sexta-feira, 30 de abril de 2021

Crítica – Silk Road: Mercado Clandestino

 

Análise Crítica – Silk Road: Mercado Clandestino

Review – Silk Road: Mercado Clandestino
O diretor Tiller Russell realizou alguns documentários sobre histórias criminais insólitas como Operation Odessa (2018), mas Silk Road: Mercado Clandestino, sua primeira incursão no domínio da ficção, é simplesmente um desastre. Sem ritmo, com personagens vazios e uma visão problemática acerca dos pontos de vista de seu protagonista, é impressionante como praticamente tudo dá errado aqui.

A narrativa se baseia na história real de Ross Ulbricht (Nick Robinson), criador do site Silk Road, uma página de comércio eletrônico na deep web que servia de ponto de compra e venda para qualquer substância ilegal. Logicamente a venda de drogas via internet o coloca na mira das autoridades, em especial do agente Nick Bowden (Jason Clarke), um sujeito mentalmente instável que retornou recentemente ao serviço e foi colocado em uma função burocrática no departamento de crimes digitais, mesmo sem ter qualquer intimidade com computadores.

A história tinha potencial para discutir temas como a ineficácia da guerra às drogas ou questões relativas à liberdades individuais, mas, ao invés disso, parece apenas aderir acriticamente aos ideais libertários (não confundir com liberais, que é outra coisa) de seu protagonista. Ross não é um personagem, é uma palestra ambulante sempre falando dos méritos dos ideais libertários, sendo que os argumentos dele, sejam eles sobre economia ou sobre política, são facilmente refutados.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Crítica – Falcão e o Soldado Invernal (Parte 3)

 

Análise Crítica – Falcão e o Soldado Invernal (Parte 3)

Review - Falcão e o Soldado Invernal (Parte 3)
Depois de vários episódios construindo os dilemas de Sam em relação ao assumir o escudo do Capitão América, confrontando o personagem com o histórico de injustiças dos Estados Unidos ao mesmo tempo que mostrava os riscos de um Capitão América mais dedicado a obedecer ao governo do que a um senso de valores, Falcão e o Soldado Invernal chegou em seu último episódio com muitas pontas a amarrar. Algumas tramas se resolvem muito bem, embora outras não tenham o impacto que deveriam. Assim, nesta terceira e última parte me dedico a entender o que funciona e o que não se resolve tão bem no episódio final da série.

O desfecho

Assim como aconteceu com WandaVision, a série tem alguns problemas em seu episódio final. Ela lida muito bem com o arco do protagonista, mas resolve de maneira problemática as tramas dos demais personagens. As cenas com Sam são o ponto alto do episódio final, com ele finalmente decidindo assumir o manto de Capitão América e se revelando como tal. Além das cenas de ação que mostram as habilidades do personagem com o escudo e seu novo uniforme, o que mais o define como alguém que merece o posto é a maneira como ele questiona as autoridades para o tratamento dado aos Apátridas.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Crítica – Falcão e o Soldado Invernal (Parte 2)

 Análise Crítica – Falcão e o Soldado Invernal (Parte 2)

Review – Falcão e o Soldado Invernal (Parte 2)
A série Falcão e o Soldado Invernal me surpreendeu por ampliar nosso entendimento sobre o universo Marvel, em especial o estado do mundo após o estalo de Thanos ser desfeito, e também como o roteiro trabalha questões relativas à identidade nacional dos Estados Unidos. Ao longo da temporada os episódios analisam as contradições e injustiças do projeto de nação dos EUA, expondo as fragilidades do discurso do país sobre liberdade e justiça. Muito dessa discussão se dá no arco de Sam e seu percurso para aceitar o escudo do Capitão América, mas os antagonistas da série também desempenham um papel importante e é sobre eles que falaremos nessa segunda parte.

Os antagonistas

A série também acerta no seu tratamento aos antagonistas, evitando maniqueísmos simplórios e tratando esses personagens como figuras complexas. Seria fácil tornar John Walker um babaca sem qualquer aspecto positivo, afinal ele é o sujeito que recebeu o escudo do Capitão América de mão beijada, sem ter feito por merecer. Ainda assim, a série escolhe que o primeiro grande contato que temos com Walker seja em um vestiário, nervoso por assumir o posto de Capitão, sobrepujado pela pressão de existir à sombra de Steve Rogers. O vemos como um sujeito vulnerável e instável, que até quer fazer a coisa certa, mas não tem a temperança e a empatia de Steve. Wyatt Russell, por sinal, é ótimo em construir a personalidade arrogante e impertinente de Walker, fazendo dele o tipo de adversário que dá gosto de odiar.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Crítica – Estados Unidos vs Billie Holiday

 

Análise Crítica – Estados Unidos vs Billie Holiday

Review – Estados Unidos vs Billie Holiday
É impossível dar conta da vida inteira de uma pessoa em uma biografia. Não há como dar conta 100% de tudo que a pessoa é e foi, principalmente em duas horas de duração de um filme. Assim, é inevitável fazer recortes sobre certos aspectos da vida da pessoa biografada, escolher um momento específico, uma relação específica, um aspecto específico da vida da pessoa. Este Estados Unidos vs Billie Holiday parece inicialmente ter um recorte bem definido do que quer mostrar da vida da cantora de jazz, mas logo se perde em várias direções, o que prejudica o filme.

A narrativa é focada na cantora Billie Holiday (Andra Day) e na perseguição do governo dos Estados Unidos contra ela por conta da canção Strange Fruit, que narra de maneira bastante gráfica os linchamentos cometidos contra pessoas negras no sul do país. Como não podiam simplesmente censurá-la, tentam prendê-la pelo uso de drogas e para isso usam o agente Jimmy Fletcher (Trevante Rhodes) para se aproximar dela e coletar informações.

O letreiro inicial deixa claro que isso é um exame sobre a perseguição do Estado contra a cantora por denunciar o racismo, no entanto, o filme nunca foca apenas nisso, se dividindo em várias outras direções falando dos relacionamentos afetivos da cantora, das dívidas e outros problemas. São muitas digressões que pouco acrescentam à trama e tem pouco impacto no que deveria ser o conflito principal.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Crítica – Falcão e o Soldado Invernal (Parte 1)

 

Análise Crítica – Falcão e o Soldado Invernal (Parte 1)

Review – Falcão e o Soldado Invernal (Parte 1)
Originalmente pensada para ser a primeira das séries do universo Marvel a passar no Disney Plus, Falcão e o Soldado Invernal acabou sendo adiado por conta de atrasos na produção e WandaVision. Assistindo a série, é possível entender porque ela foi escolhida para ser a primeira já que a narrativa ajuda a nos situar no estado do universo após os eventos de Vingadores: Ultimato (2019). Avisamos que o texto contem SPOILERS da série.

Na trama, Sam Wilson (Anthony Mackie) decide entregar o escudo de Steve Rogers (Chris Evans) para o governo, esperando que o item seja colocado em um museu. A decisão não agrada Bucky (Sebastian Stan), que acha que Sam deveria seguir os desejos de Steve e ficar com o escudo. Ao mesmo tempo, uma nova ameaça surge no horizonte na forma dos Apátridas, um grupo liderado por Karli Morgenthau (Erin Kellyman) que deseja retornar o mundo à situação de maior igualdade e distribuição de recursos que havia durante os cinco anos do estalo de Thanos. Além dos Apátridas, Sam e Bucky precisam lidar com John Walker (Wyatt Russell), um novo Capitão América nomeado pelo governo, um sujeito escolhido para a posição à revelia dos desejos de Sam ou Steve Rogers.

Conheçam os vencedores do Oscar 2021

Conheçam os vencedores do Oscar 2021

A 93ª cerimônia do Oscar aconteceu neste domingo, 25 de abril, e por conta da pandemia ainda foi um pouco diferente. O espaço foi um local mais aberto do que o habitual Teatro Dolby, as canções concorrentes não foram apresentadas durante a transmissão e ao invés de uma orquestra tivemos o DJ Questlove, tudo para diminuir contato e manter o distanciamento entre as pessoas. Em relação aos prêmios em si, Mank, que era o filme com maior número de indicações, saiu com apenas duas estatuetas. Já Nomadland levou vários prêmios importantes, com a diretora Chloe Zhao se tornando a segunda mulher a receber um Oscar de direção, além de ter vencido melhor atriz para Frances McDormand e o cobiçado prêmio de melhor filme. A grande surpresa da noite foi a vitória de Anthony Hopkins como melhor ator, já que muitos apostavam que iria postumamente para Chadwick Boseman. Apesar da surpresa, foi uma vitória merecida, já que Hopkins entregou uma das melhores performances de sua carreira.

 

Confiram a lista abaixo para ver os vencedores e os indicados em cada categoria:

 

domingo, 25 de abril de 2021

Conheçam os vencedores do Framboesa de Ouro 2021

 Vencedores do Framboesa de Ouro 2021

O Framboesa de Ouro, premiação que “homenageia” os piores filmes do ano, anunciou seus vencedores no sábado, 24 de abril. O maior vencedor foi Music, que levou três Framboesas, mas o prêmio de pior filme foi para o “documentário” Absolute Proof que apresentava uma série de teorias conspiratórias sem fundamento para tentar afirmar que a eleição de 2020 foi roubada por Joe Biden. Além deles, 365 Dias da Netflix levou pior roteiro e Dolittle venceu como pior remake ou sequência. Confiram abaixo a lista completa de indicados com os vencedores destacados em negrito.

 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Drops – Medalha de Bronze

 Análise Crítica – Medalha de Bronze


Review - The Bronze
Este Medalha de Bronze é estruturalmente uma narrativa sobre esporte bem típica, com a protagonista em uma jornada para se tornar uma versão melhor de si mesma, vencer uma competição e explorar seus traumas do passado. O que impede o filme de ser meramente uma coleção de lugares comuns é sua protagonista Hope Ann (Melissa Rauch, a Bernardette de The Big Bang Theory).

Na trama, Hope é uma ex-ginasta que continua vivendo da fama de ter vencido uma medalha de bronze nas Olimpíadas uma década atrás. Ela passa os dias vagando por sua cidade natal comendo e recebendo produtos de graça no comércio local. Quando sua antiga treinadora comete suicídio, Hope fica sabendo que ficará com a herança, mas para receber o dinheiro precisa treinar uma nova promessa local da ginástica, Maggie (Haley Lu Richardson).

Hope se comporta como uma criança mimada, achando que todos lhe devem reverência e obediência por conta de seu passado. A insistência da personagem andar vestida com o jaqueta da equipe de ginástica de dez anos atrás mostra como ela está parada nessa fase da vida. Se sentindo amargurada pela lesão que lhe tirou a chance de um futuro ainda melhor no esporte, ela se engaja em uma rotina autodestrutiva de consumo de drogas. Também apegado ao passado é o técnico interpretado por Sebastian Stan, que protagoniza, ao lado de Rauch, uma das cenas de sexo mais hilárias da história recente.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Crítica – Radioactive

 Análise Crítica – Radioactive


Review – Radioactive
Marie Curie foi um dos nomes mais importantes da ciência moderna, descobrindo dois novos elementos químicos e também os efeitos da radiação. Era questão de tempo até um filme contar sua história, de como ela mudou o mundo com suas descobertas e abriu caminho para as mulheres na ciência. Este Radioactive tenta fazer exatamente isso, mas se perde em um roteiro excessivamente fragmentado.

A trama segue Marie Curie (Rosamund Pike) desde o momento inicial de suas pesquisas, quando conheceu o marido, Pierre (Sam Riley), até a morte da cientista. Ao longo da trajetória conhecemos as contribuições de Marie para a ciência, bem como elementos de sua vida pessoal e os problemas que ela teve de enfrentar por ser uma mulher em um ambiente profissional dominado por homens.

A direção de Marjane Satrapi (responsável por Persépolis e As Vozes) tenta nos manter imersos no processo mental de Curie, com cortes rápidos que nos mostram os vários processos e experimentos entrecortados com imagens de átomos ou outros elementos gráficos que ajudem a tornar acessível a compreensão do trabalho da protagonista. Já era esperado um certo nível de exposição dos diálogos para falar sobre o trabalho científico de Marie, mas o filme traz uma exposição em excesso até para falar da vida pessoal da personagem.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Drops – Alma de Cowboy

 Análise Crítica – Alma de Cowboy


Review – Alma de Cowboy
Produção original da Netflix, Alma de Cowboy é uma história bem típica sobre conflitos entre pais e filhos que é elevada pela comunidade singular que retrata (quantos filmes sobre cowboys negros urbanos vocês conhecem?) e pela conexão dos dois protagonistas. Na trama, Cole (Caleb McLaughlin) é um adolescente problemático e, para tentar colocá-lo na linha, o envia para morar com o pai, Harp (Idris Elba), que vive em uma comunidade de criadores de cavalos na Filadélfia.

É claro que Cole inicialmente rejeitará essa nova vida e tentará fugir, é claro que inicialmente todo o trabalho que o pai o obriga a fazer cuidado de animais parece muito duro, mas após algum tempo Cole irá entender o sentido de tudo aquilo e aprenderá a importância do trabalho e de construir algo com as próprias. É daqueles filmes que a gente sabe absolutamente tudo que vai acontecer, todas as batidas e reviravoltas, já nos primeiros minutos. Ainda assim ele funciona.

Isso porque há um olhar muito afetuoso para a comunidade que retrata. Ao invés de explorar a ambientação como algo apenas insólito ou pitoresco, há um cuidado genuíno em nos fazer entender o modo de vida daquelas pessoas, das escolhas que fazem e o porquê daquilo tudo ser importante para o grupo. Outro mérito é o trabalho de Caleb McLoughlin (o Lucas de Stranger Things) e de Idris Elba. Caleb vende bem o senso de inadequação e frustração de Cole, que sempre se sentiu abandonado pelo pai, enquanto Elba traz um charme áspero a Harp, um sujeito que passou por uma vida dura, mas que amadureceu com essas experiências e, ao modo dele, tenta cuidar da comunidade ao redor. Os melhores momentos do filme nascem justamente dos embates entre os dois, repletos de emoção intensa, em especial na cena em que Harp justifica a escolha do nome do filho.

terça-feira, 20 de abril de 2021

Lixo Extraordinário – A Porta da Loucura (Reefer Madness)

 

Crítica – A Porta da Loucura (Reefer Madness)

Review - Reefer Madness
Hoje a nossa coluna é dotada de algum valor de pesquisa histórica sobre cinema. O filme que falaremos hoje, A Porta da Loucura (Reefer Madness), lançado em 1938, é considerado uma das primeiras produções de Hollywood a falar dos "perigos" da maconha. Observar a “denúncia” feita por esse filme com o olhar de hoje rende boas risadas, já que boa parte do discurso contrário à maconha, feito para assustar as pessoas a se manterem distantes dela, se baseia em ideias já refutadas sobre a substância e em um sensacionalismo tão exagerado que torna tudo hilário. É importante destacar que existem duas versões deste filme, a versão original em preto-e-branco lançada em 1936 e uma versão colorizada (o mesmo filme, só que com cor) dele que foi lançada décadas depois.

A abordagem sensacionalista já se faz presente no letreiro inicial, que avisa que apesar de ser uma obra de ficção, o filme visa educar pais e jovens para o perigo real da droga que está destruindo comunidades, a maconha, que faz as pessoas ficarem em um estado de completa insanidade que conduz a atos de violência. A primeira cena mostra uma reunião da associação de pais no qual um palestrante alerta sobre os perigos das drogas sendo traficadas para os Estados Unidos, com a montagem cortando para imagens que deveriam ilustrar como essas drogas são escondidas em livros, broches ou solas de sapato, mas a maioria dessas drogas nem parecem drogas, apenas grandes retângulos brancos que mais lembram barras de sabão. Claro, alguém poderia dizer que essas não são as drogas em si, mas os pacotes em que são transportadas, no entanto, quando vimos drogas transportadas em retângulos brancos perfeitos?

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Crítica – Amor e Monstros

 

Análise Crítica – Amor e Monstros

Review – Amor e Monstros
Este Amor e Monstros é um daqueles filmes que parece ter sido feito por algum algoritmo, combinando elementos de outras obras e gêneros que deram certo em uma colcha de retalhos narrativa que espera atingir o maior público possível. O resultado, no entanto, é algo derivativo e desprovido de personalidade.

A trama se passa em um futuro apocalíptico no qual o planeta foi tomado por criaturas mutantes depois que mísseis disparados contra um asteroide que se aproximava da Terra dispersou químicos na atmosfera. Sete anos depois, quase toda a população foi morta e os que sobraram vivem em bunker subterrâneos. Joel (Dylan O’Brien) é um desses poucos sobreviventes que vivem em esconderijos subterrâneos. Quando ele recebe uma mensagem via rádio de Aimee (Jessica Henwick), sua namorada antes do apocalipse, ele decide deixar seu abrigo para viajar até ela.

Na prática, a estrutura narrativa é quase uma cópia de Zumbilândia (2009), com um sujeito meio nerd e medroso cruzando o país em um cenário pós-apocalíptico enquanto encontra companheiros de viagem pitorescos, apenas substituindo os zumbis por monstros. Os primeiros minutos até dão a impressão de que o filme irá investir mais na comédia e na paródia, com a narração de Joel exibindo um grau de autoconsciência em relação às convenções narrativas e lugares comuns que sua história exibe.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Crítica – A Força da Natureza

 Análise Crítica – A Força da Natureza


Review – A Força da Natureza
Um grupo de ladrões tenta um roubo de itens valiosos durante um furacão. Espera, eu já analisei esse filme, se chama No Olho do Furacão, lançado em 2018. O quê? Esse A Força da Natureza é outro filme sobre um roubo em pleno furacão? Qual o problema de Hollywood com roubos e furacões? Não é como se No Olho do Furacão tivesse sido um baita sucesso ao ponto de gerar imitadores, na verdade foi um grande fracasso e A Força da Natureza é igualmente ruim.

Cardillo (Emile Hirsch) é o clichê do policial atormentado por um erro do passado. Ele trabalha em Porto Rico e, ao lado da parceira Jess (Stephanie Cayo), acaba indo parar em um prédio que é atacado por assaltantes bem quando um poderoso furacão atinge a ilha. Os ladrões são liderados por John (David Zayas) que está em busca de valiosas pinturas escondidas por um morador do prédio.

Na prática é uma mistura de Duro de Matar (1988) com Twister (1996), mas sem a tensão do primeiro ou o espetáculo destrutivo do segundo. O que ele tem a oferecer então? Bem, nada. Apesar de termos dois policiais confinados em um prédio com bandidos em maior número, não há qualquer sensação de urgência, os vilões, apesar de cientes da presença de Cardillo, não fazem muito esforço para procurá-lo e a maioria dos embates acontece porque os personagens se encontram fortuitamente nos corredores.

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Crítica – Time

 

Análise Crítica – Time

Review – Time
De início Time parece mais um daqueles documentários de denúncia sobre as injustiças do sistema penal dos Estados Unidos e como ele afeta mais duramente a população negra nos moldes de algo como A 13ª Emenda (2016). O filme até toca inevitavelmente nesses temas, mas é menos uma denúncia e mais sobre a vida de uma família ao longo do tempo.

O documentário segue Fox Rich, que há décadas luta para reverter a pena de prisão do marido Rob, condenado a 60 anos por assalto a mão armada sem direito a condicional, que Fox considera excessiva. Apesar da questão do encarceramento estar no cerne da narrativa, o que vemos é menos uma argumentação para nos convencer dos problemas do sistema prisional e mais sobre como Fox e seus filhos lidam com o fato de construírem uma família durante as duas últimas décadas nas quais Rob passou na prisão.

A narrativa não tenta suavizar ou romantizar o fato de que Rob é culpado, tendo de fato assaltado um banco ao lado da esposa e mais um parente, não pondo em questão de que ele deveria cumprir pena, mas apontando o excesso de uma pena tão longa e sendo negado condicional e outras benesses de presos na mesma situação. O foco principal, no entanto, é na família de Fox ao longo desses vinte anos, no modo como ela tenta manter a família unida, criar os filhos, lutar pela liberdade do marido e fazer as pazes com as consequências da decisão que ela e Rob tomaram décadas atrás.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Crítica – Agente Duplo

 Análise Crítica – Agente Duplo


Este Agente Duplo é uma daquelas histórias em que a realidade se mostra tão inesperada quanto qualquer ficção. O documentário chileno dirigido por Maite Alberdi conta uma história de espionagem envolvendo idosos. Na trama, o detetive particular Romulo contrata Sergio, um senhor octagenário, para se infiltrar em um asilo de idosos e investigar se a mãe da cliente que contratou Romulo está sofrendo maus tratos no local.

Inicialmente o filme adota uma abordagem cômica conforme Romulo entrevista diferentes idosos para sua missão de espionagem e explica a natureza do trabalho e dos equipamentos (como óculos com câmera escondida) que terão de usar. Tudo soa como uma pastiche de filmes de investigação e espionagem, incluindo o fato do escritório de Romulo parecer algo saído de um antigo filme noir.

Conforme Sergio embarca em sua missão e chega ao asilo, no entanto, o filme ganha outros contornos e a personalidade afável e gentil do idoso acaba afastando-o um pouco da missão conforme ele começa a se aproximar das pessoas que moram no asilo e ouvir suas histórias. No asilo, Sergio é acompanhado por uma equipe de filmagem que está lá sob o pretexto de filmar um documentário sobre os idosos que vivem no local.

terça-feira, 13 de abril de 2021

Crítica – Esquadrão Trovão

 Análise Crítica – Esquadrão Trovão


Review – Esquadrão Trovão
Misturar comédia e super-heróis pode render coisas boas, principalmente quando você tem protagonistas como Melissa McCarthy e Octavia Spencer. Este Esquadrão Trovão, no entanto, consegue a proeza de não fazer nada funcionar, com um texto capenga, humor simplório e uma completa falta de ritmo. 

Na trama, o mundo é afetado por uma energia cósmica que causa alterações em partes da população, que desenvolvem poderes. Apenas pessoas com sociopatia são afetadas pela transformação, então todas as pessoas com superpoderes são vilões. Após perder os pais para um desses supervilões, Emily (Octavia Spencer) dedica a vida a encontrar um meio de derrotá-los. Ela se envolve na criação de uma fórmula para dar poderes a pessoas normais, mas Lydia (Melissa McCarthy), melhor amiga de Emily, acidentalmente toma a fórmula de superforça, restando a Emily ajudar a amiga a lidar com as novas habilidades ao mesmo tempo em que a própria Emily ganha poderes de invisibilidade.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Crítica – Fuja

 Análise Crítica – Fuja


Review – Fuja
Produção original da Netflix, Fuja é basicamente uma mistura de Louca Obsessão (1990) com a primeira temporada de The Act (2019). A diferença é que ao invés de focar no que move esses personagens a essas condutas extremas, a narrativa foca mais em situações de tensão e construção de reviravoltas.

Na trama, Diane (Sarah Paulson) passa a vida inteira se dedicando a cuidar da filha, Chloe (Kiera Allen), que nasceu com diversos problemas de saúde. Apesar de tudo, Chloe cresceu para ser uma jovem inteligente, com prospecto de entrar em boas universidades. Aos poucos, no entanto, Chloe começa a suspeitar que a mãe esconde segredos dela.

Não é muito difícil antever as principais viradas da trama. É evidente desde a primeira fala de Diane sobre não sentir nada em relação da possibilidade de Chloe ir embora para ir para faculdade que Diane provavelmente irá tentar evitar que a filha saia de casa. Do mesmo modo, dado o controle que Diane exerce sobre a filha, é fácil suspeitar que ela talvez esteja mentindo sobre a saúde da garota. Quando questionamos se os problemas de Chloe são ou não reais, fica fácil antever a revelação a respeito do que aconteceu com o frágil bebê que Diane pariu no início do filme.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Crítica – Mussum: Um Filme do Cacildis

 

Análise Crítica – Mussum: Um Filme do Cacildis

Review – Mussum: Um Filme do Cacildis
Muitos lembram de Antônio Carlos Bernardes Gomes como o comediante Mussum do grupo Os Trapalhões, mas o artista também foi um prolífico compositor, sambista e várias outras coisas ao longo de sua vida. Este Mussum: Um Filme do Cacildis tenta dar conta da prolífica vida do artista, de suas relações pessoais, bem como seus desafios.

Com uma narração bem humorada por parte de Lázaro Ramos, o filme consegue manter o espírito de irreverência do seu biografado ao mesmo tempo que há um esforço genuíno de analisar sua trajetória. Apesar de seu trabalho com humor ao lado de Renato Aragão e Dedé Santana ser a parte mais lembrada por boa parte do público, a estrutura da narrativa vai focar mais no início da carreira artística de Mussum e seu trabalho com samba.

O documentário se vale de recursos tradicionais deste tipo de biografia, com entrevistas a amigos, colegas de trabalho ou familiares e também imagens de arquivo contendo apresentações de Mussum e algumas entrevistas dele no passado. Não fosse a narração jocosa seria algo convencional demais para um artista tão marcado pela irreverência, mesmo antes de sua incursão no humor.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Crítica – Super Size Me 2: O Frango Nosso de Cada Dia

 

Análise Crítica – Super Size Me 2: O Frango Nosso de Cada Dia

Review – Super Size Me 2: O Frango Nosso de Cada Dia
O documentário Super Size Me: A Dieta do Palhaço (2004) fez sucesso por expor os malefícios da indústria do fast food, ainda que usasse alguns expedientes sensacionalistas para falar dos temas que eram centrais para sua discussão, em especial a decisão do diretor Morgan Spurlock em se submeter a comer McDonald’s por um mês inteiro para mostrar os malefícios à saúde. A questão é que já haviam estudos documentando isso, então a decisão do diretor parecia mais motivada para provocar choque do que para fins de pesquisa. Este Super Size Me 2: O Frango Nosso de Cada Dia volta a questionar a indústria do fast food, focando principalmente na indústria do frango.

Se no primeiro filme ele usava o dispositivo da dieta para enquadrar sua narrativa, aqui Morgan parte da ideia de criar sua própria rede de fast food para tentar entender como funciona essa indústria, desde a produção da carne até a organização dos restaurantes e como essa comida é apresentada em termos publicitários. Como no anterior, Spurlock apresenta algumas conclusões óbvias como se fossem grandes achados, em especial na noção de que as mensagens da publicidade existem para estimular o consumo e usam uma retórica de aliviar os malefícios dos alimentos ultraprocessados que vende. Alguém ainda tinha dúvida disso? Qualquer pessoa que vai a um fast food já deve ter percebido, por exemplo, que as imagens da comida sempre são mais atraentes do que a comida em si.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Crítica – Você Deveria Ter Partido

 Análise Crítica – Você Deveria Ter Partido

Review – Você Deveria Ter Partido
Centrado no relacionamento deteriorado de um casal, Você Deveria Ter Partido começa como um exame de um relacionamento erodido por mentiras, aos poucos, porém, vai entrando no reino do suspense e do terror para se tornar uma espécie de cópia sem graça de O Iluminado (1980). É aquele tipo de filme que parecia ter algo a dizer até resolver se conformar aos clichês do gênero.

Na trama, Theo (Kevin Bacon) é um ex-banqueiro marcado pelo trauma da morte da primeira esposa. Ele viaja com a filha e a atual esposa, a atriz Susanna (Amanda Seyfred), uma mulher mais jovem que ele, para alguns dias de férias em uma casa de campo no interior do País de Gales. Logicamente, nem tudo é o que parece e fenômenos estranhos começam a acontecer na casa.

Há um esforço genuíno da parte de Kevin Bacon em dotar Theo de complexidade, fazendo dele um sujeito marcado por dor e trauma, mas, ao mesmo tempo, cheio de inseguranças em relação a estar casado com uma mulher mais jovem, algo evidenciado quando ele vai visitá-la num set de filmagem e reage incomodado ao ser perguntado se é o pai de Susanna. Todos esses problemas fazem o protagonista agir com certa amargura e de maneira passivo-agressiva em relação à esposa, com uma desconfiança que nos deixa em dúvida se é apenas insegurança ou se há algo ali. É um personagem difícil de se conectar por se comportar de maneira tão desagradável a maior parte do tempo, mas Bacon dá sentimentos tão verdadeiros a ele que conseguimos enxergar a humanidade machucada dentro dessa personalidade tão complicada.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Crítica – Meu Pai

Análise Crítica – Meu Pai

Review – Meu Pai
Dirigido por Florian Zeller a partir de uma peça de teatro que ele mesmo escreveu, Meu Pai é um retrato bem direto e seco sobre a dificuldade em lidar com um idoso com problemas neurológicos. Não há uma epifania aqui, uma catarse, apenas o reconhecimento da severidade da degradação mental e como isso afeta a pessoa e aqueles que o cercam. Talvez por isso não seja um filme fácil de assistir, já que somos duramente confrontados com a vida de uma pessoa em uma situação de grande fragilidade, mas nem por isso deixa de ser uma obra muito bem executada.

Na trama, Anthony (Anthony Hopkins) é um senhor idoso que está com extrema dificuldade de reter memórias ou de se situar no tempo e no espaço, muitas vezes confuso em relação a onde está, quando e quais são as pessoas à sua volta. Ele é cuidado pela filha, Anne (Olivia Colman), que o traz para a casa dela, já que ele não tem mais condições de ficar sozinho. Como Anthony já está muito esquecido, ele tem dificuldade de lidar e reconhecer as cuidadoras, o que deixa Anne sozinha em muitos momentos para cuidar dele. O marido de Anne, Paul (Rufus Sewell), começa a se ressentir da situação, já que Anne praticamente abre mão da própria vida para cuidar do pai.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Crítica – Tom & Jerry: O Filme

 Análise Crítica – Tom & Jerry: O Filme


Review – Tom & Jerry: O Filme
Faz tempo que Hollywood encontrou uma espécie de “formato” para trazer desenhos antigos para o cinema. Mistura-se animação com atores de verdade, coloca-se esses personagens para interagir com humanos em alguma trama genérica focada nesses personagens humanos e pronto, um desenho é trazido para os cinemas contemporâneos. Foi isso que aconteceu com Alvin e os Esquilos (2007), Zé Colmeia: O Filme (2010), Os Smurfs (2011) ou Pica-Pau: O Filme (2017), todos muito ruins e a maioria deles fracassos de público. Ainda assim, a indústria continua insistindo nessa fórmula neste Tom & Jerry: O Filme.

A trama é protagonizada por Kayla (Chloe Moretz), que conseguiu um emprego temporário em um hotel de luxo. Seu hotel está para ser o palco do casamento das celebridades Preeta (Pallavi Sharda) e Ben (Colin Jost) e o supervisor de Kayla, Terence (Michael Peña), pede que ela livre o hotel do rato que passou a morar no local, Jerry. Para conseguir espantar o rato, ela traz o gato Tom e assim espera salvar o emprego.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Crítica – Marvel’s Avengers (Playstation 5)

Análise Crítica – Marvel’s Avengers (Playstation 5)

Review – Marvel’s Avengers (Playstation 5)
Quando escrevi sobre o game Marvel’s Avengers mencionei que o jogo tinha uma boa campanha principal e um sistema de combate que te fazia sentir estar no controle de super-herói poderoso, mas seu multiplayer online pecava por uma repetição excessiva de conteúdos e missões, bem como um sistema de equipamentos desinteressante. Pois agora o jogo recebe uma versão dedicada aos consoles da nova geração (PS5 e Xbox Series S/X) junto com algumas adições de conteúdo (para todas as versões do jogo).

Então vale a pena retornar a Marvel’s Avengers? Bem, depende de como você se sente em relação ao jogo base, já que além do conteúdo adicional não muito em termos de reestruturar os elementos problemáticos que apontei no lançamento. A principal adição é a campanha Futuro Imperfeito centrada em Clint Barton, o Gavião Arqueiro. A narrativa mistura elementos de dois arcos do personagem nos quadrinhos, Minha Vida como Uma Arma, que mostrava ele vivendo num prédio em Nova Iorque com vizinhos pitorescos, e em Old Man Hawkeye que colocava o velho Clint em um futuro apocalíptico.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Crítica – Os Novos Mutantes

Análise Crítica – Os Novos Mutantes

Review Crítica – Os Novos Mutantes
Eu fiquei curioso por Os Novos Mutantes na época que foi anunciado. A ideia de um filme de terror situado no universo mutante parecia promissora e tinha potencial para trazer frescor ao molde já previsível de tramas de super-heróis. O problema é que veio a compra da Fox pela Disney e o filme, apesar de pronto e finalizado, ficou na gaveta enquanto a Disney pensava o que fazer com ele. Pelo menos duas ondas de refilmagens foram realizadas e a esse ponto eu já imaginava que quando fosse efetivamente lançado seria uma bagunça sem sentido do nível de Quarteto Fantástico (2015).

A trama começa quando a jovem Danielle Moonstar (Blu Hunt) chega a uma isolada instalação médica liderada pela doutora Reyes (Alice Braga). Dani acabou de passar por uma tragédia familiar, perdendo toda a família, e é informada por Reyes que foi acolhida na instituição por ter poderes mutantes e precisa colocá-los sob controle. Na instituição Dani conhece os outros jovens internos, Rahne (Maisie Williams), Sam (Charlie Heaton), Roberto (Henry Zaga) e Illyiana (Anya Taylor-Joy). Aos poucos coisas estranhas começam a acontecer no instituto conforme os personagens começam a ter visões de traumas passados.