quarta-feira, 11 de julho de 2018

Crítica – Arranha-Céu: Coragem Sem Limites


Análise Crítica – Arranha-Céu: Coragem Sem Limites


Review – Arranha-Céu: Coragem Sem Limites
Na superfície Arranha-Céu: Coragem Sem Limites parece uma colagem pouco inspirada de Duro de Matar (1988) com pitadas de Inferno na Torre (1974) e, bem, é só isso mesmo. Não é exatamente um produto ruim, mas é tão derivativo, sem personalidade e apoiado em refazer cenas que já vimos em filmes melhores que não me produziu nada além de apatia.

A trama é centrada em Will Sawyer (Dwayne “The Rock” Johnson), um ex-militar que depois de perder a perna em combate passou a trabalhar com segurança privada. Ele é contratado pelo bilionário Zhao (Chin Han) para avaliar a segurança de seu novo empreendimento: o Pérola, um arranha-céu tão grande que é praticamente uma cidade vertical. A avaliação de Will está quase acabando quando criminosos armados invadem o prédio e incendeiam parte dos andares, incluindo o pavimento no qual a família de Will está. Assim, o protagonista precisa salvar a família e deter os criminosos.

The Rock se afasta um pouco dos tipos invencíveis que vinha fazendo, como no recente Rampage: Destruição Total, para assumir a persona de um herói mais vulnerável, nos moldes do John McClane de Duro de Matar. Além das dificuldades envolvendo sua prótese na perna, Will se fere a cada confronto, precisando parar para improvisar curativos e pensar cuidadosamente suas ações. Tudo isso ajudaria a construir uma sensação de perigo e nos fazer temer pelo personagem conforme seus ferimentos se agravam, mas é tudo tão igual a Duro de Matar e seus muitos clones, que nada soa genuíno, mesmo com o carisma de The Rock.

Igualmente carismática é Neve Campbell (a eterna Sidney de Pânico) como Sarah, a esposa de Will. A narrativa acerta ao nunca reduzi-la a uma mera donzela em perigo e em lhe dar um papel ativo no resgate dos filhos, mas tirando a motivação de proteger a família, a personagem não tem muita substância. O vilão é completamente desprovido de personalidade e a demora do filme em explicar seu plano ou motivações só contribui para que ele permaneça como uma caricatura rasa e quando as explicações chegam, são tão básicas e simplórias que fico me perguntando qual a razão do roteiro construir tanta expectativa em cima de algo tão banal.

O filme consegue criar alguns momentos de tensão, como o segmento em que Will escala uma grua, mas muitas vezes é prejudicado por efeitos especiais pouco convincentes, que deixam evidente que estamos vendo os atores interagirem com um fundo verde. Isso acontece em algumas cenas nas beiradas do prédio como também no tiroteio climático envolvendo um salão espelhado desnecessariamente (ou talvez preguiçosamente) feito por efeitos digitais, principalmente levando em conta que John Wick: Um Novo Dia Para Matar (2017) conseguiu fazer uma excelente cena de ação em um corredor de espelhos sem precisar abusar tanto de computação gráfica. Esse senso de artificialidade é prejudicado pelo péssimo 3D, que falha em criar a sensação de profundidade e vertigem planejada, diferente do que acontecia, por exemplo, em A Travessia (2015), no qual o senso de profundidade em relação à altitude dos personagens era bastante palpável.

No fim das contas, Arranha-Céu: Coragem Sem Limites é um daqueles tão inanes que não consegue despertar qualquer sentimento em relação a ele, não chegando a ter nada errado ou problemático ao ponto de dar raiva, mas também sem fazer qualquer esforço de ir além das fórmulas manjadas que reproduz para conseguir satisfazer.


Nota: 5/10


Trailer

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