por Claudio Manoel, parceiro de Bussunda no Casseta & Planeta, série documental Meu Amigo Bussunda é uma afetuosa homenagem ao humorista ao mesmo tempo em que reconta a trajetória dele.

Dividida em quatro episódios, a minissérie vai desde a juventude de Claudio Besserman, nome real de Bussunda, até os últimos momentos dele na Alemanha. Estruturalmente não sai muito do traçado dos documentários biográficos brasileiros com entrevistas e imagens de arquivo, mas exibe uma pesquisa ampla tanto na quantidade de entrevistados quando no acervo de arquivo que usa para ilustrar a vida do biografado. Também recorre a uma narração irreverente e breves momentos animados ou com bricolagens de imagens como fez Mussum: Um Filme do Cacildis (2018).

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Rapsódias Revisitadas – Justiça

 

Análise Crítica – Justiça

Review – Justiça
Lançado em 2004, o documentário Justiça tenta fazer um retrato amplo do sistema de justiça criminal brasileiro acompanhando o cotidiano de acusados, juízes, defensores públicos e suas respectivas famílias. Todo filmado com um viés de documentário observativo, a câmera da diretora Maria Augusta Ramos funciona como uma proverbial “mosca na parede”, observando a situação, sem, no entanto, interagir com os sujeitos filmados ou fazer sua presença ser vista ou ouvida ao longo do filme. Dessa postura também decorrem poucas intervenções de pós-produção, sem música extra-diegética, sem narrações e visualmente a única intervenção são algumas cartelas de texto com o nome dos personagens principais.

É um estilo derivado do movimento do cinema direto estadunidense da década de 1960 encabeçado por realizadores como os irmãos Maysles ou D.A Pennebeker em filmes como Bob Dylan: Don’t Look Back (1967) ou Caixeiro Viajante (1969). A ideia por trás desse modo de fazer documentários buscava intervir o mínimo possível na realidade filmada, mostrando esses trechos do mundo real tal qual aconteceram, nos fazendo ver a vida das pessoas no momento em que elas a vivem.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Lixo Extraordinário – Meninas Malvadas 2

 

Análise Crítica – Meninas Malvadas 2

Review – Meninas Malvadas 2
Lançado em 2004, Meninas Malvadas foi praticamente um clássico instantâneo ao subverter os clichês de comédias adolescentes ao criticar as divisões em panelinhas e o modo como essas tramas só servem para alimentar a noção problemática de rivalidade feminina e que mulheres não conseguem ser amigas. Sete anos depois foi feita uma continuação sem ninguém da equipe criativa do original ou do elenco (apenas Tim Meadows retornou como o diretor da escola) e o resultado é algo digno desta coluna sobre o que há de pior no cinema.

A narrativa é protagonizada por Jo (Meaghan Martin), uma garota que constantemente muda de escola por conta do pai ser um mecânico da NASCAR. Chegando em sua nova escola, na qual terminará o ensino médio, ela pretende não chamar atenção para si enquanto espera para entrar na faculdade. O problema é que Jo acaba se aproximando Abby (Jennifer Stone), uma garota que é alvo constante do grupo de garotas populares da escola lideradas por Mandi (Maiara Walsh). Assim, Jo acaba se unindo a Abby para derrubar as meninas malvadas da escola.