sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Crítica – O Homem Que Sussurra

 

Análise Crítica – O Homem Que Sussurra

Review – O Homem Que Sussurra
É fácil ver as várias referências que O Homem Que Sussurra costura em sua narrativa, misturando uma estrutura similar à de O Silêncio dos Inocentes (1991), com um detetive precisando a ajuda de perigoso assassino preso para deter um serial killer, uma criança que vê pessoas que ninguém mais vê como em O Sexto Sentido (1999). Um criminoso que sequestra crianças e deixa vozes gravadas com em O Telefone Preto (2021) e daí por diante. Embora traga elementos consagrados do suspense e das narrativas policiais, o filme não faz nada interessante com isso.

Pecados dos pais

A narrativa acompanha Tom (Adam Scott, de Ruptura) um escritor de romances policiais que recentemente ficou viúvo e se mudou com o filho, Jake (Acston Luca Porto) para uma pequena cidade. Quando o garoto é sequestrado a polícia vê semelhanças com uma onda de crimes similares de décadas atrás. Apesar da detetive Beck (Michelle Monaghan) ver as semelhanças, seus colegas não creem na conexão. Ela procura o detetive aposentado Peter (Robert De Niro), que convenientemente é o pai de Tom, para ajudar na investigação. Peter supõe que o assassino que prendeu anos atrás, Frank (Michael Keaton), deve ter se comunicado com o novo assassino e tenta fazer Frank falar. Enquanto isso, Beck e Tom correm contra o tempo para tentar encontrar Jake.

De Niro convence como um velho policial que carrega consigo o peso de anos lidando com violência e o arrependimento por deixar o trabalho afundar seu casamento e a relação com o filho. Michael Keaton aparece pouco, mas é uma presença sinistra como o assassino de crianças Frank, trazendo um senso de temor sempre que aparece em cena. Adam Scott, por outro lado, fica preso a texto que insiste em tornar Tom tão antipático que é difícil se interessar por ele. Sim, entendemos a tensão do personagem e como o sumiço do filho o deixa no limite, mas em muitos momentos isso não justifica o tanto que ele age como um babaca com pessoas que estão tentando ajudá-lo.

Uma vez que o filme começa a investir no tema de pais e filhos, ponderando como os problemas dos pais se impõem sobre seus filhos, fica fácil prever algumas reviravoltas, em especial quem é o culpado. Isso não seria um problema por si só se houvesse ao menos algum drama ou tensão envolventes a ser extraído disso, mas a trama não consegue ir além da constatação lugar-comum que as falhas dos pais marcam os filhos para o resto da vida. Há uma tentativa de inserir algo sobrenatural com o fato de Jake sempre dizer ver pessoas que ninguém mais vê, em especial uma garota vestida de azul, mas isso nunca é amarrado no resto da trama e a impressão é que fica “sobrando” já que todo resto é bem realista e o final coloca a visão do garoto da menina de azul claramente no terreno do sobrenatural sem exatamente dialogar com esses elementos.

Apesar de tratar do sequestro de uma criança que pode ser assassinada a qualquer momento, a trama também carece de um senso de urgência. Nunca dando a exata dimensão do perigo ou da corrida contra o tempo na qual os personagens estão envolvidos. Isso só acontece durante o clímax, quando o assassino é descoberto e tanto o criminoso quanto as autoridades precisam agir rápido e no improviso pra conseguirem o que desejam. É uma pena, porque tem algumas performances muito boas em O Homem Que Sussurra, mas o restante do filme é uma bricolagem de elementos familiares que nunca se eleva para além do banal.

 

Nota: 5/10


Trailer

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