sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Rapsódias Revisitadas – O Diabo a Quatro


Crítica - O Diabo a Quatro


Review Crítica - O Diabo a Quatro
Os irmãos Marx (e não, eles não eram parentes do Karl) eram uma das mais famosas trupes de comédia do cinema hollywoodiano nas décadas de 30 e 40, conhecidos pelo humor anárquico e diálogos afiados. Este O Diabo a Quatro, lançado em 1933 é um dos meus preferidos do grupo.

Na trama, a fictícia nação da Freedonia está passando por uma grave crise financeira e o político Rufus T. Firefly (Groucho Marx) é apontado para liderar o país e tirá-la da crise. Para recuperar os cofres, o principal plano de Rufus é casar com a rica viúva Gloria Teasdale (Margaret Dumont). Os planos de Rufus, no entanto, encontram resistência em Trentino (Louis Calhern), embaixador do país vizinho, Sylvania, que quer arruinar a Freedonia para anexar ao seu país. De modo a frustrar os planos de Rufus, Trentino contrata dois atrapalhados espiões, Chicolini (Chico Marx) e Pinky (Harpo Marx), mas os dois podem criar mais problemas para o embaixador do que resolvê-los.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Crítica – Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar


Análise Crítica – Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar


Review – Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar
Em Tempos Modernos (1936) Charlie Chaplin refletia como o processo de industrialização reduzia o ser humano a uma mera engrenagem do grande complexo industrial capitalista. É difícil não pensar no filme de Chaplin e na imagem do seu personagem carregado em meio às engrenagens de uma fábrica ao assistir este Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar.

Dirigido por Marcelo Gomes, o documentário acompanha o cotidiano de Toritama, um município no agreste pernambucano que se tornou o maior polo de produção de jeans no Brasil. Além de fábricas, boa parte da população também trabalha de maneira autônoma em suas próprias oficinas, sendo a maioria da cidade envolvida nas atividades. Para dar conta do volume de pedidos, a população trabalha de domingo a domingo no ano todo, só parando na semana de carnaval, quando a cidade fica deserta.

As imagens dos trabalhadores em seus movimentos repetitivos trabalhando com o tecido remetem à robotização do trabalhador pelo sistema industrial. Homem e máquina funcionam em simbiose, como se fossem uma coisa só. A narração chega a apontar a agonia que é filmar aquelas ações, como se observar aquilo seria endossar essa desumanização do trabalhador.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Rapsódias Revisitadas - A Viagem de Chihiro


Crítica - A Viagem de Chihiro


Review - A Viagem de Chihiro
Dirigido por Hayao Miyazaki, A Viagem de Chihiro é daqueles filmes que nos conquista principalmente por causa de seu visual. Em termos de trama a animação é uma história de amadurecimento envolvendo uma garota que subitamente vai parar em um mundo habitado por criaturas bizarras, não muito diferente do tipo de história que já vimos em algo como Alice no País das Maravilhas. No entanto, é a maneira como Miyazaki conta a sua história que faz toda a diferença.

Chihiro é uma menina de dez anos que está se mudando para uma cidade nova. Durante o trajeto, seus pais se perdem na estrada e a família vai parar no que parece ser um parque de diversões abandonado. Os pais de Chihiro encontram uma mesa posta com um enorme banquete e começam a comer sem ponderar a razão de tudo aquilo estar ali e logo são transformados em porcos. Chihiro então descobre que estão num lugar habitado por espíritos, que funciona como um resort para os seres do mundo espiritual. Para evitar o mesmo destino dos pais e tentar achar um jeito de voltar para casa, Chihiro é aconselhada pelo jovem Haku a trabalhar para a bruxa Yubaba em sua casa de banhos.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Crítica – Jay & Silent Bob: Reboot


Análise Crítica – O Império Contra-Ataca: Reboot


Review – O Império Contra-Ataca: Reboot
Apesar de terem aparecido em todos os filmes de Kevin Smith desde sua estreia em O Balconista (1994), a dupla Jay e Silent Bob só foi ter um filme como protagonistas em O Império (do Besteirol) Contra-Ataca (2001). Agora, a dupla volta a protagonizar uma nova comédia neste Jay & Silent Bob: Reboot e fui assistir me ainda havia algo de interessante a ser dito sobre esses personagens ou todo o “humor nerd” do diretor Kevin Smith.

Sim, pois quando Smith surgiu na década de noventa, suas narrativas sobre amigos que vagam em lojas de conveniência e shoppings falando de quadrinhos e ficção-científica eram novidade. Ele falava com sinceridade e afeto sobre um tipo de pessoa que o cinema hollywoodiano sempre tratava numa chave de ridículo e havia um frescor nisso. Hoje, com a cultura nerd tomando o mainstream do pop, não há mais como dizer que Smith tem uma perspectiva única sobre este universo. Ao trazer a palavra “reboot” no título, imaginei que Smith poderia ter algo a dizer sobre a maneira como a cultura nerd foi apropriada pela indústria e é mais ou menos o que ele tenta fazer, embora não seja exatamente bem sucedido.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Crítica – A Última Coisa Que Ele Queria

Análise Crítica – A Última Coisa Que Ele Queria


Review – A Última Coisa Que Ele Queria
Eu não estava preparado para a bagunça que é este A Última Coisa Que Ele Queria e isso não é um elogio. Considerando que a diretora Dee Rees vinha do bacana Mudbound (2017), que também era uma adaptação de um livro com múltiplas tramas e um pano de fundo histórico, esperava algo com a consistência do trabalho anterior da diretora. Infelizmente, o resultado mais parece algo que deveria ser uma minissérie com meia dúzia de episódios que foi de última hora transformado em um longa de duas horas e precisou ser editado ao ponto de praticamente não conseguir fazer sentido.

A trama, que adapta um romance (que não li) de Joan Didion, se passa na década de oitenta e segue a repórter Elena McMahon, que está investigando o envolvimento do governo dos Estados Unidos com o financiamento dos Contras na Nicarágua, mas é retirada da tarefa por seu editor, que a coloca para cobrir a campanha eleitoral. Ao mesmo tempo, Elena descobre que seu pai biológico, Dick (Willem Dafoe), está perto de morrer e ele lhe pede que complete seu último serviço. Dick era um contrabandista internacional e seu trabalho final era justamente levar uma carga para a Nicarágua e assim Elena vai cumprir o último desejo de seu pai e terminar sua investigação.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Crítica – A Arte da Autodefesa


Análise Crítica – A Arte da Autodefesa


Review – A Arte da Autodefesa
Eu não estava preparado para a sucessão de absurdos que a trama deste A Arte da Autodefesa colocou diante de mim. Falo absurdos no bom sentido, já que todos os eventos inesperados e condutas sem noção parecem claramente pensados para agregar à mensagem do filme e suas ponderações sobre masculinidade.

A trama é protagonizada por Casey (Jesse Eisenberg), um contador pacato e tímido que um dia é assaltado e espancado por uma gangue de motoqueiros. Traumatizado pelo ocorrido, Casey decide começar a fazer aulas de karatê para ser capaz de se defender. Aí ele conhece Sensei (Alessandro Nivola), um instrutor artes marciais que promete fazer o protagonista superar todos os medos.

Dizer mais seria estragar a experiência de quem ainda não assistiu, já que a trama nos leva a muitos desdobramentos inesperados. O que parecia uma história de um sujeito lidando com os traumas da violência urbana se transforma em uma versão idiota de Clube da Luta (1999). Por outro lado, a reviravolta envolvendo a gangue de motoqueiros seja relativamente previsível. Sim, o plano da gangue não faz muito sentido, mas me parece ser uma decisão proposital de mostrar como toda a situação e o esforço precisar rearfirmar a masculinidade o tempo todo é, em si, absurdo e potencialmente perigoso.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Crítica – A Hora da Sua Morte


Análise Crítica – A Hora da Sua Morte


Review – A Hora da Sua Morte
Na superfície este A Hora da Sua Morte parece ser uma cópia genérica de Premonição (2000) e O Chamado (2002). Depois de ver o filme preciso admitir que estava completamente errado. A Hora da Sua Morte é uma colcha de retalhos quase incoerente de todos os clichês do terror hollywoodiano nas últimas décadas. É tão preso aos lugares-comuns do gênero que beira o autoparódico, mas que nunca chega a ser engraçado ao ponto de funcionar como comédia.

A trama acompanha a estudante de enfermagem Quinn (Elizabeth Lail), que ouve falar sobre um aplicativo que diz quanto tempo falta para o usuário morrer. De início Quinn acha que é brincadeira, mas descobre que todos que baixaram o aplicativo de fato morreram na hora avisada, a despeito de seus esforços de evitar sua morte. Assim, desde a premissa, se desenha um conflito no qual uma personagem recebe uma contagem regressiva de um dispositivo eletrônico, tal qual O Chamado (2002) e cujos esforços de fugir do destino são inúteis como os dos personagens de Premonição (2000).

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

5 Contra 1 – Jogos do Sonic


Piores jogos do Sonic


Aproveitando que Sonic: O Filme recentemente chegou aos cinemas, resolvi rememorar os jogos do ouriço azul fazendo um balando de seus melhores e piores momentos. Sonic apareceu pela primeira vez em 1991 e apesar de ter feito muito sucesso na época do Mega Drive, o personagem teve dificuldade de fazer a transição para os games tridimensionais e muitos de seus jogos nas últimas décadas deixaram bastante a desejar. Com isso em mente, vamos lembrar cinco bons jogos e um muito ruim estrelados pelo mascote da Sega.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Crítica – Luta Por Justiça


Análise Crítica – Luta Por Justiça


Review – Luta Por Justiça
Baseado em uma história real, este Luta Por Justiça é daqueles filmes que vale principalmente pela mensagem, já que sua estrutura narrativa e dramatúrgica não tem nada de muito diferente que outros dramas de tribunal já tenham apresentado antes. Assim como o recente O Preço da Verdade é um filme fundamentado na tradição do pensamento liberal dos Estados Unidos que uma pessoa pode enfrentar o sistema judicial e político, sendo capaz de mudar as coisas por conta de sua ação individual. Não deixa de ser curioso, inclusive, que o caso se passe na mesma cidade em que Harper Lee escreveu O Sol é Para Todos, talvez a primeira grande narrativa do século XX a adotar esses temas e estruturas.

A trama começa no final da década de oitenta quando Walter McMillan (Jamie Foxx) é preso e condenado a morte por assassinato apesar de se declarar inocente. O advogado Bryan Stevenson (Michael B. Jordan) é um jovem recém formado em Harvard que decide ir para o sul dos Estados Unidos ajudar detentos no corredor da morte que foram injustiçados pelo sistema. Assim, Bryan acaba pegando o caso de Walter e luta para provar que ele é inocente.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Crítica – Entre Realidades


Análise Crítica – Entre Realidades


Review – Entre Realidades
Uma história pode ter falhas, mas se entregar um bom desfecho somos capazes de relevar todos os problemas da trama. Do mesmo modo, se um produto que começa promissor, entrega um desfecho que não consegue dar conta de suas próprias ambições, é difícil espantar o sentimento de insatisfação. Esse Entre Realidades acaba lamentavelmente se encaixando na segunda categoria.

A narrativa é centrada na solitária Sarah (Alison Brie). Ela passa os dias indo do trabalho para casa assistir seriados e não tem muita vida social. Um dia ela começa a ter sonhos estranhos e passa a questionar a própria realidade.

A jornada da personagem e o uso do realismo fantástico pode ser entendida como uma grande metáfora para o processo de alguém profundamente sozinha se perdendo na própria instabilidade mental. Nesse sentido o trabalho de Alison Brie é fundamental para nos vender o senso de confusão mental da protagonista. Brie consegue fazer de Sarah alguém vulnerável emocionalmente, carente, solitária e que, talvez por tudo isso, esteja se desconectando do mundo real e se entregando a uma série de delírios e paranoias. Do mesmo modo, Brie também consegue inserir em sua personagem uma energia insana em seus momentos de maior instabilidade, mostrando o quanto ela pode ser perigosa a si mesma ou a outros.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Crítica – O Limite da Traição


Análise Crítica – O Limite da Traição


Review – O Limite da Traição
Ano passado Tyler Perry lançou Acrimônia, um pretenso suspense sobre uma mulher que buscava vingança contra o marido que a traía. Era um produto inconsistente, que não parecia saber se queria ser um drama sério ou um novelão caricato e descambava para algo completamente absurdo em seus últimos minutos. Pois O Limite da Traição, novo filme de Perry produzido pela Netflix, funciona basicamente da mesma forma que Acrimônia, contando uma história de traição que começa minimamente calcada na realidade e depois se torna algo tão surtado que acaba ficando engraçado.

Na trama, a defensora pública Jasmine (Bresha Webb) é incumbida de defender Grace (Crystal Fox), uma mulher acusada de violentamente matar o marido. O caso toma a mídia e o chefe de Jasmine a pressiona para fazer Grace aceitar um acordo com a promotoria e se declarar culpada, mas Jasmine aos poucos percebe que há algo errado na história de Grace.

Assim como Acrimônia é a história de uma mulher traída e usada por um cônjuge abusivo e reage a esses abusos de maneira violenta. Com essa premissa, a narrativa poderia ser usada para falar sobre machismo e os problemas que decorrem de uma estrutura patriarcal que trata as mulheres como objetos descartáveis. A “moral” dos filmes de Perry, no entanto, não tenta defender o fim das práticas machistas por uma questão ética ou humana, suas narrativas basicamente argumentam que não se deve tratar mulheres de maneiras desumanas porque elas são loucas desequilibradas e você vai acabar morto. É como alguns argumentos abolicionistas do século XIX que defendiam o fim da escravidão para que os senhores afastassem suas famílias dos convívios dos negros que seriam naturalmente vis, malignos e violentos.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Crítica – Sonic: O Filme


Análise Crítica – Sonic: O Filme


Review – Sonic: O Filme
O primeiro trailer para esse Sonic: O Filme surpreendeu a todos com o visual bizarro do ouriço azul, tentando mesclar suas formas cartunescas com proporções mais humanoides e criando um híbrido sinistro entre as duas coisas. Felizmente a equipe responsável pelo filme teve o bom senso adiar o filme para rever o visual do personagem, entregando algo que não só era mais próximo dos games, como também mais carismático e menos assustador.

Na trama, Sonic (voz de Ben Schwartz) vive na Terra há uma década depois de ser obrigado a fugir de seu planeta natal. Aqui, ele leva uma existência solitária e escondida. Um dia, durante uma de suas corridas, seus poderes causam um enorme pico de energia que deixam uma cidade inteira sem eletricidade, chamando a atenção dos militares. O instável Dr. Robotnik (Jim Carrey) é despachado para investigar a ameaça, enquanto Sonic tenta fugir com a ajuda do policial Tom (James Marsden).

A dublagem do Ben Schwartz dá ao Sonic uma personalidade inquieta, agitada e cheia de senso de humor. Como boa parte dos personagens reagem ao ouriço como uma criatura fofa, o personagem é beneficiado pelo redesign que recebeu em relação à primeira versão, já que nada disso funcionaria com o visual bizarro que inicialmente foi pensado para ele.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Crítica – O Preço da Verdade


Análise Crítica – O Preço da Verdade


Review – O Preço da Verdade
O diretor Todd Haynes se tornou conhecido por seus dramas sentimentais e filmes que experimentam com a linguagem audiovisual. Este O Preço da Verdade não exibe nenhuma dessas características, focando mais na denúncia em si de um caso de abuso de poder e negligência com impactos no mundo inteiro. O foco está mais na construção da retórica do que no estilo e, para o filme que se pretende, são esforços bem sucedidos.

A trama é baseada na história real do advogado Rob Billot (Mark Ruffalo), que trabalhava com direito corporativo atendendo empresas da indústria química. Um dia ele é procurado em seu escritório por um fazendeiro de sua cidade natal. O trabalhador rural suspeita de alguma contaminação na água de suas terras por parte de um aterro da indústria química DuPont e quando Rob começa a investigar, descobre um caso severo de negligência e contaminação.

Não é a primeira vez que o cinema conta a história de Rob, o documentário The Devil We Know (2018) já tinha narrado a luta do advogado e a negligência da indústria química em alertar sobre os riscos do composto químico usado na produção do teflon. O Preço da Verdade também se encaixa na tradição liberal do cinema hollywoodiano em mostrar histórias sobre um homem comum indo contra grandes empresas ou o governo para mostrar como uma pessoa pode fazer a diferença e que cabe a cada indivíduo lutar pelo que é certo.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Crítica – O Grito

Análise Crítica – O Grito


Review – O Grito
Eu não assisti ao primeiro O Grito (2004) nem ao original japonês, então fui assistir essa nova versão sem saber o que esperar, embora me parecesse desnecessária a existência de um remake de um filme cuja assombração não tenha ficado necessariamente datada.

A trama se passa em 2006 e é centrada na policial Muldoon (Andrea Riseborough) que tenta recomeçar a vida depois da morte do marido. Seu primeiro caso depois de voltar ao serviço parece se conectar com um caso brutal investigado por seu novo parceiro, Goodman (Damian Bichir), anos antes. Muldoon decide olhar os arquivos do caso antigo e descobre que a casa na qual as mortes aconteceram foi palco de múltiplos crimes ao longo dos anos. Aos poucos, ela desconfia que esses crimes podem ter uma razão sobrenatural e esbarra em uma cruel maldição.

Apesar de Muldoon ser a protagonista, a trama entra em constantes digressões e longos flashbacks que detalham os casos anteriores. Isso dá ao filme todo um ar episódico, como se estivéssemos vendo uma coletânea de curtas-metragens conectados por um fiapo de trama (a investigação da protagonista) e um tema (a maldição). Isso não seria um problema tão grande se, ao menos, essas histórias fossem interessantes, mas elas são uma coleção de lugares-comuns sem muita personalidade tipo o casal prestes a ter o primeiro filho ou o policial obcecado por um caso que não consegue resolver.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Lixo Extraordinário – O VelociPastor

Crítica - O VelociPastor


Review - The VelociPastor
O diretor Brendan Steere primeiro pensou na ideia deste O VelociPastor ainda quando fazia faculdade de cinema e durante o curso chegou a fazer um trailer para o filme que ainda não existia. Foi só em 2017 quando ele conseguiu um financiamento de 35 mil dólares que finalmente conseguiu transformar sua ideia em um longa-metragem e o resultado é tão tosco e exagerado que se torna muito divertido.

Na trama, Doug (Greg Cohan) é um pastor protestante que viaja para a China depois que seus pais são assassinados. Durante a viagem Doug se corta com um fóssil e ganha a habilidade de se transformar em um velociraptor. De volta aos Estados Unidos, ele se transforma pela primeira vez quando vê a prostituta Carol (Alyssa Kempinski) sendo assaltada em um parque e decide usar seus poderes para ajudar as pessoas. Sua jornada de combate ao crime, no entanto, irá colocá-lo em rota de colisão com uma gangue de ninjas traficantes de drogas.

O filme é claramente feito para ser tosco, sem sentido e exagerado, criando cenas e diálogos que não soam coerentes com qualquer conduta humana básica. Um exemplo é quando Doug conversa com um superior sobre a morte dos pais (logo depois de vê-los morrer, por sinal) e ouve como resposta a frase “é isso que pais fazem, eles morrem”. Outro momento de puro nonsense é quando Doug está na China e encontra uma mulher caída com uma flecha atravessada no peito e pergunta se ela está machucada, como se a flecha e a poça de sangue no qual a jovem está caída não fossem indicativos suficientes.

Parasita faz história no Oscar 2020

Vencedores do Oscar 2020


A cerimônia de entrega do Oscar, premiação máxima do cinema hollywoodiano, aconteceu ontem, 09 de fevereiro e foi uma noite histórica. O filme Parasita, do sul-coreano Bong Joon-Ho, foi o grande vencedor, levando quatro prêmios, incluindo a estatueta de melhor filme. Foi a primeira vez nos mais de 90 anos da premiação que um filme feito fora dos Estados Unidos levou o tão cobiçado prêmio de melhor filme. Em geral filmes de outros países ficam relegados à categoria de filme estrangeiro, raramente concorrendo em outras categorias e é ainda mais raro que ganhem, como aconteceu com Roberto Benigni ganhando melhor ator por A Vida é Bela. Parasita, portanto, fez história ao, de certa forma, quebrar a hegemonia hollywoodiana e mostrar que os outros países também podem ambicionar o reconhecimento internacional da premiação.

Outro destaque fica com 1917, que levou três prêmios e Coringa, que ganhou dois, incluindo melhor ator para Joaquin Phoenix. As categorias de atuação, por sinal, foram as que tiveram menos surpresas, vencendo exatamente aqueles que todos esperaram. O Brasil que concorria na categoria de documentário com Democracia em Vertigem, infelizmente não levou a sonhada estatueta, com o prêmio da categoria indo para American Factory Confiram abaixo a lista completa de indicados com os vencedores destacados em negrito.

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Conheçam os indicados ao Framboesa de Ouro 2020



O Framboesa de Ouro é uma premiação que “homenageia” os piores filmes do ano e hoje, 8 de fevereiro foram divulgados os indicados. Como era de se imaginar, o desastroso Cats liderou em indicações, levando nove menções. Atrás dele, empatados com oito, estão Funeral em Família e Rambo: Até o Fim. No prêmio redenção, troféu para celebrar quem se redimiu pelos filmes ruins que fizeram, estão nomes como Eddie Murphy, por Meu Nome é Dolemite, e Adam Sandler, pelo excelente Joias Brutas. Confiram abaixo a lista completa de indicados.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Crítica – Bojack Horseman: 6ª Temporada


Análise Crítica – Bojack Horseman: 6ª Temporada


Review – Bojack Horseman: 6ª Temporada
Depois de chegar em seu ponto mais baixo na quinta temporada, a sexta e última temporada de Bojack Horseman inicia com a tentativa do protagonista em corrigir seus erros do passado e tratar sua dependência de drogas. É uma temporada coerente com o espírito da série e o exame sincero que seu texto faz em pessoas marcadas por traumas e problemas psicológicos, muitas vezes usando do humor e do absurdo para falar de situações bem reais. A partir desse ponto, o texto pode conter SPOILERS da temporada final.

Na primeira metade da temporada acompanhamos a dificuldade de Bojack em se manter sóbrio e percebemos como seus vícios emergem de questões passadas mal resolvidas, em especial de todos os comprometimentos morais que fez para se manter em seu seriado de sucesso e a culpa que carrega por ter sido a pessoa que introduziu Sarah Lynn às drogas. Durante o percurso dele vai se construindo a impressão de que o complexo de culpa pela morte de Sarah Lynn e como ele viveu sua vida impune aos erros que cometeu tem uma relação direta com os vícios do personagem

Esses erros e condutas escusas vem a público justamente na segunda metade da temporada, quando Bojack percebe que se manter sóbrio não é tão simples quanto parece e que ter seu pior lado exposto tão publicamente pode alienar as pessoas de sua vida. Essa exposição pública também serve para mostrar como a sociedade e o jornalismo lidam com homens abusivos que ocupam posições privilegiadas. Isso fica evidente na primeira entrevista dada por Bojack depois que é publicada a relação dele com a morte de Sarah Lynn. A repórter simplesmente permite que ele se coloque em posição de vítima e que todo um passado de padrões de abuso sejam resolvidos com um mero pedido de desculpas.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Rapsódias Revisitadas – Os Maias


Crítica - Os Maias


Review - Os Maias
Eu lembro quando a minissérie Os Maias foi originalmente exibida pela Rede Globo em 2001 e o quanto ela foi elogiada pela qualidade de sua produção por reproduzir a Portugal do século XIX. Revendo a série quase vinte anos depois, fiquei com medo dela não se sustentar, tanto em aspectos estéticos quanto da narrativa, mas ela permanece esse grande épico que narra a tragédia de uma família da pequena aristocracia lusitana.

Antes de falar propriamente da série, preciso sinalizar que escrevi esse texto a partir da versão lançada em DVD de Os Maias (que também está disponível via Globoplay). A minissérie, quando foi exibida na televisão, adicionava narrativas de outros romances do autor Eça de Queiroz (como A Relíquia e A Capital) à trama de Os Maias para poder render o número de capítulos exigidos pela emissora. A versão de DVD remove todas essas histórias paralelas e concentra apenas na trama principal envolvendo a família Maia. Então se você rever a série e perceber que está faltando alguma coisa em relação ao que viu na televisão, é por causa disso.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Crítica – Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa


Análise Crítica – Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa


Review – Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa
Admito que não estava esperando muita coisa deste Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa. Pelos trailers eu temi que pudesse ser uma bagunça sem sentido como foi Esquadrão Suicida (2016) ou uma aventura morna como o último As Panteras (2019). Ainda bem que eu estava errado e o resultado é uma aventura acelerada e divertida, ainda que não tenha nada de inédito.

Na trama, Arlequina (Margot Robbie) acabou de se separar do Coringa (que só é citado nominalmente e nunca aparece) e isso coloca um alvo em suas costas, já que sem a proteção do Palhaço do Crime antigos desafetos vão atrás dela. O principal desses desafetos é o mafioso Roman Sionis (Ewan McGregor), também conhecido como Máscara Negra, que está atrás de um diamante que guarda o segredo da fortuna de uma antiga família mafiosa. Para tentar barganhar com Sionis, Arlequina decide encontrar o diamante primeiro, mas além dela outras pessoas perigosas estão atrás do diamante, como a policial Renee Montoya (Rosie Perez), a cantora Dinah Lance (Jurnee Smollett-Bell), conhecida como Canário Negro, e a misteriosa assassina de mafiosos autodenominada Caçadora (Mary Elizabeth Winstead).

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Crítica – Jojo Rabbit


Análise Crítica – Jojo Rabbit


Review – Jojo Rabbit
A primeira vista, a ideia deste Jojo Rabbit ser uma comédia sobre o nazismo parece estranha. Afinal, o nazismo foi um regime baseado em discursos de ódio e responsável pelo extermínio de milhões. Seria possível fazer uma comédia sobre algo tão grave sem soar desrespeitoso com toda a tragédia humana que foi o julgo nazista? Bem, eu diria que o que pode tornar uma comédia problemática do ponto de vista moral está menos a sua temática e mais em qual é o alvo da piada. Ou seja, o problema é: quem está sendo ridicularizado?

Sim, pois a comédia perpassa inevitavelmente pelo rebaixamento do alvo da piada, para rir de alguém eu devo achá-lo ridículo, patético, indigno da minha empatia mesmo diante de uma situação qualquer. Sob este aspecto, quem seria mais indigno de empatia do que um nazista? Aliás, a comédia sempre se prestou a fazer graça de “assuntos sérios” e autoridades. O gênero cresce justamente entre a plebe, que usa do humor para ridicularizar reis e autoridades religiosas.

Peças antigas escalavam jumentos no papel rei, por exemplo, e essa era uma forma de rebaixar essas autoridades, de tirar pessoas em posições de poder do pedestal em que se colocaram, mostrando que elas estão longe de serem superiores como se julgam. Isso ajudou a por em questão certas estruturas sociais e criticar posturas absolutistas. Não é a toa que a comédia, sempre foi considerada uma comédia inferior ao drama, já que as noções de “bom gosto” eram controlada pelas camadas superiores, justamente as que eram alvo da comédia. É por isso que durante séculos (e ainda hoje) a comédia foi considerada uma forma de arte inferior enquanto o drama (que era produzido pela aristocracia) seria uma arte mais nobre e elevada.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Crítica – Joias Brutas


Análise Crítica – Joias Brutas


Review – Joias BrutasQuando falamos em Adam Sandler, logo vêm à mente as péssimas comédias que ele faz. No entanto, ao longo de sua carreira, Sandler demonstrou que pode entregar ótimas interpretações quando trabalha com bons diretores a exemplo de sua colaboração com Paul Thomas Anderson em Embriagado de Amor (2002) ou com Noah Baumbach em Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe (2017). Dirigido pelos irmãos Safdie, responsáveis pelo excelente Bom Comportamento (2017), este Joias Brutas é mais um caso de Sandler colaborando com diretores competentes e entregando uma boa interpretação.

Na trama, Sandler é Howard, um dono de joalheria no distrito dos diamantes de Nova Iorque. Howard sempre tem um esquema para tentar faturar alto, mas está atolado em dívidas por conta de seu vício em apostas. Com cobradores violentos em seu encalço para que pague o que deve, Howard corre contra o tempo para vender uma rara opala multicolorida e assim levantar o dinheiro que precisa.

A impressão de alguém correndo contra o tempo é construída pelo modo como os Safdie filmam, com a câmera em constante movimento enquanto acompanha Howard, raramente ficando parada e mesmo quando fica a montagem fica incumbida de dar esse senso de velocidade. Com isso fica a impressão de que Howard sempre tem algum lugar para ir e algum problema para resolver ou do qual fugir. Como um tubarão, o protagonista está sempre se deslocando para algum lugar e ficar parado pode significar sua destruição.