sexta-feira, 8 de maio de 2020

Lixo Extraordinário – Gymkata: O Jogo da Morte



Análise – Gymkata: O Jogo da Morte

Review – Gymkata: O Jogo da Morte
Lançado em 1985, Gymkata: O Jogo da Morte parte da ideia de criar um novo estilo de luta a partir da combinação de artes marciais orientais e ginástica olímpica. Pode até parecer uma premissa curiosa e promissora, mas o resultado final causa risos pelo péssimo roteiro, atuações e cenas de luta.

Na trama, Jonathan (Kurt Thomas) é um ginasta de sucesso  que é recrutado pelo governo para participar de um mortal jogo de sobrevivência promovido pela fictícia nação do Parmistão. Como o governante do país concede um desejo a quem vencer, o governo quer colocar alguém na competição para ter seu desejo atendido, de colocar no Parmistão uma base militar de seu projeto antimísseis, o projeto Star Wars (como ninguém foi processado por usar esse nome no filme?). A partir daí acompanhamos o treinamento de Jonathan e depois sua participação nos jogos.

O filme é permeado por decisões sem sentido, sejam de roteiro ou de direção. Os primeiros minutos, que mostram Jonathan ganhando uma competição mais parecem o final de um filme da época, com uma única luz no protagonista, música tensa e a imagem sendo congelada (também conhecido como freeze frame) no momento em que ele desmonta do aparelho com um acompanhamento musical triunfante dá uma ideia de clímax, de fim. No entanto assistimos apenas uns quatro minutos do filme.


Os sotaques dos personagens são inconsistentes. A princesa fala um inglês quebrado, com um forte sotaque asiático, como se não fosse não fosse fluente no idioma apesar de estar a algum tempo nos EUA (quanto tempo? Não se sabe), mas o pai dela, o khan do Parmistão, fala um inglês estadunidense claríssimo e sem sotaque apesar de aparentemente nunca ter deixado o Parmistão. Imagino que ninguém envolvido na produção reparou nisso e que provavelmente cada ator falou com seu próprio sotaque e dicção, sem que houvesse uma preocupação de criar um modo de falar específico para o país fictício que criaram.

No roteiro, os problemas também já começam desde o início. Porque o governo chama um ginasta? Porque não um agente que tenha um bom condicionamento físico? O texto tenta explicar isso ao dizer que o pai de Jonathan teria participado e morrido nos jogos tempos atrás, mas isso não prova que ginastas talvez não sejam os mais indicados?

Quando chega a hora de irem para o Parmistão, o agente que está cuidando de Jonathan informa que eles não podem simplesmente entrar no país, que precisarão cruzar a fronteira de mula pelas montanhas. Assim que Jonathan chega, porém, é informado que estava sendo esperado e que sabiam que ele viria. Tudo isso levanta questões sobre como a tal competição funciona. Ele precisou se inscrever antecipadamente? Se mundo inteiro sabe da competição porque é tão difícil entrar no país? Lembrando que a princesa do Parmistão estava trabalhando com o governo, então não tem sentido que a princesa precise entrar escondida no próprio país.

O desenvolvimento dos personagens também não faz lá muito sentido. O treinamento de Jonathan envolve habilidades que não seriam úteis em nenhum contexto, como as sucessivas tentativas de subir uma escada plantando bananeira. Cheguei a pensar que talvez isso fosse ser usado na competição de alguma maneira, mas não tem qualquer utilidade, sendo jogado de qualquer jeito na tela. A relação entre Jonathan e a princesa acontece basicamente porque o roteiro exige, já que eles nem conversam e mal interagem e já estão se beijando. Mais para frente, quando chegam no Parmistão, ficamos sabendo que o khan prometeu a princesa em casamento a Zamir (Richard Norton), seu capitão da guarda real. Isso deveria criar um conflito e riscos claros para a derrota de Jonathan, mas como a relação entre o herói e a mocinha praticamente não foi desenvolvida, não há muito com o que se importar aqui.

O terço final tem algumas reviravoltas absurdas. A principal delas é o fato do pai de Jonathan estar vivo, o que levanta muitas perguntas. Porque ele não tentou voltar para os EUA ou ao menos contatar o governo ou a família nas últimas décadas? O mais absurdo é a justificativa que ele dá para ter sobrevivido, dizendo que árvores apararam a queda. O problema dessa explicação é que os flashbacks da morte dele mostram o penhasco no qual ele caiu e claramente não há árvore alguma ali, sendo um penhasco rochoso desprovido de vegetação.

Tudo isso até seria perdoável se ao menos as cenas de luta fossem bem realizadas, mas a condução delas é praticamente amadora. Poderíamos imaginar que uma mistura de ginástica olímpica com caratê fosse render lutas velozes e brutais, mas todas as coreografias são lentas e desajeitadas. Os oponentes parecem ir diretamente ao encontro dos socos e chutes de Jonathan, isso quando não caem sem sequer serem tocados por ele. Em muitos momentos o protagonista simplesmente dá uma cambalhota ao lado dos adversários, passa longe deles e ainda assim eles caem como se tivessem sido nocauteados.

A ideia de que a junção de artes marciais e ginástica olímpica seria um estilo de luta incrível e letal cai por terra quando a maioria das lutas depende de Jonathan encontrar na arquitetura dos espaços algum objeto que pareça com aparelhos de ginástica para poder lutar com eficiência. Mesmo quando isso acontece, as coreografias de luta geram mais risos que empolgação, já que tudo que o protagonista faz é rodopiar enquanto os adversários se jogam na direção de suas pernas.

A maioria dos aparelhos improvisados também é pouco crível, a exemplo do bloco de concreto com alças que aparece no meio da rua para funcionar como um cavalo com alças da ginástica. A cena inteira me fez rir alto, já que Jonathan está cercado por uma multidão armada com lanças e foices, mas ainda assim sai vitorioso porque seus inimigos se limitam a correr de peito aberto na direção de suas pernas rodopiantes ao invés de, sei lá, usar uma das lanças para perfurá-lo de uma distância segura.

Com uma trama inexistente, atuações canastronas e cenas de ação ridículas, Gymkata: O Jogo da Morte se torna divertido por conta da ruindade.

A melhor/pior cena de luta do filme:

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