terça-feira, 16 de julho de 2019

Rapsódias Revisitadas – Eles Vivem


Análise Crítica - Eles Vivem


Review Crítica - Eles Vivem
Lançado em 1988 e dirigido por John Carpenter, Eles Vivem parece, na superfície um filme B de invasão alienígena. Na verdade, não deixa de ser exatamente isso, mas também apresenta várias camadas de comentário sobre as estruturas que governam o funcionameento da nossa sociedade.

Na trama, um operário (Roddy Piper) encontra um par de óculos escuros que o faz ver a realidade oculta de nosso mundo: a de que somos governados por alienígenas grotescos que querem explorar nosso trabalho e todo o discurso midiático contem uma série de mensagens subliminares feitas para nos manter domesticados e consumindo. O protagonista tenta convencer seu melhor amigo, Frank (Keith David) a usar os óculos, mas Frank resiste a querer enxergar a verdade.

É difícil não olhar as críticas que o filme faz à sociedade capitalista e não pensar na noção de mitologias proposta pelo teórico Roland Barthes. Para Barthes, os discursos midiáticos hegemônicos existem para tornar invisíveis aqueles que controlam os meios de produção e para tornar toda a estrutura de funcionamento da sociedade como algo natural e normal (no sentido de norma mesmo). Ao fazer do capitalismo e suas desigualdades inerentes parecerem uma norma única, esse discurso hegemônico deixa pouco espaço para que os problemas e distorções do modelo capitalista sejam questionados. É basicamente o que acontece nesse filme, no qual as publicidades e jornalismo trazem mensagens subliminares para as pessoas não questionarem a autoridade e para consumirem continuamente.

Conheçam os indicados ao Emmy 2019




A Academia de Artes e Ciências Televisivas divulgou a lista de indicados para a 71º edição do Emmy Awards. Game of Thrones foi a série com o maior número de indicações, totalizando 32, enquanto que o segundo lugar foi para The Marvelous Ms. Maisel com 20. A HBO recuperou a liderança em número total de indicações, ficando com 137, enquanto que a Netflix ficou em segundo lugar com 117.

A cerimônia do Emmy 2019 acontecerá no dia 22 de setembro.

Veja a lista abaixo:

Melhor Série de Drama
Game of Thrones
This Is Us
Succession
Segurança em Jogo
Pose

Melhor Série de Comédia
Veep
Boneca Russa
The Marvelous Mrs. Maisel
Barry
Fleabag
The Good Place
Schitt's Creek

Melhor Telefilme
Black Mirror: Bandersnatch
Deadwood - O Filme
Meu Jantar com Herve
Rei Lear

Melhor Minissérie ou Série Limitada
Escape at Dannemora
Chernobyl
Fosse/Verdon

Melhor Ator em Série de Drama
Sterling K. Brown (This Is Us)
Milo Ventimiglia (This Is Us)
Jason Bateman (Ozark)
Billy Porter (Pose)
Bob Odenkirk (Better Call Saul)
Kit Harington (Game of Thrones)

Melhor Atriz em Série de Drama
Sandra Oh (Killing Eve)
Jodie Comer (Killing Eve)
Emilia Clarke (Game of Thrones)
Laura Linney (Ozark)
Robin Wright (House of Cards)
Mandy Moore (This Is Us)
Viola Davis (How to Get Away With Murder)

Melhor Ator Coadjuvante em Série de Drama
Alfie Allen (Game of Thrones)
Peter Dinklage (Game of Thrones)
Nikolaj Coster-Waldau (Game of Thrones)
Jonathan Banks (Better Call Saul)
Giancarlo Esposito (Better Call Saul)
Michael Kelly (House of Cards)
Chris Sullivan (This Is Us)

Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Drama
Gwendoline Christie (Game of Thrones)
Lena Headey (Game of Thrones)
Fiona Shaw (Killing Eve)
Maisie Williams (Game of Thrones)
Sophie Turner (Game of Thrones)
Julia Garner (Ozark)

Melhor Ator Convidado em Série de Drama
Ron Cephas-Jones (This Is Us)
Michael McKean (Better Call Saul)
Michael Angarano (This Is Us)
Kumail Nanjiani (The Twilight Zone)
Glynn Turman (How to Get Away With Murder)
Bradley Whitford (The Handmaid's Tale)

Melhor Atriz Convidada em Série de Drama
Laverne Cox (Orange Is The New Black)
Cherry Jones (The Handmaid's Tale)
Jessica Lange (American Horror Story: Apocalypse)
Phylicia Rashad (This Is Us)
Cicely Tyson (How To Get Away With Murder)
Carice van Houten (Game of Thrones)

Melhor Ator em Série de Comédia
Anthony Anderson (Black-ish)
Bill Hader (Barry)
Ted Danson (The Good Place)
Michael Douglas (The Kominsky Method)
Don Cheadle (Black Monday)
Eugene Levy (Schitt’s Creek)

Melhor Atriz em Série de Comédia
Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Natasha Lyonne (Boneca Russa)
Phoebe Waller-Bridge (Fleabag)
Christina Applegate (Disque Amiga para Matar)
Catherine O'Hara (Schitt's Creek)

Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia
Henry Winkler (Barry)
Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs. Maisel)
Alan Arkin (O Método Kominsky)
Tony Hale (Veep)
Stephen Root (Barry)
Anthony Carrigan (Barry)

Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia
Kate McKinnon (Saturday Night Live)
Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel)
Anna Chlumsky (Veep)
Betty Gilpin (GLOW)
Marin Hinkle (The Marvelous Mrs. Maisel)
Sarah Goldberg (Barry)
Olivia Colman (Fleabag)
Sian Clifford (Fleabag)

Melhor Ator Convidado em Série de Comédia
Adam Sandler (Saturday Night Live)
Peter MacNicol (Veep)
John Mulaney (Saturday Night Live)
Luke Kirby (The Marvelous Mrs. Maisel)
Matt Damon (Saturday Night Live)
Robert De Niro (Saturday Night Live)
Rufus Sewell (The Marvelous Mrs. Maisel)

Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia
Jane Lynch (The Marvelous Mrs. Maisel)
Sandra Oh (Saturday Night Live)
Maya Rudolph (The Good Place)
Kristin Scott Thomas (Fleabag)
Fiona Shaw (Fleabag)
Emma Thompson (Saturday Night Live)

Melhor Ator em Série Limitada ou Telefilme
Mahershala Ali (True Detective)
Jared Harris (Chernobyl)
Jharrel Jerome (Olhos que Condenam)
Sam Rockwell (Fosse/Verdon)
Benicio del Toro (Escape at Dannemora)
Hugh Grant (A Very English Scandal)

Melhor Atriz em Série Limitada ou Telefilme
Michelle Williams (Fosse/Verdon)
Patricia Arquette (Escape at Dannemora)
Amy Adams (Sharp Objects)
Joey King (The Act)
Aunjanue Ellis (Olhos Que Condenam)
Niecy Nash (Olhos Que Condenam)

Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada ou Telefilme
Asante Blackk (Olhos Que Condenam)
Paul Dano (Escape At Dannemora)
John Leguizamo (Olhos Que Condenam)
Stellan Skarsgård (Chernobyl)
Ben Whishaw (A Very English Scandal)
Michael K. Williams (Olhos Que Condenam)

Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Telefilme
Patricia Arquette (The Act)
Patricia Clarkson (Sharp Objects)
Emily Watson (Chernobyl)
Margaret Qualley (Fosse/Verdon)
Marsha Stephanie Blake (Olhos Que Condenam)
Vera Farmiga (Olhos Que Condenam)

Melhor Direção em Série de Drama
Game of Thrones (The Iron Throne)
Game of Thrones (The Last of the Starks)
Game of Thrones (The Long Night)
Killing Eve (Desperate Times)
Ozark (Reparations)
Succession (Celebration)

Melhor Direção em Série de Comédia
Barry (The Audition)
Barry (ronny/lilly)
The Big Bang Theory (The Stockholm Syndrome)
Fleabag (Episódio 1)
The Marvelous Mrs. Maisel (All Alone)
The Marvelous Mrs. Maisel (We're Going To The Catskills!)

Melhor Direção em Série Limitada ou Telefilme
Chernobyl
Escape at Dannemora
Fosse/Verdon (Glory)
Fosse/Verdon (Who's Got the Pain)
A Very English Scandal

Melhor Roteiro em Série de Drama
Segurança em Jogo (Episódio 1)
Game of Thrones (The Iron Throne)
Killing Eve (Nice and Neat)
Succession (Nobody is Ever Missing)

Melhor Roteiro em Série de Comédia
Barry (ronny/lilly)
Fleabag (Episódio 1)
The Good Place (Janet(s))
PEN15 (Anna Ishii-Peters)
Boneca Russa (Nothing In This World Is Easy)
Boneca Russa (A Warm Body)
Veep

Melhor Roteiro em Série de Limitada ou Telefilme
Chernobyl
Escape at Dannemora (Episódio 6)
Escape at Dannemora (Episódio 7)
Fosse/Verdon (Providence)
A Very English Scandal

Melhor Programa de Esquetes
Saturday Night Live
Drunk History
I Love You, America
At Home with Amy Sedaris
Documentary Now
Who Is America?

Melhor Programa de Variedade
Full Frontal with Samantha Bee
Jimmy Kimmel Live!
Last Week Tonight
The Daily Show with Trevor Noah
The Late Late Show with James Corden
The Late Show with Stephen Colbert

Melhor Série Animada
Big Mouth
Bob’s Burgers
Os Simpsons (Mad About the Toy)
Come Along With Me (Hora da Aventura)


segunda-feira, 15 de julho de 2019

Crítica – London Fields




Em produção desde 2013, este London Fields teve uma produção conturbada passando por diretores como David Cronenberg e Michael Winterbottom até chegar a Matthew Cullen, responsável pelo videoclipe California Gurls de Katy Perry. Filmado em 2015, o filme ficou um tempo na gaveta até ser exibido em alguns festivais de cinema em 2018 com uma recepção majoritariamente negativa (merecidamente, por sinal).

A trama, baseada em um romance escrito por Martin Amis na década de 80 (que não li), se passa em Londres em 1999. A cidade está em um momento de convulsão social por motivos que o roteiro não se dá ao trabalho de explicar e nunca tem muito impacto na trama. Um escritor com bloqueio criativo, Samson (Billy Bob Thornton), chega a Londres em busca de uma nova fonte de inspiração e os desejos dele são atendidos quando conhece a misteriosa Nicola (Amber Heard), uma mulher fatal que diz ter tido uma visão da própria morte. Crendo na veracidade da clarividência de Nicola, Samson decide acompanhá-la para escrever sobre ela.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Crítica – Blazing Chrome


Análise Crítica – Blazing Chrome


Review – Blazing Chrome
O primeiro trailer de Blazing Chrome, criado pela desenvolvedora JoyMasher, chamou a atenção pelo quanto parecia com os games das franquias Contra, em especial Contra III, e Metal Slug, tanto no visual quanto no gameplay acelerado. Pois o resultado final é uma competente recriação da experiência desses games, ainda que não traga nenhuma significativa transformação ao gênero.

A trama se passa em um futuro no qual as máquinas dominaram tudo, algo similar a O Exterminador do Futuro. De início existem dois personagens disponíveis, mas outros dois podem ser desbloqueados posteriormente. O jogo apresenta quatro fases que podem ser completadas em qualquer ordem, com um indicador de dificuldade mostrando qual seria a ordem ideal, abrindo mais depois que as quatro primeiras são completadas.

A jogabilidade, que permite um multiplayer local cooperativo para dois jogadores, é exatamente aquilo que se esperava de algo baseado nos antigos jogos de tiro da época 16 bit. Inimigos aparecem por todos os lados, tiros e explosões abundam pela tela e ao final de cada fase há um chefe gigantesco a ser eliminado. Os controles são precisos e o jogo ainda dá a opção de mirar parado segurando um dos botões laterais (R1 no PS4) que ajuda bastante contra os chefes. Além da arma básica, também é possível encontrar outras quatro armas que podem ser trocadas depois que adquiridas, embora esses upgrades sejam perdidos quando o jogador morre.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Crítica – Atentado ao Hotel Taj Mahal


Análise Crítica – Atentado ao Hotel Taj Mahal


Review – Atentado ao Hotel Taj Mahal
Contando uma história real de um violento atentado terrorista, Atentado ao Hotel Taj Mahal tenta se aproximar da intensidade e complexidade de filmes como Voo United 93 (2006) ou Capitão Phillips (2013), mas o resultado acaba sendo superficial e problemático.

A narrativa é centrada nos funcionários do hotel e seus esforços para manter os hóspedes em segurança. A trama se divide entre vários personagens, mas o problema é que não há tempo para que a maioria deles seja satisfatoriamente desenvolvida, fazendo-os soar como sujeitos unidimensionais. Apesar da atitude dos funcionários de fato ser louvável e altruísta, nela também estão imbricadas questões de classe social e colonialismo que o filme não parece se dar conta ou que constrói de maneira pouco satisfatória.

Um exemplo é a cena em que uma das hóspedes acusa o garçom interpretado por Dev Patel de ser terrorista só pelo fato do rapaz ter barba e usar turbante. O chefe da equipe do hotel, ao invés de recriminar a mulher pela atitude racista contra alguém que literalmente está arriscando a vida para salvá-la, simplesmente pede para que o garçom retire o turbante. A postura denota a submissão dos funcionários do hotel, como se a dignidade dos funcionários valesse menos que o conforto de uma dondoca rica e racista. Claro, o garçom conversa com a mulher, mas a situação é resolvida da pior maneira possível, com o medo e a tensão da situação sendo usados como desculpa para o racismo.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Crítica – Não Vai Dar


Análise Crítica – Não Vai Dar

Review – Não Vai DarHollywood já fez inúmeras comédias sobre adolescentes tentando perder a virgindade a todo custo. Quase sempre essas histórias são sob o ponto de vista masculino, a exemplo de American Pie (1999), então é sempre curioso para ver como um filme tenta olhar essa questão a partir de um grupo de personagens femininas como acontece neste Não Vai Dar.

A trama é centrada em três amigas, Julie (Kathryn Newton), Kayla (Geraldine Viswanathan) e Sam (Gideon Adlon). No dia da formatura do colegial as três fazem um pacto para perderem a virgindade com seus respectivos pares para o baile de formatura. A troca de mensagens entre as três, no entanto, acaba sendo acidentalmente vista por Lisa (Leslie Mann), a mãe de Julie, que alerta os pais de Kayla e Sam, Mitchell (John Cena) e Hunter (Ike Barinholtz) e os três decidem impedir as filhas.

Pela premissa parece que o filme vai adotar uma postura machista, assumindo a sexualidade feminina como algo que precisa ser controlado e indigno de uma “mulher de respeito”, mas felizmente não é o caso. O humor do filme reside justamente em ridicularizar a atitude dos três pais, mostrando como a conduta deles é anacrônica, estúpida e estão projetando nas filhas seus próprios temores e inseguranças quanto à saída delas de casa.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Crítica – Good Girls: 2ª Temporada


Análise Crítica – Good Girls: 2ª Temporada


Review – Good Girls: 2ª TemporadaQuando escrevi sobre a primeira temporada de Good Girls, mencionei que apesar de boas ideias e do carisma do trio principal, a série tinha inúmeros problemas de roteiro que prejudicavam a experiência. Eu esperava que essa segunda temporada melhorasse esses problemas, mas ao invés disso continua a apresentar a mesma quantidade de furos e incongruências de antes. Aviso que texto contem SPOILERS da temporada.

A trama continua no exato momento em que a anterior, com Rio (Manny Montana) tendo invadido a casa de Beth (Christina Hendricks) e tomando o marido dela, Dean (Matthew Lillard, o eterno Salsicha dos filmes do Scooby Doo) de refém. Dean é baleado, mas sobrevive. Enquanto isso, Beth, Annie (Mae Whitman) e Ruby (Retta) precisam sumir com as evidências que existem contra elas, já que o agente Turner (James Lesure) está próximo de localizá-las.

Tal como na primeira temporada, o texto é cheio de inconsistências. Beth é extremamente inteligente e ardilosa, capaz de criar esquemas de falsificação e até estar a um passo adiante de Rio, exceto quando o roteiro decide que ela é uma completa idiota. Um exemplo é já no início da temporada quando ela hesita em matar Boomer (David Hornsby). A hesitação em si já não faz muito sentido, já que Boomer não só está prestes a delatar Beth e as amigas para o FBI, como também tinha tentado estuprar Annie na temporada anterior e tentado passar a perna nelas antes. Ou seja, Boomer é claramente uma ameaça e um sujeito desprezível e ainda assim ela o trata como um sujeito completamente inocente.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Crítica – Stranger Things: 3ª Temporada


Análise Crítica – Stranger Things: 3ª Temporada

Review – Stranger Things: 3ª TemporadaDepois de uma competente segunda temporada, Stranger Things retorna para a sua terceira depois de um hiato de um ano e esse intervalo parece ter feito muito bem à série, entregando uma temporada concisa, sem problemas de ritmo, que talvez seja a melhor até aqui.

A narrativa começa cerca de um ano depois da temporada anterior. Os garotos estão de férias, Mike (Finn Wolfhard) e Onze (Millie Bobby Brown) estão namorando e não desgrudam um do outro. Lucas (Caleb McLaughlin) e Max (Sadie Sink) também estão namorando, o que deixa Will (Noah Schnapp) frustrado por não ter mais seus amigos por perto. Dustin (Gaten Matarazzo) retorna a Hawkins depois de uma viagem dizendo que também arrumou uma namorada, mas ninguém acredita nele. Ao mesmo tempo, russos constroem uma base subterrânea no local em que Onze fechou o portal para o Mundo Invertido na temporada anterior e tentam reabri-lo, liberando o Devorador de Mentes no nosso mundo. Depois de se ferir em um acidente de carro, Billy (Dacre Montgomery) acaba sendo dominado pelo Devorador e é usado como peão nos planos da criatura para destruir Onze e abrir definitivamente o portal para o nosso mundo.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Crítica – Shaft

Análise Crítica – Shaft


Review – Shaft
Este novo Shaft é simultaneamente um reboot e uma continuação. Continuação porque reconhece os eventos desde o primeiro filme de 1971, que trazia Richard Roundtree como o personagem título, passando pela versão dos anos 2000 protagonizada por Samuel L. Jackson até chegar na trama atual. É um reboot, no entanto, porque ter visto qualquer filme anterior não é necessário para assistir esse, que tenta ser um novo começo para a franquia.

A trama acompanha John Shaft Jr (Jessie T, Usher), ou JJ, filho do Shaft interpretado por Samuel L. Jackson no filme de 2000. JJ é um analista de dados do FBI que decide investigar a morte de um amigo e acaba precisando pedir ajuda ao pai e ao avô, o Shaft original, interpretado por Richard Roundtree, para resolver o caso.

Jessie T. Usher, que viveu o filho do personagem de Will Smith no péssimo Independence Day: O Ressurgimento (2016), continua a exibir aqui o mesmo tipo de interpretação apática e desprovida de carisma que demonstrou no filme de 2016. Não que o material ajude o ator, já que o roteiro JJ é reduz a uma caricatura aborrecida de millenial hipster que reclama e gagueja boa parte do tempo e que muitas vezes assume uma conduta incoerente.

Ouvimos mais de uma vez o personagem dizer que não gosta de armas e quando ele recebe uma arma do pai logo no início do filme, JJ a atira pela janela. A cena é feita para ser engraçada, mas lembremos que o personagem é um agente do FBI que, imaginamos, deveria se preocupar com a segurança da população e jogar uma arma de fogo no meio da rua é no mínimo um ato de irresponsabilidade dele. Claro, o Shaft pai aponta a estupidez da ação do filho, mas nem isso serve para diminuir o senso de incoerência das ações do protagonista.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Lixo Extraordinário – A Noite dos Coelhos

Crítica – A Noite dos Coelhos


Resenha – A Noite dos Coelhos
Lançado em 1972, A Noite dos Coelhos é um daqueles filmes que tem uma premissa tão absurda, com coelhos gigantes atacando uma pequena cidade, que imediatamente imaginamos que não irá se levar a sério. É o tipo de coisa que poderia render uma podreira bem divertida se abraçasse a natureza absurda de sua trama, mas cai no erro de tentar ser um terror “sério” e como resultado acaba sendo aborrecido.

Na trama, a uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos está sofrendo com uma infestação de coelhos. Depois que todos os coiotes da região foram eliminados, os coelhos se reproduziram descontroladamente e se tornaram uma praga, devorando as plantações locais. O fazendeiro Cole (Rory Calhoun) pede ajuda ao reitor da universidade local, Elgin (DeForest Kelley, o Dr. McCoy da série clássica de Star Trek).

O reitor designa o casal Roy (Stuart Whitman) e Gerry Bennet (Janet Leigh, que protagonizou Psicose) para desenvolver uma meio de eliminar os coelhos sem usar venenos. Eles tentam uma terapia hormonal para deixar os coelhos inférteis, injetando neles um coquetel de hormônios e drogas, mas a filha deles acaba pegando o coelho usado como cobaia e o leva consigo, acidentalmente deixando o animal escapar logo depois. Poucos meses depois, moradores da cidade começam a ser mortos em uma antiga mina de ouro e os personagens descobrem que o coelho que escapou não só se tornou imenso, como se multiplicou, criando uma horda de coelhos gigantes prestes a atacar a cidade.