segunda-feira, 18 de abril de 2022

Crítica – O Conto da Aia: 4ª Temporada

 

Análise Crítica – O Conto da Aia: 4ª Temporada

Review - The Handmaid's Tale Season 4
Quando escrevi sobre a terceira temporada de O Conto da Aia (ou Handmaid’s Tale em inglês) mencionei como a série já estava dando sinais de desgaste criativo e era melhor pensar em encerrar. Essa quarta temporada transmite a mesma sensação, principalmente em sua primeira metade, ainda que ofereça momentos bem vindos de catarse em seu final.

O quarto ano continua de onde o anterior parou, com June (Elizabeth Moss) sendo baleada depois de ajudar na fuga de crianças, marthas e aias para o Canadá. Ainda em Gilead, June é socorrida por outras aias que estão em fuga com ela. O grupo consegue refúgio na fazenda da Sra. Keyes (McKenna Grace), a jovem esposa de um comandante idoso demais para se dar conta do que ocorre em sua propriedade. Neste refúgio, June tenta se recuperar enquanto traça planos para seus próximos passos.

A primeira metade da temporada segue o mesmo ciclo previsível das duas temporadas anteriores com June sendo recapturada, torturada, tendo seu ânimo devastado pela tortura, sendo abusada, apenas para recuperar sua força de vontade e fugir de novo. A essa altura já vimos isso acontecer inúmeras vezes ao ponto de nem nos chocar mais e tudo soar como uma mera espetacularização dessa violência. Já sabemos que Gilead é um lugar cruel e misógino, repetir esse ciclo de abusos e torturas não acrescenta muito ao que já sabemos.

Do mesmo modo, muitos momentos soam forçados, só para criar choque, como a fuga das aias diante de um trilho de trem na qual as personagem tomam o pior curso de ação possível, convenientemente agindo feito idiotas, apenas para testemunharmos algumas mortes que não tem qualquer propósito além de chocar. Aliás, essas situações que não são devidamente construídas, como a quantidade de admiradores que Fred (Joseph Fiennes) e Serena (Yvonne Strahovski) ganham durante o julgamento no Canadá. Por tudo que a série mostrou até então, Gilead não parecia muito bem vista internacionalmente, então é estranho que baste um discurso inflamado de Fred para mobilizar várias pessoas fazendo piquete nas ruas do Canadá.

Por outro lado, é justamente quando June finalmente chega no Canadá que a temporada se torna interessante por finalmente sair do ciclo entediante de fuga e captura. Aqui vemos as dificuldades da protagonista tentando se readaptar a uma vida normal, como pequenas coisas ativam traumas, e a dificuldade dela em se reconectar com o marido. Claro, June também não deixa de lado sua raiva e se mobiliza para fazer todos com alguma conexão com Gilead pagarem por seus crimes.

O elenco continua sendo outro ponto forte da série, do trabalho de Elizabeth Moss em construir a dor e a raiva de June, passando pelo fervor genuíno que Ann Dowd traz à Tia Lydia, alguém que soa perigosa porque, ao contrário de muitos em Gilead, ela não vê as doutrinas como mero instrumento de controle, mas por acreditar verdadeiramente em seus ideais. McKenna Grace tem uma participação pequena, mas marcante como a impetuosa Keyes, uma garota que parece ter uma autoridade muito maior que sua juventude e usa essa presença imponente para ocultar suas inseguranças e fragilidades.

O desfecho traz uma poderosa catarse ao finalmente vermos um importante antagonista receber exatamente o que merece da maneira mais brutal possível. Espero que esse seja um indicativo de que a série esteja se movendo para seus trechos finais e mova suas tramas para frente ao invés de ficar andando em círculos como esta temporada ou a anterior.

 

Nota: 6/10


Trailer

Nenhum comentário: