quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Rapsódias Revisitadas – Três Homens em Conflito

 Análise – Três Homens em Conflito

Review – Três Homens em Conflito
O terceiro da “trilogia dos dólares” dirigida por Sergio Leone e protagonizada por Clint Eastwood, Três Homens em Conflito é uma grande epopeia do western, que pondera não só a respeito da aridez e brutalidade do velho oeste dos Estados Unidos, como também sobre a Guerra de Secessão e outros eventos do período histórico.

Na trama o Homem Sem Nome (Clint Eastwood), o bandido Tuco (Eli Wallach) e o mercenário Olhos de Anjo (Lee Van Cleef) se envolvem em uma corrida para chegar a milhares de dólares em ouro enterrados secretamente por soldados confederados em um cemitério remoto. Como cada um tem uma parte do segredo necessário para encontrar o tesouro, acabam tendo que relutantemente cooperar.

Como em outros faroestes conduzidos por Leone, há um trabalho na dilatação do tempo através da montagem. Isso ajuda a nos fazer sentir o vazio e imensidão do oeste, com o desenho de som ressaltando os ruídos ambientes como moscas os hélices de moinhos, para mostrar o silêncio e a falta de pessoas dos lugares. A dilatação de tempo também serve para ampliar a tensão em muitas cenas, já que sabemos o quanto os personagens são letais e um movimento em falso pode resultar em morte.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Crítica – Fanático

 

Review – Fanático

Análise Crítica – Fanático
Dirigido por Fred Durst (vocalista e líder da banda Limp Bizkit) e escrito a partir de um argumento do próprio Durst, este Fanático tenta falar sobre Hollywood como um espaço que destroça as pessoas, sobre fãs, desilusões e sonhos partidos, mas parece não saber como falar disso ou o que especificamente quer tratar dentro desses temas. O resultado é uma trama extremamente rasa, mal estruturada, que sofre tanto pelas más escolhas de roteiro e excessos do ator John Travolta como o protagonista.

A narrativa é centrada em Moose (John Travolta), um homem com problemas mentais que trabalha como artista de rua em Los Angeles e caça autógrafos de celebridades. Ele é fã principalmente do astro Hunter Dunbar (Devon Sawa) e sonha em conhecê-lo. Quando isso finalmente acontece, Dunbar trata mal Moose, que fica obcecado em fazer Dunbar gostar dele.

O primeiro problema que salta aos olhos é que nunca fica claro em quem devemos depositar nossa simpatia. Apesar do filme tentar pintar Moose como alguém no espectro do autismo, sem noção de certas convenções sociais, também deixa evidente que ele é extremamente agressivo quando contrariado e desde o início percebemos ele como um sujeito perigosamente instável. Já Hunter é tão desnecessariamente babaca com quase todos ao redor dele que é difícil se importar com o que Moose possa fazer com o astro.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Crítica – Scooby! O Filme

Review – Scooby! O Filme
 

Análise Crítica – Scooby! O Filme
Este Scooby! O Filme foi uma das primeiras vítimas do fechamento dos cinemas por conta da pandemia. Inicialmente tendo sua estreia suspensa indefinidamente, a Warner decidiu lançá-lo digitalmente. Lá fora ele já estava disponível há alguns meses, mas aqui no Brasil apenas recentemente ficou disponível em plataformas digitais de aluguel e locação.

A trama começa mostrando como Salsicha e Scooby Doo se conheceram ainda criança bem como as origens da turma do Mistérios S/A com Fred, Velma e Daphne. Logo a narrativa passa a acompanhar uma corrida contra o tempo para impedir que o vilão Dick Vigarista reviva o cão infernal Cérbero e o deixe à solta no mundo.

Se focasse mesmo na amizade entre Salsicha e Scooby o resultado podia ser uma aventura encantadora e divertida, mas o filme sofre por ter personagens e tramas demais em uma minutagem muito curta. Tal como aconteceu com A Múmia (2017) ou o segundo Animais Fantásticos, o filme parece mais preocupado em estabelecer um universo compartilhado, dando múltiplos caminhos para continuações e derivados, do que contar uma história realmente boa.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Crítica – The Umbrella Academy: 2ª Temporada

Análise Crítica – The Umbrella Academy: 2ª Temporada


Review – The Umbrella Academy: 2ª Temporada
Quando escrevi sobre a primeira temporada de The Umbrella Academy, mencionei que o mais interessante da série era o carisma de seus personagens e a excentricidade de seu universo. Esses elementos continuam a ser a principal força da série no seu segundo ano.

A trama continua no ponto em que o ano de estreia parou. Depois de tentar viajar no tempo com o resto da família para fugir do apocalipse causado por Vanya (Ellen Page), Cinco (Aidan Gallagher) acidentalmente leva todos ao Texas da década de 60. Cada um chega em momentos diferentes, com Cinco sendo o último, aparecendo dias antes do assassinato do presidente Kennedy em 1963. Ao se dar conta de onde está Cinco tem a visão de outro apocalipse que talvez esteja ligado a uma tentativa de alterar a linha do tempo e impedir a morte de Kennedy.

Estruturalmente a narrativa segue o mesmo padrão da primeira temporada, com a família espalhada e dividida precisando lidar com seus problemas individuais para se reunir e enfrentar um apocalipse iminente. Ainda assim funciona por conseguir ir além do que foi apresentado sobre esses personagens. Allison (Emily Raver-Lampman) constrói uma nova vida para si depois de ficar impossibilitada de usar seus poderes, aprendendo a conquistar tudo por conta própria. Vanya, sem memória, é achada por uma dona de casa que vive em uma fazenda com um filho autista, enquanto Klaus (Robert Sheehan) acidentalmente vira um líder de culto.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Rapsódias Revisitadas – Um Príncipe em Nova York

Análise Crítica - Um Príncipe em Nova York


Review - Um Príncipe em Nova York
Lançado em 1988 com um Eddie Murphy em franca ascensão e o diretor John Landis no auge de seu poder como realizador de comédias (ele foi o responsável por sucessos como Os Irmãos Cara de Pau e Trocando as Bolas), Um Príncipe em Nova York ajudou a sedimentar o estrelato de Murphy e introduzir elementos que Murphy continuaria a explorar (até o desgaste) em seus futuros filmes.

Na trama, Akeem (Eddie Murphy) é o príncipe e único herdeiro da poderosa nação africana de Zamunda. Ao completar 21 anos seu pai, o rei Jaffe (James Earl Jones), insiste que Akeem se case com uma noiva escolhida por ele. O príncipe, no entanto, não quer um casamento arranjado e deseja conhecer o mundo fora de seu país, viver uma vida na qual ele não é paparicado o tempo todo e tratado como um sujeito normal. O rei então dá a ele 40 dias para que ele viva nos Estados Unidos como bem entender. Assim, Akeem para para Nova York acompanhado pelo amigo e criado Semmi (Arsenio Hall). Chegando na cidade, ele se apaixona por Lisa (Shari Headley) e decide conquistá-la.

De certa forma é um filme com todas as mensagens e conflitos típicos de uma comédia romântica. O atrito entre Akeem e o pai traz a questão de “tradição vs modernidade”. O desenvolvimento da relação entre o protagonista e Lisa, com o eventual enlace romântico (spoiler para um filme de mais de 30 anos), traz os temas de que o valor interior, não o financeiro, que importa. Já vimos dezenas de comédias românticas com todas essas ideias, mas tudo é conduzido com tanta energia e carisma que é difícil não se envolver.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Crítica – Good Girls: 3ª Temporada

Review – Good Girls: 3ª Temporada

Quando escrevi sobre as duas primeiras temporadas de Good Girls mencionei que apesar de ideias críticas sobre a vida da classe trabalhadora dos EUA e do carisma de suas protagonistas, a série muitas vezes se perdia em soluções demasiadamente convenientes ou tramas sem sentido. Pois essa terceira temporada consegue entregar arcos consistentes para a maioria das personagens, ainda que derrape aqui e ali.

A trama começa alguns meses depois do final do segundo ano. Beth (Christina Hendricks), Annie (Mae Whitman) e Ruby (Retta) acreditam que Rio (Manny Montana) está morto e estão prosperando depois de montar o próprio esquema de lavagem de dinheiro. O que elas não sabem é que Rio não só está vivo, como eliminou os agentes do FBI que estavam no encalço dele e do trio liderado por Beth. Agora elas precisarão dar um jeito de sobreviver à vingança de Rio e manter o esquema funcionando.

Annie e Ruby tem tramas mais convincentes nessa temporada. Annie tenta (ao jeito dela) fazer terapia para confrontar seus problemas emocionais e tentar desfazer o caos da própria vida. Aos poucos ela vai entendendo a razão das inseguranças e também descobre a possibilidade de planejar um futuro profissional. Claro, a personagem não resolve todos os seus conflitos, ninguém resolveria depois de apenas alguns meses de terapia, mas mostra como a série está disposta a fazer suas personagens amadurecerem.

Já Ruby enfrenta problemas em casa por consequência de suas ações ilegais. O marido dela, Stan (Reno Wilson), começa a trabalhar como segurança em um bar de strip e se envolve em um esquema das strippers para roubar os clientes. Ao mesmo tempo, a filha de Ruby descobre as ações da mãe e passa a questioná-la. Considerando que Stan sempre foi o mais correto dos personagens, há algo de trágico em sua falência moral no qual suas ações deixam de ser para manter as contas em dia e sim meramente para esbanjar dinheiro. O arco da família de Ruby constrói essa impressão da força corruptora do crime, como uma doença infectando todos ao redor.

Ainda assim, os personagens do núcleo familiar, nunca se tornam desprezíveis e é possível compreender a motivação deles. Stan é um sujeito que sempre agiu corretamente, mas cujas boas ações e correção moral nunca o tornaram bem sucedido. O arco, assim como os demais da série, mostra a ilusão do “sonho americano” inacessível à classe trabalhadora por meios corretos, já que ela fica restrita a trabalhos precarizados e altos com elementos básicos de sobrevivência, como custos com saúde. Não deixa de ser irônico, inclusive, que é justamente um gesto de bondade que coloca Ruby novamente na mira do FBI.

Beth, por sua vez, se concentra em evitar a vingança de Rio e se livrar do criminoso uma vez por todas. A trama dela está mais centrada no esquema de lavagem de dinheiro e alguns conflitos pontuais com o marido e a sogra, Judith (Jessica Walter, a Lucille de Arrested Development e a Mallory de Archer). Assim como as outras protagonistas, vemos como a relação dela com o marido evoluiu desde a primeira temporada, passando do papel submisso e doméstico de Beth para algo mais próximo de uma parceria nesta temporada. Claro, Dean (Matthew Lillard, o eterno Salsicha dos filmes do Scooby Doo) ainda continua sendo meio cafajeste, mas sua recusa em dormir com a chefe para avançar a carreira ao menos mostra que ele está disposto a abandonar seus antigos hábitos. Beth também lida com o sentimento de culpa pela morte de uma colega de trabalho que a ajudava com o dinheiro falso.

Por outro lado, a série continua a ter soluções muito convenientes ou pouco críveis. Um exemplo é o assassinato de Lucy (Charlyne Yi). Considerando que Rio é um criminoso ardiloso e experiente, é de se imaginar que ele seria esperto o bastante para saber que o sumiço da jovem ia levar a muitas perguntas das pessoas ao redor dela. Ele poderia simplesmente simulado um assalto que deu errado quando ela estivesse saindo do trabalho. Além disso, o namorado de Lucy simplesmente desiste da vingança quando fica frente a frente com Rio e nunca mais volta a aparecer, encerrando toda a questão muito rápida e fácil.

A agente federal que começa a investigar o trio também toma decisões questionáveis. O ato de roubar o celular de Ruby é uma decisão bem estúpida, já que poderia fazer todo caso ser anulado, considerando que esse gesto é o ponto de partida da investigação dela. Alguns personagens ao longo da temporada acabam desperdiçadas, como Rhea (Jackie Cruz, a Flaca de Orange is the New Black), a mãe do filho de Rio. Rhea aparece nos primeiros episódios da temporada e fica a impressão de que ela terá um papel importante a desempenhar, mas logo sai de cena depois de relutantemente ajudar Beth em uma mentira para Rio que termina sendo desmascarada de qualquer maneira.

A terceira temporada de Good Girls leva suas personagens adiante e aprofunda seus conflitos, ainda que continue tendo os mesmos problemas de desenvolvimento da trama que anos anteriores.

 

Nota: 6/10


Trailer

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Crítica – High Life

Análise Crítica – High Life

Review Crítica – High Life
High Life, primeiro filme da diretora francesa Claire Denis em língua inglesa, é bem estranho. Falo isso no bom sentido. Ainda que a trama em si seja de certo modo previsível, a maneira como Denis conduz tudo, misturando gêneros e criando imagens inesperadas, traz momentos muito impactantes.

A narrativa se passa em um futuro não muito distante em que presidiários condenados à morte são enviados em uma missão sem volta para o espaço. Quando conhecemos Monte (Robert Pattinson), todos na nave estão mortos exceto ele e sua filha Willow, ainda bebê. Monte e Willow tentam sobreviver no isolamento e aos poucos vemos flashbacks de tudo que aconteceu. A nave era liderada pela Dra. Dibs (Juliette Binoche, colaboradora habitual de Denis) que tinha como objetivo tornar possível a reprodução humana no espaço, que era prejudicada pelos altos níveis de radiação. Eles também tinham que se aproximar de um buraco negro para descobrir como coletar energia dele.

Como é de se imaginar a missão dá errado quando conflitos irrompem e as pessoas começam a ficar violentas umas com as outras, mas o elenco consegue nos transmitir o desespero e desequilíbrio dos personagens diante das situações. O texto toca em diversos temas, de ética científica, passando por direitos reprodutivos, a brutalidade humana, a dificuldade de viver em conjunto, confinamento, desejo sexual e muitas outras ideias. Nem sempre todos esses temas transitam de maneira fluida uns com os outros e nem sempre o texto tem algo consistente a dizer sobre eles além de apontar sua existência na trama.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Crítica – Desvio de Rota

Análise Crítica - Desvio de Rota


Review - Desvio de Rota
Confesso que este Desvio de Rota, que chegou ao Brasil direto em serviços digitais, me pegou de surpresa em alguns aspectos. Não que seja um filme exatamente bom, mas considerando as performances que Bella Thorne e Jessie T. Usher vem entregando ultimamente, não imaginei que eles trariam atuações tão consistentes. Uma pena, porém, que o roteiro não está a altura do comprometimento dos atores.

James (Jessie T. Usher) sonha em vencer como ator em Hollywood e enquanto seu sonho não chega trabalha como motorista de aplicativo. Um dia Jessica (Bella Thorne) entra em seu carro e eles tem uma boa conversa, mas James reluta em chamá-la para sair. Na mesma noite James pega o estranho Bruno (Will Brill), que o encoraja a ir atrás de Jessica.

Inicialmente o filme funciona bem como uma história de pessoas errantes se encontrando por conta dos caprichos de algoritmos digitais. Os momentos em que os personagens dialogam sobre suas vidas, seus anseios e problemas trazem emoções bastante genuínas, com Usher, Thorne e Brill entregues a seus personagens e nos fazendo acreditar em cada um deles.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Crítica – Cursed: A Lenda do Lago

Análise Crítica – Cursed: A Lenda do Lago

Review – Cursed: A Lenda do Lago
As histórias sobre o Rei Arthur, a espada Excalibur e outros elementos de sua mitologia já foram contadas e recontadas inúmeras vezes sob diferentes perspectivas. Este Cursed: A Lenda do Lago tenta olhar a lenda arturiana sob a perspectiva feminina, algo que não é exatamente novidade, já que As Brumas de Avalon (tanto o livro quanto a minissérie) fizeram isso décadas atrás. Baseado em um romance escrito por Tom Wheeler e Frank Miller, este Cursed: A Lenda do Lago tenta recontar as origens dos personagens arturianos centrando sua história em Nimue, que posteriormente se tornaria A Dama do Lago, figura que guardaria a Excalibur a espera do eterno e futuro rei bretão.

Na série, Nimue (Katherine Langford) é uma jovem ligada ao povo feérico (uma denominação geral para seres mágicos) que é treinada pela mãe para se tornar a próxima sacerdotisa de seu povo por conta de sua afinidade com o oculto. Nimue, no entanto, rejeita os desígnios da mãe e as habilidades que tem. Tudo muda quando paladinos vermelhos da igreja invadem sua vila e atacam os habitantes. Nimue recebe a mítica espada de seu povo das mãos de sua mãe, que a orienta a entregar o artefato para Merlin (Gustaf Skarsgard). Ao longo de sua jornada Nimue encontrará aliados como um jovem ladrão chamado Arthur (Devon Terrell).

terça-feira, 28 de julho de 2020

Crítica – A Barraca do Beijo 2

Análise Crítica - A Barraca do Beijo 2

Review – A Barraca do Beijo 2
O primeiro A Barraca do Beijo (2018) não era só um romance adolescente cheio de clichês, mas trazia também uma representação problemática de conflito amoroso e de relações entre homens e mulheres. Este Barraca do Beijo 2 faz exatamente a mesma coisa, piorado por suas inchadas duas horas e dez minutos, que torna toda a experiência ainda mais arrastada e entediante. 

Na trama, Elle (Joey King) está em seu último ano do ensino médio e tenta manter o relacionamento à distância com Noah (Jacob Elordi) que está na faculdade. Ao mesmo tempo em que navega pelas dificuldades de uma relação à distância, ela lida com o fato de Lee (Joel Courtney) estar namorando com Rachel (Meganne Young) e não tem mais tempo para ela. Ao mesmo tempo um novo bonitão, Marco (Taylor Zakhar Perez) chega na escola para balançar o coração de Elle.

Impressiona o quanto o filme é extenso, tem várias subtramas e ainda assim há a sensação de que muito pouco acontece. Talvez porque a maioria dessas subtramas tem pouco impacto na narrativa principal, como a do colega de Elle que está apaixonado por um outro rapaz da turma. É um arco que não se relaciona com nenhum dos outros do filme e poderia ser removido sem qualquer prejuízo para a trama. Toda a questão do concurso de dança, cujo objetivo era conseguir dinheiro para que Elle fosse para Harvard, também não tem muita relevância porque no final ela sequer decide a faculdade que vai e o concurso acaba sendo um dispositivo de roteiro para forçar uma aproximação entre ela e Marco.

Os personagens demonstram não ter aprendido nada desde o filme anterior. A amizade entre Lee e Elle continua tão tóxica, controladora e manipuladora quanto no primeiro filme. Lee continua a cobrar “lealdade” da amiga, dizendo se sentir traído quando ela pensa em ir para outra faculdade diferente da que escolheram para ir juntos e novamente coloca Elle para escolher entre Lee e Noah, o que continua a ser um conflito tão estúpido e forçado quanto no primeiro filme.

As cobranças de Lee para que Elle seja verdadeira e leal a ele são agravadas pela postura hipócrita do personagem, que ao invés de ser sincero com a amiga e com a namorada sobre a necessidade de ter espaço para ambas, prefere ficar calado e manipular as duas a se odiarem. Ao invés, por exemplo, de dizer para Elle que precisa de mais tempo sozinho com a namorada, ele finge um machucado na perna para desistir do concurso de dança e a empurra para os braços de Marco. O pior é que Elle nem fica incomodada ao saber da mentira de Lee, o que apenas reforça a natureza unilateral da relação, já que Lee sempre fica irritado e indignado toda vez que Elle faz algo que ele não quer.

O conflito na relação entre Elle e Noah soa como algo pequeno demais que poderia ser resolvido em cinco minutos de conversa, mas que dilatado em mais de duas horas fica entediante e sem sentido. O triângulo amoroso com Marco surge como mera necessidade de roteiro, cheio de conveniências de trama para aproximar os dois, com Marco nunca conseguindo ter uma personalidade própria, mais soando como um clone latino de Noah. Marco também não tem qualquer narrativa ou motivação pessoais, existindo apenas para gravitar em torno de Elle e motivar brigas entre as fãs a respeito de quem Elle deveria realmente escolher.

Assim como no primeiro filme, as tentativas de humor variam entre o constrangedor e o forçado. As interações de Elle com as meninas populares da escola, por exemplo, parecem saídas de uma cópia ruim de Meninas Malvadas (2004) e muitas situações cômicas sequer fazem sentido. Um exemplo é a cena em que Elle acidentalmente liga o sistema de som da escola enquanto começa a falar sobre como Marco é gostoso e Lee sai correndo pelo campus, se batendo e derrubando outros, para avisar a amiga. Porque Lee simplesmente não ligou para o celular de Elle? Teria sido muito mais rápido.

Para piorar, a trama sequer oferece muito senso de conclusão preferindo terminar em um gancho (ou ameaça) para um terceiro filme ao invés de simplesmente resolver o dilema apresentado para Elle nesse filme. O final também faz parecer muito fácil entrar em universidades de ponta, com a protagonista sendo aceita com uma redação cafona sobre não saber o que quer do futuro e querer aproveitar o tempo junto dos amigos. Porque alguém daria uma vaga tão disputada em Harvard ou Berkeley para alguém que não tem a menor ideia do que quer estudar ou de como deseja empregar o conhecimento obtido na universidade? Como tudo mais no resto da narrativa, é algo que acontece simplesmente porque o roteiro exige.

A Barraca do Beijo 2 continua a exibir uma visão problemática e equivocada sobre amizade e relacionamentos amorosos, piorado pela duração inchada, diálogos constrangedores e situações forçadas.

 

Nota: 2/10

Trailer