sexta-feira, 8 de abril de 2022

Drops – As Faces da Beleza

 

Análise Crítica – As Faces da Beleza

Review Crítica – As Faces da Beleza
Durante muito tempo o padrão de beleza feminina promovido pelos veículos de comunicação de massa era um padrão que valorizava traços associados a pessoas brancas. Por mais que saibamos que beleza não é tudo, vivemos em uma estrutura social que valoriza a beleza e, por isso, tratar como abjeto, desagradável ou indigno de ser considerado belo um determinado grupo social implica em considerar esse grupo como inferioro. Essa é a discussão que As Faces da Beleza tenta fazer sobre a importância de valorizar e dar visibilidade à beleza negra.

Em termos de estrutura é um documentário bem padrão, com entrevistas e imagens de arquivo, fazendo muito pouco em termos estéticos para ajudar na nossa imersão ao tema, valorizando mais a exposição oral de seus argumentos e usando imagens para ilustrar ou demonstrar certos pontos de vista. É possível ver que há uma ampla pesquisa e presença de estudiosos da área para falar de como o discurso ao redor da aparência da mulher negra foi modulado durante séculos para tratar as feições dessa população como pouco atraentes, aberrantes ou hiperssexualizadas a ponto de reduzi-las a objetos.

O documentário expõe bem os principais estereótipos sobre mulheres negras disseminados na mídia (no jornalismo ou na ficção) e quais os interesses ou visões de mundo implicados nesse processo. Por outro lado, a curta duração (cerca de uma hora) o faz passar muito rápido por temas complicados como o da apropriação cultural. Em outros momentos também apresenta elementos que saem do escopo da discussão sobre beleza negra, como a inserção do caso de Rachel Dolezal, algo tão extremo que nem classificaria como apropriação e sim como fraude.

Não há muito sentido, dentro da temática do documentário, dar tanto espaço a Dolezal, principalmente porque ela demonstra não ter aprendido absolutamente nada desde que foi exposta e continua a vomitar platitudes messiânicas delirantes como a fala de que “anulou o próprio privilégio branco” para ajudar a comunidade negra. Algo que só mostra como ela entende muito pouco do que diz. Todo esse segmento parece existir mais para criar polêmica ao invés de efetivamente discutir os complexos meandros em torno da questão da apropriação cultural.

De todo modo, As Faces da Beleza merece ser visto por sua competente exposição da construção dos discursos de padrões de beleza e branquitude.

 

Nota: 6/10

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