quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Crítica – Bliss: Em Busca da Felicidade

 Análise Crítica – Bliss: Em Busca da Felicidade


Review – Bliss: Em Busca da Felicidade
O que significa ser feliz? É uma pergunta pertinente, cujo exame poderia render um bom filme. Isso não acontece neste Bliss: Em Busca da Felicidade, que parte deste questionamento, mas se perde em um universo mal concebido e uma exploração rasa dos temas que tenta apresentar.

Na narrativa Greg (Owen Wilson) é um homem recém divorciado que tem sonhos vívidos de uma vida à beira mar em um local paradisíaco, o oposto de seu cotidiano com um trabalho desinteressante em uma cidade tomada por poluição e desigualdades sociais. Quando Greg é demitido, ele conhece a misteriosa Isabel (Salma Hayek) que lhe diz que tudo aquilo é uma simulação e começa a mostrar a ele como tudo ali é artificial.

Uma reviravolta na metade explica a real natureza da simulação em que os personagens viviam e a partir daí o filme praticamente responde suas principais questões e não há muito motivo para continuar, já que tudo passa a ser uma repetição das mesmas ideias que são prejudicadas por situações que nunca são plenamente explicadas ou desenvolvidas. É o tipo de filme que ficaria melhor como um curta metragem do que como um longa.

Os universos da simulação e fora dele não tem exatamente seu funcionamento muito bem delimitado, o que gera alguns questionamentos e eventuais incoerências, principalmente perto do final. Se Isabel foi quem criou aquela simulação, como ela pode não saber se a morte de alguém lá dentro causaria a morte de alguém no mundo real? Se os cristais são necessários para sair ou reprogramar aquela simulação, porque fazer eles tão raros ao ponto de arriscar as pessoas que estão ali? Quando Isabel procura Kendo (Ronny Chieng) no final, que motivos ela teria para crer que ele queria machucá-la? Afinal a própria trama explicou que ele é uma pessoa real, que sabe estar em uma simulação, sendo colocada ali para ajudar Isabel e os demais, então não faz sentido que Isabel o ataque.

Do mesmo modo, os eventos do clímax, com a simulação “vazando” para o mundo real nunca é explicado de maneira clara. Esse embaralhamento da realidade está acontecendo só com Greg e Isabel ou está afetando todos? De início parece que é só com os protagonistas, mas quando Isabel fala do problema ela parece dizer que as duas realidades estão se misturando de uma maneira geral, o que não faria muito sentido. Cheguei até a pensar que a narrativa iria sugerir que até mesmo o utópico mundo real fosse uma simulação, no entanto, é só algo mal explicado mesmo. É curioso que uma narrativa tão preocupada em falar sobre a importância da ciência, que até traz em pequenas pontas figuras da ciência do mundo real como Bill Nye ou Slavoj Zizek, não consiga delimitar plenamente o funcionamento da ciência que cria para a trama.

A mensagem de que só reconhecemos a felicidade em oposição aos momentos de dificuldade acaba sendo relativamente simples para toda a natureza mirabolante da trama, principalmente porque o filme nunca vai além da superfície dessas ideias. Filmes como Divertida Mente (2015) trataram disso de maneira muito mais consistente. Outro problema é que o conflito principal, de Greg ainda apegado à filha que tinha na simulação (que era uma entidade completamente digital), simplesmente não funciona. A narrativa nunca nos faz ver esse apego ou essa relação próxima que ambos tinham, eles sequer aparecem em cena juntos até o terço final. Então se não conseguimos sentir ou perceber que há de fato um forte afeto entre eles, se isso não é devidamente construído pela narrativa, não temos como nos importar se ele irá escolher a filha digital ou o mundo real.

Sem chegar perto de alcançar suas grandes pretensões, Bliss: Em Busca da Felicidade é uma ficção científica rasa, com conflitos mal construídos e um universo que não soa coeso como deveria.

 

Nota: 2/10


Trailer

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