segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Crítica – Maneater: Truth Quest

 

Análise Crítica – Maneater: Truth Quest

Review – Maneater: Truth Quest
O game Maneater chamou atenção por ser um RPG de ação em que você jogava como um tubarão devorando pessoas e aterrorizando uma cidade. Valia pelo senso de caos e pelo humor da trama, apesar de ser um pouco repetitivo e alguns problemas de jogabilidade, especialmente a câmera atroz. Sua expansão, Truth Quest, expande a trama e aumenta o leque de habilidades de seu tubarão, contando com o mesmo humor da trama principal, mas não resolve os problemas do jogo base.

Na trama, o narrador Trip Westheaven (voz de Chris Parnell, o Cyril de Archer) foi demitido de seu programa sobre natureza depois dos eventos da trama principal. Agora ele se tornou um conspiracionista pirado que suspeita de um segredo governamental (ou dos illuminati ou dos homens lagarto) se esconde em Port Clovis. Logicamente seu tubarão vai parar nessa nova localidade enquanto Trip continua a narrar tudo de maneira aloprada.

O senso de humor da trama original permanece, com Trip fazendo comentários absurdos e, agora que virou um teórico da conspiração, completamente delirantes. A nova localidade oferece algumas novas paisagens, mas mais importante: novas mutações para seu tubarão. Na expansão é possível se transformar em um tubarão atômico que dispara raios de energia da boca ao estilo Godzilla. Os novos poderes trivializam o combate e tornam fácil despachar qualquer ameaça. Mesmo o chefão final, o Leviatã Atômico, é rapidamente eliminado com meia dúzia de raios.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Crítica – King Richard: Criando Campeãs

 

Análise Crítica – King Richard: Criando Campeãs

Review – King Richard: Criando Campeãs

Confesso que achei estranha a ideia de contar a trajetória das irmãs Venus e Serena Williams a partir do ponto de vista do pai delas. Considerando o quanto se fala em trazer um olhar feminino para o cinema e contar histórias sobre mulheres, é meio esquisito que no momento em que Hollywood tem em mãos uma história de sucesso de duas irmãs que saíram da pobreza para se tornarem ídolos do esporte tenham escolhido enquadrar essa história sob o olhar de um homem.

Baseada em uma história real, a trama segue Richard Williams (Will Smith), que desde antes das filhas nascerem decidiu que Venus e Serena seriam tenistas de sucesso e fez um longo planejamento de como a vida delas seria. A partir daí acompanhamos a rotina de treinamento que Richard impõe às filhas, bem como a tentativa de encontrar patrocinadores que invistam no sucesso das duas.

Tematicamente é a típica história de superação através do esporte, batendo em todos os temas e ideias que esse tipo de trama costumeiramente toca. Aqui, há o acréscimo da questão do racismo, já que parte da motivação de Richard para investir em uma carreira esportiva para as filhas é tirá-las da pobreza e do risco de ficar nas ruas para serem vítima de traficantes ou da brutalidade policial. Nesse sentido, o filme usa o contexto da época, como o espancamento real de Rodney King por policiais de Los Angeles, para dar peso às ansiedades de Richard.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Crítica – Encanto

 

Análise Crítica – Encanto

Review – Encanto
De certa forma, Encanto, nova animação da Disney, conta uma típica história de conflitos familiares, com uma jovem que desvia do ideal de sua família tentando mostrar que ela é tão digna quanto os outros parentes. Ainda que tenha uma premissa e estrutura conhecidas o filme...err...encanta pelo desenvolvimento de seus personagens, senso de humor e diversão das canções.

Na trama, a família Madrigal criou ao seu redor uma pequena vila no interior da Colômbia depois que a matriarca encontrou uma vela milagrosa que deu a ela e seus descendentes poderes mágicos. A jovem Mirabel (voz de Stephanie Beatriz, a Rosa de Brooklyn 99), no entanto, nunca recebeu nenhuma habilidade mágica da vela e se sente deslocada do restante da família além de menosprezada pela avó. Problemas surgem quando os poderes de seus parentes começam a falhar e a casa mágica na qual moram começa a rachar.

É bem óbvio que até o final do filme Mirabel vai descobrir a magia em si, reparar a relação com a avó e que as rachaduras na casa são uma metáfora pouco sutil para as fraturas emocionais que existem entre os membros da família. Ainda assim funciona porque a trama consegue dar tempo para compreendermos como a rigidez e as cobranças constantes da avó afetam as primas e tias de Mirabel. Estão todas e todos tão preocupados em corresponder às expectativas da avó que anulam seus próprios sentimentos e desejos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Drops – Mãe x Androides

 

Análise crítica – Mãe x Androides

Review – Mãe x Androides
Misturando elementos de Exterminador do Futuro com Filhos da Esperança (2006) e vários outros cenários distópicos, Mãe x Androides é uma ficção científica que nunca consegue dar personalidade própria ao cenário apocalíptico que constrói. Na verdade, durante boa parte do filme sequer há de fato uma sensação palpável de urgência ou de perigo iminente.

A trama acompanha Georgia (Chloe Grace Moretz) uma jovem grávida de nove meses que junto do com o namorado, Sam (Algee Smith), cruzam o país em busca de um lugar seguro contra os robôs assassinos que tentam exterminar a humanidade. Conforme Georgia se aproxima do momento do parto, as coisas vão ficando mais difíceis.

Com quase duas horas de duração é impressionante como o filme passa longos segmentos sem que absolutamente nada aconteça ou em situações inanes que não levam a trama ou os personagens a lugar algum. Quando algo de fato acontece, em geral são situações forçadas de tensão, resoluções que ocorrem por conveniência do roteiro ou os personagens tomando decisões completamente estúpidas. Um exemplo é quando Sam e Georgia estão de moto e começam a ser perseguidos pelos robôs. Sam tem a brilhante ideia de deixar Georgia (lembrem ela está grávida de nove meses), sozinha no mato completamente desarmada enquanto ele tenta distrair os perseguidores. É claro que dá errado.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Crítica – Bar Doce Lar

 

Análise Crítica – Bar Doce Lar

Review – Bar Doce Lar
Depois de dirigir dois filmes pretensiosos (Suburbicon e Céu da Meia Noite) que não alcançavam aquilo que ambicionavam, George Clooney se volta para um material mais leve com este Bar Doce Lar. Típico feel good movie feito para a plateia sair se sentindo bem quando os créditos subirem, a trama é baseada na autobiografia de J.R Moehringer.

Depois que a mãe perde o emprego, J.R (Tye Sheridan) se muda para a casa do avô no interior dos Estados Unidos. Lá ele se aproxima do tio Charlie (Ben Affleck), dono de um bar local e começa a tê-lo como figura paterna, já que seu pai biológico é um locutor de rádio que está sempre ausente. A mãe de J.R quer que ele se torne advogado, mas com a convivência com Charlie o jovem passa a desejar se tornar um escritor.

É a típica história de superação, sobre alguém que sai da pobreza para obter sucesso, reproduzindo o mito liberal de que basta ter força de vontade que tudo dá certo. Como outros filmes dessa natureza, a trama pouco se detêm a todas as condicionantes sociais, políticas e culturais que colocaram a família de J.R em uma situação de pobreza, dando a impressão de que eles são pobres simplesmente porque antes de J.R ninguém teve vontade o bastante para mudar as coisas. Por outro lado, o texto evita ficar a todo momento mostrando como eles são miseráveis e tudo é ruim, escapando da armadilha de “pornomiséria” que filmes desse tipo caem.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Reflexões Boêmias: Piores Filmes de 2021

Piores Filmes de 2021

Todo começo de ano nos leva a fazer do balanço do ano que passou. De tudo que vivemos, experimentamos, do que valeu a pena e do que foi péssimo. Nesse sentido, é inevitável não pensar em todos os filmes que assistimos e lembrar daqueles mais nos marcaram, para melhor e para o pior. Como eu gosto de dar as más notícias primeiro, costumo começar listando os piores, as mais horrendas produções, o lixo do lixo, produtos tão radioativos que fariam um braço crescer na sua testa. É nesse clima que dou início à minha lista de piores filmes de 2021. A lista leva em conta as produções que foram lançadas no circuito comercial brasileiro (streaming ou cinema) em 2021.

 

 

10. Tom & Jerry

 


Adorava os desenhos do Tom & Jerry quando era criança. Eles eram uma mistura perfeita de música erudita e violência exacerbada que tornava tudo divertido. Os dois, no entanto, não eram exatamente personagens muito complexos que se prestassem a um longa metragem. Esse filme cai no mesmo problema da maioria das adaptações recentes de desenhos antigos, deixando seus protagonistas de lado em prol de uma penca de personagens humanos genéricos, um fiapo de trama que mal se sustenta e alguns esquetes com o Tom e Jerry (a maioria repetindo gags das antigas animações) jogados de qualquer jeito no meio da narrativa. Desprovido do caos cômico dos desenhos, o resultado é entediante.

 


9. Bliss: Em Busca da Felicidade

 


Ficção científica que até tem boas ideias, tentando entender o que significa ser feliz, mas é incapaz de sustentar suas próprias pretensões por conta de conflitos mal construídos e um universo ficcional pouco coeso

 

8. Grande Tubarão Branco

 


Mais um filme de tubarão sem qualquer personalidade ou criatividade, com uma trama sem sentido, personagens vazios e efeitos digitais toscos. É tão incompetente que não consegue nem mesmo divertir com mortes e gore.

 

7. Hypnotic

 


Um daqueles suspenses da Netflix que parece ter sido escrito e dirigido por um algoritmo. Com um mistério óbvio, personagens estúpidos e ausência de tensão, o filme mais provoca sono do que transe.

 

6. A Força da Natureza

O que aconteceu com o Emile Hirsch? Ele foi de um dos jovens atores mais requisitados em Hollywood para alguém que estrela porcarias como Dívida Perigosa ou este Força da Natureza. Filme catástrofe em que nunca vemos a catástrofe acontecer, já que os personagens estão em um espaço fechado, ele tenta trazer algo diferente ao inserir uma trama de roubo cheia de clichês e nenhuma tensão.

 

5. A Barraca do Beijo 3

 


Desfecho atroz para uma trilogia igualmente atroz que confunde possessividade tóxica com afeto. Cheio de conflitos forçados, personagens insuportáveis, subtramas que não vão a lugar algum e desenvolvimentos porcamente construídos, o filme tenta ensaiar um amadurecimento de sua protagonista, mas joga isso no lixo ao terminar com ela se reaproximando dos dois irmãos tóxicos dos quais tentou se afastar.


4. Silk Road: Mercado Clandestino

 


Tentando contar a história real do site Silk Road, o filme deixa de lado qualquer tentativa de uma discussão séria sobre consumo de drogas, regulação de internet ou empreendedorismo virtual para produzir uma propaganda rasa e acrítica de ideais libertários juvenis (o que é praticamente um pleonasmo) de seu biografado enquanto finge uma posição de neutralidade em relação a esses temas. Tratando seu protagonista como um gênio infalível, o filme o exime da responsabilidade de todas as coisas ruins feitas em seu site de venda de produtos ilegais, o que paradoxalmente o faz soar como um completo imbecil incapaz de antever as consequências dos próprios atos.

 

3. Por Trás da Inocência

 


Suspense erótico desprovido de suspense ou erotismo. Com péssimas atuações e um roteiro incapaz de construir um mínimo nexo causal entre uma cena e outra, além de reviravoltas que não fazem o menor sentido. Uma das piores produções originais da Netflix.

 

2. Vanquish (Conquista)

 


Estrelado por Ruby Rose e Morgan Freeman era de se imaginar que haveria um mínimo de qualidade na produção. O que se verifica, no entanto, é algo que soa como algo feito por amadores por conta de suas múltiplas inaptidões técnicas e artísticas em termos de som, roteiro e montagem, além de uma performance desinteressada de Freeman.

 

1. Na Mente do Demônio

  


Depois de chamar a atenção do mundo com o excelente Distrito 9, o diretor sul-africano Neill Blomkamp nunca mais entregou nada no mesmo nível, ficando progressivamente pior a cada novo filme e chegando ao ponto mais baixo de sua carreira neste Na Mente do Demônio. Com uma premissa que praticamente copia o péssimo Dominação (2017), o filme não parece se decidir entre levar tudo a sério e explorar os traumas da protagonista ou investir no absurdo com sua ordem secreta de padres guerrilheiros. A mistura entre diferentes gêneros nunca produz nada consistente e o filme não consegue fazer nada de minimamente interessante com nenhuma das ideias que apresenta.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Crítica – A Filha Perdida

 Análise Crítica – A Filha Perdida


Review – A Filha Perdida
Dirigido por Maggie Gyllenhaal adaptando um romance escrito por Elena Ferrante, A Filha Perdida mescla drama com algumas pitadas de suspense para falar a respeito do peso da maternidade sobre as mulheres. Normalmente o cinema costuma romantizar demais a maternidade, retratando como algo mágico, dourando os problemas e ignorando o quanto da responsabilidade de criar e cuidar dos filhos é imposta à mulher. Aqui, Gyllenhaal tenta mostrar um olhar com mais nuance deste aspecto da vida feminina.

A trama acompanha Leda (Olivia Colman), uma professora de literatura que está de férias no litoral da Grécia. Lá ela começa a prestar atenção em Nina (Dakota Johnson), uma jovem mãe com um marido abusivo e que está tendo um caso com o marido da melhor amiga, Callie (Dagmara Dominczyk). Quando a filha de Nina some na praia, Leda ajuda a encontrar a menina e começa a se aproximar de Nina, conversando com ela e com a grávida Callie sobre maternidade. Isso faz Leda remoer segredos do seu passado como mãe de duas garotas.

Olivia Colman é ótima em construir Leda como alguém que chegou a um ponto na vida em que não está disposta a ceder mais nada. Depois de passar boa parte da vida colocando as necessidades de outros em primeiro lugar, a professora não faz nada que não queira fazer, nem aceita que outros estraguem sua experiência, algo evidenciado na cena em que Callie pede para Leda troque de lugar ou na cena em que Leda vai ao cinema.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Crítica – Shiva Baby

 

Análise Crítica – Shiva Baby

Review – Shiva Baby
Primeiro longa metragem da diretora Emma Seligman, Shiva Baby é um daqueles filmes que chega a ser difícil precisar a qual gênero se encaixa. Ele transita por comédia, drama e até mesmo terror com muita naturalidade, nunca perdendo a coesão, e de modo bastante singular.

Adaptando seu curta-metragem de mesmo nome, Seligman conta a história de Danielle (Rachel Sennott), uma jovem universitária judia que vai com os pais ao funeral de um conhecido distante. No funeral ela precisa lidar com os comentários de parentes que pouco vê e que questionam sua aparência e escolhas profissionais, além da ex-namorada de juventude Maya (Molly Gordon), com quem é sempre comparada, sendo que Maya está se saindo melhor profissionalmente. As coisas se complicam, no entanto, quando ela vê Max (Danny Deferrari), seu “sugar daddy” chegando ao evento.

Toda a trama se passa durante esse funeral e a narrativa consegue manter as coisas em movimento e interessantes apesar de confinada a esse único espaço. Na verdade, a limitação espacial serve para ampliar o senso de aprisionamento de Danielle, que se sente confinada naquele lugar com um monte de gente que parece existir apenas para lhe mostrar o quanto ela é incapaz e inadequada.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Crítica – Cobra Kai: 4ª Temporada

 

Análise Crítica – Cobra Kai: 4ª Temporada

Review – Cobra Kai: 4ª Temporada
A terceira temporada de Cobra Kai terminou com a promessa de Johnny (William Zabka) e Daniel (Ralph Macchio) se unindo para enfrentar o dojo de Kreese (Martin Kove). Pois essa quarta temporada segue exatamente neste ponto, com os dois antigos rivais tentando se unir contra a ameaça de Kreese, que agora tem a ajuda do antigo parceiro Terry Silver (Thomas Ian Griffith).

Embora o retorno de Silver, vilão de Karate Kid 3: O Desafio Final (1989), seja um passo relativamente lógico para a trama, tinha minhas dúvidas em relação à inserção do personagem aqui considerando que o terceiro filme é muito ruim e Silver não era nada além de um psicopata histérico. Felizmente Silver acaba funcionando dentro da lógica da série, tendo sua relação com Kreese aprofundada, mostrando como o criador do Cobra Kai manipula o trauma e sentimento de culpa de Silver para mantê-lo sob controle.

Assim, Silver é menos um maluco histérico que é maligno sem nenhuma razão e mais um sujeito instável por conta de traumas e culpa do passado. A série ainda justifica de maneira divertida a conduta de Silver em Karate Kid 3 ao recorrer ao argumento do “foi mal, tava doidão” conforme o personagem admite que passou boa parte da década de oitenta sob efeito de cocaína.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Crítica – Matrix Resurrections

 

Análise Crítica – Matrix Resurrections

Review – Matrix Resurrections
Eu assisti incontáveis vezes Matrix (1999) impressionado pelo estilo visual e por seus temas de simulacro e livre arbítrio. As duas continuações, no entanto, não tiveram o mesmo impacto. O segundo filme apresentava boas cenas de ação, mas se embolava na trama e construção de universo e o terceiro ruía sob o peso de suas próprias pretensões. Diante da decepção das continuações, não estava lá muito empolgado para este Matrix Resurrections. Depois de anos sem demonstrar interesse em retornar a este universo, a ideia de que Lana Wachowski (dessa vez sem a irmã, Lilly) fazer um novo filme parecia mais uma tentativa de cair nas boas graças da Warner depois de sucessivos fracassos financeiros (como o horrendo O Destino de Júpiter), do que em interesse artístico.

Claro, o descontentamento com o atual estado da indústria cultural é visível desde os primeiros minutos do filme, cheio de piadinhas autorreferentes sobre reboots e até cita Matrix e a Warner nominalmente. É como se Lana quisesse nos dizer “olha gente, eu sei que todo mundo tá de saco cheio de reboots, eu também tô, o que faço aqui é um reboot descolado, olhem como sou legal”. Só que não é. Apesar de conduzir tudo como um grande manifesto contra o atual estado de Hollywood, soa mais como um chilique infantil de um adolescente forçado a lavar os pratos do que uma desconstrução dessa reciclagem criativa porque, bem, não há desconstrução.