quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Crítica – Better Call Saul: 6ª Temporada (Parte 2)

 

Análise Crítica – Better Call Saul: 6ª Temporada (Parte 2)

Review – Better Call Saul: 6ª Temporada (Parte 2)
Em Breaking Bad Walter White dizia que a química consistia de crescimento, degradação e transformação. Ao final a série nos mostrava o crescimento e a degradação da vida de Walt, que se encerrava em um ato de sacrifício no qual o personagem retomava as rédeas, mas não necessariamente o redimia de tudo que fez porque ele encontrava uma saída fácil na morte ao invés de enfrentar as consequências de tudo que fez. Em Better Call Saul, por outro lado, vemos todo esse processo de crescimento, degradação e transformação de Jimmy McGill.

Eu já cheguei a escrever a respeito de como essa segunda parte da sexta temporada constrói de maneira magistral a ruptura entre Jimmy/Saul (Bob Odenkirk) e Kim (Rhea Seehorn), bem como já comentei sobre a primeira metade da temporada, então não irei me repetir. Ao invés disso, irei me concentrar nos episódios que se passam após esse rompimento e acompanham os personagens na linha temporal após os eventos de Breaking Bad.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Crítica – Eu Nunca...: 3ª Temporada

 

Análise Crítica – Eu Nunca...: 3ª Temporada

Review – Eu Nunca...: 3ª Temporada
Poucas séries conseguem manter alguma regularidade em qualidade conforme avançam, principalmente depois de passar da segunda temporada (a recente quarta temporada de Westworld é um exemplo disso). Essa terceira temporada de Eu Nunca... é um desses raros casos. A série poderia dar voltas ao redor de si mesma repetindo o vai e vem amoroso da protagonista e seus possíveis pretendentes, mas ao invés disso escolhe levar seus personagens adiante, aprofundando o que conhecemos sobre eles.

A narrativa segue onde o segundo ano parou. Devi (Maitreyi Ramakrishnan) agora está namorando Paxton (Darren Barnet), o garoto mais popular da escola. Isso deveria significar que os problemas de autoestima estariam resolvidos, no entanto, os comentários de colegas de escola que questionam o porquê do garoto mais popular estaria com ela a fazem ainda mais insegura. Ao mesmo tempo, o relacionamento de Ben (Jaren Lewison) e Aneesa (Megan Suri) se desgasta por Ben não conseguir superar Devi.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Crítica – Westworld: 4ª Temporada

 

Análise Crítica – Westworld: 4ª Temporada

Review – Westworld: 4ª Temporada
Ao falar sobre a terceira temporada de Westworld mencionei como a série acertava ao evitar o hermetismo do segundo ano e levar o conflito a novos espaços e direções. Pois a quarta temporada de Westworld soa, em muitos aspectos, como um passo para trás, que foca demais em conflitos similares a tramas anteriores e em truques de ocultar informação apenas para produzir surpresas depois. Aviso que o texto contem SPOILERS da temporada.

A narrativa se passa alguns anos depois do terceiro ano. Robôs e inteligência artificial foram praticamente proibidos de serem utilizados. Caleb (Aaron Paul) reconstruiu a vida e agora tem esposa e filhos. Isso, no entanto, não significa que a humanidade está completamente livre de ameaças. Hale (Tessa Thompson) continua a tentar controlar a humanidade e substituir humanos por anfitriões. Agora ela conta com a ajuda da versão anfitriã de William (Ed Harris) que obedece a todos os seus comandos.

Os primeiros episódios parecem apenas repetir os mesmos conflitos e ideias do ano anterior, apenas mudando o plano de Hale, que agora quer controlar diretamente as mentes dos seres humanos com parasitas carregados por moscas. Do mesmo modo, a série usa o mesmo truque de reter informação para dar um clima de mistério a certos núcleos de personagem.

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Crítica – X: A Marca da Morte

 

Análise Crítica – X: A Marca da Morte

Review – X: A Marca da Morte
Desde o início de X: A Marca da Morte é visível que a produção escrita e dirigida por Ti West que evocar tanto os slashers quanto os exploitations da década de 70. O diretor, no entanto, não está apenas replicando essas estruturas dramatúrgias, ele as usa para comentar o que lhe parece ser um ponto de virada cultural para o país.

A narrativa se passa em 1979 quando uma equipe de filmagem liderada por Wayne (Martin Henderson, de Virgin River) viaja até uma área rural do Texas para gravar um pornô. Não qualquer pornô, mas um com “cara de cinema” como diz o cinegrafista RJ (Owen Campbell). Wayne prevê que com a chegada do home video mais pessoas consumiriam pornô e que suas atrizes, Maxine (Mia Goth) e Bobby-Lynne (Brittany Snow), se tornarão estrelas. O que eles não esperavam é que as atividades deles desagradassem os idosos donos da propriedade e mortes começassem a acontecer.

De certa forma é a típica estrutura de filme de terror dos jovens cosmopolitas que se perdem em meio aos Estados Unidos rural e são “punidos” por sua devassidão, consumo de drogas e visões de mundo progressista. De certa maneira é isso, mas, ao mesmo tempo, esse cenário é usado para pensar como esse momento marca um ponto de virada no modo de vida estadunidense cujos sentidos permanecem em disputa nos campos sociais e políticos até hoje.

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Crítica – Passado Violento

 

Análise Crítica – Passado Violento

Review – Passado Violento
O principal problema de Passado Violento é não saber que tipo de filme ele quer ser. De um lado ele começa como um noir melancólico e pessimista sobre as consequências da violência. Do outro ele quer ser um típico filme de vigilantismo urbano no qual um sujeito solitário resolve iniciar uma guerra pessoal contra criminosos que estão atormentando uma pequena comunidade. Com isso o filme acaba entrando em contradição ao simultaneamente condenar a violência, expondo as marcas indeléveis que ela deixa sobre quem convive com isso de perto, e usar a violência de forma catártica e espetacularizante.

Clean (Adrien Brody) trabalha como gari numa tentativa de reconstruir a vida depois de um grande trauma pessoal e de experiências como soldado que marcaram sua psique. Ele se afeiçoa a uma menina do bairro em que trabalha por ela lembrar sua filha e passa a ajudar a garota e mãe. O problema é que a garota acaba se envolvendo com membros do grupo criminoso liderado por Michael (Glenn Fleshler), levando Clean a interferir.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Crítica – Sandman

 

Análise Crítica – Sandman

Review – Sandman
Não tenho muita familiaridade com os quadrinhos de Sandman escritos por Neil Gaiman apesar de já ter ouvido bastante sobre ele e lido algumas histórias soltas. O anúncio de uma série baseada nele me deixou curioso e igualmente cauteloso considerando o quanto Deuses Americanos, outra série baseada em obra de Gaiman, desandou rápido depois de um começo promissor. Aparentemente Gaiman se fez mais presente durante Sandman justamente para evitar os problemas que Deuses Americanos teve.

Na trama, Sonho (Tom Sturridge) é um dos perpétuos, seres que controlam aspectos chave da nossa realidade. Ele reina sobre o Sonhar, dimensão na qual os seres humanos vão quando estão sonhando, e tem pleno domínio sobre nossos sonhos e pesadelos. Preso por humanos durante um ritual de magia que dá errado, Sonho passa quase todo o século XX em cativeiro. Quando finalmente escapa descobre que seu reino ficou em ruínas, os sonhos e pesadelos escaparam para o mundo material e seus objetos de poder estão na mão de humanos. Assim, Sonho parte em uma busca para reconstruir seu reino e seu poder.

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Crítica – Multiversus

 

Análise Crítica – Multiversus

Review – Multiversus
Quando foi anunciado Multiversus parecia mais um desses games de luta que tenta emular o sucesso de Smash Bros e que provavelmente morreria na praia como tantos outros (alguém ainda lembra de Playstation All Stars?). A diferença eram as múltiplas propriedades e personagens da Warner que poderiam ser utilizadas bem como a adoção de um modelo free to play o que, em tese, facilitaria o acesso ao game.

Pois tendo jogado ele por tempo considerável, diria que é o melhor “clone de Smash” entre tantos que tentaram não apenas pela variedade de personagens, mas por ter conseguido criar uma identidade própria que eleva de um mero reprodutor. As lutas ainda giram em torno de causar dano ao oponente para expulsá-lo da arena de batalha e modos como 1x1, 2x2 ou todos contra todos. A diferença aqui é o foco nas lutas em dupla e como todos os personagens tem habilidades que beneficiam não apenas o próprio lutador como o outro membro de sua equipe. Quando, por exemplo, Salsicha carrega seu poder total ele aumenta seu próximo ataque e também o do parceiro. Mulher Maravilha pode aumentar a própria capacidade defensiva e compartilhar esse efeito com o aliado caso ele esteja perto.

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Crítica – O Predador: A Caçada

 

Análise Crítica – O Predador: A Caçada

Resenha Crítica – O Predador: A Caçada
Apesar de cerca de meia dúzia de filmes, a franquia Predador nunca entregou um filme que fosse tão bom quanto o original de 1987 estrelado por Arnold Schwarzenegger. A tentativa mais recente tinha sido com O Predador (2018), de Shane Black, que fez pouco para revitalizar o personagem. As coisas mudam com este O Predador: A Caçada, que entrega o melhor resultado desde o original.

A trama se passa no início do século XVIII e é protagonizada por Naru (Amber Midthunder), uma Comanche que quer se tornar uma das caçadoras da tribo. O resto dos membros creem que ela não é capaz de passar na provação de caçar algo poderoso, mas quando ela e outros membros da tribo começam a ser caçados por um Predador na floresta, a garota precisará de toda a sua astúcia para sobreviver.

Apesar de se ambientar no passado, o filme tem uma estrutura narrativa bem similar ao original, com um grupo de guerreiros sendo caçado por um Predador na floresta. A diferença aqui é o foco na construção de personagem. Ao invés de ser meramente um tipo “durão” há um arco narrativo envolvendo Naru, sua jornada por amadurecimento e também para ser valorizada por sua tribo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Crítica – Em Defesa de Jacob

 

Análise Crítica – Em Defesa de Jacob

Review – Em Defesa de Jacob
Dúvida pode destruir uma pessoa. O fato de não sabermos algo com certeza pode minar nossa confiança em uma pessoa ou em nós mesmos, tornar difícil seguir adiante quando não sabemos exatamente o que está por trás de algo que transformou nossa vida. O peso da dúvida é o tema central da minissérie Em Defesa de Jacob, que adapta o livro de William Landay.

A narrativa é protagonizada por Andy (Chris Evans), promotor de uma pequena cidade em Massachusetts. Andy é incumbido de acompanhar a investigação do assassinato de um adolescente, mas precisa se afastar quando seu filho, Jacob (Jaeden Martell), se torna suspeito do crime. A partir daí, Andy se afasta do caso e, ao lado a esposa, Laurie (Michelle Dockery) tenta defender o filho das acusações ao mesmo tempo em que busca desvendar o caso.

O elenco é a principal força da série. Evans faz de Andy um homem determinado e diligente, cuja confiança na inocência do filho não deriva somente de um amor parental, mas por já ter visto de perto como é um real psicopata. Já Michelle Dockery torna Lauren uma mulher aterrorizada pela possibilidade de seu filho ser um assassino, reavaliando cada pequeno evento da infância do garoto como uma pista de que havia algo errado com ele e como se sua falha como mãe em perceber esses supostos sinais fosse a razão de tudo ter acontecido. Jaeden Martell traz uma esperada dubiedade à Jacob, nos deixando incertos se estamos apenas diante de um garoto retraído e sobrecarregado pela situação ou um jovem psicopata desprovido de empatia que sente prazer em manipular as pessoas.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Drops – Em Perigo

 

Análise Crítica – Em Perigo

Review – Em Perigo
Nos últimos anos vimos a ascensão da divulgação de conteúdos falsos e desinformação online, bem como a chegada ao poder de figuras que se elegeram com base nessas práticas e passaram a hostilizar a imprensa. O documentário Em Perigo, produção da HBO Max, visa discutir o trabalho da imprensa nesse contexto.

O filme acompanha quatro jornalistas, dois deles nos Estados Unidos, uma no México e uma no Brasil. Em comum está o fato de que todos lidam com a truculência do Estado, o tratamento hostil de políticos e daqueles que os seguem. No Brasil, por exemplo seguimos Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha responsável por expor o esquema de disparo de mensagens falsas via aplicativo de mensagem da campanha de Jair Bolsonaro. Depois da matéria Patrícia é alvo de ofensas do presidente, que inclusive insinua que a repórter teria trocado favores sexuais pela informação.