sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Crítica - Gaga: Five Foot Two

Análise Gaga: Five Foot Two


Review Gaga: Five Foot Two
Dos últimos anos pra cá houve uma onda crescente de documentários sobre música e artistas desse universo, tanto no cinema hollywoodiano quanto no brasileiro. Muitos desses filmes que tratavam de fenômenos pop recentes como Justin Bieber, One Direction, Katy Perry e outros, pareciam mais grandes publicidades ou making of de suas turnês a serem colocados como extra nos DVDs dos shows. Nos primeiros minutos deste Gaga: Five Foot Two temi que o filme se encaixasse nessa categoria ao ver a cantora sendo alçada ao alto minutos antes de começar sua apresentação no intervalo do Super Bowl.

Felizmente o resultado final passa longe de ser mera publicidade e há um esforço da equipe e do diretor Chris Moukabel em entender quem é Stefani Germanotta (nome real de Gaga) quando não está sob os holofotes. O que a impele, como ela enxerga o mundo, sua arte e a si mesma, como ela se relaciona com o impacto do estrelato e outras coisas mais. Nesse sentido o filme está mais próximo de obras como o seminal Don't Look Back (1967) sobre Bob Dylan do que essa onda recente de documentários pop.


Acompanhando Gaga em sua rotina de ensaios, gravações, entrevistas e seu cotidiano em casa, tudo é filmado no estilo "mosca na parede" como estivéssemos adentrando a intimidade da cantora e são pouquíssimas as vezes em que a equipe se dirige aos objetos filmados ou vice versa. Ao longo do documentário acompanhamos as gravações de seu mais recente álbum, Joanne, seus ensaios para o Super Bowl e também sua relação com a família e amigos.

O processo de realização do disco nos permite compreender a perspectiva que Gaga tem com sua música e como essa obra se encaixa em seu percurso artístico, sendo algo mais intimista do que os hinos pop de antes. Esse direcionamento parece vir não só do ímpeto da artista em fazer algo diferente, mas também como parte de seu processo de amadurecimento como pessoa e como mulher, se tornando mais confiante e segura de si ao ponto de se desnudar de suas fantasias elaboradas e se apresentar menos "montada". Ao longo do filme a ouvimos falar de seus problemas de autoestima, de como sua família é importante e como a morte precoce de sua tia Joanne a impactou. Não é a toa que uma das melhores cenas do filme é justamente quando ela mostra a música que compôs para a tia para sua avó e seu pai.

Gaga também mostra seu lado mais vulnerável ao nos revelar as dores constantes que sente em razão da fibromialgia, sendo mais de uma fez filmada deitada e chorando enquanto faz massagens e aplica gelo para tentar dirimir os sintomas. Não deixa de ser curioso que ela cite Marilyn Monroe em dado momento, já que assim como na diva do cinema o documentário nos deixa perceber em Gaga uma certa medida de solidão, insegurança e carência que também era visível em Monroe. Talvez tudo isso seja fruto da ampla fama e da pressão que a acompanha ou talvez seja o caminho inverso e pessoas como ela procurem a fama com um bálsamo para isso. Assim sendo, Gaga surge como uma figura complexa, sendo simultaneamente enérgica e melancólica, poderosa e frágil.

Ela também fala sobre a dificuldade do meio do entretenimento e o machismo da indústria da música também é abordado, assim como sua querela com Madonna a quem Gaga reitera a admiração apesar das coisas que ela disse e o fato de não ter lhe sido dito diretamente, mas através da imprensa.


Mesmo reproduzindo um formato bem tradicional de documentário sobre personalidades da música, Gaga: Five Foot Two constrói um retrato sensível e intimista da cantora, nos dando a sensação de que realmente passamos a conhecê-la melhor ao invés de apenas vermos o seu retrato midiático e sendo interessante tanto para fãs da cantora quanto para quem não é tão íntimo de sua obra.


Nota: 8/10

Trailer

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