sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Crítica – O Céu da Meia-Noite

 

Análise Crítica – O Céu da Meia-Noite


Review – O Céu da Meia-Noite
Um homem em estado terminal é deixado sozinho em um observatório na Antártica com o objetivo de avisar uma missão espacial retornando de uma das luas de Júpiter para não retornar ao planeta, que enfrenta uma catástrofe irreversível, esse é o início de O Céu da Meia-Noite. Enquanto Augustine (George Clooney) tenta contatar a estação espacial tripulada por Sully (Felicity Jones), ele encontra uma menina deixada no observatório. Sem escolha, ele decide cuidar da menina enquanto tenta avisar Sully e os demais para retornarem para a lua de Júpiter que descobriram ser habitável.

É um filme que tem muitas pretensões sobre temas como preservação ambiental, importância da família, o futuro da humanidade e outros temas complexos. A questão é essas ideias são todas tratadas sem qualquer complexidade ou nuance, recorrendo a clichês e discursos pré-prontos que não trazem nada de muito novo à discussão dessas ideias, mas que são tratadas por Clooney (que também dirige o filme) como se ele estivesse descobrindo a roda. A mesma empáfia messiânica que ele já tinha exibido no péssimo Suburbicon: Bem-Vindos ao Paraíso (2017).

Clooney consegue trazer algum afeto e calor humano genuínos para a relação de Augustine com a menina Iris (Caoilinn Springall), mas não vai além do lugar comum do velho turrão que aos poucos se abre emocionalmente para uma criança adorável. A reviravolta final envolvendo os dois, embora faça sentido por remeter aos temas de importância da família e de uma ciência mais humanizada, acaba soando mais como uma tentativa de criar um desfecho-surpresa impactante do que algo que ajude a construir a mensagem com mais consistência.

Na verdade, durante boa parte do filme sequer há clareza da mensagem a ser contada ou do que ele quer fazer com os personagens. Eles caminham a esmo por eventos desinteressantes que ou não tem muito a dizer sobre os personagens e temas tratados ou então martelam sem qualquer sutileza as mensagens que o filme tenta construir.

Como ele se divide em diferentes frentes e com muitos personagens, tudo acaba soando superficial e unidimensional. É difícil, por exemplo, se importar com os astronautas da equipe de Sully quando eles são uma coleção de clichês e, com isso, as decisões finais dele acabam não causando impacto. Do mesmo modo, o longo segmento de Sully e equipe tentando consertar as comunicações da estação especial é desprovido de tensão ou suspense, não envolvendo como deveria.

Visualmente é o mais impressionante trabalho da carreira de Clooney como diretor, tanto na sensação de imensidão gélida do Polo Sul, quanto no esplendor da Lua de Júpiter, o filme consegue trazer um senso de escala e de deslumbramento visual mesmo quando o texto em si não convence. É uma pena, já quando começou a trabalhar como diretor Clooney exibiu grande potencial em filmes como Confissões de Uma Mente Perigosa (2002), Boa Noite e Boa Sorte (2005) e Tudo Pelo Poder (2011). Nos últimos anos, no entanto, Clooney tem entregue filmes superficiais e inconsistentes que não se sustentam sob o peso das pretensões que Clooney coloca neles, como Caçadores de Obras Primas (2014) ou o já citado Suburbicon.

Prejudicado por um senso de autoimportância, O Céu da Meia-Noite não sai da superfície dos muitos temas que tenta desenvolver, resultando em algo arrastado e sem foco a despeito da qualidade visual.

 

Nota: 4/10


Trailer

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