segunda-feira, 18 de maio de 2020

Crítica – A Missy Errada



Análise Crítica – A Missy Errada

Review – A Missy ErradaA quarentena realmente já está começando a me afetar. Só isso explica eu ter me sujeitado a assistir este A Missy Errada, mais uma produção picareta da Happy Madison de Adam Sandler que não tem outra razão de existir a não ser dar um contracheque aos amigos de Sandler que praticamente não trabalham em nenhum filme além dos que Sandler produz, como David Spade, Rob Schneider, Nick Swardson, Jonathan Loughran ou a esposa e filho de Sandler, Jackie e Jared.

Também existe para mandar toda essa galera em uma viagem de férias a ser posta na conta do estúdio financiando a produção (nesse caso a Netflix), inserindo arbitrariamente na trama uma viagem para algum lugar paradisíaco ou exótico, tal como já tinha acontecido em Esposa de Mentirinha (2011), Juntos e Misturados (2014), Zerando a Vida (2016), Mistério no Mediterrâneo (2019) ou mesmo o cruzeiro inserido sem qualquer motivo em Cada Um Tem a Gêmea que Merece (2011). Enfim, como muitas produções de Sandler, existe para que o elenco se divirta sem qualquer esforço de divertir sua audiência.

Na trama, Tim (David Spade) aparentemente conhece a mulher dos seus sonhos, Missy (Molly Sims) em um aeroporto, mas como ambos tem voos a pegar trocam telefones para conversarem. Quando recebe uma mensagem de Missy, Tim desenvolve a conversa e tudo flui bem ao ponto que resolve convidá-la para que o acompanhe em uma viagem de trabalho que vai no Havaí. O problema é que ele estava conversando com outra Missy (Lauren Lapkus), uma mulher grudenta e histérica que ele conheceu em um encontro às cegas dias atrás. Agora ele precisará lidar com essa estranha e tomar cuidado para que ela não estrague sua chance de bajular o chefe e obter uma promoção.

É óbvio que Tim irá eventualmente se apaixonar pela Missy “errada” e deixar de lado a mulher idealizada que conheceu antes, tal qual aconteceu com Adam Sandler em Esposa de Mentirinha, que também envolvia uma arbitrária viagem ao Havaí. O problema aqui, é que essa guinada nunca é plenamente justificada pelo roteiro, com Missy magicamente deixando de ser uma louca histérica alcoólatra que só dá vexame, para uma mulher centrada infalível e capaz de resolver todos os problemas das pessoas ao seu redor.

Lauren Lapkus faz o que pode com a personagem, tentando ao máximo extrair alguma graça de Missy, mas fica presa a um humor físico óbvio, situações pouco criativas e piadas de gosto duvidoso que tentam fazer graça com situações de abuso sexual ou suicídio. A piada com suicídio inclusive cria uma contradição com o fato dela ser uma terapeuta aparentemente competente. Já Spade, por outro lado, parece sequer se esforçar, parecendo entediado em cena e se limitando a tentar reagir ao que acontece ao seu redor.

O resto do elenco é composto por personagens de uma piada só, nenhuma delas engraçada. O dono de barco interpretado por Rob Schneider tem como único traço o fato da mão ter sido mutilada por um tubarão, ficando em uma eterna posição de hang loose. Jackie Sandler é a chefe megera de Tim que tenta sabotar a aproximação dele com o dono da empresa, mas é tão inexpressiva que não consegue funcionar como antagonista ou mesmo em momentos de comicidade.

Aliás, o filme inteiro é incapaz de criar qualquer situação de conflito, resolvendo tudo muito fácil e muito rápido. Quando a Missy “certa” chega no resort, imaginamos que Tim irá ao menos ficar dividido, mas não ele rapidamente a dispensa e a mulher parece aceitar tranquilamente o fato de ter viajado horas de avião a troco de nada. Ora, se a ida dela ao resort não ia ter impacto algum na trama, porque inserir essa cena?

Há apenas um único momento em que dei risada, a última cena quando Tim e Missy se beijam em um close acompanhado de uma música romântica, seguido de um rápido corte para um plano aberto e sem a música, como que para fazer graça em cima dos clichês exagerados de filmes românticos. É o único momento dotado de um mínimo esforço criativo, mas, logicamente, não salva ou redime os noventa minutos de pura preguiça que antecederam tudo isso.

A Missy Errada é uma daquelas comédias em que o elenco provavelmente se divertiu fazendo, mas que esqueceram que o público também tinha que se divertir.

Nota: 2/10


Trailer

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