Dirigida por Jafar Panahi, a produção
iraniana Foi Apenas um Acidente é uma
reflexão poderosa sobre os impactos da violência e do autoritarismo, ponderando
como essas marcas afetam a vida das pessoas e pequenos eventos podem servir de
gatilhos para traumas antigos. É simultaneamente bem acessível na complexidade
moral e política que tenta discutir, mas denso e duro de acompanhar por conta das
vivências duras que narra.
Memórias do cárcere
A trama começa com uma família
dirigindo à noite, um homem, uma mulher e sua filha pequena. O homem (Ebrahim
Azizi) acidentalmente atropela um cachorro e para em uma oficina para consertar
o carro. O mecânico, Vahid (Vahid Mobasseri), se assusta com a chegada do
homem, reconhecendo o som da prótese que ele tem na perna como o mesmo do carcereiro
que o torturou na prisão anos atrás. Vahid então decide seguir o homem e o
sequestra na rua, levando ao meio do deserto para enterrá-lo vivo e se vingar
do que foi feito com ele. O homem, no entanto, nega ser Eghbal, afirmando que
perdeu a perna cerca de um ano atrás e mostrando a Vahid que suas cicatrizes de
amputação são recentes. Em dúvida, Vahid procura outros companheiros de cárcere
para se certificar de que aquele é mesmo Eghbal antes que possa completar sua
vingança.