quarta-feira, 13 de julho de 2022

Crítica - Resident Evil: Bem-Vindo à Raccoon City

 

Análise Crítica - Resident Evil: Bem-Vindo à Raccoon City

Review - Resident Evil: Bem-Vindo à Raccoon City
A franquia Resident Evil não dá sorte no audiovisual. Seja em live action, seja em animação, as adaptações dos games de horror para cinema e televisão sempre deixam a desejar. O mais novo exemplar disso é este Resident Evil: Bem-Vindo à Raccoon City que tenta ser mais próximo dos games do que os filmes dirigidos por Paul W.S Anderson e protagonizados por Milla Jovovich.

A narrativa se passa no final da década de 90 na fictícia Raccoon City, cidade cuja economia depende quase que exclusivamente da gigante farmacêutica Umbrella. Quando a empresa deixa o local, a cidade colapsa, com poucos habitantes restando. É nesse momento que Claire (Kaya Scodelario) retorna à cidade, visando alertar o irmão Chris (Robbie Amell) dos experimentos escusos que a empresa vem fazendo. Antes que consiga, no entanto, um alerta é emitido e a divisão de elite da polícia local, da qual Chris faz parte, é despachado para investigar uma ocorrência em uma instalação remota da Umbrella. Claire acaba presa na delegacia da cidade com o novato Leon (Avan Jogia) quando criaturas começam a atacar.

O filme tenta mesclar eventos do primeiro e do segundo game, mas acaba sendo muita coisa para dar conta nos cerca de cem minutos de duração e como resultado muita coisa passa muito rápido e não é desenvolvida a contento. A trama tem cinco protagonistas, mas não consegue criar nada interessante para nenhum deles.

Na verdade, muitos personagens sequer tem desenvolvimento ou qualquer arco narrativo. Jill (Hannah John Kamen) existe só para ser a militar durona genérica, enquanto Leon é reduzido ao clichê do novato atrapalhado que não faz nada direito, funcionando como alívio cômico. Além disso não fazer sentido para o personagem, quando ele eventualmente se torna um sobrevivente competente, a transformação do personagem parece ocorrer simplesmente porque o roteiro exige.

O mesmo acontece com o relacionamento conflituoso entre Claire e Chris, os únicos personagens que tem alguma trama própria. O início estabelece que os irmãos não se dão bem, eles partem em suas tramas paralelas e assim que se reencontram o relacionamento é imediatamente consertado porque Chris percebeu que Claire tinha razão sobre a Umbrella. Como tudo é muito súbito e sem a devida construção, o drama familiar não tem impacto algum.

A produção, no entanto, ao menos é fiel a muitos elementos do material original, desde o visual de muitos personagens, passando pela recriação de alguns momentos chave dos jogos e de algumas piadas (como o diálogo do “sanduíche de Jill”). Elementos dos jogos como os quebra-cabeças escondidos na mansão da Umbrella também são evidenciados. Um exemplo é a cena em que Wesker (Tom Hopper, de The Umbrella Academy) toca o piano para tentar abrir uma passagem secreta.

Apesar da tentativa de fidelidade, a trama deixa a desejar tanto da construção dos personagens quanto na ação. Além da típica montagem excessivamente picotada que se tornou uma praga no cinema de ação contemporâneo o filme ainda peca por uma computação gráfica bastante artificial, que deixa evidente que os personagens estão interagindo com um set vazio ou um dublê vestindo uma roupa verde. O embate climático com a mutação de William Birkin (Neal McDonough) não só tem esses dois problemas como também se resolve de maneira muito fácil e muito rápida.

Mesmo com a tentativa de fazer algo mais próximo dos games, Resident Evil: Bem-Vindo à Raccoon City se limita a apresentar personagens vazios e ação prejudicada por visuais ruins.

 

Nota: 4/10


Trailer

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