segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Crítica – Conforme a Música

 

Análise Crítica – Conforme a Música

Filmes hollywoodianos de dança normalmente seguem uma estrutura bem similar. Há um grupo de dança, uma competição ou disputa por uma vaga, uma rivalidade e um interesse amoroso. Estruturalmente Conforme a Música segue bem esse formato, mas tenta se diferenciar com ritmos musicais indianos e números de dança que evocam Bollywood, apelido dado à indústria cinematográfica da Índia.

Ritmo previsível

A narrativa acompanha duas amigas que acabaram de entrar na faculdade, Maya (Maitreyi Ramakrishnan, de Eu Nunca...) e Anjali (Priyanka Kedia). Buscando se enturmar, elas buscam as comunidades de descendentes de indianos como elas e decidem por entrar para o grupo de dança indiana capitaneado pelo bonitão Ronak (Ankur Rathee), por quem Anjali logo se encanta. As duas se destacam no grupo e na hora de escolher a protagonista feminina para o número da próxima competição há um empate entre Maya e Anjali. Sem contar para o grupo, Ronak decide desempatar em prol de Anjali por gostar mais dela e ter problemas com as sugestões criativas de Maya. O grupo ainda precisa pensar em uma coreografia criativa para tentar derrubar o grupo que vem sendo campeão há anos liderado por Selena (Neha Anushka).

Está ali tudo que conhecemos, a competição, o grupo rival, as disputas internas, o interesse amoroso. A isso o filme soma uma tentativa de brincar com certos elementos comuns das produções de Bollywood, mas como tenho pouco conhecimento sobre esse cinema (meu maior contato foi recentemente com o excelente RRR) não sei até que ponto isso é coerente com o cinema indiano.

Apesar de relativamente dentro do padrão e previsível, a trama acerta ao evitar alguns rumos mais óbvios, como tornar Maya e Anjali em inimigas. Sim, há tensões entre elas e as disputas por protagonismo no grupo de dança trazem à tona mágoas antigas, mas é mais um conflito entre amigas do que uma rivalidade em que uma tenta derrubar a outra. Elas também não disputam o mesmo interesse amoroso, já que Maya tem seu próprio par romântico em Arjun (Chaneil Kular), evitando que o conflito entre elas se reduza a uma disputa por homens.

Espetáculo enérgico

Ao menos a narrativa conta com personagens carismáticos. Maitreyi Ramakrishnan faz uma personagem muito parecida com a sua Devi na série Eu Nunca... cujo comportamento impulsivo a coloca em problemas a despeito de sua inteligência e talento, embora Maya seja mais confiante do que Devi. Os coadjuvantes podem não ter o mesmo desenvolvimento que as protagonistas, muitas vezes soando unidimensionais, mas tem seus momentos divertidos, em especial o professor vivido por Hasan Minhaj, sempre tentando manter ordem no caos das festas universitárias, como na cena em que ele é o anfitrião do “leilão de solteiros” e tenta evitar que as coisas tomem um rumo inapropriado apesar da própria natureza problemática desse tipo de prática.

A rival Selena, por outro lado, acaba sendo mal aproveitada, sendo mais um elemento para motivar as protagonistas sem chegar a ter um conflito direto com elas para além de disputarem a mesma competição. O fato de Selena ser uma ex-namorada de Ronak acaba nem fazendo diferença. A impressão é de que se a personagem fosse removida, não mudaria praticamente nada na narrativa embora ela seja a principal antagonista.

O ponto alto do filme, no entanto, são seus números de dança, que envolvem pela energia dos movimentos e a criatividade da encenação, a exemplo da performance com espelhos no início do filme ou a dança final em que encenam um roubo ao British Museum para recuperar o diamante indiano Koh-i-Noor, em posse dos britânicos desde o século XIX. A cena envolve tanto pela coreografia, com paredes se movendo e mosaicos de dançarinos, quanto pelo modo como usa a dança para falar sobre colonialismo, reparação e vários outros temas. O modo como essas performances são filmadas contribui para o senso de fluidez e energia delas, com a câmera adotando movimentos vertiginosos em que se move ao redor e por cima dos dançarinos, se contorcendo como os corpos em cena se contorcem.

Mesmo com uma trama que faz pouco para romper as estruturas típicas desse tipo de filme, Conforme a Música diverte pelos personagens carismáticos e pela intensidade das danças.

 

Nota: 6/10


Trailer

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