sexta-feira, 13 de junho de 2008

Os Boêmios Analisam - O Incrível Hulk


Bom, como o nome da seção diz, aqui é onde fazemos as resenhas filmes, cds, hqs, etc. E o primeiro a ser analisado é o filme O Incrível Hulk.

Não dá para falar desse novo filme do Hulk sem mencionar o longa que Ang Lee fez em 2003. Eu particularmente achei injusta a malhação em torno dele, sei que não é o que os fãs esperavam, que tem pouco a ver com o universo do personagem, mas como cinema o filme de Ang Lee funciona perfeitamente. O diretor chinês usou o personagem da Marvel para tecer um poderoso tratado sobre a monstrusidade inerente à psique humana(o personagem do Nick Nolte consegue parece ser mais monstro do que o Hulk) e foi muito feliz com isso(tá bom, tá bom, os cães hulk ficaram toscos, mas a idéia era interessante).

E isso nos leva ao filme que estreou hoje em circuito mundial. O Hulk genuinamente feito pela Marvel, o Hulk que aparentemente todos queriam ver. E o resultado é bem mediano.

Antes que joguem pedras em mim, deixem-me esclarecer, o filme não é ruim(é melhor do qeu Elektra, se bem que ver capim nascer é melhor do que Elektra), mas falta-lhe tutano. Apesar das negativas do estúdio, no filme é claramente perceptível a diferença entre a visão de Edward Norton(que interpreta Bruce Banner) e a visão do estúdio. Norton queria um filme mais denso, com maior carga dramática e maior desenvolvimento dos personagens. Já a Marvel queria um filme de ação, algo frenético e movimentado e essa discrepância é evidente na tela.

As cenas de Norton são carregadas de emotividade e instrospecçãó, muitas vezes ele nem fala, apenas deixa que sua atuação e a trilha sonora(herdada do seriado de TV) mostrem tudo que ele quer transmitir. Apesar do esforço do ator e do roteiro enxuto e coeso, os personagens têm uma representação bastante unilateral. Banner é o herói trágico e amaldiçoado. Betty(Liv Tyler) é a mocinha disposta a tudo para ajudar seu amado. General Ross(William Hurt) é um caçador obstinado e obcecado, tal qual um moderno Capitão Ahab e seus olhos exibem um misto de admiração, ódio e frustação ao ver sua Moby Dick verde. Emil Blonsky(Tim Roth) é um soldado numa cruzada por poder e não se importa em sacrificar sua humanidade para conseguir o que deseja. Todos eles são representados de modo satisfatório pelo talentoso elenco, mas fica a sensação de que faltaram camadas aos personagens(ao contrário da película de Ang Lee)e de que nas mãos de um elenco inferior o resultado poderia ser desastroso.

As esperadas cenas de ação são rápidas e movimentadas com explosões para todos os lados. Elas são bastante competentes, pricipalmente a perseguição na favela(só faltou o Capitão Nascimento) que quase chega ao nível de O Ultimato Bourne, porém nenhuma delas lhe faz pular da cadeira como a luta com os caças em Homem-de-Ferro ou a perseguição ao Batmóvel em Batman Begins. A própria luta o Hulk e o Abominável é épica, mas não chega a surpreender ninguém que tenha assistido a algo como Transformers.

Enfim, em seu segundo filme a Marvel entregou um produto bastante mediano, como uma boa refeição, porém sem tempeiro. É um filme bom e bem realizado e que sofre com a falta de algo imprescindível em qualquer forma de arte: personalidade. Ele se integra bastante com o universo que a Marvel tenta criar no cinema, os nerds irão ao delírio com as inúmeras referências e com a possibilidade crescente de uma reunião de heróis mas o filme não chega a encantar como deveria. O diretor disse que existem mais de 70 minutos de cenas não utilizadas, uma quantidade assim de cenas não colocadas no filme é reflexo de um diretor inseguro e que não sabia exatamente o direcionamento que queria para sua obra, dequalquer modo, esperamos ver isso em DVD para ver qual corte seria o melhor, o de Norton ou o do estúdio.

Nota 6,5

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