Marcas da violência
A trama mostra um Robin (Hugh Jackman) já velho, vivendo isolado e sendo alvo de constantes ataques de pessoas tentando se vingar pela morte de seus entes queridos. Um dia ele é procurando pelo seu antigo parceiro, que agora atende pelo nome de Edward (Bill Skarsgard), que pede ajuda a Robin para repelir um ataque feito à propriedade em que vive por pessoas buscando vingança pelo passado deles. Robin ajuda, mas tudo dá errado e ele termina gravemente ferido, acordando numa ilha sob controle da freira Brigid (Jodie Comer, de Killing Eve) que usa o local como um espaço de cura e recuperação. Enquanto se recupera, Robin teme que descubram sua identidade e que venham atrás dele.
É uma história sobre culpa e sobre as consequências da violência. Apesar de sobreviver por décadas e ter derrotado todos os inimigos até aqui, isso não trouxe paz a Robin. Pelo contrário, ele vive sob uma paranoia constante e sabe que conforme o tempo passa é questão de tempo até que alguém tenha sorte ou que ele já não tenha a mesma capacidade de lutar. Por outro lado, é também sobre tentar encontrar alguma paz em meio a todo o caos existencial, algum novo propósito, conforme ele se recupera e tenta ser útil para as pessoas da ilha.
Hugh Jackman traz na sua composição o peso de anos de violência, de arrependimento e de uma tensão constante. Seu Robin é um sujeito inquieto, sempre à espera da batalha que será a sua derradeira e sem qualquer expectativa de um futuro que não seja o de encontrar um fim violento. O filme reforça essa atmosfera pesarosa com uma fotografia sombria e tons dessaturados, com uma predominância de cores frias como azuis e cinzas.
Conforme Robin se recupera, a impressão é de que o filme anda em círculos, repetindo os mesmos temas de arrependimento, vingança e redenção sem acrescentar muitas camadas a essas ideias. É uma pena, já que fica a impressão de que a narrativa esgota o que tem a dizer sobre seus principais temas e alonga a narrativa mais do que deveria. Ainda assim, o desfecho funciona ao colocar Robin para finalmente entender o que precisa fazer para ter paz e como sua última conversa com a pequena Margaret (Faith Delaney), filha de Edward, tentando consolar a menina pela perda do pai e contando para ela uma versão romantizada das ações dele e seu bando, criam a versão folclórica de Robin Hood que perdurou até hoje e dialoga com o destino final de Robin Hood em múltiplas versões literárias.
Ainda que perca o fôlego na
metade, A Morte de Robin Hood se
recupera no final e se sustenta pela performance carregada de dor e culpa de Hugh
Jackman.
Nota: 6/10
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