segunda-feira, 25 de maio de 2020

Crítica – Quantico: 3ª Temporada


Análise Crítica – Quantico: 3ª Temporada


Review – Quantico: 3ª Temporada
Quantico iniciou com uma ótima primeira temporada, permeada com personagens complexos e um bom ritmo no manejo da intriga e da tensão apesar da longa quantidade de episódios. A segunda temporada oferecia mais do mesmo, conseguindo se manter competente ainda que já mostrasse que ficar repetindo a mesma estrutura narrativa podia fazer a série se perder. Pois a terceira e última temporada até tenta se reinventar, o problema é que não faz nada de interessante, preferindo se reduzir a um procedural genérico. Aviso que o texto a seguir contem SPOILERS da temporada final.

Depois dos eventos da temporada anterior, Alex (Priyanka Chopra) vive escondida no interior Itália, reconstruindo a vida ao lado do fazendeiro Andrea (Andrea Bosca) e da filha dele. Quando Alex é encontrada por uma terrorista internacional que busca os códigos secretos que ela escondeu, a ex-agente precisa novamente se aliar a Ryan (Jake McLoughlin) e Owen (Blair Underwood) para resolver a questão. Ao final da missão eles decidem se reunir e montar uma equipe secreta do FBI para lidar com os casos mais complicados.

Se as temporadas anteriores sempre tinham grandes arcos ao longo de toda temporada que envolviam os personagens tentando desbaratar uma grande conspiração, aqui é uma estrutura mais autocontida de “casos da semana”, com histórias que se encerram dentro de um episódio. Em si isso não seria problemático se ao menos os casos fossem interessantes ou envolventes, mas isso não acontece, criando tramas genéricas como proteger uma testemunha contra um cartel mexicano, proteger um governante estrangeiro, encontrar o responsável por um ataque biológico e coisas assim.

Não ajuda que os novos membros da equipe não tem muito a fazer, nem são exatamente desenvolvidos, sendo mais dispositivos de roteiro do que sujeitos plenamente realizados. Celine (Amber Skye Noyes) não tem qualquer outra função além de morrer para tentar criar drama entre o resto da equipe. Mike McQuigg (Alan Powell) praticamente só existe para ser mais um vetor no polígono amoroso envolvendo Alex, Ryan e Shelby (Johanna Braddy). Deep (Vandit Bhatt) é o gênio tecnológico genérico e daí por diante. Só quem se salva entre os novatos é Jocelyn (Marlee Matlin), uma agente que ficou surda depois de uma explosão durante uma missão que deu errado e tenta purgar os erros do passado.

Mesmo entre os personagens veteranos, a série não encontra muito o que fazer com eles além de investir nos conflitos afetivos de Alex ou Ryan. Claro, Priyanka Chopra ainda tem um carisma enorme e uma presença magnética, impedindo que Alex se torne entediante, mas nos anos anteriores a atriz teve um material melhor para trabalhar. Era de se imaginar que a pequena duração de episódios fosse render algo mais conciso, como aconteceu com a temporada final de Person of Interest, com uma visão clara da história que quer contar, mas isso não acontece. A série parece perdida, sem saber o que quer ser.

Se as temporadas anteriores usaram as tramas de conspiração para falar das forças autoritárias que existiam dentro dos próprios EUA, aqui parece não ter nada de muito específico a dizer. Muitos eventos também acontecem rápido demais, sem que haja tempo para repercutir adequadamente ou de dar a eles o devido peso dramático. Mal descobrimos que Alex está grávida e rapidamente ela já perde o bebê, por exemplo.

A temporada só encontra uma trama por volta de seus últimos quatro episódios, quando a equipe se torna alvo da vingança do gângster e ex-terrorista irlandês Conor Devlin (Timothy V. Murphy). Murphy consegue dar a Devlin uma presença ameaçadora e ardilosa, que parece estar sempre a frente dos protagonistas. A questão é que apesar de Murphy criar um antagonista convincente, ainda assim Devlin soa como um vilão muito pequeno para ser a ameaça derradeira um grupo de personagens que já desmontou grandes conspirações internacionais encabeçadas por pessoas dentro de governos e com muito mais poder ou autoridade.

Ainda assim, é durante o arco de Devlin que a temporada consegue construir seus melhores momentos, em especial o décimo episódio em que a equipe e seus familiares se refugiam na mansão de Shelby para se protegerem da vingança da Devlin. O episódio não só oferece uma sensação crescente de tensão como ajuda a mostrar mais das relações familiares dos personagens, dando um pouco mais de nuance a eles. O arco de Devlin também entrega algumas boas reviravoltas, como a identidade do informante do criminoso ou a decisão de Devlin em relação ao próprio irmão. O vilão, porém, é despachado de uma maneira razoavelmente anticlimática considerando o tanto de trabalho que deu a Alex e os demais.

O desfecho de Alex também não funciona completamente. Eu entendo o que os criadores tentaram fazer e como se conecta, de certa forma, com a jornada dela ao longo da temporada, de sua conexão com Andrea à gravidez interrompida, mas é difícil acreditar que ela simplesmente ficaria com a guarda de Isabella e tudo ficaria bem. Afinal a própria trama nos informa que Andrea tinha família e é difícil crer que os irmãos do italiano iam simplesmente aceitar que a mulher que foi indiretamente responsável pela morte dele simplesmente leve a filha do agricultor para outro país e a crie longe do restante da família. Do modo como o final é apresentado a nós, soa menos como um “final feliz” e mais como Alex dando início a um incidente internacional.

É uma pena que Quantico, uma série que começou tão boa encontre um desfecho tão morno. Com uma temporada que não consegue encontrar uma nova identidade para a série e arcos desinteressantes, seu ano final está a léguas de distância da qualidade de seu ano de estreia.


Nota: 5/10

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