terça-feira, 29 de novembro de 2016

Crítica - World of Final Fantasy

Review World of Final Fantasy


Resenha World of Final Fantasy
Uma franquia que existe há mais de vinte anos, quinze games numerados, sem falar de mais de uma penca de derivados e spin-off, Final Fantasy é um dos nomes mais reconhecíveis no universo dos videogames. Este World of Final Fantasy tinha a missão de celebrar esse legado longevo, ao mesmo tempo em que deveria introduzir novatos às suas duas décadas de histórias, cenários fantásticos e personagens de cabelos espetados.

A trama segue os gêmeos Reynn e Lann que descobrem ter o poder de capturar Mirages (os monstros que habitam esse mundo) e fazê-los lutar ao seu lado. Eles precisam usar essas habilidades para salvar o mundo de Grymoire de um império maligno. É uma "trama padrão" de JRPGs, mas funciona pelo carisma dos gêmeos, sempre cheios de energia e constantemente trocando observações sagazes e fazendo trocadilhos bem-humorados, as interações entre eles constantemente colocavam um sorriso no meu rosto, mesmo quando eu não dava a mínima para a trama, e me mantiveram entretido durante as sessenta horas (mais ou menos) de campanha.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Crítica - Sully: O Herói do Rio Hudson



Fazer um filme baseado em uma tragédia (ou prevenção desta, como é o caso aqui) real é sempre uma faca de dois gumes. Por um lado o interesse que esse tipo de história desperta é, em certa medida, uma garantia de público. Por outro, sempre há o risco de se descambar para um maniqueísmo simplório ou de se pesar a mão no ufanismo e no drama (como o recente Horizonte Profundo: Desastre no Golfo). Felizmente o veterano Clint Eastwood evita esses problemas neste Sully: O Herói do Rio Hudson.

O filme acompanha o piloto Chesley "Sully" Sullemberger (Tom Hanks), que se tornou famoso por conseguir aterrissar um avião cheio de passageiros no Rio Hudson em Nova Iorque e salvar todos à bordo. Depois dos eventos, as ações de Sully e seu copiloto, Jeff Skiles (Aaron Eckhart), são postas em questão pelo comitê governamental responsável por investigar o caso, levantando a possibilidade de que suas ações tenham posto todos diante de um risco desnecessário.

O roteiro é esperto ao começar com Sully em seu hotel, já depois do acidente. O pouso forçado é um evento extremamente climático e impactante para ser mostrado já de início, quando o público ainda está "frio" seria desperdiçar a cena. Do mesmo modo, começar o filme no antes para culminar na aterrissagem provavelmente renderia algo pouco interessante e arrastado. O foco é menos na reconstituição da catástrofe e mais no modo como Sully lida com isso tudo. Do sentimento de sufocamento com a constante atenção (ou seria assédio?) midiático, ilustrado pelos constantes closes em seu rosto, e de sua inadequação ao status de herói, passando por suas dúvidas e inseguranças em relação às suas ações dentro do avião.

domingo, 27 de novembro de 2016

Crítica - 3%: Primeira Temporada



Review 3% (Três por cento) é prejudicado por um roteiro problemático
O anúncio de uma série brasileira feita pela Netflix foi recebido com grande expectativa. O serviço de streaming se tornou conhecido pelo alto nível das suas produções originais em ficção seriada e a ideia de um seriado nacional de ficção-científica cheio de subtextos políticos e sociais parecia algo ousado e à altura do padrão estabelecido pela Netflix. Não que estivéssemos esperando que este 3% já estreasse como algo no alto nível de série como House of Cards e Orange is the New Black, afinal os EUA tem uma tradição longa de séries, enquanto que a televisão brasileira, tradicionalmente mais focada na telenovela (e falo isso sem nenhum julgamento de valor acerca deste formato), ainda está começando a aprender a lidar com este tipo de produto. De qualquer modo, essa primeira temporada de 3% acaba tendo problemas demais em sua execução, o que impede que a experiência seja minimamente satisfatória.

A trama se passa em um futuro no qual a humanidade foi dividida em dois grupos, os cidadãos do continente são a maioria e vivem em extrema pobreza, largados à sua própria sorte, enquanto que uma minoria, os 3% do título, vive com toda riqueza em uma comunidade no oceano chamada Maralto. Quando completam 20 anos, os cidadãos do continente são submetidos a uma seleção chamada de "O Processo", na qual eles precisam superar uma série de provas complicadas para mostrarem que são dignos de integrarem a elite dos 3%. Aqueles que passarem irão para o Maralto, os que perdem ficam no continente.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Crítica - Jack Reacher: Sem Retorno

Análise Jack Reacher: Sem Retorno


Review Jack Reacher: Sem Retorno
Com o relativo sucesso do primeiro filme, Tom Cruise retorna como o ex-militar Jack Reacher neste Jack Reacher: Sem Retorno, uma continuação que, assim como o anterior, funciona como um passatempo descompromissado ainda que não ofereça nada de especial.

Na trama, Reacher (Tom Cruise) vai a Washington D.C visitar a major Turner (Cobie Smulders), mas descobre que ela foi presa, acusada de traição. Acreditando na inocência da amiga e que o exército está disposto a condená-la para enterrar de vez o caso, Reacher decide tirá-la da prisão e assim partem em uma viagem pelo país para provar sua inocência. Ao mesmo tempo, Reacher precisa lidar com a presença de Sam (Danika Yarosh), uma jovem que pode ser sua filha.

O filme é eficiente em criar a impressão de que os protagonistas estão acuados e que há um perigo real sobre eles. Isso não acontecia no primeiro, quando Reacher parecia sempre estar à frente de seus oponentes ao ponto de nada que eles fizessem soava como uma ameaça. Há a constante sensação de que eles estão isolados, sem ninguém para confiar exceto uns nos outros e a única arma que possuem é a própria astúcia. Inclusive cria situações bacanas nas quais as habilidades de Reacher em improvisar e investigar são constantemente exploradas. Além disso os combates refletem a natureza implacável e direta do protagonista que sempre se movimenta para causar o máximo de dano possível em seus inimigos e são beneficiados pelo fato de Cruise fazer a maioria de suas cenas de ação.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Crítica - A Chegada

Análise A Chegada


Resenha A Chegada
Não vai ser fácil ter que discorrer sobre este A Chegada de Denis Villenueve (responsável por Os Suspeitos e Sicario: Terra de Ninguém). Não digo isso apenas pela complexidade das ideias e conceitos que o filme tenta tratar, mas pelo impacto emocional que ele teve em mim. Tentar construir uma análise ponderada quando há um componente afetivo tão marcante ligado a um filme é bastante complicado.

A trama segue Louise (Amy Adams) uma brilhante linguista que é chamada pelo exército dos Estados Unidos para colaborar na tentativa de estabelecer contato com uma nave alienígena que aterrissou no interior do país. Ao lado dela está o cientista Ian (Jeremy Renner) e ambos precisam correr contra o tempo para entender o que querem os visitantes, já que naves semelhantes pousaram em outros lugares do mundo e outros países temem se tratar de uma invasão.

O filme acerta no modo como constrói de maneira econômica e direta a sensação de algo em escala global e o impacto que um evento como esse teria no planeta. Através de breves matérias jornalísticas ou conversas telefônicas dos membros da base em Louise passa a viver vamos percebendo como aquilo impacta a política, economia, o cotidiano e até as instituições religiosas. Tudo de maneira simples, mas bastante crível e imagino que coisas semelhantes às do filme se repetiriam se algo assim acontecesse em nosso mundo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Crítica - Elis

Análise Crítica - Elis


Review - Elis
Faz algum tempo que o cinema brasileiro descobriu nas cinebiografias de músicos um grande filão comercial. Além do interesse do público em saber mais sobre a vida desses artistas, há também o próprio apelo de suas músicas para engajar e emocionar o espectador. Elis é o mais recente dessa leva de cinebiografias e mesmo seguindo uma estrutura bem tradicional a este tipo de filme, funciona graças ao talento de Andreia Horta com a personagem título, além da força da trajetória da cantora na música brasileira.

A trama segue Elis Regina (Andreia Horta), de sua chegada ao Rio de Janeiro até sua trágica morte por overdose (e isso não é spoiler pessoal). Ao longo da trama vemos algumas de suas parcerias mais marcantes como Jair Rodrigues (Ícaro Silva) e também seus relacionamentos com Ronaldo Bôscoli (Gustavo Machado) e Cesar Camargo Mariano (Caco Ciocler).

Assim como aconteceu em outras cinebiografias como Tim Maia (2015) ou Gonzaga: De Pai Para Filho (2013), o filme encontra alguns problemas ao abarcar um período tão grande na vida de seu biografado. Muita coisa que recebe destaque em dado momento é completamente esquecida no seguinte sem muita explicação. Um exemplo é o programa de Elis e Jair Rodrigues. Uma cena mostra o sucesso deles, a seguinte já diz que eles estão perdendo terreno para a Jovem Guarda, logo depois o Bôscoli e o Miele (Lúcio Mauro Filho) são trazidos para revitalizar o programa, mas assim que Elis e Bôscoli se envolvem romanticamente, o programa desaparece do filme por completo. Em muitos momentos também não há a sensação clara de quanto tempo passou entre uma cena e outra. Por vezes temos a impressão de um salto temporal grande, mas os diálogos se referem a eventos de cenas que ficaram para trás a um tempo considerável quase como se fossem recentes, o que  deixa a impressão de uma temporalidade bagunçada.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Crítica - American Horror Story: Roanoke

Análise American Horror Story: Roanoke


Review American Horror Story: Roanoke
O tema da sexta temporada de American Horror Story foi um segredo mantido a sete chaves até a sua estreia. Imagens dos sets vazadas na internet já indicavam a possibilidade da colônia perdida de Roanoke ser um elemento proeminente da nova temporada, mas esse nem foi a maior surpresa da estreia da nova temporada. O que realmente pegou todo mundo desprevenido foi o formato de "falso documentário" adotado no episódio de estreia. Avisamos que alguns SPOILERS da temporada são inevitáveis a partir desse ponto.

A temporada começa com um "falso documentário" no qual o casal Matt (André Holland) e Shelby (Lily Rabe) narra uma série de eventos tenebrosos que ocorreram em sua propriedade, no interior da Carolina do Norte, na qual fantasmas dos colonos de Roanoke vagavam e matavam que quer que se aproximasse. Entre os depoimentos vemos algumas dramatizações dos eventos contados, funcionando como flashbacks que mostram como Matt (Cuba Gooding Jr) e Shelby (Sarah Paulson) sobreviveram ao tormento.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crítica - A Luta do Século

Análise Crítica - A Luta do Século


Review - A Luta do Século
Para quem é da Bahia ou de Pernambuco e acompanha o universo esportivo é difícil não conhecer a rivalidade entre os boxeadores Reginaldo Holyfield (baiano) e Luciano Todo Duro (pernambucano), que estende há mais de duas décadas. Mesmo longe do auge de suas formas físicas eles continuam a alimentar essa rivalidade e se enfrentarem nos ringues. O documentário A Luta do Século, tenta recuperar essa história de rivalidade esportiva, ao mesmo tempo que pensa no modo como nos relacionamos com nossos ídolos.

O documentário começa narrando a ascensão dos dois lutadores e a origem da rivalidade, passando pelos problemas pessoais que levaram suas carreiras a ficarem estagnadas ao ponto que explorar a rivalidade era a única cartada que tinham para continuarem lutando e ganhando a vida com o boxe. Inicialmente parece mais uma grande reportagem saída de um programa esportivo do que um documentário. Mesmo quando o filme sai do passado e se move para o presente, mostrando como vivem agora os atletas, ainda parece um daqueles quadros de "por onde andam?" de programas de esporte. A narrativa só ganha corpo quando Raimundão Ravengar, traficante baiano e ex-empresário dos dois, sai da cadeia em liberdade condicional e sugere que os dois marquem uma nova luta.

Vencedores do XII Panorama Internacional Coisa de Cinema


O XII Panorama Internacional Coisa de Cinema terminou nesta quarta-feira, 16 de novembro. Além da sessão de encerramento com a exibição do documentário A Luta do Século, de Sérgio Machado, que acompanha a história de rivalidade dos boxeadores Reginaldo Holyfield e Luciano Todo Duro, houve também a entrega dos prêmios aos filmes que participavam das diferentes mostras competitivas. O maior premiado da noite foi o documentário Jonas e o Circo Sem Lona que recebeu três prêmios mesmo ser levar a premiação do Júri Oficial. Confiram abaixo a lista de vencedores.

Crítica - Jonas e o Circo Sem Lona

Análise Jonas e o Circo Sem Lona


Review Jonas e o Circo Sem Lona
Durante a infância quem nunca se imaginou sendo um astronauta, caubói ou um trapezista de circo? Quem, quando criança, nunca imaginou poder viver uma vida aventurosa e sem grandes preocupações fazendo apenas o que gosta? O documentário Jonas e o Circo Sem Lona nos leva a um personagem que pensa exatamente assim, o garoto Jonas, que tem o sonho de ser um artista de circo e até monta um circo improvisado no quintal de sua mãe com a ajuda de amigos de escola.

Jonas é um garoto que mora na região metropolitana de Salvador, sua mãe e sua avó foram artistas de circo e um tio seu é dono de um e viaja o país fazendo espetáculos. O jovem também deseja se juntar ao circo, mas sua mãe, preocupada com seu futuro, quer ele na escola, mas permite que o garoto monte um circo no quintal e faça espetáculos ao lado de amigos em suas horas vagas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Crítica - Animais Fantásticos e Onde Habitam

Análise Animais Fantásticos e Onde Habitam


Review Animais Fantásticos e Onde HabitamPor mais que tenha gostado dos filmes da franquia Harry Potter, quando soube do anúncio deste spin-off, Animais Fantásticos e Onde Habitam, minha reação foi "precisa mesmo?". A preocupação aumentou quando a Warner Bros anunciou a intenção de fazer dele uma trilogia e, depois ainda expandiu seus planos para um total de cinco filmes. A verdade é que mesmo com toda a desconfiança, o filme é um retorno encantador e divertido, ainda que com problemas, ao universo mágico da franquia.

A trama se passa nos anos de 1920 e leva o bruxo Newt Scamander (Eddie Redmayne) para Nova Iorque quando seus animais fogem e ele precisa correr pela cidade para encontrá-los e guardá-los em sua maleta. É também a história do auror Percival Graves (Colin Farell) que trabalha para a versão estadunidense do Ministério da Magia e investiga uma família de pessoas não mágicas que odeia o universo da magia.

De cara chama atenção o contraste entre as duas tramas principais do filme. De um lado temos Newt e seus amigos em uma aventura leve e pueril em busca de seres fantásticos, de outro uma trama sombria com morte, traumas, violência infantil e infâncias despedaçadas. Os filmes de Harry Potter sempre souberam equilibrar leveza e seriedade, mas lá eram os mesmos protagonistas que passavam por entre essas duas situações e tudo parecia orgânico. Aqui, com duas tramas em tons opostos correndo em paralelo e demorando para se encontrarem, fica a sensação de que pegaram ideias para dois filmes distintos e colocaram juntas para tentar preencher a minutagem necessária para um longa metragem. É esquisito e contrastante ver o Newt fazendo uma divertida dança de acasalamento para capturar uma criatura e logo em seguida vermos Credence (Ezra Miller) sofrer uma brutal violência psicológica.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Crítica - Um Estado de Liberdade



Muitas histórias já foram contadas sobre a Guerra Civil americana e os conflitos causados pela tentativa do sul do país em se separar do resto da União. Nesse sentido Um Estado de Liberdade conseguia se destacar ao resgatar uma história pouco conhecida de dissidência dentro do movimento de secessão que mostrava como mesmo no racista sul haviam pessoas progressistas. A questão é que mesmo com suas boas intenções, o filme tem muitos problemas que o impedem de ter o impacto que deveria.
                                 
A trama segue a história real de Newt Knight (Matthew McConaughey) um soldado do sul que resolve desertar depois de presenciar inúmeras mortes e se dar conta de que estão lutando apenas para que os ricos fazendeiros donos de escravos possam manter seus privilégios. Voltando à sua cidade natal, Newt percebe como a população é constantemente oprimida e saqueada pelos militares, que cobram abusivos "impostos de guerra". Cansado da exploração, ele decide resistir aos militares e acaba criando uma comunidade dentro dos pântanos composta por outros cidadãos descontentes e escravos fugidos.

Um dos principais problemas do filme é o ritmo. A trama demora a engrenar e se perde em vários segmentos episódicos de Newt ajudando pequenos camponeses. Só com quase uma hora de projeção é que finalmente se desenha o conflito principal que é a formação de sua "comunidade alternativa". A partir daí imaginei que a narrativa finalmente tomaria corpo, mas estava enganado, ela se torna ainda mais fragmentada e episódica. A cada uma ou duas cenas há um salto de anos (o filme inteiro se passa ao longo de uns quinze anos) sem que haja a devida contextualização para situar o espectador no que aconteceu nesse tempo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Crítica - Sob Pressão

Análise - Sob Pressão


Review Sob Pressão
Tenho que admitir que não tive muitas expectativas quando entrei para assistir a este Sob Pressão, já que parecia não ter muito a acrescentar ao subgênero do drama médico, tão vigorosamente explorado por séries de televisão estadunidenses, além de situá-lo no contexto brasileiro, em especial o de comunidades periféricas. A verdade é que embora não chegue a ser inovador, o filme funciona bem graças a sua habilidade em manejar a tensão e seu grupo de personagens que constantemente se encontra diante de dilemas e escolhas dificílimas.

O filme segue o médico Evandro (Júlio Andrade), chefe da unidade de cirurgia de um hospital situado em um morro carioca. Evandro está a mais de um dia trabalhando sem parar e quando pensa que terá algum momento de descanso, ambulâncias chegam ao hospital trazendo um policial e um traficante feridos em um recente tiroteio. Além de ser pressionado pela polícia para cuidar primeiro do policial, embora seu estado seja menos grave que o do traficante, ele também precisa lidar com outros feridos que chegam ao hospital e tomar decisões em relação ao uso dos recursos limitados (materiais e humanos) que tem ao seu dispor.

Crítica - Gente Bonita

Análise Gente Bonita


Review Gente Bonita
Apesar de ser constantemente tratado como uma festa de rua, nos últimos anos o carnaval de Salvador viu crescer cada vez mais o número e o tamanho dos camarotes privados, que comportam cada vez mais pessoas. Este Gente Bonita tenta justamente compreender a lógica desses espaços e de seus frequentadores.

O filme é todo filmado em pau de selfie e pelos próprios personagens, que de antemão já sabiam que suas imagens iriam parar neste documentário. Como muito da visão do diretor é impressa através da montagem, o documentário assume um risco já na seleção de seus personagens, já que se eles não rendessem haveria pouco a ser mostrado. Felizmente a maioria dos sujeitos filmados trazem momentos que de fato servem para levantar as discussões que o filme se propõe, sendo o grupo de três amigas o único que não "rende" muito material interessante (talvez fosse melhor deixá-las de fora do corte final).

domingo, 13 de novembro de 2016

Crítica - A Cidade Onde Envelheço

Análise A Cidade Onde Envelheço


Review A Cidade Onde EnvelheçoQuando se viaja para outro país é inevitável não sentir as diferenças de cultura, comportamento e vivências, assim como também o é a saudade do lugar que se deixou para trás. Diante desse sentimento de estar em um ambiente ao qual "não pertencemos", como é que o transformamos em lar? Como é esse processo no qual um lugar que tão externo a si se torna parte de si? São essas perguntas que este A Cidade Onde Envelheço tenta explorar.

Teresa (Elizabete Francisca Santos) é uma jovem portuguesa que decide vir para o Brasil e vai morar com a amiga, também portuguesa, Francisca (Francisca Manuel) em Belo Horizonte. Francisca tem receio em abrigá-la por apreciar morar sozinha, mas os modos expansivos e cheios de energia da amiga a contagiam e elas formam um laço conforme tentam desenvolver suas relações de pertencimento (ou não) com aquela cidade.

Chama a atenção o naturalismo do filme e a impressão de que não estamos vendo personagens ou situações encenadas, mas pessoas reais, errantes pela vida, e seu cotidiano. Não nos sentimos espectadores, mas colegas de quarto de Teresa e Francisca vivenciando suas experiências ao lado delas. Uma sensação que remete aos trabalhos do também mineiro André Novais e o seu Ela Volta na Quinta (2014).

sábado, 12 de novembro de 2016

Crítica - A História Real de um Assassino Falso

Análise A História Real de um Assassino Falso


Review A História Real de um Assassino Falso
"Porque continuo insistindo nisso?". Essa foi a pergunta que constantemente pulava em minha mente conforme avançava assistindo a este A História Real de um Assassino Falso. Uma comédia de ação produzida pela Netflix tão rasa e preguiçosa que o prospecto de simplesmente deixar de assistir era altamente sedutor.

O filme acompanha Sam (Kevin James), um homem infeliz com sua vida que encontra uma medida de alegria ao tentar escrever um livro de ação e espionagem. Ele usa seu alter-ego literário para projetar suas frustrações e se reimagina como um herói de ação infalível. Seu livro, no entanto, é constantemente rejeitado e a única pessoa disposta a publicá-lo é uma maluca editora de livros digitais. Sem alternativas, Sam aceita, mas a editora resolve tratar seu livro como uma autobiografia para alavancar as vendas. Obviamente, muitas pessoas acham que ele é um assassino real e a partir daí, Sam entra em muitas confusões.

Kevin James faz o mesmo tipo de idiota atrapalhado que faz em todos os seus filmes. Boa parte das piadas são gags óbvias que parecem escritas por aquele seu tio que sempre conta as mesmas piadas nos almoços de domingo, mas se acha um exímio comediante. Os poucos momentos engraçados são os que estão no trailer e mesmo suas tentativas em brincar com os clichês dos filmes de ação passam longe da sagacidade ou do nonsense de comédias bem mais divertidas como Chumbo Grosso (2007) ou Segurando as Pontas (2008).

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Crítica - Cinema Novo

Análise Cinema Novo


Review Cinema Novo
O movimento do Cinema Novo foi um dos mais importantes para o cinema brasileiro e é referência de nossa cinematografia tanto nacional quanto internacionalmente. Seus produtos até hoje continuam a impactar a produção nacional, assim como os valores defendidos por muitos cineastas que participavam do movimento ou eram contemporâneos a estes. Este Cinema Novo de Eryk Rocha tenta entender o espírito, a visão e as referências que guiavam os cineastas do período usando áudios e imagens de arquivo com falas desses realizadores, bem como as imagens e sons dos próprios filmes realizados por eles.

Seria muito fácil produzir um documentário com um caráter mais histórico e didático, com especialistas, historiadores e críticos falando sobre o que foi o Cinema Novo, quem fez e qual sua importância, mas esse não é o foco de Rocha aqui. Ele se importa mais com a potência estética e ideológica do movimento do que em uma narrativa histórica, daí sua escolha por algo narrado em, digamos, primeira pessoa, ou seja, da boca dos próprios cineastas do período como Joaquim Pedro de Andrade, Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirszman e, claro Glauber Rocha, pai de Eryk. A escolha por esses depoimentos também facilita nossa aproximação com esses cineastas e evita um relato mais distanciado, mistificado ou mesmo demasiadamente reverente a eles, deixando que eles se apresentem a nós com suas ideias e contradições.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Crítica - Martírio

Análise Martírio


Resenha Martírio
Depois de denunciar o massacre às populações indígenas de Rondônia em Corumbiara (2014), o indigenista Vincent Carelli trata neste Martírio da situação dos Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul, que ganharam o noticiário nacional depois de publicarem uma carta aberta falando que só deixariam suas terras depois de mortos. Assim como em seu filme anterior, Martírio mostra como o Estado, com o apoio de determinados setores da população, sistematicamente marginaliza e contribui para o extermínio dessas populações. Se visto ao lado de Corumbiara, mostra como isso é algo que atinge praticamente todas as populações indígenas do país.

O filme vai didaticamente mostrando como a questão dos Guarani-Kaiowá vem desde o fim da Guerra do Paraguai, quando suas terras foram anexadas ao Brasil e tratadas pelo Estado brasileiro como devolutas (ao invés de território indígena), sendo passada a pessoas de posses para a atividade agrícola. A partir daí, os indígenas se tornaram uma espécie de "inconveniente", sendo jogados de um lado para o outro em acampamentos que ficavam distantes de sua terra de origem enquanto o governo tentava "civilizá-los".

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Crítica - Pequeno Segredo

Resenha Pequeno Segredo


Review Pequeno Segredo
A história real de uma família que adota uma criança com HIV poderia verdadeiramente render um drama poderoso e inspirador, mas este Pequeno Segredo não consegue fazer nada de interessante com a premissa que tem em mãos, prejudicado por um texto raso e uma narrativa truncada e sem ritmo.

O filme segue a história real de Vilfredo (Marcello Anthony) e Heloísa Schurmann (Júlia Lemmertz) que adotaram a menina Kat (Mariana Goulart). Paralelamente também conta a história dos pais da menina, o neozelandês Robert (Erroll Shand) e a paraense Jeanne (Maria Flor), que contrai o vírus ao receber uma transfusão de sangue contaminado. Permeando as duas histórias está Barbara (Fionulla Flanagan), a amarga e xenófoba mãe de Robert.

Já nos primeiros minutos o filme mostra sua falta de ritmo e inabilidade em estabelecer seus personagens de maneira fluida e orgânica ao recorrer a três longas narrações em off de Heloísa, Kat, Robert. Cada uma delas serviria por si só como um bom início, mas ao usar as três em sequência, cria-se uma série de "falsos inícios" que levam cerca de vinte minutos só para efetivamente fazer o filme começar. Algo similar ao que acontecia no primeiro O Hobbit (2012), que tínhamos uma longa série de narrações sobre tópicos diferentes até que finalmente o filme começasse. Ainda por cima, essas narrações iniciais explicam muito, mas tem muito pouco a dizer sobre quem realmente são essas pessoas ou como elas se tornaram daquele jeito. Robert chega a dizer em dado momento que sempre partia quando a situação ficava desfavorável, mas o filme nunca se esforça em tentar entender de onde vem esse impulso do personagem.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Crítica - Horizonte Profundo: Desastre no Golfo

Análise Horizonte Profundo


Resenha Horizonte Profundo Desastre no Golfo
Quando escrevi sobre Terremoto: A Falha de San Andreas (2015) disse que "filmes catástrofe são normalmente mais focados na criação do espetáculo destrutivo do que em elaborar uma narrativa envolvente ou personagens interessantes". Quando temos ainda um filme catástrofe baseado em uma tragédia real, espera-se também uma certa medida de sentimentalismo em relação às pessoas que lutaram pela sobrevivência. A mistura por vezes funciona, como em O Impossível (2012), mas pesar a mão no sentimentalismo pode descambar fácil para um sensacionalismo apelativo e é isso que acontece neste Horizonte Profundo: Desastre no Golfo.

Baseado no incidente da plataforma Deepwater Horizon, o maior vazamento de petróleo a acontecer na costa dos Estados Unidos. O filme acompanha o engenheiro Mike (Mark Wahlberg) que vai trabalhar na plataforma e percebe que os executivos da companhia, ansiosos com os atrasos no cronograma, estão querendo pular as verificações de segurança. Obviamente tudo dá muito errado e os operários precisam dar um jeito de evitar um desastre maior e esvaziar a plataforma.

domingo, 6 de novembro de 2016

Crítica - Dragon Ball Xenoverse 2

Review Dragon Ball Xenoverse 2


Resenha Dragon Ball Xenoverse 2
O primeiro Dragon Ball Xenoverse chamava a atenção por oferecer uma nova história dentro do universo da franquia, trazendo a inédita vilã Towa e seu guerreiro Mira que viajavam pelo tempo tentando roubar o poder dos guerreiros Z. O jogador criava um personagem dentre as principais raças deste universo, podendo customizá-lo com equipamentos e habilidades e partia por uma viagem através do tempo ao lado de Trunks.

Era uma trama que trazia certo frescor à franquia (embora a ideia de criar o próprio personagem já tivesse aparecido no fraco Ultimate Tenkaichi) e encantava pela possibilidade de ver seu próprio guerreiro lutando ao lado dos personagens famosos, ainda que faltasse polimento em vários aspectos. Pois este Dragon Ball Xenoverse 2 não só corrige muitos dos problemas do original como expande a narrativa e adiciona algumas novas ideias. Não é irretocável como Budakai Tenkaichi 3, que considero o melhor da franquia, mas certamente é um dos melhores jogos deste universo em muito tempo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Crítica - Doutor Estranho

Análise Doutor Estranho


Review Doutor Estranho
Com mais de uma dúzia de filmes debaixo do braço a Marvel agora tenta emplacar seus personagens menos conhecidos nos cinemas. Ao mesmo tempo, precisa lidar com o desafio de oferecer algo diferente em um segmento (o de filmes de super-heróis) cada vez mais saturado e conhecedor dos lugares comuns deste tipo de narrativa. Este Doutor Estranho seria uma ótima oportunidade para o estúdio sair do seu molde típico e fazer algo mais ousado. O que entrega, no entanto, é uma história de origem que segue todas as fórmulas que o estúdio estabeleceu previamente desde o primeiro Homem de Ferro (2006), mas que funciona graças ao carisma de seu elenco e a criatividade em conceber o universo grandiloquente e absurdo habitado por seus personagens.

A trama é centrada em Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) um cirurgião brilhante e egocêntrico que perde o uso das mãos em um grave acidente. Quando todos os recursos da medicina tradicional falham, Strange viaja até o Nepal onde encontra a Anciã (Tilda Swinton), que lhe mostra o poder das artes místicas e como elas podem lhe devolver o uso das mãos. Ao aceitar os ensinamentos dela, porém, Strange se vê no meio de uma guerra entre a Anciã e seu antigo discípulo Kaecillius (Madds Mikkelsen) que deseja abrir um portal para uma dimensão sombria.