quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Crítica – Não Deseje Boa Sorte

 

Análise Crítica – Não Deseje Boa Sorte

Review – Não Deseje Boa Sorte
Depois que Você Não Tá Convidada pro Meu Bat Mitzvá (2023) mostrou que a filha caçula do Adam Sandler conseguia segurar um longa como protagonista, a Happy Madison, produtora de Sandler, a coloca a frente de mais um filme neste Não Deseje Boa Sorte, que vai mais para o drama do que para a comédia.

Amadurecimento forçado

A narrativa é protagonizada por Sophie (Sunny Sandler) que tenta entrar para o elenco do musical da escola e se surpreende ao conseguir o papel de protagonista. Enquanto lida com o senso de inadequação ao não se sentir boa o suficiente para ser a principal, Sophie acidentalmente descobre que sua mãe, Elizabeth (Melanie Lynskey), está com um câncer severo. Agora a garota precisa lidar com as pressões do colégio e a perspectiva de perder a mãe.

De certa forma a trama caminha por elementos familiares de tramas adolescentes sobre amadurecimento, como primeiro beijo, aprender a dirigir, experimentar álcool ou perceber que seus pais são pessoas com falhas. O que sustenta o filme são as relações que a narrativa constrói entre Sophie e as pessoas ao seu redor, especialmente a mãe, que trazem um afeto e dor bastante genuínos para a personagem.

O principal destaque é Melanie Lynskey, que tenta se manter presente e forte para os filhos mesmo quando está bastante debilitada pela doença. É palpável como a dor da personagem não vem apenas do senso de morte iminente, mas de saber que não vai poder continuar dando suporte para os filhos ou estar junto do marido, Ted (Max Greenfield). Ted, por sinal, é um sujeito que tenta manter algum senso de ordem e normalidade em seu mundo e na vida com a esposa, mesmo sabendo que está tudo desmoronando, o que o coloca em rota de colisão com os sogros.

A trama, no entanto, evita maniqueísmos fáceis e nos faz entender a dor que move os pais de Elizabeth a agirem da forma que agem. Do mesmo modo, a narrativa não constrói um antagonismo entre Sophie e a garota com quem ela disputa o papel principal da peça, com as duas eventualmente se tornando amigas. Mesmo o drama envolvendo a traição do garoto de quem Sophie gosta, Jack (Jack Champion, o Spider de Avatar), é usado mais para explorar como Sophie lida com dor e decepção, amadurecendo com isso, do que tornar Jack um vilão, colocando o garoto para, apesar de tudo, oferecer apoio a Sophie quando descobre a situação da mãe dela.

A catarse da arte

Sophie transita por ter que entender os sentimentos de sua personagem, que passa por situações distantes de seu cotidiano, e lidar com a doença grave da mãe. São duas experiências que dialogam entre si, com Sophie usando sua relação com a mãe e as conversas que tem com ela sobre vida, morte e maternidade para informar a dor e senso de perda de sua personagem na peça.

Sunny Sandler e Melanie Lynskey convencem como mãe e filha, na cumplicidade e nas rusgas que há entre elas, nos momentos de humor e de dor entre as duas. É por conta da sinceridade dessa relação que o clímax funciona tão bem, com a montagem alternando entre o momento musical derradeiro de Sophie na peça e os momentos finais dela e de sua família com a mãe, mostrando como através do canto Sophie externa tudo que sentia em relação à mãe e que até então não tinha sido trazido à tona. É um momento que impacta tanto pela força emotiva das performances quanto por nos lembrar que a vida é o que usamos como matéria prima para arte e precisamos de algo verdadeiro para nos conectarmos com uma performance.


Nota: 7/10


Trailer

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