sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Crítica - Pequeno Demônio

Análise - Pequeno Demônio


Review Little Evil
Fazer filmes paródia nos dias de hoje é complicado. Com internet e redes sociais qualquer obra lançada já é imediatamente ridicularizada online e quando finalmente a paródia "oficial" chega aos cinemas, raramente tem algo a dizer que já não tenha sido dito. Isso aconteceu em produtos recentes como Inatividade Paranormal 2 (2014) ou Cinquenta Tons de Preto (2016). Este Pequeno Demônio, por sua vez, visa parodiar filmes de terror sobre "crianças demoníacas" como A Profecia (1976), O Bebê de Rosemary (1968), Colheita Maldita (1984) ou O Iluminado (1980). Como ele parodia um tipo ou subgênero de filmes, tem mais espaço para trabalhar do que paródias de filmes específicos como as duas citadas acima, mas realmente funciona por ter algo próprio a dizer além de meramente reproduzir cenas icônicas com twists cômicos.

A trama é protagonizada por Gary (Adam Scott). Ele acabou de casar com Samantha (Evangeline Lilly) e está tendo problemas para se relacionar com seu enteado, Lucas (Owen Atlas). Quando ocorrências macabras passam a acontecer constantemente ao redor do garoto, Gary começa a desconfiar que talvez o menino seja o Anticristo.

Boa parte do humor reside na oposição entre as coisas sinistras e obviamente satânicas que o garoto faz e as reações mundanas de Gary e Samantha, como se não houvesse nada de realmente horrendo e preocupante na conduta do garoto. As cenas mais engraçadas são as que brincam com esse contraste severo entre a bizarrice sobrenatural do menino e a conduta mundana de seus pais, como a cena em Gary é chamado à escola depois que Lucas provoca a morte de uma professora ou na cena do palhaço. Sim, muitas das melhores cenas já estão no trailer e algumas piadas soam como algo que já vimos antes, mas no geral o humor funciona.

Adam Scott, famoso por seu trabalho na série Parks and Recreation, já era sabidamente um comediante competente e funciona muito bem ao construir a personalidade incrédula de Gary, que aos poucos vai percebendo que há algo mais em seu enteado. Quem surpreende é Evangeline Lilly, como a mãe que parece não conseguir ou não querer enxergar que há algo muito errado com o filho e a cena em que ela descreve as circunstâncias insólitas envolvendo a concepção da criança como se tudo fosse absolutamente normal é simplesmente impagável.

Além da comédia, o filme é esperto ao investir em uma construção temática que aborda esse clichê da "criança demoníaca" como uma metáfora para as dificuldades da relação entre pais, mães, padrastos e madrastas com seus filhos e enteados. A ideia acaba servindo de um simbolismo de que a criação é mais definidora do caráter de alguém do que sua origem e que, para os olhos adultos, toda criança é meio que um diabinho querendo sair do controle. Ao investir nesses temas, a obra consegue se sustentar sobre suas próprias pernas ao invés de algo completamente dependente do conhecimento prévio dos materiais parodiados.

Assim sendo, Pequeno Demônio acaba sendo o raro caso recente de uma paródia que funciona, trazendo uma competente sátira de antigos filmes de terror e de relações familiares. Não chega a ser uma reinvenção das paródias cinematográficas, mas é melhor do que a grande maioria dos filmes desse tipo que foram lançados nos últimos anos e serve como uma boa diversão.


Nota: 6/10 

Trailer

Um comentário:

Desmitificador disse...

Filme lixo, igual vem sendo todos os cinemas americanos estão uma porcaria e esses merdas não sabe fazer mais comédias boas.

Olha o nome desse filme, tanto auê para nada, lixo dos lixos