terça-feira, 16 de outubro de 2018

Crítica – A Justiceira


Análise Crítica – A Justiceira


Review – A Justiceira
Quando despontou para o sucesso com a série Alias, todo mundo apostava que Jennifer Garner seria a próxima grande heroína de ação hollywoodiana. Ela até fez alguns esforços nesse sentido, mas em projetos de pouco sucesso como Demolidor (2003) e Elektra (2005). De lá pra cá Garner acabou fazendo muita coisa que não aproveitava bem seu talento para a ação, interpretando o papel de mãe de família em comédias como Alexandre e o Dia Terrível, Horrível, Espantoso e Horroroso (2014), Virei Um Gato (2016) ou em dramas como Milagres do Paraíso (2016). Este A Justiceira marca o retorno de Garner ao reino da ação e dá a impressão de que a atriz merecia um material melhor.

Garner interpreta Riley, uma mulher que vê o marido e a filha serem mortos por um cartel de drogas mexicano. Quando os responsáveis são soltos a despeito de Riley tê-los identificado, ela desaparece sem deixar rastros. Cinco anos depois da morte da família, ela retorna à sua cidade natal para se vingar de todos os envolvidos.

É um filme de vingança bem direto. Se inicialmente a narrativa levanta temas como corrupção ou o peso de trauma sobre uma pessoa, depois do salto temporal de cinco anos tudo isso é esquecido e a reflexão sobre violência urbana ou sobre o peso do trauma nos ombros de Riley são deixados de lado. A questão do vigilantismo armado também não é muito abordada, sendo curioso que nas primeiras cenas vemos Riley dizer à filha que violência nunca é a solução para depois a vermos se tornar uma vingadora sanguinária. É quase como se a mensagem no coração da trama fosse a de que a violência é sim a solução. Desta maneira, a trama acaba simplificando demais uma questão moral que é bastante complexa.

Quem segura o filme é Garner, nos mostrando inicialmente a doçura de Riley e o afeto que ela tem pela família e depois fazendo a transição para a fisicalidade bruta da personagem, apresentando uma presença segura e imponente que reflete os anos de treinamento dela. A atuação de Garner deixa evidente do trauma de Riley, alguém movida por dor e desespero, evitando que vejamos a protagonista como uma sociopata sádica que sente prazer em sua violência como aconteceu com Bruce Willis no recente remake de Desejo de Matar.

Ainda assim, Garner é sabotada pelo roteiro que às vezes a coloca em situações de crueldade desnecessária, como a cena em que ela invade a casa de Peg (Pell James) uma mãe megera que prejudicou a filha dela anos atrás. A mulher tinha sabotado o aniversário da filha de Riley, mas está longe de ser uma ameaça, fazendo a humilhação que a protagonista a sujeita soar desmedida. Os diálogos entre as duas inclusive tem uma moral duvidosa, com Riley jogando na cara de Peg o fato dela ter sido abandonada pelo marido e trocada por uma mulher mais jovem, como se Peg fosse culpada pela traição que ela mesmo sofreu, algo que soa relativamente machista. Assim, é uma pena que Garner tenha um material tão raso para trabalhar, já que a atriz se mostra mais do que apta a segurar um filme do gênero.

A ação é bem violenta, ressaltando a brutalidade da protagonista, mas apesar disso e da entrega de Garner, nunca chega a empolgar ou oferecer algo que salte aos olhos. Acerta ao não fazer da protagonista uma máquina invulnerável, mostrando ela debilitada em virtude dos ferimentos sofridos. Isso poderia servir para ampliar a sensação de perigo ou urgência em relação ao seu destino, mas os vilões são tão genéricos e tão sem personalidade que nunca chegamos a duvidar do sucesso de Riley.

Apesar da entrega de Jennifer Garner, A Justiceira nunca consegue ir além de um filme de vingança derivativo e raso que não consegue empolgar como deveria.

Nota: 4/10

Trailer

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