segunda-feira, 25 de março de 2024

Crítica – Final Fantasy VII Rebirth

 

Análise Crítica – Final Fantasy VII Rebirth

Review – Final Fantasy VII Rebirth
Depois que Final Fantasy VII Remake se mostrou um bom começo para a reimaginação do clássico RPG para as gerações atuais, ficava a dúvida de como uma segunda parte lidaria com os ambientes mais abertos do game após a linearidade do segmento em Midgar. Outra dúvida também seria de quantas partes mais o remake teria. Felizmente Final Fantasy VII Rebirth entrega tudo que esperávamos, com mais exploração, minigames e personagens, além de explicitar que esse será a segunda parte de uma trilogia que comporá o remake do Final Fantasy VII original.

A trama segue no ponto em que o anterior parou, com Cloud e seus aliados fugindo de Midgar e iniciando uma busca por Sephiroth. Ao longo do caminho encontrarão as consequências das ações da Shinra extraindo a energia do planeta, serão alvos do novo presidente da empresa, Rufus, e também lidarão com seus próprios problemas pessoais.

Assim como o game anterior, ele é fiel às principais batidas da trama ao mesmo tempo em que expande e recontextualiza vários elementos. Se antes a ida a Gongaga, cidade natal de Zack, era opcional, agora é parte da história. Missões secundárias ajudam a entender o sofrimento da população e como é viver naquele universo ao mesmo tempo em que aprofundam as relações entre os membros da equipe de protagonistas. Em geral os personagens tem mais camadas e se tornam mais interessantes conforme o texto se abre para mais interações com eles.

Por outro lado, o clímax, assim como aconteceu na primeira parte, desmorona por conta de todas as presepadas de linhas do tempo e universos paralelos que o jogo insere na sua narrativa para tentar justificar as mudanças na narrativa. Como falei em uma análise do final primeiro jogo, tentar explicar internamente porque as coisas são diferentes só torna tudo desnecessariamente complicado. Aqui, especificamente, toda a coisa de mundos paralelos só esvazia a morte de uma personagem importante, que se perde na bagunça de multiverso. Algumas ideias, como a presença de Zack, acabam acrescentando pouco, mostrando que toda essa maluquice de temporalidades paralelas é mais um problema do que um benefício.

Se no primeiro game ficávamos em ambientes lineares, aqui temos grandes continentes a descobrir. Não é um mundo aberto, mas um mapa dividido em áreas amplas com muito a explorar. Sim, muitas atividades desse mundo aberto são aquilo que se espera desse tipo de jogabilidade, com monstros para caçar, torres para revelar locais de interesse e tesouros a coletar. Ainda assim fazer tudo isso raramente se torna entediante por conta de que tudo nos faz aprender mais sobre esse mundo, os personagens que nele habitam, além de obter recursos para nossa equipe.

Os produtores dizem ter se inspirado em The Witcher 3: Wild Hunt para a construção de suas missões secundárias e esse esforço é visível no jogo, já que elas sempre trazem histórias interessantes sobre esse universo e nos mostram as dificuldades daquele mundo à beira de um cataclisma. Algumas até me colocam para interagir com personagens que eu não esperaria receberem tanta atenção, como o momento em que reencontrei o dono da estalagem de Kalm em uma missão na área de Nibelheim, descobrindo o trágico destino do ex-militar. O jogo também apresenta uma grande variedade de minigames, desde os já conhecidos como aqueles da Gold Saucer, a alguns novos como as batalhas de robôs em Cosmo Canyon ou o dos Cactuars em Corel. A maioria é bem divertida, com o minigame de furtividade para capturar o chocobo de cada região sendo um dos pontos negativos.

Os mapas impressionam não apenas pelo escopo e amplitude, como também pela variedade de biomas e possibilidades diferentes de exploração. Da selva de Gongaga, passando pelo deserto de Corel ou pelas montanhas de Cosmo Canyon, cada local tem uma identidade própria e maneiras bem particulares de se locomover, mantendo o frescor da descoberta e da exploração, algo importante considerando que fazer tudo que o jogo tem a oferecer provavelmente vai tomar cerca de cem horas (eu mesmo levei quase noventa).

O combate usa a base do jogo anterior, com batalhas em tempo real no qual ataques comuns enchiam a barra de ação para a execução de magias ou golpes especiais. Esse elementos são ampliados com a adição de um botão de esquiva, dando outras opções defensivas além de bloquear, e das ações em dupla. Essas ações variam de habilidades que podem ser usadas livremente, como Tifa pedindo a um aliado para arremessá-la para o alto de modo a alcançar inimigos voadores, a grandes ataques especiais que precisam de alguns segmentos da barra de ação.

Assim os componentes de sua equipe importam não apenas pelo que eles individualmente trazem, mas também suas interações com os demais membros, abrindo bastante espaço para experimentação e construção de diferentes builds de grupos. O combate ainda se beneficia da variedade de personagens, com cada um soando completamente distinto do outro e tendo sua própria forma de jogar. Barret mantem a pressão nos inimigos com sua arma de fogo acoplada no braço, enquanto Red XIII foca em contra-ataques devastadores ou Cait Sith tem habilidades que manipulam a sorte no campo de batalha. Se no game original de 1997 tinham alguns personagens que eu não tinha muito interesse em jogar, como Yuffie ou Cait, aqui eu me envolvi com cada um deles por conta da singularidade que cada combatente traz para as lutas.

Trocar de personagem durante o combate envolve saber explorar a potencialidade de cada um e contribui para batalhas que são simultaneamente dinâmicas e estratégicas. Em especial contra chefes e alguns inimigos exóticos encontrados no mapa, que realmente exigem que exploremos suas fraquezas e aprendamos seus padrões para derrotá-los, testando nossa habilidade e conhecimento das mecânicas.

Refinando todos os elementos da primeira parte Final Fantasy VII Rebirth oferece excelente combate e exploração, elevado por personagens carismáticos e um mundo singular a explorar, ainda que sua bagunça multiversal prejudique o desfecho e uma das principais reviravoltas do game.

 

Nota: 9/10


Trailer


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